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sábado, 12 de fevereiro de 2011

FILMED+: Beleza Americana

Spacey e Bening: dupla afiada na magistral estréia de Sam Mendes.

Sam Mendes era um festejado diretor inglês que havia trabalhado com estrelas do porte de Judy Dench e Nicole Kidman. Todos se rasgavam em elogios à sua habilidade em sugar o máximo de seus atores e exibir o que seus personagens escondiam em suas entranhas. Portanto, era inevitável que ele fosse convidado a mostrar todo o seu talento no cinema, ou melhor, em Hollywood. A Dreamworks de Spielberg tinha um roteiro primoroso de Allan Ball nas mãos, mas não fazia a mínima ideia de quem poderia levá-lo para a tela com toda a argúcia necessária. Foi quando surgiu o convite e Mendes percebeu que era capaz de fazer uma obra-prima com aquele material. Beleza Americana é um filme único - e ainda fechou com chave de ouro uma década onde o cinema hollywoodiano flertou com a estrutura narrativa do cinema independente. Na década de 1990, com o fim da Guerra Fria, os cineastas sobrinhos do Tio Sam começaram a voltar-se mais para o próprio umbigo, ou melhor, a explorar o leito familiar dos cidadãos americanos, deste ponto de partida que surgiram obras como Felicidade (1998) de Todd Solondz e Tempestade de Gelo (1997) de Ang Lee - que guardam muitas semelhanças com o tom impresso por Mendes em sua estréia como cineasta. Mas o que faz Beleza Americana ser tão diferente ao ponto de ganhar cinco Oscars (filme, diretor, ator, roteiro original e fotografia)? Primeiramente é sua exuberância visual que se funde magistralmente com o tom robusto da narrativa impressa por Mendes. O filme desonstrói o conforto dos subúrbios americanos a partir da história de Lester Burnham (Kevin Spacey, Oscar de ator) e sua família. Lester é um homem insatisfeito com os rumos de sua vida, com o marasmo do casamento com (a bela, ambiciosa e neurótica) Carolyn Burnham (Annette Bening, ótima e que poderia muito bem ter ganho o Oscar de atriz) que procura expressar todo o sucesso e felicidade que não tem com seu emprego de corretora de imóveis. Lester e Carolyn estão totalmente imersos num mundo de aparências, o mundo do american way of life contemporâneo e em meio a tudo isso acabaram se perdendo das pessoas que gostariam de ser. A vida poderia continuar em sua monotonia se Lester não começasse a se interessar pela amiga adolescente (Mena Suvari) de sua filha (Thora Birch) e começasse a repensar sobre sua vida e voltar exatamente ao ponto onde perdeu o controle sobre ela. Lester logo faz amizade com o novo vizinho (Wes Bentley) que nutre admiração por sua filha e que vende maconha pelo bairro. Este é o ponto de partida para que Mendes passeie pelo interior de seus personagens, expondo insatisfações e contradições de pessoas comuns tentando lidar com as suas vidas que oscilam entre a busca pelo sucesso e a mediocridade. No fim das contas até a senhora Burnham sucumbe ao charme de um concorrente no ramo imobiliário. Apesar do tom cômico em diversas cenas, o filme incomoda  pela forma como critica o culto à aparência que camufla uma solidão dolorosa na essência de suas vidas (por isso a confissão de Suvari ao fim da sessão pode provocar gargalhadas ou a cena da cerveja no sofá oscila entre a comédia e a tragédia). Mendes faz um trabalho excepcional que não incomoda nem ao final de contornos moralistas. Há uma melancolia avassaladora na beleza americana feita para o consumo mundial - e esta se revela uma prisão para muita gente.

BELEZA AMERICANA (American Beauty/EUA-1999) de Sam Mendes com Kevin Spacey, Annette Bening, Thora Birch, Chris Cooper, Wes Bentley, Mena Suvari, Peter Gallagher, Allison Jeaney e Scott Bakula. ☻☻☻☻☻ 

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Combo: Filmes Família

Ao final do século XX  os filmes com foco nas famílias passaram por uma recauchutada que seguiru até o início do século XXI. A família no cinema se tornou mais mordaz, cínica e com toques de humor negro - o que serviu para revigorar um gênero que estava gasto e com excesso de açúcar. Por isso lembrei de cinco filmes que representarão para sempre essa repaginada:

5 Heróis Imaginários (2004) O menos aclamado do gênero não merece menos atenção por conta disso. Existem muitos méritos no filme do cineasta Dan Harris, a começar pelas atuações de Jeff Daniels, Sigourney Weaver e Emile Hirsch. Retratar a vida de uma família depois da morte de um filho não é novidade, mas não lembro de nenhuma obra ter uma abordagem com tantos toques de ousadia como esse aqui. Enquanto a filha (Michelle Williams) sai de casa para cursar a faculdade, o caçula (Hirsch) precisa enfrentar os seus conflitos com a figura do irmão falecido - nadador que preparava-se para ir para a olímpiada. Enquanto Daniels interpreta mais um intelectual barbudo pedante, Weaver é a mãe que gosta de dar uma relaxada fumando maconha. Tempere os assuntos citados com  outros segredos e a  falta de comunicação familiar que você terá uma ideia do que verá. 

4 Felicidade (1997) Depois de Bem Vindo à Casa de Bonecas (1995) o cineasta Todd Solondz quis radicalizar ainda mais o seu humor cruel com este Felicidade em que acompanha a história da família Jordan e suas três irmãs que precisam lidar com um pai hipertenso (Ben Gazarra) que faz tudo que o médico manda não fazer (um suicida mesmo).  Helen (Lara Flynn Boyle) é a típica escritora esnobe bem sucedida que tem como admirador um tímido esquisito (Phillip Seymour Hoffman), Trish (Cynthia Stevenson) nem imagina que seu esposo (Dylan Baker) é um pedófilo e Joy (a ótima Jane Adams) está às voltas com um imigrante russo interesseiro (Jared Harris). Solondz atira para todos os lados (sobra até para o tamagotchi do filho de Trish) e, não satisfeito, retomou alguns dos personagens em O Amor Durante a Guerra que teve o roteiro premiado no Festival de Veneza em 2010.  

