sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

PL►Y: Shiva Baby

 
Rachel: um dos piores dias na vida de Danielle. 

Fazer comédia é sempre um grande desafio, mas... nos tempos atuais é preciso ainda mais habilidade para driblar piadas que podem soar ofensivas ou que sejam apenas sem graça fora do contexto de determinada realidade.  A diretora Emma Seligman sabe bem disso e demonstra ser bastante esperta ao deixar seu filme se equilibrando constantemente na fina linha do desconforto. Assim, gera risos nervosos na plateia enquanto sua protagonista tenta sobreviver a um funeral repleto de conhecidos variados. Bem, quando o filme começa, Danielle (Rachel Sennott) está no encontro com um homem casado chamado Max (Danny DeFerrari) que paga pelos encontros eventuais que possuem de vez em quando. Na cena seguinte ela já está transformada na filha adolescente que acompanhará os pais (Fred Melamed e Polly Draper) ao funeral de uma conhecida. Não demora para que ela encontre a ex-namorada Maya (Molly Gordon) - o que deixa sua mãe bastante nervosa - e o próprio Max - o que deixa a própria Danielle nervosa. Daí em diante a coisa só piora e não vale escrever tudo o que acontece no subtexto do encontro destes personagens em uma casa cheia de comida e bebida, além de muitos comentários sobre a vida de Danielle - sua escolha por pesquisar relações de gênero e ganhar alguns trocados como babá (pelo menos é o que ela diz para os seus pais). Seligman fermenta os encontros proporcionados no filme de forma tão discreta quanto hilariante, brincando com arquétipos e ironizando figuras como o Sugar Daddy e Sugar Baby, acrescentando ainda a esposa bem-sucedida dele e o lindo bebê chorão do casal. No fim das contas, o tal funeral mais parece uma daquelas festas que você se arrepende de ter ido e que parece um verdadeiro beco sem saída. O desconforto persistirá até a volta para casa, mas no meio do caminho pelo menos uma faísca de luz no fim do túnel se acende discretamente (embora pareça soar uma sirene de emergência em contraponto). Shiva Baby é na verdade a versão para longa metragem do segunda curta-metragem de Emma Seligman, o que deixa o filme ainda mais interessante por saber expandir as ideias e possibilidades que a protagonista sugere na ideia original. Pelo trabalho, a cineasta canadense foi indicada ao prêmio de diretora revelação no recente Gotham Awards sendo devidamente acompanhada por Rachel Sennott indicada ao prêmio de Artista Revelação. Com elenco inspirado, direção esperta e roteiro afiado, o filme ainda apareceu na lista dos dez melhores filmes independentes de 2021 do National Board of Review. 

Shiva Baby (EUA/Canadá - 2020) de Emma Seligman com Rachel Sennott, Danny DeFerrari, Molly Gordon, Polly Draper, Fred Melamed, Dianna Agron e Jackie Hoffman. ☻☻☻☻

FILMED+: Viagem ao Topo da Terra

 
Fukamachi e Jôji: jornada impressionante. 

