sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

PL►Y:First They Called My Father

Sareum: carisma em meio ao caos.

Se alguém que acompanhasse a carreira de Angelina Jolie no início dos anos 1990 ficasse inconsciente na virada do século e despertasse hoje, provavelmente não a reconheceria. A garota rebelde, de mal com pai (o ator Jon Voight), metida em comentários maldosos sobre o relacionamento com o irmão, namorada de Billy Bob Thornton - que andava com um frasco de sangue do amado pendurado no pescoço... - tudo isso ficou para trás. Angelina mudou muito depois que encontrou nas causas humanitárias uma razão para viver, isso afetou diretamente sua vida pessoal e até os seus filmes. Se você levar em consideração que a atriz já dirigiu quatro longas e três deles contam histórias em ambiente de guerra você irá compreender o que consome os pensamentos de Jolie a maior parte do tempo. Curiosamente, os maiores apoiadores da cineasta estão entre os votantes do Globo de Ouro, que indicaram Na Terra do Amor e Ódio (2011) ao prêmio de melhor filme em língua estrangeira (mesmo quando ninguém pareceu dar muita atenção para ele) e repetiram a dose recentemente com First They Killed My Father, produção que também tenta uma vaga na mesma categoria no Oscar. Baseado na história real de Loung Ung, o filme conta a sofrida história da menina que presenciou de perto as ações dos guerrilheiros do Khmer Vermelho no Camboja em meados dos anos 1970. Com a tomada do país pelo grupo, os habitantes foram levados para campos de trabalhos forçados no meio da floresta e sujeitos a todo tipo de atrocidades. Famílias foram separadas e o discurso  contra a propriedade e a individualidade chegava aos extremos de não considerar laços de afeição e apoio ao treino de crianças para uma revolução - que elas não faziam a mínima ideia do que se tratava. Sem dúvida é uma história que combina bastante com os ideais de Jolie e seu envolvimento com o Camboja, mas acompanhar o filme é uma tarefa árdua. Sob a ideia de gerar uma narrativa amparada pelo olhar da pequena Loung (Sareum Srey Moch), que não entende o que está acontecendo, o efeito é o mesmo para o espectador. Ainda que o filme tenha uma introdução com materiais coletados na imprensa da época, fica bastante confuso conhecer o período histórico que o Camboja atravessava naquele momento, assim como as motivações do Khmer Vermelho e a adesão por parte da população. Paira assim várias indagações (que podem ser vistas como insconsistências) quando assistimos ao filme. Com poucos diálogos, a diretora aposta em cenas fortes para impactar o espectador num registro próximo do documental, mas que se torna cansativo em cenas que se repetem sem muita elaboração. É verdade que existem construções cênicas interessantes (e a melhor delas deve ser a da fuga pelo campo minado), mas fica claro que o melhor ato do filme é o último e um miolo que  demonstra que Angelina ainda precisa aprender a contar uma história sem entediar o espectador. First They Killed My Father deixa claro como a atriz fica mais a vontade para contar histórias sobre pessoas em campos de guerra do que para criar dramas intimistas (ainda acho que foi À Beira Mar/2015 o maior motivo da separação de Jolie e Brad Pitt), no entanto, ela corre o risco de se tornar repetitiva. Até o momento seu melhor filme como diretora continua sendo Invencível (2014) - sobre um atleta que se torna prisioneiro de guerra. 

First They Killed My Father (EUA/Camboja - 2017) de Angelina Jolie com Sareum Srey Moch, Heng Dara, Sarun Nika, Run Malyna e Sveng Socheata. 

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

PL►Y: Como Nossos Pais

Como Nossos Pais: deliciosas contradições. 

