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domingo, 26 de novembro de 2017

CATÁLOGO: Exótica

Mia e Bruce: quebra-cabeça cheio de estilo. 

Embora seja o sexto longa metragem da carreira do diretor Atom Egoyan, foi com Exótica que ele ganhou o prêmio da crítica no Festival de Cannes e se tornou famoso mundialmente.  De origem egípcia, o diretor cresceu no Canadá e se tornou um dos maiores nomes do cinema daquele país. Embora seus filmes não chamem muita atenção atualmente, Egoyan tem uma capacidade impressionante para construir tensão psicológica. Aqui, ele já demonstrava algumas temáticas que apareceriam em vários de seus filmes posteriores - talvez a mais forte delas seja o desejo reprimido motivando crimes. Exótica é na verdade o nome de um clube onde mulheres dançam com pouca ou nenhuma roupa, mas que possui regras bem rígidas - é proibido tocar nas mulheres, por exemplo - e o roteiro conta um pouco sobre algumas pessoas que se conhecem naquele universo bastante peculiar. Assim conhecemos Francis (Bruce Greenwood) que cai de amores por Christina (Mia Kirshner) uma das garotas que trabalham por lá. Ele nem imagina que Christina também é a funcionária favorita de Eric (Elias Koteas), o DJ e administrador do local em parceria com a grávida Zoe (Arsinée Khanjian). Francis nem imagina que uma tragédia do passado estabeleceu um certo laço com aqueles personagens. Fora dali, Francis mantém amizade com uma adolescente (Sarah Polley, que também protagonizou a obra-prima de Egoyan: O Doce Amanhã/1997) e um homem (Don McKellar) que terão participação importante nas peças que o filme encaixa até o final. Egoyan demonstra aqui total controle da narrativa, evocando uma atmosfera noir e referências do universo de David Lynch (a lentidão, os silêncios,  a densidade sexual, os personagens que sempre parecem revelados pela metade...), costurando as relações até revelar como tudo se encaixa na cena final. Neste cenário o desejo proibido tem um papel importantíssimo e ajuda a tornar a narrativa ainda mais envolvente e, até, ameaçadora. Destaque do elenco, Bruce Greenwood está ótimo como o homem perdido entre o passado e o presente, ainda sem entender muito bem alguns acontecimentos que ainda o assombram. Da mesma forma, o discreto Thomas (McKellar) também demonstra estar totalmente deslocado em sua sexualidade, evitando envolvimentos mais profundos - mesmo que seu ambiente seja fora do  mundo paralelo de Exótica. Lembro quando o filme chegou ao Brasil e foi classificado como thriller erótico (gênero que estava no moda em meados dos anos 1990) e deixou muita gente decepcionada (afinal ele não possui cenas de sexo), afinal trata-se de um suspense psicológico que se revela um drama de traço bem forte. Cult dos anos 1990 o filme pode até parecer um pouco datado, mas continua envolvente e com uma das trilhas sonoras mais interessantes do final do século XX. 

Exótica (Expotica/Canadá - 1994) de Atom Egoyan com Bruce Greenwood, Elias Koteas, Don McKellar, Mia Kirshner e Sarah Polley. ☻☻☻☻

terça-feira, 16 de agosto de 2016

4EVER: Elke Maravilha

22 de fevereiro de 1945 ✰ 16 de agosto de 2016

Elke Gerogievna Grunnupp nasceu em 22 de fevereiro de 1945 na extinta União Soviética. Filha de um russo e uma alemã, Elke veio morar no Brasil quando os pais resolveram fugir das perseguições em sua terra natal. A família foi atraída pelo Brasil pela receptividade com os estrangeiros eos pais de Elke não queriam viver numa comunidade russa por aqui, desejavam aprender os hábitos e costumes de nosso país. Morando em Itabira em Minas Gerais, Elke ficou fascinada com a diversidade de nosso país. Dona de uma beleza exótica para os padrões brasileiros, Elke foi morar no Rio de Janeiro aos vinte anos e, sabendo falar várias línguas, trabalhou como secretária. Ao formar-se em Letras trabalhou como professora, tradutora e intérprete de línguas antes de ser descoberta pelo mundo da moda. Elke trabalhou como modelo e mais tarde aprimorou seu talento em cursos de teatro e cinema, realizando trabalhos como atriz em várias mídias, tornando-se muito conhecida como jurada em programas de calouro liderados por nomes consagrados como Chacrinha e Sílvio Santos. Sua atuação mais conhecida foi como a dona de bordel da minissérie Memórias de um Gigolô (1986), mas ela também recebeu destaque em mais de trinta filmes, entre eles Xica da Silva (1976), Tenda dos Milagres (1977) e Pixote - A Lei do Mais Fraco (1981). A artista que transbordava simpatia faleceu em decorrência do tratamento de uma úlcera.  

domingo, 29 de julho de 2018

§8^) Fac Simile: Rossy de Palma

Rosa Elena García Echave
Nascida em Mallorca, Espanha, em setembro de 1964, Rossy de Palma começou a carreira no cinema em A Lei do Desejo (1987), sua primeira parceria com o cineasta Pedro Almodóvar. Desde então ela não parou de receber convites para filmes e trabalhos na TV. Além de atriz, Rossy também fez vários trabalhos como modelo graças à sua aparência exótica - que caiu nas graças de nomes feito Jean Paul Gaultier. Nosso repórter imaginário, que estava passando férias em Madri, encontrou esta personalidade do cinema mundial e a convenceu a responder cinco perguntas nesta entrevista que nunca aconteceu.