Eu ficaria bastante feliz se Viagem ao Topo da Terra entrasse na lista dos cinco indicados ao Oscar de animação do próximo Oscar. Lançado recentemente pela Netflix, o filme foi bastante elogiado no Festival de Cannes e para além de sua história envolvente, traz um visual magnífico, que por vezes nem parece ser uma animação dada ao realismo que emana das cenas. Baseado no mangá japonês de Jiro Taniguchi (que por sua vez é baseado no livro Around the Summit of Gods de Baku Yumemakura) a história gira em torno de um fotojornalista japonês Fukamachi, que busca uma câmera fotográfica que pode mudar a história do alpinismo mundial, já que ela foi utilizada para registro de uma escalada ao Everest, que ninguém sabe qual foi o desfecho. O mito em torno da tal câmera acaba trazendo de volta um alpinista que todos julgavam ter desaparecido: Habu Jôji. Famoso por seu temperamento incansável e habilidades no alpinismo, ele ficou famoso e desapareceu sem deixar vestígios sem que os motivos fossem conhecidos. O foco de Fukamachi migra então da câmera para Jôji, fazendo com que busque pistas sobre o paradeiro do alpinista, montando um verdadeiro quebra-cabeças sobre o que aconteceu. Existem muitas camadas e tramas que se misturam no roteiro, o que pode deixar os menos atentos um pouco confusos no andamento  da história, mas nada que prejudique a apreciação de uma animação feita com a densidade dramática de um verdadeiro filme de arte. Misturando drama e aventura, Viagem ao Topo da Terra fica ainda mais impressionante em sua segunda metade quando Fukamachi convence Jôji a leva-lo em sua escalada pessoal pelo Everest, neste ponto, os diálogos se tornam raros e a neve parece sair da tela rumo ao espectador. Para além da aventura e do traço impressionante, chama atenção como a animação desenvolve seus personagens, seus desejos, medos e ambições até o desfecho. Tanta profundidade não aparece por acaso, já que o romancista Baku Yumemakura escreveu seus personagens inspirados em verdadeiros ícones do alpinismo somados aos desafios gigantescos em torno de todas as histórias envolvendo o Everest e seus perigos. Assista. É um dos filmes mais impressionantes que assisti em 2021. 

Viagem ao Topo da Terra (Le sommet des dieux) de Patrick Imbert com vozes de Lazare Herson-Macarel, Eric Herson-Macarel e Damien Boisseau ☻☻☻☻☻

quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

4EVER: Lina Wertmüller

 
14 de agosto de 1928 ✰ 09 de dezembro de 2021

Arcangela Felice Assunta Wertmüller von Elgg Spanol von Braucich, ou simplesmente Lina Wertmüller nasceu na cidade de Roma na Itália. A família de origem suíça lhe garantiu o nome diferente em uma época em que o cinema italiano estava no auge. Em 1951 começou a estudar direção na Accademia Pietro Scharoff, assim que se formou começou a trabalhar no teatro, no rádio e na televisão. Em 1963 trabalhou como assistente de direção de Federico Fellini no clássico Oito e Meio. Estreou como cineasta no mesmo ano com I Basilichi e na década seguinte dirigiu Por Um Destino Insólito/1974 (que Guy Ritchie e Madonna ousaram refilmar em 2002 e) e no ano seguinte lançou Pasqualino Sete Belezas que a fez entrar para a História como a primeira mulher cineasta a ser indicada ao Oscar. Seu último filme para o cinema foi A Casa dos Gerânios (2004) e seu último trabalho foi um documentário em curta-metragem lançado em 2014. Em 2019, Lina recebeu um Oscar honorário pelo conjunto de sua carreira.

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

PL►Y: O Ataque dos Cães

 
Benedict e Kodi: as aparências enganam. 

