terça-feira, 31 de março de 2015

N@ CAPA: Lançamentos de 2015



Passado o Oscar e suas inevitáveis estreias tardias por aqui, chegou a hora de conhecermos o que 2015 reserva para nós. A capa do mês de março foi dedicada a alguns dos lançamentos mais aguardados do ano, com chances de gerar boas críticas, bilheterias e até uma vaga nas premiações do ano que vem. Considerem esse post uma prévia do que veremos em nas telas esse ano:

1 Ben Foster vive o ciclista Lance Armstrong no novo filme de Stephen Frears: Icon 2 Já em cartaz no Brasil, o divertido Kingsman traz Colin Firth como um agente que não perde a classe (o os óculos) nem nas cenas mais mirabolantes 3 Thor enfrenta Moby Dick em O Coração do Mar 4 Já que emagrecer não adiantou, Jake Gyllenhaal ganha massa muscular como o lutador de boxe do filme de Antoine Fuqua: Southpaw 5 Meryl Streep indicada ao Oscar pela vigésima vez? Isso pode acontecer com a roqueira veterana de Ricki and The Flash 6 Tom Hardy finalmente lança a nova versão de um clássico com Mad Max: Fury Road
7 Depois de projetos grandiloquentes frustrantes, Anjelina Jolie muda o tom no intimista By The Sea ao lado de Brad Pitt 8 Queen of Earth traz Elisabeth Moss e Katherine Waterston como duas amigas em crise 9 Javier Bardem é dirigido por Sean Penn no drama The Last Face ambientado na África 10 Leonardo DiCaprio protagoniza a vingança filmada por Alejandro González Iñárritu (sentiu o cheiro de Oscar?) em The Revenant 11 Tom Hanks e Steven Spielberg se juntam para contar mais uma história sobre agentes da CIA em Bridge of Spies 12 JJ Abrams vai consertar a lambança de George Lucas em Star Wars: O Despertar da Força 13 Depois de tantos adiamentos, Orgulho Preconceito e Zumbis finalmente chega às telas 14 Nicole Kidman está no deserto de Werner Herzog em Queen of Desert 15 Michael Fassbender está no drama criminal Trespass Against Us 16 A luta pelos direitos femininos é o assunto de Sufragette com Carey Mulligan e Meryl Streep 17 Michael Fassbender ajuda um jovem a buscar a mulher que ama em Slow West 18 Margot Robie ficou morena para filmar Z for Zacharias 19 Brie Larson cuida do filho na adaptação do aclamado romance Room 20 Em The Lobster ou você arranja seu par ou é largado na floresta! 21 Tomorrowland é a aposta da Disney para 2015! 22 The Walk é a versão dramatúrgica de Robert Zemeckis para o documentário "Man on Wire". 
23 Cate Blanchett trai o marido em Carol 24 Natalie Portman consegue tirar do papel o conturbado Jane Got a Gun 25 Chappie é mais um robô que aprende a ter sentimentos 26 Paul Rudd contempla seu uniforme de Homem-Formiga 27 Carey Mulligan quer uma indicação ao Oscar por Longe desse Insensato Mundo 28 Divertida Mente promete ser a animação do ano! 29 Será que misturar velho oeste com canibais funciona? Essa é a ideia de Bone Tomahawk 30 Tom Tykwer conta a história de um homem falido (Tom Hanks) na Arábia Saudita em A Hologram for the King 31 Lugares Escuros tem a assinatura de Gillian Flynn e Charlize Theron no elenco 32 Julianne Moore luta pelos direitos da namorada em Freeheld 33 Emma Stone volta a trabalhar com Woody Allen em O Homem Irracional 34 Cameron Crowe quer colocar a carreira nos eixos com Emma Stone e Bradley Cooper em filme ainda sem título 35 Em Child 44 Gary Oldman duela com Tom Hard enquanto investigam crimes misteriosos 36 É possível viver uma história de amor num mundo sem emoções? Essa é a proposta de Equals com Kristen Stewart e Nicholas Hoult 37 A nova versão de Macbeth para o cinema traz Marion Cotillard e Michael Fassbender 38 Jake Gyllenhaal está ao lado de um elenco de estrelas tentando escalar o Everest
39 Christian Bale é um roteirista que tenta encontrar sentido em estranhos eventos dirigidos por Terrence Mallick em Knight of Cups 40 Tom Hardy encarna gangsteres gêmeos em Legend 41 Michelle Williams e Matthias Schoenaerts encontram o amor na Segunda Guerra Mundial em Suite Française 42 Charlotte Rampling quer ser indicada ao Oscar por 45 years, assim como James Franco como o criminoso que conta sua versão dos fatos em A História Verdadeira 43 Os Vingadores 2: A Era de Ultron será a maior bilheteria de 2015? 44 Mistress America é a nova parceria do diretor Noah Baumbach e Greta Gerwig * O que George Clooney e Colin Firth estão fazendo aqui de novo? Maldito montador Freelancer... 
46 Jessica Chastain vive na casa mal assombrada de Guillermo Del Toro em Crimson's Peak 47 Chris Pratt tenta colocar o mundo jurássico nos eixos em Jurassic World 48 O escritor Alex Garland estreia na direção com Ex-Machina.
49 Hugh Jackman é o pirata Barba Negra em Pan 50 Robert Pattinson parece que finalmente é levado a sério em Life, sobre o encontro de um fotógrafo com James Dean 51 O Quarteto Fantástico volta às telas totalmente repaginado com novo elenco, novo conceito, nova franquia... 52 Quentin Tarantino diz que o faroeste The Hateful Eight é seu último filme na direção 53 Guy Ritchie quer inaugurar uma nova franquia com O Agente da U.N.C.L.E. estrelado por Henry Cavill e Armie Hammer 54 Parece um episódio de "True Detective", mas é o novo filme de Matthew McConaughey, Sea of Trees de Gus Van Sant 55 Para terminar Nasty Baby é um drama entre a vida e a morte estrelado por Kristen Wiig e Tunde Adebimpe.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Breve: In Your Eyes

Zoe e Michael: romance doidinho açucarado. 

Joss Whedom provou o seu poder de fogo ao misturar os heróis da Marvel em Vingadores, mas desde então quer mostrar que possui dotes variados. Fez uma versão cult de Muito Barulho Por Nada (2012) filmado em sua própria casa e escreveu/produziu esse romance com toques sobrenaturais. Sem conseguir espaço nos cinemas, In Your Eyes  faz  carreira com a disponibilização na internet realizada pelo seu próprio criador. O filme é uma fantasia amorosa que é mais uma ideia do que propriamente uma história. O ponto de partida inusitado retrata um casal que não se conhece, mas que por algum motivo misterioso, consegue uma conexão mental onde um pode enxergar o mundo pelos olhos do outro. Rebecca (Zoe Kazan) e Dylan (Michael Stahl-David) vivem em pontos completamente opostos do mapa dos Estados Unidos. Ela é casada com um médico que fica cada vez mais preocupado com o que ela costuma chamar de "espasmo muscular" (mas que na verdade são reflexos dos acontecimentos com Dylan). Já Dylan amarga a vida de ex-presidiário sem estabilidade e solitário no trailer onde vive. O início é promissor, principalmente quando os dois percebem a estranha ligação entre eles. Aos poucos o tom de romance invade a narrativa e... o diretor Brin Hill exagera nas doses de açúcar. Kazan e David são bons atores, conseguem dar liga aos personagens que compartilham apenas uma cena, mas até lá a química entre os dois já tem nossa atenção. O problema é que In Your Eyes começa a ficar bastante repetitivo depois de meia hora de projeção (e a duração de 106 minutos não ajuda a manter o ritmo da história), se enrola nas suspeitas de que Rebecca seja esquizofrênica e no preconceito por Dylan ser um ex-presidiário que fala sozinho, aponta para um final feliz e joga tudo para o alto em seu final. Bem fotografado, editado e atuado, o filme perde pontos por ser um tanto preguiçoso e não levar sua premissa aos limites que anuncia. Spike Jonze teria feito um filme inesquecível partindo da mesma ideia biruta...

