quinta-feira, 23 de setembro de 2021

NªTV: The White Lotus

 
O elenco de White Lotus: grande acerto da temporada.

Sei que o último episódio de Whithe Lotus já foi ao ar faz um tempinho, mas eu estava devendo um post sobre esta brisa de frescor (ainda que ácido) lançado pela HBO em 2021. O programa  conta com um grupo de personagens que tem em comum estar passando uma temporada em um hotel luxuoso no Havaí que dá título à produção. Estão lá o casal em lua de mel, a ricaça que precisa aprender a lidar com suas inseguranças, o casal de férias que a matriarca workaholica não consegue desligar do trabalho, duas amigas que dominam todo o discurso politicamente correto atual (mas é incapaz de realizar uma gentileza com quem quer que seja) e, obviamente, estão os funcionários, entre eles uma mulher prestes a dar à luz, uma massagista dedicada e o gerente que faz o possível para manter a harmonia no local. Aparentemente a ideia do criador Mike White (que assina o texto e dirige os seis episódios) era povoar o paraíso com um grupo de pessoas que vivem uma espécie de inferno astral, afinal, a jovem jornalista que acaba de se casar (Alessandra Daddario) começa a perceber que seu ricaço encantado (Jake Lacy) está bem longe de ser o príncipe que ela imaginava, especialmente quando ele inventa uma pendenga com o gerente do hotel (vivido com gosto por Murray Bartlett) diante da suspeita de que trocaram o quarto para o qual tinham feito reserva. Se a milionária Tanya (Jennifer Coolidge) parece ter problemas para lidar com a morte de sua mãe, a coisa se complica ainda mais perante sua carência e ansiedade diante dos relacionamentos que se anunciam no locoa, no meio de tudo isso está a muito bem sucedida Nicole Mossbacher (que atrevo dizer ser o melhor trabalho de Connie Britton), que trabalha nas férias ao lado do marido paspalho (Steve Zahn), do filho deslocado (Fred Hechinger) e da filha insuportável (Sydney Sweeney) que levou sua comparsa amiga (Britany O'Grady) para as férias com a família. Para atiçar ainda mais a curiosidade do espectador, no primeiro episódio descobrimos que um dos personagens morrerá e, no decorrer dos episódios, não daremos a menor bola para isso (pelo menos até descobrirmos quem foi). O que Mike White faz com os personagens aqui é uma delícia, as relações são sempre tensas, os diálogos sempre se entram em atrito e, por vezes, se desconstroem assim como os personagens - que por vezes agem de formas imprevisíveis. O resultado é uma espiral interessante de relações que se equilibram entre o drama e a comédia com uma rara perfeição. Existe aqui também um retrato sobre várias tensões sociais exploradas com bastante habilidade por White, seja na escrita ou no trabalho com seu elenco. Embora não seja muito conhecido, White é o roteirista de Escola de Rock (2003), mas White Lotus lembra mais das preocupações de Beatriz no Jantar (2017) e aqui alcança o auge de seu olhar astuto sobre as relações de poder. Por conta disso, o programa que torna-se redondinho com cara de minissérie já teve uma nova temporada anunciada pela HBO e se tornou um dos destaques da atual temporada televisiva. 

The White Lotus (EUA-2021) de Mike White com Murray Bartlett, Jake Lacy, Connie Britton, Steve Zahn, Alessandra Daddario, Jennifer Coolidge, Sydney Sweeney, Britany O'Grady, Fred Hechinger, Natasha Hothwell e Kekoa Kekumano. ☻☻☻☻☻