Por várias décadas diretores e produtores tentaram fazer uma adaptação cinematográfica do livro The Power of the Dog de Thomas Savage. O livro, que não foi lançado no Brasil, é considerado por muitos uma verdadeira obra-prima ao realizar sua releitura dos personagens típicos de um faroeste (estilo que é muitas vezes chamado de western revisionista, anti-faroeste ou até pós-faroeste). Eis que a neozelandeza Jane Campion (do magnífico O Piano/1993) conseguiu levar o projeto adiante e fez um dos filmes mais hipnóticos de 2021, especialmente pela forma como ela molda a história tal e qual o livro, mostrando os fatos enquanto a verdadeira história está abaixo de tudo que se ouve e se vê. Não é um trabalho fácil de ser realizado e, portanto, Jane já desponta como a favorita ao Oscar de direção que se aproxima. O filme gira em torno de Phil Burbank (Benedict Cumberbatch), um cowboy que vive na fazenda ao lado de seu irmão George (Jesse Plemons), com quem divide até o quarto. Os dois são completamente diferentes, o que Phil possui de rude e grosseiro, George possui de gentil e educado. Não por acaso, a personalidade de George é sufocada pelo irmão. Um dia os dois vão almoçar no restaurante da viúva Rose (Kirsten Dunst), que cuida do local com a ajuda do filho adolescente, Peter (Kodi Smit-McPhee). Se por um lado Phil irá destratar o rapaz, George irá se interessar por Rose e não demora muito para que os dois comecem a ter um relacionamento sério. Quando Peter vai para a faculdade, Rose e George se casam e vão morar na fazenda ao lado de Phil, que fará a vida de sua cunhada um inferno... até Peter visitar a mãe na fazenda. No entanto, em meio às grosserias de Phil, começa a acontecer uma suspeita aproximação do valentão com Peter, que começa a descobrir o que está por trás daquele comportamento desagradável. O Ataque dos Cães é um filme que funciona como o mecanismo de um relógio e requer atenção do espectador em meio à sua narrativa em que nada de muito importante parece estar acontecendo. Não por acaso, depois do último ato, muita gente resolve rever o filme e entender os detalhes que perdeu pelo caminho de suas suas duas horas de duração. Jane Campion faz um trabalho notável e tem um elenco em sintonia perfeita. Cumberbatch está ótimo como o homem que esconde seus verdadeiros sentimentos debaixo de sua sujeira (sim, dizem que Ben não tomava banho para incorporar melhor o personagem) e deve ser indicado ao Oscar de melhor ator. Kirsten Dunst também deverá aparecer no páreo de atriz coadjuvante pela árdua transição de sua personagem, assim como Kodi Smit-McPhee que está perfeito como um personagem que, assim como Phil, não se encaixa muito bem no que pensam sobre ele. Quem sai perdendo na história é Jesse Plemons que tem sua participação reduzida na segunda metade da sessão, mas nada que prejudique os caminhos de uma história de final surpreendente. Quanto ao título nacional estranho, o original O Poder do Cão (em tradução literal) é uma citação da Bíblia inglesa em que o Cão é aquele mesmo que simboliza a maldade (e pode soar até um SPOILER do desfecho). 

O Ataque dos Cães (The Power of the Dog / EUA - Reino Unido - Canadá - Nova Zelândia - Austrália / 2021) de Jane Campion com Benedict Cumberbatch, Kirsten Dunst, Jesse Plemons, Kodi Smit-McPhee, Sean Keenan e George Mason. ☻☻☻☻

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

4EVER: Mila Moreira

 
18 de maio de 1946✰ 06 de dezembro de 2021

Filha de portugueses, Marilda Moreira da Silva nasceu na cidade de São Paulo e desde cedo não gostava do seu nome de batismo. Ao iniciar seus trabalhos como modelo, aos quatorze anos, ela escolheu ser chamada de Mila, inspirada pelo livro Mila 18 de Leon Uris. Aos 14 anos ganhou o concurso "Luzes da Cidade", mesmo fingindo ter mais de dezesseis anos para concorrer. Nos anos 1960 já era contratada de uma grande agência de modelos e estreou na televisão meio que por acaso ao substituir um jurado no programa do Chacrinha. Em 1979, Mila se tornou uma das primeiras modelos a se tornarem atrizes em telenovelas. Estreou como a viúva dona de buffet em Marrom Glacê  e desde então participou de mais de vinte produções na Rede Globo, muitas dela se tornaram verdadeiros clássicos da teledramaturgia como Plumas e Paetês (1980), Corpo A Corpo (1984), Que Rei Sou Eu (1989), Anos Rebeldes (1992) e Os Maias (2001). A última novela em que atuou foi A Lei do Amor em 2016. Mila faleceu em decorrência de uma parada cardíaca. 

terça-feira, 30 de novembro de 2021

HIGH FI✌E: Novembro

 Cinco filmes assistidos em novembro que merecem destaque:

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PL►Y: Annette

Adam e Marion: amor e maldição. 

