sábado, 14 de julho de 2012

DVD: Um Gato em Paris

Nico, Zoé e Felino: praticantes de Le Parkour. 

Muita gente foi pega de surpresa quando esta animação francesa cravou uma indicação ao Oscar de animação. Na verdade, quem teve a oportunidade de assisti-la nas poucas salas em que era exibida no Brasil não estranhou muito. O trabalho de Jean Loup Felicioli e Alain Gagnol é de um visual impressionante, que lembra um livro infanto-juvenil em movimento. Não tenho nada contra animações feitas em computação gráfica, mas com o modismo, os desenhos feitos no formato tradicional acabam quebrando a mesmice - principalmente se o traço não tem a intenção de repetir o estilo Disney de desenhar e contar suas histórias. Além do traço estiloso, Um Gato em Paris possui uma trama bastante original, que flerta com histórias policiais sem perder sua leveza. Quem é dono de felinos deve ter cansado de especular para onde eles vão quando deixam o conforto do lar e vão se aventurar pela noite da vizinhança. Este foi o ponto de partida de Gagnol para criar o filme. Zoé é uma menina que não pronuncia uma palavra, ela mora com a mãe e um gatinho que à noite se aventura ao lado de um ladrão, Nico. Depois de suas aventuras ele volta para casa e se rende aos carinhos da menina - e às implicâncias da babá que toma conta de Zoé enquanto a mãe dela trabalha. A mãe de Zoé, Jeanne é uma delegada que está intrigada com as pistas de um certo ladrão de jóias que deixa vestígios felinos como pêlos e patinhas pelo chão. Além disso, Jeanne tem a chance de capturar o gangster Victor Costa, responsável pela morte do seu esposo policial e a oportunidade para isso se aproxima com a chegada à cidade de um artefato raro que chama a atenção do bandido. O problema é que o interesse de Nico pela mesma peça irá gerar algumas confusões que colocarão Zoé em perigo. O roteiro de Alain Gagnol capricha na criação da ação e gera cenas de perseguição pelos telhados parisienses como se todos em cena fossem praticantes de parkour. Com ritmo e tensão crescente embalando o traço estiloso,  o único problema do filme é a duração (70 minutos). O roteiro é um exemplo de concisão, mas se fosse mais longo daria para aprofundar mais a relação que se anuncia entre o "bom ladrão" Nico e Jeanne. De todos os personagens é Nico o menos desenvolvido, mas seu traço tem tanto charme que nem ligamos para isso, torcemos por ele porque diante do vilão em cena, Nico se torna protetor de Zoé. A animação foi um sucesso nos cinemas franceses (rendendo mais de um milhão nas bilheterias) e conquistou fãs pelo mundo pela coesão com que apresenta seu traço infantil embalando uma trama que deve agradar muita gente grande. A forma como o filme reproduz os movimentos do bichano e dos gatunos sobre os telhados é de uma precisão impressionante, um detalhe técnico que torna-se uma saborosa cereja neste filme que entra na lista de animações cultuadas e cheias de estilo. 

Um Gato em Paris (Une Vie de Chat/França-2011) de Jean Loup Felicioli e Alain Gagnol com vozes de Dominique Blanc, Bruno Salomone e Oriane Zani ☻☻☻☻

