domingo, 10 de janeiro de 2021

NªTV: Bridgerton

O Duque e Daphne: amor e juramentos pelo caminho.

A consagrada Shonda Rhimes (de sucessos como Grey’s Anatomy, Scandal e How to get away with Murder) assinou um contrato milionário com a Netflix faz algum tempo e somente agora o primeiro fruto desta parceria estreou. Lançado no finalzinho de 2020, Bridgerton se tornou nas últimas semanas o programa mais visto da plataforma e tem tudo para render várias temporadas de sucesso, afinal, a base da série é a coleção de mais de uma dezena de livros criados por Julia Quinn. Para quem curte produções de época, sobretudo calcada na obra de Jane Austen, a série é um deleite, não apenas por ser ambientada na mesma época da cultuada escritora inglesa, mas também por ter ousadias em sua construção que evitam que caia na repetição pura e simples de uma fórmula do gênero. A começar pela carga de pimenta impressa pelo showrunner Chris Van Dusen, que explora de forma um tanto despudorada a vida sexual de seus personagens, mas sem perder o encantamento que atrai uma legião de fãs para este tipo de produção. Outro ponto são os figurinos exuberantes em cores e tecidos tão variados que dá ao programa uma identidade visual própria e de encher os olhos junto aos cenários caprichados. O terceiro ponto é a diversidade do seu elenco que insere atores negros interpretando personagens da corte inglesa da Rainha Charlotte (ela mesma vivida pela veterana Golda Rosheuvel) e o rei George III (James Fleet), o que parece um delírio chega a ser explicada em um diálogo da ótima Lady Danbury (Adjoa Andoh) com o duque Simon Basset (Regé-Jean Page), o galã da história que cai de amores por Daphne Bridgerton (Phoebe Dynevor), eleita pela rainha como a debutante mais interessante da estação de bailes e festas que compõem esta temporada. É o romance entre este casal que rende a trama principal inspirada no livro O Duque e Eu e obviamente que os fãs mais ferrenhos dos livros irão notar uma mudança aqui e outra ali, mas o andamento da história e o carisma dos personagens permanece ao longo dos oito episódios que compõem esta temporada que não enrola com o que tem nas mãos. Aqui somos apresentados à matriarca Violet Bridgerton (Ruth Gemmell) e seus quatro filhos e três filhas. Embora o maior destaque fique para Dafne, os seus cobiçados irmãos mais velhos Anthony (Jonathan Bailey), Benedict (Luke Thompson) e Colin (Luke Newton) também possuem histórias para contar. Entre romances proibidos, casamentos arranjados, enganações e traições existe ainda um jornalzinho escrito pela misteriosa Lady Whistledewn (na voz de Julie Andrews) que cria verdadeiro alvoroço com os segredos e alfinetadas que dispara entre os personagens (e mudando o rumo de vários acontecimentos). No entanto, não se engane,a série tem uma análise social bastante astuta sobre o período que retrata entre as suas fantasias: o desespero pelo casamento como sinal de status, a situação das mulheres que são capazes de perder toda a fortuna de seus pais por não ter um herdeiro homem na casa, o pavor da solteirice enquanto motivo de chacota, as fugas encontradas no casamento sem amor, a  abafada busca por independência de algumas jovens, criando um resultando um painel bastante interessante sobre a situação da mulher, fator que já era pontuado nas entrelinhas dos romances  de Jane Austen. Vale destacar que o elenco é um verdadeiro deleite, ainda com destaque para a Derry Girl Nicola Coughlan que está ótima como Penélope a filha caçula dos desesperados Featherinfton e apaixonada pelo espirituoso Colin, que está prestes a se meter em um verdadeiro escândalo. Com roteiro esperto, romances, suspiros, humor e um visual arrebatador, Bridgerton é uma grata surpresa que deve gerar fãs desesperados por novas temporadas ainda não confirmadas, mas calma galera... é só questão de tempo!

Os Bridgerton: material para umas treze temporadas.

Bridgerton (EUA-2020) de Chris Van Dusen com Phoebe Dynevor, Regé-Jean Page, Nicola Coughlan, Ruth Gemmell, Polly Walker, Julie Andrews, Adjoa Andoh, Jonathan Bailey, Luke Newton, Luke Thompson, Golda Rosheuvel e Claudia Jessie. ☻☻☻☻ 

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

PL►Y: A Caçada

Betty Gilpin: atirando para todos os lados. 

