quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

PL►Y: Buscando...

Cho: buscando a filha no mundo hi-tech. 

É interessante que no meio de tantas ideias recicladas no cinema americano apareça um filme feito Buscando. Embora outros filmes ambientados no universo da internet já tenham sido realizados, este longa dirigido pelo estreante Aneesh Chaganty é a experiência mais radical do gênero, já que a narrativa é pontuada por informações na tela como se estivéssemos diante de um computador. O resultado foi aclamado pela crítica e fez grande sucesso em festivais. Para além do trabalho de roteiro e edição, o grande destaque é a atuação de Jon Cho, que tem encontrado em produções periféricas à Hollywood personagens interessantes para o exercício de seus dotes dramáticos (tanto que foi lembrado no Independent Spirit deste ano na categoria de melhor ator). O filme gira em torno do desaparecimento de Pamela Kim (Michelle La), a filha de dezesseis anos de David (Jon Cho). A história desta família é apresentada rapidamente na tela, tendo como grande marco o falecimento da matriarca, que marca definitivamente a vida dos dois. Desde o princípio vemos como David se torna cada vez mais atento aos passos da filha e aos poucos percebemos que o comportamento de Pamela também mudou bastante depois da perda. Não demora muito para a trama avançar e David se dar conta de que a filha desapareceu sem deixar vestígios. Começa então uma verdadeira caçada por informações em computadores, redes sociais, sites variados e qualquer outro recurso que o mundo computadorizado possa ajudar em sua busca. O desafio de Buscando é sustentar sua narrativa com o estilo inovador que se propõe, o que o torna quase experimental. Diante de um personagem sempre tenso, Cho carrega o filme até com tranquilidade estando em cena a maior parte do tempo e, embora eu considere que o charme da narrativa se perca lá pela metade, o filme cria um suspense que prende a atenção do espectador pelo resto da sessão. Não vou estragar as surpresas que o filme reserva, mas vou ressaltar três pontos que o filme toca com maestria. A primeira é a ilusão de que a internet e suas redes sociais criam a ilusão de que realmente conhecemos uma pessoa e, o segundo ponto, é imaginar que com todos os mecanismos eletrônicos disponíveis, também é ilusório imaginar que somos capazes de acompanhar os passos de alguém o tempo inteiro. O terceiro ponto é como o filme revela um distanciamento entre as pessoas por conta dos computadores como uma janela para o mundo, o personagem de Cho passa boa parte do filme conversando com pessoas somente por telas de computadores e esta sensação me deixou mais angustiado do que o desaparecimento da mocinha. Talvez eu esteja velho mesmo, bem diferente do paizão protagonista que manja tudo  e tem o clique no mouse como seu maior aliado. 

Buscando... (Searching/EUA-2018) de  Aneesh Chaganty com Jon Cho, Michelle La, Joseph Lee, Debra Messing e Sara Sohn. ☻☻☻

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

§8^) Fac Simile: Aquaman

Aquaman Orin
Faz um tempo que Aquaman não é mais o mesmo. Aquele visual de cabelos loiros curtos, rosto barbeado e tom cavalheiro já ficou para trás nos quadrinhos da década de 1990, ali o herói deixou de ser um personagem que conversava com peixes para ganhar uma jornada bem mais complexa. Em uma premier do filme encontramos o Aquaman original vivendo nos dias de hoje e, embora confundido com um cosplay, ele contou um pouco mais sobre os bastidores desta transição ao nosso repórter imaginário durante esta entrevista que nunca aconteceu: 

§8^) Muita gente acha que Aquaman é um personagem de ficção, mas você afirma ser o verdadeiro Aquaman! Como você explica isso. 

Aquaman Porque eu sou o Aquaman de verdade. Eu contei minha história para os escritores que me tornaram um personagem dos quadrinhos na década de 1940, eles não acreditaram muito, mas recebo royalties até hoje por conta do uso personagem. 

§8^) Caramba, você está muito conservado! Você ficou chateado quando resolveram mudar o visual do personagem nos quadrinhos depois de décadas com ele tendo a sua aparência?