DVD: Larry Crowne

Vendo Larry Crowne nem dá para acreditar que se fosse lançado na década de 1990 seria um dos filmes mais badalados do ano. O motivo? Juntar Tom Hanks e Julia Roberts na mesma tela numa comédia romântica. Diferente do que percebemos hoje, a década de 1990 foi o período em que os grandes astros ditavam as regras e bilheterias milionárias, foi assim que Hanks se tornou o astro mais popular daquela época, chegando a ganhar o Oscar de ator por dois anos seguidos (pelos ótimos Filadélfia/1993 e Forrest Gump/1994) e Julia foi a primeira atriz a romper a barreira dos 20 milhões de dólares por filme. Como o tempo passa, o tempo voa e a poupança Bamerindus nem existe mais, Larry Crowne não empolgou nas bilheterias e assistindo ao filme você vai saber automaticamente motivo. O filme embarca num dos temas favoritos do recente cinema americano: a crise econômica. A diferença é que falta uma história consistente, ou pelo menos que entregue alguma novidade para o espectador. Deve colaborar para isso o fato de ser a segunda experiência de  Hanks na direção. Se o ator conseguia imprimir algum apelo pop na direção do simpático The Wonders (1996), aqui ele se contenta em fazer o mais trivial feijão com arroz. O pior é que se esmero em ganhar nossa simpatia acabou deixando tudo insosso demais (mas o que esperar de um roteiro escrito por Hanks e a amiga Nia Vardalos?). O astro interpreta o personagem título, um homem solitário que perde o emprego por não ter feito um curso universitário e que acaba indo para a faculdade. Como aluno, Crowne é esforçado, mas o roteiro não se concentra nos estudos do personagem ou em seu novo emprego, prefere se concentrar na sua amizade com uma colega boazinha e atiradinha (Gugu Mbatha-Raw) que namora o líder de um grupo de motoqueiros bonzinhos (Wilder Valderrama), além das aulas de Larry com a professora Mercedes Tainot (Julia Roberts). Se Hanks continua sendo o bom moço, Roberts tem investido cada vez mais em ser megera (basta lembrar que seu papel mais recente no cinema foi a Bruxa madrasta da Branca de Neve em Espelho, Espelho Meu/2011). Sua Marcedes é uma chata com cara de tédio que prefere ganhar sem ter que dar aula. Suas aulas de retórica são pura enrolação, assim como o seu casamento com um coroa que prefere gastar o tempo na internet do que trabalhar. Enfim é uma mal amada (ou uma mala amada?). Claro que tudo vai se resolver quando subitamente quando Crowne e Mercy descobrirem uma atração mútua que surge feito mágica no roteiro! Não lembro de ter visto um filme em que o casal se descobre apaixonado de forma tão repentina e transformadora. Afinal, basta a mulher se apaixonar para que se torne uma professora agradável para seus alunos e uma pessoa melhor para os que a cerca! Não vou nem mencionar os coadjuvantes, já que nem o roteiro se preocupou em desenvolvê-los com alguma atenção - e olha que Hanks conseguiu agregar Pam Grier e Taraji P. Henson para fazerem absolutamente nada, ou melhor, são apenas mais personagens boazinhas que cercam os protagonistas. Tudo soa tão artificial em Larry  Crowne que nem as piadinhas chegam a funcionar (Hanks surpreendido de cueca? Celebrando um beijo enquanto é flagrado pelo olho mágico?), tirando o professor de economia com o senso de humor mais estranho do cinema nada tem muita graça. Larry Crowne pode até despertar alguma simpatia da plateia, mas está longe de ser um filme memorável, colabora para isso até o acréscimo enganoso que recebeu no título por aqui ("O amor está de volta"? Se ele é assim nem precisa voltar!). Algum amigo deveria dizer para Hanks que qualquer diretor  principiante desconhecido poderia ter feito um filme assim, só que ele permaneceria sendo um desconhecido. Só para lembrar, essa é a segunda vez que Hanks e Julia trabalham juntos no cinema, a primeira vez foi no igualmente decepcionante Jogos do Poder (2007) de Mike Nichols. Acho melhor o ator voltar a fazer filmes com Meg Ryan!

Roberts e Hanks: faltou sal.

Larry Crowne (EUA/2011) de Tom Hanks com Tom Hanks, Julia Roberts, Pam Grier e Rita Wilson. ☻☻ 

terça-feira, 10 de julho de 2012

FILMED+: O Escafandro e a Borboleta

Obra-prima: Almaric  através do espelho. 

Antes de O Artista levar o Oscar de Melhor Filme para a França quem chegou mais perto do prêmio principal da Academia foi O Escafandro e A Borboleta de Julian Schnabel, mas acabou concorrendo somente nas categorias de direção, fotografia, roteiro adaptado e edição (isso não cria um concorrente a melhor filme?). Sei que muita gente estranha este nome, mas ele consegue ser bastante fiel ao que vemos na tela, tanto em sua carga metafórica quanto na sensação que temos ao assistir Schnabel misturar imagens à narrativa em off na história de Jean Dominic Bauby (vivido por Mathieu Almaric), editor da Elle francesa que sofreu um AVC e ficou impossibilitado de se locomover. O melhor de tudo é que mais do que contar uma história de superação, Schnabel opta pelo mais difícil e acerta em cheio. Nos primeiros momentos a câmera nos apresenta o universo em torno de Dominic pelos olhos do próprio personagem, basta esses momentos para que possamos entender plenamente a proposta da narrativa: expor como aquele corpo quase totalmente inerte tornou-se uma prisão para a mente do protagonista. Diante deste quadro, Dominic precisou encontrar outra forma de se comunicar com o mundo, com a ajuda de duas especialistas (Marie Joseé Croze e Anne Consigny) aprendeu a comunicar-se através da única parte do corpo que consegue controlar: o olho esquerdo. De início o personagem é todo angústia e ceticismo, questionando qual a motivação de viver assim, acrescente a isso o fato de Bauby ter construído uma carreira cercada de modelos num mundo que da comercialização do que é considerado estéticamente perfeito e terá uma ideia de como a experiência era devastadora ao personagem. Somente na metade do filme o personagem deixa de ter pena de si mesmo e sai do casulo. A partir deste ponto a trama se torna ainda mais fascinante ao nos darmos conta de que o filme é baseado no livro de memórias do verdadeiro Jean Dominic Bauby, que ditou cada palavra através de milhões de piscadelas. O filme se torna cada vez mais reflexivo quando o personagem mergulha nas memórias e em sua conturbada vida familiar, sua relação com os filhos, com o pai, com a ex-mulher e com a atual companheira. Neste universo particular, ganha destaque a atuação da senhora Roman Polanski, Emmanuelle Seigner que alcança aqui os seus melhores momentos como atriz. Em cada cena a paixão que ainda sente por Dominic é latente, assim como suas mágoas e frustrações com a relação. Ela torna-se o contraponto perfeito para a personalidade de Bauby - que ainda consegue ter momentos de surpreendente bom humor. Sem a preocupação de criar um herói isento de defeitos ou alguém castigado pelo destino, o filme constrói uma história de  personagens fortes direcionados com grande vigor pelo cineasta. Além disso, é fascinante ver um ator de verdade em serviço, daqueles que com um olhar pode transmitir todos os pensamentos de seu personagem. Schnabel  tem uma grande atração por personagens criativos, foi assim como seu primeiro filme Basquiat (1996) sobre o artista plástico apadrinhado por Andy Warhol e permaneceu no seguinte Antes do Anoitecer (2000), onde já demonstrava ser capaz de traduzir uma escrita poética em imagens com grande competência. Com O Escafandro e a Borbolerta, Schnabel parece ter encontrado a maturidade como cineasta, as imagens utilizadas por ele são espetaculares na expressão do fluxo mental do personagem. Optando por criar um filme que em momento algum se contenta em ser uma obra sobre superação, Schnabel constrói uma obra-prima que retrata, com magistral habilidade, o sabor agridoce de viver. 