4EVER: Roger Michell

05 de junho de 1956 ✰ 22 de setembro de 2021

Nascido em Pretória na África do Sul e educado em Cambridge, Roger Michell tornou-se cidadão britânico quando adulto. Roger começou sua carreira no teatro e tornou-se assistente de direção do Royal Court, onde trabalhou com Samuel Beckett. No teatro, Michell colaborou com Danny Boyle, Simon Curtis e Antonia Bird e obteve sucesso e prêmios que lhe rendeu convites para dirigir filmes.  No cinema obteve grande sucesso ao dirigir Um Lugar Chamado Notting Hill (1999) estrelado por Julia Roberts e Hugh Grant. Em Hollywood também dirigiu Ben Affleck no bom Fora de Controle (2002). Seus filmes europeus costumavam ser mais densos, muito por conta da constante parceria com Hanif Kureishi, como o é o caso de Recomeçar (2003) e Vênus (2006), que rendeu uma indicação ao Oscar para Peter O'Toole. Seu filme mais recente The Duke (2020) foi aclamado pela crítica e ainda não tem previsão de estreia no Brasil. Michel encontrava-se atualmente na pós-produção de um documentário sobre a Rainha Elizabeth. A causa da morte do cineasta morte não foi divulgada. 

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

PL►Y: Todos Estão Falando Sobre Jamie

 
Richard e Max: nasce uma drag queen. 

No meio da atribulada temporada de ouro passada, de vez em quando alguém apontava que Todos Estão Falando de Jamie poderia ser lembrado nas premiações. Imaginei que o marketing do filme lhe garantiria pelo menos as vagas nas categorias de comédia/musical do Globo de Ouro (o que faria muita mais sentido do que aquela lembrança inexplicável de Music dirigido pela cantora SIA), no entanto, o longa passou em branco nas premiações. Em cartaz no Prime Video, o filme sobre a história do adolescente que sonha em ser drag queen vale uma olhada, mas vá sem muitas expectativas, já que diante do material que tem em mãos, o filme não se afasta muito de sua zona de conforto. O filme conta a história de Jamie New (Max Harwood), um adolescente que não tem problemas de celebrar sua sexualidade após passar anos ouvindo piadinhas e comentários preconceituosos na escola. Quando o filme começa com as conversas em sala de aula sobre "o que você vai ser quando crescer", Jamie afirma que quer ser artista, mas não especifica que a ideia que ganha forma na sua cabeça é se tornar uma drag queen (e ir vestido à caráter no baile de formatura). A maneira como esta ideia se constrói  é o que inspira as músicas que compõem a trilha sonora do filme. Baseado em um musical que se tornou febre na Inglaterra (e depois ganhou versões em outros países), Todos Estão Falando de Jamie traz as músicas que ganharam os palcos e uma canção inédita (que tem o mérito de contextualizar historicamente o surgimento da cultura drag), mas o espetáculo sofre em sua transposição para o cinema. A começar que o roteiro cinematográfico não aprofunda pontos importantes da história como o bullying sofrido pelo personagem, ou a cena de agressão sofrida pelo protagonista, os coadjuvantes também nunca recebem contornos tridimensionais, limitando-se a estereótipos como a amiga motivadora, a mãe zeloza, o valentão idiota, a professora preconceituosa, o pai bronco... além disso, o filme sucumbe (ainda que de maneira bastante estilosa) à sensação de que um musical precisa ser uma colagem de videoclipes (o que por vezes quebra o ritmo da narrativa, não apenas aqui, mas em vários filmes do gênero recentes). O que salva o filme mesmo é o trabalho do estreante Max Harwood que tem momentos luminosos na pele de Jamie e, especialmente, o veterano Richard E. Grant que rouba as cenas em que aparece como Hugo, ou melhor Coco Chanelle - espécie de mentora de Jamie. Não fossem os dois, o filme poderia ser uma decepção pelo excesso de drama pasteurizado que toma o lugar da animação de seu personagem ao longo da sessão. Baseado em uma história real, talvez o que mais me incomode no filme é imaginar que ele investiria em uma pegada mais próxima de Hedwig (2001 - uau, acabei de descobrir que completou vinte anos!!!) ou até Priscila, Rainha do Deserto (1994), mas o filme vai por outro caminho menos festivo e mais inofensivo cinematograficamente. 