3 Festa de Família (1998) Até a Dinamarca resolveu colaborar nessa revolução nos filmes família. O primeiro longa realizado dentro dos preceitos do movimento Dogma95 (ou seja, sem luz artificial, trilha sonora somente ambiental e filmado com câmera digital), Tomas Vinterberg realizou seu filme de maior repercussão e polêmica. Apesar do formato, o filme deixou claro que os seguidores do manifesto dogma estavam longe de ser amadores ao fazer cinema. Ambientado num hotel fazenda durante o aniversário de 60 anos do patriarca, a confusão começa quando o filho mais velho faz um brinde e declara ter sido abusado pelo pai durante a infância. A partir daí uma série de conflitos emergem enquanto a festa atravessa a noite. Ganhador do prêmio do Júri em Cannes, Independente Spirit (de filme estrangeiro) e indicado ao Globo de Ouro, é uma daquelas obras que provoca barulho sempre que é visto. 

2 Tempestade de Gelo (1997) Em sua segunda empreitada em Hollywood, o taiwanês Ang Lee mergulhou na ebulição causada pela revolução sexual dos anos 1970 no âmbito familiar. Baseado na obra de Rick Moody, o filme acompanha dois casais (Kevin Kline & Joan Allen / Sigourney Weaver & Jamey Sheridan) e seus respectivos filhos (Christina Ricci & Tobey Maguire / Elijah Wood e Adam Hann-Byrd) num período em que a liberdade sexual começava a ser tão atraente quanto assustadora. Enquanto adultérios e iniciações sexuais ganham mais atenção do que o escândalo Watergate nas casas do subúrbio americano, uma tempestade de gelo se aproxima e promete fazer mais estrago do que a famosa festa da chave (onde uma mulher casada sorteia a chave do marido de outra para passar a noite). As atuações excepcionais e o roteiro premiado em Cannes valem cada minuto da sessão. 

1 Beleza Americana (1999) Ainda acho que a estreia na telona rendeu o melhor filme de Sam Mendes. Ganhador de cinco Oscars (filme, diretor, ator, roteiro original e fotografia), Beleza Americana é de uma exuberância narrativa impressionante. Olhando para além da superfície dos valores consumistas da sociedade americana, o filme acompanha os conflitos de Lester Burnhan (Kevin Spacey) e sua esposa, Carolyn (Annette Bening) que enfrentam uma crise de valores no casamento, Colabora ainda para o estado da família a relação da filha rebelde (Thora Birch) com o filho esquisito (Wes Bentley) do vizinho nazista (Chris Cooper). Virando os personagens do avesso, o filme tornou-se um dos favoritos do Oscar em todos os tempos com sua história que mistura adultério, drogas, virgindade, homossexualismo e um crime que serve apenas para dizer que amanhã pode ser tarde demais para dizer que aquela pessoa é tão especial.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

DVD: Tabu

Jazira e seu pai: violência &  falta de diálogo.

A vida de Alan Ball mudou radicalmente depois que ele recebeu o Oscar de roteiro original por Beleza Americana (1999), dificilmente sem um roteiro tão bem elaborado em descascar seus tipos comuns o filme seria tão premiado. Se desde então a carreira de Ball ficou famosa por estar por trás de séries aclamadas como A Sete Palmos e True Blood, no cinema sua estreia na direção era inevitável. Para a tarefa escolheu a obra de Alicia Erian sobre uma adolescente, filha de um libanês e uma americana que além dos turbilhões hormonais da idade ainda tem que lidar como uma série de situações delicadas: a descoberta da sexualidade em meio a educação castradora do pai e os assédios de um vizinho mais velho e casado. A obra de Erian cai como uma luva para o texto de Ball, que mais uma vez prefere ler as entrelinhas na vida confortável de um subúrbio americano (especificamente do Texas), explorando contradições, anseios e frustrações com o auxílio de um elenco dedicado. O problema maior de Ball é que lhe faltou sutileza nos primeiros momentos de seu filme de estreia. A vida de Jazira (a ótima Summer Bishi) por mais que seja complicada corre o risco de não comover o público devido aos momentos exagerados no início do filme. Logo nas primeiras cenas é sugerida uma intimidade suspeita entre a menina e o seu padrasto (Chris Messina), o que acaba acarretando que a mãe (Maria Bello) a despache para morar com o pai repressor (o assutador Peter Macdissi). Não vai demorar para menina levar um tapa na cara, ser vítima de perseguição na escola (afinal a trama se passa pós 11 de setembro e diante da invasão do Iraque) e depois ela será molestada pelo vizinho com pinta de galã (Aaron Eckhart) - isso tudo em menos de uma hora de projeção. Se você sobreviver a esse início hardcore, você poderá até gostar do ritmo adequado que Ball alcança logo a seguir, mostrando que todos esses acontecimentos fazem com que Jazira saiba manipular quem está ao seu redor para ter um pouco mais de sossego (ela não demora a aperceber que eles não primam pela esperteza, desde a namorada avançadinha do papai ao namorado negro que também sofrerá preconceitos por parte dos pais de Jazira). Ball radicaliza os horrores do subúrbio, sem fazer concessões ou amenizar situações pouco agradáveis para o espectador (e por muito pouco não deixa tudo cair na caricatura), alguns podem ver isso como um mérito, outros como um defeito, mas o que o filme propõe é que o diálgo é fundamental em qualquer relação. O autoritário pai de Jazira, por mais que queira protegê-la, só assusta a menina que resolve viver suas sensações de forma silenciosa (e que acarreta uma das cenas mais violentas do filme). No entanto, a polêmica maior do filme é a forma como o personagem de Aaron Eckhardt é mostrado. Sedutor, ele ora posa de vítima, ora de culpado, mas sem dúvida trata-se de um sujeito desprezível. A voz da consciência em meio às tragédias de Jazira vem da acolhedora vizinha Melina (vivida por Toni Collete). Grávida e com o instinto materno à flor da pele, Melina percebe que a garota corre risco nas garras do vizinho e acaba tendo de protegê-la da fúria paterna. Claro que ao invés de ser um dramalhão, Ball capricha para que seu filme tenha um humor negro, ácido e incômodo, mas ao contrário de Beleza Americana oferece um final otimista para seu personagem com a eminência de uma nova vida que chega. Apesar das atuações marcantes, Ball fica devendo uma narrativa mais equilibrada entre os atos de sua estreia como cineasta.

