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terça-feira, 4 de agosto de 2026

NªTV: DTS St. Louis

Jason e David: nada é o que parece.
Elogiado diáriw, a minissérie DTS St Louis da HBO se tornou uma das produções mais celebradas do ano e, se considerarmos suas 13 indicações ao EMMY, deve se tornar uma das mais premiadas da temporada. Exibida nos meses de março e abril na emissora, meu interesse pelo programa veio com os comentários positivos unânimes que ouvi. O mérito aqui é subverter a impressão inicial de "já sei o que vai acontecer". Aquela sensação de comédia dramática suburbana que gerou pérolas como Beleza Americana (1999) e a série Desperate Housewives (2004-2012) repete-se aqui, mas nada é do jeito que você imagina. A trama aborda a amizade entre o apresentador Clark Forrest (Jason Bateman) e o intérprete de libras Floyd Smernitch (David Harbour) que o acompanha nos telejornais. Os dois ficam muito próximos e quando Floyd é encontrado morto, recai sobre Clark a suspeita de assassinato. Ao final do primeiro episódio a suspeita ganha ares de certeza com o caso entre ele e a esposa do falecido (Linda Cardellini) e os seis capítulos que se seguem servem para confundir o público e os investigadores encarregados do caso vividos por Richard Jenkins e Joy Sunday (que já teve destaque na série Wandinha, mas aqui mostra-se a revelação do elenco). A trama criada por Steve Conrad mistura adultério, aplicativos sexuais, amizade e auto-estima como uma espécie de jogo contra as expectativas do espectador. Se a visão inicial é a intenção de surpreender a plateia a qualquer custo, no desfecho percebemos que a proposta torna-se um desafio à nossa percepção sobre relações humanas. Não por acaso, a minissérie reforça o tempo inteiro que de perto ninguém é normal - e afinal, o que é ser normal? No fim das contas, só senti falta de um melhor desenvolvimento da esposa de Clark que praticamente some da narrativa. 

DTF St. Louis (EUA-2026) de Steve Conrad com Jason Bateman, David Harbour, Linda Cardellini, Richard Jenkins, Joy Sunday, Peter Sarsgaard, Chris Perfetti e Arlan Ruff. ☻☻☻☻ 

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

INDICADOS AO GLOBO DE OURO 2026

Agente Secreto: Brasil no páreo em três indicações. 

Hoje foram divulgados os indicados ao Globo de Ouro 2026 e o Brasil mais uma vez marca presença de forma memorável com três indicações. O Agente Secreto de Kleber Mendonça Filho concorre em três categorias: melhor filme estrangeiro, melhor ator e melhor filme de drama. Vale lembrar que na categoria de melhor ator, o brasileiro é apontado como favorito. Quanto aos concorrentes de melhor filme de drama é ver a categoria de melhor drama refletir como a safra hollywoodiana do ano foi fraca, tornando inevitável que três filmes de língua não inglesa aparecessem no páreo. Quem também fez bonito entre os indicados foi a Neon, que enquanto distribuidora esperta cravou cinco filmes entre os indicados a filme de língua não-inglesa. A cerimonia de entrega dos prêmios será dia onze de janeiro. 

Melhor filme — drama
Hamnet - A Vida Antes de Hamlet
Foi Apenas um Acidente
Sentimental Values

Melhor filme - musical ou comédia
Blue Moon
Bugonia
Marty Supreme
No Other Choice
Nouvelle Vague

Melhor filme em língua não-inglesa
Foi Apenas um Acidente (França)
No Other Choice - (Coreia do Sul)
Sentimental Value (Noruega)
Sirāt (Espanha)
A Voz de Hind Rajab - (Tunísia)

Melhor filme de animação
Arco
Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba - Castelo Infinito
Elio
Guerreiras do K-Pop
Little Amelie or the Character of Rain
Zootopia 2

Melhor atriz - drama
Jessie Buckley - Hamnet - A Vida Antes de Hamlet
Jennifer Lawrence - Morra, Amor
Renate Reinsve - Valor Sentimental
Tessa Thompson - Hedda
Eva Victor - Sorry, Baby

Melhor ator - drama
Dwayne Johnson - Coração de Lutador - The Smashing Machine
Jeremy Allen White - Springsteen: Salve-me do Desconhecido