In Your Eyes (EUA-2014) de Brin Hill com Zoe Kazan, Michael Stahl-David, Mark Feuerstein, Jennifer Grey e Nikki Reed.

domingo, 29 de março de 2015

BREVE: Filth

McAvoy: longe do bom mocismo. 

Filth estreou no Reino Unido em 2013 e já foi lançado em DVD há tempos por lá, aqui, por enquanto, não conseguiu uma vaga entre as estreias semanais até agora. Baseado no livro de Irvine Welsh, (de Traispotting/1996) o filme de Jon S. Baird também quer soar tão modernoso quanto o clássico filme de Danny Boyle, mas o resultado está longe de ser genial, parecendo muitas vezes apenas gratuito. Claro que o filme sobre o policial viciado em drogas e sexo - que prejudica seus colegas para ganhar fama em torno das investigações de um caso de assassinato - tem elementos de sobra para que todos exercitem seu humor negro, especialmente James McAvoy que tem se esforçado para se livrar dos papéis de bom moço. O ator escocês vive o desagradável protagonista Bruce com grande desenvoltura, parecendo até que simpatizamos com ele - mesmo que ele não esteja valendo grande coisa. Quando sua imaginação realiza digressões sobre seus colegas a narrativa consegue ganhar agilidade, especialmente com o bom elenco de apoio formado por Jamie Bell, Eddie Marsan e Gary Lewis. Todos são policiais, todos vivem situações comprometedoras e todos vão fazer você soltar algum riso nervoso. Fosse apenas espinafrar os colegas de Bruce o filme poderia ser interessante, mas ele tem outros elementos que tornam a sessão um tanto confusa. Desde a primeira cena, a narrativa é pontuada pela mulher que acreditamos ser a esposa de Bruce, mas que nunca aparece em cena ao lado dele. Outros detalhes mostram que a sanidade não é o forte do protagonista (o que é ampliado pela participação do médico biruta vivido por Jim Broadbent), contrastando com os lampejos de normalidade de quando ele encontra a viúva de um amigo (vivida por Joanne Froggatt) ou quando uma jovem policial tenta ajudá-lo a colocar o mundo novamente em perspectiva (papel de Imogene Poots). Em sua segunda experiência em longa metragem, J.S. Baird não tem pudores em parecer subversivo, criando cenas que alguns diretores renomados hesitariam sem cerimonia, no entanto, o moço encontra dificuldade para alinhavar a narrativa com o ritmo adequado. Irregular, as loucuras de Bruce podem ficar repetitivas a partir de um determinado momento, assim como o desfecho poderia ser surpreendente se tudo já não soasse estranho o suficiente. No fim das contas temos um filme instigante, ainda que desengonçado, mas defendido por um elenco inspirado que não tem vergonha de submeter seus personagens a uma boa dose de ridículo (e se lembrarmos que são policiais  a coisa fica ainda mais divertida). A estranheza de Filth acaba remetendo mais à esquizofrenia de Tyler Durden em  Clube da Luta/1999 do que à célebre jornada de Mark Renton em Trainspotting, porém, está longe da genialidade das duas obras que marcaram o final do século XX.

Filth (Reino Unido - Alemanha - Suécia - EUA - Bélgica/2013) de J.S. Baird com James McAvoy, Jamie Bell, Eddie Marsan, Imogene Poots, Jim Broadbent, Gary Lewis e Shirley Henderson. ☻☻☻

terça-feira, 24 de março de 2015

Na Tela: Dois Lados do Amor

McAvoy e Chastain: juntando os cacos. 

O diretor Ned Benson criou uma trilogia ambiciosa para marcar sua estreia em longa metragem. The Disappearance of Eleanor Rigby é composto de três olhares sobre a mesma história: Him, Her e Them, que compõem a bordagem sobre a separação do casal Eleanor (Jessica Chastain) e Conor (James McAvoy), a primeira parte é a abordagem dele, a segunda é sobre o olhar dela e o último mistura as duas partes para criar um desfecho coeso para a trilogia. Como as duas primeiras partes não estrearam por aqui, começaremos do desfecho do projeto de Benson, que alguns críticos consideraram a melhor parte de sua obra (embora alguns considerem tudo um tanto cansativo). Apesar de ser vendido como uma história de amor, os filmes tratam daquele ponto onde o relacionamento termina e a difícil tarefa de seguir em frente precisa ser encarada. Eleanor depois de uma tentativa frustrada de suicídio volta a morar com os pais (vividos por Isabelle Huppert e William Hurt). Para colocar a vida nos eixos volta até a estudar, onde encontra na sisuda professora Lilian Friedman (Viola Davis) uma amiga e confidente. Enquanto isso, Conor enfrenta uma crise no restaurante que abriu junto a um amigo. Eis que um dia ele reencontra Eleanor meio que por acaso. Enquanto ele tenta juntar os cacos para que voltem a viver juntos, Eleanor é mais reservada. Um tanto cética sobre a vida a dois, ela prefere ser cautelosa para evitar outro naufrágio emocional. Ainda que compartilhem poucas cenas, Jessica e James apresentam boa química quando estão juntos na tela, seja nas cenas de antes ou depois da crise no relacionamento. Pleno em sua melancolia, Dois Lados do Amor parece ser até mais extenso do que sugere seus cem minutos de duração, talvez o problema seja que essa conclusão da trilogia seja semelhante demais à estrutura do excelente Namorados Para Sempre (2010) que fragmenta a história de um casal entre peças de passado e presente para demonstrar o contraste dos tempos distintos da narrativa. No entanto, enquanto o filme de Derek Cianfrance concentrava-se nos personagens, a obra de Ned Benson exagera na inadequação de seus personagens perante os papéis que devem desempenhar. Sendo assim, existe a professora que não gosta de dar aula, a mãe que não queria ter filhos, a amada que quer ficar sem o amado e o romântico que trai a amada... Ned Benson constrói sua história transformando essas dicotomias em "buracos emocionais" que se sobrepõem sempre que os personagens estão juntos em cena. O resultado é um filme tristonho ancorado em boas atuações e sempre distante do final feliz. 

Dois Lados do Amor (The Disappearance of Eleanor Rigby: Them) de Ned Benson com James McAvoy, Jessica Chastain, William Hurt, Viola Davis, Isabelle Huppert e Bill Hader. ☻☻☻

domingo, 22 de março de 2015

Eu sou você amanhã - Parte II

Existem alguns artistas que nem precisam de programa de computador para descobrir o efeito do tempo em sua aparência. Devido ao sucesso da primeira edição preparei mais uma pequena visão do que o futuro reserva para...

Christopher Mintz-Plasse será Ed Helms
Chris já deve estar acostumado com as comparações, afinal, utilizando sua aparência nerd para conseguir papéis, ele sabe que até quando crescer o filão está garantido - já que ele não deverá ser muito diferente de Ed Helms. Afinal, ambos compartilham o formato do rosto, o gosto por óculos, o mesmo sorriso e o apetite por comédias. A fôrma de Ed Helms foi usada em 1972 e reutilizada em 1989 quando nasceu Christopher. 

Luciana Gimenez será Anne Dorval
Conhecida como apresentadora, Luciana Gimenez possui três filmes no currículo - e ela ainda precisa melhorar muito para ser reconhecida como atriz. Se a brasileira se aplicar ela talvez se torne uma atriz tão boa quanto a canadense Anne Dorval. Ganhadora de vários prêmios internacionais, Anne é musa do prodígio Xavier Dolan e não faz feio diante da câmera. Nascida em 1960, Dorval atua desde a década de 1980, década em que Luciana começou a carreira como modelo. Nascida em 1969, Luciana topou ser apresentadora em 2001.

Adrien Brody será David Pasquesi
Espero que eu não seja o único a ter confundido os dois na série Veep. Adrien Brody tornou-se famoso como o mais jovem a receber o Oscar de melhor ator - graças à sua atuação em O Pianista (2002). No entanto, ele também tornou-se figura notória pelo seu nariz, digamos, inigualável... pelo menos até verem o de David Pasquesi! Nascido em 1960, Pasquesi também trabalha como roteirista. Já Adrien nasceu treze anos depois e ganha a vida fazendo filmes independentes. 

