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domingo, 12 de março de 2023

PALPITES OSCAR 2023

Os dez mais: Quem leva?

Peço desculpas aos fãs do blog, mas o mês teve tantos imprevistos que não foi possível escrever sobre os concorrentes ao Oscar da forma como eu gostaria. Faltaram os posts de melhor filme e melhor direção e, agora, em cima da hora, vou postar os meus tradicionais palpites sobre a cerimonia. Vou colocar a lista de todos os indicados e destacar quem eu acho que sairá premiado em cada categoria, cruzando os dedos para bater meu recorde de acertos. Seguem os indicados da noite de hoje e quem eu acho que sairá premiado (embora nas categorias de atuação o páreo esteja duro entre atores e atrizes):

MELHOR FILME
Avatar: O Caminho da Água
Entre Mulheres

MELHOR DIREÇÃO
Martin McDonagh (Os Banshees de Inisherin)
Steven Spielberg (Os Fabelmans)
Todd Field (Tár)
Ruben Östlund (Triângulo da Tristeza)

MELHOR ATOR
Austin Butler (Elvis)
Colin Farrell (Os Banshees de Inisherin)
Brendan Fraser (A Baleia)
Paul Mescal (Aftersun)
Bill Nighy (Living)

MELHOR ATRIZ
Cate Blanchett (Tár)
Ana de Armas (Blonde)
Andrea Riseborough (To Leslie)
Michelle Williams (Os Fabelmans)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Brendan Gleeson (Os Banshees de Inisherin)
Brian Tyree Henry (Passagem)
Judd Hirsch (Os Fabelmans)
Berry Keoghan (Os Banshees de Inisherin)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Hong Chau (A Baleia)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Living
Entre Mulheres

MELHOR FOTOGRAFIA
Bardo: Falsa Crônica de Algumas Verdades
Império da Luz

MELHOR TRILHA SONORA
Babilônia

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
"Applause" (de Tell it Like a Woman)
"Hold My Hand" (de Top Gun: Maverick)
"Naatu Naatu" (de RRR)
"This is a Life" (de Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo)

MELHOR EDIÇÃO

MELHOR FIGURINO
Babilônia
Sra. Harris Vai a Paris

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
Avatar: O Caminho da Água
Babilônia

MELHOR CABELO & MAQUIAGEM

MELHOR SOM
Avatar: O Caminho da Água

MELHORES EFEITOS VISUAIS
Avatar: O Caminho da Água

MELHOR ANIMAÇÃO EM LONGA METRAGEM
Marcel the Shell with Shoes On
Gato de Botas 2: O Último Pedido
A Fera do Mar

MELHOR ANIMAÇÃO EM CURTA METRAGEM
The Boy, the Mole, the Fox and the Horse
The Flying Sailor
Ice Merchants
My Year of Dicks
An Ostrich Told Me the World is Fake and I Think I Believe It

MELHOR CURTA METRAGEM EM LIVE-ACTION
An Irish Goodbye
Ivalu
Le Pupille
Night Ride
The Red Suitcase

MELHOR FILME INTERNACIONAL
Nada de Novo no Front (Alemanha)
Close (Bélgica)
EO (Polônia)
The Quiet Girl (Irlanda)

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM LONGA METRAGEM
All That Breathes
All The Beauty and the Bloodshed
Fire of Love
A House Made of Splinters
Navalny

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM CURTA METRAGEM
The Elephant Whisperers
Haulout
How do You Measure a Year?
The Martha Mitchell Effect
Stranger at the Gate

segunda-feira, 13 de março de 2023

GANHADORES OSCAR 2023

Quan, Michelle, Brendan e Jamie: A24 domina a premiação.

Digam o que for, mas ver uma cerimonia em que uma obra original como Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo se consagra como o mais premiado da noite é algo altamente positivo depois da ressaca deixada pelo Oscar do ano passado. Depois de premiar No Ritmo do Coração em um ano em outros três concorrentes eram versões repaginadas de sucessos do passado, o Oscar2023 parece estar atento para novidades. Além disso, fez história ao consagrar pela primeira vez uma atriz asiática como Melhor Atriz (sei que os fãs de Cate Blanchett estão arrasados, mas Cate já tem duas estatuetas e terá chances de levar novas estatuetas no futuro, já para Yeoh a coisa complica), além disso houve dois comebacks irresistíveis entre as atuações (Brendan Fraser que já parecia cansado de fazer discursos emocionantes e emocionado) e Ke Huy Quan (que completou a noite reencontrando seu amigo Indiana Jones). Já Jamie Lee Curtis roubou a cena mais uma vez de Angela Bassett, confirmando a vitória que o SAG já anunciava. Acho que também vale perceber a lição que fica para a Netflix que com um candidato forte como Nada de Novo no Front resolveu investir na campanha de uma diversão ligeira feito Glass Onion (que acabou só indicado à roteiro adaptado e perdeu), enquanto o longa alemão levou quatro prêmios para casa. Parece que o mal estar deixado pela derrota de Ataque dos Cães no ano passado fez a gigante do streaming perder um pouco a noção das coisas, pelo menos não fez o mesmo que a Amazon que tinha o ótimo Argentina, 1985 na manga e preferiu investir em campanha para 13 Vidas que nem apareceu nas premiações. No fim das contas, quem saiu ganhando mesmo foi a A24, o estúdio famoso por produções alternativas saiu com nove estatuetas da festa, sendo o grande vencedor da temporada. A seguir os ganhadores da noite e meus acertos tradicionalmente marcados com ☻ :

MELHOR FILME

MELHOR DIREÇÃO

MELHOR ATOR
Brendan Fraser (A Baleia) ☻

MELHOR ATRIZ

MELHOR ATOR COADJUVANTE

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Entre Mulheres ☻

MELHOR FOTOGRAFIA

MELHOR TRILHA SONORA

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
"Naatu Naatu" (de RRR) ☻

MELHOR EDIÇÃO

MELHOR FIGURINO

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO

MELHOR CABELO & MAQUIAGEM

MELHOR SOM

MELHORES EFEITOS VISUAIS
Avatar: O Caminho da Água ☻

MELHOR ANIMAÇÃO EM LONGA METRAGEM

MELHOR ANIMAÇÃO EM CURTA METRAGEM
The Boy, the Mole, the Fox and the Horse☻

MELHOR CURTA METRAGEM EM LIVE-ACTION
An Irish Goodbye

MELHOR FILME INTERNACIONAL
Nada de Novo no Front (Alemanha) ☻

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM LONGA METRAGEM
Navalny

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM CURTA METRAGEM
The Elephant Whisperers ☻

Acertos: ☻☻☻☻☻☻☻☻☻☻☻☻☻☻☻☻☻☻☻☻☻☻☻
17 acertos em 23 categorias... um a menos que ano passado!!!

Placar:
A Baleia - 02
Avatar: O Caminho da Água - 01
RRR - 01
Entre Mulheres - 01

segunda-feira, 7 de novembro de 2022

FILMED+: Nada de Novo no Front

 
Kammerer: estreia magistral no cinema. 

Assim que começou a ser visto, a produção alemã Nada de Novo no Front em cartaz na Netflix começou a ser apontada como favorita na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar do ano que vem. Não bastasse isso, os mais empolgados dizem que o filme pode aparecer em outras categorias, tanto nas técnicas (fotografia, montagem, maquiagem, som, efeitos especiais e também aposto na trilha sonora magnífica) como também nas mais cobiçadas (roteiro adaptado, direção e melhor filme), se acontecer não será mais do que merecido. É verdade que paira sobre a produção a versão de 1930 intitulada Sem Novidade no Front e dirigida por Lewis Milestone, que foi indicada a quatro Oscars e levou para casa os prêmios de filme e direção (concorreu também à fotografia e roteiro adaptado), mas se tratava de uma produção dos Estados Unidos sobre jovens alemães que testemunham uma verdadeira carnificina na Primeira Guerra Mundial. Sem querer falar mal da clássica produção, os recursos disponíveis na época eram bem diferentes dos que temos hoje e este é um dos motivos para ver esta nova versão do livro de Eric Maria Remarque. O diretor e roteirista Edward Berger faz um filme assustador pela forma como recria as cenas de guerra, mostra tanto sangue, terra e lama jorrando na câmera que parece atingir o espectador durante toda a sessão. O filme segue uma linha mais crítica em seu olhar sobre a guerra e, embora gere cenas espetaculares para atrair o público, conduz sua história com muita desilusão, tristeza e melancolia, afinal, estamos falando de um grupo de jovens que ficam eufóricos quando são mandados para a guerra, mas ao chegarem lá percebem que os dias de glória e heroísmo na verdade compõem um verdadeiro pesadelo. Basta o primeiro dia nas trincheiras para perceberem que se manterem vivos é o maior desafio no campo de batalha. Sabe-se que na Primeira Guerra Mundial o exército alemão avançou pouquíssimo nas trincheiras e que a maior parte do tempo sofria em meio à tensão e a expectativa que tudo aquilo acabasse, mas enquanto o fim da Guerra não acabava, restava o massacre. Aqui, toda a guerra é mostrada sob a perspectiva do recruta Paul Bäumer (o ótimo estreante Felix Kammerer), um jovem enviado para guerra junto de seu trio de amigos. Enquanto conhece outros personagens, que o ajudam a sobreviver ali, suas ambições mudam, assim como seu olhar, sua aparência e esperança e, paralelo a tudo isso, existe um jogo burocrático instaurado entre os governantes.  Nada de Novo no Front é de um realismo impressionante (especialmente como mostra a rotina da guerra de forma cíclica e implacável), mas consegue alcançar suas notas mais altas por conta da sabedoria com que sabe lidar com os silêncios entre as cenas mais escabrosas, mesclando  especialmente os horrores da guerra com o fim da inocência de seus jovens personagens. O último ato do filme é arrasador e deixa um grande nó na garganta. Doloroso, mas necessário. 

Nada de Novo no Front ( Im Westen nichts Neues / Alemanha - EUA - Reino Unido / 2022) de Edward Berger com Felix Kammerer, Albrecht Schuch, Aaron Hilmer, Moritz Klaus, Adrian Grünewald, Edin Hasanovic, Daniel Brühl, Adrian Grünewald, Andreas Döhler e Seabastian Hülk. ☻☻☻☻☻

segunda-feira, 21 de outubro de 2024

Palpites para o Oscar 2025 - PARTE I

Cá estamos especulando mais uma vez sobre o ápice da temporada de ouro do cinema. Até o momento já tivemos contato com algumas produções que devem tentar alguma indicação. Provavelmente Duna 2 irá aparecer no Oscar novamente, assim como Divertida Mente2 tem lugar garantido entre os favoritos à melhor animação. Existe uma grande torcida para que A Substância quebre preconceitos e seja lembrado pelos votantes do Oscar, a torcida do longa estrelado por Demi Moore se tornou maior que a de Rivais, Guerra Civil e Assassino por Acaso tem sua ala de torcedores. No entanto, os pesos pesados da temporada começam a se revelar somente agora nos Estados Unidos. A seguir os filmes inéditos por aqui que cobiçam votos da Academia: 

 
"O Brutalista" de Brady Corbet

Se a cerimônia do Oscar fosse hoje, provavelmente o ganhador seria este drama com três horas e meia de duração! O filme conta a história de Lászlo Toth (Adrien Brody), um visionário arquiteto que foge da Europa ao lado de sua esposa (Felicity Jones) no pós-guerra de 1947 para os EUA, mas o destino de ambos é mudado por conta de um misterioso cliente. Com a maior cara de cinemão clássico banhado nos fantasmas da Segunda Guerra Mundial, o filme tem tudo para ser o grande filme do próximo Oscar. Com produção impecável o filme de três horas e meia de duração impressiona por ter custado menos de dez milhões de dólares!!! Presença certa na categoria de melhor filme, direção, roteiro, ator, fotografia, figurino e montagem... o filme deve ser aquele que os demais devem temer.

"Anora" de Sam Baker 

Com tantas mudanças entre o corpo votantes da Academia, não seria surpresa se o ganhador da Palma de Ouro do Festival de Cannes chegasse como o favorito para levar a estatueta no dia dois de março do ano que vem. O filme conta a história de uma garota de programa (Mikey Madison) que se casa com um grande herdeiro, mas que a família não recebe bem a notícia e deseja anular o casamento. Feito com atores desconhecidos e com o senso de dramédia habitual de Sam Baker, temos aqui a chance do diretor cair de vez nas graças da Academia (antes ele conseguiu somente aquela indicação de coadjuvante de Willem Dafoe por Projeto Flórida/2017). O longa parece ter lugar garantido nas categorias principais, incluindo filme, direção, roteiro e atriz principal. 

"Conclave" de Edward Berger
 
Se os votos se dividirem entre os concorrentes anteriores, provavelmente este novo filme do diretor alemão do oscarizado Nada de Novo no Front (2022) deve fazer bonito. A produção conta uma conspiração durante a escolha do novo Papa e Ralph Fiennes está perfeito como o cardeal responsável pela eleição (despontando como o grande favorito ao Oscar de melhor ator - e já passou da hora dos votantes reconhecerem o talento deste indicado duas vezes ao prêmio). O longa também deve concorrer em  melhor filme, direção, figurino, direção de arte, roteiro, ator coadjuvante (Stanley Tucci) e atriz coadjuvante (Isabella Rosselini).

"O Quarto ao Lado" de Pedro Almodóvar
 
Premiado com o Leão de Ouro no Festival de Veneza, o novo filme do cineasta espanhol (que finalmente realizou seu primeiro longa-metragem em língua inglesa) chega cobiçando indicações robustas, pelo menos deve aparecer em melhor filme, direção, atriz (para Julianne Moore e Tilda Swinton), fotografia e roteiro. A trama conta a história de duas amigas que se reencontram em tom de despedida diante da doença grave de uma delas. O reencontro coloca a relação entre as duas em perspectiva e insere duas novas personagens femininas para a vasta coleção de musas do cineasta. 
 
 
"Ainda Estou Aqui" de Walter Salles
 
Também premiado no Festival de Veneza (melhor roteiro), o brasileiro que disputará uma vaga no prêmio de Filme Internacional tem grandes chances de quebrar um longo jejum do nosso país no Oscar. Desde "Central do Brasil"/1998, também de Walter Salles, que o Brasil não entra no páreo da categoria. O filme baseado no livro de Marcelo Rubens Paiva, baseado na figura marcante de sua mãe (vivida aqui por Fernanda Torres). O longa conta a história de uma família que busca informações sobre o patriarca (papel de Selton Mello) desaparecido durante o período da ditadura militar. Existem muitas especulações que o filme tenha indicações para melhor atriz, roteiro, direção e até melhor filme, mas será que a Academia lhe renderia tanto espaço assim?

"Emilia Pérez" de Jacques Audiard
 
A grande pedra no caminho do filme brasileiro é este filme escolhido pela França para disputar o prêmio de Filme Internacional. Ambientado no México, o filme conta a história de uma advogada que ajuda um temido chefe de cartel a largar o mundo do crime e desaparecer para sempre na pele da mulher que ele sempre desejou ser. Karla Sofía Gascon, Zoe Saldana, Selena Gomez e Adriana Paz dividiram o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes. Karla tem chances de se tornar a primeira mulher trans a ser indicada ao Oscar de melhor atriz, as demais (especialmente Zoe Saldana e Gomez) devem aparecer como coadjuvantes. A última vez que um filme do diretor disputou o Oscar foi com o espetacular O Profeta (que perdeu para o argentino O Segredo dos Seus Olhos). Só para lembrar: o filme é um musical!

sexta-feira, 27 de outubro de 2023

Palpites para o Oscar 2024 - Parte II

 
"Maestro" de Bradley Cooper
Depois da derrota de Ataque dos Cães (2021), a Netflix ficou bastante confusa no ano passado ao investir em Glass Onion para o Oscar de melhor filme (!!), deixando em segundo plano o robusto Nada de Novo no Front. Parece que este ano, a gigante do streaming tem certeza que o novo filme de Bradley Cooper irá fazer bonito na premiação. A cinebiografia do maestro Leonard Bernstein tem tudo para cair no gosto da Academia, seu maior problema é o jeitão de "filme feito para o Oscar". Bradley também assume o posto de protagonista e escreveu  o roteiro com Josh Singer. Ainda no elenco estão Carey Mulligan (cotada para melhor atriz como a esposa do maestro), Maya Hawke e Jeremy Strong. 

"Segredos de Um Escândalo" de Todd Haynes
Outra aposta da Netflix para a temporada de ouro é um dos filmes mais badalados do Festival de Cannes deste ano. May-December conta a história de uma atriz (Natalie Portman) que ao fazer uma pesquisa para viver uma personagem, conhece Gracie (Julianne Moore) que se tornou alvo da mídia ao se envolver com Joe (Charlie Melton), um rapaz várias décadas mais jovem. O roteiro azeitado de Samy Burch está cotado para o Oscar, assim como Julianne e Melton podem concorrer como coadjuvantes. Já Natalie Portman, que bancou a produção do filme, precisa correr garantir um lugar na concorrida disputa por uma vaga ao prêmio de melhor atriz. 

"Zona de Interesse" de Jonathan Glazer
Outro filme aclamado no Festival de Cannes que ganha força para a temporada de premiações é este que investe numa narrativa incomum sobre os horrores da Segunda Guerra Mundial. O filme é todo ambientado em uma casa confortável com um cotidiano aparentemente comum para a década de 1940. A diferença está nos barulhos, cheiros e outras coisas presente nas redondezas... acontece que a tal casa dos sonhos é de um oficial nazista que reside ao lado do campo de concentração de Auschwitz. A forma peculiar com que Glazer narra essa história deve lhe valer algumas indicações, entre elas as de filme estrangeiro, direção, roteiro adaptado e atriz coadjuvante para Sandra Hüller. 

"All of Us Strangers" de Andrew Haigh
Campeão de indicação ao Gotham Awards, O filme conta a história de um roteirista (Andrew Scott) que visita a casa em que viveu durante a infância antes de seus pais falecerem em um acidente. A coisa complica quando ele passa a ver os espíritos de seus pais (Jamie Bell e Claire Foy) e agora eles precisam se relacionar com a sexualidade do filho. O filme é baseado no livro Srangers by de Taychi Yamada e conta com a direção sempre surpreendente de Andrew Haigh (do cult LGBTQ+ Weekend/2011 que já demonstrava gosto por fantasmas do passado no indicado ao Oscar 45 Anos/2015). Filme, direção, roteiro, ator (Scott) e atriz coadjuvante (Claire Foy) são algumas das categorias em que o filme aparece forte até o momento.

"The Holdovers" de Alexander Payne
Quem está de volta para a temporada de prêmios é o cineasta canadense que não emplaca uma indicação ao Oscar desde Nebraska (2013). O filme conta a história de Paul Hunham (Paul Giamatti que faz empo merece uma vaaguinha no Oscar de melhor ator), um solitário professor de História de uma escola preparatória de Massachusetts. Sem família ou amigos, Paul usa suas férias para ficar de olho nos alunos que não conseguiram ir para casa. Quem conhece o histórico do diretor sabe do que ele é capaz com um ponto de partida desses! No elenco ainda estão Dominic Sessa e Da'vine Joy Randolph, que estão cotadíssimos como coadjuvantes da temporada. 
 
"Dinheiro Fácil" de Craig Gillespie
Comédias costumam ficar de lado no Oscar, mas se conseguir apelo nas premiações que o precedem pode ser que tenha chances - ainda mais quando conta com a assinatura de Gillespie que sempre consegue uma indicação aqui e ali para seus filmes. Aqui ele conta uma absurda história real sobre um rapaz comum (Paul Dano) que usa suas economias para comprar ações de uma loja de videogames. Ele posta a respeito na internet, a dica interfere no mercado de ações e se transforma em um movimento que deixa muita gente rica. Só que alguns  bilionários não gostaram nada disso... a sandice tem chances em roteiro e muitos clamam finalmente uma indicação de melhor ator para Paul Dano. Será que acontece?

domingo, 23 de fevereiro de 2025

INDICADOS AO OSCAR 2025: Direção

 Brady Corbet (O Brutalista) com 36 anos e três filmes no currículo, o diretor conseguiu sua primeira indicação ao Oscar (e também concorre na categoria de roteiro original e melhor filme, afinal, também assina como produtor). O estilo de narrativa que mistura o tom dos grandes épicos de Hollywood com uma certa modernidade fez toda a diferença entre os votantes da Academia. Cotado desde que o filme ganhou o Leão de Ouro no Festival de Veneza, a indicação pode ser a guinada que faltava na carreira do cineasta. O longa custou dez milhões de dólares e impressiona pelo seu cuidado na produção. Brady levou o Globo de Ouro na categoria. Vale lembrar que Brady começou a carreira como ator em filmes como Melancholia/2011 e o remake de Funny Games/2007

Coralie Fargeat (A Substância) a diretora francesa não apenas se tornou parte do pequeno grupo de mulheres diretoras indicadas ao Oscar de Melhor direção (é apenas a nona em 97 edições do prêmio) como também quebrou paradigmas ao tornar seu longa metragem o primeiro filme de horror indicado ao Oscar em muito tempo. Com referências que vão de David Lynch, Kubrick e David Cronenberg, a esperta Fargeat construiu um verdadeiro manifesto contra o hetarismo e a ditadura da beleza (com a vantagem de ser totalmente fora da caixinha). A ousadia rendeu ainda indicações a roteiro original (que foi premiado em Cannes e no Critics Choice) e pela produção do filme. Este é o segundo filme da cineasta que promete longas interessantes. 

Jacques Audiard (Emilia Pérez) é outro francês que está no páreo. Fazendo filmes desde 1994, o cineasta já realizou verdadeiras obras-primas como O Profeta (2009) e Ferrugem e Osso (2012). Já ganhou a Palma de Ouro em Cannes com Dheepan (2015) e até migrou para Hollywood com o fracassado Os Irmãos Sisters (2018). Embora O Profeta tenha concorrido ao prêmio de filme estrangeiro (e perdido), curiosamente seu reconhecimento só veio com um dos piores filmes de sua carreira. Embora tenha qualidades técnicas visíveis, a trama sobre o traficante em busca de redenção em sua vida como mulher é bastante problemática. Audiard também concorre a melhor canção (por El Mal), melhor roteiro adaptado e pela produção do longa.
 
James Mangold (Um Completo Desconhecido) confesso que fiquei surpreso quando vi o diretor entre os indicados, o fato era que em listas de apostas o operário padrão Mangold não estava cotado. O diretor já fez de tudo em Hollywood desde que recebeu reconhecimento no cinema independente com Paixão Muda (1995). James já dirigiu suspense, dramas, franquias milionárias, filmes de ação, musical e biografias. Se ele já tinha levado para as telas a vida de Johny Cash em Johny & June (2005), agora ele investe nos primórdios da carreira de Bob Dylan (e concorre também pela produção e roteiro adaptado). Mangold é o único da categoria a ter uma indicação anterior ao Oscar, pela produção de Ford Vs. Ferrari (2020).
 
Sean Baker (Anora) faz um tempinho que Sean Baker precisava de uma indicação para chamar de sua no Oscar. O cineasta que tempos atrás teve que se contentar com  a indicação de Willem Dafoe em ator coadjuvante por Projeto Flórida (2017), agora desponta como favorito ao prêmio de direção depois de ganhar o prêmio do Sindicato dos Diretores e o Independent Spirit. Ao contar as desventuras da dançarina erótica Anora após se casar com um herdeiro russo, Sean faz seu estilo parecer mais caótico do que nunca - e recebeu a Palma de Ouro do Festival de Cannes pelo serviço. Baker ainda concorre como produtor na categoria de melhor filme, roteiro original e montagem. 

O ESQUECIDO: Edward Berger (Conclave) o cineasta alemão é responsável por um dos filmes mais cotados para levar o Oscar de melhor filme, mas ficou de fora da categoria de direção. A atmosfera conspiratória na eleição do novo Papa é um dos grandes trunfos de Conclave, mas a Academia parece ter imaginado que era preciso algo mais para que o diretor fosse reconhecido. Berger tem uma indicação no currículo pelo roteiro adaptado do excepcional Nada de Novo no Front (2023), que foi indicado em nove categorias, ganhou autro e o deixou de fora da categoria de direção do mesmo jeito. Berger pode dar as mãos a Denis Villeneuve (Duna Parte 2) entre os ausentes do ano. 

sábado, 12 de novembro de 2022

10+ Cotados para o Oscar 2023

 As conversas sobre o Oscar já estão bem avançadas e alguns filmes cotados já até estrearam por aqui. Top Gun: Maverick tem chances crescentes após fazer o dever de casa direitinho e pode até trazer Tom Cruise de volta ao gosto da Academia após longo jejum. Outro que pode ser lembrado é Elvis de Baz Luhrman, que pode deixar para trás outras biopics para trás - incluindo Blonde (Ana de Armas bem que merecia uma indicação) e I Wanna Dance With Somebody que conta a carreira da diva Whitney Houston. Quem parece ter lugar garantido é Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo, que deve abocanhar várias indicações com sua história doida e cheia de sentimento. Alguns com assinaturas de prestígio já floparam pelo caminho, caso de The Son de Florian Zeller (podem chorar por Hugh Jackman, parece que a indicação não sai), White Noise de Noah Baumbach deve ficar pelo meio do caminho assim como Bardo de Alejandro Gonzalez Iñárritu (ambos da Netflix). Porém, a gigante do streaming tem um grande trunfo com todos os elogios de Nada de Novo no Front, o impressionante filme alemão que deve marcar presença em várias categorias enquanto desponta como favorito ao prêmio de filme internacional. A seguir outros filmes que possuem chances ampliadas nesta temporada de ouro: 

#01 "Aftersun" de Charlotte Wells 
Ao que tudo indica este filme banhando de doçura e melancolia sobre o encontro de pai e filha é o queridinho indie da temporada. Aclamado em suas exibições, o filme é contado a partir das memórias de uma mulher sobre suas férias no verão da Turquia ao lado do pai quando ainda era criança. Paul Mescal (que ficou conhecido por Normal People/2020) pode ser indicado pela primeira vez ao Oscar enquanto o filme tem chances em demais categorias, como roteiro original e até Melhor Filme pelo seu tom singelo. 

#02 "Babylon" de Demian Chazelle
Todos os filmes de Chazelle foram indicados ao Oscar, embora tenha chamado atenção com Whiplash (2014), ganho o prêmio de melhor direção por La La Land (2016), seu filme seguinte O Primeiro Homem (2018) foi lembrado somente em categorias técnicas, mas parece que com Babylon a coisa será diferente. O filme sobre a transição do cinema mudo para o falado promete fazer barulho na temporada de ouro. O filme é estrelado por Margot Robbie, Brad Pitt, Tobey Maguire, Jean Smart e Olivia Wilde e promete ser um daqueles de encher os olhos. 

#03 "Empire of Light" de Sam Mendes
Acham que Sam Mendes olha para sua estante e vê o Oscar recebido por sua brilhante estreia como diretor em Beleza Americana (1999) e imagina que já passou da hora de ganhar outro. Ele chegou perto com 1917 (2020), mas agora ele aposta em um filme que costuma cair no gosto da Academia: um filme sobre cinema. A trama mistura as lembranças de uma dona de sala de cinema e os problemas que possui para manter o empreendimento aberto, rendendo paralelos entre a vida e a arte. No elenco estão Colin Firth, Tobey Jones, Micheal Ward, mas quem tem chance mesmo de conquistar indicação é Olivia Colman (mais uma vez). 

