sábado, 30 de abril de 2016

N@ CAPA: Heróis de Época


Não se trata dos antepassados de Superman, Batman, Mulher-Gato e Mulher Maravilha na capa do blog no mês de abril! No ano passado o fotógrafo Sacha Golderberg matou a curiosidade pessoal de ver como seriam heróis do cinema e das histórias em quadrinhos com roupas de época, precisamente do século XVI. Com Batman Vs Superman gerando discussões (e chegando a um bilhão de bilheteria), com Capitão América e Homem de Ferro divididos entre diferentes ideologias e Star Wars voltando em grande estilo, o blog reservou espaço para essa experiência fotográfica que chamou a atenção da mídia e pode ser vista no site do artista. O resultado além de curioso, consegue ser bastante divertido:

DC Comics










Marvel




Star Wars










HIGH FI✌E: ABRIL

Mensalmente irei destacar quais os filmes assistidos durante o mês que mais chamaram a minha atenção. Eles sempre serão apresentados em ordem alfabética, vale ser lançamento, clássico, DVD... Os meus favoritos do mês de abril foram: 

A Bruxa (2015) de Robert Eggers ☻☻☻☻


A Ovelha Negra (2015) de Grimur Hákonarson ☻☻☻☻


A Pequena Morte (2014) de Josh Lawson ☻☻☻☻


Cara Gente Branca (2014) de Justin Simien ☻☻☻☻


O Filho de Saul (2015) de Lászlo Nemes ☻☻☻☻

quinta-feira, 28 de abril de 2016

PL►Y: American Ultra

Jesse e Kristen: casal onipresente. 

Que Robert Pattinson nada! Os diretores gostam mesmo é de ver a insossa Kristen Stewart em cena ao lado de Jesse Eisenberg! Os dois já formaram o par romântico de Adventureland (2009) e protagonizarão o novo filme de Woody Allen (Café Society que abrirá o Festival de Cannes desse ano). Entre um e outro os dois lançaram American Ultra. O filme não empolgou a crítica e nem as bilheterias (e por aqui o título American Ultra: Armados e Alucinados deve ter afastado quem poderia se interessar). Escrito por Max Landis (de Poder sem Limites/2012) e dirigido por Nima Nourizadeh (de Projeto X / 2012), o filme aspirava ser uma versão adolescente de A Identidade Bourne/2002, mas mistura tantos elementos que resulta mais confuso do que interessante. Ao contar a história do chapado  Mike Howell (Eisenberg), um sujeito comum que descobre ser uma verdadeira máquina mortífera, o filme investe em explosões, violência estilizada, humor negro, comédia romântica e poucas vezes consegue acertar o alvo. Afinal, Mike tinha uma vida normal ao lado da namorada Phoebe (Kristen Stewart), até que inventam uma viagem para Miami. Ele sempre sente pânico quando está prestes a viajar, mas não faz a mínima ideia do motivo. Por conta da tal tentativa de viajar, ele desperta a fúria de uma organização que investiu pesado para que Mike fosse um agente letal - e que só precisa ouvir algumas palavras para ser "ativado". Esse é o ponto de partida para que o ambicioso Adrian Yates (Topher Grace) trave uma verdadeira guerra com Victoria Lasseter (Connie Briton) dentro da tal organização governamental, afinal, enquanto Adrian quer destruir Mike, Victoria percebe que o importante é proteger o rapaz. E dá-lhe lutas elaboradas (e um tanto confusas),  drones, explosões, sanguinolência e segredos revelados. A ideia está longe de ser original, as cenas de ação também não são inovadoras, mas o filme consegue ter alguma graça diante da mistura alucinante que oferece ao espectador. É verdade que não existe um equilíbrio entre o humor e a violência que o filme apresenta (o que prejudica perceber para qual é o seu público), além disso Jesse Eisenberg parece repetir o mesmo personagem pela quarta (ou quinta?) vez (ainda que em situação diferente) e Kristen Stewart, apesar de mostrar-se mais esforçada, ainda precisa crescer muito como atriz (uma intéprete mais destemida teria feito de Phoebe um delicioso alívio cômico para a história). Cheio de pretensões, American Ultra não é o desastre que alguns críticos alardearam, trata-se apenas de uma diversão que mistura referências demais (Bourne, Nikita/1990, Salt/2010, Despertar de Um Pesadelo/1996) e se leva muito a sério para perceber que sua melhor piada é colocar o franzino Jesse Einsenberg como herói de filme de ação. 

American Ultra: Armados e Alucinados (American Ultra/EUA-2015) de Nima Nourizadeh com Jesse Eisenberg, Kristen Stewart, Topher Grace, Connie Briton, John Leguizamo, Bill Pullman e Tony Hale. ☻☻

PL►Y: Um Domingo de Chuva

Leighton e Julian: amor impossível. 

Lançado diretamente em DVD por aqui, Um Domingo de Chuva serve para provar que ao escolher o título em português de um filme, não é necessário assisti-lo. Afinal, o que o título anuncia nem acontece no filme (o tal domingo chuvoso). Dirigido pelo ator Frank Whaley (que também assina o roteiro), o filme conta a história de amizade entre um menino rico e sua babá. Ele é Reggie (Julian Shatkin), um garoto prodígio de 12 anos que tem como melhor amigo o violoncelo - o qual utiliza para criar composições próprias. Reggie mora numa mansão em Manhattan com a mãe e os empregados, mas a rotina familiar da família é resumida ao horário das refeições. Quando o menino precisa de uma nova pessoa para tomar conta dele surge a jovem Eleanor (Leighton Meester), que recentemente perdeu o emprego por conta do namorado roqueiro Dennis (vivido pelo vocalista da banda Greenday Billy Joe Armstrong). Ela tem uma família problemática e perdeu as perspectivas de um futuro promissor. O filme investe nos diálogos entre os dois personagens e momentos em que os dois descobrem que apesar das diferenças, possuem algumas coisas em comum. O diretor faz de tudo para que o filme exale melancolia, investindo pesado na tristeza de seus personagens e no quanto estão deslocados nos universos que habitam - ao ponto de exagerar quando coloca em cena a família de Eleanor. De certa forma, o roteiro mostra que os dois são capazes de se ajudar, mais pela companhia que um faz ao outro, do que propriamente pelas mudanças que geram. Sutilmente, o filme constrói uma tímida história de amor, afinal, fica evidente que, aos poucos, Reggie se apaixona pela moça, mas percebe que jamais será correspondido (basta ficar atento à cena da despedida para isso ficar evidente). Um Domingo de Chuva não é um filme ruim, mas pode causar alguns bocejos em seus 104 minutos de duração ao investir numa narrativa sem grandes acontecimentos ou fatos marcantes, confiando no carisma de seus protagonistas (já que os coadjuvantes são puro clichê). Leighton e Julian realmente se esforçam com o material que o roteiro lhes oferece e, pode se dizer, que em outros intérpretes, os personagens seriam quase insuportáveis (mas o filme bem que poderia ter arranjado outro ator para ser o namorado de Eleanor, apesar do quarentão Billy Joe convencer que é mais jovem, ele se perde facilmente em caretas e olhos arregalados). O filme pode conquistar alguns fãs, mas para a maioria do público não trará nada de especial além da última cena - que é realmente inspirada. 

Um Domingo de Chuva (Like Sunday, Like Rain/ EUA-2014) de Frank Whaley com Leighton Meester, Julian Shatkin, Billy Joe Armstrong e Debra Messing. ☻☻

domingo, 24 de abril de 2016

Na Tela: Ele Está de Volta

Hitler e sua nova assistente: o poder do discurso. 