Tabu (Towelhead/EUA-2007) de Alan Ball com Summer Bishi, Peter Macdissi, Aaron Eckhart, Toni Collete e Maria Bello.

domingo, 19 de março de 2017

PL►Y: A Pastoral Americana

Ewan e Jennifer: destruindo o sonho americano. 

Sempre acho interessante quando um ator famoso estreia como diretor. Não sei explicar muito bem o motivo, mas acho que está relacionado à oportunidade revelar como este pensa "cinema". Ano passado foi a vez do escocês Ewan McGregor fazer o seu debut com a adaptação de um livro de Phillip Roth, no entanto, se não demonstra ser um cineasta brilhante, Ewan sabe zelar pelo visual do filme e criar uma atmosfera sombria bastante eficiente. A  Pastoral Americana conta  história de uma família nos conturbados anos 1950, o casal é formado pelo judeu Swede Levov (McGregor) - que ficou famoso na cidade por seu sucesso como jogador no time da escola - e a católica Dawn (Jennifer Connelly), uma rainha da beleza que chegou a concorrer ao prêmio de Miss America. Como em todo livro de Phillip Roth eles não servem apenas como pessoas de uma narrativa, mas são encarnações símbolos do imaginário norte-americano. Ele trabalha numa indústria de confecção de luvas e ela queria ser professora de música na escola local, mas acabou cuidando de algumas cabeças de gado que herdou do pai. Juntos eles tiveram Merry (vivida por Dakota Fanning quando adolescente). Menina meiga e carinhosa, mas de uma gagueira incurável que uma terapeuta considera um reflexo de como ela lida com o histórico de seus pais - talvez ela se frustre por não ser capaz de seguir os passos da mãe nos concursos de beleza e tão pouco encontrar um cavalheiro tão atraente quanto o pai. O fato é que Merry cresce um tanto revoltada com a situação política do seu país (guerra do Vietnã, luta pelos direitos civis, movimento hippie, ativismo radicalista...) e sente-se um tanto culpada pelo conforto do lar. Não demora muito para a menina se torna suspeita de uma explosão realizada na cidade e seu paradeiro se torna desconhecido. Pode se dizer que o filme se divide em três atos que testarão a habilidade de McGregor em construir uma narrativa fluente. No primeiro ato ele se sai bem, apresentando os personagens e as fissuras de onde os maiores problemas surgirão, depois ele se complica. No segundo ato, o roteiro e montagem deixam a narrativa confusa, deixando o espectador mais preocupado com onde perdeu o fio da meada do que com o desaparecimento da menina. Esta é a parte mais importante do filme, já que o foco recai sobre o olhar dos pais sobre a princesa da casa é suspeita de terrorismo. Por conta disso, o filme ganha um tom de filme noir que segue para testar a índole incorruptível do pai enquanto a mãe mostra-se mais fragilizada e prestes a ter um colapso. Passada a confusão do miolo, chegamos ao último ato, onde se joga por terra tudo o que o casal acreditava ser verdadeiro diante do estranho destino doentio escolhido pela filha. A Pastoral Americana só não voa mais alto porque resulta truncado em sua realização que deixa de lado alguns pontos importantes da complexa relação familiar que acompanhamos. Embora não tenha medo de ser uma história deprimente, o longa poderia ser mais interessante se tivesse um texto melhor lapidado, mas penso que a própria escrita de Roth deixa os roteiristas um tanto confusos na hora de criar um roteiro. Sobre o diretor estrante, vale dizer que McGregor está liberado para novas obras, só espero tenha uma voz mais definida em sua próxima empreitada atrás das câmeras.

A Pastoral Americana (American Pastoral/EUA-2016) de Ewan McGregor com Ewan McGregor, Jennifer Connelly, Dakota Fanning e David Strathairn. 

sábado, 23 de fevereiro de 2013

FILMED+: Argo

Affleck: diretor esnobado no Oscar, só no Oscar...