O Escafandro e a Borboleta (Le Escaphandre et le Papillon/França-EUA-2007) de Julian Schnabel com Mathieu Almaric, Emanuelle Seigner, Marie Joseé Croze, Anne Consigny, Max Von Sydow e Marina Hands. ☻☻☻☻☻

domingo, 8 de julho de 2012

DVD: O Artista

Dujardin e Bejo: homenagem ao cinema mudo.

Em tempos de tantas tecnologias, efeitos especiais e atores que são cada vez mais desvalorizados frente às franquias milionárias é, no mínimo, curioso que a Academia tenha conferido cinco Oscars a um filme como O Artista. Todo mundo deve saber que entre os nove indicados ao prêmio desse ano este  era o único em preto e branco e que reproduz a linguagem do cinema mudo, uma ousadia do cineasta Michel Hazanavicius que chamou atenção assim que foi exibido em Cannes. Bastou o filme ser distribuído nos EUA para ser adorado pelos críticos e pela classe artística. Pode-se dizer que acarretou uma onda nostálgica que culminou na noite de entrega do Oscar com um lobby fortíssimo dos irmãos Weinstein que venderam o filme como uma obra-prima. Nesse processo ajudou um bocado que a Academia tenha um je-ne-sais-quoi pelas produções francesas e estar faminta por um galã do quilate de Jean Dujardin. Apesar de todos os elogios e prêmios, não consigo ver o filme como algo mais do que uma brincadeira com o cinema mudo. É verdade que é belíssimamente produzido, com precioso detalhismo nos figurinos, na trilha sonora, na fotografia, mas toda a originalidade do filme está mais na forma do que no conteúdo, já que as dores da transição do cinema mudo para o falado já foi abordado várias vezes no cinema com maior densidade (como nos clássicos Cantanto na Chuva/1952 e Crepúsculo dos Deuses/1950) e O Artista é até despretensioso na forma como constrói uma comédia romântica neste ambiente. George Valentin é um galã do cinema mudo e acidentalmente acaba descobrindo uma aspirante à atriz que fará muito sucesso. Ela se chama Peppy Miller (a argentina Bérénice Bejo, indicada ao Oscar de coadjuvante) e ascenderá nas telas à medida que o cinema falado ganha espaço e Valentin perde o seu prestígio por considerar os filmes falados uma moda passageira.  Valentin se tornará um astro decante e se encontrará com Miller várias vezes - especialmente quando ninguém mais lembrar dele e Peppy lhe der uma ajudinha. O que deve ter atraído tanta repercussão é a agilidade e simpatia com que Hazanavicius incorpora a época retratada  (entre 1927 e 1932) ao filme  com a ajuda inestimável da patroa (Bejo é casada com o cineasta) e mais ainda de Dujardin. Dizem que o ator tinha fama de canastrão até receber o prêmio de melhor ator em Cannes no ano passado, mas a forma como consegue costurar as pantominas do cinema mudo com os momentos mais dramáticos de seu personagem lhe valeram ainda o Globo de Ouro de melhor ator de comédia/musical, o prêmio do Sindicato dos Atores nos EUA, BAFTA e o Oscar. Houve quem torcesse o nariz para o moço, mas convenhamos que o artista perderia muito se não contasse com o seu carisma (que considero muito semelhante ao de Hugh Jackman). Dujardin não poupa esforços para agradar, dança, sapateia, faz caretas, interpreta com um cachorrinho, ameaça matar-se, sorri, chora e se desespera quando percebe não emitir som. Outro mérito do filme é o roteiro que brinca o tempo inteiro com o fato dos personagens não oralizarem os diálogos - dizem que demorou quatro meses para ficar pronto, ou seja, até atingir o ponto de tornar-se compreensível sem o uso exagerado de legendas. Tantas qualidades resulta numa homenagem engraçadinha ao cinema mudo e que reserva sua ousadia ao formato que poucos topariam em Hollywood - mas que atraiu produtores e atores americanos para a empreitada, portanto, não estranhe as letras e diálogos em inglês. Hazanavicius sabia que esse detalhe faria a diferença perante a Academia.