Quando o trailer começou a ser exibido, A Caçada gerou tantas críticas que acabou sendo adiado. Entre seus críticos estava até o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Trump ressaltou a forma como o filme apresentava pessoas da "elite" se divertindo ao caçar cidadãos comuns nascidos em estados que costumam apoiar o partido republicano. A crítica também não viu com bons olhos este terror da Blumhouse com maior cara de sátira, mas o fato é que A Caçada embaça tanto a percepção sobre seus personagens que fica até difícil de dizer que ele toma partido de alguma coisa. A impressão que tive é que ele tem a pretensão de ser tão profundo quanto os comentários que lemos diariamente nas redes sociais - e isto, por pior que pareça, faz parte da brincadeira. Vi até comentários de que o filme era a versão americana do brasileiro Bacurau (2019), menos gente, menos... desculpe, mas para comentar tem alguns SPOILERS no caminho. O filme começa pelo meio com um grupo de pessoas sendo levadas para uma terra que ninguém sabe dizer exatamente onde é. Sim, são pessoas comuns que foram escolhidas por serem politicamente incorretas em redes sociais e são caçadas por um grupo de pessoas que consideram que matando aquelas pessoas o mundo se tornará um lugar melhor. É uma premissa tão absurda que não dá para ser levada a sério, mas que revela muito da arte do discurso do século XXI em que algumas atrocidades são permitidas desde que tenham uma causa (matar por exemplo). Dirigido por Craig Zobel (para entender melhor este aqui talvez seja uma boa ideia ver seu filme mais elogiado, Obediência/2012 em que um trote telefônico basta para que atrocidades sejam realizadas contra uma mulher), A Caçada reúne rostos famosos para pouco depois eleger como protagonista Crystal (Betty Gilpin da série Glow), que logo se destaca entre as caças. A trama é cheia de reviravoltas e surpresas, tem pessoas disfarçadas, imigrantes ilegais, exército, espiões, tiros, sangue, mutilação, sangue e mais sangue além de uma longa luta de Crystal com a ganhadora de dois Oscars Hillary Swank (que aparece só na última parte). A Caçada atira para todos os lados e no fundo é o retrato da banalização da vida humana em meio aos conflitos mal resolvidos, das relações polarizadas, do discurso de ódio alimentando mais ódio, da fetichização das armas, da falta de diálogo, dos preconceitos, do eu sou melhor que você... Enfim, o caos generalizado em que o mundo se encontra hoje motivou a criação de um filme elevado à condição de sátira política pelos que se doem de um lado e do outro (e acho que a ideia era esta mesmo).  Ainda que possa mirar em um lado e acertar o outro (seja lá qual for), A Caçada pode agradar aqueles que entrarem no tom jocoso da narrativa, mas para outros será apenas uma bobagem para passar o tempo. 

A Caçada (The Hunt / EUA - 2020) de Craig Zobel  com Emma Roberts, Betty Gilpin, Hillary Swank, Amy Madigan, Ike Barinholtz, Macon Blair, Sturgill Simpson. ☻☻

PL►Y: Pieces of a Woman

 
Shia e Vanessa: juntando os cacos. 