Melhor atriz em filme comédia/musical
Rose Byrne - Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria
Cynthia Erivo - Wicked: Parte II
Kate Hudson - Song Sung Blue - Um Sonho a Dois
Amanda Seyfried - O Testamento de Ann Lee

Melhor ator em filme comédia/musical
Timothée Chalamet - Marty Supreme
George Clooney - Jay Kelly
Ethan Hawke - Blue Moon
Lee Byung-Hun - No Other Choice

Melhor atriz coadjuvante em cinema
Emily Blunt - Coração de Lutador - The Smashing Machine
Elle Fanning - Valor Sentimental
Ariana Grande - Wicked: Parte II
Inga Ibsdotter Lilleaas - Valor Sentimental

Melhor ator coadjuvante
Paul Mescal - Hamnet - A Vida Antes de Hamlet
Adam Sandler - Jay Kelly
Stellan Skarsgard - Valor Sentimental

Melhor sucesso cinematográfico e de bilheteria
Avatar: Fogo e Cinzas
F1: O Filme
Guerreiras do K-Pop
Missão: Impossível - O Acerto Final
Wicked: Parte II
Zootopia 2

Melhor diretor - filme
Jafar Panahi - Foi Apenas um Acidente
Joachim Trier - Valor Sentimental
Chloe Zhao - Hamnet - A Vida Antes de Hamlet

Melhor roteiro - filme
Ronald Bronstein & Josh Safdie - Marty Supreme
Jafar Panahi - Foi Apenas um Acidente
Eskil Vogt & Joachim Trier - Valor Sentimental
Chloé Zhao & Maggie O'Farrel - Hamnet - A Vida Antes de Hamlet

Melhor música - filme
Dream As One - Avatar: Fogo e Cinzas 
Golden - Guerreiras do K-Pop
No Place Like Home - Wicked: Parte II 
The Girl In The Bubble - Wicked: Parte II 

Melhor trilha sonora original - filme
Kangding Ray - Sirāt
Max Richter - Hamnet - A Vida Antes de Hamlet
Hans Zimmer - F1: O Filme

TELEVISÃO 
Melhor série musical ou de comédia
Abbott Elementary - ABC
O Urso - FX on Hulu
Hacks - HBO Max
Ninguém Quer - Netflix
Only Murders in the Building - Hulu

Melhor série de drama
A Diplomata - Netflix
The Pitt - HBO Max
Pluribus - Apple TV
Ruptura - Apple TV
Slow Horses - Apple TV

Melhor minissérie, série de antologia ou filme para TV
All Her Fault - Peacock
O Monstro em Mim - Netflix
Black Mirror - Netflix
Morrendo por Sexo - FX on Hulu
A Namorada Ideal - Prime Video

Melhor atriz – drama
Kathy Bates - Matlock
Britt Lower - Ruptura
Helen Mirren - Terra da Máfia
Bella Ramsey - The Last of Us
Keri Russell - A Diplomata
Rhea Seehorn - Pluribus

Melhor ator – drama
Sterling K. Brown - Paradise
Diego Luna - Andor
Gary Oldman - Slow Horses
Mark Ruffalo - Task
Adam Scott - Ruptura
Noah Wyle - The Pitt

Melhor atriz - musical, comédia
Kristen Bell - Ninguém Quer
Ayo Edebiri - O Urso
Selena Gomez - Only Murders in the Building
Natasha Lyonne - Poker Face
Jenna Ortega - Wandinha
Jean Smart - Hacks

Melhor ator - musical ou comédia
Adam Brody - Ninguém Quer
Steve Martin - Only Murders in the Building
Glen Powell - Chad Powers: O Quarterback
Martin Short - Only Murders in the Building
Jeremy Allen White - O Urso

Melhor atriz - minissérie, série de antologia ou filme para TV
Claire Danes - O Monstro em Mim
Rashida Jones - Black Mirror
Amanda Seyfried - Long Bright River
Sarah Snook - All her Fault
Robin Wright - A Namorada Ideal

Melhor ator - minissérie, série de antologia, filme para TV
Jacob Elordi - O Caminho Estreito para os Confins do Norte
Paul Giamatti - Black Mirror
Charlie Hunnam - Monster: The ED Gein Story
Jude Law - Black Rabbit
Matthew Rhys - O Monstro em Mim

Melhor ator coadjuvante - televisão
Billy Crudup - The Morning Show
Tramell Tillman - Ruptura