Aquaman Não muito. Entendo que as pessoas queriam deixar o personagem com um visual mais agressivo, mas entendo bem estas questões, desde que eu receba meus direitos autorais eles podem fazer o que quiser! Vale dizer que vi o filme recentemente e achei bem legal o que fizeram, mas eu sou bem mais sério do que aquele Rei dos Dragões que colocaram no meu lugar. 

§8^) Como é sua vida hoje?

Aquaman Vivo sossegado no litoral da Austrália. A vida de super-herói é muito exaustiva e fico aqui na superfície a maior parte do tempo, a água do mar de Atlântida acaba com o meu cabelo! Casei três vezes, tenho doze filhos, oito filhas e um peixe dourado. Nas horas vagas eu surfo e de vez em quando faço alguns shows por aí como encantador de peixes. Também presto consultoria para filmes como Procurando Nemo e para os desenhos  como Bob Esponja, além de participar de manifestações ecológicas. Sou um herói bastante engajado! Ah, vale dizer que nunca montei num Cavalo Marinho, seria uma crueldade com o bichinho!

§8^) Você realmente tem todos aqueles super poderes?

Aquaman Sim, todos eles. Converso com peixes o tempo todo - e você não faz ideia de como eles são fofoqueiros. Demorei um tempo para me adaptar a esta rotina de ser meio da superfície e meio atlante, mas com o tempo fui me acostumando com isso. No fim das contas a maioria dos heróis na vida real passam por isso. O Superman é cheio de problemas alérgicos, o Batman está sempre fazendo terapia e a Mulher-Maravilha ainda tem problemas para lidar com os homens em volta dela, chega a ser um pouco paranóica até... eu tinha uma quedinha por ela, mas aquele laço da verdade é um problema... 

§8^) Quer dizer que os heróis existem de verdade?

Aquaman Claro que existem, obviamente que nos quadrinhos mudaram nossos nomes para termos sossego e privacidade mas nos encontramos constantemente! Também não existe esta rivalidade entre editoras ou universos como as pessoas imaginam! Sou muito grato ao Professor X por me ajudar a lidar com meus poderes e sou vizinho do Gavião Arqueiro desde que ele se aposentou. Só não me dou bem com o Namor, ele não é muito confiável. Já o Leo é grande amigo do meu filho e sempre come pizza lá em casa.  

§8^) Leo? Que Leo? 

Aquaman Das Tartarugas Ninja, oras!

Na Tela: Aquaman

Momoa a caráter: pura diversão para os fãs. 