Pieces of a Woman ganhou fama ao receber o prêmio de melhor atriz do Festival de Veneza para Vanessa Kirby (que ficou conhecida como a princesa Margareth das primeiras temporadas de The Crown) e confesso que fiquei muito feliz quando a Netflix comprou os direitos do filme. O filme gira em torno de Martha (Vanessa Kirby) que está prestes a ter seu primeiro bebê. Ela opta por ter o parto em casa com a ajuda de uma parteira e a meia-hora inicial do filme é dedicado a este momento em que junto à dor e a angústia da personagem o pior acontece (e só então o filme anuncia seu título). O luto se instaura e a partir dali vemos como aquela situação trágica afeta a vida da protagonista e de quem está ao seu redor, com destaque para seu companheiro, Sean (um dedicado Shia LaBeouf). O que temos aqui é um doloroso filme de luto, mas o roteiro de Kata Wéber reserva para sua personagem ações que fogem do óbvio e a tornam uma espécie de enigma. É óbvio que Martha está sofrendo, sofre com o quarto da criança, sofre com o leite que seu corpo insiste em produzir, sofre com ao encarar a  expressão de quem a viu grávida e percebe sua tristeza não pode ser medida. Ao seu lado também está a dor de Sean, que segue por um caminho oposto e autodestrutivo enquanto envereda por uma trama paralela sobre o  processo contra a parteira responsável pela conturbada chegada de Yvette ao mundo. Esta ideia de justiça na medida de culpar alguém é motivada principalmente pela mãe da protagonista, Elizabeth (Ellen Burstyn) que tem lá seus conflitos a serem resolvidos com a filha. Martha não vê sentido em nada daquilo,  nada é capaz de lhe trazer conforto. Pieces of a Woman traz um recorte sobre a vida de sua personagem principal e amplia sua rede de possibilidades sem que para isso precise contar muitos detalhes sobre sua vida pessoa. O que vemos são realmente fragmentos sobre a vida daquela mulher após aquele doloroso episódio e divagamos um pouco sobre seu relacionamento com Sean e a família, mas é tudo pontuado numa cadência perfeita para criar um nó na garganta pelo tom impresso pelo diretor húngaro Kornél Mundruczó - que guarda sentimentos dentro de uma armadura mas que permanecem dotados da capacidade de fazer o espectador se conectar com Martha de uma forma inimaginável até que ela se reconecte com o mundo com sua dor em forma de catarse. Esta é a primeira produção em língua inglesa de Kornél Mundruczó, que chamou bastante atenção com Deus Branco (2014) e até com o menos impactante Lua de Júpiter (2017) e aqui ele prova mais uma vez que filma muito bem, mas melhorou ainda mais o amparo ao seu elenco em momentos de rasgar o coração. Shia e Ellen estão ótimos em cena, mas o espetáculo fica por conta de Vanessa que já desponta como uma das favoritas ao próximo Oscar de melhor atriz. Ainda que não viva uma personagem propriamente agradável (e nem precisa ser) seu trabalho impressiona de tão comovente. Além de me convencer de que estava tendo realmente um bebê no início do filme, ela ainda tem aquela cena perto do desfecho em que não precisa dizer nada, que apenas a sua dor preenche a tela e transborda para o espectador. Ainda assim, Pieces of a Woman termina em tom de esperança (e você jamais verá as maçãs do mesmo jeito). 

Pieces of a Woman (Canadá / Hungria / EUA - 2020) de Kornél Mundruczó com Vanessa Kirby, Shia LaBeouf, Ellen Burstyn, Molly Parker, Iliza Shlesinger, Benny Safdie e Sarah Snooke. ☻☻☻☻

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

4EVER: Michael Apted

 
10 de fevereiro de 1941 ✰ 07 de janeiro de 2021

Michael David Apted nasceu em Aylesbury na Inglaterra. Filho de um agrimensor da União de Norwich, foi graças a bolsas de estudo  que ele conseguiu estudar na City of London School e posteriormente cursar História e Direito na Universidade de Cambridge. Em 1963 ele começou a estagiar na televisão e trabalhou por sete anos na TV Granada em Manchester e de pesquisador passou a ser diretor, trabalhando em mais de cinquenta produções do canal. Foi neste período que idealizou a icônica série documental Up (lançada em 1964) na qual registrava, a cada sete anos, o crescimento de 14 crianças na Inglaterra até os 63 anos. Em 1970 começou a dirigir peças para a BBC e sua estreia no cinema aconteceu dois anos depois com The Triple Echo. O cineasta migrou para Hollywood somente na década seguinte com O Destino Mudou sua Vida (1980) que foi indicado a sete Oscars e premiou Sissy Spacek na categoria de melhor atriz. Apted também dirigiu os elogiados Na Montanha dos Gorilas (indicado a cinco Oscars em 1989) e Nell (1994), um dos trabalhos mais premiados de Jodie Foster (que foi indicada ao Oscar pelo papel). Produtor, diretor, ator e roteirista, Apted também é lembrado pelos avanços conquistados junto ao Sindicado de Diretores nos Estados Unidos, do qual foi  eleito presidente em 2003. Nos últimos anos, Apted se dedicou mais aos trabalhos na televisão até falecer na Califórnia. 

PL►Y: Possessor

 
Andrea: profissão problemática. 