Ana Paula Arósio será Elizabeth McGovern
A semelhança entre as duas chega a ser assustadora. Elizabeth foi uma das jovens atrizes mais queridas da década de 1980, sendo indicada ao Oscar em seu segundo trabalho para o cinema (Na Época do Ragtime/1981). Embora a década de 1990 tenha maltratado sua carreira, no século XXI voltou aos holofotes como a nobre Cora Crawley de Downton Abbey. Se Ana Paula Arósio assiste a série, ela já deve saber o que o futuro reserva para ela. Nascida em 1975, Ana é quatorze anos mais jovem que Elizabeth. 

Matthew Lewis será Clive Owen
O ex-patinho feio da franquia Harry Potter virou um dos jovens atores mais cobiçados da Inglaterra. Sorte que Lewis não precisou esperar tanto tempo para chamar atenção da mulherada como Clive Owen, que atuava desde a década de 1980 e só chegou ao estrelato quando chegou aos quarenta. O tempo deve fazer as semelhanças entre os dois ficarem ainda maiores. Lábios, olhos, formato do rosto, cabelo... não fique surpreso se em breve os dois encarnarem pai e filho em algum filme. Owen nasceu em 1964 e Matthew apenas vinte e cinco anos depois. 

PL►Y: Mommy

Die, Steve e Lyka: ótimas atuações. 

Steve é um adolescente de dezesseis anos que acaba de voltar para a casa depois de sair de uma instituição para jovens problemáticos. O motivo de seu retorno é ter colocado fogo na cozinha da instituição e provocado sérias queimaduras em um colega. A mãe, uma viúva com problemas financeiros, sabe que o retorno do pimpolho irá lhe causar problemas, especialmente porque embora tenha diagnóstico de ter Déficit de Atenção e Hiperatividade (o popular TDAH), Steve ainda demonstra uma violência inconsequente, o que pode até causar suspeitas de uma psicopatia. Sendo assim, num futuro próximo idealizado pelo diretor Xavier Dolan, Steve (o promissor Antoine-Olivier Pilon) poderia ser internado por conta de seu quadro comportamental, algo que sua mãe, Diane Després (a ótima Anne Dorval) quer evitar ao máximo, embora seu lar torne-se cada vez mais caótico (no qual seu apelido, Die - "morra" em inglês - parece uma espécie de profecia). Em poucos dias de convivência o relacionamento entre os dois chegará ao limite e, nesse momento, aparece a vizinha gaga Kyla (a igualmente ótima Suzanne Clément) que irá proporcionar algum equilíbrio no relacionamento entre mãe e filho. Se Steve tem um temperamento vulcânico, sua mãe não fica muito atrás, mas a presença contida de Diane traz novos ares para os dois, embora esteja impossibilitada de lecionar por conta da gagueira, aos poucos percebemos que ela é afetada diretamente pelo seu ambiente familiar claustrofóbico (e uma cena de embate com Steve soa como uma verdadeira libertação para a ela). Falando em claustrofobia e libertação, Xavier Dolan opta por utilizar um formato de tela quadrado durante quase toda a sessão (somente duas cenas utilizam a tela por completo), a opção gera desconforto, mas reforça o sentimento de isolamento, solidão e pressão existente sobre seus personagens defendidos por um elenco excepcional. Doval e Pilon deixa a emoção dos personagens sempre a flor da pele, num excelente contraponto à atuação certeiramente contida de Suzanne Clément. Com o trio, podemos até desviar a atenção de alguns problemas que o filme possui. Dolan é considerado por alguns um prodígio, afinal, aos vinte e cinco anos já dirigiu cinco longas em cinco anos de carreira, seus filmes almejam ser levados a sério, compondo uma obra autoral, mas algumas obsessões do cineasta colocaram alguns críticos no seu pé e, diante de Mommy percebemos claramente o motivo. O maior problema é que ele poderia ser mais curto, com mais de duas horas de duração o filme é cansativo a medida que o diretor utiliza alguns cacoetes estéticos para emular um estilo que ainda parece frágil. Alguns dizem que Xavier quer misturar tudo o que aprendeu na escola de cinema num único filme, sendo assim, repete alguns recursos à exaustão - como o recurso de utilizar canções pop para pontuar a narrativa, estão lá (entre outros) Oasis, Celine Dion, Lana Del Rey (a mais bem utilizada numa dolorida conclusão ao final aberto) e cenas de histeria que um tanto repetitivas. Até lá, Pilon e Doval já deixaram marcadas a essência de seus personagens, não precisa ficar repetindo os atritos entre os dois a cada dez minutos. No entanto, Xavier tem a criatividade suficiente para construir o magnífico plano em que mostra o futuro possível de Steve aos olhos de Diane numa sequência belíssima e profundamente emocional que arrebata o espectador sem aviso prévio( para depois criar um nó na garganta irremediável que permanece até a última cena). Ainda assim, comparado aos filmes de Dolan a que assisti (Laurence Anyways/2012 e Tom à La Ferme/2014) esse é seu filme mais polido (ainda que volte à sua fixação com a figura materna da estreia em Eu Matei a Minha Mãe/2009) e com o diferencial de se distanciar da temática LGBT. Ganhador do Prêmio do Júri, multipremiado no Canadian Screen Awards e indicado pelo Canadá a concorrer uma vaga (náufraga) no Oscar, Mommy ainda consegue envolver o espectador com suas mudanças bruscas concomitantes ao do jovem protagonista. Dolan nunca esteve tão perto de criar sua obra-prima. 

Suzanne, Antine, Xavier e Anne: prêmio em Cannes. 

Mommy (Canadá/2014) de Xavier Dolan com Anne Dorval, Antoine-Olivier Pilon, Suzanne Clément, Patrick Huard, Viviane Pascal e Alexandre Goyette. ☻☻☻

quinta-feira, 19 de março de 2015

CATÁLOGO: Instinto Selvagem I e II

Sharon e Michael: quebrando paradigmas. 