Melhor atuação em stand-up comedy na televisão
Bill Maher: Is Anyone Else Seeing This?
Brett Goldstein: The Second Best Night of Your Life
Kevin Hart: Acting My Age
Kumail Nanjiani: Night Thoughts
Ricky Gervais: Mortality
Sarah Silverman: Postmortem

Melhor podcast:
Armchair Expert with Dax Shepard
Call Her Daddy
Good Hang with Amy Poehler
The Mel Robbins Podcast
Smartless
Up First

segunda-feira, 24 de junho de 2024

Pódio: Christina Ricci

Bronze: A Irmã Maldosa

3º O Oposto do Sexo (1998) Christina Ricci começou a carreira no cinema aos dez anos de idade e até hoje considera que foi uma boa ideia ter começado tão cedo, já que estava entediada com a vida em casa e na escola. Quando se tornou adolescente, abraçou de vez o gosto por personagens incomuns, tanto que ao viver Dedee Truit neste clássico indie de Don Ross, ela chutou de vez o politicamente correto ao ser uma adolescente grávida que seduz e engana o namorado do irmão (Martin Donovan) para que ele assuma a criança. Pela confusão armada, Ricci foi indicada ao Globo de Ouro, ao Independent Spirit e premiada pelo National Board of Review. 

Prata: A Amiga Perigosa. 
2º Yellowjackets (2021-) O trabalho mais atual de Christina merece a medalha de prata por surpreender a cada episódio da série lançada pela Showtime e que atualmente está em cartaz na Netflix (e a segunda temporada está fresquinha no catálogo do streaming). Na pele da enfermeira Misty ela vive uma das sobreviventes do acidente aéreo que sofreram um bocado enquanto estavam perdidas em uma floresta. No entanto o jeito de boa moça esconde uma pessoa capaz de fazer coisas terríveis. A atriz tomou gosto por viver personagens com um tempero sombrio, mas nenhuma delas se disfarçava como uma ovelha inofensiva aos olhos dos demais. Pelo trabalho impecável foi indicada ao Emmy, Globo de Ouro e Critics Choice. 
 
Ouro: A Menina Mórbida 
1º A Família Adams (1991/1993) Se a pequena estreante já tinha chamado atenção como a filha caçula de Cher em Minha Mãe é uma Sereia (1990), no ano seguinte ela já recebia o papel que a deixaria marcada para sempre. Na pele de Wednesday (ou Wandinha Addams), Ricci demonstrou um pendor cool que ninguém imaginava. O rostinho fofo sobrevivia à caracterização sombria e dava um contorno perfeito para as ações da herdeira de Gomez e Mortícia. Christina repetiu o papel na sequência de 1993 e seu personagem recebeu ainda mais destaque. Imortalizando a personagem no cinema, Ricci ainda fez uma participação especial na série Wandinha (2022) dedicada à personagem, agora vivida adolescente por Jenna Ortega.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

GLOBO DE OURO 2023

Depois de um ano complicado, o Globo de Ouro finalmente realizou as mudanças que havia proposto para si em nome do prestígio que ainda tinha. O resultado é o retorno para a exibição na televisão e a melhor lista de indicados em muito tempo. Obviamente que alguns queridos da temporada ficaram de fora (como Till e Entre Mulheres), mas confesso que fiquei muito feliz com a lembrança de Carolina  e  Ciao Papa entre as canções. Nas categorias televisivas, Ruptura tem minha torcida em todas as categorias e adoraria ver Aubrey Plaza premiada por seu trabalho na segunda temporada de White Lotus (que terminou ontem na HBO e já estou devendo a crítica).  A seguir todos os indicados, façam as suas apostas: 
Banshees of Inisherin: o mais lembrado com oito indicações. 