Não curto esta rivalidade que se instaurou entre os fãs dos filmes da Marvel e da DC Comics, que comparam as produções baseadas nos quadrinhos das duas editoras - e que deixou a Warner um tanto baratinada com os rumos que seus filmes deveriam seguir após o sucesso arrebatador de Vingadores/ 2012 e tudo o que veio depois. A DC/Warner realmente perdeu o rumo, começou a misturar coisas demais e o resultado foram filmes um tanto confusos que mesmo estando longe do desastre, receberam críticas severas que fizeram os produtores repensarem tudo - especialmente após Liga da Justiça /2017 arrecadar menos do que o esperado ao redor do mundo (pois é meus amigos, um filme que arrecada 657,9 milhões de dólares ao redor do mundo é considerado um fracasso nos dias atuais). Depois de uma verdadeira tempestade nos projetos ligados aos heróis da DC (Zack Snyder fora de vez, Ben Affleck dispensado de Batman, Henry Cavill largando a capa do Superman, Mulher Marvilha 2 não sendo uma sequência, o filme do Cyborg praticamente cancelado, filmes paralelos com vilões do Homem-Morcego, um trailer de Shazam que deixa a dúvida se o universo dos personagens é unificado ou não...) era com grande expectativa que se esperava Aquaman pelas mãos de James Wan. Wan fez sucesso com filmes de terror e está para o gênero no século XXI como Wes Craven estava nos anos 1980. O criador de Jogos Mortais (2004) e Invocação do Mal (2013) foi recebido com surpresa ao assumir a produção - e diante das entrevistas cedidas no lançamento do herói aquático , mostrava-se exausto quando tudo acabou. Vendo o filme percebe-se logo os motivos. Com duas horas e vinte e dois minutos de duração, inúmeras cenas de ação e infinitos efeitos especiais, o filme tem a ambição necessária para colocar o universo da DC nos cinemas no gosto do público. O filme cita rapidamente o vínculo do filme com os acontecimentos vistos em Liga da Justiça, mas gira em torno de Arthur Curry (Jason Momoa) descobrir suas origens e se tornar Aquaman de vez. Os fãs mais antigos já devem ter se acostumado com a repaginada que o personagem sofreu nas últimas décadas, deixando de lado o visual arrumadinho para se aproximar mais de um Netuno Hardcore.. Aqui descobrimos como Arthur nasceu do relacionamento de uma rainha (Nicole Kidman) da misteriosa civilização de Atlântida com um faroleiro. Desde pequeno Curry sabia que era diferente, foi treinado para lidar com seus poderes e habilidades, mas nunca se interessou por assumir o trono de Atlântida, no entanto, seu irmão, Orm (Patrick Wilson) percebe que acabar com o bastardo seria um bom começo para impor respeito e dar o troco ao mundo do superfície por séculos de abuso aos reinos dos mares. Este é o ponto de partida do filme, mas ele segue caminhos demais. A apresentação do personagem serve para construção de um verdadeiro mundo próprio, com vários personagens, intrigas e interesses, mas tudo é acelerado, grandiloquente e, por vezes, confuso. Existem cenas muito boas (acho fascinante os momentos mais sombrios do filme, especialmente quando Arthur e Mera (Amber Heard, que não acerta o tom) são atacados por monstros em alto-mar. Há momentos que estão ali para agradar os fãs (como o surgimento do herói com o uniforme original e o aparecimento do Arraia Negra idêntico ao dos quadrinhos) e um desejo explícito de agradar fãs que vão ao cinema apenas para se divertir. Por ser um personagem que nunca teve sua origem contada nas telas e que não é tão popular como Bamtan ou Superman, percebe-se que Wan teve maior liberdade para criar e caprichou. O problema maior fica por conta do roteiro e das atuações. Em alguns momentos o texto perde o ritmo e patina nos vários pontos que aborda. Jason Momoa por vezes perde o ar sisudo e se rende a um tom besteirol que não combina com sua abordagem do personagem, mas ninguém deve reclamar muito. Sorte que Nicole Kidman, Willem Dafoe e Patrick Wilson estão ali para ajustar qualquer escorregada. Aquaman já é um sucesso ao redor do mundo (já arrecadou meio bilhão nos cinemas e deve render mais uns trezentos até sair de cartaz), além de ganhar uma uma sequência. Resta aos fãs torcer para que a Warner se anime novamente e promova novos encontros de nossos heróis favoritos. 

Aquaman (EUA/2018) de James Wan com Jason Momoa, Amber Heard, Willem Dafoe, Patrick Wilson, Yahia Abdul-Mateen II, Dolph Lundgren e Randall Park. ☻☻☻

domingo, 23 de dezembro de 2018

10+ Melhores Pôsteres de 2018

A primeira lista de final de ano, tradicionalmente fica por conta do cartão de apresentação de um filme: 

Damien Chazelle me fez querer conhecer o espaço com Ryan Gosling ao ver este pôster pela primeira vez.

#09 Uma Dobra no Tempo
Fracasso nas bilheterias, a fantasia de Ava Duvernay já anunciava que teria um visual caprichado neste cartaz. 

#08 Suspiria
Como resistir ao remake de um clássico cult do terror dirigido por Luca Guadagnino  e com um cartaz estiloso destes? Impossível.

A relação com meu filme de animação favorito do ano nasceu com este cartaz. Uma declaração de amor ao ótimo elenco canino.

#06 Roma
Alfonso Cuarón fez o filme mais singelo e elogiado do ano - e rompeu barreiras para um filme produzido pela Netflix. Lindo que só. 

#05 A Casa que Jack Construiu
Lars Von Trier não é um cineasta, mas um provocador - e este pôster lembra que um filme hediondo também pode ser de arte. 

Todos eram miniaturas diante do que pairava sobre os personagens. Ari Aster misturou drama e horror (invadindo pesadelos em 2018). 

O filme de super-herói mais falado do ano conseguiu até indicação ao Globo de Ouro de Melhor Filme de Drama. Wakanda Forever!

#02 Os Incríveis 2
Só 14 anos se passaram até que a família mais super-heróica do cinema voltasse para as telonas, mas o pôster deixava claro que algo era diferente.