De vem em quando me deparo com as reprises de Instinto Selvagem na TV e confesso que nunca consegui assistir ao filme por inteiro desde o seu lançamento. Chega a ser interessante como, ainda sendo um filme incandescente, existe um bocado de elementos cafonas no filme que ajudam a compor sua atmosfera de suspense sexy (ou thriller erótico, gênero que virou febre depois dele), prova de que a mistura funciona aqui é que sua continuação tardia, quis ser mais elegante e tornou-se um grande fracasso. O primeiro Instinto Selvagem criou grande alvoroço pelas cenas tórridas de sexo, defendidas por um elenco que se atraca com a mesma facilidade com que outros atores lacrimejam. Mais curioso ainda é imaginar que a protagonista Catherine Tremell foi um dos papéis mais rejeitados da década de 1990, oferecido anteriormente às louras consagradas do porte de Kim Basinger e Michelle Pfeiffer, nenhuma delas viu que uma escritora bissexual suspeita de assassinato poderia ter efeito positivo em suas carreiras. O papel acabou ficando com a então desconhecida Sharon Stone, que incorporou o papel de Catherine com unhas e dentes, construindo algumas das cenas mais marcantes do final do século XX. Seu par, Michael Douglas, que vive o detetive Nick Curran, estava mais preocupado em apresentar boa forma aos 52 anos (e aproveitar o efeito de todo marketing que seu conhecido vício em sexo poderia gerar para o filme). O diretor Paul Verhoeven, ancorado pelo roteiro de Joe Eszterhas, flerta o tempo inteiro com o universo trash. A cena de abertura é uma cena de sexo que termina em morte (e adicionando um picador de gelo ao imaginário erótico da década de 1990), a cena mais falada do filme é uma reveladora cruzada de pernas e todas as mulheres são suspeitas de ser a assassina misteriosa (tornando todas as cenas tórridas em assassinatos iminentes). No entanto, o foco da câmera é a química erotizante entre Sharon e Michael em personagens ambíguos. Ela é a suspeita sociopata que curte brincar com o psicológico de quem cruza o seu caminho, ele é o policial com pendências pelo caminho e que está disposto a correr o risco de morrer pela loura sedutora que cruzou o seu caminho. Entre os dois tem um bando de policiais babões (desprovidos de diálogos inteligentes) e uma psicóloga com cara de boazinha, louca por Nick e estressada até o último fio de cabelo (Jeanne Triplehorn). O mérito de Instinto Selvagem foi mandar às favas o conservadorismo americano, com nudez, sexo, bissexualismo, gays, lésbicas, drogas num jogo doentio movido entre Catherine e o próprio espectador. Como resistir ao olhar predatório de Catherine sempre que avista sua presa? Pela atuação Sharon foi alçada ao posto de estrela e indicada ao Globo de Ouro de atriz dramática, e poderia ter figurado no Oscar pela forma como devora uma personagem bem diferente dos pequenos papéis bobos que fizera até então. Bela e talentosa, Hollywood usou sua sexualidade o máximo que pode, mas quando a atriz quis ser algo mais (motivada pela indicação ao Oscar de atriz por Cassino/1995), passou a ser ignorada pelos estúdios. Ela tentou voltar ao topo com Instinto Selvagem 2 (2006), mas seu esforço foi inútil. Dirigido pelo irregular Michael Caton-Jones, o filme pode até funcionar como suspense, mas está longe de honrar o rebuliço que o original causou em 1992. Orquestrado como um filme independente do interior, o filme resgata Catherine como suspeita de assassinato e seu passado a condena mais do que a do policial que cruza seu caminho, o aparentemente certinho Michael Glass (David Morrissey). As cenas de sexo são comportadas, as reviravoltas um tanto sem sentido e o casal não tem a química necessária - embora Sharon interprete Catherine com a mesma desenvoltura de vinte e quatro anos atrás. Enquanto Instinto Selvagem marcou época com sua ousadia kitsch, sua sequência foi destinada ao esquecimento (e a carreira da estrela por pouco não foi pelo mesmo caminho). A carreira de Stone concentra-se atualmente em filmes de pequeno orçamento sem grande projeção - e em breve ela tentará a sorte na televisão. De vez em quando o filme volta à pauta da atriz em entrevistas em que revela detalhes como não saber que sua antológica cruzada de pernas seria filmada (e mostrada) daquele jeito, ou seja, o filme de Paul Verhoven ainda se tornou folclórico.

Instinto Selvagem 2: destinado ao esquecimento. 

Instinto Selvagem (Basic Instinct - EUA/1992) de Paul Verhoeven com Michael Douglas, Sharon Stone, Jeanne Tripplehorn, Stephen Tobolowksy e Wayne Knight. ☻☻☻

Instinto Selvagem II (Basic Instinct II - EUA/2006) de Michael Caton-Jones com Sharon Stone, David Morrissey, David Thewlis, Hugh Dancy e Charlotte Rampling.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Pódio: Jennifer Aniston

Bronze: a chefe tarada. 
3º Quero Matar Meu Chefe (2011)
Depois de viver tantos papéis de moças comportadas, Jennifer quis provar que daria conta de uma mulher mais pervertida em seu currículo. Na pele da dentista Julia Harris ela provoca risadas por ser o contrário de tudo a que estamos acostumados a ver Jennifer interpretar. A doutora que assedia o funcionário descaradamente (arquitetando planos sexuais mirabolantes) funcionou tão bem que esteve presente na recente sequência desse besteirol de elenco essencialmente masculino. Jennifer nunca apareceu tão sexy numa tela de cinema. 

Prata: a mulher insatisfeita. 
2º Por um Sentido na Vida (2002)
Numa época em que todos os seus colegas do seriado Friends procuravam um lugar ao sol de Hollywood, Jennifer aceitou viver a personagem insatisfeita do longa de Miguel Arteta. A caixa de supermercado que trai o marido com um rapaz mais novo, foi visto por alguns como uma releitura de Madame Bovary para o século XXI e rendeu elogios para a atriz (que chegou a ser uma das pré-candidatas ao Oscar). A indicação não veio, mas Aniston aprendeu que sempre que quisesse fugir dos personagens cômicos, o cinema independente seria um porto seguro. 

Ouro: a dolorida. 
1º Cake (2014)
Aos 45 anos, Jennifer quis provar que era uma atriz madura, capaz de lidar com personagens complicadas. Para isso, perdeu o glamour em uma personagem marcada por cicatrizes e dores. As tragédias pessoais de Claire lhe proporcionam um olhar bastante cáustico sobre a a vida (e contamina sua relação com a terapeuta, com o ex-marido, com os amigos, com a empregada...). Aniston capricha nos dramas da personagem, mas não perde a oportunidade de provar que seu timing cômico faz a diferença em uma personagem difícil. Indicada ao Globo de Ouro e ao SAG pela atuação, só faltou o Oscar reconhecer seu trabalho. 

Na Tela: Cake

Jennifer: dores, cicatrizes, fantasmas e humor negro. 

Pobre Jennifer Aniston. Desde que Cake foi exibido no (cada vez mais influente) Festival Internacional de Toronto, começaram as especulações sobre a sua indicação ao Oscar 2015 por enfrentar o papel de uma mulher mais complicada do que costuma viver em seus filmes. Com cicatrizes no rosto, dores constantes e obcecada com o suicídio de uma colega de terapia, sua indicação começou a ser cavada ali. Depois vieram prêmios por sua atuação em alguns pequenos festivais, elogios da crítica e as preciosas indicações ao prêmio de atriz dramática no Prêmio do Sindicato dos Atores (SAG) e ao Globo de Ouro, a partir daí, sua indicação era tida como certa - mas no fim das contas, Marion Cotillard surpreendeu todo mundo sendo indicada por Dois Dias, Uma Noite/2014. Não vou entrar no mérito de qual delas merecia mais a indicação, mas posso abordar como uma campanha equivocada pode comprometer o que poderia ser o momento alto da carreira de uma atriz bastante popular. Aniston é, em sua essência, uma comediante e isso torna o olhar sobre suas atuações visada por uma lente quase intransponível aos olhos de quem acompanhou sua carreira desde os tempos em que vivia Rachel do seriado Friends (1994-2004). Aniston já demonstrou que tinha dotes dramáticos em Por Um Sentido na Vida/2002 (e o aposto de Cake: Uma Razão para Viver prova o quanto carece de criatividade a divulgação de seus filmes mais sérios pelo mundo), mas queria mais e, talvez por conta disso, Cake foi vendido desde o início como um drama. No meu humilde ponto de vista não chega a tanto, o filme teria feito uma campanha melhor se fosse vendido como uma comédia dramática ou, melhor ainda, uma comédia de humor negro, já que Aniston dá conta de sua personagem sem abrir mão de seu timing cômico, que é aqui utilizado com maestria na construção de uma personagem amarga, mas que consegue pontuar seus comentários ácidos com toques de humor, ainda que cáustico. No entanto, se considerarmos que é o drama pesadão que querem nos convencer que é, Aniston parece traída (ironicamente) pelo seu próprio talento lapidado por anos em comédias que a subestimam como atriz. Só para ter uma ideia de onde quero chegar, Aniston recebeu mais elogios do que Amy Adams por Grandes Olhos (que terminou vencedora na categoria de atriz de comédia ou musical no Globo de Ouro), que também ficou de fora do Oscar. Penso que se os produtores tivessem feito a opção por valorizar o que Cake realmente é (uma comédia de humor negro), Jennifer teria levado o prêmio de atriz de comédia para a casa com facilidade (e cravado com mais força sua vaga no Oscar). O filme do diretor Daniel Barnz possui equilíbrio em seus elementos dramáticos e cômicos, o que não desmerece em nada o resultado final, especialmente pelas atuações afiadas do elenco. Claire Bennett (Jennifer Aniston) possui sua cota de tragédias pessoais para lidar e que conhecemos aos poucos. Além das cicatrizes e dores constantes, a personagem precisa lidar com alguns fantasmas pessoais  - incluindo o de uma colega suicida da terapia  (vivida por Anna Kendrick), de quem acaba aproximando-se do marido (Sam Worthington). Para lidar com o mundo, Claire conta com a ajuda de Silvana (a excepcional Adriana Barraza de Babel/2006) que é um misto de empregada, mãe e amiga colega de aventuras (que nem sempre saem como o previsto). Aniston dá conta de uma personagem complexa, sem perder a expressão da dor física que reflete muito a dor de uma perda irreparável (e que nem o vício em remédios consegue aliviar), porém, a atriz consegue criar diferentes nuances para essa mulher que poderia ser considerada apenas uma chata. Aniston abraça a dor, a rabugice, o desespero e quase loucura da personagem sem perder a esperança soterrada diante de tudo isso. Sua química com Adriana Barraza é bastante crível e compensa os tropeços do roteiro que tornam algumas situações dispensáveis. Mesmo que as intenções de Jennifer Aniston ao embarcar num projeto desses tenham naufragado, ela conseguiu provar que merece papéis de gente grande, afinal, aos 45 anos, ela tem plena consciência que não pode bancar a mocinha romântica e atrapalhada para sempre. Sua atuação é de fato um avanço na carreira e, ainda, coloca a Academia em dívida com ela nos próximos anos (resta à moça saber capitalizar esse momento).