                                                 CATEGORIAS DE CINEMA

MELHOR FILME – DRAMA
"Avatar: O caminho da água"
"Os Fabelmans"
"Tár"
"Top Gun: Maverick"

MELHOR FILME - COMÉDIA/MUSICAL
"Babilônia"
"Os Banshees de Inisherin"
"Glass Onion: Um Mistério Knives Out"
"Triângulo da tristeza"

 MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO
"Inu-Oh"
"Marcel the Shell with Shoes On"
"Gato de Botas 2: O Último Pedido"
"Red: Crescer é uma Fera"

MELHOR DIRETOR
James Cameron - "Avatar: O caminho da água"
Martin McDonagh, "Os Banshees de Inisherin"
Steven Spielberg - "Os Fabelmans"

MELHOR ROTEIRO
Todd Field, "Tár"
Tony Kushner & Steven Spielberg, "Os Fabelmans"
Martin McDonagh, "Os Banshees de Inisherin"
Sarah Polley, "Entre mulheres

ATOR EM FILME - COMÉDIA/MUSICAL
Diego Calva, "Babilônia"
Daniel Craig, "Glass Onion: Um Mistério Knives Out"
Adam Driver, "Ruído branco"
Colin Farrell, "Os Banshees de Inisherin"
Ralph Fiennes, "O Menu"

ATOR EM FILME – DRAMA
Brendan Fraser - "The Whale"
Hugh Jackman - "The son"
Bill Nighy - "Living"
Jeremy Pope - "The inspection"

MELHOR ATRIZ EM FILME – DRAMA
Cate Blanchett - "Tár"
Olivia Colman - "Império da luz"
Viola Davis - "A mulher rei"
Michelle Williams - "Os Fabelmans"

MELHOR ATRIZ EM FILME - COMÉDIA/MUSICAL
Margot Robbie - "Babilônia"
Anya Taylor-Joy - "O Menu"
Lesley Manville - "Sra. Harris vai a Paris"

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM FILME
Angela Bassett, ""Pantera Negra: Wakanda para sempre""
Kerry Condon, "Os Banshees de Inisherin"
Dolly De Leon, "Triângulo da tristeza"
Carey Mulligan - "Ela disse"

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM FILME
Brendan Gleeson, "Os Banshees de Inisherin"
Barry Keoghan, "Os Banshees de Inisherin"
Brad Pitt, "Babilônia"

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
"RRR" (India)
"Close" (Bélgica)
"Decision to leave" (Coreia do Sul)

MELHOR TRILHA ORIGINAL EM FILME
Hildur Guðnadóttir, "Entre mulheres"
Justin Hurwitz, "Babilônia"
John Williams, "Os Fabelmans"
Carter Burwell, "Os Banshees de Inisherin"

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL EM FILME
"Hold My Hand" ("Top Gun: Maverick")
"Lift Me Up" ("Pantera Negra: Wakanda para sempre")
"Naatu Naatu" ("RRR")

Ruptura: eu na torcida!

CATEGORIAS DE TV

MELHOR SÉRIE DE TV - DRAMA
"Better Call Saul"
"The Crown"
"A Casa do Dragão"
"Ozark"

MELHOR ATOR EM SÉRIE DE TV - DRAMA
Jeff Bridges, "The Old Man"
Kevin Costner, "Yellowstone"
Diego Luna, "Andor"
Bob Odenkirk, "Better Call Saul"

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE TV - DRAMA
Emma D'arcy – 'A casa do dragão"
Laura Linney – "Ozark"
Imelda Staunton – "The Crown"
Hilary Swank – "Alasca: Em Busca da Notícia"
Zendaya – "Euphoria"

SÉRIE LIMITADA, SÉRIE ANTOLÓGICA OU TELEFILME
"Black Bird"
"Dahmer: Um Canibal Americano"
"Pam & Tommy"
"The Dropout"
"The White Lotus: Sicily"

ATOR EM SÉRIE LIMITADA, SÉRIE ANTOLÓGICA OU TELEFILME
Taron Egerton - "Black Bird"
Colin Firth - "A Escada"
Andrew Garfield - "Em nome do céu"
Evan Peters - "Dahmer: Um Canibal Americano"
Sebastian Stan - "Pam & Tommy"

ATRIZ EM SÉRIE LIMITADA, SÉRIE ANTOLÓGICA OU TELEFILME
Jessica Chastain - "George and Tammy"
Julia Garner - "Inventando Anna"
Lily James, - "Pam & Tommy"
Julia Roberts - "Gaslit"
Amanda Seyfried - "The Dropout"

ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE LIMITADA, SÉRIE ANTOLÓGICA OU TELEFILME
Jennifer Coolidge - "The White Lotus"
Claire Danes - " A Nova Vida de Toby"
Daisy Edgar-Jones - "Em nome do céu"
Niecy Nash-Betts - "Dahmer: Um Canibal Americano"
Aubrey Plaza - "The White Lotus"

ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE LIMITADA, SÉRIE ANTOLÓGICA OU TELEFILME
F. Murray Abraham - "The White Lotus"
Domhnall Gleeson - "O paciente"
Paul Walter Hauser - "Black Bird"
Richard Jenkins - "Dahmer: Um Canibal Americano"
Seth Rogen - "Pam & Tommy"

MELHOR SÉRIE DE TV - COMÉDIA/MUSICAL
"Abbott Elementary"
"O Urso"
"Hacks"
"Only Murders in the Building"

ATOR EM SÉRIE DE TV - COMÉDIA/MUSICAL
Donald Glover - "Atlanta"
Steve Martin - "Only Murders in the Building"
Martin Short - "Only Murders in the Building"
Jeremy Allen White - "O Urso"

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE TV - COMÉDIA/MUSICAL
Quinta Brunson - "Abbott Elementary"
Kaley Cuoco - "The Flight Attendant"
Selena Gomez - "Only Murders in the Building"
Jean Smart - "Hacks"

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA-MUSICAL OU DRAMA
John Lithgow - "The Old Man"
Jonathan Pryce - "The Crown"
Tyler James Williams - "Abbott Elementary"

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA-MUSICAL OU DRAMA
Elizabeth Debicki - "The Crown"
Hannah Einbinder - "Hacks"
Julia Garner - "Ozark"
Janelle James - "Abbott Elementary"
Sheryl Lee Ralph - "Abbott Elementary"

sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

NªTV: Wandinha

 

Ortega: Wandinha como manda o figurino. 

O melhor de escrever sobre uma série de sucesso feito Wandinha da Netflix é não precisar implorar para que vocês assistam para que exista uma nova temporada. A série já se tornou um sucesso mundial e já entrou para a história da gigante do streaming como uma das mais vistas de todos os tempos. A série é boa mesmo! O que mais gosto é o fato de dar para a herdeira da Família Addams uma vida própria no decorrer dos oito episódios que compõem a primeira temporada. Aqui ela surge um tantinho mais velha, entre os quinze e dezesseis anos, com o mesmo estilo cool e o gosto pelo mórbido que sempre foi sua marca registrada. Vivida por Jenna Ortega (uma jovem atriz que já havia conseguido papéis de destaque no mais recente Pânico/2022 e X/2022 ), Wandinha depois de aprontar em várias escolas é enviada para a escola em que seus pais se conheceram, a Lugar Nenhum, que sempre foi destinada a pessoas com um pezinho no terror. Entre sereias, vampiros, lobisomens, descendentes de Medusa, metamorfos e outros indivíduos com características especiais, a escola lembra um pouco a pegada mais adolescente de X-MEN ou O Lar das Crianças Peculiares/2016 que ganhou versão cinematográfica pelas mãos de Tim Burton (que assina os quatro primeiros episódios do programa). Parece que depois de um período apático de sua carreira, Burton ressurge inspirado na construção dos episódios e cria um dueto perfeito com Jenna. Outro acerto da produção foi escalar a gigante Gwendoline Christie para viver a diretora da escola e ex-colega de quarto de Mortícia Addams (vivida aqui por Catherine Zeta-Jones). Para costurar todos os episódios existe um mistério em torno de uma criatura que está destruindo pessoas nos arredores da escola e que aos poucos uma série de suspeitos são apontados - entre eles dois pretendentes de Wandinha, Tyler (Hunter Doohan) e Xavier (Percy Hynes White). O elenco juvenil é um grande acerto da série, já que diante da premissa de filme adolescente misturada com mistério e terror ganha um tempero a mais com o entrosamento que todos demonstram em cena. A ideia funciona tão bem que Wandinha precisa pouco de seus parentes ilustres (outros que aparecem na série é o papai Gomez vivido por Luiz Guzmán, o maninho Feioso vivido por Isaacc Ordenez e Tio Chico interpretado por Fred Armisen) e, com todo respeito, quando eles aparecem a série perde até o ritmo da narrativa. Quem se torna um coadjuvante ilustre indispensável é Mãozinha, que é feita magistralmente por Victor Dorobantu. Os xiitas vão reclamar que a série foge das caracterizações dos filmes clássicos do Barry Sonnenfeld lançados em 1991e 1993, mas fugir do que já estava consolidado me parece mais uma qualidade do que um defeito. Que venha a segunda temporada. 