Às vezes eu demoro para escrever o comentário sobre um filme (só para você ter ideia, a minha lista de filmes vistos e esperando um comentário ultrapassa, atualmente, dez títulos). Alguns se perdem em algum canto da memória e quando revejo escrevo sobre ele. Outros quando vejo eu preciso de um tempo para digerir até que um texto seja produzido. Também existem aqueles que prefiro dar uma outra olhada para ter certeza que não estou sendo vítima de alguma campanha de marketing. Deve ser por isso que somente agora me sinto preparado para escrever sobre Argo, o terceiro longa de Ben Affleck na direção e um dos mais celebrados do ano. Se você perceber, ele entrou na minha lista de dez melhores filmes de 2012 e quase desbancou Drive ao título de meu favorito entre os lançamentos do ano passado em terras brasileiras. O fato é que nunca duvidei que Ben Affleck houvesse construído um ótimo filme. Desde que apareceu o primeiro lampejo sobre Argo na imprensa, o filme recebeu minha atenção com sua trama inacreditável. É visível como em cada filme Affleck tornava-se cada vez mais seguro ao conduzir a trama enquanto manteve firme sua astúcia para escalação de elenco. Affleck sabe como uma estrela sofre para ser levada a sério e, por isso mesmo, gosta de escalar bons atores que nem sempre tem um vasto fã clube. Mais que eficiente na condução das atuações, Ben sempre garantiu uma vaga para seu elenco entre os favoritos da Academia. Foi assim em sua estreia com Medo da Verdade/2007 (onde a mãe maluquete de Amy Ryan lhe valeu vários prêmios e uma indicação ao Oscar de atriz coadjuvante), o feito se repetiu com Atração Perigosa/2010 (que confirmou Jeremy Renner como um ator respeitável - indicado ao prêmio de ator coadjuvante) e agora Alan Arkin como uma raposa de Hollywood sendo indicado ao prêmio de ator coadjuvante. Nem vou comentar que o filme levou para a casa o Prêmio do Sindicato dos Atores de Melhor Elenco, prêmio que acabou ofuscado diante do Globo de Ouro de Melhor Filme e diretor (dobradinha que se repetiu no BAFTA e no prêmio da Crítica Americana). Ben Affleck pode se gabar de criar um dos filmes mais tensos dos últimos anos, com uma narrativa espetacular que mescla drama e humor com uma eficiência raramente vista - auxiliado pela edição absurda de William Goldenberg e um senso estético apurado que recria o final dos anos 1970 e início dos 1980 com precisão. Argo conta a história de uma missão quase suicida de CIA em 1980 para libertar seis funcionários da embaixada americana no Irã depois que esta foi invadida por uma multidão enfurecida. A multidão queria que os EUA devolvesse o exilado xá Reza Pahlevi, que era acusado de cometer crimes contra a população e foi deposto por Aiatolá Khomeine e sua visão conservadora. O filme, obviamente arranha questões políticas, mas deixa essa parte em segundo plano para se dedicar à missão de resgate orquestrada por Tony Mendez (Affleck, num bom momento diante das câmeras). Os seis funcionários fugiram da embaixada do Tio Sam pouco  antes que os manifestantes a invadissem e tomassem cinquenta pessoas como reféns. Os seis funcionários se esconderam na embaixada canadense e era uma questão de tempo para que fossem descobertos. Correndo contra o tempo, Mendez tem a ideia mirabolante de criar um filme de ficção científica a ser filmado no Irã e com locações a serem estudadas. Disfarçado de produtor canadense, Mendez transformaria os "hóspedes" da embaixada canadense em sua equipe de produção e, não fosse esse o plano, os seis teriam que pedalar para fora do país... literalmente! Curioso é como Affleck consegue misturar críticas ao sistema (os altos e baixos da missão devido ao alto escalão do governo americano) e à própria indústria do cinema (com auxílio luxuoso de Alan Arkin e John Goodman que são os consultores para que o filme de ficção científica seja capaz de convencer até mais xiita dos habitantes iranianos). Argo é o nome do filme que serve de disfarce para o resgate, e de fato, seu roteiro existiu nos bastidores de Hollywood (sendo visto como uma cópia descarada de Star Wars), mas nunca saiu do papel. Apesar do humor (que quando parece que vai cair no exagero serve de contraste para alguma cena assustadora), Affleck consegue gerar uma tensão absurda durante o filme e conta com um trabalho de montagem magistral que mescla cenas que, aparentemente, não teriam relação (como a leitura do roteiro estapafúrdio e o telejornal). Sem nunca perder de vista o drama de seus personagens, o filme remete diretamente aos filmes políticos da década de 1970, tanto em sua estética retrô como em seu estilo de narrativa. Indicado a sete Oscars, o filme foi lançado em setembro e manteve sua força para a cerimonia do Oscar que acontece no próximo domingo. Se ganhar será o meu ganhador favorito desde Beleza Americana (1999). Só para terminar, eu queria dizer que sempre achei engraçado as caras que Affleck fazia quando descobria que ganhava um prêmio de Melhor Diretor por Argo, acho que no fundo ele sabe que o que custou sua indicação ao Oscar de diretor foi aquela piadinha do roteiro que compara um diretor a um macaco. Que falta de senso de humor, camaradas...

Argo (EUA-2012) de Ben Affleck com Ben Affleck, Alan Arkin, John Goodman, Bryan Cranston, Tate Donovan, Clea DuVall, Kyle Chandler, Chris Messina e Scoot McNairy. ☻☻☻☻☻

segunda-feira, 19 de maio de 2014

DVD: Detalhes

Linney e Tobey: síndrome de Peter Parker Pan

Tenho a impressão que desde que abandonou o uniforme do Homem Aranha, Tobey Maguire caiu numa espécie de limbo de Hollywood. Apesar de aparecer em produções recentes como O Grande Gatsby de Baz Luhrman e Refém da Paixão de Jason Reitman (ambos de 2013), o ator está longe de causar alguma sensação. É verdade que antes de estrelar blockbusters, ele gostava de atuar em filmes independentes interessantes, mas o mesmo não se pode dizer agora. Há sete anos que ele abandonou a franquia milionária de HQ e estrelou somente cinco filmes. Em 2009 chegou a ser indicado ao Globo de Ouro pelo irregular Entre Irmãos, mas o filme não lhe deu fôlego para outras premiações e desde então seu outro filme como protagonista é esse pequeno Detalhes (2011), segundo filme do desconhecido Jacob Aaron Estes. O filme até tentar criar alguma substância próxima do que vimos no brilhante Beleza Americana (1999),. afinal, estão lá a família perfeita que parece saída de um comercial de margarina, a vida confortável no subúrbio - ainda que cercada de tipos excêntricos - , os conflitos familiares que parecem tragicômicos e outros elementos que Sam Mendes soube utilizar tão bem. Pena que Aaron Estes não é Sam Mendes e seu filme parece vazio como os seus personagens. Tobey interpreta Jeff Lang, um jovem médico que vive com a esposa e o filho pequeno. Jeff acaba de colocar o gramado em seu quintal - e que agora passa a ser aterrorizado por um simpático guaxinim. Esse é anunciado como o incômodo de toda tragicomédia pela qual passa o personagem - que acoplado à falta de apetite sexual da esposa (Elizabeth Banks) torna tudo pior. Para descarregar o estresse ele até pratica esportes - ali tem até um amigo, o humilde Lincoln (Dennis Haysbert, um desses atores que está sempre bem mas que nunca recebe o devido reconhecimento) -  que faz com que Jeff faça um ato bastante nobre. Mas o roteiro se preocupa mesmo é em mostrar como um cara certinho começa a meter os pés pelas mãos e consegue ter relações com outras duas mulheres, matar um animal da vizinhança e ainda se meter num acordo macabro que parece inspirado em filme de Hitchcock. O problema maior do filme é que trata-se de uma comédia de humor negro, um gênero dificílimo de realizar, e o filme se contenta em ser sem graça em sua estranheza. Os mais entusiasmados irão perceber nele uma crítica ao american way of life, uma denúncia à alienação americana para manter sua imagem de perfeição e blábláblá, mas não é nada disso. Detalhes decepciona por uma série de fatores e um deles é ter escalado Tobey Maguire para protagonista. Próximo dos quarenta anos, Tobey ainda parece jovem demais para convencer como um homem maduro, Jeff poderia parecer uma vítima da síndrome de Peter Pan, já que ele comporta-se como um adolescente quando... na verdade ele tem cara de adolescente, corpo de adolescente, expressão de adolescente... enfim, uma escolha infeliz que compromete todo o filme. Não estou dizendo que Tobey seja um mal ator, mas não era a melhor escolha para o papel. Entendo que ele queira novos desafios e construir uma nova imagem para si (cenas de sexo com três belas atrizes ajuda, mas ainda parece um adolescente com hormônios em ebulição) mas precisa fazer mais do que caretas enlouquecidas para convencer. O filme tem até duas ou três cenas bacanas, mas é pouco. Se alguém consegue salvar a sessão desse filme é Laura Linney, ótima (como sempre) como a estranha vizinha dos Palmer. 