Um dos grandes sucessos de público e crítica do ano do cinema brasileiro foi Como Nossos Pais de Laís Bodanzky. Laís é uma ótima diretora e tem seus três filmes anteriores na lista de filmes mais interessantes do cinema de nosso país. Talvez alguns considerem que seu novo trabalho mereça entrar nesta lista também, mas eu considerei o seu trabalho menos envolvente. O filme gira em torno de Rosa (Maria Ribeiro) que desde a primeira cena, demonstra viver uma relação tensa com a família (menos com o irmão, vivido por um irreconhecível Cazé Peçanha). O marido (Paulo Vilhena) não é muito participativo na vida familiar, as filhas também não estão mais sob controle como antigamente e a mãe (Clarisse Abujamra) parece sempre disposta a atacar a filha (e vice-versa). As coisas pioram quando num embate entre as duas, a mãe revela que Rosa é filha de um homem com o qual ela se envolveu quando foi participar de um Congresso em Cuba e não do homem que a criou por trinta e oito anos. Se a vida de Rosa já estava complicada, agora ela se transforma em uma bomba prestes a explodir. Além dos problemas  em casa, ela enfrenta uma reviravolta em sua vida profissional e uma crise de identidade, já que o que sempre considerou ser certeza em sua construção como pessoa não parece tão certo assim. Embora o roteiro seja todo temperado com finas ironias, Como Nossos Pais não consegue sair do lugar comum de um emaranhado de clichês. Tudo no filme parece uma colagem de situações que você já assistiu em dezenas de outros filmes com desenvolvimento mais elaborado do que vemos aqui. Os conflitos de Rosa não estão ali para ser trabalhados, mas amontoados sobre a personagem que não sabe o que fazer. O mais interessante é que Rosa não tem pudores em ser uma chata, mais chata do que a prosa intelectual que perpasse algumas cenas sem qualquer sinal de naturalidade (mas talvez esta seja a intenção mesmo). Ter uma protagonista chata não é defeito, pelo contrário, pode ser a maior virtude do filme, já que ela sempre aponta nos outros as causas de suas insatisfações, mas não é capaz de perceber que ela também é responsável todas as responsabilidades que abraçou e que agora a sufocam. Assim, fica mais interessante como ela critica a postura de seu esposo (mas está doida para fazer o mesmo que ele e sair de casa por alguns dias ou traí-lo) ou sempre discute com a mãe (quando seu relacionamento com as filhas vai pelo mesmo caminho), além de cultuar um pai que vive num mundo paralelo (em atuação delirante de Jorge Mautner) quando critica o esposo, que salvo as devidas proporções, tenta viver do mesmo jeito (sendo tão escorregadio quanto o sogro, sendo que o sogro segue o caminho do delírio e o esposo nos discursos ensaiados na cartilha "marido compreensivo do século XXI"). São essas deliciosas contradições que tornam o filme dotado de um certo humor e avança na narrativa. Como Nossos Pais é um bom filme, mas com sabor de déjà vu.

Como Nossos Pais (Brasil/2017) de Laís Bodanzky com Maria Ribeiro, Clarisse Abujamra, Paulo Vilhena, Jorge Mautner, Cazé Peçanha, Felipe Rocha e Herson Capri. ☻☻

PL►Y: Um Laço de Amor

Chris e Grace: qual o melhor caminho a seguir?