O Artista (Le Artist/França-Bélgica -2011) de Michel Hazanavicius com Jean Dujardin, Bérénice Bejo, James Cromwell, John Goodman e Penelope Ann Miller. ☻☻☻

DVD: A Invenção de Hugo Cabret

Hugo e seu pai: o segredo está no cinema. 

É realmente interessante ver Martin Scorsese criando um filme a partir de um livro infantil, mais interessante foi vê-lo trabalhar com uma tecnologia tão moderna quanto a de fazer filmes em 3D com grande desenvoltura. Acho que dos grandes cineastas surgidos nos Estados Unidos na década de 1970 ele é o único que não se acomodou (vocês precisam me convencer que Brian dePalma, Francis Ford Coppola, George Lucas e até Steven Spielberg não se acomodaram). Depois da esnobada recebida pela Academia com Ilha do Medo (2010), acho que Scorsese não fazia ideia do efeito que seu olhar sobre a história do cinema causaria nas plateias. Embora A Invenção de Hugo Cabret não tenha se tornado um arrasa quarteirão é difícil ficar indiferente a ele. Hugo (Asa Butterfield) é um órfão que vive numa estação de trem ajustando relógios e encontrando peças para terminar uma máquina deixada por seu pai (Jude Law). Trata-se de um autômato, uma espécie de robô simplório que só pode ser ativado com uma chave em formato de coração. Para desespero de Hugo, um caderno de anotações com instruções para fazê-lo funcionar é pego pelo dono da loja que conserta brinquedos (Ben Kingsley). A partir desse momento o caminhos desses dois personagens ficarão unidos até o fim da sessão, mesmo que um não simpatize muito com o outro. Depois que encontra a menina Isabelle (Chloë Grace Moretz)., Hugo descobre que existe uma conexão entre o autômato e aquele senhor mal humorado que antes era conhecido como o cineasta Georges Méliès (que ressente-se de ter sido esquecido pelo tempo). A ideia do tempo é fundamental à trama, está presente em cada cena com os inúmeros relógios que Scorsese espalha pelos cenários e, mais do que isso, Scorsese parece dizer que tudo é parte de uma engrenagem para que as coisas funcionem. Pode-se interpretar isso como a forma que os personagens se misturam ou na maneira de cada avanço tecológico surgir enquanto peça do mecanismo de se fazer e pensar cinema nos dias atuais. Quem viu o filme no cinema deve ter percebido o quão fascinante era assistir a chegada do trem na estação dos irmãos Lumiére e ter a sensação de que o trem sairia da tela (e o 3D excepcional do filme ajuda nessa experiência), da mesma forma as ideias inovadoras dos filmes de Méliès, um pioneiro em efeitos visuais, também renascem na concepção de Scorsese. O que deve ter atrapalhado o sucesso do filme é o fato de ser arrastado e sério demais para empolgar o público infanto-juvenil, ao mesmo tempo pode ser considerado pueril demais para as plateias adultas. Quem deve aproveitar melhor as ideias de Scorsese são os fascinados pela história do cinema e aqueles capazes de enxergar no filme algo mais do que mais uma história de um garoto órfão. Não que a maioria reclame do visual e das atuações que o diretor arranca de seu elenco, apesar de conseguir a atuação mais elaborada de Sacha Baron Cohen na pele do guarda da estação que persegue órfãos, é o menino Butterfield que garante os melhores momentos com seus olhos mágicos capazes de derreter uma geleira. Num ano em que a nostalgia dominou o Oscar, o filme ganhou os prêmios de fotografia, direção de arte, edição de som, som e efeitos visuais perdendo os outros seis a que concorria (incluindo filme e direção para outra pérola nostálgica: O Artista).

A Invenção de Hugo Cabret (Hugo/EUA-2011) de Martin Scorsese com Asa Butterfield, Chloë Grace Moretz, Ben Kingsley, Sacha Baron Cohen, Jude Law, Ray Winstone, Emily Mortimer, Christopher Lee e Ray Winstone. ☻☻☻☻