Com dois nomes badalados em Hollywood no alto dos créditos, Annette de Leos Carax era um dos filmes cotados para o Oscar que se aproxima. Particularmente não consigo imaginar um filme de Carax sendo indicado ao Oscar ao longo de todo o milênio, mas o empenho de Adam Driver em fazer o filme ser produzido (depois de tantos percalços financeiros) já valeria um prêmio. Indicado à Palma de Ouro do Festival de Cannes, o longa levou para casa os prêmios de Melhor Diretor e Trilha Sonora para os roteiristas (Ron Mael e Russell Mael, mais conhecido como o duo Sparks) deste musical diferentão como tudo que Leos já fez na vida. O francês não dirigia algo desde Holy Motors (2012) que se tornou cult ao longo da década e, por isso mesmo, seu novo filme era bastante aguardado. Se compararmos estas duas obras, veremos que Annette chega a ser bastante convencional, embora siga caminhos que a maioria dos musicais rejeitaria. A história gira em torno de Henry McHenry (Adam Driver), um comediante de stand up que se apaixona pela cantora lírica Ann (Marion Cotillard), a mídia enlouquece com aquele romance que, aparentemente, envolve duas celebridades de estilos completamente diferentes. Aos olhos da mídia e do público eles irão casar, terão uma filha (que dá nome ao filme e resulta numa das escolhas mais estranhas do filme... embora seja justificada na cena final) e conforme a carreira de Henry perde a graça, o gosto dele pelo álcool instaura uma crise no casamento. Embora seja um filme cheio de recursos narrativos e estilo, Annette tem muito de teatral, especialmente de operístico. Alguns cenários, as cenas passadas nos palcos e algumas cenas remetem diretamente à magia teatral e a habilidade de Leos lidar com isso é evidente, no entanto, algumas repetições ao longo do primeiro ato poderiam ter ficado de fora do corte final (duas horas e vinte minutos de duração, não era para tanto...). No segundo ato, o filme segue a pequena Annette e seu pai, que a transforma em uma celebridade após uma tragédia familiar  e será apenas questão de tempo para que Henry mostre mais uma vez seu lado mais sombrio, especialmente pela companhia do instrumentista (vivido por Simon Helberg) velho conhecido de Ann. A música em Annette nunca segue um caminho simples, por vezes são apenas diálogos musicados, em outros são corais, depois se tornam melodias mais elaboradas, mas as letras geralmente são irônicas e provocativas, além de plenamente inseridas na cadência da história. Este musical que mistura romance, drama, terror e até erotismo (eu não diria que existe comédia no filme, mas.... vai que) resulta de encher os olhos, mas tem alguns momentos em que se torna bastante morno em suas repetições. Não vai figurar no Oscar, mas a prestigiada Cahiers du Cinéma o elegeu o segundo melhor filme de 2021 (atrás apenas de First Cow que assim como Annette está disponível na MUBI). Foi uma boa escolha.

Annette (França-Bélgia-Alemanha-EUA-Japão-México-Suíça / 2021) de Leos Carax com Adam Driver, Marion Cotillar, Simon Helberg, Devyn McDowell e Julia Bullock. ☻☻☻

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Pódio: Idris Elba

Bronze: o gênio complicado. 
3º Luther (2010-2019) Eu sei que Luther não é um filme, mas como ignorar o trabalho do ator nesta série do Reino Unido? Inicialmente lançada em 2010, a série ganhou novas temporadas em 2013, 2015 e 2019 e dizem que em breve o detetive John Luther deve estar de volta com novos episódios. Idris dá um tempero todo especial a este personagem genial em seu ofício, mas um tanto problemático em sua vida pessoal - o que por vezes o faz ser visto como um problema para seus superiores. Pela série o ator já foi indicado quatro vezes ao Emmy, quatro vezes ao Globo de Ouro (ganhou em 2012), uma vez ao BAFTA e ganhou um SAG Awards. Papel de respeito!

Prata: o Nelson Mandela. 
2º Mandela - O Caminho para Liberdade (2013) Adaptado da autobiografia de Nelson Mandela, o filme de Justin Chadwick segue à risca a cartilha das cinebiografias (a começar pela duração: duas horas e vinte minutos). Na pele do líder da África do Sul e sua luta contra o Apartheid, Idris Elba tem o desafio de viver vários anos da vida desta personalidade mundial. Atravessando décadas na pele do personagem, Idris está tão bem que foi cotado para o Oscar de melhor ator, mas acabou indicado somente ao Globo de Ouro de ator em filme dramático. Aqui, Idris provou conseguir carregar um filme nas costas (ainda que com auxílio de Naomie Harris na pele de Winnie Mandela).