A pequena Mary (McKenna Grace) começou a frequentar a escola aos sete anos após ser educada em casa durante parte da infância. Embora pareça entediada em sala de aula, a garota chama atenção por sua facilidade em fazer cálculos, tanto que a professora, senhorita Stevenson (Jenny Slate), começa a instigá-la cada vez mais antes de comunicar à diretora (Elizabeth Marvel) que a garota é um prodígio matemático. Elas comunicam ao responsável por Mary as suspeitas e sugerem que ela ingresse numa escola mais avançada. No entanto, o responsável (Chris Evans) é irredutível ao considerar que a menina precisa mesmo é continuar estudando numa escola comum para aprender coisas que não conheceria nos livros. Eis que a escola descobre que ele não é o pai da menina e começa um verdadeiro impasse familiar que revela tudo o que há por trás da história da pequena. Gifted, ou Um Laço de Amor, é o novo filme do diretor de (500) Dias com Ela/2009 depois que reformulou o Spider-Man com O Espetacular Homem-Aranha /2012. Gifted pode não ter o frescor da comédia romântica que o consagrou, mas ressalta sua habilidade em contar uma história de maneira muito agradável. Existe uma doçura na história de Mary que é, em parte, resultado de uma química irresistível entre o elenco, principalmente de Evans e a adorável  estreante McKenna Grace (repare os olhos da menina, parecem projetados para viver esse tipo de personagem). Existe realmente um laço entre os dois, assim como entre a vizinha Roberta (Octavia Spencer) - que nunca viu com bons olhos o ingresso da menina numa escola - e a presença da professora que não fazia a mínima ideia das consequências de seu zelo pela menina. Esta liga entre os atores é realmente notável. Outro ponto forte da história é a presença de Lindsay Duncan como a avó de Mary, a veterana que personifica o grande impasse do filme: vale mais deixar um prodígio ser criança ou somente pensar em seu futuro? Neste ponto existe a própria história da mãe da garota para contrabalançar num filme que parece trivial, mas toca em questões realmente delicadas. Embora a narrativa seja leve e bastante fluída, o filme aborda temas espinhosos como depressão, suicídio e rejeição, mas você quase mal se dá conta disso, prova de que o diretor Marc Webb faz um belo trabalho e consegue desenvolver personagens em relações familiares complicadas sabendo dosar equilibradamente drama e açúcar. É verdade que o filme tem uma derrapada estranha na decisão judicial que insere outra família na história (algo descaradamente manipulativo e desnecessário), mas nada que prejudique a simpatia que o filme desperta. Ainda que não tenha encontrado espaço nos cinemas brasileiros, o filme se tornou um dos sucessos surpresa de 2017, custando sete milhões de dólares  (uma ninharia para os padrões americanos) e arrecadando mais de quarenta milhões ao redor do mundo. Sucesso merecido.  

Um Laço de Amor (Gifted/EUA-2017) de Marc Webb com Chris Evans, McKenna Grace, Octavia Spencer, Jenny Slate, Lindsay Duncan e Elizabeth Marvel. ☻☻

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

INDICADOS SCREEN ACTORS GUILD - 2018


Muita gente não conseguiu esconder o desapontamento com as indicações do Globo de Ouro divulgadas no dia onze. Mal descobrimos os indicados da premiação dos correspondentes estrangeiros de Hollywood e o Sindicato dos Atores divulgou os seus favoritos do ano. A 24ª Edição do Screen Actors Guild Award vai ao ar no dia 21 de janeiro, quando as expectativas para o Oscar estarão chegando no auge. Sempre vale dar uma conferida nos indicados antes de fazer suas apostas, ao que parece, os indicados ao SAG estão bem mais próximos do que esperam ver no Oscar do próximo ano. As ausências mais sentidas ficara por conta de Mindhunter (mais uma vez), Armie Hammer (na categoria de ator coadjuvante por Me Chame Pelo seu Nome, aqui ele perdeu a vaga para Steve Carrell... não sei se o Oscar fará o mesmo), além do total esquecimento de The Post de Steven Spielberg (um dos mais lembrados nos Globos de Ouro, mas também a história é sobre jornalistas, não é?). A seguir todos os indicados:

CINEMA
Melhor Elenco
Doentes de Amor
Corra!
Lady Bird
Mudbound
Três Anúncios para um Crime

Melhor Ator
Timothée Chalamet, Me Chame Pelo Seu Nome
James Franco, O Artista do Desastre
Daniel Kaluuya, Corra!
Gary Oldman, O Destino de Uma Nação
Denzel Washington, Roman J. Israel, Esq. 