Todos Estão Falando de Jamie (Everybody is talking about Jamie/2021) de Jonathan Butterell com Max Harwood, Richard E. Grant, Lauren Patel, Sarah Lancanshire, Samuel Bottomley, Sharon Horgan e Ralph Ineson. ☻☻☻

terça-feira, 21 de setembro de 2021

PL►Y: Kelly + Victor

Julian Morris: tensão sexual sadomasoquista.  

Eu tinha uma espécie de dívida pessoal com Kelly+Victor. Lembro quando o diretor Kieran Evans foi contemplado com o prêmio de Melhor Estreante Britânico no BAFTA de 2012 e o filme ganhou alguma visibilidade no circuito alternativo por conta disso. O filme ainda foi eleito como um dos melhores filmes irlandeses daquele ano e foi indicado ao prêmio da audiência no Festival South by Southwest. Devido ao conteúdo pouco palatável do filme, o longa teve problemas de distribuição por aqui, mas o encontrei perdido no catálogo da GloboPlay ano passado e confesso que não o assisti até o final. Agora me deparei com ele no Prime Video e resolvi cumprir a tarefa por completo. Kelly + Victor é uma história de amor, só que... um cadinho complicada, afinal, o que começa como a velha história do boy meets girl revela ingredientes mais sombrios do  que costumamos ver por aí. Quando Victor (o bom Julian Morris) conhece Kelly (Antonia Campbell-Hughes caprichando na estranheza) e desfrutam de sua primeira noite de sexo, nada é muito convencional, já que Kelly curte uma pegada mais, digamos, agressiva... entre mordidas e simulações de enforcamento, os dois selam ali o início de um relacionamento que evolui aos tropeços. Se Victor é bondoso e segue a rotina de um rapaz comum sem muito o que fazer, Kelly atende homens que curtem levar chicotadas - e aos poucos o roteiro deixa claro que ela sobreviveu a um relacionamento abusivo (que levou o agressor para a prisão por dois anos). Calada e introspectiva, torna-se visível as marcas psicológicas deste relacionamento na vida daquela mulher, no entanto, este teor hardcore de seu temperamento sexual se encaixa com a curiosidade masoquista do comportado Victor, que mesmo após uma cena arrepiante protagonizada no meio do filme, ainda sente que Kelly o complementa de alguma forma. O filme se sustenta bem quando o casal está na tela, mas fica difícil dizer que a cadência do filme é envolvente com as várias cenas que parecem improvisadas e soltas (deixando que o espectador preencha as lacunas sobre aqueles dois personagens). Este jeito cru de fazer cinema pode ser interessante, mas por vezes deixa a sensação que apenas disfarça um roteiro pouco lapidado. Existem tantos aspectos do filme que poderiam ser aprofundados (mas que ficam pelo meio do caminho) que ao chegar na triste cena final, eu só imaginava que era  um desfecho inevitável para aquela relação repleta de fantasmas do passado assombrando o que poderia ser um romance promissor de dois jovens perdidos em suas rotinas solitárias. O filme é baseado no livro de Niall Grifiths e se tornou a primeira experiência do diretor Kieran Evans fora do formato documental, o que explica muito da forma como utiliza sua câmera e conduz sua narrativa ao longo da sessão. 

Kelly + Victor (Irlanda/Reino Unido - 2012) de Kieran Evans com Antonia Campbell-Hughes, Julian Morris, William Ruane, Claire Keelan, Stephen Walters e Michael Ryan. ☻☻☻ 

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

PL►Y: Diários de Intercâmbio

 
Larissa e Jones: desventuras no Tio Sam. 