#04 "She Said" de Maria Schrader
A Academia costuma curtir filmes sobre matérias jornalísticas, agora imagina um longa sobre um dos escândalos mais recentes da indústria do cinema. O longa recria a investigação das duas repórteres do New York Times (Carey Mulligan e Zoe Kazan) que ajudou a deflagrar o movimento #MeToo após diversas denúncias de abuso sexual nos bastidores de Hollywood. O filme pode ser lembrado nas categorias de filme, roteiro adaptado, atriz (Zoe Kazan) e atriz coadjuvante (Carey Mulligan). 

#05 "TÁR" de Todd Field
Todd Field não dirige um filme desde o excelente Pecados Íntimos/2006 (que o indicou ao Oscar de roteiro adaptado). Em 20 anos de carreira, este é apenas o terceiro filme dirigido pelo cineasta (o que é uma pena) e, ao que parece, seu talento para conduzir atores permanece intacto. Cate Blanchett interpreta a aclamada maestra Lydia Tár (personagem que é tão bem escrito que parece existir de verdade), mas que está prestes a cair em desgraça. Cate já é a favorita ao prêmio de melhor atriz da temporada, mas o filme também deve ser lembrado em categorias como filme, direção, roteiro original, montagem, fotografia e som. 

#06 "Till" de Chinonye Chukwu 
Enquanto muitas favoritas ao Oscar vão ficando pelo caminho,  o nome de Danielle Deadwyller cresce entre as apostas para cravar uma indicação. A Academia adora reconhecer o talento de novas estrelas entre suas indicações e a atriz está perfeita como a mãe com sede de justiça após seu filho ser assassinado brutalmente. Outro nome importante no elenco é Whoopi Goldberg que retorna às telas após um bom tempo sem papéis de destaque. O filme ainda pode concorrer em categorias como figurino e fotografia. 

#07 "The Banshees of Inisherin" de Martin McDonagh
Se podemos apontar um favorito ao prêmio de coadjuvante da temporada ele é Brendan Gleeson. Gleeson nunca foi indicado ao Oscar, mas está colhendo grandes elogios por sua performance em sua nova parceria com o diretor. Ao seu lado está Colin Farrell (outro querido do cineasta). Eles vivem dois amigos que depois de muito tempo rompem a amizade sem maiores explicações. Enquanto o personagem de Farrell fica devastado em busca de uma explicação o roteiro se desenvolve de forma surpreendente. O filme está cotado para as categorias principais (incluindo as de atuação). 

#08 "The Fabelmans" de Steven Spielberg
Fosse organizada por ordem de favoritismo, a nova empreitada de Steven Spielberg apareceria no algo desta lista. Recentemente exibido nos cinemas dos Estados Unidos, o filme coleciona elogios e soube transformar toda a expectativa em torno dele em favoritismo. Aqui, Spielberg revisita sua vida familiar e o nascimento de seu gosto pelo cinema de forma bastante emocionada. No elenco estão Michelle Williams no papel da mãe (e cotada como favorita na categoria de atriz coadjuvante), Paul Dano como o pai que vai embora e o prodígio Gabriel Labelle como protagonista. 

#09 "The Whale" de Darren Aronofsky 
Depois da aclamada estreia no Festival de Veneza, o novo filme de Aronofsky volta a ser mais intimista e conta a história de um professor com mais de duzentos quilos que deseja se reconciliar com a filha. Poderia ser só mais um filme dramático, não fosse pela assinatura valiosa de seu diretor e o marco do ressurgimento de um ator que há muito merecia retomar seu destaque em Hollywood: Brendan Fraser. Ele deve ser indicado ao Oscar de melhor ator e, se tudo der certo, deve sair premiado da noite. Com destaque também para as atuações de Sadie Sink e Samantha Morton, ambas podem ser indicadas também.  

#10 "Women Talking" de Sarah Polley
Falando de temas bastante atuais com sensibilidade, Sarah Polley pode finalmente ser indicada ao Oscar de direção pela primeira vez. Faz tempo que a atriz canadense dedica mais seu tempo à carreira de cineasta e aqui conta a história de um grupo de mulheres que vivem em uma comunidade religiosa isolada no ano de 2010. Com texto marcante e atuações inspiradas de Claire Foy, Frances McDormand, Rooney Mara, Jessie Buckley e Ben Whishaw, o filme deve ser um dos mais lembrados pela Academia.