Detalhes (The Details/EUA-2011) de Jacob Aaron Estes com Tobey Maguire, Laura Linney, Elizabeth Banks, Dennis Haysbert, Kerry Washington e Ray Liotta. ☻☻

domingo, 3 de fevereiro de 2013

DVD: A Vida Durante a Guerra / Felicidade

Timmy e Trish: os melhores diálogos de Solondz. 

Todd Solondz pertence a um clube seleto de diretores que não tem muita fé na humanidade. Seus personagens costumam ser bem desagradáveis - e aqueles que são bonzinhos, servem apenas para padecer nas mãos dos outros. Seu estilo ficou bem marcado desde a estreia com o premiado Bem-Vindo à Casa de Bonecas (1995) e se cristalizou dois anos depois com Felicidade, um título irônico para um filme caleidoscópico que gira em torno da família onde o patriarca tem tendências suicidas, a irmã de sucesso não conseguia um relacionamento que prestasse, a primogênita nem imaginava que era casada com um pedófilo e a irmã boazinha sempre se metia nas maiores humilhações quando resolvia desencalhar. Apesar do humor profundamente cruel, o filme tem um número de admiradores tão grande que motivou o diretor a retomar os mesmos personagens em seu quarto filme. O resultado, ganhou o prêmio de melhor roteiro no Festival de Veneza em 2010 e chegou por aqui direto em DVD. Apesar do elenco diferente, A Vida Durante a Guerra é uma continuação bastante eficiente aos dilemas sobre os desdobramentos acerca do que os personagens enfrentavam no filme anterior - e ainda deixa o final em aberto para, quem sabe, um retorno a esses personagens que ainda tentam encaixar a vida com as peças tortas que encontram pelo caminho. O curioso é que Solondz nunca deixou muito claro porque não convidou os atores do filme anterior para a continuação, mas a resposta é evidente: a imagem das atrizes (com todos os recursos de hoje) não dariam a impressão que já passou quatorze anos do filme original - o que é fundamental para o funcionamento da trama. As histórias giram em torno da família Jordan. Em Felicidade Papai Lenny (Ben Gazarra) descobriu que tem problemas cardíacos, mas já está tão de saco cheio da vida que resolve cumprir as recomendações médicas ao contrário pra ver se morre mais rápido. Sua vida está num ponto tão sem graça que ele não corresponde nem às investidas de uma amiga da família. Pior para a sua esposa, Mona (Louise Lasser) que tem que dar conta das filhas adultas com vidas íntimas complicadas. Enquanto Trish (Cynthia Stevenson) acha que a vida com o esposo e os filhos é perfeita, o marido Bill (Dylan Baker) tenta manter segredo sobre sua vida de pedófilo enrustido espreitando os amiguinhos do filho mais velho. Solteira e famosa, Helen Jordan (Lara Flynn Boyle) parece frígida até o osso e julga-se melhor do que suas irmãs, especialmente a coitada Joy (Jane Adams, excelente) que tem a melhor relação de sua vida com um russo (Jared Harris, excelente) imigrante ilegal, casado e que só pensa em formas de arranjar dinheiro. Não satisfeito em misturar os dramas pessoais da família, o diretor ainda arranja espaço para um tímido pervertido chamado Allen (Phillip Seymour Hoffman) entre os pretendentes das irmãs. Entre cenas tragicômicas (e algumas nojentas), Solondz alfineta a família classe média americana onde o jantar com o avô moribundo vale menos do que a morte de um tamagotchi! Essa busca desengonçada pelo que o título indica fez com que nem todo mundo curtisse o humor do filme, mas, ainda assim, ele entrou na lista de dramas familiares cultuados na década de 1990, ao lado de Beleza Americana (1998) e Tempestade de Gelo (1997), portanto, só do diretor resolver retomar a vida de seus personagens uma década depois já desperta o interesse de muita gente. Para quem viu Felicidade, A Vida Durante a Guerra é mais interessante, especialmente pelas piadas auto-referências com a escalação do elenco. Pra começar, Allen que casou com Joy (agora vivida por Shirley Henderson) agora é interpretado por um negro esguio (Michael Kenneth Williams), bem diferente da lourice rechonchuda de Seymour Hoffman. Já Helen, depois que corta os laços com a família, é vivida pela sumida Ally Sheedy (uma das queridinhas da década de 1980) e a mãe que reclama a ausência do esposo é interpretada por Renée Taylor (a mãe da babá da série The Nanny, cujo esposo nunca aparecia em cena). Se em Felicidade o destaque era em torno de Joy, agora o filme privilegia a vida de Trish (a ótima Allison Janney) que tenta refazer a vida com os dois filhos mais novos (o mais velho está na faculdade), poupando-os da verdade sobre o pai que está preso  einvestindo no namoro com Harvey Wiener (Michael Lerner, com sobrenome importado de Bem Vindo à Casa de Bonecas). São de Janney as melhores falas do filme, onde Solondz mostra sua especialidade em contruir cenas onde o espectador não sabe se ri ou chora. Janney tem um bom parceiro em cena, o  sardento Dylan Riley Snyder que interpreta Timmy. É seu olhar ingênuo enquanto descobrimos que o pai está vivo (e foi libertado da prisão com a cara do britânico Ciarán Hinds) que nos guia pelas histórias do roteiro, já que Joy recebe menos destaque - ainda que sua peregrinação em reencontros nem sempre amistosos (e uma estranha capacidade de falar com os mortos) rendam alguns momentos marcantes. Apesar de ser uma sequência, A Vida Durante a Guerra consegue ter vida própria e - apesar de ainda explorar algumas neuras americanas superficialmente -  aprofunda ainda mais um tema recorrente no filme de 1997: os laços de família são mais fortes do que os problemas que enfrentam pelo caminho? A julgar pelo filme, em alguns casos sim. Os fãs do diretor não vão reclamar (apesar dos seus filmes renderem cada vez menos nas bilheterias). 