Primeiro deixa eu explicar que o tempo anda bastante escasso para ver filmes e escrever aqui no blog. Não bastasse as tarefas do trabalho (que me consumiram três finais de semana recentes), uma tia muito querida está internada por conta do Corona Vírus desde agosto. Acho que não precisa dizer como esta mistura influenciou não apenas minha ausência por aqui, como também minha dificuldade em assistir filmes densos nos últimos dias... Na verdade a minha dificuldade foi em conseguir assistir um filme até o final, ou eu desistia perante a chatice ou então dormia de cansaço mesmo. Enfim, desde a última terça-feira estou de férias, mas somente agora consegui algum sossego para retomar as atividades por aqui. Entre as últimas produções que assisti recentemente, uma que ganhou minha simpatia logo de cara foi este Diários de Intercâmbio em cartaz na Netflix. Acho que o principal motivo do filme ter me conquistado é a total ausência de expectativas e, principalmente, a despretensão com que o filme se desenvolve com alguns toques bem espertos no que poderia ser apenas uma comédia adolescente boboca.  O filme conta a história de Bárbara (Larissa Manoela), jovem que trabalha no aeroporto vendendo assinaturas de revista e que nutre o sonho de viajar para o exterior. O início deixa claro que este sonho parece cada vez mais distante... até que ela resolve participar de um programa de intercâmbio para os Estados Unidos e convence sua melhor amiga, Taila (Thati Lopes) a fazer o mesmo. Embora as coisas não saiam exatamente como elas planejaram, o filme avança em uma espécie de colagem de situações que melhoram sempre que flerta com o absurdo. Obviamente que existe um romance no meio do caminho (no caso, o desenrolar do relacionamento da protagonista com um gringo vivido por David Sherod James), que vai perdendo espaço conforme conforme Lucas (Bruno Mantaleone) ganha destaque na história. Lucas é um rapaz brasileiro que vive nos Estados Unidos e precisa ser aprovado em uma faculdade para permanecer com o visto em dia. Ao longo da história as trapalhadas se intensificam e flertam com uma série de temas da relação do Tio Sam com o mundo, seja a forma como os imigrantes são tratados, o apreço dos estadounidenses por armas, as paranoias e sobra até espaço para piadas sobre o famigerado nióbio. Dinâmico e bem-humorado, o filme só perde pontos quando revela uma rocambolesca surpresa no final que é capaz de resolver toda a confusão que assistimos até ali. Se Larissa Manoela (que antes eu conhecia só pelo nome) está correta na pele da mocinha da história, cabe à Thati Lopes roubar a cena como a amiga "politizada" da protagonista que de vez em quando derrapa em suas ideologias. Diários de Intercâmbio é um bom programa para quem precisa dar algumas risadas diante desta pandemia que não passa. 

Diários de Intercâmbio (Brasil/2021) de Bruno Garotti com Larissa Manoela, Thati Lopes, Bruno Mantaleone, David Sherod Jones e Emanuelle Araújo. ☻☻☻ 

domingo, 19 de setembro de 2021

4EVER: Luiz Gustavo

02 de fevereiro de 1934✰ 19 de setembro de 2021

Nascido na cidade de Gotemburgo na Suécia, Luiz Gustavo Sánchez Blanco era filho de diplomata espanhol que veio para o Brasil quando ainda era pequeno. Ele acompanhava a irmã, que era atriz de rádio e o esposo dela (Cassiano Gabus Mendes), achou que o rapaz poderia ingressar na carreira artística. Luiz Gustavo começou a carreira nos anos 1950 e na década seguinte se tornou protagonista de um grande clássico da teledramaturgia brasileira. Em Beto Rockfeller (1968), ele encarnou o anti-herói que se tornou um marco em sua carreira (e o sucesso gerou até um filme dois anos depois). Ator escalado frequentemente em novelas na Rede Globo, Luiz colecionou papéis importantes como o playboy Ricardo (na primeira versão de Anjo Mau/1976), o detetive Mário Fofoca (Elas por Elas/1982 que depois também ganhou as telas com As Aventuras de Mário Fofoca/1982), o estilista fake Victor Valentim (na versão original de Ti Ti Ti/1985 ) e o radialista corrupto Juca Pirama (em O Salvador da Pátria/1989). Seu último grande sucesso na televisão foi na pele do simpático Vavá na sitcom Sai de Baixo ( que também ganhou versão para o cinema em 2019). Ao todo Luiz Gustavo realizou dez longas-metragens ao longo de sua carreira, incluindo O Casamento de Romeu e Julieta (205) e Os Penetras (2012). O ator faleceu em decorrência de um câncer no intestino diagnosticado em 2018. 

sábado, 11 de setembro de 2021

PREMIADOS FESTIVAL DE VENEZA 2021

Happening: o Leão de Ouro foi para a França. 

