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sábado, 22 de janeiro de 2022

Pódio: Dev Patel

Bronze: o futuro milionário. 
A primeira vez a gente nunca esquece... a primeira vez que vimos o britânico Dev Patel no cinema foi na pele de Jamal Malik no oscarizado filme de Danny Boyle. Na pele do rapaz de origem pobre que participa de um programa de televisão para ser encontrado por sua amada, Patel está irresistível. Impossível não torcer por Malik ao longo de todo o filme. Patel tinha apenas dezoito anos quando protagonizou o filme (quem assistia a série Skins já o conhecia um pouquinho antes). Embora o Oscar não o tenha indicado ao prêmio de melhor ator, seu trabalho é fundamental para o filme funcionar até hoje. 

Prata: o perdido crescido. 
A primeira indicação do ator ao Oscar veio neste drama comovente sobre um menino de cinco anos perdido nas ruas de Calcutá. Sem encontrar sua família, ele é adotado por um casal de australianos e, embora tenha uma vida confortável, quando adulto desenvolve sérios conflitos com a vida que deixou para trás. Patel interpreta o menino quando crescido e sua busca pelas origens transforma o filme num drama familiar que fez muita gente chorar ao redor do mundo. O filme deu novo fôlego à carreira do moço (que estava preso a papéis pouco desafiadores) e aqui demonstra dar conta de personagens complexos.

Ouro: o lendário sobrinho. 
Se Dev Patel precisava de um papel para provar que cresceu na idade e no talento, o papel do lendário Gawan, sobrinho do Rei Arthur, caiu-lhe como uma luva! Na pele do jovem que não é cavaleiro e cai em um desafio que se mostra uma verdadeira armadilha, Patel tem uma atuação primorosa, introspectiva e cheia de nuances. Gawan come o pão que Merlin amassou numa jornada que, tudo indica, acabará com sua vida cheia de possibilidades. O visual do filme é irretocável e mistura o tom épico contemplativo com doses consideráveis de suspense. Uma ótima atuação numa verdadeira obra-prima. 

domingo, 25 de agosto de 2024

PL►Y: Fúria Primitiva

Patel: estreia na marra como diretor.

Sempre acho interessante quando um ator quer sair do nicho em que Hollywood tentou o colocar e consegue enveredar por outros ares. Isso acontece com Dev Patel, o ator britânico de 34 anos se tornou conhecido com a série Skins (2007-2013), mas chegou aos cinemas com Quem Quer Ser Um Milionário (2008) de Danny Boyle. Embora o filme tenha agradado a Academia e recebido oito Oscars (incluindo filme e direção), sua primeira indicação ao prêmio só veio como ator coadjuvante em Lion (2017). Desde então o ator tem investido em produções diferentes e desafiadoras (como A Lenda do Cavaleiro Verde/2021), mas, não satisfeito, resolveu se aplicar como diretor, produtor e roteirista. No recente Fúria Primitiva ele assume os três serviços atrás das câmeras e também atua, numa verdadeira prova de que o moço é capaz de muito mais do que esperavam dele. No longa ele interpreta o protagonista que ganha a vida em lutas clandestinas, em que se esconde por trás de uma máscara de macaco (daí o nome original do filme Monkey Man). Na primeiras cenas de ringue já temos uma amostra do que o filme irá nos apresentar: lutas sujas, violência, sangue e edição frenética. Mas a vida do rapaz tem mais do que ser pago para perder todas as noites.  Seu passado é marcado por uma tragédia, que fermenta nele um desejo de vingança que o fará desafiar pessoas tão poderosas quanto perigosas. Não vale falar muito mais do que isso para não estragar as surpresas que o filme reserva, mas também, em termos de sinopse, não existe mais do que isso. O que torna a estreia de Dev na direção um projeto impressionante é a sua desenvoltura em construir cenas de ação vertiginosas que bebem diretamente na inspiração em John Wick. A diferença está na ambientação em uma Índia impregnada de problemas sociais, tráfico sexual, religiosidade e tudo mais que você possa imaginar. Patel utiliza estes elementos para construir a identidade do seu filme e também de seu protagonista e não tem medo de banhar tudo com cores fortes e sanguinolentas. Essa mistureba toda fez com que a Netflix temesse o lançamento do filme diretamente em seu catálogo, mesmo após investir cerca de 30 milhões de dólares no projeto, mas embora o resultado careça de uma costura mais firme entre todos os elementos que apresenta, a produção funciona bem ao elevar a adrenalina da plateia. Resta dizer que o filme chamou até dos amantes de filme de ação, o que carimba de forma positiva a estreia de Patel como cineasta e acho que nem precisa dizer que ele está muito bem no papel principal (embora tenha quebrado uma mão, dois dentes, deslocado o ombro e conseguido uma infecção no olho), confesso que nunca teria o imaginado protagonizando um filme feito esse, e, acho que por pessoas feito eu, que resolveu bancar o projeto. Grata surpresa. 

Fúria Primitiva (Monkey Man / EUA - Canadá - Singapura - Índia / 2024) de Dev Patel com Dev Patel, Sharlto Copley, Pitobash, Jatin Malik, Sikandar Kher, Sobbhita Dhulipala e Ashwini Kalsekar. ☻☻

sábado, 22 de janeiro de 2022

FILMED+: A Lenda do Cavaleiro Verde

Dev Patel: a saga do sobrinho do Rei Arthur. 