Adriana e Jennifer: esquecidas no Oscar.

Cake: Uma Razão Para Viver (Cake/EUA-2014) de Daniel Barnz com Jennifer Aniston, Adriana Barraza, Anna Kendrick, Sam Worthington, Felicity Huffman, Lucy Punch, Chris Messina e William H. Macy. ☻☻

quarta-feira, 11 de março de 2015

Na Tela: O Amor é Estranho.

Lithgow e Molina: casal exemplar. 

Esse ano aconteceu algo muito interessante no Independent Spirit Awards, a premiação voltada somente para os indies - e é considerada o Oscar das pequenas produções - teve quatro de seus cinco concorrentes da categoria de melhor filme indicados ao Oscar de Melhor Filme do Ano: Boyhood, Birdman, Selma e Whiplash concorreram em ambas as premiações (que antes eram vistas como diametralmente opostas). O único que ficou de fora da festa da Academia foi esse O Amor é Estranho, filme que entra em cartaz essa semana no Brasil, mas que já podia ser conferido em pré-estreias e alguns festivais. O ISA indicou o longa a outras três categorias (roteiro, melhor ator para John Lithgow e ator coadjuvante para Alfred Molina) e poderia ser lembrado pelos votantes da Academia se não fosse a abordagem de sua temática com tanta naturalidade. Mais uma vez o diretor Ira Sachs volta sua câmera par um relacionamento homoafetivo, mas diferente do que fez em Deixe a Luz Acesa (2012) optou por uma linguagem contida, levemente cômica, nada tórrida e bastante afetiva de seu casal masculino. O resultado é um filme que mostra um casal gay maduro e bem resolvido, mas que poderia ser trocado por um casal heterossexual sem que afetasse os pilares da trama. Ao mostrar seus protagonistas distante dos estereótipos, Sachs se beneficia da universalização do desconforto vivido por eles perante o fato de ficarem sem teto. Embora não exista uma enfatização do preconceito contra os homossexuais, O Amor é Estranho tem sua trama desencadeada por um ato preconceituoso amparado pelos dogmas religiosos. Embora o roteiro não levante polêmicas, é justamente quando Ben (Lithgow) e George (Molina) resolvem se casar (depois de 39 anos vivendo juntos) que George perde o seu emprego de professor de música numa tradicional escola católica de Nova York. Todos na escola sabiam que George e Ben formavam um casal, mas o medo do escândalo muda drasticamente a vida do casal. Curioso a partir daí, Sachs coloca os dois dependendo dos convidados da cerimônia - que elogiavam tanto os dois como amigos, parentes e símbolo de amor e união... mas agora, quando dependem da ajuda a situação muda de figura. Os dois acabam tendo que viver separados, George vai morar com um amigo vizinho que tem sempre a casa cheia e barulhenta - o que atrapalha o seu sossego. Já Ben vai morar com um sobrinho (Darren E. Burrows) e acaba atrapalhando a esposa dele (vivida por Marisa Tomei) que é escritora (e fica impaciente sempre que Ben busca uma conversa e atrapalha o seu processo de escrita), isso sem falar no filho do casal, Joey (Charlie Tahan) que tem que dividir o quarto com aquele senhor de setenta e poucos anos a contragosto. Os conflitos entre os personagens são construídos de maneira branda pelo diretor, que sem escândalo destrincha a estranha sensação de ser um incômodo. O elenco está muito bem em suas atuações naturalistas e conseguem ser bastante convincentes, especialmente Lithgow e Molina que convencem como o casal que deve enfrentar um grande desafio - que curiosamente consiste em viver separado depois que se casam. Fazia tempo que John Lithgow não recebia um papel tão consistente e que lhe proporcionasse uma atuação tão emocional, da mesma forma, Alfred Molina está ainda melhor em sua inconformidade silenciada pela situação que atravessam. Quando estão em cena esquecemos até algumas superficialidades (como na abordagem das implicâncias da escritora temperamental com Ben ou o final doloroso dos protagonistas que quebra o clima do filme).  Ainda assim, o texto que Ira Sachs deixa nas entrelinhas consegue ser bastante interessante num mundo repleto de sensacionalismo. 

O Amor é Estranho (Love is Strange/EUA-França-Brasil-Grécia/2014) de Ira Sachs com John Lithgow, Alfred Molina, Marisa Tomei, Darren E. Burrows, Charlie Tahan, Eric Tabach e Cheyenne Jackson. ☻☻

terça-feira, 10 de março de 2015

CATÁLOGO: O Quarto do Pânico

Kristen e Jodie: dupla em sintonia perfeita. 

Kristen Stewart deve ser uma das jovens atrizes mais espinafradas da história de Hollywood, o tipo de caso em que todo mundo adora falar mal. No entanto, nem sempre foi assim. Se aos 24 anos a moça busca o reconhecimento em  produções independentes, quando ganhou fama em 2002, ao protagonizar O Quarto do Pânico ao lado de Jodie Foster, Kristen era considerada um dos nomes mais promissores de Hollywood. Eu poderia especular horas sobre o que teria acontecido com o talento da mocinha adolescente de visual andrógino, mas basta dizer que se ela tinha algum crédito, a saga Crepúsculo tratou de enterrá-lo. Visto hoje, Quarto do Pânico não deixa de ser uma obra peculiar na carreira do cineasta David Fincher. Depois de radicalizar com Clube da Luta, ele queria pegar mais leve nesse filme onde mãe e filha lutam pela sobrevivência escondidas num quarto especial - projetado para protegê-las dos bandidos que invadiram a casa para qual acabaram de se mudar. O problema é que com a mudança recente elas não tiveram tempo de abastecê-lo com mantimentos ou uma linha telefônica para se comunicar com o mundo exterior. Ambientado em apenas um cenário, Fincher abusa de seus maneirismos com a câmera para tornar o suspense mais dinâmico e alcança seu objetivo com ajuda das atuações de suas protagonistas femininas, que apresentam uma sintonia bastante crível de mãe e filha. Fincher sempre dizia em entrevistas que O Quarto do Pânico difere de seus outros filmes porque não é um "film", mas um "movie", ou seja, algo muito mais voltado para o entretenimento do que para a arte. No entanto, o filme se beneficia das referências hitchcockianas, especialmente por fazer com que o cômodo do título exale segurança e perigo ao mesmo tempo, isso sem contar a protagonista feminina (e loira) fragilizada (por um doloroso divórcio) que aos poucos descobre um destemor que ela mesmo desconhecia. Jodie Foster dá conta do personagem com uma facilidade impressionante (e vale lembrar que o papel era de Nicole Kidman, antes dela quebrar uma costela nas filmagens de Moulin Rouge/2000) e Kristen funciona como ótima parceira de cena (como o momento em que a diabetes de sua personagem quase coloca tudo a perder). Entre os vilões Forest Whitaker faz o mesmo de sempre, Dwight Yoakam está estranho (como sempre) e Jared Leto sofre fisicamente como seu Angelface em Clube da Luta sendo o vilão mais interessante em cena. Simples em sua essência, mirabolante em sua forma e claustrofóbico em seu suspense, O Quarto do Pânico foi o último filme de David Fincher antes dele criar obras para ser levado a sério em premiações como O Curioso Caso de Benjamin Button (2008), A Rede Social (2010)  e o recente Garota Exemplar (2014).