Faz exatamente uma semana que terminei de ler Ele Está de Volta livro de Timur Vermes que chamou atenção nas livrarias por colocar Adolf Hitler vivo, por motivos desconhecidos, na Alemanha atual. Devo confessar que o livro me deixou bastante incomodado pelo seu senso de humor surreal, onde o fürher com seu visual e discursos conhecidos, logo é alçado à fama de comediante num canal de TV. Na época do Youtube, selfies e intolerância com os imigrantes na Europa, Hitler causa risadas, embora nem ele entenda muito bem o motivo. Há quem perceba que os risos são provocados pelas ideias do ex-ditador soarem como piada nos dias atuais. Será? Vale lembrar que o início de sua ascensão antes da 2ª Guerra Mundial, muitos já riam dele - e em tempos em que o milionário candidato à presidência americana Donald Trump e o deputado brasileiro Jair Bolsonaro convertem seguidores em eleitores, não creio que o discurso da extrema-direita possa ser interpretado como piada. O escritor Timur Vermes percebeu, notavelmente, que em tempos em que o mundo está desiludido com a política, muitos eleitores tendem a acreditar em discursos mais conservadores (por se apropriarem de uma certa "nostalgia" que alimenta a crença de que são os capazes de instaurar "a ordem" novamente). O livro Ele Está de Volta segue um incômodo tom cômico, deixando alguns momentos em que um ou outro personagem se preocupa com as apresentações de Hitler. Lançado na Alemanha em outubro de 2015 com sucesso de bilheteria, o filme Ele Está de Volta chega ao Brasil com distribuição pelo Netflix.  Assim como no livro, Hitler (vivido pelo bom ator Oliver Masucci) desperta num parque nos tempos atuais, sem saber o que aconteceu com o mundo a partir de 1945. Abrigado por um jornaleiro, ele devora informações sobre o cenário político-econômico mundial  e causa tanto estranhamento quanto risadas em quem cruza o seu caminho. Afinal, para muitos, o homem que afirma ser o fürher não passa de um louco. Não demora muito para que ele se torne uma celebridade televisiva controversa com a ajuda do cameraman Sawtzki (Fabian Busch) e da ambição da diretora Srª Bellini (Katja Rieman), mas será que alguém irá perceber que ele é Hitler em pessoa? O diretor David Wnendt consegue o feito de não ficar preso ao livro, mas se as cenas de câmera escondida soam um tanto desgastadas ao testar a reação do público com uma pessoa fantasiada de Hitler, por outro lado, ele cria um rumo mais eficiente para o último ato - que além de causar surpresa nos leitores, ainda funciona melhor do que o presente no livro (permanecendo a arrepiante frase "Nem tudo foi ruim" ao final). Por ressaltar o carisma do fürher, capaz de encantar o povo alemão, além da habilidade na elaboração de discursos (além de rompantes de fúria), pode se dizer que a adaptação de Ele Está de Volta é mais assustadora que o livro, afinal, revela ainda mais como o discurso do seu protagonista permanece vivo no cenário político mundial do século XXI. 

Ele Está de Volta (Er ist wieder da / Alemanha - 2015) de David Wnendt com Oliver Masucci, Fabian Busch, Katja Rieman, Christoph Maria Herbst e Franciska Wulf. ☻☻☻

Na Tela: A Bruxa

Anna Taylor-Joy: o terível medo do desconhecido. 

Sempre costumo dizer que sou fã dos filmes de terror clássicos, aqueles cheios de clima e atmosfera, que faz nossa cabeça delirar com o poder da sugestão de um bom diretor. Lançado recentemente A Bruxa foi celebrado por resgatar alguns elementos dos filmes de horror que andavam esquecidos, esqueça os sustos fáceis, as explosões de som e a sanguinolência gratuita, o diretor Robert Eggers quer muito mais do expectador. Premiado em Sundance pela direção do longa em 2015, Eggers faz realmente um trabalho notável, não apenas na condução de seu elenco (que precisa dar conta de diálogos em inglês arcaico) mas na concepção visual e narrativa do filme. O filme acompanha uma família que no ano de 1630 que carrega o fardo de ser expulsa de sua comunidade cristã. Não fica muito claro o motivo do banimento, o fato é que William (Ralph Ineson) e Katherine (Kate Dickie) partem para viver perto de uma floresta, bem longe da civilização, junto aos quatro filhos: Thomasin (Anna Taylor-Joy), Caleb (Harvey Scrimshaw), os gêmeos Mercy (Ellie Grainger) e Jonas (Lucas Dawson), além do bebê Samuel. Embora a religião é latente para que a família suporte a intensa rotina de trabalho, tudo fica pior quando Thomasin brinca com Samuel perto da floresta e, subitamente, o bebê desaparece. A família logo acredita que algum animal possa tê-lo levado, mas a desconfiança de que existe algo de muito estranho por ali já está plantada. Some o desaparecimento às desconfianças que começam a cair sobre Thomasin - e as brincadeiras das crianças com um bode preto (preste atenção nas letras das músicas) - e você terá ideia do que acontecerá no filme. A narrativa lenta e os cortes que sempre parecem esconder algo do espectador servem para que o diretor aumente gradualmente a tensão da plateia, temperando com fé, vergonha, culpa, medo e desespero as relações daquela família. A bela fotografia cinzenta e a trilha sonora de vozes dissonantes (que parecem vir de alguma fenda do inferno) auxiliam a construção do pesadelo em que mergulham os personagens agarrados à fé, ao mesmo tempo que acreditam ter o pecado correndo em suas veias (e, portanto, não são dignos de salvação). O roteiro do próprio Eggers investe em várias camadas que podem ser exploradas pelo expectador, o estigma do banimento, a latência da puberdade, as brincadeiras e fantasias que ganham formas assustadoras diante do horror que devora as entranhas. Das roupas que parecem um fardo por si só, passando pelas maçãs que nunca são encontradas (que remete aos contos de fadas, assim como o pecado bíblico), o filme é repleto de detalhes que o valoriza e enriquece. Por seu horror psicológico (que nasce na tela e amplia-se na mente do espectador), A Bruxa merece destaque nos filmes do gênero no século XXI. Entre todas as suas qualidades, merece destaque a bela criação que a jovem atriz Anna Taylor-Joy faz de Thomasin (que perde a inocência lentamente perante a histeria de sua mãe e a tentação que aos poucos se aproxima), porém, o verdadeiro horror de A Bruxa não está no que vemos na tela, reside justamento no oposto: no desconhecido. Ao valorizar o que não é mostrado, o filme se torna mais assustador por deixar que o espectador preencha as lacunas com seus próprios temores - e não há nada mais arrepiante do que isso.  

A Bruxa (The Witch/EUA-2015) de Robert Eggers com Anna Taylor-Joy, Ralph Ineson, Kate Dickie e Harvey Scrimshaw. ☻☻☻☻

sábado, 23 de abril de 2016

PL►Y: Longe Deste Insensato Mundo

Matthias e Carey: o lado romântico do diretor Thomas Vinterberg. 