#01 A Favorita 
As intrigas palacianas ganham uma ilustração perfeita no novo filme do grego Yorgos Lanthimos. A expectativa só cresce!

sábado, 8 de dezembro de 2018

INDICADOS GLOBO DE OURO 2018

Globo de Ouro 2019: façam suas apostas. 

Foram anunciadas as indicações ao Globo de Ouro pela Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood. Neste ano a comédia Vice recebeu o maior número de indicações (seis), deixando Nasce uma Estrela, A Favorita e Green Book em segundo lugar (com cinco indicações cada). A grande surpresa foi Pantera Negra quebrando barreiras e cravando uma indicação para Melhor Filme de Drama, um feito enorme para o gênero. A série o Assassinado de Gianne Versace pode não ter repetido o sucesso da temporada anterior sobre O.J. Simpson, mas foi a produção televisiva mais indicada do ano, com quatro indicações. A seguir todos os contemplados que roerão as unhas até o dia seis de janeiro. Escolham seus favoritos e façam suas apostas!

CINEMA
Melhor filme - Drama
"Infiltrado na Klan"
"Pantera Negra"
"Bohemian Rhapsody"
"If Beale Street Could Talk"
"Nasce uma estrela"

Melhor Filme - Musical ou Comédia
"Podres de ricos"
"A Favorita"
"Green Book: O Guia"
"O Retorno de Mary Poppins"
"Vice"

Melhor atriz de filme - Drama
Glenn Close, "The Wife"
Lady Gaga, "Nasce uma estrela"
Nicole Kidman, "Destroyer"
Melissa McCarthy, "Can You Ever Forgive Me?"
Rosamund Pike, "A Private War"

Melhor ator de filme - Drama
Bradley Cooper, "Nasce uma estrela"
Willem Dafoe, "At Eternity's Gate"
Lucas Hedges, "Boy Erased"
Rami Malek, "Bohemian Rhapsody"
John David Washington, "Infiltrado na Klan"

Melhor atriz em filme - Musical ou Comédia
Emily Blunt, "O Retorno de Mary Poppins"
Olivia Colman, "A favorita"
Elsie Fisher, "Eighth Grade"
Charlize Theron, "Tully"
Constance Wu, "Podres de Ricos"

Melhor ator em filme - Musical ou Comédia
Christian Bale, "Vice"
Lin-Manuel Miranda, "O Retorno de Mary Poppins"
Viggo Mortensen, "Green Book: O Guia"
Robert Redford, "The Old Man and the Gun"
John C. Reilly, "Stan & Ollie"

Melhor Direção
Bradley Cooper, "Nasce uma estrela"
Alfonso Cuaron, "Roma"
Peter Farrelly, "Green Book: O Guia"
Spike Lee, "Infiltrado na Klan"
Adam McKay, "Vice"

Melhor atriz coadjuvante 
Amy Adams, "Vice"
Claire Foy, "First Man"
Regina King, "If Beale Street Could Talk"
Emma Stone, "A Favorita"
Rachel Weisz, "A Favorita"

Melhor ator coadjuvante em filmes
Mahershala Ali, "Green Book: O Guia"
Timothee Chalamet, "Beautiful Boy"
Adam Driver, "Infiltrado na Klan"
Richard E. Grant, "Can You Ever Forgive Me?"
Sam Rockwell, "Vice"

Melhor roteiro para filme
Barry Jenkins ("If Beale Street Could Talk")
Adam McKay ("Vice")
Alfonso Cuaron ("Roma")
Deborah Davis and Tony McNamara ("The Favourite")
Peter Farrelly, Nick Vallelonga, Brian Currie ("Green Book: O Guia")

Melhor filme em língua estrangeira
"Capernaum" (Líbano)
"Girl" (Bélgica)
"Never Look Away" (Alemanha)
"Roma" (México)
"Shoplifters" (Japão)

Melhor animação
"Os Incríveis 2"
"Ilha dos Cachorros"
"Mirai"
"WiFi Ralph: Quebrando a Internet"
"Homem-Aranha no Aranhaverso"