Melhor Atriz
Judi Dench, Victoria e Abdul
Sally Hawkins, A Forma Da Água
Frances McDormand, Três Anúncios para um Crime
Margot Robbie, Eu, Tonya
Saoirse Ronan, Lady Bird

Melhor Ator Coadjuvante
Steve Carell, A Guerra dos Sexos
Willem Dafoe,  Projeto Flórida 
Woody Harrelson, Três Anúncios para um Crime
Richard Jenkins, A Forma da Água
Sam Rockwell, Três Anúncios para um Crime

Melhor Atriz Coadjuvante
Mary J. Blige, Mudbound
Hong Chau, Pequena Grande Vida 
Holly Hunter, Doentes de Amor
Allison Janney, Eu, Tonya
Laurie Metcalf, Lady Bird – A Hora de Voar

Melhor Elenco de Dublês
Em Ritmo de Fuga
Dunkirk
Logan
Planeta dos Macacos: A Guerra
Mulher-Maravilha

TELEVISÃO
Melhor Ator em Comédia
Anthony Anderson, Black-ish
Aziz Ansari, Master of None
Larry David, Curb Your Enthusiasm
Sean Hayes, Will & Grace
William H. Macy, Shameless
Marc Maron, GLOW 

Melhor Atriz em Comédia
Uzo Aduba, Orange Is The New Black
Alison Brie, GLOW
Jane Fonda, Grace and Frankie
Julia Louis-Dreyfus, Veep
Lily Tomlin, Grace and Frankie

Melhor Elenco em Comédia
Black-ish (ABC)
Curb Your Enthusiasm (HBO)
GLOW (Netflix)
Orange Is The New Black (Netflix)
Veep (HBO)

Melhor Ator em Filme ou Minissérie
Benedict Cumberbatch, Sherlock: The Lying Detective
Jeff Daniels, Godless
Robert De Niro, Wizard of Lies
Geoffrey Rush, Genius
Alexander Skarsgard, Big Little Lies

Melhor Atriz em Filme ou Minissérie
Laura Dern, Big Little Lies
Nicole Kidman, Big Little Lies
Jessica Lange, Feud: Bette And Joan
Susan Sarandon, Feud: Bette and Joan
Reese Witherspoon, Big Little Lies 

Melhor Elenco em Drama
The Crown  (Netflix)
Game of Thrones (HBO)
The Handmaid’s Tale (HULU)
Stranger Things (Netflix)
This Is Us (NBC)

Melhor Ator em Drama
Jason Bateman, Ozark
Sterling K. Brown, This Is Us
Peter Dinklage, Game of Thrones
David Harbour, Stranger Things
Bob Odenkirk, Better Call Saul 

Melhor Atriz em Drama
Millie Bobby Brown, Stranger Things
Claire Foy, The Crown
Laura Linney, Ozark
Elisabeth Moss, The Handmaid’s Tale
Robin Wright, House of Cards

Melhor Elenco de Dublês para a TV
Game of Thrones (HBO)
GLOW (Netflix)
Homeland (Showtime)
Stranger Things (Netflix)
The Walking Dead  (AMC)

Na Tela: Extraordinário

Os Pullman: Jacob Tremblay voltou em ótima companhia. 