Às vezes uma assinatura ilustre pode pesar negativamente sobre um filme, exemplo recente foi o de Longe Deste Insensato Mundo estrelado pela inglesa Carey Mulligan e o belga Matthias Schoenaerts, dois bons atores que costumam dar prestígio a qualquer produção. Baseado no livro de thomas Hardy (que já recebeu uma versão para o cinema em 1967 estrelado por Julie Christie),  o filme conta a história de Bathsheeba Everdene (Mulligan), jovem que no ano de 1827 tem ambições bem maiores do que casar e ter filhos, tanto que ela rejeita o pedido de casamento do pastor de ovelhas Gabriel Oak (Schoenaerts) - mesmo que exista uma afinidade irresistível entre os dois. Mas o mundo dá voltas e os dois irão se reencontrar após Bathsheeba herdar uma fazenda decadente e precisar de toda a ajuda possível para reerguê-la. Enquanto o carinho entre os dois permanece, outros pretendentes aparecem no caminho da jovem fazendeira, entre eles o amargurado vizinho Sr. Boldwood (Michael Sheen) e o sargento Francis Troy (Tom Sturridge). A história é repleta de romantismo, mas também ironias (já que embora Batsheeba tenha um pensamento à frente do seu tempo, ela também possui uma porção de orgulho capaz de ofuscar seu bom senso). Ainda que Carey Mulligan pareça frágil, ela consegue construir uma personagem forte e que torna palpável as motivações mais contraditórias de sua personagem, além disso, sua química com Matthias Schoenaerts funciona até a última cena, ou seja: a alma do filme funciona. Não bastasse isso, a produção é caprichada, os figurinos são perfeitos, a fotografia enche os olhos, a trilha sonora é magnífica, os atores de apoio estão em ótima sintonia e o roteiro dá conta de criar um romance de época que chama a atenção (com a difícil tarefa de condensar um livro de 400 páginas em duas horas de filme, o que deixa algumas partes um tanto aceleradas - a adaptação de 1967 tinha 2 horas e 48 minutos). Tanto esmero não empolgou a crítica, as premiações e nem o público. Com sucesso modesto (no Brasil o filme foi exibido no Festival do Rio do ano passado e lançado diretamente em DVD no início desse ano), acredito que a assinatura do cineasta dinamarquês Thomas Vinterberg elevou demais as expectativas sobre o filme, afinal, Thomas foi o garoto prodígio do movimento Dogma 95 (que jogou holofotes sobre cineastas como Lars Von Trier e Susanne Bier), sendo dele o filme mais premiado do movimento, o polêmico Festa de Família (1998) que foi indicado ao Globo de Ouro quando Thomas tinha apenas vinte e nove anos. Recentemente o diretor foi redescoberto pelo sucesso do filme A Caça/2013que foi premiado no Festival de Cannes e foi indicado ao BAFTA, Globo de Ouro e Oscar de filme estrangeiro o que complicou ainda mais a escolha de seu próximo projeto. Longe Deste Insensato Mundo mostra que embora sua assinatura seja mais associada a filmes de grande densidade, Vinterberg ainda quer demonstrar que pode construir narrativas mais singelas e sutis - embora seus fãs possam torcer o nariz para isso (mas acho que ele nem se importa). Os fãs de romances de época não tem do que reclamar. 

Longe Deste Insensato Mundo (Far from the Madding Crowd/Reino Unido - EUA/2015) de Thomas Vinterberg com Carey Mulligan, Matthias Schoenaerts, Michael Sheen, Tom Sturridge e Juno Temple. ☻☻☻☻

sexta-feira, 22 de abril de 2016

BREVE: James White

Cynthia e Christopher: atuações memoráveis. 

James White é o longa-metragem de estreia de Josh Mond que conseguiu destaque em alguns festivais de filmes independentes e foi indicado a três prêmios no Independent Spirit2016 (filme de estreia, ator e atriz coadjuvante). Lançado em novembro nos Estados Unidos, o filme tinha esperanças de conseguir alguma indicação ao Oscar, mas acabou somente na vontade. O motivo talvez seja o clima triste que perpassa todo o filme, mas quem tiver a oportunidade não deixe de assistir, especialmente pelas atuações Cynthia Nixon (que tem feito uma bela carreira após o seriado Sex & The City) e  Christopher Abbott (O Charlie, ex-namorado de Marnie no seriado Girls da HBO). Abbott interpreta o personagem do título, um rapaz um tanto sem rumo e instável, que apresenta um comportamento auto-destrutivo, que fica ainda pior após a morte do pai. No início o filme parece uma colagem aleatória (propostial) do cotidiano de James (com destaque para a ótima cena inicial onde fica clara o desconforto do personagem com os lugares por onde passa), mas logo a trama encontra o rumo quando o que parecia só um detalhe torna-se o centro da trama. Quando sua mãe fica doente, James passa a cuidar dela e sua vida ganha um novo sentido. Promover o bem estar de sua mãe se torna prioridade, mas ele acaba percebendo mais uma vez que a vida lhe foge ao controle. Cynthia Nixon está excepcional como a mãe de James White, demonstrando vulnerabilidade e força (mesmo quando seu organismo mostra-se cada vez mais debilitado), já Abbot humaniza seu personagem problemático aos poucos, demonstrando que por baixo de sua agressividade existe apenas um rapaz perdido - e que se tornará ainda mais quando mãe não estiver mais por perto. Embora invista no visual sombrio, Josh Mond consegue construir um belo filme sobre a relação entre mãe e filho, criando cenas sinceras e honestas como a de Gail explicando ao filho que eles precisam aprender a viver entre os dois extremos emocionais a que se acostumaram (numa alusão à provável bipolaridade de ambos). Ao final da sessão, temos a impressão que James White é um filme que poderia descambar para o drama hospitalar mais tradicional ou ao filme de superação mais previsível, mas prefere seguir um caminho totalmente oposto, se concentrando apenas nos que podem ser os últimos dias de proximidade entre mãe e filho, que também podem funcionar como o rito de passagem para que o protagonista finalmente segure o rumo de sua vida com as próprias mãos, afinal, ela pode ser mais breve do que parece. 

James White (EUA-2015) de Josh Mond com Christopher Abbott, Cynthia Nixon, Ron Livingston, Scott Mescudi e David Cale. ☻☻☻

PL►Y: A Espiã que Sabia de Menos

Rose e Melissa: fazendo graça na espionagem. 

Já se vão cinco anos desde que Melissa McCarthy foi reconhecida no cinema pelo seu trabalho em Missão Madrinha de Casamento (2011). Depois de estrelar o seriado Mike & Molly, a atriz ganhou a tela grande quando o filme escrito por Kristen Wiig lhe valeu indicações a várias premiações, incluindo o Oscar e o Globo de Ouro. Melissa não está nem aí se está acima do peso ou se as pessoas a associam especialmente às comédias, ela continua conduzindo a sua carreira fazendo humor e arrecadando sucessos de bilheteria. A Espiã que Sabia de Menos é uma brincadeira com os filmes de espionagem e lhe garantiu sucesso de público e crítica, lhe rendendo até uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Atriz de comédia. Embora o roteiro seja bastante semelhante à fórmula dos filmes anteriores da atriz, Melissa mostra-se versátil mais uma vez ao estrelar cenas de ação (com direito até a cenas de luta!). Ela encarna Susan Cooper, uma gente acostumada a trabalhar nos bastidores do mundo da espionagem, servindo especialmente de apoio para o agente Bradley Fine (Jude Law). Após uma missão fracassada, os agentes ficam expostos à mimada Rayna Boyanov (Rose Byrne), que herdou do pai uma ogiva nuclear que poderá ser vendida a terroristas. Enquanto o agente durão Rick Ford (Jason Stratham) está proibido de agir (para não colocar a agência em risco), Susan se oferece para descobrir o paradeiro de Rayna e impedir que a ogiva caia em mão inimigos. Esse é o ponto de partida para que tudo o que já vimos em filmes de espiões apareça na tela em tom de galhofa, das identidades secretas pejorativas, passando pelo hotel francês medíocre e todas as conspirações e segredos que aparecem ao longo da história, o filme sempre utiliza o que tem em mãos para divertir a plateia. O filme é uma grande brincadeira que não teme colocar seus personagens em enrascadas - incluindo a amiga de Susan, Nancy (Miranda Hart) e o indiscreto agente Aldo (Pete Serafinowicz). Com elenco talentoso, eu não me surpreenderia se o filme recebesse uma sequência em breve. 