Wandinha (EUA-2022) de Miles Millar e Alfred Gough com Jenna Ortega, Hunter Durhan, Emma Myers, Percy Hynes White, Gwendoline Christie, Catherine Zeta-Jones, Luis Guzmán, Joy Sunday e Christina Ricci. ☻☻☻☻ 

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

CATÁLOGO: A Família Addams

A Família Addams: a mais cool de todos os tempos.

Lembrei dos filmes da Família Addams por quatro motivos nesta semana: ter me decepcionado com Sombras da Noite de Tim Burton, os debates sobre Halloween no Brasil, dia de finados e ter assistido a um pedaço de Gomez & Cia numa dessas bem vindas reprises da TV por assinatura. Levei um susto quando me toquei que a já clássica primeira aventura do diretor Barry Sonnenfeld pelo universo criado por Charles Adams  já tem mais de duas décadas de lançamento nas telonas (ai meu Chronos!). Pra começar, os filmes de Sonnenfeld teve uma das melhores escolhas de elenco da década de 1990, Raul Julia na pele do galante Gomez está perfeito, assim como Anjelica Huston na pele (pálida) de uma sensual Mortícia Adams (acho que só ela e Michelle Pfeiffer - como Mulher Gato - se tornaram a cara de personagens já consagrados anteriormente), além disso o elenco contava com uma pequena Christina Ricci tornando Vandinha/Wednesday uma das crianças mais cool do cinema e Christopher Lloyd como o sinistramente adorável Fester. Ah, claro, não poderia me esquecer da famigerada mão decepada que tornou-se um dos 'mascotes' mais adorados com o lançamento do filme. Os fãs mais fervorosos da série reclamaram que a história ficou bem mais leve do que a apresentada na série de TV, mas ainda assim o roteiro tem bons momentos de besteirol temperado com muito humor negro. A trama acompanha os Addams às voltas com um golpe de seu advogado desonesto (Dan Hedaya). Ele e a esposa (Elizabeth Wilson) estão em crise financeira e preparam um golpe para roubar o tesouro dos Addams. Faz tempo que Gomez procura seu irmão desaparecido e o advogado percebe que o filho, Gordon (Lloyd), é muito parecido com o desaparecido Fester e pede para que finja ser o membro da família Addams. A farsa armada consegue causar um abalo na família, colocando em risco a integridade financeira e a união entre eles, no entanto, Gordon sente-se tão bem na companhia daquela bizarra família que já considera um verdadeiro membro. Sucesso de bilheteria e indicado ao Oscar de figurino, todo mundo percebe que o estúdio pegou leve na versão para a telona para conquistar a empatia do grupo - mas as tiradas de Wandinha ao lado de seu mano Pugsley (Jimmy Workmen), momentos como Gomez visivelmente excitado com Mortícia numa câmara de tortura e a brincadeira de desenterrar o morto no Halloween ainda provocam risadas, além da participação do sempre curioso primo Itt (que parece mais um gêmeo do Capitão Caverna). O final do filme deixava uma vaga ideia para a continuação, como o público aceitou bem a família ?(fazendo o filme render três vezes o orçamento original só nos EUA) a produção do segundo foi encomendada. Assistindo à Família Adams 2 percebe-se que houve um maior cuidado com a produção, fotografia, direção de arte (indicada ao Oscar) e efeitos especiais, assim como o roteiro. A impressão é que se todo o primeiro filme girava em torno dos conflitos de Gomez e Fester, desta vez, todo mundo tem uma subtrama própria. A chegada do bebê Pubert (meigo, rosado e bigodudo) fortalece ainda mais o laço matrimonial entre Mortícia e Gomez, porém, enche Fester de descontentamento, já que começa a pensar em ter sua própria família. A pretendente é a babá de Pubert, Debbie (Joan Cusack, se divertindo até mais do que devia com o papel de mulher sexy e perigosa). Só que Vandinha e Pugsley são mais espertos do que a babá e percebem que ela é uma charlatã doida para dar o golpe do baú. Nessa confusão, Debbie convence Mortícia e Gomez a mandar os dois para um acampamento de verão - onde acontece algumas das cenas mais engraçadas do filme. O texto é visivelmente mais demonstra a pretensão do filme superar o primeiro, mas se a crítica aprovou o público torceu o nariz. Talvez por investir mais no estranhamento da família, o público não conferiu ao longa uma bilheteria satisfatória para as expectativas do estúdio (nos EUA rendeu menos de 50 milhões). O final meio apressado também não ajuda muito, mas as desventuras no acampamento compensam os tropeços. O espaço garantido para Vandinha na trama é apenas um reflexo do enorme apelo perante o público que a brilhante Christina obteve, pena que Hollywood não dá o devido valor à moça depois que ela cresceu. Com o falecimento de Raul Júlia (em 1994) a franquia acabou órfã quando começavam as especulações sobre um terceiro filme - mas, não se assuste se em breve, Hollywood recauchutar a franquia (embora, dificilmente consega juntar um elenco tão inspirado novamente). 