Melhor trilha original para filmes
Marco Beltrami, "Um lugar silencioso"
Alexandre Desplat, "Ilha de cachorros"
Ludwig Göransson, "Pantera Negra"
Justin Hurwitz, "O primeiro homem"
Marc Shaiman, "O retorno de Mary Poppins"

Melhor música para filmes
"All the Stars”, "Pantera Negra"
"Revelation”, "Boy Erased"
"Girl in the Movies”, "Dumplin"
"Shallow", "Nasce uma estrela"
"Requiem for a Private War", "A Private War"

TV
Melhor série - Drama
"The Americans"
"Bodyguard"
"Homecoming"
"Killing Eve"
"Pose"

Melhor série - Musical ou Comédia
"Barry"
"Kidding"
"The Good Place"
"The Kominsky Method"
"Marvelous Mrs. Maisel"

Melhor série limitada ou filme para TV
"The Alienist"
"The Assassination of Gianni Versace"
"Escape at Dannemora"
"Sharp Objects"
"A Very Englisch Scandal"

Melhor ator em série - Musical ou Comédia
Sascha Baron Cohen, "This is America"
Michael Douglas, "The Kominsky Method"
Donald Glover, "Atlanta"
Bill Hader, "Barry"

Melhor atriz em série - Musical ou Comédia
Kristen Bell, "The Good Place"
Candice Bergen, "Murphy Brown"
Alison Brie, "Glow"
Rachel Broshnahan, "The Marvelous Mrs. Maisel"
Debra Messing, "Will & Grace"

Melhor atriz em série - Drama
Caitriona Balfe, "Outlander"
Elisabeth Moss, "O conto de Aia"
Sandra Oh, "Killing Eve"
Julia Roberts, "Homecoming"
Keri Russell, "The Americans"

Melhor ator em série - Drama
Jason Bateman, "Ozark"
Stephan James, Homecoming"
Billy Porter, "Pose"
Richard Madden, "Bodyguard"
Matthew Rhys, "The Americans"

Melhor ator em série limitada ou filme para TV
Antonio Banderas, "Genius: Picasso"
Daniel Bruhl, "The Alieniest"
Darren Criss, "The Assassination of Gianni Versace"
Benedict CUmberbatch, "Patrick Melrose"
Hugh Grant, "A Very English Scandal"

Melhor atriz em série limitada ou filme para TV
Amy Adams, "Sharp Objects"
Patricia Arquette, "Escape at Dannemora"
Connie Britton, "Dirty John"
Laura Dern, "The Tale"
Regina King, "Seven Seconds"

Melhor ator coadjuvante para TV
Alan Arkin, "Kominsky Method"
Kieran Culkin, "Succession"
Edgar Ramirez, "The Assassination of Gianni Versace"
Ben Whishaw, "A Very English Scandal"
Henry Winkler, "Barry"

Melhor atriz coadjuvante para TV
Alex Bornstein, "The Marvelous Mrs.Maisel"
Patricia Clarkson, "Sharp Objects"
Penelope Cruz, "The Assassination of Gianni Versace"
Thandie Newton, "Westworld"
Yvonne Strahovski, "O conto de Aia"

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

PL►Y: Paddington 2

Paddington e seus amigos prisioneiros: humor caprichado. 