§8^) Você participou de cinco filmes em 2017 e está em seis projetos para o próximo ano, você acha que a passagem do tempo ajudou na sua carreira?

Rossy Sí, sí! Lo tiempo te ensina muita coisa. Estou prestes a completar 54 años e na minha idade a maioria das atrizes está preocupada com driblar os efeitos do tiempo e conservar o rosto fofo e atraente. Eu nunca tive este problema. Sempre fui fora dos padrões. Recebo convites para papéis cada vez mais interessantes e eles não param de chegar de toda parte! Soy una diva  mais do que nunca. 

§8^) Você é uma das musas do cineasta Pedro Almodóvar, com quem você já fez sete filmes. Como lida com este status na história do cinema?

Rossy Pedro é um grande amigo e sou muy grata por todos los trabajos que fizemos juntos, mas eu adoraria ser personagem principal em seus filmes algum dia. Ele me elogia, mas sempre prefere colocar a Penélope (Cruz) ou alguma atriz mais bonitinha em destaque. Acho que las personas ainda não estão preparadas para me ver beijando Javier Bardem... se bem que eu já fui noiva do Antonio Banderas em Mulheres à Beira de Um Ataque de Nervos/1988 , e eu dormia a maior parte do filme... mesmo assim, a Madonna morreu de inveja! Ela não tinha como competir comigo... coitada. 

§8^) Como lida com a imprensa ressaltando que você é uma atriz de "traços cubistas"?

Rossy No início eu estranhei, não estava certa de que eram elogios. Existe essa mania de rotular que você é isso e aquilo, mas ser cubista é algo realmente para poucos! Imagina, ter os traços de Picasso no meio da cara? Não é para qualquer uma. Eu vi recentemente Me Chame Pelo seu Nome (2017) e vi o rostinho do Timothée Chalamet e imaginei "este niño tiene una bela cara renascentista". É lindo! Perfecto! Esculpido delicadamente pelo tiempo... o meu é o oposto, és um antônimo. 

§8^) Você estará em "O Homem que Matou Dom Quixote"  de Terry Gillian... ao lado de outro ator que se impõe fora dos padrões, o Adam Driver...

Rossy Sim! Adam és guapo, no és? Me encantó vê-lo naquele seriado Niñas (Girls)! Essa coisa de aparência és muy relativa, conheço tanta gente que mudou a cara por vaidade eparece um extraterreste! Precisam parar com estas bobagens e se concentrar no que importa: la esencia. Eu descobri a mi esencia e la mantenho desde então.  Creo que é isso que faz la diferencia en personas como Adam e yo.  

§8^) E qual o segredo para lidar bem com a aparência, Rossy?

Rossy É algo que deve partir de você, cariño. Se usted não se ama, quem amará? Mira lo tamaño de mi napias! Mi auto-estima és muy maior!

segunda-feira, 17 de março de 2014

DVD: Histórias que Contamos

Michael e Sarah Polley: reverenciando a história da família.