Após onze dias de Festival, no meio de tantos filmes assinados por cineastas cultuados mundialmente, o Leão de Ouro de Melhor Filme do Festival de Veneza 2021 foi para Happening, filme da diretora Audrey Diwan baseado no romance homônimo de Annie Ernaux sobre uma universitária brilhante que procura meios de realizar um aborto ilegalmente nos anos 1960. O filme chamou tanta atenção que as produções mais aguardadas do Festival acabaram ficando com prêmios secundários - mas que ajuda a lançar holofotes para a temporada de prêmios que se aproxima. Não se surpreenda se alguns dos nomes citados abaixo aparecerem no Oscar do ano que vem. A seguir todos os premiados no influente festival italiano:

Leão de Ouro de Melhor Filme
"Happening" de Audrey Diwan

Grande Prêmio do Júri
"The Hand of God" de Paolo Sorrentino

Melhor Diretor
Jane Campion (The Power of the Dog)

Melhor Ator
John Arcilla (On The Job: The Missing 8)

Melhor Atriz
Penelope Cruz (Madres Paralelas)

Melhor Roteiro
Maggie Gyllenhaal (A Filha Perdida)

Melhor Jovem Ator
Filippo Scotti (The Hand of God)

Prêmio Especial do Júri
"Il Buco" de Michelangelo Frammartino

Leão do Futuro (Melhor Filme de Estreia)
"Imaculat" de Monica Stan e George Chiper-Lillemark


VENEZA HORIZONS — MOSTRA SECUNDÁRIA
Melhor Filme
"Pilgrims" de Laurynas Bareisa

Melhor Diretor
Eric Gravel (Full Time)

Prêmio Especial do Júri
"The Great Movement" de Kiro Russo

Melhor Ator
Piseth Chhun (White Building)

Melhor Atriz
Laure Calamy (Full Time)

Melhor Roteiro
Peter Kerekes e Ivan Ostrochovsky (107 Mothers)

Melhor Curta-Metragem
"Los Huesos" de Cristobal Leon e Joaquin Cocina

terça-feira, 7 de setembro de 2021

NªTV: Superman e Lois

 
Os Lane-Kent: dias agitados para Smallville. 

