| Louis e Fionn: cura gay? |
Assustado diáriw, este filme foi bastante comentado quando começou ser exibido no exterior, mas eu não fazia ideia de como um romance de época poderia servir de disfarce para um verdadeiro filme de terror. Acho bastante interessante quando utilizam os elementos do gênero para abordar preconceitos e acho que funciona muito bem quando o diretor sabe exatamente até onde ir . O diretor estreante Will Seefried me deixou um tanto perturbado ao levar a "cura gay" para uma instância, digamos, cirúrgica (sem trocadilhos). A trama se passa na Inglaterra de 1920 e acompanha Owen (Fionn O'Shea), um jovem que deseja se tornar escritor e está internado para tratar sua homossexualidade. É bom lembrar que até 1967 ser gay era considerado crime naquele país, portanto, ao vermos o relacionamento de Owen com o médico Phillip (Robert Aramayo) entendemos que ambos correm um risco grande de serem descobertos. Se Owen não apresenta problemas com sua sexualidade, o mesmo não pode se dizer do seu parceiro, já que acredita que uma cirurgia seja capaz de mudar seus desejos. Se a coisa fica estranha com Owen ajudando o moço a ser cobaia da própria teoria (argumentando que a mente dele não é gay, por saber que é errado, o problema está no corpo que é desobediente), a coisa piora ainda mais quando Charles (Louis Hofmann da série Dark) aparece caindo de amores por Owen. Com aquela estética de filme inglês bem produzido e com elenco competente, o filme se torna cada vez mais sufocante, instaurando uma atmosfera de thriller queer que prende a atenção e gera o incômodo necessário para imaginar o quão nocivo é o preconceito. De nada serve o final poético (alusão ao título) para mais um gay cinematográfico sofrido. Nada de bom pode nascer de uma mentalidade excludente. Já a sociedade insiste em seu próprio câncer preconceituoso.
Lírios Não São Para Mim (Lilies Not For Me / 2024 - Reino Unido - França - EUA - África do Sul) de Will Seefried com Fionn O'Shea, Robert Aramayo, Erin Kellyman e Jodi Balfour. ☻☻☻☻
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