Desde que foi exibido no Festival de Sundance no início do ano passado, Possessor ganhou fãs fervorosos. O filme sofreu com o fechamento das salas por conta da pandemia e acabou sendo exibido diretamente online por sua distribuidora, mas, ainda assim, se tornou o filme de terror mais falado do ano. É fácil entender o motivo, já que o filme de Brandon Cronenberg cria algumas das cenas mais perturbadoras do cinema recente. Se você é antenado em cinema já identificou o sobrenome do rapaz. Ele é filho de David Cronenberg e seu cinema carrega muito da atmosfera dos primeiros filmes do seu pai (só para lembrar Scanners/1981, A Mosca/1986 e principalmente Existenz/1999), se Brandon já demonstrava ter estilo em sua estreia com Antiviral (2012), aqui ele escancara de vez que não está afim de amenidades. O filme acontece em um tempo não identificado em que uma empresa presta serviços de assassinato a seus clientes (de forma que estes nunca respondam pelo crime que cometeram). Como eles fazem isso? Eles trabalham com implantes neurais em que uma pessoa possui o corpo da outra, faz o serviço e depois segue a vida normalmente. A responsável por possuir o corpo do executor do crime é Tasya Vos (a sempre ótima Andrea Riseborough), mulher serena, casada e com um filho, mas que começa a sentir as consequências de seu trabalho fisicamente e, principalmente, psicologicamente. Quando ela recebe um novo serviço a coisa se complica quando ela precisa comandar as ações de Colin Tate (Christopher Abbott), o problemático genro de um milionário. Dominar Tate não é tão fácil como ela pensa e nada sai como o esperado, mudando os rumos de sua vida de forma definitiva. Lendo assim parece até um bom episódio de Black Mirror (a famigerada série que em suas primeiras temporadas elevou o terror tecnológico a um nível que exige muito mais trabalho dos cineastas que se aventuram pelo gênero) e Cronenberg Jr até parece brincar com isso em sua primeira parte (tanto que até Andrea atuou em um episódio famoso da série: Crocodile na terceira temporada), mas quando chega na segunda promove um banho de sangue bastante gráfico e incômodo.  No entanto, mais interessante que os closes desagradáveis são os efeitos visuais feitos de forma bastante criativa que bebem diretamente no cinema experimental (sem falar naquela máscara de borracha horrenda que aparece no pôster do filme) que impressionam até o desfecho pessimista. A dupla Andrea e Abbott se sai muito bem em seus papéis complicados e fazem de Possessor um filme perturbador sobre o duelo de duas pessoas dentro de uma mente já perturbada. Possessor definitivamente não é para qualquer um, mas é um exercício imagético interessante. 

Possessor (Canadá/2020) de Brandon Cronenberg com Andrea Riseborough, Christopher Abbott, Jennifer Jason Leigh, Megan Vincent, Rossif Sutherland e Sean Bean. ☻☻☻ 

PL►Y: Os Novos Mutantes

Charlie, Anya, Henry, Maisie e Blu: faltou o palhaço It. 