HOMEM ARANHA: PRIMEIRA TRILOGIA

Spider Man 3: em luto por Tobey "Parker"
Acho que ninguém entendeu muito bem porque resolveram reinventar as aventuras de Spider Man no cinema com O Espetacular Homem Aranha que acaba de chegar aos cinemas. Mesmo que uma produção capitaneada por Marc Webb (500 Dias com Ela/2009) estrelada pelo badalado casal Andrew Garfield e Emma Stone não mereça desprezo, as aventuras em que Peter Parker tem a cara de Tobey Maguire (e o estilo de Sam Raimi) ainda estão muito frescas na memória. Falando assim nem parece que o primeiro filme do Homem Aranha chegou aos cinemas há uma década. Foi em 2002 que o herói aracnídeo chegou às telas. Todo mundo se derreteu em elogios a Tobey Maguire (diziam que ele tinha nascido para ser Peter Parker), os fãs ficaram boquiabertos com os efeitos especiais que faziam o herói se pendurar nas teias entre os prédios de Nova York e o apelo do filme foi ainda maior com a ênfase que a produção deu ao romance de Parker com Mary Jane (Kirsten Dunst). Toda a desconfiança que paira sobre O Espetacular Homem Aranha reside sobre as semelhanças com este primeiro longa da franquia - que apresenta como o nerd Parker recebeu super-poderes ao ser atacado por uma aranha  modificada genéticamente. O rapaz franzino tem seus músculos anabolizados da noite para o dia e recebe maior agilidade, além de  habilidades como lançar teias e se pendurar em paredes. Todo mundo se identificou com o herói adolescente que era perseguido na escola, tentava conquistar a garota dos seus sonhos e ainda tentava conseguir emprego (e o trabalho como fotógrafo freelance até que melhorou com as fotos exclusivas do Aranha). Raimi conferiu um estilo inconfundível ao filme, a fotografia solar e um humor que primava pela ingenuidade resgatavam o clima dos primórdios do herói nas HQs, além disso o longa conferiu um slogan à franquia: "grandes poderes trazem grandes responsabilidades". O ponto mais criticado do filme foi o vilão Duende Verde (Willem Dafoe), que se esconde sobre a identidade do Dr. Norman Osborne, pai do melhor amigo de Peter, Harry (James Franco) - que não por acaso, disputa com Peter o coração de Mary Jane. A cena em que o herói é salvo pelos civis de Nova York foi uma das coisas mais bem boladas da história. Com boas cenas de ação e história amarradinha, o filme serviu como excelente cartão de apresentação da franquia  e apresentou todos os elementos necessários para as próximas aventuras do herói na telona. 

A primeira aventura: beijo histórico. 

Sem a pressão da primeira aventura Homem Aranha 2 (2004) é considerado por muitos o melhor da franquia. O motivo para isso é o roteiro mais elaborado que se preocupar mais em aprofundar o personagem do que gerar cenas de ação. Sam Raimi se preocupou com os dilemas de Parker em preservar sua identidade secreta e com a crise gerada pela ausência do tio. Essa crise existencial aumenta quando seu romance com Mary Jane passa a ser ameaçada pela agenda ocupada do herói. Não bastasse todos esses problemas na vida pessoal, o filme tem como vilão o Doutor Octopus (Alfred Molina) que é desenvolvido com mais generosidade pelo roteiro. Assim como o Duende Verde, trata-se de um cientista que tem o seu lado sombrio despertado por uma de suas invenções, no entanto, o roteiro consegue construí-lo não de forma maniqueísta, mostrando-o mais como prisioneiro de sua criação. Correndo por fora na trama ainda está Harry Osborne que nutre um desejo de vingança contra o herói aracnídeo (a quem atribui a morte de seu pai). Se Harry tem contas a ajustar com Spider Man, com Peter Parker ele ainda precisa resolver sua relação com Mary Jane. Com um tempo de duração maior, Sam Raimi conseguiu realizar o filme que queria. Com tom mais dramático e reviravoltas, o filme consolidou a franquia como uma das mais lucrativas do século XXI e tornou ainda mais certo uma terceira aventura. Acho que só a o estúdio não gostou desta segunda aventura, já que em Homem Aranha 3 o estúdio resolveu tomar as rédeas da aventura com o objetivo de acrescentar coisas demais numa estrutura que já se mostrava funcional. No terceiro filme, os traumas de Parker com relação à morte de seu tio voltam à trama. Parker descobre que Flint Marco (o ótimo Thomas Haden Church), o assassino de seu tio está fora da prisão e não vai demorar muito para que o herói descubra que o vilão recebeu super-poderes num acidente nuclear, tornando-se o Homem-Areia. Os dramas do Homem Areia e seu confronto com o Homem Aranha já seriam suficientes para segurar o filme, mas ainda resolveram colocar Harry Osborne como um novo Duende Verde e arranjar espaço para Venom, malfeitor construído a partir da substância alienígena que alterou o uniforme original do herói e despertou seu lado mais sinistro - ou eu deveria dizer emo? Para ameaçar o território de Mary Jane ainda arranjaram lugar para Gwen Stacy (Bryce Dallas Howard) numa aparição totalmente fora do contexto das HQs. Como dá para perceber, o filme peca pelo excesso: muitos personagens, muitas subtramas, muitas coisas para resolver em suas duas horas e vinte minutos de duração. O desespero em "renovar" o personagem rendeu cenas questionáveis e que serviu de pretexto para começar do zero a franquia. Uma pena, já que Sam Raimi cogitava colocar as coisas nos trilhos na quarta aventura que foi abortada pelo estúdio depois de argumentar problemas com as agendas dos envolvidos. 