A Família Addams (The Addams Family/EUA-1991) de Barry Sonnenfeld com Anjelica Huston, Raul Julia, Christina Ricci, Christopher Lloyd e Dan Hedaya. ☻☻☻

A Família Addams 2 (Addams Family Values/EUA-1993) de Barry Sonnenfeld com Anjelica Huston, Raul Julia, Christina Ricci, Christopher Lloyd e Joan Cusack. ☻☻☻

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

CATÁLOGO: O Oposto do Sexo


Ricci e Sergei: o massacre do melodrama pelas lentes de Don Ross.

Antes de se aventurar na direção, Don Ross ganhou status como roteirista de séries de TV, seu nome pode ser conferido nos créditos do clássico seriado Casal 20 (1981-1984) e The Colbys (1986), mas ganhou o cinema logo em seu primeiro roteiro para a telona com Mulher Solteira, Procura (1992), que se tornou um clássico do gênero ao colocar Jennifer Jason Leigh tentando roubar a vida de Bridget Fonda. O filme deu tão certo que manteve seu nome com crédito mesmo depois de seus textos posteriores (como o bobinho Somente Elas/1995 ou a refilmagem de Diabolique/1996), conseguindo estrear na direção com O Oposto do Sexo, comédia de humor negro e politicamente incorreta até o osso. Embora tenha muitos elementos dramáticos no roteiro, eles parecem servir somente para que sua protagonista faça troça de todos eles. Obviamente que Ross não era bobo e sabia que para tudo funcionar precisava de uma atuação matadora de uma jovem estrela que não tivesse medo de fazer cara feia e posar de bad girl. Para isso, nada melhor do que escalar um ilustre membro da Família Adams, Cristina Ricci (a Wandinha Adams, ainda gorducha) foi indicada a vários prêmios (inclusive ao Globo de Ouro de atriz de comédia/musical) como a sua intragável (e impagável) Dede Truitt, uma viborazinha de cabelos tingidos que é capaz de jogar o que ver pela frente sobre o caixão do pai e ainda destruir a paz de qualquer ser vivo que se aproxime. Depois de ficar de saco cheio das lágrimas de sua mãe, a garota vai morar com seu irmão mais velho, o homossexual bem resolvido Bill (Martin Donovan, em um de seus melhores momentos) - acho que esqueci de dizer que Dede é extremamente preconceituosa e acha que se engravidar do atual namorado (Ivan Sergei) do irmão pode ser um bom caminho para que ele se torne hetero! Como se não bastasse ter que aturar essa praga co-sanguínea, Bill ainda tem que aguentar o azedume da solteirona Lucy (Lisa Kudrow, ótima), irmã de um falecido namorado de Bill e que mal consegue disfarçar sua atração pelo cara. Ross faz uma grande confusão com esses personagens em cena e ainda arrisca uns castos beijinhos homos que não deve escandalizar os mais puristas. O diretor nunca mais debochou tanto dos elementos melodramáticos de um roteiro e o resultado lembra muito a afirmação de que comédia e drama nascem da mesma fonte, a diferença é a forma como se conta a história. Ross, que é homossexual assumido, não poupa nem os gays mais histéricos neste massacre de arquétipos - pena que nem ele ou Cristina encontraram novamente um material tão agradavelmente subversivo em suas carreiras. 

O Oposto do Sexo (The opposite of Sex/EUA-1998) de Don Ross com Cristina Ricci, Martin Donovan, Lisa Kudrow, Ivan Sergei, Johnny Galecki e Colin Ferguson. ☻☻☻