A Espiã que Sabia de Menos (Spy/EUA-2015) de Paul Feig com Melissa McCarthy, Jude Law, Rose Byrne, Jason Stratham, Miranda Hart, Allison Janney, Pete Serafinowicz, Bobby Canavale e Morena Baccarin. ☻☻☻

Na Tela: Orgulho & Preconceito & Zumbis

Elizabeth Bennet (Lily James) ao centro: mocinha da pesada. 

Sucesso nas livrarias, Orgulho & Preconceito & Zumbis chamou atenção por ser um crossover (ou seria fanfiction?) do universo da escritora Jane Austen com as obras de zumbi. O resultado era tão divertido no papel que Hollywood logo se interessou para fazer uma adaptação da obra de Seth Grahame-Smith (que também é responsável pelo livro que deu origem a Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros/2012). Não sou grande conhecedor da obra do escritor - ou de quais são as suas intenções quando mistura alhos com bugalhos, mas sempre tenho a impressão que os diretores levam a sério demais o que deveria ser uma paródia divertida. Com dificuldade de conciliar o humor com o terror, o filme Orgulho & Preconceito & Zumbis nunca decola. A trama segue a história clássica de Jane Austen (se você não conhece é sempre bom assistir a versão do diretor Joe Wright para a obra)  com a diferença de colocar um bando de zumbis para a mocinha Elizabeth Bennet (Lily James) e o pomposo Mark Darcy (Sam Riley) darem fim enquanto tentam resistir à atração que sentem um pelo outro. Elizabeth Bennet cresceu numa casa confortável com os pais (vividos por Charles Dance e Sally Phillips) e suas quatro irmãs (que além de pensarem em seus futuros casamentos, ainda receberam treinamento na China para aniquilar zumbis). Subitamente, a Inglaterra passa a ser atacada pelos mortos-vivos e, em meio ao ataque, a presença de Darcy (um bravo matador de zumbis) e de Lady Catherine de Bourgh (Lena Headey) inspiram segurança à localidade onde vivem, embora, Elizabeth e Darcy nunca simpatizem muito um com o outro  - especialmente quando a doce Jane Bennet (Bella Heathcote) se apaixona pelo melhor amigo de Darcy, Mr. Bingley (Douglas Booth). Na tela o que poderia ser um dos filmes mais divertidos da temporada, logo se torna um tanto enfadonho pela mistura irregular de dois universos cinematográficos distintos. Não foi por acaso que o filme teve uma produção conturbada, onde diretores e atores abandonavam a produção constantemente (entre eles o diretor David O. Russell e a atriz Natalie Portman), sobrou para Burr Steers, que teve uma estreia promissora com A Estranha Família de Igby (2002), mas depois sucumbiu às bobagens estreladas por Zac Efron. Aqui, o cineasta se esforça, mas nunca chega a empolgar. O que torna o programa mais interessante é menos as cenas de lutas com zumbis e mais a química entre Lily James e Sam Riley, que criam o casal Lizzie Mr. Darcy mais inusitado de todos os tempos - sem perder a dignidade. Orgulho & Preconceito & Zumbis capricha nos figurinos (que abusa do couro em várias peças), na direção de arte e na maquiagem dos mortos-vivos, mas deixa a deseja no que deveria ser o seu maior trunfo: o humor. 

Orgulho & Preconceito & Zumbis (Pride and Prejudice and Zombies/EUA-Reino Unido/2016) de Burr Steers com Lily James, Sam Riley, Douglas Booth, Lena Headey e Jack Huston. ☻☻

quinta-feira, 21 de abril de 2016

PL►Y: O Experimento de Aprisionamento de Stanford

Angarano (direita), Tye (centro) e Ezra (esquerda): a aceitação do mal.  

Poucos experimentos chamam tanta atenção do cinema quanto o de aprisionamento de Stanford em agosto de 1971. Trata-se de um experimento psicológico que já inspirou dois filmes recentes (o alemão Experiência/2001 e o americano Detenção/2010), mas que recebeu no ano passado uma versão mais fiel aos fatos ocorridos na renomada universidade americana. Para quem já assistiu aos filmes anteriores existem duas mudanças consideráveis na história. A primeira é que por ser ambientada numa universidade americana, os voluntários são jovens que, em sua maioria, estudavam na instituição. A segunda é que o filme oferece mais destaque aos cientistas envolvidos, especialmente o Dr. Phillip Zimbardo (Billy Crudup), que teve a ideia de utilizar um espaço da universidade para simular uma prisão e observar o que aconteceria. Enquanto as salas desocupadas de professores viraram celas, o corredor servia de pátio - território para as refeições e todo o tipo de humilhações. Zimbardo queria observar em duas semanas o efeito dos uniformes (seja de policiais ou presidiários) e do ambiente no psicológico dos envolvidos. As regras eram bem simples: os envolvidos seriam divididos em dois grupos: ao grupo de "presidiários" cabia obedecer as ordens, aos "policiais" cabia manter a ordem local. O uso de violência física era proibida - quanto à tortura psicológica... estava totalmente liberada. Não demora muito para que os presos percebam que seus colegas policiais estão levando a sério demais os seus papéis, deixando a atmosfera insuportável. Entre ofensas, noites de sono interrompidas, flexões e xingamentos, as agressões físicas começaram a aparecer - deixando Zimbardo ainda mais interessado em ver as consequências de seu experimento. Os voluntários foram atraídos pelos quinze dólares diários que ganhariam por dois meses de participação, mas bastou alguns dias para que alguns manifestassem a vontade de deixar a experiência. O diretor Kyle Patrick Alvarez consegue realizar um bom filme. Claustrofóbico e incômodo, o filme poderia apenas ser um pouco mais curto (uns vinte minutos fariam milagres), mas consegue manter a tensão crescente - sustentada pelo riso nervoso dos envolvidos que depois se transforma em pura angústia. Alvarez conta com um visual diretamente inspirado em filmes da década retratada (figurinos e perucas, inclusive) e um elenco de jovens atores excepcionais. Ezra Miller, Tye Sheridan e Chris Sheffield tem momentos de destaque, assim como Michael Angarano impressiona como o policial mais sádico da turma. A experiência acabou durando apenas seis dias devido a nível de estresse entre os envolvidos. O Experimento de Aprisionamento de Stanford é até hoje lembrado como um mau exemplo na ética de experimentos com seres humanos, mas também serve como referência (assustadora) da aceitação da crueldade mediante "autorização" (além das referências sobre histeria coletiva, influência do ambiente e a capacidade corruptora do poder). Por todos esses motivos, vale sempre lembrar do fracassado (?) experimento. 