Começando as postagens aqui no blog neste ano 2021, ainda em clima de ressaca de 2020, escolhi falar de Os Novos Mutantes um dos filmes mais atribulados dos últimos tempos - e a cara do ano que passou. Previsto inicialmente para chegar aos cinemas em abril de 2018, o filme foi adiado e remexido tantas vezes que provavelmente o que vimos chegar ao público é algo bem diferente do que foi pensado inicialmente. Para piorar, o filme ainda foi uma das vítimas da fusão da Fox com a Disney (e por consequência, com a Marvel) o que fez com que muitos dos filmes que estavam para estrear ficassem numa espécie de limbo. Vale lembrar que quando o filme foi pensado a Fox finalmente havia se dado conta de que o universo mutante era bem mais vasto e rico do que estavam explorando nos filmes dos X-MEN (que invariavelmente girava em torno dos mesmos personagens a maior parte do tempo, Wolverine que o diga). Fugindo da seriedade de Xavier e sua turma, o escracho de Deadpool (2016) funcionou bem nas bilheterias e fez com que os produtores pensassem em fazer filmes de herói enveredando por outros gêneros. Os Novos Mutantes seria um filme de terror - e o primeiro trailer deixava isso bem claro, mas a ideia chegou tarde e tanta gente deu pitaco que o filme já chegou ultrapassado aos cinemas (com uma pandemia mundial para complicar ainda mais as coisas). O filme  foi ameaçado de nunca ser lançado, depois ir direto para o streaming (Disney Plus) e motivado pela reabertura dos cinemas (e, acredite, a possível identificação do público com personagens confinados)  o filme foi lançado nas telonas. O longa começa com a chegada de Dani Moonstar (Blu Hunt) numa instituição supervisionada pela Doutora Reyes (Alice Braga), Dani não sabe direito como foi parar ali, mas conta com os outros "pacientes" para entender o que está acontecendo. Ela conhece e meiga Rahne Sinclair (Maisie Williams), a esquentada Illyana Rasputin (Anya Taylor-Joy), o bom moço Sam Guthrie (Charlie Heaton) e o brasileiro Roberto (Henry Zaga). Apesar de alguns atritos eles vão começar a se entender, principalmente motivados por controlar seus poderes e a suspeita de que Doutora Reyes irá prepara-los para se tornar membros dos X-Men. No entanto, uma série de situações estranhas começam a acontecer e colocam em risco a vida de todos, especialmente de Dani. É engraçado como o filme parece tenta ser uma mistura do clássico adolescente Clube dos Cinco (1985) com a premissa de It (2017) - o que faz perder muito o impacto.  O filme até que tem momentos interessantes de suspense, mas que são isolados pela inconsistência do roteiro. Os efeitos especiais não são tão especiais assim e os poderes dos personagens são pouco explorados até o final que deixa a sensação de que vimos o piloto de algum seriado que estreará no ano seguinte. Triste é que Novos Mutantes fecha a história dos mutantes na Fox depois que X-Men:Fênix Negra (2019) já exibia todo o desgaste da fórmula no estúdio. O desgaste é tanto que até a Marvel vai demorar um pouco para explorar este universo novamente no cinema. Quando estreou em 2000, X-Men: O Filme se tornou um dos filmes mais aclamados do ano por estabelecer uma nova forma de se pensar filmes de heróis, mas vinte anos depois aqueles paradigmas já demonstravam cansaço e chegam ao fim com esta despedida massacrada. 

Os Novos Mutantes (The New Mutants/EUA-2020) de Josh Boone com Anya Taylor-Joy, Alice Braga, Blu Hunt, Maisie Williams, Henry Zaga e Charlie Heaton. ☻☻

10+ Na Mira do Oscar 2021

Começando os trabalhos neste ano novo, vale a pena comentar quais os filmes estão disputando vagas no Oscar desse ano conturbado. A sétima arte teve que se virar e o streaming foi uma saída para os produtores divulgarem seus filmes. Com o adiamento do Oscar para o dia 25 de abril (lembrando que Globo de Ouro foi para 28 de fevereiro e o SAG em 14 de março), a janela para lançamento dos filmes que cobiçam a estatueta dourada se estendeu e promete pegar fogo nos próximos meses. Alguns filmes que miram no Oscar já estrearam por aqui (Mank, Os 7 de Chicago, Soul, A Voz Suprema do Blues, O Destacamento Blood, Nunca Raramente às Vezes Sempre e até Era Uma Vez Um Sonho - que apesar do massacre da crítica, pode render um indicação para Glenn Close. Será?). Esta lista destaca dez filmes que ganham força junto à Academia e devem aparecer entre os indicados. As produções estão em ordem alfabética e pode começar as suas apostas:

 01 "Ammonite" de Francis Lee 
O diretor do elogiado O Reino de Deus (2017) agora mantem o foco na história de amor de duas mulheres vividas pelas sempre elogiadas Kate Winslet (cotada para o Oscar de melhor atriz) e Saoirse Ronan (será que a quinta indicação ao Oscar sai este ano?). A história ambientada na Inglaterra de 1840 conta o romance entre uma paleontóloga e uma jovem convalescente perdeu fôlego nos últimos meses por não trazer novidades ao gênero, mas Kate ainda tem chances de emplacar a oitava indicação  ao Oscar de sua renomada carreira. 