Harris e Adams: química marcante. 

Felicidade (Happiness/EUA-1997) de Todd Solondz com Jane Adams, Phillip Seymour Hoffman, Ben Gazarra, Dylan Baker, Lara Flynn Boyle e Jared Harris. ☻☻☻

A Vida Durante a Guerra (Life During War Time/EUA) de Todd Solondz com Allison Janney,  Dylan Riley Snyder, Shirley Henderson, Michael Lerner, Ciarán Hinds, Charlotte Rampling e Ally Sheedy. ☻☻☻☻

quarta-feira, 29 de junho de 2016

007 - A ERA DANIEL CRAIG

Cassino Royale: química poderosa entre Eva e Craig. 

Parecia que o público mal tinha se acostumado com Pierce Brosnan na pele do agente 007 e a temporada do ator na série já chegava ao fim. Cogitavam os nomes de vários astros para o papel de James Bond, os mais conservadores decretavam Clive Owen como favorito, mas os produtores indicavam que queriam alguém mais jovem - e os nomes de Henry Cavill, Ewan McGregor e Gerard Butler apareciam nas especulações ao lado de Hugh Jackman (um tanto enfraquecido por sua fama como o mutante Wolverine). Quando noticiaram que o louro Daniel Craig era o escolhido a imprensa ficou pasma. Quem não conhecia o ator - que ganhava prestígio aos poucos com atuações sólidas em filmes modestos como Recomeçar (2003), Nem Tudo é o que Parece (2004) e Confidencial (2006) - estranhou por ele estar fora dos padrões de beleza da franquia. Com seu tipo sisudo germânico, Craig sabia exatamente que sua carreira mudaria ao embarcar na milionária franquia aos 38 anos. Quando Cassino Royale (2006) estreou, o diretor Martin Campbell (que já reformulou a série em 007 contra Goldeneye/1995) demonstrou que James Bond chegava a um novo ponto de partida. Mais sério e menos fantasioso, o filme podava os exageros do personagem ao longo de décadas de sucesso, sua vida sexual era menos explorada, assim como seus apetrechos mirabolantes surgiam mais discretos. Ficou clara a ideia de criar uma nova essência para o personagem. Daniel Craig investiu numa personalidade de Bond em início de carreira, ainda aprendendo a se tornar um agente secreto dentro de uma organização a serviço do governo britânico. Baseado no livro homônimo de Ian Fleming, o filme apresenta Bond evitando um ataque terrorista no aeroporto de Miami e se aproximando de Verper Lynd (Eva Green, que com seus olhos intensos criou a bond girl mais complexa de todos os tempos), Vesper é uma agente do Tesouro inglês que tem a missão de frustrar as ações do terrorista Le Chiffre (o bom Mads Mikkelsen) que pretende conseguir fundos para sua organização nas mesas do cassino do título. Campbell investe numa narrativa mais lenta, com poucas (e elaboradas) cenas de ação, mas investe forte na tensão entre Bond e Vesper - o que transforma o clímax do longa ainda mais intenso.  Com Daniel Craig provando que era o agente mais em forma da história da franquia (e Campbell explora ao máximo sua musculatura) numa atmosfera mais sóbria, o filme se tornou a maior bilheteria de 007.

Quantum of Solace: nome confuso, trama idem. 

Com a nova cronologia estabelecida ancorada num 007 mais vulnerável - especialmente após a decepção provocada por seu relacionamento com Vesper Lynd - o diretor Marc Forster foi uma escolha inusitada para dirigir o novo filme: Quantum of Solace (2008). O cineasta de filmes indicados ao Oscar (fez A Última Ceia/2001 que oscarizou Halle Berry e Em Busca da Terra do Nunca/2004 que indicou Johny Depp) demonstra alguns tropeços na condução do filme, a maior delas é optar por cenas de ação uma atrás da outra, sem que o espectador tenha compreendido de fato o que está acontecendo. A edição de cortes rápidos também não ajuda a notar que o filme parte exatamente de onde terminou o filme anterior: James Bond procurando o dinheiro roubado pela organização de Le Chiffre no filme anterior. Enquanto tenta exorcizar o fantasma de Vesper Lynd de sua vida, Bond não consegue confiar em ninguém ao seu redor e passa a se relacionar com o sexo oposto de forma apenas superficial.  Não por acaso ele se envolve com a agente Strawberry Fields (Gemma Aterton) enquanto se aproxima do escorregadio Dominic Greene (Mathieu Almaric) - sujeito que banca o filantropo quando na verdade possui interesses políticos nada lisonjeiros. No caminho de Bond ainda surge a amante de Dominic, a belíssima Camille Montes (Olga Kurylenko) que também tem uma história a passar a limpo dentro da trama. Camille é um belo ponto de reflexão sobre a fase emocional do agente 007, já que é muito mais agressiva que Vesper Lynd, dona de uma sexualidade notável, mas ainda assim, Bond não se envolve amorosamente com ela. A ideia funciona como um elo forte entre o casal que se une numa missão perigosa. Outra personalidade feminina forte que ganha destaque na trama é M (Judy Dench), com contornos maternais diante do seu agente favorito a personagem recebe mais elementos interessantes na trama. Quantum of Solace foi criticado por não ser tão interessante quanto o anterior, mas foi foi o segundo filme da história de James Bond em arrecadação mundial. O roteiro (escrito pelo mesmo trio Neal Purvis, Robert Wade e Paul Haggis) tem o mérito de deixar os filmes do agente mais amarradinha e criar a base para a intensidade alcançada em 007 - Operação Skyfall (2012) celebrado como o melhor filme da série.

Skyfall: o melhor Bond da história!

O inglês Sam Mendes foi agraciado com a unanimidade da crítica por Skyfall, considerado o melhor filme do personagem. Tudo funciona com perfeição, da cena de abertura (embalada pela canção de Adele ganhadora do Oscar), passando pelo vilão vivido por Javier Bardem (como um espelho distorcido do próprio Bond), a intensificação da personalidade de M (Judy Dench) à frente de uma agência num mundo de inimigos incertos e... o retorno às origens familiares de James Bond. Acostumado a filmes dramáticos, Mendes construiu um filme que ousa ser mais do que apenas um longa de ação - e a própria cena de abertura é uma desconstrução, já que o herói começa baleado por sua bondgirl da vez (Naomie Harris), que depois ainda colocará uma navalha no pescoço dele (quando o público espera que os dois tenham cenas de alcova). O premiado diretor de Beleza Americana (1999) retomou o personagem com 007 contra Spectre (2015) e sabia que tinha um grande desafio em mãos. Não sei quanto a vocês, mas quando ouvi a música de abertura na voz de Sam Smith (que inexplicavelmente ganhou o Oscar por ela) percebi que o filme estaria um nível abaixo do anterior. Spectre tem cenas de ação bem executadas enquanto amarra todos os filmes com Craig na pele do agente a uma mesma organização: Spectre. Enquanto busca informações sobre o misterioso grupo, Bond depara-se com um vilão que conhece há mais tempo do que imagina (vivido por Christoph Waltz). Waltz tem dois Oscars no currículo,  mas não consegue escapar da repetição ao encarnar o sádico ressentido Blofeld. No quesito bondgirl não há o que reclamar, Monica Belluci tem uma ponta charmosa e Léa Seydoux vive Madeleine - a chance de redenção de Bond perante sua vida amorosa (e o desejo de uma aposentadoria). Sem Paul Haggis no roteiro, Spectre parece o filme mais tradicional 007 da fase atual, embora traga Ralph Fiennes na pele de M, ofereça mais destaque à genialidade de Q (Ben Whishaw) e resgate Moneypenny (Naomie Harris), o grupo deixa o filme com cara de equipe de Missão Impossível. Embora Daniel Craig seja o sexto ator a viver o agente 007, seu jeito truculento (vestido com ternos impecáveis feitos sob medida) já deixou sua marca num dos personagens mais rentáveis do cinema. Atravessando uma década na pele do agente, dizem que o estúdio ofereceu cem milhões de dólares para Daniel Craig voltar à série, mas alegando que Bond é um misógino que não acrescenta nada em sua vida (além do ator já ter 48 anos e problemas no joelho), Craig se despediu de forma bastante digna do papel. 

007 - Cassino Royale (Casino Royale / Estados Unidos - Reino Unido - Alemanha / 2006) de Martin Campbell com Daniel Craig, Eva Green, Mads Mikkelsen, Judi Dench, Giancarlo Gianini e Jeffrey Wright. ☻☻

007 - Quantum of Solace (Quantum of Solace/ Estados Unidos - Reino Unido / 2008) de Marc Foster com Daniel Craig, Mathieu Almaric, Olga Kurylenko, Judi Dench, Giancarlo Gianini, Jeffrey Wright e Gemma Aterton. ☻☻

007 - Operação Skyfall (Skyfall / Estados Unidos - Reino Unido / 2012) de Sam Mendes com Daniel Craig, Javier Bardem, Judi Dench, Ben Whishaw, Ralph Fiennes, Naomie Harris e Albert Finney. ☻☻☻☻

007 Contra Spectre (Spectre / Estados Unidos - Reino Unido / 2015) de Sam Mendes com Daniel Craig, Christoph Waltz, Ralph Fiennes, Léa Seydoux, Naomie Harris, Ben Whishaw e Dave Bautista. ☻☻☻ 

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Combo: Expectativa 2015

Para começar o ano nada melhor do que conhecer o que ele nos reserva! Esse combo traz os cinco filmes que espero mais ansiosamente! Vale lembrar que destaco filmes que entram em cartaz mundialmente somente em 2015, o que exclui os filmes de 2014 que ainda não estrearam por aqui. Os filmes que espero fazer minha alegria em breve são os seguintes:

5 Tomorrowland
Pouco se sabe sobre o novo filme do diretor Brad Bird, mas podemos perceber que ele pegou gosto por filmes live action - depois do sucesso de animações oscarizadas como Os Incríveis/2004. Agora ele investe numa ficção científica sobre uma adolescente que embarca numa missão em algum lugar no tempo e no espaço (mas que só existe no pensamento coletivo). Parece doido? E deve ser mesmo! Essa produção da Disney estrelada por George Clooney, Judy Greer e Hugh Laurie estreia no Brasil dia 28 de maio.


4 Divertida Mente
Faz um tempinho que a Pixar anda devendo ideias inovadoras, talvez por isso esse filme de Pete Docter (UP/2009) seja um dos mais aguardados do ano. Curiosamente, trata-se de outra produção que se passa na mente de seus personagens, no caso a mente de uma menininha. A narrativa é contada a partir das interações entre seus sentimentos perante os fatos de seu cotidiano. Raiva, Medo, Nojo, Tristeza e Alegria são os personagens que habitam a mente da garotinha e tornam o filme mais original. O elenco de vozes conta com Diane Lane, Kyle McLachlan, Amy Poehler, Bill Hader e Mindy Kaling. O filme deve entrar em cartaz em 02 de julho de 2015.

3 Crimson Peak 
Quem acompanha a carreira do mexicano Guillermo Del Toro, desde antes da ida para Hollywood, sabe como o diretor curte histórias de horror com pendores góticos - e pode imaginar minha decepção com Círculo de Fogo/2013, filme que nem me dei ao trabalho de comentar aqui no blog. Crimson Peak é o retorno do cineasta ao seu gênero favorito. No elenco, o diretor repete a parceria com Charlie Hunnan (que parece ter se dado bem após ser chutado da filmagem de 50 Tons de Cinza, filme que nem #$%&@* eu colocaria aqui) que está na companhia de Jessica Chastain, Tom Hiddleston e Mia Wasikowska numa trama sobre fantasmas do passado dentro de uma casa que parece ter vida própria. O filme tem estreia prevista para 16 de outubro nos EUA e  ainda não tem data de lançamento no Brasil.       

2   007: Spectre

Sam Mendes parece ter conseguido o impossível: fazer-me esperar ansiosamente pelo novo filme de 007!!! Nunca fui fã do personagem, nem da série, mas o que o diretor de Beleza Americana/1999 fez com Skyfall/2012 foi impressionante ao jogar para o alto todas as regras da franquia, dando um ar imprevisível e, ao mesmo tempo bastante pessoal para a terceira aventura de Daniel Craig na pele do espião mais famoso do cinema. O filme irá dar uma repaginada na organização criminosa do título - que já apareceu em Moscou contra 007 (1963) - o elenco estelar é composto ainda por Ralph Fiennes, Monica Bellucci, Christopher Waltz, Léa Sydoux, Ben Whishaw e Naomie Harris. O filme deve estrear no distante 12 de novembro de 2015!