Spider Man2: réquiem para um herói. 

Homem Aranha (Spider Man/EUA-2002) de Sam Raimi com Tobey Maguire, Kirsten Dunst, James Franco, Willem Dafoe, J.K. Simmons e Rosemary Harris ☻☻☻☻

Homem Aranha 2 (Spider Man2/EUA-2004) de Sam Raimi com Tobey Maguire, Kirsten Dunst, Alfred Molina, James Franco e Rosemary Harris ☻☻☻☻

Homem Aranha 3 (Spider Man3/EUA-2007) de Sam Raimi com Tobey Maguire, Kirsten Dunst, James Franco, Thomas Haden Church, Topher Grace, Rosemary Harris e Bryce Dallas Howard ☻☻ 

sábado, 7 de julho de 2012

DVD: Coriolano

Fiennes e Butler: no meio do caminho. 

Ralph Fiennes é um ator consagrado que no ano passado resolveu estrear na direção. Todo mundo se empolgou com as possibilidades do ator mostrar seu talento atrás das câmeras e o fato de reunir um elenco encabeçado por ele, Vanessa Redgrave, Jessica Chastain, Bryan Cox, Gerard Butler e James Nesbitt só fez a expectativa crescer ainda mais! Acho que nem precisa mencionar que sua primeira aventura como cineasta é a adaptação de um texto shakesperiano. Fiennes tem grande familiaridade com o bardo inglês, sua montagem de Hamlet nos palcos londrinos está entre os grandes momentos de seu currículo - e tudo fazia crer que seu filme poderia até figurar entre os indicados ao Oscar. Quem vê o filme lançado direto nas prateleiras irá perceber que algo não deu certo nessa empreitada e ganha um doce quem adivinhar por que as coisas acabam não funcionando. Fiennes cai na armadilha de oitenta por cento das pessoas que levam Shakespeare para as telas: o texto. Obviamente que o texto do escritor é digno de todos os elogios, mas não podemos esquecer que foi escrito para o teatro, portanto, existem palavras que estão ali para dar ênfase a sentimentos que não contam com um telão para exibi-los. Basta lembrar que no teatro o cara da primeira fileira tem que ver a mesma intensidade que o rapaz sentado na última cadeira. Manter falas empoladas e muito detalhadas dos palcos num filme costuma aborrecer por serem desnecessárias no cinema, afinal, um bom ator é capaz de mostrar a emoção na medida certa para a telona com um gesto ou olhar. Fiennes teve a boa ideia de fugir do óbvio ao escolher uma das peças menos conhecidas de Shakespeare, tem o bom senso de lapidar parte dos diálogos para uma contextualização mais contemporânea da trama, mas tenho a sensação que no meio do caminho se acovardou e optou por tornar tudo cada vez mais óbvio e reverente,  o resultado é uma espécie de colcha de retalhos de tudo que já foi feito em nome de modernizar a obra shakesperiana. Caius Martius Coriolanus (Ralph Fiennes) é um general repleto de fúria e cicatrizes que apesar de desprezar o povo de seu país (que no filme se auto-intitula Roma) tem grandes pretensões políticas. Suas ambições foram motivadas desde muito cedo pela mãe controladora, Volumnia (Vanessa Redgrave) que mesmo no conforto do lar o trata em regime militar. Tanto rigor faz com que sua esposa (Jessica Chastain) até estranhe o homem com que se casou. A ascenção de Coriolanus ao posto de cônsul ganha fôlego após sua batalha com seu inimigo guerrilheiro Tullus Aufidius (Gerard Butler), mas, ciente dos planos autocratas do futuro cônsul, a mídia lidera a população numa campanha contra Caius Martius. Centrada praticamente num jogo político, Fiennes insere cenas de guerra movimentadas no início e ideias interessantes pelo caminho (a melhor delas é fazer Coriolanus ser julgado num programa de TV e não em um tribunal), mas não consegue criar uma narrativa harmônica para o que tem em mãos. É gritante a marcação dos atos da peça no filme e o fato de militares travarem diálogos cheios de firulas torna tudo ainda mais esquisito. Embora o elenco se esforce, Fiennes não consegue fazer com que os colegas digam seus diálogos de forma menos teatral (e as legendas em português tendem a piorar isso com emprego demasiado da terceira pessoa nas falas) e, curiosamente, Fiennes deveria ter deixado o ego de lado e deixado o papel principal para outro ator. Ao acumular funções, o diretor parece ter mais cuidado com as atuações de seus colegas de elenco do que com a dele que está bastante exagerado (quem sabe de seu papel como Lorde Voldemort pode até imaginar que está vendo uma espécie de passado do personagem inimigo de Harry Potter). Ao centrar somente na fúria de Coriolano faltou sutileza em sua atuação, o que acaba comprometendo todo o filme. Sendo assim, nem quando se une ao seu inimigo para se vingar da cidade que o baniu o filme chega a empolgar. Resta a força da trama que entre ser modernizada ou reverenciada, ficou no meio do caminho.   