02 "Promising Young Woman" de Emerald Fennell
Apesar de ter feito muitos filmes importantes, Carey Mulligan não é lembrada no Oscar desde 2010 (quando foi indicada por Educação e deu uma guinada em sua carreira). Agora ela é uma das favoritas a ser indicada por esta comédia ácida sobre uma jovem que após um trauma resolve se vingar de homens abusivos. A direção e o roteiro (cotado na categoria de roteiro original) fica por conta  da atriz e cineasta estreante Emerald Fennell que é mais conhecida como a jovem Camila Parker-Bowles nas duas últimas temporadas da série The Crown. 

03 "First Cow" de Kelly Reichardt
Lançado uma semana antes do fechamento dos cinemas por conta da pandemia nos Estados Unidos, o filme ganhou o rótulo de mais azarado do ano - pelo menos até que fosse lançado on demand em julho e colecionado ótimas críticas pela sua história de dois homens e que passam maus bocados para produzir doce de leite em 1820. Entre o olhar diferente sobre o velho oeste e o drama, o filme é considerado o melhor filme indie de 2020. O longa deve aparecer na categoria de roteiro adaptado no Oscar, mas se tornou tão querido que pode aparecer como melhor filme, direção, fotografia e até melhor ator (John Magaro). 

04 "Judas and the Black Messiah" de Shaka King 
Com previsão de lançamento nos EUA para fevereiro deste ano, o segundo filme de Shaka King conta a história de Fred Hampton (Daniel Kaluuya), um ativista do movimento Panteras Negras, e a forma como foi traído por um informante do FBI (Lakeith Stainfield). Existe grande expectativa em torno do filme, principalmente por resgatar uma temática que recebe cada vez mais destaque ao redor do mundo. O filme pode ser lembrado nas categorias principais, especialmente ator (Kaluuya), ator coadjuvante (Lakeith) e roteiro. O elenco ainda conta com Jesse Plemons e Martin Sheen. 

05 "Minari" de Lee Isaac Chung
Outro filme muito querido da temporada é este drama sobre uma família coreana que se muda para o Arkansas nos anos 1980 com o sonho de criar uma fazenda. No entanto, eles descobrem que tudo é bem mais complicado do que imaginavam. Esta comovente crônica sobre American  Dream  foi recentemente envolvida em uma polêmica com o Globo de Ouro que o relegou ao prêmio de Filme em Língua Estrangeira e reacendeu os debates sobre a ausência de atores orientais no Oscar (a última foi Rinko Kikuchi por Babel/2006). O debate pode aumentar a chance do filme nas categorias de melhor filme, roteiro, ator (Steven Yeun) e atriz coadjuvante (Youn Yuh-jung).

06 "Nomadland" de Chloe Zhao
Desde que foi premiado no único grande festival de cinema realizado presencialmente durante a pandemia (O Festival de Veneza), Nomadland só cresceu em favoritismo rumo ao Oscar e não duvido que caminhe para se tornar o grande vencedor da noite (e de quebra premiar Chloe Zhao na categoria de direção, o que a tornaria a segunda mulher a receber o prêmio da categoria na história). Frances McDormand está cotada novamente ao prêmio de atriz (e se levar se iguala à Katharine Hepburn) pelo papel de uma mulher que durante a crise econômica vive em seu carro em busca de trabalho. Zhao imprime um tom bastante documental pautado no livro de Jessica Bruder. O filme também deve ser indicado ao prêmio de roteiro adaptado e fotografia. 
 
07 "One Night in Miami" de Regina King
A estreia na direção cinematográfica da atriz Regina King foi tão elogiada após sua exibição em festivais que chega com força para as principais categorias do Oscar. O filme é uma obra de ficção que imagina o encontro icônico de Muhammad Ali (Eli Goore), Malcolm X (Kingsley Ben-Adir), Sam Cooke (Leslie Odom Jr.) e Jim Brown (Aldis Hodge) durante o movimento pelos direitos civis na Miami de 1960. O filme já aparece em premiações da crítica e são dadas como certa sua presença na categoria de melhor filme, direção, roteiro adaptado (era uma peça) e que membros do seu elenco apareçam nas categorias de melhor ator e ator coadjuvante. 