Eu tinha o pé atrás com a adaptação para o cinema do sucesso literário Extraordinário de R. J. Palacio. No livro eu já considerava que as doses generosas de açúcar ficavam no limite e quando anunciaram que os pais do protagonista seriam vividos por Julia Roberts e Owen Wilvon o sinal de alerta soou com força. Por sorte, escolheram Stephen Chbosky para dirigir o filme. Chbosky também é escritor e foi responsável por levar seu próprio livro mais famoso para a telona, As Vantagens de Ser Invisível (2014), em que já demonstrava mão boa para abordar os dramas de seus personagens sem cair na pieguice ou no melodrama. Em Extraordinário esta habilidade faz toda a diferença,  já que (mesmo com final deliberadamente apelativo) somente alguém muito insensível não irá se envolver com a história do pequeno August Pullman. Colabora muito também que o responsável por viver o menino seja Jacob Tremblay, que já fez bonito em O Quarto de Jack (2015) e aqui tem a chance de destruir qualquer desconfiança de quem suspeitava que ele fosse apenas uma fofura. Jacob é um ator com A maiúsculo. Quem já ouviu falar do livro, sabe que aborda a entrada na escola de um garoto que nasceu com o rosto marcado pelo encontro raro dos genes recessivos raros de seus pais. Assim, ele teve que sofrer várias cirurgias plásticas para conseguir escutar, respirar, se alimentar... mesmo depois de tantas cirurgias sua aparência ainda causa estranhamento (e o trabalho de maquiagem não prejudica em nada o brilho no olhar de Jacob, a doçura de seu sorriso ou a tristeza que lhe visita de vez em quando). Sua entrada na escola ocorre quando sua mãe atenciosa (Julia Roberts) percebe que não dá mais para ensiná-lo em casa e, mesmo diante dos temores da família, o menino precisa começar a frequentar uma escola para adquirir novos conhecimentos. Se você for ver o filme achando que ele é um manifesto contra o bullying provavelmente irá considerá-lo fraco e até infantil, mas se você quiser ver uma obra interessante sobre conviver com a diferença o filme não desaponta. O que mais considerei interessante na narrativa é a forma de Chbosky não se concentrar apenas em August, mas também em quem está ao seu redor, dando destaque para sua irmã (a ótima Izabela Vidovic) - que tem uma complexa relação com o irmão, já que deseja protegê-lo ao mesmo tempo que se ressente de ter crescido em segundo plano desde o nascimento do irmão caçula -, assim como a melhor amiga dela e o adorável Jack Will (Noah Jupe). A opção de mostrar o olhar dos personagens sobre a presença de August em suas vidas torna o filme muito mais rico e interessante, facilitando o apelo junto ao público infanto-juvenil (que lotava a sala de cinema em que assisti) e criar uma rede de relações e conflitos que funcionam muito bem dentro da proposta do filme e do livro. Quanto aos mais velhos irão adorar as citações à Guerra nas Estrelas num filme de narrativa bem cuidada e com atores bastante comprometidos com a história que desejam contar (além do elenco mirim ser irresistível!). Extraordinário é um belo filme que merece ser assistido, principalmente por nos lembrar que vivemos num mundo longe de ser perfeito, mas que merece ser desafiado a mudar (desde pequeno). 

Extraordinário (Wonder/EUA-2017) de Stephen Chbosky com Jacob Tremblay, Julia Roberts, Owen Wilson, Izabela Vidovic, Mandy Pantinkin, Noah Jupe, Bryce Gheisar, Danielle Rose Russell e Sonia Braga (numa pontinha). ☻☻

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

INDICADOS AO GLOBO DE OURO 2018

Globo de Ouro 2018: categorias acirradas. 

Hoje de manhã foram anunciados os indicados ao Globo de Ouro nas categorias de cinema e TV. Entre os favoritos do ano da Associação de Correspondentes Estrangeiros de Hollywood apareceram algumas surpresas, especialmente com as indicações de Todo o Dinheiro do Mundo, um dos filmes de pós-produção mais atribulada do ano que conseguiu até uma indicação a melhor diretor (que ninguém esperava e gerou a ausência de alguns favoritos da categoria como Greta Gerwig). Na parte dos indicados televisivos, a maior surpresa foi a completa esnobada de Mindhunter que não recebeu indicação alguma, sendo uma das produções mais elogiadas de 2017. A seguir todos os indicados que podem receber o prêmio no dia 07 de janeiro de 2018:

CINEMA

Melhor filme dramático
"Me chame pelo seu nome"
"The post"
"A forma da água"
"Três anúncios para um crime"

Melhor ator em filme dramático
Timothée Chalamet, "Me chame pelo seu nome"
Daniel Day Lewis, "Trama fantasma"
Tom Hanks, "The post: A guerra secreta"
Gary Oldman, "O destino de uma nação"
Denzel Washington, "Roman J. Israel, Esq."