Coriolano (Coriolanus/Reino Unido - 2011) de Ralph Fiennes com Ralph Fiennes, Vanessa Redgrave, Gerard Butler, Jessica Chastain, James Nesbitt e Bryan Cox. ☻☻

segunda-feira, 2 de julho de 2012

DVD: XXY

Álvaro e Alex: descobertas e hermafroditismo. 

A adolescência não é um período fácil para ninguém. Embora alguns enfrentem este momento da vida com maior tranquilidade, a grande maioria enfrenta dilemas enquanto constroem a personalidade e tentam decidir o rumo de suas vidas. Misture a explosão hormonal de meninos e meninas e teremos uma ideia de como as coisas ficam mais complicadas quando a identidade sexual de cada um começa a se formar. Questões de gênero, heterossexualismo, homossexualismo, homoafetividade, bissexualidade são abordados em vários filmes sobre adolescência, mas a diretora Lucía Puenzo quis enriquecer ainda mais esses temas colocando uma protagonista hermafrodita em seu cultuado filme XXY. Premiado na Semana da Crítica do Festival de Cannes em 2007, o filme gira em torno de Alex (Inés Efron), que é aparentemente uma garota de quinze anos. Ela vive com os pais num vilarejo praiano, cercado de pescadores e, ao que tudo indica, começou a ter problemas com um rapaz da região. Aparentemente a garota vive dilemas comuns de sua idade, mas aos poucos percebemos que existem alguns segredos em torno dela. Ela parou de tomar os hormônios que mantêm suas características femininas e se tornou cada vez mais agressiva com os meninos, além disso os pais mencionam que fugiram para aquele lugar em busca de isolamento para que a filha não chamasse atenção na cidade grande. Existe toda uma estrutura cômoda para que Alex seja preservada, mas esta começa a desmontar quando recebem uma família de visitantes. Ramiro (Germán Palacios) é um cirurgião que está interessado pelo caso da garota e disposto a resolver sua situação com uma intervenção cirúrgica. Kraken (Ricardo Darín), pai de Alex, não parece se empolgar com a ideia e nem a própria Alex que começa a sentir seu corpo de forma diferente numa sexualidade híbrida que pode confundir os mais conservadores. Para aumentar a libido de Alex existe o filho do tal médico, Álvaro (Martin Piroyansky) que é respeitador o suficiente para evitar as insistentes investidas da garota - até o momento em que se rende aos encantos da mocinha. A cena em Alex mostra definitivamente para Álvaro quem está no comando  promete dar um nó na cabeça de muita gente. É neste momento que o filme de Puenzo escancara sua temática principal: a sexualidade como algo totalmente pessoal. Ali, nosso olhar sobre o filme muda e percebemos que não estamos falando de hermafroditismo, mas sobre quem deve decidir quem um ou outro deve ser. Nos damos conta que os pais de Alex não tem o direito de decidir o sexo de sua cria, afinal de contas ela tem os dois impressos em seu corpo anatomicamente, portanto a plateia até compreende seus dilemas. Já Álvaro tem que sofrer as consequências de um desejo que ninguém mais poderá explicar além dele mesmo - e ainda lidar com seus preconceitos e dos outros. Nestes dilemas tudo no filme se torna simbólico, não estamos falando de hermafroditismo, mas de sexualidades e a forma como lidamos com ela em nós mesmos e nos outros. Nesta concepção a figura do cirurgião ganha tons quase vilanescos. Logo no início, Alex pergunta a Álvaro se o pai mutila pessoas. Álvaro diz que não, que ele apenas as "corrige", afinal se um menino nasce com seis dedos ele simplesmente corta o que está sobrando. Alex completa: "você disse que ele não mutila e agora diz que ele corta dedos". Parece um comentário inofensivo, mas não é. O desejo de "normalizar", fazer com quem foge à regra seja devidamente "ajustado" é um ato de violência que a palavra mutilar consegue expressar com maestria. O interessante é que à medida que o mundo ao seu redor se incomoda com sua situação,  Alex parece cada vez mais confortável com ela. XXY não aponta respostas fáceis, mas explora os dilemas sexuais através de uma metáfora muito bem vinda.

XXY (Argentina/2007) de Lucía Puenzo com Inés Efron, Ricardo Darín, Martín Piroyansky, Valeria Bertuccelli e Germán Palacios. ☻☻☻☻

domingo, 1 de julho de 2012

DVD: Tão Forte e Tão Perto

Horn: boa atuação e antipatia do público. 