O Quarto do Pânico (Panic Room/EUA-2002) de David Fincher com Jodie Foster, Kristen Stewart, Forest Whitaker e Jared Leto. ☻☻

Na Tela: Para Sempre Alice

Julianne Moore: perdendo a memória para ganhar o Oscar. 

O Oscar desse ano ficará famoso por ter finalmente premiado Julianne Moore como melhor atriz, no entanto, dificilmente as pessoas irão lembrar do filme que a permitiu tal façanha. Para Sempre Alice tem a maior cara de telefilme da década de 1980, mas tem a sorte de contar com uma estrela do quilate de Julianne para valorizar algo que já foi visto várias vezes na telona. Baseado no livro de Lisa Genova e dirigido pela dupla Richard Glatzer e Wash Westmoreland (que também assina o roteiro), o filme acompanha uma renomada linguista às voltas com o diagnóstico de Alzheimer precoce. Antes do diagnóstico, Alice Howland já percebia que sua memória a traia em várias ocasiões, seja durante as aulas, numa conversa com os amigos, ou mesmo quando praticava cooper e esquecia onde estava. A partir do diagnóstico, ela tem certeza de que sua situação irá piorar cada vez mais. O filme se dedica totalmente a esse doloroso processo vivido pela protagonista de perceber que sua memória irá aos poucos abandoná-la até que ela seja incapaz de reconhecer seus filhos ou expressar suas vontades. Ainda que a família de Alice seja formada por atores conhecidos (Alec Baldwin é o esposo, Kate Bosworth é a filha mais velha e Kristen Stewart a caçula), todo o foco e responsabilidade do funcionamento do filme recai sobre Julianne. Pode parecer uma bobagem, mas perante os outros papéis que já a colocaram na mira do Oscar (só para lembrar: a diva pornô de Boogie Nights/1997, a esposa adúltera de Fim de Caso/1999, a dona de casa depressiva de As Horas/2002 e a esposa trocara por um homem em Longe do Paraíso/2002) a tarefa de viver Alice parece fácil para a atriz, afinal, basta um olhar para perceber que a memória da personagem torna-se cada vez mais afetada. Existem cenas interessantes no filme, como o momento em que os filhos recebem a notícia de que podem ter herdado a genética materna e sofrer do mesmo mal futuramente e, especialmente, a cena em que Alice pretende guiar a si mesma para cometer suicídio num futuro próximo (considero esse momento o ponto alto do filme onde podemos comparar dois momentos distintos da personagem e ver a transformação sofrida pela atriz).   Alguns exagerados chegaram a cogitar que Kristen Stewart poderia ser indicada ao Oscar de coadjuvante, mas o desempenho da jovem atriz é apenas discreto assim como de todos os coadjuvantes. Para Sempre Alice não é um filme memorável ou ruim, mas poderia ser mais interessante se seus outros personagens fossem menos estereotipados e tão bem delineados como a protagonista, do jeito que foi realizado parece feito por encomenda para provar que, mesmo com as limitações de um filme de baixo orçamento, Julianne consegue brilhar como sempre (com a vantagem de viver o tipo de personagem que o Oscar adora premiar), sua atuação é sensível e competente, o que já é suficiente para assistir ao filme que estreia no Brasil na próxima quinta-feira. 

Para Sempre Alice (EUA-2014) de Richard Glatzer e Wash Westmoreland com Julianne Moore, Alec Baldwin, Kristen Stewart, Kate Bosworth e Hunter Parrish. ☻☻☻

segunda-feira, 9 de março de 2015

FILMED+: Encontros e Desencontros

Murray e Scarlett: a sintonia de dois perdidos. 

Até protagonizar Encontros e Desencontros, segundo filme de Sofia Coppola na direção, Bill Murray estava um tanto deslocado em Hollywood. Sua carreira perdera fôlego na década de 1990 e vivia de pequenas participações em filmes aquém do seu talento. Foi quando Wes Anderson integrou  o ator à sua patota em Três é Demais (1998) que as pessoas lembraram o quanto ele podia ser magnético numa comédia. No entanto, a filha de Francis Ford Coppola queria mais e o escalou para viver o ator quase aposentado Bob Harris - que com os filmes rareando em sua carreira, passa o tempo fazendo comerciais e discutindo qual tapete sua esposa deve escolher para decorar a casa. Quando chega à Tokyo para fazer outro comercial de bebida, Bob parece já ter se acostumado a não estar no mundo, apenas encostado nele. Situação parecida é a vivida pela jovem Charlotte (Scarlett Johansson), que recém-formada em Filosofia, visita o Japão enquanto marido fotógrafo precisa fazer algumas fotos sobre a promoção de um filme no país. A sintonia entre Bob e Charlotte é imediata, afinal, além de estrangeiros numa cultura diferente, ainda percebem um abismo crescente entre a vida que levam e a de seus respectivos cônjuges... sorte que narrar um caso de adultério entre um homem mais velho e uma garota mais nova está longe de ser o foco do filme. Preocupada em expressar os sentimentos dos personagens com olhares e situações cômicas e dramáticas, Sofia Coppola tece a relação de seu casal protagonista de forma única. É evidente que o bem estar causado em um pelo outro sofre com o peso de todas as responsabilidades e diferenças que assumiram no decorrer de suas vidas paralelas, ao mesmo tempo que o roteiro torna o desarranjo físico causado pelo fuso-horário um tanto emocional pela afeição crescente entre os personagens banhados na solidão vivida na viagem. Por se distanciarem aos poucos da comédia e se aproximarem do drama, Bill e Scarlett foram indicados a muitos prêmios por suas atuações sutis, mas enquanto Bill recebia sua primeira indicação ao Oscar (ele perdeu, mas se tornou cult depois disso), Scarlett dava o primeiro passo para se tornar uma das atrizes mais cobiçadas de Hollywood. Sofia Coppola levou para casa o Oscar pelo roteiro original e tornou-se a primeira cineasta americana a ser indicada na categoria de Melhor Direção no Oscar, mas o efeito do filme em sua carreira foi muito maior. Depois de viver à sombra do pai e atravessar crises existenciais (que inspirou os dilemas dos personagens do filme), Sofia mostra aqui que tem voz própria, embora ela tenha se tornado mais diluída nos seus filmes seguintes. A estética do filme também impressiona, com a bela luz que lança sobre a cidade e aquele segredo que seus personagens evitam compartilhar com a plateia na cena mais memorável do filme. Vale dizer que dez anos depois de seu lançamento nos cinemas, Lost In Translation melhora a cada vez que assisto. 

Encontros e Desencontros (Lost in Translation/EUA-Japão/2003) de Sofia Coppola com Bill Murray, Scarlett Johansson, Giovanni Ribisi e Catherine Lambert. ☻☻

Na Tela: Um Santo Vizinho

Murray e Jaeden: dupla de respeito. 