O Experimento de Aprisionamento de Stanford (The Stanford Prison Experiment/ EUA-2015) de Kyle Patrick Alvarez com Billy Crudup, Ezra Miller, Tye Sheridan, Michael Angarano, Chris Sheffield, Olivia Thirlby, Johnny Simmons e James Frecheville. ☻☻☻

4EVER: Prince

07 de junho de 1958 ✶ 21 de abril de 2016

Prince Rogers Nelson estava destinado a chamar atenção desde o batismo. Inúmeros músicos e críticos consideram que ele foi um dos artistas mais importantes para os moldes que a música pop seguiria a partir da década de 1980. Sua sonoridade mesclava rock, funk, soul e jazz em porções que poucos artistas ousariam até então - assim como sua figura andrógina provocante. Logo foi posto entre a realeza do pop, ao lado de Michael Jackson e Madonna. A criação de hits como Purple Rain, Kiss e When Doves Cry lhe garantiram fama por décadas, mesmo que por problemas com a gravadora tenha se apresentado com a palavra "Slave" (escravo) escrita no rosto e depois trocado o nome artístico por um símbolo impronunciável nos anos 1990. Prince atuou em três longa-metragens, o mais famoso deles foi Purple Rain (1984) pelo qual recebeu o Oscar de melhor trilha sonora, mas ele também colaborou com a trilha de outros filmes de sucesso como Batman/1989 e Happy Feet/2006 (que lhe rendeu um Globo de Ouro de melhor canção). O artista foi encontrado morto em sua casa no estado norte-americana de Minnesota, sem ser divulgada a causa da morte. 

quarta-feira, 20 de abril de 2016

PL►Y: Sentimentos que Curam

Rufallo, Imogene e Ashley: comédia dramática sobre bipolaridade. 

A produtora e roteirista Maya Forbes estreou na direção no ano passado com este Sentimentos que Curam (título bem menos interessante do que o original Infinitely Polar Bear), filme que conseguiu chamar atenção da crítica, mas que passou em branco pelos cinemas mesmo tratando um tema bastante interessante: o relacionamento familiar em torno de um maníaco depressivo/bipolar. Coube a Mark Ruffalo criar um personagem cheio e oscilações de humor, que consegue ser eufórico e ameaçador em questões de segundos, no entanto, como se trata de uma comédia dramática, não espere muita densidade na abordagem do tema. Sentimentos que Curam parece uma colagem de lembranças que as filhas do protagonistas possuem sobre a infância marcada pelo temperamento do pai. Cam Stuart (Ruffalo) tem origem numa família endinheirada, trabalhou como professor em instituições de prestígio, mas carece de habilidades que consigam mantê-lo em uma rotina. Sua inconstância causa até a separação da esposa, Maggie (Zoe Saldana) que passa a cuidar das duas filhas enquanto ele é internado em uma instituição - antes dele receber alta e tentar colocar a vida nos eixos. Ambientado na década de 1970 (com boa reconstituição de época e fotografia que reproduz as cores das produções daquele tempo), o maior problema para Maggie passa a ser arranjar um emprego pra sustentar as duas filhas em Boston. Para incrementar o currículo ela é aprovada num curso de MBA em Nova York e precisa da ajuda de Cam para cuidar das meninas enquanto está fora. É no relacionamento de Cam com as duas meninas (Imogene Wolodarsky e Ashley Aufderheide) que o filme se concentra a maior parte da sessão, destacando as dificuldades do personagem ser pai responsável em tempo integral enquanto lida com sua personalidade e as das meninas (que estão longe de ser boazinhas e compreensivas, sendo apresentadas como duas crianças temperamentais e quase mimadas - quase um reflexo infantilizado da personalidade do pai, o que rende alguns embates durante a sessão, todos resolvidos de forma branda e inofensiva). Embora seja repleto de boas intenções, falta foco na história do filme, oferecendo ao espectador apenas uma coleção de situações (quase desconexas) envolvendo Cam e sua família. Mark Ruffalo faz o que pode com seu papel criando trejeitos e atitudes que sempre ameaçam cair no exagero e concentra em si a alma emocional do filme (sua atuação lhe valeu até uma indicação ao Globo de Ouro de melhor ator de comédia/musical). Zoe Saldana também está a vontade em provar que pode dar conta de personagens dramáticas, pena que o texto nunca lhe oferece voos maiores. Ao final da sessão, temos a impressão que assistimos a um filme bonitinho mas que está longe de ser memorável. 

Sentimentos que Curam (Infinitely Polar Bear/ EUA-2015) de Maya Forbes com Mark Ruffalo, Zoe Saldana, Imogene Wolodarsky,  Ashley Aufderheide e Beth Dixon. ☻☻

PL►Y: Snoopy & Charlie Brown - Peanuts, o Filme

Charlie, Snoopy e seus amigos: visual repaginado. 

Apesar de ter vários filmes no currículo, Charlie Brown & Snoopy nunca tiveram um filme realizado diretamente para o cinema. Feitos para a exibição televisiva, obras como A Grande Abóbora e Especial de Natal de Charlie Brown tornaram-se ainda mais populares com o mercado de VHS e, posteriormente, com o advento do DVD. Criados pelo quadrinista Charles Schulz, as primeiras tirinhas e Charlie Brown e seu fiel beagle Snoopy foram publicadas em 1950 para ganhar o mundo da animação na década seguinte (e com reprises pelos muitos anos seguintes). Eu cresci assistindo a esses desenhos que fizeram a alegria de muita gente com seu senso de humor peculiar e até melancólico, ao retratar o menino bondoso e de bom caráter que não desanimava diante das derrotas constantes em sua trajetória. Realizado com tecnologia 3D pelo mesmo estúdio que gerou a série A Era do Gelo, Snoopy & Charlie Brown -  Peanuts, o Filme foi gerado como uma homenagem aos personagens e ao seu criador - tanto que o roteiro foi assinado pelo filho (Craig Shulz) e neto (Bryan Schulz) de Charlie e voltado especialmente para as crianças (inclusive aquela que os adultos guardam dentro de si). O visual do filme consegue ser bastante original, mesmo ao utilizar uma textura que parece feita de algodão doce, já o roteiro mostra-se uma colagem bastante leve das histórias que já conhecemos. A trama gira em torno de um incidente na escola envolvendo Charlie Brown - e tem novos desdobramentos a partir do dia em que o personagem conhece sua amada Garotinha Ruiva (sim, com letras maiúsculas, porque esse é praticamente o nome da personagem). Todos os personagens estão ali com suas características primordiais, Snoopy com seus delírios imaginários, Lucy e seu temperamento azeitado, Linus como fiel companheiro de Charlie, Frieda preocupada com seus cabelos naturalmente encaracolados, Pat Pimentinha e seu ar descolado, Márcia e seu estilo zen, os adultos falando em dialeto estranho ("uouom ouomuo mouo")... para os fãs não existe muito do que reclamar vista a necessidade de apresentar os personagens a uma nova geração de fãs. A nova versão de um dos cartoons mais populares do mundo ganha pontos no quesito fofura e perde alguns por conter uma história básica demais sobre o caráter inabalável de Charlie Brown. Particularmente eu senti falta da trilha jazzística e dos antigos dubladores, mas no geral, o filme merece ficar entre as melhores animações de 2015 (foi até indicado ao Globo de Ouro da categoria). 

Snoopy & Charlie Brown -  Peanuts, o Filme (The Peanuts Movie / EUA-2015) de Steve Martino com vozes de Noah Schnapp, Rebecca Bloom, Alexander Garfin e Hadley Belle Miller. ☻☻☻

terça-feira, 19 de abril de 2016

NaTela: Desajustados

Gunnar e Ilmur: coração cheio de boas intenções. 

A maioria das pessoas quando escutam o adjetivo desajustado associam a alguém problemático, rebelde, inconstante e difícil de se conviver. Por outro lado, a palavra pode simplesmente dizer que a pessoa não consegue se ajustar ao que está ao seu redor. O filme islandês Desajustados, dirigido por Dagur Kári brinca com alguns pré-conceitos que podemos construir sobre esse conceito - sendo que o mais gratificante é perceber que seu protagonista parece um tanto alheio ao mundo não por vontade própria, mas por não se encaixar nas expectativas que os outros possuem sobre ele. O protagonista é Fúsi (Gunnar Jónsson), um homem de 43 anos que vive com a mãe. Fã de heavy metal ele passa a maior parte do tempo construindo uma miniatura de uma batalha da Segunda Guerra Mundial. Fúsi trabalha no aeroporto e aguenta a implicância de seus colegas de trabalho, que sempre fazem cometários desagradáveis por ele ser grandalhão, calado e (possivelmente) virgem. Essa não aceitação perante sua personalidade é o principal motivo para que Fúsi faça o possível para passar desapercebido nos espaços que frequenta. Seu mundo parece se abrir quando uma simpática menina muda-se para os eu prédio e ao não parecer intimidada com a aparência do vizinho grandalhão,  ele percebe que tem uma amiga, ainda que as pessoas possam atribuir segundas intenções a esse relacionamento. Meio que sem querer ele aceita se matricular numa aula de dança (country) e conhece Sjöfn (Ilmur Kristánsdóttir), forte candidata a ocupar um lugar em seu solitário coração. Porém, Sjöfn tem seus próprios problemas (mas verá que Fúsi está sempre disposto a ajudar). Desajustados é um filme simples, sem truques narrativos ou exuberância visual, mas consegue desenvolver sua história sem pressa e com grande simpatia, para isso, a direção e o roteiro de Dagur Kári conta com o apoio primordial do ator Gunnar Jónsson para tornar palpável como o mundo pode ser doloroso para quem tem um coração de ouro. Ainda que seja repleto de boas intenções, Fúsi sempre se depara com a impressão de que elas não são suficientes para melhorar a vida dos que estão ao seu redor ou, pelo menos, fazer com que as pessoas o tratem da mesma forma como ele as trata. Trata-se de um lição que aprendemos geralmente ao final da adolescência quando o mundo perde parte do seu encantamento. Sorte que Fúsi, assim como muitas pessoas não desanimam e percebem que talvez o mais importante seja procurar um lugar onde você se encaixe melhor, o difícil é quando demoramos muito para encontrar (nem que seja dentro de nós mesmos). 

Desajustados (Fúsi / Islândia - Dinamarca/2015) de Dagur Kári com Gunnar Jónsson, Ilmur Kristánsdóttir, Sigurjón Kjartansson e Franziska Una Dagsdóttir. ☻☻☻

segunda-feira, 18 de abril de 2016

§8^) Fac Simile: Chris Pratt

Christopher Michael Pratt
Christopher Michael Pratt nasceu no ano de 1979 e ficou famoso como um simpático comediante rechonchudo de papéis como o de Parks and Recreation. Entre uma risada e outra, ele se dedicava a alguns papéis dramáticos no cinema, como nos indicados ao O Homem que Mudou o Jogo (2011), A Hora Mais Escura (2012) e Ela (2013), no entanto, a virada em sua carreira aconteceu quando ele perdeu peso e tornou-se herói da Marvel no sucesso Guardiões da Galáxia (2014). Foi meio que por acaso que nosso repórter imaginário encontrou com o astro em um evento em Los Angeles e o convenceu a responder cinco perguntas nessa entrevista que nunca existiu. 

§8^) Tem sido difícil manter a forma?

Chris É mais simples do que parece! Na verdade você deve pensar em tudo que você gostaria de comer e simplesmente... não comer. Esqueça tudo que é saboroso, crocante e doce. O que sobrar você pode comer... em porções moderadas! Como tenho tendência a engordar se eu ver ou pensar em algo muito calórico eu já engordo! Então, vou com a família no McDonald's e coloco uma venda nos olhos... truques assim, ajudam bastante!

§8^) Certa vez li uma entrevista de sua esposa, a atriz Anna Faris, dizendo que seu agente deveria autorizar você a se alimentar novamente junto à família... ela sente falta do Chris gordinho?

Chris Acho que ela me achava mais fofo antigamente. E agora a mulherada me repara mais, recebo mais carta de fãs e as cenas em que apareço sem camisa sempre rende algum ciúme. Mas em se tratando de comida... sempre como o que vale a pena, quando penso nas horas que um brigadeiro vai me render na ergometria e quanto peso terei que levantar depois, eu acabo desistindo de devorá-lo. 

§8^) Quando resolveu entrar em forma para viver Starlord em Guardiões da Galáxia, imaginava que as pessoas iriam comentar tanto sobre isso?

Chris Não mesmo! Até porque eu imaginei que não ficaria cheio de músculos e tudo mais. No entanto, eu tinha que honrar meu contrato e lá estava escrito: "tem que ficar tão gostoso quanto o Capitão América"...  A Marvel tem uns padrões muito elevados! Fala sério... eu era só um rapaz gorducho brigando com a balança!

§8^) Que músicas você terá  na fita K-7 para a trilha de Guardiões da Galáxia 2? Haverá  chance de ter alguma música brasileira?

Chris Curioso você falar isso, tenho escutado uma cantora muito popular no país de vocês. Marisa Monte, conhece? Tem uma música dela em que ela fala um monte de doces... 

§8^) Você renovou a franquia Jurassic Park e está na sequência de Guardiões prevista para o ano que vem. Você ainda estará na refilmagem de Sete Homens e Um Destino a ser lançada no segundo semestre e em Passengers, do diretor indicado ao Oscar Morten Tyldum. Já pensou em engordar novamente para ganhar um Oscar?

Chris Quando penso em todo o sacrifício que teria de fazer para perder o peso eu até desisto. Talvez se fosse para viver um mafioso, ou encarnar a biografia de Jabba the hutt em Guerra nas Estelas seria uma boa! Mas meu sonho mesmo era viver o papel de John Candy no cinema! Eu adorava os filmes dele e eu já tenho até um cardápio para ganhar peso bem aqui no bolso [ele retira um verdadeiro rolo, repleto de guloseimas e sanduíches de fast food]. Se quiser ajudar com uns pratos brasileiros, eu agradeço! Essa conversa me deu uma fome... tem alguma barra de cereal por aí?

THE JURASSIC MOVIES - A QUADRILOGIA

Jurassic Park - Paque dos Dinossauros (1993)

Lembro quando fui numa excursão da escola ver Jurassic Park no cinema. Lembro que fomos no enorme cinema de Icaraí, um desses espaços com dois andares que nem existem mais. A sessão estava lotada e cada vez que o tiranossauro aparecia, ameaçador como ele só, eu morria de rir com a minha amiga Mara que berrava feito uma louca ao meu lado. Eu estava na oitava série e os professores insistiam em ressaltar o envolvimento do DNA e da clonagem com o que víamos na tela, o fato é que nós só lembrávamos da recriação mais impressionante de dinossauros que já vimos no cinema. Baseado no livro de Michael Crichton, Steven Spielberg mergulhava mais uma vez no campo da fantasia (pouco antes de ganhar vários Oscars com A Lista de Schindler, que foi lançado no mesmo ano) e deixava crianças e adultos pasmos com a qualidade dos efeitos especiais. Para além disso, tinha ainda o clima de suspense e horror diante de um zoológico de dinos que fazia seu criador pagar caro por brincar de Deus. John Hammond (Richard Attenborough) estava tão maravilhado com sua criação que não imaginou que quando algo desse errado, colocaria em risco a vida de seus netos (vividos por Joseph Mazzello e Ariana Richards) e dos convidados por ele para conhecer sua criação: o matemático Ian Malcolm (Jeff Goldblum) e a dupla de paleontólogos Alan Grant (Sam Neil) & Ellie Sattler (Laura Dern) - e embora o roteiro deixe no ar uma tensão sexual entre os três, isso fica logo de lado quando uma pane no sistema coloca todos os personagens sob o risco de virar comida do Tiranossauro Rex. Spielberg utiliza aqui alguns recursos que já demonstrou dominar muito bem em Tubarão/1975 e Contatos Imediatos de Terceiro Grau/1977 , abusando do poder de sugestão ne de uma trilha sonora que aumenta a tensão. Muitos críticos torceram o nariz para o filme, considerando que trata-se apenas de uma brincadeira de gato e rato, onde os humanos figuram no desconfortável papel de ratos. Particularmente, não vejo problema nisso se a ideia consegue ser bem executada (e Spielberg esmera-se para agradar a plateia, tanto que escalou um bom elenco para não decepcionar). O filme fez tanto sucesso que a sequência, The Lost World: Jurassic Park (1997), era inevitável. 

O Mundo Perdido: Jurassic Park (1997)

Parecia não haver como dar errado. O novo livro de Michael Crichton parecia ter sido escrito para gerar um filme e, diante do sucesso do primeiro, Steven Spielberg topou fazer a continuação. Na nova história ambientada quatro anos após o fracasso do Parque Jurássico, John Hammond (Richard Attenbrorough escala novamente o matemático Ian Malcolm (Jeff Goldblum) para retornar à famigerada ilha Nublar. Ele agora segue para ilha com a namorada Sarah Harding (Julianne Moore), com a filha Kelly (Vanessa Lee Chester), além de uma nova equipe disposta a estudar o crescimento dos dinossauros no local. No entanto, um outro grupo de visitantes tem outros planos em mente. Spielberg utiliza muito mais cenas com dinossauros, assim como oferece mais cenas de ação e violência. Os dinossauros estão mais agressivos, mas o roteiro ficou bem menos interessante, talvez pela sensação de que esse Mundo Perdido tem muita semelhança com King Kong (1933)! As críticas foram severas com Lost World, mas o filme fez sucesso. O problema é que decepcionado com a repercussão negativa do filme, Spielberg não demonstrou interesse em voltar à franquia que ajudou a criar. Ele já tinha seu cobiçado Oscar de direção na estante por A Lista de Schindler e ter Lost World como um passo seguinte não pareceu ser uma boa ideia. No mesmo ano ele ainda lançou o sério Amistad que foi praticamente ignorado no Oscar (sorte que no ano seguinte fez O Resgate do Soldado Ryan/1998 e  foi lembrado pela Academia de novo). Com Spielberg fora da direção, dar corpo para o terceiro longa da franquia foi mais trabalhoso. A partir de um história simples, chegou aos cinemas Jurassic Park III (2001), com direção de Joe Johnston (que dez anos depois assinaria Capitão América: O Primeiro Vingador) o filme retoma o personagem do Dr. Alan Grant (Sam Neil) que colocou as experiências traumatizantes no Jurassic Park para trás. No entanto, um casal milionário (William H. Macy e Téa Leoni) o contrata para visitar a ilha Sorna, onde foram feitas parte das experiências com dinossauros desde o primeiro filme. Ele reluta, mas acaba aceitando - e descobre que o verdadeiro motivo para a visita é que o casal pretende resgatar o filho (Trevor Morgan) que ficou perdido por lá. Menos empolgante que os filmes anteriores, o longa tem o clima de matinê típico dos filmes de Johnston - o que não compromete a sessão, mas também não cria nada de novo dentro da franquia. Com o tom mais cômico, o filme não alcançou o sucesso dos filmes anteriores - e a franquia foi posta na geladeira por algum tempo. 

Jurassic Park III (2001)

Em tempos onde os estúdios procuram cada vez mais franquias para lançarem nos cinemas, era mais do que evidente que lembrariam do sucesso de Jurassic Park. Bastou um roteiro empolgar os produtores para que os dinos saíssem da gaveta. Como de costume, chamaram atores conhecidos para contracenar com os efeitos especiais. Chris Pratt foi o maior acerto no papel de Owen, um obstinado domador de velociraptors. Ele já havia demonstrado que tinha talento de sobra ao ser o centro das atenções em Guardiões da Galáxia (2014), aqui, é praticamente quando ele aparece que a plateia se empolga com a narrativa. O ex-gordinho e agora sarado Pratt, torna-se responsável pelos momentos mais originais que Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros oferece à franquia que andava um tanto desacreditada. Owen não tem interesse de lucrar com os dinos, também não está lá para caçá-los, sendo um personagem que percebe os dinossauros como animais e, portanto, merecem ser tratados com respeito - afina, o mundo que os recriou, não faz a mínima ideia de como lidar com eles. O projeto do Parque dos Dinossauros foi retomado e agora rebatizado de Jurassic World, um grande parque temático que funciona com base na exposição periódica de novas espécies criadas por engenharia genética. O diretor Colin Trevorrow veio do cinema indie (lançou Sem Segurança Nenhuma/2012 e seu segundo filme já é uma superprodução), Colin consegue cumprir o desafio de fortalecer a relação entre os personagens em meio às cenas de ação, nos fazendo até esquecer por alguns instantes que o roteiro segue o manual do primeiro filme obedientemente - afinal inclui duas crianças que são parentes de uma responsável pelo parque (a ambiciosa Claire vivida por Bryce Dallas Howard - além de existir uma tensão sexual entre Claire e Owen), existem os ambiciosos que não medem esforços para lucrar com os dinos (papéis de Vincent D'Onofrio e Irrfan Khan) e um dinossauro mais ameaçador que todos os outros (no caso, até mais do que o Tiranossauro). A grande diferença é que neste o Parque dos Dinossauros finalmente está aberto, recebendo visitantes e repleto de atrações - que irão representar um grande risco quando o homem perceber que não tem o controle imaginado sobre suas experiências. Existem criaturas atacando pela terra, pela água e pelo ar, além de cenas de ação realmente empolgantes (como a do carro esférico, o ataque de pterodáctilos e o duelo final). Porém, a relação mais comovente do filme fica por conta de Owen com seus bichos de estimação. Ao que parece, a saga jurássica encontrou um novo rumo. 

Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros (2015)


Jurassic Park - Parque dos Dinossauros (Jurassic Park - EUA/1993) de Steven Spielberg com Sam Neil, Laura Dern, Jeff Goldblum, Richard Attenborough, Ariana Richards e Joseph Mazello. ☻☻☻☻

O Mundo Perdido - Jurassic Park (Lost World: Jurassic Park - EUA/1997) de Steven Spielberg com Jeff Goldblum, Julianne Moore, Pete Postlethwaite e Vince Vaughn. ☻☻

Jurassic Park III (EUA/2001) de Joe Johnston com Sam Neil, Willam H. Macy, Téa Leoni e Alessandro Nivola. ☻☻

Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros (Jurassic World - EUA/2015) de Colin Trevorrow com Chris Pratt, Bryce Dallas Howard, Vincent D'Onofrio, Omar Sy e Irrfan Khan. ☻☻☻

sexta-feira, 15 de abril de 2016

PL►Y: A Pequena Morte

Lawson e Novakovic: sexo bem humorado. 

Eu vivo reclamando dos títulos que alguns filmes recebem ao serem traduzidos por aqui, afinal de contas, um título ruim pode ser fatal para o sucesso de bilheteria. No entanto, mesmo traduções fiéis podem confundir o público. Exemplo disso é o australiano A Pequena Morte, um dos filmes mais divertidos que assisti nos últimos tempos. Pois é, sem atores famosos nos créditos e com um nome que parece anunciar um suspense sombrio, o filme passou desapercebido nos cinemas brasileiros ao estrear em pleno natal do ano passado (portanto, classificável para minha lista de melhores de 2016)! Chegando em DVD o filme merece uma chance por acertar num campo dificílimo: a comédia sexual. Sem apelar para obviedades e baixarias tão comum nas comédias americanas atuais, o filme utiliza ótimos atores e um roteiro esperto para escapar de todas as armadilhas do gênero. A trama mistura a história de vários casais que lidam com algumas... particularidades. Assim, somos apresentados a Paul (Josh Lawson) e Maeve (Bojana Novakovic), um casal apaixonado, onde ela aceitou o fetiche que ele tem por pés e... ela pretende realizar uma estranha fantasia ao lado dele. Mais complicado é o casamento de Rowena (Kate Box) e Richard (Patrick Brammall) que tentam ter o primeiro filho há tempos e ela descobre que sente um tesão incontrolável ao ver o marido chorando (não se trata de sadomasoquismo, ela fica realmente excitada quando vê o marido chorando de tristeza). O filme ainda conta com Evie (Kate Mulvany) e Dan (Damon Herriman) que fingem ser outras pessoas entre quatro paredes, até que Dan começa se preocupar demais com as interpretações (e figurinos, iluminação, roteiro...). Casados há mais tempo, Phil (Alan Duke) e Maureen (Lisa McCune) enfrentam problemas no relacionamento, até que um remédio tailandês chega para ajudar no casamento (e atrapalhar Phil no trabalho). Completa o grupo de personagens a funcionária de um call center voltado para surdos (Erin James) que irá realizar seu serviço mais estranho (e hilariante) com Sam (T.J. Power) - que arremata com chave de ouro a sessão. O roteiro do próprio Josh Lawson (que também assina a direção) diverte por sempre optar pelo inesperado, sempre intensificando o humor das histórias e apresentando os efeitos colaterais a que os desejos de seus personagens estão expostos. Inteligente e enxuto, o filme consegue abordar temas complicados sem tornar-se ofensivo ou apelativo, apresentando uma costura perfeita das ideias que surgem pelo caminho. A Pequena Morte ( vindo de La Petite Mort um eufemismo francês para orgasmo) pode não funcionar como título de comédia,  mas esconde uma verdadeira pérola do humor - que poderia se chamar O Orgasmo dos Outros sem acanhamentos. 

A Pequena Morte (The Little Death/Austrália-2014) de Josh Lawson com Josh Lawson, Bojana Novakovic, Damos Herriman, T.J. Power, Lisa McCune, Alan Duke, Kate Mulvany, Erin James, alan Duke e Kim Gyngell. ☻☻☻☻

Combo: Bons de Briga

5 O Lutador (2008) Darren Aronofsky precisava recuperar o seu prestígio após as vaias recebidas (imerecidamente) por Fonte da Vida/2006. Seu passo seguinte não poderia ser mais diferente, a história de um lutador de luta livre que precisa se aposentar, mas que não consegue ficar fora dos ringues... afinal, sua vida fora do tatame é ainda pior! Seu relacionamento com a filha está em frangalhos e a única coisa que o anima é o namoro com uma bela stripper (Marisa Tomei).  Para além da história, o filme ganhou fãs fervorosos pela atuação vigorosa de Mickey Rourke e sua estampa de galã desfigurado por cirurgias plásticas desastrosas (ele foi até indicado ao Oscar). 

4 Guerreiro (2011) Dois irmãos com histórico familiar complicado (além de pendengas pessoais afloradas) se reencontram num campeonato de MMA. Filhos de um ex-boxeador alcoólatra (Nick Nolte, indicado ao Oscar de coadjuvante), o professor Brendan (Joel Edgerton) e o ex-fuzileiro naval Tommy (Tom Hardy) sabem que no ringue existe lugar apenas para um vencedor -  mas até descobrir quem ganha essa disputa o (ainda subestimado) diretor Gavin O'Connor filma algumas das lutas mais impressionantes que já se viu na tela de cinema! Cheio de som, sangue, suor, lágrimas, fúria e enquadramentos perfeitos, Guerreiro é o tipo de filme que surpreende pelas qualidades que você nem imaginaria. 

3 Menina de Ouro (2004) Mulher também pode ter punhos de aço e impressionar! Por isso, Maggie Fitzgerald (Hillary Swank) vê nas lutas de boxe a única chance de tirar sua vida da estaca zero. Considerada velha demais para começar no ramo, ela convence um experiente treinador (Clint Eastwood, que também assina a direção) de que possui um potencial inigualável. Mais do que narrar a (triste) história de Maggie, o filme ainda é uma prova de fôlego para Hillary, que depois do Oscar por Meninos não Choram/1999 padeceu em produções esquecíveis. Aqui ela levou outra estatueta para casa e deixou claro que é a atriz ideal para viver mulheres fortes.

2 Touro Indomável (1980) Clássico absoluto e favorito de nove entre dez pessoas que curtem filmes sobre lutadores (especialmente se for crítico de cinema), a cinebiografia do lutador Jake LaMotta tornou-se um dos filmes mais injustiçados do Oscar (indicado a oito prêmios, levou o de edição e ator para Robert DeNiro) por perder as estatuetas de direção e filme para o drama Gente como a GenteFilmado em preto e branco, Martin Scorsese pontua a história de LaMotta mesclando suas lutas e vida pessoal numa narrativa estilosa e cheia de virtuosismo. DeNiro está excepcional no papel principal dando conta de todas as nuances de um personagem que está longe de ser adorável.

 1 Rocky - Um Lutador (1976) Se eu tivesse realizado esse combo no ano passado, possivelmente, Rocky estaria em segundo lugar, mas depois de Creed/2015, percebi como esse longa metragem de John G. Alvidsen criou um personagem que tornou-se um ícone da cultura norte-americana. Rocky Balboa (Sylvester Stallone, indicado ao Oscar de ator e pelo roteiro) ambiciona ser um campeão das lutas de boxe, mas para isso terá que provar sua obstinação em treinos exaustivos - e ainda encontrar tempo  para conquistar o coração de Adrian (Talia Shire). Some o sucesso de bilheteria, a imortal canção Eyes of Tiger (da banda Survivor), as seis sequências que o filme rendeu e as premiações de Stallone como coadjuvante por reviver Rocky em Creed e você entenderá porque o filme está no topo deste combo.