Com a chegada da temporada de prêmios existe campanha de alguns críticos para que Paddington 2 seja indicado a alguns prêmios - a realizada pela Indiewire até sugere quais as quatro categorias em que o filme poderia ser indicado: filme, efeitos especiais, figurino e ator coadjuvante para Hugh Grant. Não sei se o filme tem fôlego para tanto (ainda que tenha feito sucesso razoável e seja querido por público e crítica), mas o fato é que o filme é uma produção muito agradável de se assistir com adultos (bem humorados) e crianças. O filme deixa de lado o tom um pouco sombrio da primeira aventura do ursinho no cinema e, embora tenha cenas envolvendo crimes, preconceitos e uma prisão, o filme consegue deixar o tom espirituoso ao longo de toda a sessão. O filme reencontra Paddington (voz de Ben Whishaw) vivendo com a família inglesa que o adotou no filme anterior e ele está plenamente ajustado ao bairro em que vive. No entanto, o simpático ursinho quer comprar um presente para enviar para a tia que o criou - um livro em 3D sobre Londres, cidade que ela sempre quis conhecer. Ele começa a procurar emprego e vive algumas experiências desastrosas (e engraçadas), mas as coisas pioram quando ele cruza o caminho do egocêntrico Phoenix Buchanan (Hugh Grant), um ator consagrado que caiu em desgraça por sua dificuldade em trabalhar com outras pessoas. Quando o tal livro em 3D é roubado da loja, Paddington se torna o principal suspeito e logo é levado para a prisão. Se já parece surreal ter um ursinho falante vivendo em Londres, a situação de tê-lo numa prisão torna tudo ainda mais absurdo e bastante divertido. O roteiro bem amarrado insere várias histórias dentro da trama, que fica redondinha com o bom ritmo impresso pelo diretor Paul King (que irá dirigir a nova versão de Pinochio e o filme de origem de Willie Wonka - antes da Fábrica de Chocolate). Em termos de estilo, o filme abraça a fofura do seu protagonista sem pestanejar, ao ponto de colocar os detentos vestidos com listras rosas e adorando marmelada. Sally Hawkins, Julie Walters e Hugh Bonneville repetem os seus papéis familiares do filme anterior, mas  enquanto tentam inocentar o urso, são Brendan Gleeson (como o cozinheiro detento chamado Montanha) e Hugh Grant que ganham destaque na história. Gleeson está ótimo como o brutamontes amigo de Paddington e Grant posando de vilão, prova que o galã tímido dos anos 1990 foi possuído pelo talento de encarnar tipos cafajestes - e não parece preocupado com as rugas vindas com o tempo. Paddington se consagra como uma das franquias infantis mais bem vindas do século XXI, mas não sei se o filme será lembrado nas premiações, mas posso garantir que vou lembrar das risadas por um bom tempo!

Paddington 2 (Reino Unido - França - EUA / 2018) de Paul King com Ben Whishaw, Sally Hawkins, Hugh Bonneville, Hugh Grant, Julie Walters e Samuel Joslin. ☻☻☻

Na Tela: Venom

Venom e Hardy: parceria tresloucada. 

Nem todos os filmes a que assisto eu comento aqui no blog. É verdade que a grande maioria (cerca de 98%) do que assisto eu escrevo por aqui. Geralmente os não comentados são deixados para trás por motivos diversos, por vezes não sei muito bem o que escrever sobre ele, em outros considero que meus comentários não vão acrescentar coisa alguma. Em outros casos, o texto fica pela metade, faço, desfaço, desisto e a vida segue em frente. Venom é o tipo de filme que nem me atrevi a começar um texto sobre ele, não tive vontade alguma na época em que o assisti, no entanto, diante do sucesso mundial que o filme tem feito, senti uma inquietação por escrever. O personagem Venom é um famoso vilão dos quadrinhos do Homem-Aranha e até já deu as caras no terceiro e derradeiro filme de Sam Raimi com Tobey Maguire na pele do herói aracnídeo (falando nisso, os dois sumiram por aí). Naquela ocasião o simbionte alienígena tomou o corpo de Topher Grace, encarregado de encarnar o jornalista Eddie Brock. Agora, com o cabeça de teia nos braços da Marvel, a Sony resolveu investir no vilão e deixou muita gente preocupada. No entanto, pelo resultado, os envolvidos deram de ombros e realizaram um filme sem qualquer preocupação com o atual paradigma dos filmes de heróis. Sem amarras com o universo de qualquer editora ou cronologia de personagem, Venom não tem pudores de ter um roteiro sem vergonha, que não traz nada demais, apenas uma sucessão de cenas que misturam humor, terror e cenas de ação. A ideia é gerar diversão para quem quer ir no cinema e assistir qualquer coisa que não exija muito. Flertando com o trash, o longa prova que num mundo onde a DC Comics quebra a cabeça para encontrar um rumo em seus filmes e a Marvel pensa nas minúcias de uma elaborada rede de filmes interligados, ainda  existe espaço para um filme que quer apenas faturar nas bilheterias se tiver a sorte de cair nas graças do público. Confesso que ao assisti-lo pensei que seria um grande fracasso, mas lançado num período sem grandes estreias do gênero, o filme se deu muito bem. Um trunfo do filme é o carisma de Tom Hardy, que como Eddie Brock interpreta o sujeito mais idiota de sua carreira (o que não deixa de ser divertido e quem conhece o ator sabe que aquela canastrice é proposital para um jornalista um tantinho sem escrúpulos), ele trai a confiança da namorada (a cinco vezes indicada ao Oscar Michelle Williams, garantindo as contas dos próximos anos) e numa investigação acaba contaminado pelo simbionte alienígena - com quem acaba fazendo um trato para continuar vivo.  Com Tom e Michelle à frente, o diretor Ruben Fleischer prova mais uma vez que sabe o quanto um elenco pode ajudar um filme com roteiro insosso - basta ver seu filme anterior, Caça aos Gângsteres/2013 que contava com Ryan Gosling, Emma Stone, Josh Brolin e Sean Penn para fazer a plateia imaginar que era algo bom. Venom não tem intenção de complicar nada. Não há dramas, reflexões, analogias ou pegadas inteligentes, mas apenas um fluxo de cenas que segue até o final sem maiores pretensões. Sem regras a seguir e sem crédito a perder, o filme joga tudo para o alto. Há quem goste e esteja vibrando com a sequência que deve surgir em breve. No entanto, quem espera algo mais de uma sessão de cinema pode se decepcionar e dormir em uma cena e outra. 