Neste ano nove filmes foram indicados ao Oscar de melhor filme, desses nove concorrentes o escolhido para se falar mal foi o quarto longa-metragem do diretor Stephen Daldry: Tão Forte e Tão Perto. Eu li tantas resenhas criticando os mais diversos aspectos do filme que, talvez por conta disso, eu gostei bastante de assistí-lo. Claro que existem outros fatores que colaboram em minha relação com o filme. Em primeiro lugar eu tenho grande afinidade com a obra de Daldry desde que ele lançou Billy Elliot (2000), sei que muitos consideram suas obras artificialmente pedantes, que flertam com o melodrama e exageram na trilha sonora. Segundo, tenho grande simpatia pela obra de Jonathan Safron Foer, escritor do livro que deu origem a esse filme e Uma Vida Iluminada (2005), um dos filmes mais subestimados de todos os tempos. Desde que descobri que Extremely Loud and Incredibly Close estava misturando o universo de ambos eu fiquei um bocado animado. Na mente dos mais exigentes as expectativas devem ter chegado ao limite do suportável, já que a obra se referia às desventuras de um órfão dos ataques de onze de setembro. Senti que alguns críticos esperavam a obra-prima sobre os atentados, sinceramente, essa nunca foi a minha visão. Quem, conhece a obra de Foer sabe que a escrita afiada serve para valorizar as relações, os objetos repletos de significados e memórias que buscam se manter através do tempo. Quem conhece Daldry percebe que ele sabe arrancar boas atuações de seu elenco, ao mesmo tempo que não se preocupa em criar histórias muito fáceis de digerir em tempos em que os sucessos de bilheteria primam pela banalização. Eu não sei porque estou me justificando tanto para explicar que gosto do filme, mas existe ainda um terceiro fator que alguns consideram crucial na antipatia que o filme pode gerar: o protagonista. Embora no alto dos créditos esteja os nomes de Tom Hans e Sandra Bullock, eles são os pais coadjuvantes de Thomas Horn, o estreante que encarna Oskar Schell - um moleque por volta dos onze anos que suspeita-se ter síndrome de Asperger. Houve quem dissesse que Daldry só queria indicações ao Oscar ao centralizar sua narrativa num garotinho que perdeu o pai na tragédia. Não é bem assim, já que Oskar é assumidamente um personagem difícil de engolir. Arrogante, petulante e pedante, Oskar não faz o tipo coitadinho e por isso mesmo muita gente torceu o nariz para o filme. Eu queria saber onde está escrito que protagonistas devem ser sempre simpáticos, além do mais, imaginem um pré-adolescente com síndrome de Asperger! Apesar de estrante, Horn tem total noção das características da síndrome que correspondem ao seu personagem (dificuldade de interação social, interpretação literal da linguagem, comportamento estereotipado, dificuldade em lidar com a mudança na rotina,  processar e expressar emoções...), mas quem reclamou de Oskar Schell perdeu as características da síndrome totalmente de vista. No filme, Oskar ainda tenta lidar com os ataques de 11 de setembro que vitimou seu pai (ele se refere à data como "o pior de todos os dias") e cria uma verdadeira obsessão em buscar o último momento com o pai após encontrar uma chave no armário do pai. Basta ver escrito a palavra Black escrita no envelope em que a tal chave se encontrava para que pesquise todos os Black que moram em Nova York, seu objetivo é encontrar a fechadura que a tal abrirá. Obviamente que o livro utiliza uma série de recursos para contar a cruzada pessoal do menino que não aparecem com o mesmo destaque no filme, deste aspectos que surgem as críticas mais consistentes ao filme (as páginas eram repletas de recursos gráficos que reproduzem as estratégias de Oskar e havia analogias dos ataques às Torres Gêmeas com o bombardeio americano em Dresden na Segunda Guerra Mundial).  Daldry tem uma leitura centrada totalmente em Oskar e seu crescimento nas relações que estabelece na busca pelo encaixe que dará sentido a tudo que sente. É verdade que a jornada de Schell fica mais interessante quando passa a desfrutar da companhia do misterioso Inquilino (Max Von Sydow, indicado ao Oscar de coadjuvante) que mora no apartamento de sua avó.  São nos momentos da dupla que a casca do garoto começa a se desfazer e seu olhar sobre o mundo começa a se transformar. A performance de Sydow é inesquecível e faz até esquecermos que Sandra Bullock está ótima como a mãe que não consegue se conectar com o mundo particular do filho (o que o Oscar não faz na carreira de uma pessoa!). Completa as boas atuações do longa Viola Davis e Jeffrey Wright em participações afetivas fundamentais para o desfecho da trama. Ainda que todo mundo diga que não seja tão bom quanto o livro, Tão Forte e Tão Perto é um filme extremamente emocional e eficaz  na forma como expressa a fraternidade após a tragédia. 

Tão Forte e Tão Perto (Extremely loud and Incredibly Close/EUA-2011) de Stephen Daldry com Thomas Horn, Tom Hanks, Sandra Bullock, Max Von Sydow, Viola Davis e Jeffrey Wright. ☻☻☻☻