Reza a lenda que meia dúzia de pessoas tem o telefone de contato de Bill Murray. Portanto, se você quiser convidar o ator para alguma produção você deve ter a sorte de encontrar um dos poucos mortais que possuem seu número - e ter uma prosa muito convincente para que ele te forneça o cobiçado número e Murray embarque no seu projeto. Estreante em longa metragem, Theodore Melfi concebeu o roteiro de Um Santo Vizinho para ter Jack Nicholson no alto dos créditos, quando Jack recusou o convite ele teve certeza que somente Bill seria capaz de dar vida ao papel de Vincent, um veterano da guerra do Vietnã beberrão, cínico, mal humorado e de poucos amigos.  Vincent tem como amigos apenas alguns parceiros de copo - além da prostituta russa grávida Daka (vivida com gosto por Naomi Watts). Essa rotina irá mudar quando a divorciada Maggie (Melissa McCarthy) se mudar para a casa ao lado com o compenetrado menino Oliver (Jaeden Lieberher). Apesar do contato inicial pouco amistoso, Maggie ainda não tem ninguém de confiança para deixar o filho e Vincent topa fazer o serviço por alguns dólares (contados por hora). Aos poucos, torna-se inevitável a sintonia entre o veterano e o jovem menino que enxerga, por debaixo daquela figura pouco amistosa, um bom coração capaz de ocupar a lacuna deixada pelo referencial masculino paterno. Aos poucos o roteiro mostra que Vincent não é um sujeito ruim, inclusive quando ensina Oliver a se defender da hostilidade do mundo (ou quando o leva a lugares nada exemplares para um menino). Theodore Melfi faz um filme que poderia ser trivial estar acima da média, graças às dedicadas atuações do seu elenco em papéis diferentes do usual, com destaque para a química entre Murray e o pequeno Jaden. Se Murray entrega uma boa atuação (indicada ao Globo de Ouro de ator de comédia), vale registrar que Jaeden Lieberher é um achado. Sério e de uma inocência ímpar, o menino é um ótimo contraponto perante a dureza dos personagens que o cerca (ao ponto de tornar comovente a cena em que Vincent e ele encenam uma luta em câmera lenta). Melfi mostra-se bastante promissor por saber lidar com a história sem parece meloso, desenvolvendo as relações de seus personagens aos poucos até chegar ao final onde o pequeno Oliver declara as qualidades de seu santo vizinho. Entre os risos, alguma lágrima pode até surgir - e isso prova que o filme atinge plenamente seus objetivos (tanto que foi indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme de Comédia no Globo de Ouro). 

Um Santo Vizinho (St. Vincent/EUA-2014) de Theodore Melfi com Bill Murray, Jaeden Lieberher, Melissa McCarthy, Naomi Watts, Chris O'Dowd e Terrence Howard. ☻☻

domingo, 8 de março de 2015

10+ Atrizes em que o Oscar ficará de Olho

No dia Internacional da Mulher preparei minha postagem sobre dez atrizes que já provaram o seu valor nos últimos anos e que prometem receber sua primeira indicação ao Oscar em breve. Algumas são conhecidas, outras nem tanto, algumas mereceram estar na lista por seus trabalhos no último ano, outras andavam esquecidas e voltaram a ter força em Hollywood. A lista ficou assim:

Nascida em 24 de julho de 1982 na cidade de Los Angeles (EUA), Elisabeth Singleton Moss foi uma ganhou muito respeito na televisão nos últimos anos. Depois do sucesso em The West Wing, a atriz ficou conhecida por viver a secretária em ascensão Peggy Olson na cultuada série Mad Men. Não satisfeita ela ainda atuou na excelente série Top of the Lake de Jane Campion (que a rendeu o Globo de Ouro de melhor atriz dramática em minissérie para a TV). Apesar da dedicação à televisão, Elisabeth realiza trabalhos para o cinema desde 1991, mas recentemente foi redescoberta em filmes como Na Estrada/2012 e Complicações do Amor/2014. Vale lembrar que a atriz tem no currículo o indicado ao Oscar Garota Interrompida/1999 onde vive uma jovem traumatizada com o rosto coberto por queimaduras.  Fique de olho com o fim próximo de Mad Men, já que a atriz tem quatro filmes a serem lançados em 2015, o suspense Queen of Earth, a estreia do roteirista Reed Morano na direção em Meadowland, a estreia do também roteirista James Vanderbilt atrás da câmera em Truth (ao lado de Cate Blanchett) e o aguardado drama de ficção científica  High-Rise, baseado na obra de J.G. Ballard (com Tom Hiddleston e Jeremy Irons). 

Nascida em 23 de fevereiro de 1982, em Londres (Inglaterra), Emily Olivia Leah Blunt está em ascensão em Hollywood.  Ela ficou conhecida como a secretária ruiva e mal humorada em O Diabo Veste Prada e desde então o Oscar acumula algumas dívidas com ela, afinal, enquanto o Globo de Ouro já a indicou quatro vezes em suas categorias cinematográficas, a Academia prefere ignorá-la - afinal, em seu currículo conta com os indicados ao Oscar O Diabo Veste Prada, Jogos do Poder/2007, A Jovem Rainha Victoria/2009, O Lobisomen/2010, Os Muppets/2011 e Caminhos da Floresta/2014 - e pelo menos em três deles, ela merecia ter sido lembrada entre os indicados da Academia.  Fique de olho porque nos últimos anos, Emily tornou-se uma aposta segura para viver personagens femininos em filmes de ação, mas em 2015 ela aposta somente em Sicario do diretor Dennis Villeneuve, onde vive uma agente do FBI que envolve-se numa ação da CIA para destruir um império do crime. Em 2016 ela estará em O Caçador (a continuação de Branca de Neve e o Caçador lançado em 2012) ao lado de Chris Hemsworth, Jessica Chastain e Charlize Theron  além de dar uma força ao amigo Rupert Friend que estreia na direção com Barton & Charlie & Checo & Bill.

Nascida em 25 de março de 1982 em Massachussets (EUA), Jennifer Sarah Slate ainda é uma ilustre desconhecida do grande público (mesmo com seus vários trabalhos na televisão), mas ela ficou conhecida em Hollywood depois que atuou no aclamado filme independente The Obvious Child, onde vive uma mulher com uma gravidez não planejada. O filme lhe rendeu uma indicação ao Independent Spirit Awards de melhor atriz, além de várias outra menções em prêmios da crítica. Seu currículo possui apenas cinco filmes, sendo que um deles (O Lorax: Em Busca da Trúfula Dourada/2012 para o qual emprestou sua voz aguda peculiar) quase foi  indicado ao Oscar.  Fique de olho em sua pequena participação na comédia romântica Uma Semana a Três e Digging for Fire ao lado de Sam Rockwell, Chris Messina e Anna Kendrick.

Nascida em 21 de julho de 1985 em Londres (Inglaterra), Juno Violet Temple trabalha no cinema desde 2000 e demonstra ser uma das mais versáteis de sua geração, aparecendo cada vez mais segura na telona - basta ver sua atuação no delirante Killer Joe (2012) do veterano William Friedkin. A atriz ficou conhecida como a prima molestada de Desejo e Reparação/2007 e desde então ganhou respeito perante os diretores. Embora seus papéis de maior destaque sejam no cinema independente (como Sr. Ninguém/2010, e Kaboom/2009), seu currículo tem três indicados ao Oscar:  Notas sobre um Escândalo (2006), Desejo e Reparação (2007) e  Malévola (2014). Fique de olho nos seis filmes dela marcados para estrear esse ano: os dramas Safelight, Meadowland, Len and Company e Away, além do mistério Black Mass (com Benedict Cumberbatch) e o romance Far From the Madding Crowd de Thomas Vinterberg. 

Nascida em 3 de março de 1980 em Westminster (Inglaterra), Katherine Boyer Waterson é filha do ator Sam Waterston, veterano que fez vários filmes com Woody Allen na década de 1980 (e que agora atua na série The Newsroom). Kat ficou conhecida como a maior revelação feminina de 2014 pelo frisson causado por sua atuação no novo filme de Paul Thomas Anderson, Vício Inerente - em que faz um papel arriscado de forma sedutora na medida certa -sua atuação no longa chama mais atenção do que a da estrela Reese Witherspoon. Ela atua no cinema desde 2007 e já acumula dois indicados ao Oscar em seu currículo: Conduta de Risco (2007) e (o próprio) Vício InerenteFique de olho nos seus trabalhos em Queen of Earth, Manhattan Romance, na ficção científica Fluidic e na cinebiografia Steve Jobs capitaneada por Danny Boyle (onde a moça atua ao lado de Michael Fassbender e Kate Winslet). 