Sarah Polley é uma atriz canadense que já trabalhou em vários filmes queridos pela crítica (entre eles Exótica/1994 e O Doce Amanhã/1997, ambos de Atom Egoyam, Vamos Nessa/1999 de Doug Liman e Minha Vida sem Mim/2003 de Isabel Coixet), mas apesar de todo o respeito conquistado diante das câmeras é atrás delas que Sarah parece mais confortável. Foi em seu segundo longa metragem que abordou as dores do esquecimento em Longe Dela (2006) e conseguiu arrancar uma performance memorável de Julie Christie (indicada ao Oscar de Melhor Atriz), além de conseguir para si uma indicação ao careca dourado de roteiro adaptado. Chega a ser impressionante que enquanto lançava a crise no casamento de Entre o Amor e a Paixão (2011), ela terminava de lapidar esse documentário que explora uma temática bastante pessoal. Num primeiro momento, tem-se a impressão que a diretora reuniu a família para falar sobre sua mãe, Diane. No início existe grande hesitação de todos os envolvidos, o pai (intrigado com as câmeras presentes no estúdio onde ele grava a narração do filme), os dois irmãos (Mark e John), as duas irmãs (Suzy e Joanna), os amigos da família... Sarah tem dificuldades de dar forma ao que ela não gostaria que fosse apenas uma jornada egocêntrica em sua intimidade. As cenas aleatórias dão a impressão de que a ideia da cineasta ainda procura uma forma - e quando a encontra toda a desconfiança da plateia é quebrada. O que vemos através das entrevistas é a forma como todos nos apresentam a matriarca Diane. Uma atriz de uma energia contagiante, que contaminava toda a família, mas existem pistas de que existe um segredo que todos evitam revisitar num primeiro momento. A constituição da família Polley é exposta para o público com todas as suas alegrias, tristezas, elos, aspirações e tropeços. Do dia em que Diane conhece Michael Polley numa peça de teatro, a chegada dos filhos, a crise no relacionamento, além das tentativas de Diane ser reconhecida como atriz (e a forma como as dores de ter perdido a guarda dos filhos do primeiro casamento - John e Suzy) marcará seus atos futuros. É como se aos poucos a diretora construísse uma grande colagem sobre aqueles personagens que giram sobre a órbita de sua mãe, até o momento em que revela o motivo de todo esse cruzamento de narrativas: a suspeita de que Sarah não seria filha de Michael Polley. É visível como esse fato é doloroso para a família, sobretudo para a forma como a vivenciam - é Mark que consegue expressar de forma mais tocante as angústias de sua mãe, ainda que não a isente de reprovações. Mais emocionante que a jornada da diretora em busca do pai biológico, são as cenas onde os personagens precisam se deparar com uma dolorosa verdade, que no fundo, não parece fazer tanta diferença assim. Sarah cria um filme sensacional, onde revela que um documentário pode ser única e somente o cruzamento de versões sobre o passado, mas isso não impede que seja rico e crie impressões universais de como uma família forja a construção da identidade de seus sujeitos. Além disso, o encadeamento das entrevistas mostra-se fundamental para que conheçamos Diane como um ser humano e não um ser mítico, além disso tem a memorável cena final (a primeira gravada para o documentário) onde Michael Polley confronta as intenções (in)conscientes da filha. Ele reage de forma deliciosamente humana aos sentimentos que passaram na cabeça da diretora durante toda a feitura do filme. Histórias que Contamos é um documentário simples sobre pessoas comuns, mas realizado no capricho com cenas reais entremeadas com atores representando os personagens quando jovens. Sem os moralismos e ressentimentos que costumam aparecer nesse tipo de fime, Sarah Polley realizou outro grande trabalho, que prima, sobretudo, pela sinceridade. 

Histórias que Contamos (Stories We Tell/Candá-2012) de Sarah Polley com Michael Polley, Sarah Polley, John Buchan, Suzy Buchan, Mark Polley, Joanna Polley, Harry Gulkin e Anne Tait. ☻☻☻☻

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Na Tela: Memórias Secretas

Landau e Plummer: lembrando o holocausto. 

Atom Egoyan foi um dos diretores independentes mais celebrados dos anos 1990.  Com o celebrado Exótica (1994), seguido pelas indicações ao Oscar de roteiro e direção por O Doce Amanhã (1997) e as críticas positivas recebidas por O Fio da Inocência (1999), o egípcio naturalizado canadense se tornou um diretor em que os cinéfilos sempre ficam atentos. Com a chegada do século XXI, o cinema de Egoyan tornou-se um tanto irregular. Ainda que os críticos fiquem atentos aos seus lançamentos - e os festivais sempre dediquem espaço aos seus projetos, sua carreira perdeu voltagem. Porém, seu recente Memórias Secretas ressalta que o diretor ainda tem muito a dizer. Embora tenha sido recebido com indiferença pela plateia do Festival de Veneza no ano passado, o roteiro do estreante Benjamin August toca num assunto que merece ser lembrado: a memória do holocausto. Pode parecer exagero, mas diante de tantos discursos de ódio presentes na internet e em palanques políticos, penso que a humanidade precisa ser lembrada das atrocidades que é capaz de cometer. Num mundo carente de conhecimento sobre direitos humanos (onde estes se chocam com pontos de vistas subjetivos, preconceitos e um bocado de ignorância), August e Egoyan repetem o tempo todo que, em breve, as pessoas que testemunharam os horrores da Segunda Guerra Mundial terão partido, mas suas lembranças precisam ser preservadas para que a humanidade não caia nas mesmas armadilhas do passado. Talvez o caminho pelos dois para contar esse alerta não seja o melhor, mas, ainda assim, merece atenção. Li algumas críticas ao filme por ele não ter embasamento em uma história real, mas pelo que eu saiba, trata-se de um filme de ficção e isso é o que menos importa. O filme conta a história de Zev Guttman (Christopher Plummer), um senhor senil que sofre os efeitos do tempo em sua memória. Morando em um asilo, ele se recupera da perda recente de sua esposa e conta com o amigo Max Rosenbaum (Martin Landau) para lembrar do que não consegue mais. Ambos são sobreviventes do campo de concentração de Auschwitz e, após anos trabalhando na procura de nazistas fugitivos da justiça, Max conta com Zev para encontrar o oficial nazista que exterminou as famílias de ambos - e que assumiu uma identidade falsa para se esconder. Zev foge do asilo e parte em busca do oficial com uma carta de Max no bolso (que servirá para ele lembrar do seu objetivo) e a história será construída a partir do encontro do protagonista com outros personagens e suas lembranças, até o desfecho "surpreendente". Os encontros de Zev são sempre reveladores (alguns assustadores) e demonstram como Egoyan está atento aos detalhes, mesmo diante de uma construção narrativa bastante tradicional. Seja na escalação dos atores, no cão que não para de latir ou na menina que lê a carta cheia de atrocidades com voz inocente, Egoyan ainda demonstra ter fôlego para reencontrar seu valor no cinema atual. Particularmente, a guinada final está longe de ser essencial para a história, mas pode ser vista como uma lembrança de que o mal está dentro de cada um de nós. Memórias Secretas merece ser visto não como uma história de vingança, mas por tudo que se esconde em suas entrelinhas. 