Melhor atriz de filme dramático
Jessica Chastain, "A grande jogada"
Sally Hawkins, "A forma da água"
Frances McDormand, "Três anúncios para um crime"
Meryl Streep, "The post: A guerra secreta"
Michelle Williams, "Todo o dinheiro do mundo"

Melhor diretor
Guillermo del Toro, "A forma da água"
Martin McDonagh, "Três anúncios para um crime"
Ridley Scott, "Todo o dinheiro do mundo"
Steven Spielberg, "The Post"

Melhor filme de comédia ou musical
"O artista do desastre"
"O rei do show"
"I, Tonya"
"Lady Bird"

Melhor atriz em filme de comédia ou musical
Judi Dench, "Victoria e Abdul: o confidente da rainha"
Helen Mirren, "The Leisure Seeker"
Margot Robbie, "I, Tonya"
Saoirse Ronan, "Lady Bird"
Emma Stone, "A guerra dos sexos"

Melhor ator em filme de comédia ou musical
Steve Carell, "A guerra dos sexos"
Ansel Elgort, "Em ritmo de fuga"
James Franco, "O artista do desastre"
Hugh Jackman, "O rei do show"
Daniel Kaluuya, "Corra!"

Melhor atriz coadjuvante
Mary J. Blige, "Mudbound"
Hong Chou, "Pequena grande vila"
Allison Janney, "I, Tonya"
Laurie Metcalf, "Lady Bird: É hora de voar"
Octavia Spencer, "A forma da água"

Melhor ator coadjuvante
Willem Dafoe, "Projeto Flórida"
Armie Hammer, "Me chame pelo seu nome"
Richard Jenkins, "A forma da água"
Christopher Plummer, "Todo o dinheiro do mundo"
Sam Rockwell, "Três anúncios para um crime"

Melhor animação
"O Poderoso Chefinho"
"The Breadwinner"
"Viva: A vida é uma festa"
"O touro Ferdinando"
"Com amor, Van Gogh"

Melhor canção original
"Home", "O touro Ferdinando"
"River", "Mudbound"
"Viva: a vida é uma festa"
"The star", "The star"
"This is me", "O rei do show"

Melhor trilha sonora
Carter Burwell, "Três anúncios para um crime"
Alexander Desplat, "A forma da água"
Johnny Greenwood, "Trama fantasma"
John Williams, "The post: a guerra secreta"

Melhor filme estrangeiro
"Uma mulher fantástica" (Chile)
"First they killed my father" (Camboja)
"In the fade" (Alemanha)
"Loveless" (Rússia)
"The square" (Suécia)

Melhor roteiro
"A forma da água"
"Lady Bird"
"The Post: a guerra secreta"
"Três anúncios para um crime"
"A grande jogada"

TELEVISÃO

Melhor série dramática
"The Crown"
"Game of thrones"
"The handmaid's tale"
"Stranger things"
"This is us"

Melhor série de comédia ou musical
"Blackish"
"The Marvelous Mrs. Maisel"
"Master of None"
"Smilf"
"Will & Grace"

Melhor minissérie ou telefilme
"Fargo"
"The sinner"
"Top of the lake: China Girl"

Melhor atriz em série dramática
Caotriona Balfe, "Outlander"
Claire Foy, "The crown"
Maggie Gylenhaal, "The deuce"
Katherine Langford, "13 reasons why"
Elisabeth Moss, "Handmaid's tale"

Melhor ator em série dramática
Jason Bateman, "Ozark"
Sterling K. Brown, "This is us"
Freddie Highmore, "The good doctor"
Bob Odenkirk, "Better call Saul"
Liev Schreiber, "Ray Donovan"

Melhor ator em série de comédia ou musical
Anthony Anderson, "Black-ish"
Aziz Ansari, "Master of none"
Kevin Bacon, "I love Dick"
William H. Macy, "Shameless"
Eric McCormack, "Will and Grace"

Melhor atriz em série de comédia ou musical
Pamela Adlon, "Better things"
Alison Brie, "Glow"
Rachel Brosnahan, "The Marvelous Mrs. Maisel"
Issa Rae, "Insecure"
Frankie Shaw, "Smilf"

Melhor ator em minissérie ou telefilme
Jude Law, "Young Pope"
Kyle Maclachlan, "Twin Peaks"
Ewan McGregor, "Fargo"
Geoffrey Rush, "Genius"

Melhor atriz em minissérie ou telefilme
Jessica Biel, "The sinner"

Melhor atriz coadjuvante em série, minissérie ou telefilme
Anne Dowd, "Handmaid's tale"
Chrissie Metz, "This is us"

Melhor ator coadjuvante em série, minissérie ou telefilme
David Harbour, "Stranger things"
Christian Slater, "Mr. Robot"
David Thewlis, "Fargo"

domingo, 10 de dezembro de 2017

PL►Y: Bingo - O Rei das Manhãs

Brichta: palhaço hardcore.