Ouro: o comandante sanguinário. 
1º Beasts of no Nation (2015) Se hoje um filme da Netflix aparece cotado para o Oscar e participa de festivais importantes, se deve a  este longa metragem que marcou a estreia da gigante do streaming na produção de filmes exclusivos. Dirigido por Cary Joji Fukinaga, a história de menino soldado na guerra civil de um país africano não identificado alcança um resultado aterrorizante. Na pele do sanguinário comandante do exército mirim, Idris Elba está assustador! Mais assustador ainda é imaginar que por puro preconceito à Netflix o filme foi completamente ignorado pelo Oscar depois de indicações ao Globo de Ouro, SAG e Film Independent. Pelo seu trabalho marcante, o londrino Elba levou o prêmio de melhor ator coadjuvante do ano nestas três premiações. Uma verdadeira mancha na história da Academia. 

PL►Y: Vingança e Castigo

Regina, Idris e Lakeith: elenco de encher os olhos. 

Aos poucos um certo revisionismo histórico começou a fazer efeito em Hollywood e faroestes protagonizados personagens negros começam a se tornar mais recorrente. Ainda que esbarre no pé atrás que os estúdios possuem com o faroeste em si por conta das bilheterias modestas, imaginar que podemos ter mais filmes com um naipe de talentos como vemos em Vingança e Castigo é uma promessa tentadora. Figurando entre as produções mais caras já bancadas pela Netflix, o filme de Jeymes Samuel (que já se aventurou pelo estilo no média-metragem They Die by Down/2013, título parecido com o deste The Harder They Fall e que tem algumas semelhanças na escolha de personagens) parte da ideia interessante de misturar figuras reais do velho oeste em um encontro que é pura ficção. O filme começa com o verdadeiro massacre da família do pequeno Nat Love pelo bando de Rufus Buck (Idris Elba). Quando Nat cresce (e se torna Jonathan Majors) ele busca exatamente o título, especialmente ao descobrir que Rufus Buck estava preso, mas acaba de ser resgatado de um trem por sua dupla de comparsas, Trudy Smith (Regina King) e Cherokee Bill (LaKeith Stanfield). Obviamente que os dois irão duelar, mas até que os dois se encontrem, algumas roupas sujas ainda serão lavadas pelos dois rivais e seus seguidores - sobrando até para a namorada de Nat, Marie Fields (Zazie Beetz). Como já estava previsto desde o anúncio de que o filme é uma obra de ficção, não vale tentar levar a sério o que se vê na tela, já que o filme não está nem um pouco interessado em seguir a cartilha dos faroestes tradicionais. A começar pelos diálogos e a trilha sonora anacrônica, que insere não apenas estilo à produção como também uma atmosfera quase postiça em sua embalagem. Some isso ao colorido e o aspecto limpinho dos cenário e a sensação que tudo não passa de uma grande brincadeira dos envolvidos se fortalece. Jeymes Samuel tem ideias interessantes, mas peca quando tenta ser Tarantino em suas gracinhas... mas nada que o elenco não compense - já que alguns parecem se divertir bastante (especialmente a oscarizada Regina King em uma personagem bastante diferente da que costuma fazer e Lakeith com mais sex appeal que de costume). Admito que em alguns momentos tanto "estilo" deixou a história um tanto artificial em seu andamento, mas nada que prejudique a ideia de entreter a plateia. Diferente do que muita gente pensava, o filme não é para figurar no Oscar, mas para passar o tempo sem remorsos. 

Vingança e Castigo (The Harder They Fall / EUA 2021) de Jeymes Samuel com Idris Elba, Jonathan Majors, Regina King, Zazie Beetz, Lakeith Stanfield, Edi Gathegi, Damon Wayans Jr e Danielle Deadwyller. ☻☻☻