Memórias Secretas (Remember/Canadá-Alemanha/2015) de Atom Egoyan com Christopher Plummer, Martin Landau, Henry Czerny, Bruno Ganz e Jürgen Prochnow. ☻☻☻ 

terça-feira, 29 de setembro de 2020

Ciclo Ghibli: Contos de Terramar / Memórias de Ontem / Sussurros do Coração

Contos de Terramar: como desperdiçar um dragão. 

Ao longo dos meses de fevereiro, março e abril, a Netflix disponibilizou vinte e um filmes do Estúdios Ghibli em seu acervo. O Gibli foi fundado em 1985 pelos animadores Hayao Miyazaki e Isao Takahata, além do produtor Toshio Suzuki. Algumas delas já tiveram postagens aqui no blog, mas desde então, todo mês, três animações recebiam destaque aqui no blog . Vale ressaltar que os filmes foram verdadeiros presentes para os tempos de pandemia e  a procura ainda maior dos serviços de streaming. Esta é a última postagem do Ciclo Ghibli e escolhi começar com o filme mais criticado do estúdio: Contos de Terramar. O longa é baseado nos livros da escritora americana Ursula K. Le Guin que havia chamado atenção de Hayao Miyazaki, mas a escritora não achou uma boa ideia levar sua história para a telona. Com a projeção mundial de A Viagem de Chihiro (2001), a escritora mudou de ideia. Porém, Hayao já estava envolvido com outros projetos e deixou a adaptação nas mãos do filho, Goro Myiazaki, que fez deste seu longa de estreia. Existe um certo consenso de que este é o pior filme com o selo Ghibli. Embora tenha o traço meticuloso e o uso de cores deslumbrantes o filme é confuso e mal resolvido. A história tem uma ambientação épica de inspiração medieval para contar a história do príncipe Arren, que antes mesmo de ser devidamente apresentado foge do seu reino após matar o próprio pai. Ele acaba acolhido por um feiticeiro que vive isolado com uma mulher e uma criança que tem um grande segredo escondido, logo o pequeno Arren terá que salva-los de um feiticeiro. Apressado, denso e desprovido de humor, Contos de Terramar tem grande dificuldade em encontrar seu público com uma história simples demais para agradar os adultos e assustadora demais para os pequenos. Embora deixe claro que a trama ocorre em um mundo cheio de características próprias, tudo é tão jogado no roteiro que fica difícil compreender este universo. Some isso à inexperiência do diretor novato que a coisa só complica na ausência de carisma dos personagens. O fracasso repercutiu na relação de Hayao com o filho e expôs feridas na relação entre os dois. Com sabor de decepção é o tipo de filme que todos preferem esquecer que foi feito. O filme é o total oposto de Memórias de Ontem, o sexto filme lançado pelo Estúdio Ghibli. Baseado no mangá de mesmo nome, a animação é dirigida por Isao Takahata e conta a história de Taeko, uma mulher de vinte e sete anos que trabalha em um emprego burocrático em Tokyo. Nascida e criada na capital japonesa, Taeko sempre teve inveja das amigas que podiam ir para o campo visitar seus parentes nas férias. Seu sonho era viajar para longe da cidade e conhecer outro estilo de vida. Este é o ponto de partida para que Taeko se transforme em nossa narradora e conte várias situações de sua infância. Das férias na cidade, passando por desventuras na escola, sua dificuldade com a matemática, seus problemas de relacionamento com o pai severo e com a irmã intolerante, o resultado é um retrato bastante real de uma menina no Japão. 

Memórias de Ontem: a hora de seguir em frente. 