Venom (EUA/China-2018) de Ruben Fleischer com Tom Hardy, Michelle Williams, Riz Ahmed, Jenny Slate, Woody Harrelson, Melora Walters e Reid Scott. ☻

domingo, 2 de dezembro de 2018

APOSTAS PARA O OSCAR 2019: CAPÍTULO FINAL

No Portal da Eternidade
Depois de um período em que havia se tornado mais um ator cult do que propriamente lembrado pela Academia, parece que Willem Dafoe caiu novamente no gosto dos votantes depois de ser indicado ao Oscar como o zelador de Projeto Flórida (2017), no próximo ano ele é um dos favoritos ao Oscar de ator por seu trabalho como Van Gogh neste filme de Julian Schnabel. Pelo papel já levou para a casa o prêmio de melhor ator no Festival de Veneza. 

O Peso do Passado
Nicole Kidman estará no páreo do Oscar novamente? Parece que sim depois de sua impressionante atuação neste filme da diretora Karyn Kusama. Ela vive uma policial que confronta o passado durante uma investigação e as situações geradas a partir desta premissa são surpreendentes. Famosa por sua elegância, a premiada atriz está irreconhecível como uma personagem endurecida pela vida - e que extrai de um ponto de partida convencional uma atuação arrebatadora. 


O Retorno de Ben
Julia Roberts pode ser lembrada novamente pela Academia. Faz tempo que ela deixou as comédias românticas para trás e ela volta em mais um papel maternal. Desta vez ela é a mãe de um jovem viciado em drogas que retorna para a casa nas festas natalinas. No papel do filho está Lucas Hedges, que pode conseguir sua segunda indicação ao Oscar. A direção é do pai de Lucas, Peter Hedges - mais família impossível (mas o filme é bem doloroso). 

In the Basis of Sex
A categoria de melhor atriz neste ano está bastante concorrida e Felicity Jones pode ser lembrada pelo papel de Ruth Bader Ginsburg, figura importante na luta por direitos iguais nos Estados Unidos e seus esforços para integrar a Suprema Corte dos EUA. As críticas ao filme não foram muito positivas, mas as atuações de Felicity e Armie Hammer podem garantir alguma atenção ao filme, especialmente em tempos que o "empoderamento feminino" está em alta. 

Duas Rainhas 
Tão logo a cineasta Josei Rourke começou as filmagens de seu novo filme, começaram as especulações sobre o Oscar, afinal, o filme promove o encontro de duas recém indicadas às estatuetas. Saoirse Ronan vive Mary Stuart, a rainha da Escócia. Margot Robbie interpreta Rainha Elizabeth e mesmo aparecendo poucos minutos juntas em cena, as duas se envolvem em intrigas de poder que mudam para sempre o rumo da história. Quem sai ganhando neste duelo no gosto da Academia?

sábado, 1 de dezembro de 2018

Na Tela: As Viúvas

Debicki, Viola, Michelle e Erivo: filme de assalto diferente. 

É interessante notar que não existe cartilha de determinado gênero cinematográfico, clichê batido ou trama já utilizada que não possa se transformar em uma obra surpreendente nas mãos de uma equipe disposta a dar o melhor de si. Exemplo disto é As Viúvas, que seria o tipo de filme que não despertaria meu interesse se não tivesse dois nomes à frente: o diretor Steve McQueen e a atriz Viola Davis. Os dois oscarizados (ele pela produção de 12 Anos de Escravidão/2013 ela como atriz coadjuvante por Um Limite Entre Nós/2017) são o ponto de partida para demonstrar que o que seria mais um filme de assalto pode se tornar muito mais. O longa conta a história de mulheres que se unem para terminar um serviço que os maridos não tiveram tempo de realizar, afinal, foram mortos no meio de um assalto - e para o azar da esposa do líder do grupo, Veronica (Davis), ela que está na mira dos lesados que exigem que ela devolva os milhões roubados. Embora nunca tenha se interessado pelos negócios ilegais do esposo (Liam Neeson), ela se percebe acuada, tendo a ideia de se livrar da dívida realizando o último roubo arquitetado pelo marido. Para isso, ela entra em contato com as outras três viúvas, Linda (Michelle Rodriguez), Amanda (Carrie Coon) e Alice (Elizabeth Debicki) para que a ajudem a colocar o tal plano em prática. É neste momento que o as camadas do filme se expande e ele foge da cartilha do gênero a que pertence. O roteiro de McQueen e Gillian Flynn (de Garota Exemplar/2014), inspirado na série homônima de Lynda La Plante, começa a explorar o que existe nas entrelinhas desta história para além do luto. Descobrimos que Veronica tem uma ferida que ainda não cicatrizou - e que culpa o estilo de vida do marido por isso, que Linda é mais destemida do que uma dona de loja de vestidos de quinceañera é capaz de sugerir, que Amanda tem lá os seus segredos e Alice tirou um verdadeiro peso de sua vida doméstica. Para além destas personagens existe ainda uma camada política que dá corpo para tudo o que acontece ao redor delas, tornando curioso como esta esfera política é apresentada  com homens não muito confiáveis, seja quando se trata dos Mulligans (Robert Duvall e Colin Farrell) ou dos Mannings (Brian Tyree Henry e Daniel Kaluuya) - e existe uma verdadeira guerra sendo travada aqui e as viúvas pairam em torno dela quase que por acidente. Embora marque sua estreia em  um filme menos autoral, McQueen faz a diferença desde as primeiras cenas, quando mescla a apresentação das esposas com a cena de ação de seus maridos. São cortes rápidos e precisos, que com o uso da cena exata garante a empatia do público com aquelas personagens - e o que sentimos por elas é lapidado até o desfecho. Nesta estrutura, todas as atrizes estão bem. Viola Davis consegue ser  imponente ao mesmo tempo que compõe uma personagem destruída por dentro - uma tarefa complicada que só comprova o quanto ela é uma das melhores atrizes em atividade hoje. Sua elegância ímpar não deixa dúvidas de que faz tempo que ela é uma diva. Viola está muito bem acompanhada por Michelle Rodriguez, que faz tempo não demonstrava ser tão boa atriz (e quase que ela não aceitou o papel por não se achar com o perfil certo para ele).  Elizabeth Debicki dá conta de um papel bem elaborado e consegue fugir de qualquer armadilha de estereótipo que cruze o seu caminho. Carrie Coon tem um papel pequeno, mas o suficiente para deixar sua marca e Cynthia Erivo (que entra para o time quase que de última hora) é uma atriz para se ficar de olho. Conduzido com maestria, o filme cresce costurando drama e suspense com doses  precisas de violência crua - com este clima, o filme me remeteu ao filme de estreia de  McQueen, Fome (2008), não sei se outros irão fazer esta relação, mas ela me pareceu bastante presente.

As Viúvas (Widows / EUA-2018) de Steve McQueen com Viola Davis, Liam Neeson, Elizabeth Debicki, Michelle Williams, Collin Farrell, Daniel Kalluya, Robert Duvall, Cynthia Erivo, Jon Bernthal, Jacki Weaver, Lukas Haas e Garret Dillahunt. ☻☻☻☻