1 Os Vingadores 2 - A Era de Ultron 
Depois de ser o maior sucesso da Marvel nos cinemas, o novo filme do grupo de heróis tem a pretensão de ser o maior filme de HQ de todos os tempos - tanto que o filme é promete grandes mudanças no universo Marvel no cinema. O grupo formado por Capitão América (Chris Evans), Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), Thor (Chris Hemsworth), Viúva Negra (Scarlett Johansson), Hulk (Mark Ruffalo) e Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) vão penar nas mãos do super robô vilanesco Ultron. O filme também é aguardado por conta das participações de Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen) e Mercúrio (Aaron Taylor-Johnson), dois mutantes do universo X-Men que darão as caras na aventura. O filme mais aguardado do ano estreia dia 30 de abril (com a responsabilidade de ser a maior bilheteria do ano após o orçamento inchado de 250 milhões de dólares)! A direção permanece nas mãos de Joss Whedon. 

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

CENTØPÉDIA: FILMED+ (Parte I)

Nos cinco anos e sete meses do blog alguns dos meus filmes favoritos apareceram nos Filmes D+, aqueles longas que receberam a maior cotação por aqui. Muitos outros irão aparecer, mas os listados abaixo são os que compõem a primeira centena de filmes que considero obrigatórios:

(ordem alfabética)

A Árvore da Vida de Terrence Mallick
Adaptação de Spike Jonze
Adeus, Lenin! de Wolfgang Becker 
A Estrada  de John Hillcoat
Almas à Venda de Sophie Bartes
Amnésia de Christopher Nolan
Amor à flor da Pele  de Wong Kar-wai
A Origem de Christopher Nolan

Apenas o Fim de Matheus Souza
À Procura de Sugar Man  de Malik Bendjelloul
A Rosa Púrpura do Cairo  de Woody Allen
Asas da Liberdade  de Alan Parker
As Bicicletas de Belleville de  Sylvain Chomet
As Horas de Stephen Daldry
A Solidão dos Números Primos de Saverio Constanzo
A Viagem de Chihiro de Hayao Miyazaki
A Vida dos Outros de Florian Henckel von Donnersmarck
Batman - O Cavaleiro das Trevas  de Christopher Nolan

Beleza Americana de Sam Mendes
Bem Vindo à Casa de Bonecas de Todd Solondz
Birdman de Alejandro Gonzalez Iñárritu
Boogie Nights de Paul Thomas Anderson
Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças de Michel Gondry
Cabaret de Bob Fosse
Cidade dos Sonhos de David Lynch
Cisne Negro de Darren Aronofsky
Clube da Luta de David Fincher
Crepúsculo dos Deuses de Billy Wilder

Curtindo a Vida Adoidado de John Hughes
Desejo e Reparação de Joe Wright
Divertida Mente de Pete Docter 
Dogville / Manderlay de Lars Von Trier
Drive de Nicolas Winding Refn
Durval Discos de Anna Muylaert
Ed Wood de Tim Burton
Eleição de Alexander Payne
Encontros e Desencontros de Sofia Coppola
Entrevista com o Vampiro de Neil Jordan
Estômago de Marcos Jorge
Fargo de Joel & Ethan Coen
Ferrugem e Osso de Jacques Audiard
Festim Diabólico de Alfred Hitchcock
Fim de Caso de Neil Jordan 
Garota Sombria Caminha à Noite de Ana Lily Amirpour
Garotos Incríveis de Curtis Hanson
Gravidade de Alfonso Cuarón
Hedwig de John Cameron Mitchell
Jackie Brown de Quentin Tarantino
Janela da Alma de João Jardim e Walter Carvalho
Jogo de Cena de Eduardo Coutinho
Lavoura Arcaica de Luis Fernando Carvalho
Ligações Perigosas de Stephen Frears
Los Angeles - Cidade Proibida de Curtis Hanson
Magnólia de Paul Thomas Anderson
Minha Vida de Cachorro de Lasse Hallström


Moonrise Kingdom de Wes Anderson
Noivo Neurótico, Noiva Nervosa de Woody Allen
O Ano Mais Violento de J.C. Chandor
O Bebê de Rosemary de Roman Polanski
O Doce Amanhã de Atom Egoyam
O Escafandro e a Borboleta de Julian Schnabel
O Fabuloso Destino de Amélie Poulain de Jean Pierre Jeunet
O Impostor de Bart Layton
O Labirinto do Fauno de Guillermo Del Toro
Oldboy de Chan-wook Park
O Piano de Jane Campion
O Profeta de  Jacques Audiard
O Pianista de Roman Polanski
O Que Resta do Tempo de Elia Suleiman
Os 12 Macacos de Terry Gillian
O Sétimo Selo de Ingmar Bergman
Os Excêntricos Tenenbaums de Wes Anderson
O Show não Pode Parar de Bob Fosse
O Silêncio dos Inocentes de Jonathan Demme

Os Incompreendidos de François Truffaut
Os Incríveis  de Brad Bird
Os Matadores de Beto Brant
Os Suspeitos de Brian Singer
Pecados Íntimos de Todd Field
Perdidos na Noite de John Schlesinger
Persépolis de Marjane Strapi e Vincent Paronnaud
Prometheus de Ridley Scott
Que Horas Ela Volta? de Anna Muylaert
Quero Ser John Malkovich de Spike Jonze
Rede de Intrigas de Sidney Lumet
Réquiem para um Sonho de Darren Aronofsky
Rushmore de Wes Anderson
Sangue Negro de Paul Thomas Anderson
Sexy Beast de Johnatan Glazer
Star Wars: O Império Contra-Ataca de Irwin Kershner
Sweeney Todd  de Tim Burton 
Trainspotting  de Danny Boyle
Tootsie de Sidney Polack
Uma Relação Pornográfica  de Frédéric Fonteyne
Uma Vida Iluminada de Liev Schreiber
Um Dia de Cão de Sidney Lumet 
Um Dia Muito Especial de Ettore Scola
Um Grande Garoto de Chris Weitz e Paul Weitz
Um Sonho sem Limites de Gus Van Sant
Watchmen de Zack Snyder
Até os próximos 100 filmes D+ !