Acho que o público ficou surpreso quando indicaram Bingo - O Rei das Manhãs para concorrer a uma vaga ao Oscar de filme estrangeiro em 2018. É importante saber que para além das qualidades do filme (que fez sucesso de público por aqui) existem alguns fatores que pesam ainda mais nesta escolha estratégica. O primeiro é que trata-se da estreia como cineasta de Daniel Rezende, editor que já foi indicado ao Oscar pela montagem sensacional de Cidade de Deus/2002 e já participou da produção de vários filmes internacionais dirigidos por Walter Salles (Diários de Motocicleta/2004 entre outros), Fernando Meirelles (além do hit de 2002, também foi responsável de Ensaio sobre a Cegueira/2008), José Padilha (o remake de Robocop/2014) e tem no currículo até um ganhador da Palma de Ouro em Cannes que concorreu ao Oscar de melhor filme (o último grande filme de Terrence Mallick: A Árvore da Vida/2011), ou seja, o rapaz tem apelo de sobra para sensibilizar o voto da Academia. Por outro lado, o personagem que inspira o filme, o palhaço Bozo foi líder de audiência por décadas nos Estados Unidos, o que já cria uma referência para os gringos da época que o filme retrata, também colabora para esta empatia a presença de um personagem americano - mas este é achincalhado no filme, o que aponta para o maior desafio de Bingo: será que os votantes mais puritanos da Academia vão entender o humor do filme? Afinal, muita gente ainda fica chocada em descobrir que o primeiro homem que interpretou o famoso palhaço no Brasil tinha carreira em filmes de pornochanchadas, fumava, bebia e cheirava antes e depois de entrar no palco e interagir com crianças (isso sem falar no seu envolvimento  orgias e mulherada em geral - incluindo uma famosa deliciosamente interpretada por Emanuelle Araújo que, diferente dos outros personagens não teve o nome trocado no roteiro). Talvez os mais sensíveis não curtam o filme, mas todo o resto vai gostar de ver Vladimir Brichta dando o sangue (literalmente) por Augusto Mendes, um ator ambicioso cuja carreira nunca decolou até quebrar as regras do formato e perder as estribeiras num programa infantil. Neste ponto vem o que o filme tem mais interessante, quem cresceu nos anos 1980 vai identificar como naqueles anos o politicamente correto simplesmente não existia e, pela audiência, mesmo num programa infantil valia tudo - até colocar o clássico "Serão Extra" de Doutor Silvana & Cia para fazer as crianças dançarem (o que sinaliza bem como a cultura pop era, digamos, surpreendente). Como diretor, Daniel Rezende realiza uma estreia promissora, que mistura humor, drama e não tem medo de ficar pesado quando o roteiro pede. Em sua empreitada conta com um ator principal inspirado, que consegue retratar bem o desequilíbrio do personagem em  sua inegável ambição sabotada pelo próprio apetite pela autodestruição. Vale destacar ainda o grupo de coadjuvantes de respeito (destaque para Leandra Leal na pele da diretora do programa, que para os que conhecem a trajetória do verdadeiro Bozo tupiniquim imagina o que irá acontecer), o colorido,  a montagem esperta (e não poderia ser diferente) e a trilha sonora animada. A reconstituição faz Bingo funcionar como uma viagem no tempo - e nos faz perceber como o mundo ficou bem mais chato no século XXI. 

Bingo - O Rei das Manhãs (Brasil - 2017) de Daniel Rezende, com Vladimir Brichta, Leandra Leal, Ana Lúcia Torre, Cauã Martins, Augusto Madeira, Soren Hellerup, Tainá Muller, Domingos Montagner e Pedro Bial. ☻☻☻☻