08 "Pieces of a Woman" de Kornél Mundruczó  
Vanessa Kirby (a princesa Margareth das primeiras temporadas de The Crown) já serviu de enfeite em filmes de ação nos últimos anos, mas depois que foi eleita a melhor atriz no Festival de Veneza pelo primeiro filme em inglês do diretor de Deus Branco/2014, a sua carreira deve ganhar mais notoriedade. A atriz interpreta uma mulher cuja vida desmorona depois de um fracassado parto domiciliar. O filme  estreia hoje na Netflix (inspirando esta lista) e deve colocar Vanessa entre as favoritas ao Oscar de atriz deste ano (podendo também render uma indicação de coadjuvante para Ellen Burstyn que interpreta sua mãe no longa). 

09 "The United States Vs. Billie Holliday" de Lee Daniels
O diretor de Preciosa/2009 costuma fazer barulho com os seus lançamentos e está tão confiante com seu novo filme que o está guardando em segredo para a temporada de ouro que se aproxima. Quem assistiu garante que o filme irá colocar Andra Day no páreo de melhor atriz por sua personificação da cultuada cantora. O filme é baseado no livro de Johann Hari que conta como a estrela teve que lidar com uma operação secreta do Departamento Federal de Narcóticos liderada por um ex-namorado Jimmy Fletcher (Trevante Rhodes). A expectativa para o filme é bastante alta. 

10 "The Father" de Florian Zeller
Com cinco indicações ao Oscar e uma estatueta por O Silêncio dos Inocentes (1991), Anthony Hopkins corre sério risco de levar seu segundo prêmio da Academia por seu trabalho neste filme em que enfrenta problemas com a idade e a memória - o que afeta diretamente seu relacionamento com a filha, Anne (Olivia Colman que deve ser indicada ao prêmio de atriz coadjuvante). Elogiado pela versão para o cinema de sua própria peça, Florian Zeller pode ser indicado ao prêmio de melhor diretor, assim como o longa está cotado para melhor roteiro adaptado e melhor filme. O maior concorrente de Anthony ao Oscar de ator é Chadwick Boseman (por A Voz Suprema do Blues) que pode levar um prêmio póstumo. 

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

FAVORITOS DO CINEMA 2020

Seria ingratidão dizer que no meio de todo o caos que foi 2020 não tivemos bons filmes passando por aí. Esta lista de favoritos tem um gosto especial se levarmos em conta a dificuldade que as produções tiveram para chegar até o espectador. Muitas estreias foram adiadas, algumas chegaram ao streaming e muitas foram agendadas para 2021. Lembrando que esta é uma lista pautada no gosto pessoal, os filmes que aparecem aqui chegaram ao Brasil em 2020 pelos canais oficiais. Em meio à toda loucura que sofremos nestes meses, estas produções ajudaram a passar o tempo durante os dias de isolamento social. Além disso, a busca por sugestões de filmes para assistir em casa fez com que o blog tivesse mais acessos do que em qualquer outro ano. Foram mais de 68 mil acessos desde que retomei os trabalhos por aqui em março deste ano. Esses são os trabalhos que deixaram meu ano cinéfilo mais interessante:

ARTISTA REVELAÇÃ✪

CINEASTA REVELAÇÃ✪

AT✪R COADJUVANTE

ATRIZ C✪ADJUVANTE

ELENC✪

ROTEIR✪

MELH✪R ATRIZ

MELHOR AT✪R

DIREÇÃ✪

FILME DO AN✪

E quais foram os seus favoritos do ano?
Feliz 2021!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

10+ (2 Bônus) Filmes Favoritos do Ano

Ano complicado este para o cinema. Com a pandemia mundial, as salas fecharam e os estúdios ficaram sem saber o que fazer, enquanto isso os serviços de streaming bombaram e ainda que depois de vários meses filmes tenham estreado na tela grande, ainda não se sabe o que acontecerá nos próximos anos. Muita gente que tinha filme agendado para este ano resolveu adiar para a reabertura plena das salas (sabe-se lá quando) e a diversão da maioria dos cinéfilos ficou por conta das possibilidades de ver filmes em casa. Esta é a minha lista de favoritos do ano! Vale dizer que uso como critério para os meus favoritos os filmes que foram disponibilizados no Brasil por canais oficiais ao longo de 2020 e, por conta disso, alguns filmes lançados no ano passado no exterior aparecem por aqui. Como o cinema teve um ano complicado e os filmes ajudaram muito a passar o tempo em nossos dias de isolamento social, eu me dei o direito de escolher doze filmes (um para cada mês do ano deste 2020 enlouquecedor) que estão listados em ordem alfabética: