quinta-feira, 24 de maio de 2018

Na Tela: Deadpool 2

Deadpool a frente de seu X-Force: organizando o caos. 

Ryan Reynolds estava em baixa quando ressuscitou o mercenário Deadpool para o cinema. Ignorando completamente o vexame de sua participação em Wolverine (2009), ele provou que o personagem tagarela, desbocado e violento poderia fazer muito dinheiro ao fugir da cartilha dos filmes de super-herói vigente - e ainda lhe render uma indicação ao Globo de Ouro de ator de comédia! A primeira aventura de Deadpool (2016) fez muita grana e, obviamente que depois de tantos tropeços e concorrência com o universo Marvel, a Fox iria fazer uma continuação ainda mais ambiciosa. No entanto, com a mudança do diretor e a inserção de outro personagem conhecido nos quadrinhos, Cable (vivido por Josh Brolin), se imaginava que o filme tivesse o tom um pouco diferente. O resultado é que Deadpool2 procura ser menos disperso que o primeiro filme, claro que os palavrões e as piadas cretinas aparecem a todo instante, mas existe realmente a intenção de contar uma história aqui e, pasmem, até aprofundar o lado emocional do personagem. Este lado afetivo está relacionado não apenas aos fatos relacionados à namorada Vanessa (a brasileira Morena Baccarin), mas também à sua amizade com o menino (com nome de guerra) FireFist (o fofo Julian Dennison de Fuga Para a Liberdade/2016) que se rebela contra uma instituição que tortura crianças mutantes. Acontece que o menino será um super vilão no futuro e Cable volta no tempo para matar o menino antes que ele cresça. Sim, você já viu esta premissa em vários outros filmes, mas em nenhum outro ela estava no meio do ritmo caótico deste aqui (tão caótico que existe um rombo enorme envolvendo Cable ao final, mas vou deixar você descobrir...). Há muita coisa acontecendo em cena, a intenção do anti-herói reencontrar sua amada, sua temporada como estagiário dos X-Men, a sua tentativa de criar um grupo de heróis e os apelos para salvar FireFist. O filme tem cenas de ação caprichadas e entre elas o tom de chacota continua latente - e sobra para todo mundo (X-Men, Wolverine, Batman Vs. Superman, 007, Lanterna Verde, Frozen, Celine Dion...) num enredo que em momento algum se leva a sério (e paga o preço de ser previsível justamente por conta disso). Aqui não existe momento dramático que não termine em risada ou cena que não tenha pelo menos uns dois palavrões. Curiosamente o diretor David Leitch (do primeiro John Wick/2014 e do recente Atômica/2017, curiosamente dois filmes que sempre deixei para depois...) consegue fazer um filme mais ordenado que o anterior, mas que perde parte da voltagem de ação desmiolada. Embora a maior expectativa ficasse por conta da presença de Cable (que deve aparecer no filme do X-Force, ainda sem data de estreia), a surpresa mais agradável fica por conta de Domino (a espetacular Zazie Beetz), mutante cujo poder é ter sorte (muita sorte!) e roubar cenas (e que deixa a sensação de que ela poderia ter aparecido muito mais)! Deadpool 2 fará muito dinheiro e irá pavimentar o caminho para novos filmes do personagem (seja solo, seja com o X-Force, seja no encontro aguardado com Wolverine como as cenas pós-créditos, seja com os Vingadores ou o que aparecer da junção Fox/Disney), resta saber até quando sua fórmula subversiva terá graça para o público. 

Deadpool 2 (EUA/2018) de David Leitch com Ryan Reynolds, Josh Brolin, Julian Dennison, Zazie Beetz, Morena Baccarin, TJ Miller, Brianna Hildebrand e Eddie Marsan. ☻☻

Um comentário:

  1. Acho que é um dos melhores filmes que fizeram. Adorei a participação de Josh Brolin, é um ator multifacetado, seu papel de Cable é muito divertido e interessante. O vi também em Homens de Coragem, é muito bom. É interessante ver um filme que está baseado em fatos reais, acho que são as melhores historias, porque não necessita da ficção para fazer uma boa produção. Gostei muito de Homens de Coragem, não conhecia a história e realmente gostei. A história é impactante, sempre falei que a realidade supera a ficção, acho que é um excelente filme de drama . Super recomendo. É impossível não se deixar levar pelo ritmo da historia, o elenco fez possível a empatia com os seus personagens em cada uma das situações.

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