As últimas semanas foram bastante atribuladas, de forma que tive dificuldades para ver filmes e escrever aqui no blog. Com uma rotina diária bastante cansativa, confesso que um bom refúgio foi a série Superman e Lois disponível no HBOMax e confesso que comecei a ver a série com bastante desconfiança, apesar da excelente receptividade que o programa recebeu. Quem acompanha o blog sabe que não costumo assistir as séries de heróis do CW (ou Arrowverso), costumo assistir aos primeiros episódios e logo começo a achar cansativo no tom infanto-juvenil demais. Acho que justamente por ter um verniz mais adulto em torno do super-herói aqui, esta nova incursão do Superman na telinha me pegou de jeito. Pois é, fiquei velho. Quando ouvi falar da ideia centrada em Superman e Lois eu imaginei que seria uma refilmagem da cultuada Lois e Clark (1993-1997) que lançou Dean Cain e Terri Hatcher ao estrelato... mas ainda bem que ao invés de uma reciclagem, os criadores optaram por uma ideia completamente diferente. Depois de apresentar o kryptoniano mais querido da Terra em Supergirl e aproveita-lo na saga Crise das Infinitas Terras, Kal'El ganhou uma série para chamar de sua... ou quase, já que a série é tão dele quanto de toda a família do moço. Afinal, Clark Kent (vivido por Tyler Hoechlin, que se você não lembra era o filho do Tom Hanks em Estrada para Perdição/2002) é casado com Lois Lane (Elizabeth Tullock em um trabalho que homenageia a atuação de Margot Kidder nos primeiros filmes do herói),  juntos eles possuem dois filhos bem diferentes que são gêmeos, o deslocado Jordan (Alexander Garfin) e o popular Jonathan (Jordan Elsass que ficou conhecido por seu trabalho em Little Fires Everywhere/2020). A primeira temporada começa com uma guinada na vida do casal, já que Clark é demitido quando muda o proprietário do Planeta Diário e, insatisfeita com os novos rumos do jornal, Lois pede demissão. Juntos se mudam para a pequena Smallville em busca de uma vida mais tranquila, mas não fazem ideia de que esteja onde estiver, o Homem de Aço nunca terá sossego - e a proximidade do herói com o sogro, Sam Lane (Dylan Walsh) intensifica bastante a situação. Não vou contar muito sobre a temporada inicial para não estragar as surpresas, mas o programa consegue fazer um trabalho bastante competente e respeitoso com o universo do Superman, sempre mesclando os desafios de Clark enquanto esposo e pai, sem perder de vista o quanto sua identidade heroica afeta sua família. Vale destacar que a série ainda consegue fazer uma relação interessante do programa com a cultuada Smallville (2001-2011), especialmente pela presença da ex-namorada Lana (Emmanuelle Chriqui), que ao invés de ser apresentada como rival de Lois, se torna importante aliada na trama da temporada em torno do estranho interesse de um rico empresário pela cidadezinha. Ao ampliar os coadjuvantes ao longo da trama, o programa cria possibilidades que geram fôlego mais que eficiente para os quinze episódios da temporada. Diante do resultado, mostra-se uma excelente ideia ter testado o personagem (que já haviam considerado saturado para novos projetos), enquanto elaboravam uma nova concepção para Superman na telinha. Conciliando ação, dramas, bons efeitos especiais, o programa já garantiu uma nova temporada para o próximo ano (e poderia servir de ponto de mudança nas outras séries da DC na CW que andam precisando de uma repaginada). 

Superman e Lois (Superman and Lois/ EUA - 2021) de Greg Berlanti e Todd Helbing com Tyler Hoechlin, Elizabeth Tulloch, Jordan Elsass, Alex Garfin, Inde Navarrette, Emmanulle Chriqui, Adam Rayner, Erik Valdez e Dylan Walsh. ☻☻☻☻

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

4EVER: Michael Kenneth Williams

 
22 de novembro de 1966 ✰ 06 de setembro de 2021

Nascido no Brooklyn, Michael Kenneth Williams era filho de uma Bahamense e um americano da Carolina do Sul. Ao longo da vida,  Michael descobriu laços familiares com habitantes de Serra Leoa e manteve suas origens sempre presentes em sua vida. Após alguns problemas na adolescência, Michael começou a se dedicar ao teatro, ingressando no National Black Theatre de Nova York. Aos 22 anos ele se tornou dançarino e participou de vídeos de artistas como Madonna e George Michael, chegando até a coreografar clipes de alguns artistas nos anos 1990. Ele começou a fazer filmes em 1996 e apesar de em sua carreira ter participado de longas importantes como Vivendo no Limite (1999), Medo da Verdade (2007), A Estrada (2009) e 12 Anos de Escravidão (2013), foi na televisão que o ator conseguiu os maiores destaques de sua carreira, sendo cinco vezes indicado ao Emmy por trabalhos sensacionais vistos em programas como The Night Of (2016), Olhos que Condenam (2019) e Lovecraft Country (2020) - faltou a indicação por seu papel antológico em The Wire (2002-2008). O ator faleceu de causa ainda desconhecida.