É curioso que estes momentos na infância são mostrados com bastante melancolia, mas que funciona em contraponto com a Taeko adulta, que visita o campo nas férias (e a animação urbana quase sem cores se transforma lindamente naquele novo cenário). No entanto, Taeko ainda precisa fazer ajustes com sua forma de encarar a vida, deixar a criança para trás e fazer escolhas que podem transformar seu futuro pra sempre. Takahata faz um filme com tom e cadência de live action, tratando seus personagens  como se fossem pessoas de carne e osso (com destaque para as cenas finais enquanto rolam os créditos) e capricha na construção de sua protagonista. Embora o filme pese a mão nas tristezas da infância da menina, Memórias de Ontem é um filme muito agradável de se assistir, que consegue tornar envolventes até a primeira vez em que menina prova abacaxi (apresentada como uma fruta exótica dos países quentes)! Seguindo uma linha parecida está Sussurros do Coração que também ambienta sua história em uma escola, mas enfatiza ainda mais o tom de romance. O filme conta a história de Shizuku, uma menina que adora livros, muito interessada nos estudos e no acervo da escola. Um dia, através dos cartões da biblioteca, ela descobre que um menino também compartilha este mesmo gosto pela leitura e ela se torna disposta a conhecê-lo. O filme segue o ritmo de comédia romântica, com um casal juvenil que não se entende, mas que aos poucos começa a se dar conta dos sentimentos que possuem um pelo outro. O filme possui uma narrativa bastante leve e bem humorada, mas que consegue criar até um mistério em torno de um gato na vizinhança. Nas entrelinhas existe uma história sobre sonhos e amadurecimento, seja sobre a menina que deseja se tornar escritora ou o menino que pretende se especializar na produção de violinos. Temas como amor, saudade, distância e crescimento pontuam a história que se desenvolve de forma bastante fluida. O filme foi o primeiro do Estúdio que não foi dirigido por  Mizyazaki ou Takahata, que confiaram no talento do então assistente Yoshifumi Kondô, que faleceu em 1998 e deixou este como seu primeiro e único filme na direção. Vale destacar que o filme traz referências sobre vários filmes do estúdio, como  a imagem de Totoro (que se tornou a marca do estúdio) em um livro, o Barão felino que apareceria posteriormente em O Reino dos Gatos (2002) e o relógio de Porco Rosso (1992). Para completar existe até uma versão da música "Take me home, Country road" que destaca como Tokyo estava se tornando uma selva de concreto. Sussurros do Coração é o filme que encerra o Ciclo Ghibli aqui no blog. 

Sussurros do Coração: comédia romântica adolescente.  

Contos de Terramar (Gedo senki / Japão - 2006) de Goro Miyazaki com vozes de  Aoi Teshima, Buta Sugawara e Jun Fubuki. 

Memórias de Ontem (Omohide poro poro / Japão 1991) de Isao Takahata com vozes de  Miki Imai, Toshirô Yanagiba e Yoko Honna. ☻☻☻☻

Sussurros do Coração (Mimi wo sumaseba / Japão - 1995) de Yoshifumi Kondô com vozes de Yoko Honna, Issey Takahashi e Takashi Tachibana. ☻☻☻☻

segunda-feira, 17 de março de 2014

FILMED+: O Doce Amanhã

Ritmo de despedida: a obra-prima de Atom Egoyam. 

Lembro do principal motivo que me levou a assistir a O Doce Amanhã pela primeira vez: foi um comentário da crítica de cinema Ana Maria Bahiana onde ela dizia que era o seu filme favorito de 1997 - isso em pleno ano em que Titanic eclipsava produções como Los Angeles - Cidade Proibida (de Curtis Hanson), Jackie Brown (de Quentin Tarantino) e Boogie Nigths (de Paul Thomas Anderson). O filme foi ignorado no Globo de Ouro, mas o Oscar lembrou dele nas categorias de melhor roteiro adaptado (do romance de Russell Banks) e direção para Atom Egoyan. Egoyan (que nasceu no Egito e foi criado no Canadá) já havia chamado atenção pelo seu trabalho curioso em Exótica (1994), mas quando exibiu O Doce Amanhã em Cannes a plateia agradeceu a bela surpresa que havia reservado. Lento e belíssimo, o filme é uma dolorosa história sobre uma cidade no interior gélido do Canadá que perde quase todas as suas crianças de uma só vez - e a forma como o sofrimento e o oportunismo se cruzam pelo meio do caminho. Num dia comum, um acidente com o ônibus escolar irá modificar a vida daqueles habitantes para sempre. Egoyan trata a situação sem firulas, sem melodramas, com a velocidade crua que somente um pesadelo pode ter. Mas enquanto tentam lidar com o luto, os moradores recebem a visita do advogado Mitchell Stephens (Ian Holm). Stephens quer aproveitar a tragédia para tentar convencer os pais a processar a companhia de ônibus, sob a argumentação de que a companhia sabia que o ônibus não era seguro o suficiente para realizar o trabalho. Enquanto conhece os pais que perderam os filhos, o advogado tenta lidar (por telefone) com a filha adolescente que é viciada em drogas. Stephens é apenas uma amosta de como Egoyam constrói um cenário humano interessantíssimo, repleto de culpas, pecados e perdão (temas que acentuam o teor religioso da trama) especialmente em torno de uma sobrevivente do acidente, a jovem Nicole (Sarah Polley). Nicole pode mudar a forma como lidam com a situação a partir do seu testemunho sobre as ações da motorista do ônibus no momento do acidente, Dolores (Gabrielle Rose). Focalizando personagens como o pai viúvo que hesita diante das intenções do advogado, a mulher adúltera que pensa em mudar de vida diante da tragédia, a adolescente que mantém um relacionamento incestuoso com o pai, Atom cria um filme sobre uma cidade que encontra-se morta em seus personagens que tentam sobreviver. Além da belíssima trilha sonora e da fotografia que valoriza o tom gélido do lugar, O Doce Amanhã ainda estabelece paralelos com o conto O Flautista de Hamelin - aquele em que para se vingar de uma cidade, um flautista leva todas as crianças para longe dali - com um efeito poético inesquecível. ainda que pouco lembrado, O Doce Amanhã é um desses filmes que descobrimos aos poucos os seus méritos e, depois de muito tempo, ainda habita a nossa lembrança com seus personagens e situações. Deve ser um dos filmes mais tristes que já assisti, mas é também um dos mais bonitos. O considero a obra-prima de Atom Egoyan.  

O Doce Amanhã (The Sweet Hereafter/Canadá-1997) de Atom Egoyan com Ian Holm, Sarah Polley, Gabrielle Rose, Bruce Greenwood e Tom McCamus. ☻☻☻☻☻ 

quinta-feira, 23 de abril de 2020

PL►Y: Holmes & Watson

Reilly e Ferrell: pura  troça com personagens clássicos. 

Ganhador do Framboesa de Ouro nas categorias de Pior Filme, Pior Diretor e Pior ator coadjuvante (John C. Reilly), além de indicado a pior ator (Will Ferrell) e pior dupla (Ferrell e Reilly), o filme Holmes & Watson se tornou um daqueles micos cinematográficos que de vez em quando Hollywood faz tão bem. Eu acho um exagero o filme ser tão odiado, já que o que ele faz é pura brincadeira com dois personagens icônicos da literatura inglesa. A ideia de avacalhar personagens conhecidos não é novidade, mas depende muito do nível de criatividade do autor da empreitada e a disposição da plateia entrar na brincadeira. Depois das versões repaginadas que Sherlock Holmes e Dr. Watson receberam ao longo dos anos, esta poderia ser apenas mais uma, mas os tropeços do roteiro em algumas baixarias atrapalham o desenvolvimento do conjunto que até apresenta algumas piadas interessantes. Para começar o maior sacrilégio é colocar dois atores americanos nos papéis principais. Will Ferrell é bem conhecido e suas comédias seguem uma linha bastante característica, geralmente sendo o mais idiota possível (e aqui ele capricha num estranho sotaque britânico). Reilly já fez papéis mais variados em sua carreira (foi até indicado ao Oscar como o esposo traído de Chicago/) , mas já fez alguns filmes ao lado do colega e gostou do resultado. Aqui Ferrell é Sherlock e Reilly é seu fiel parceiro Dr. Watson, só que o roteiro de Etan Coen (roteirista de Trovão Tropical - e favor não confundir com o irmão do Joel Coen), o filme brinca o tempo inteiro com a relação entre os dois, desde o momento em que se conheceram até o desdobramento inusitado de uma investigação envolvendo um atentado à Rainha da Inglaterra. Repleto de anacronismos e besteirol, não espere lógica nesta produção ou qualquer resquício da genialidade do famoso detetive, aqui seus cálculos geralmente resultam em vexames, sua astúcia se confunde com arrogância, seu vício em cocaína é alvo de deboches e suas conclusões são as mais cretinas possíveis. Trata-se de um Sherlock de outra dimensão, uma antítese da famosa criação de Sir Arthur Conan Doyle. A investigação em si não faz diferença, a participação de seu inimigo Mortiarty (Ralph Fiennes caindo na brincadeira) nunca se concretiza e as personagens femininas se dividem entre a inteligente doutora Grace Hart (Rebecca Hall, subaproveitada), a exótica Millicent (Laurent Lapkus) e a criada Mrs. Hudson (Kelly MacDonald) que tem entre seus amantes Albert Einstein e até Carlitos!! Holmes & Watson é uma típica paródia americana, tem algumas piadas que funcionam, outras que não servem para nada e um tom irregular que atrapalha em vários momentos, mas serve para passar o tempo e dar alguma risada, nem que seja pela cara de pau dos envolvidos. 

Holmes & Watson (EUA/Canadá - 2018) de Etan Coen com Will Ferrell, John C. Reilly, Kelly MacDonald, Rebecca Hall, Laurent Lapkus, Bob Brydon e Ralph Fiennes. 

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

DVD: Fúria


Jude: "Te cuida Gisele Bündchen"!

Dia desses me deparei com um filme que havia causado certo alvoroço no Festival de Berlim em 2009, mas que permanecia inédito nos cinemas brasileiros e em DVD. Mesmo nos EUA acho que nunca entrou em cartaz. Alguns blogs de cinema falavam do longa de Sally Potter especialmente pelos atores de seus créditos: Jude Law, Judi Dench, Adriana Barraza, Steve Buscemi, Dianne Wiest, John Leguizamo... mas vendo o filme, percebemos logo a dificuldade encontrada para sua exibição. Trata-se de um filme que tenta seguir a estrutura de um documentário, mas não é só isso. Percebemos que existe um cineasta, Michelangelo, que colocou sua câmera em meio a um desfile para registrar depoimentos dos envolvidos. Entre modelos (destaque para Law e a exótica Lily Cole) e outros funcionários que constituem a fauna dos bastidores fashion, o diretor faz indagações sobre beleza e a moda, gerando depoimentos interessantes (especialmente na fala de Judi Dench, mais elegante e do que nunca) de farpas e alfinetadas à atmosfera de glamour dos fashionistas. Mas subitamente começam a acontecer coisas estranhas no desfile, uma modelo sofre um acidente, depois outra é vítima de um atentado e assim por diante. Como o filme não tem cenário (os atores falam para a câmera diante de um fundo que muda de cor), as impressões do espectador ficam por conta da sonoplastia (tiros, gritos e helicópteros) e das atuações. Uma ideia interessante (e que concorreu ao prêmio máximo do Festival de Berlim), mas que lá pela metade começa a cansar por bater sempre na mesma tecla de ressentimentos e egos inflados (algo nada original quando se trata do mundo da moda no cinema). Apesar de ter boas atuações e ousadias (Jude Law merece atenção ao interpretar Minx, uma supermodelo andrógina que ganha destaque conforme as outras são vitimadas. Me arrisco a dizer que é uma das melhores atuações de Law, acreditem, ele está absurdamente confortável) a diretora Sally Potter merecia ter aparado algumas arestas  e ter desenvolvido melhor alguns sujeitos de seu filme (Buscemi como o fotógrafo amargurado está excepcional, mas outros com possibilidades, como Riz Ahmed, ganham menos espaço do que deveriam). Ainda que por  cansativo, o filme mostra que Potter (diretora de Orlando/1992 com Tilda Swinton e Por que choram os homens/2000 com Johny Depp) é uma diretora competente na condução de seus atores e na capacidade de gerar tensão, mesmo diante de recursos tão minimalistas - o que não é pouco, já que a diretora inglesa está longe de ser uma darling cinematográfica. Nada mal para uma pessoa que aos 16 anos decidiu ser cineasta e largou a escola.