Margot Elise Robbie, nascida em 2 de julho de 1990 na cidade de Dalby (Austrália). Ela começou sua carreira em séries de TV. Depois fez uma pequena participação na comédia romântica Questão de Tempo, mas ficou conhecida quanto foi a esposa de Leonardo DiCaprio em O Lobo de Wall Street. Há quem considere que a loura merecia uma indicação ao Oscar de coadjuvante por sua desinibida atuação.  O Lobo de Wall Street de Martin Scorsese (que foi seu terceiro longa na carreira) garantiu um filme indicado ao Oscar em seu curto currículo no cinema.  Fique de olho  em seus vários projetos, seja em sua versão morena em Zacharias (ao lado de Chris Pine e Chiwetel Ejiofor), (o prestes a estrear aqui no Brasil) Golpe Duplo (com Will Smith), ela ainda será a clássica Jane na nova versão de Tarzan, além da comédia de guerra Fun House (com Billy Bob Thornton), o aguardado Suite Française com Michelle Williams e Matthias Shoenaerts, além do blockbuster Esquadrão Suicida (onde viverá a cultuada Arlequina). 

Nascida em  15 de novembro de 1991 na ensolarada California (EUA), Shailene Diane Woodley estreou em 1999, aos oito anos de idade - e ganhou fama em vários programas de televisão desde então (especialmente com A Vida Secreta de uma Adolescente Americana que ficou no ar de 2008 até 2013), mas Shailene  ficou conhecida mesmo quando interpretou a filha de George Clooney em OS Descendentes, filme que lhe valeu uma indicação ao Globo de Ouro de atriz coadjuvante. No entanto, muita gente irá lembrar dela como a jovem com câncer Hazel Grace de A Culpa é das Estrelas. No seu currículo está o  indicado ao Oscar Os Descendentes/2011 de Alexander Payne.   Fique de olho  porque além de ser a protagonista da franquia milionária Divergente, a moça ainda estará no novo filme de Oliver Stone, Snowden ao lado de um elenco respeitável: Tom Wilkinson, Melissa Leo, Joseph Gordon-Lewitt, Nicolas Cage e Zachary Quinto. 

Nascida em  28 de dezembro de 1981 em Nova York (EUA) Sienna Rose Miller já demonstra fôlego de veterana. Embora sua fama tenha crescido mais em torno de sua tumultuada separação com Jude Law, Sienna sempre colheu elogios por suas atuações. Além dos críticos, os fashionistas também ficam de olho nela.  Sienna ficou conhecida vivendo a namorada alcoolatra de Alfie - Um Sedutor, embora os mais antenados cultuem sua atuação em Uma Garota Irresistível (2006) onde viveu a musa de Andy Warhol, Edie Sedgwick, ou mesmo a estrela perseguida de Alfred Hitchcock em A Garota, telefilme da HBO).  Em 2014 seu currículo recebeu dois indicados ao Oscar: Foxcatcher e Sniper Americano, onde interpreta esposas discretas que vivenciam os dilemas de seus maridos. Com os elogios recebidos no último ano, fique de olho  na repercussão de seus novos filmes: (os já mencionados) Black Mass High-Rise, seu reencontro com Bradley Cooper no novo filme de John Wells (ainda sem título), a dramédia Krystal com William H. Macy, o aguardado Lost City of Z  do diretor James Gray e o novo filme do cineasta Ben Affleck, Live By Night

Nascida em  9 de setembro de 1983 em Los Angeles (EUA), Zoe Swicord Kazan é filha dos roteiristas (indicados ao Oscar) Nicholas Kazan e Robin Swicord, além de neta do veterano Elia Kazan (de clássicos do porte de Sindicato de Ladrões/1954 e Uma Rua Chamada Pecado/1951). A jovem Zoe além de atriz é produtora e roteirista e ano passado colheu muitos elogios como coadjuvante da minissérie Olive Kitteridge.  Zoe atua desde 2003, mas seu rosto de bochechas marcantes ficou conhecido com sua ótima atuação como a namorada fictícia de Paul Dano em Ruby Sparks (filme em que escreveu o roteiro e que merecia uma lembrança no Oscar de 2013). No seu currículo ela conta com os indicados ao Oscar    A Família Savage (2007), No Vale das Sombras (2007) e Foi Apenas um Sonho (2008). Fique de olho  em suas atuações no elogiado sobrenatural In Your Eyes (com roteiro de Joss Whedon) e Our Brand In Crises, novo filme de David Gordon Green. 

Nascida em  19 de junho de 1978 em Nova Jersey, Zoë Yadira Saldaña Nazario é a estrela favorita dos nerds e geeks de plantão. Atuando no cinema desde 2000 (depois de uma rápida passagem pelo seriado Lei e Ordem em 1999), ela ficou conhecida como a simpática atendente de O Terminal/2004 de Steven Spielberg (nada mal para quem foi coadjuvante de Britney Spears no hediondo Crossroads/2002). No entanto, Zoe tornou-se famosa por seus filmes de ação e ficção científica.  São esses filmes que garante os indicados ao Oscar em seu currículo:  a repaginada de Star Trek (2009), o campeão de bilheteria Avatar (2009) e Guardiões da Galáxia (2014), filmes que garantem que ao natural, azul ou verde a bela tem talento de sobra (agora só falta a academia reconhecer seus dotes por isso...). Fique de olho  porque além das anunciadas continuações de Star Trek, Avatar e Guardiões da Galáxia, Zoe estará em alta ao viver a diva Nina Simone na cinebiografia assinada por Cynthia Mort (sentiu o cheiro de Oscar?), além de estar em Live By Night drama criminal dirigido por Ben Affleck. 

quarta-feira, 4 de março de 2015

PL►Y: Mandela - O Caminho Para Liberdade

Idris e Naomie: Mandela e Winnie.  

Nelson Mandela é uma das personalidades mais relevantes do século XX, não por acaso, de vez em quando aparece algum filme retratando uma fase específica de sua vida. Tempos atrás foi Invictus/2009 , agora foi este filme dirigido por Justin Chadwick, que tem como grande diferencial a profundidade na união e separação ideológica com Winnie Mandela, segunda esposa do líder sul-africano. Pautado na autobiografia de Mandela, o roteiro de William Nicholson procura não exaltá-lo como uma herói, mas como pessoa com forças e fraquezas que percebe o quanto o racismo prejudica o desenvolvimento de seu país, com uma política retrógrada que impedia a cidadania plena dos negros na África do Sul. As manifestações e embates vividos por Mandela foram muitos, por vezes incompreendidos pela sua família, até que ele encontra Winnie Mandela. Na década de 1950, Winnie era formada em Serviço Social e trabalhava no hospital da capital, o que era uma raridade para a época. Desde o início percebe-se a força de Winnie e como Mandela se fortalece em sua companhia. Interessados por política, os dois se conhecem em 1951, se casam em 1958 e lutam contra o regime racista do apartheid a partir de 1962. Idris Elba e Naomie Harris apresentam belas atuações na pele dos icônicos personagens e sempre evitam que as tendências melodramáticas da direção estraguem a sessão. Da prisão de Mandela, passando pelas perseguições sofridas por Winnie no período, o casal imprime grande dignidade ao andamento da história. O grande diferencial do filme está no momento em que, com Mandela preso, Winnie assume a liderança dos insatisfeitos com o regime imposto na África do Sul. Tomada pela revolta, ela possui seguidores radicais, que executam suas ordens e acarretam situações caóticas no país vitimando inocentes em conflitos com as autoridades. A partir desse ponto, a cisão ideológica do casal fica evidente. Nesse ponto, a atuação de Naomie escorrega um pouco, quase caindo na armadilha da canastrice de uma mulher endurecida pela vida, mas com a generosidade de Idris Elba por perto a coisa nunca cai no ridículo. Chadwick tenta fazer do filme algo melhor do que um vídeo sobre história e consegue, ainda que o filme pudesse ser um pouco mais curto, Mandela - O Caminho da Liberdade pode ter os seus defeitos, mas é bem produzido e merecia ser mais conhecido do que a melosa canção escrita pelo U2 que está em sua trilha sonora. 

Mandela - O Caminho da Liberdade (Mandela: Long Walk to Freedom / Reino Unido - África do Sul / 2013) de Justin Chadwick com Idris Elba, Naomie Harris, Tony Kgoroge, Riad Moosa e Deon Lootz.