Fúria (Rage -  Reino Unido/EUA - 2009) de Sally Potter com Simon Abkarian, Bob Balaban, Judi Dench, Patrick J. Abrams, Jude Law, Adriana Barraza, Lily Cole, Eddie Izard e Jakob Cedergren. ☻☻

domingo, 16 de setembro de 2018

MOMENTO ROB GORDON: Diretores Canadenses

Embora o Canadá tenha uma cinematografia sólida (são mais de 900 filmes lançados ao ano, para se ter uma ideia no Brasil foram lançados 158 títulos no ano passado), são poucos os diretores do país que conseguem reconhecimento fora de lá. A década de 1970 revelou o nome de David Cronenberg e Ivan Reitman, a década seguinte trouxe James Cameron e Denys Arcand. Os anos 1990 foram marcados pela ascensão de Atom Egoyam (que nasceu no Egito e cresceu no Canadá), Neil LaBute e Alexander Payne. O século XXI trouxe novos nomes que chamam cada vez mais atenção do público e de Hollywood que está atenta ao talento dos vizinhos. Este Momento Rob Gordon é para lembrar cinco diretores que se destacaram no cinema canadense do século XXI (em ordem alfabética: 

Denis Villeneuve
Denis começou a fazer curtas-metragens nos anos 1990 e seu primeiro longa foi lançado em 1998 (32 de agosto na Terra), mas ninguém deu muita atenção. Seus segundo trabalho, Redemoinho (2000) chamou mais atenção em festivais e foi até lançado nos cinemas brasileiros. A guinada em sua carreira aconteceu com Politécnica (2009), a impressionante reconstituição de uma trágica história canadense. Desde então o diretor só cresceu em prestígio. Com Incêndios (2010) foi indicado ao Oscar de filme estrangeiro, carimbando seu passaporte para Hollywood fazer Os Suspeitos (2013). Para quem achou que ele perderia seu tom autoral, ele fez a adaptação de O Homem Duplicado (2013) calcado na obra de José Saramago. Depois o diretor viu Sicario (2015) ser indicado a três Oscars e A Chegada concorrer a oito (lhe rendendo a primeira indicação ao prêmio de direção). Se ano passado Blade Runner 2049 não foi o blockbuster que esperavam, a crítica e os fãs do primeiro filme (lançado em 1982) não reclamaram, pelo contrário, o colocaram em várias listas de melhores lançamentos de 2017. Seu próximo passo é repaginar Duna para o cinema depois da desastrosa versão de David Lynch (lançada em 1984). 💟Meu Favorito: Blade Runner 2049

Jason Reitman 
O filho do veterano Ivan Reitman, Jason começou a fazer curtas no final dos anos 1990, mas seu primeiro longa foi lançado em 2005. Obrigado por Fumar serviu de excelente carta de apresentação do jovem diretor que tinha um humor bastante mordaz para falar de temas complicados. Ele aparece umais benevolente em Juno (2007), revelando a roteirista Diablo Cody para o mundo - e viu seu filme concorrer a quatro Oscars (incluindo melhor diretor). O sucesso se repetiu com Amor sem Escalas (2009), um filme que tinha como pano de fundo a crise econômica americana. O longa concorreu a seis Oscars (incluindo melhor filme, colocando Jason mais uma vez no páreo de diretor -além de concorrer como melhor produtor e roteirista). Jason se juntou à Cody mais uma vez com o ácido Jovens Adultos (2011) e escorregou quando filmou o drama Refém da Paixão (2013), um filme que nem parece ser dele. Ainda bem que ele voltou ao seu tom habitual com Homens, Mulheres e Filhos (2014) abordando a influência tecnológica nas relações. Em 2018 ele lançou Tully, mais uma parceria com Diablo Cody e em breve estreia The Front Runner, estrelado por Hugh Jackman -  ambos devem aparecer no Oscar e fazer suas pazes com a Academia. 💟 Meu favorito: Obrigado por Fumar 

Jean Marc-Vallée
Jean começou a  fazer filmes nos anos 1990, mas foi consagrado mesmo quando lançou seu quarto longa: C.R.A.Z.Y (2005) sobre um menino que descobre a homossexualidade. O filme impressionou público e crítica, além de fazer sucesso em festivais por sua abordagem bem-humorada da história que tinha em mãos. O resultado lhe valeu o convite para filmar o filme de época A Jovem Rainha Vitória (2009), que concorreu a três Oscars técnicos (levou o de figurino). Embora fosse convencional demais, o filme tornou o nome de Vallée conhecido, o que chamou ainda mais atenção para o seu projeto canadense seguinte: Café de Flore (2011) - que confirmou seu caráter imprevisível para escolher projetos. Ele voltou para Hollywood para filmar o sucesso Clube de Compras Dallas (2013) que premiou Matthew McConaughey e Jared Leto no Oscar (além de concorrer ao Oscar de em mais quatro categorias, incluindo melhor filme). O filme tornou Vallée em darling dos artistas, tanto que Reese Witherspoon o escolheu para dirigir Livre (2014) - que valeu a ela e Laura Dern indicações ao Oscar. Se Demolição (2015) é o maior tropeço de sua carreira, pode-se dizer que ele foi redimido logo em seguida com seus trabalhos para HBO: Big Little Lies se tornou a minissérie mais aclamada (e premiada) de 2017 (tanto que se tornará série com uma nova temporada). Recentemente ele levou ao ar Sharp Objects, que chamou atenção pelo tom hipnótico impresso à narrativa do livro de Gillian Flynn. Depois de tanto trabalho ele irá somente assinar a produção executiva da nova temporada de Big Little Lies em 2019 💟 Meu Favorito: Big Little Lies.

Sarah Polley
Sarah começou a carreira como atriz aos seis anos de idade. Desde então fez mais de cinquenta trabalhos diante das câmeras, ganhando destaque nos filmes de Atom Egoyam (Exótica/1994 e O Doce Amanhã/1997). Depois de estudar cinema e realizar alguns curtas, Sarah fez seu primeiro longa-metragem com o doloroso Longe Dela (2006) - drama sobre o amor de um casal tentando resistir ao Alzheimer. A abordagem sensível (e a atuação premiada da veterana Julie Christie, que foi indicada ao Oscar) destruíram qualquer suspeita sobre seu novo campo de trabalho - e ela ainda recebeu uma indicação ao Oscar pelo roteiro adaptado da obra de Alice Munro. Após várias entrevistas ele mencionou ter mais prazer em trabalhar como diretora de cinema, tanto que seu último trabalho como atriz foi em Trigger (2010). Em 2011 ela lançou Entre o Amor e A Paixão (2011) que colheu elogios pelas atuações de Michelle Williams e Seth Rogen. Em seguida ela lançou seu filme mais pessoal, o documentário Histórias que Contamos (2012), onde reflete sobre a própria família de forma surpreendente - e o resultado é sensacional. Atualmente seus últimos trabalhos foram como roteirista - ela assinou o texto da minissérie Alias Grace (2017) e a adaptação de Quem é você, Alasca? para a minissérie que deve estrear em breve. 💟 Meu Favorito: Histórias que Contamos 

Xavier Dolan 
Dos presentes nesta lista, Xavier é o mais cult - e o mais precoce. Famoso desde os cinco anos na TV canadense, aos vinte ele decidiu ser cineasta. Foi quando dirigiu Eu Matei a Minha Mãe (2009) que lhe rendeu três prêmios no Festival de Cannes. Depois ele lançou Amores Imaginários (2010), onde narra um triângulo amoroso fadado ao fracasso. O filme deu ao diretor outro prêmio em Cannes e o consagrou como um dos queridos do Festival - depois ele ainda ganhou a Queer Palm com Laurence Anyways (2012), por contar por quase três horas a história de um personagem transexual. Querendo respirar novos ares, Dolan lançou seu filme seguinte no Festival de Veneza. Tom Na Fazenda (2013) é a adaptação da peça de Michel Marc Bouchard e provou que o diretor sabia criar narrativas diferentes. Tenso, o filme não levou o Leão de Ouro, mas ganhou o prêmio da crítica e ainda é considerado um dos trabalhos mais impressionantes do ator/diretor. De volta a Cannes com Mommy (2014), Xavierreafirmou a influência pop em seu trabalho e ganhou o prêmio do júri. Seu filme seguinte, É Apenas o Fim do Mundo é adaptação da áspera peça de Jean-Luc Lagarce - e dividiu opiniões em Cannes - mas levou o Grande Prêmio do Júri e do Júri Ecumênico. O filme ainda concorreu a seis categorias no César (ganhando de melhor ator, diretor e edição - estes dois últimos para Xavier). Seu novo filme é A Vida e Morte de John F. Donovan, seu primeiro filme como diretor em Hollywood (além disso ele deve aparecer como ator nos aguardados Boy Erased e IT2) 💟 Meu Favorito: Tom na Fazenda