Lançado nos Estados Unidos em julho do ano passad, The Green Knight foi saudado como o melhor filme de 2021, mas conforme o tempo foi passando, ele perdeu fôlego para as premiações (embora tenha entrado na lista indie do National Board of Review e recebido duas indicações no Gotham Awards). Com a pandemia, a situação do filme no Brasil ficou complicada, já que sofreu diversos adiamentos e agora encontra espaço no streaming do Prime Video. Ao ver o filme eu só lamento que não podemos ver o visual inebriante da produção numa telona de cinema, já que o diretor David Lowery constrói aqui uma verdadeira obra-prima. O roteiro é baseado na história "Sir Gawan e o Cavaleiro Verde" que faz parte dos Contos da Távola Redonda, as histórias orais do século XVI que giram em torno do lendário Rei Arthur e seus Cavaleiros. Gawan é o sobrinho do Rei Arthur e a escolha ousada de Dev Patel para interpretá-lo mostra-se um grande acerto ao longo do filme, já que ele consegue dar conta das nuances que o personagem exige, sobretudo com relação às suas inseguranças perante sua conturbada jornada. Embora não seja um cavaleiro, o rapaz tem acesso ao convívio dos Cavaleiros de seu tio e ao participar de uma celebração natalina na corte recebe a visita do Misterioso Cavaleiro Verde. De estranha aparência arboreal, o cavaleiro desafia um dos presentes a feri-lo, desde que no próximo natal, este o procure e permita que retribua o gesto. Gawan aceita o desafio, sem pensar nas consequências a longo prazo. Passado um ano, ele hesita ao partir ao encontro do Cavaleiro Verde, sabe que se retornar terá se tornado uma lenda, mas existe grande chance de não voltar para a proximidade de sua mãe (Sarita Choudhury) e da mulher que ama (Alicia Vikander). Quem conhece o estilo de Lowery (de Sombras da Vida/2017 e Amor Fora da Lei/2013) sabe que ele não tem muito interesse em cenas de ação, prefere atmosferas mais intimistas refletindo um verdadeiro turbilhão de emoções em cadência contemplativa. Aqui, ele soma este coeficiente comum de seus filmes anteriores a ambientações impressionantes, seja de construções opressoras ou de paisagens naturais traiçoeiras (valorizadas pela belíssima fotografia de Andrew Droz Palermo, o mesmo de Sombras da Vida). Em sua jornada, Gawan reflete sobre seus medos, encontra personagens perigosos, sinistros e sedutores que alimentam o tom reflexivo sobre as possibilidades que o personagem possui ao seguir seu caminho repleto de magias. Este ponto é o que faz o final ter um caráter surpreendente em seu último momento, já que, embora sombrio, faça o espectador compreender as motivações de Gawan perante seu algoz. Devo confessar que sou fascinado pelos Contos da Távola Redonda, mas que sempre estranho quando os estúdios resolvem fazer filmes de ação e esquecem o que eles possuem de mais relevante por trás de seus embates: os dilemas morais. São eles que dão o peso fundamental nas construção das histórias e dos personagens que tornam as histórias da mitologia medieval populares até hoje. Se pudesse entrevistar o David Lowery, eu perguntaria se ele assistia o clássico desenho Rei Arthur realizado pelo estúdio japonês Toei (produzido em 1979 e cultuado desde então), já que o A Lenda do Cavaleiro Verde lembra muito os momentos assustadores presentes naquele desenho, só que aqui, adaptados para uma precisa atmosfera adulta cinematográfica. Adoraria vê-lo voltando a este universo com a mesma energia que apresenta aqui (mas já o escalaram para mais uma versão de Peter Pan...). The Green Knight é um filme de encher os olhos e a imaginação do espectador.  

A Lenda do Cavaleiro Verde (The Green Knight / Irlanda - Canadá - EUA / 2021) de David Lowery com Dev Patel, Alicia Vikander, Joel Edgerton, Sarita Choudhury, Sean Harris e Ralph Ineson. ☻☻

domingo, 22 de outubro de 2023

PL►Y: Wes Anderson em Curtas na Netflix

 

A patota de Wes: Roald Dahl na tela da Netflix. 

Enquanto não assisto Asteroid City (o filme simplesmente não entrou em cartaz na minha cidade ou nas redondezas), a Netflix me deu o presente de ver Wes Anderson em quatro curtas-metragens baseados na obra de Roald Dahl. Anderson é declaradamente fã do autor e já se aventurou pela obra dele no magnífico O Fantástico Senhor Raposo (2009) e agora opta pelo trabalho em live action para adaptar quatro contos do escritor. Devo dizer que minha relação com os curtas foi bastante peculiar. Especialmente porque comecei a ver pelo mais alardeado de todos que é A Incrível História de Henry Sugar e, confesso, que foi o que menos gostei. Talvez seja por conta da duração mais extensa (41 minutos) que fez o filme me parecer um poço de pretensão. Achei o filme um tanto pesado em todos os seu maneirismos para contar a história de um milionário (Benedict Cumberbatch) que cruza o caminho de um homem que é capaz de enxergar sem usar os olhos (Ben Kingsley). Apesar de não ter curtido, fica claro ali o estilo do diretor impresso com uma narrativa ainda mais peculiar, já que ele faz questão de deixar a sensação de que o texto literário foi adaptado na íntegra, com o narrador (aqui vivido por Dev Patel, em ótima estreia na patota do diretor) por vezes descrevendo não apenas as emoções dos personagens como também as ações que são apresentadas em imagens. Mais do que tagarelice, uma sandice, mas que por vezes soa engraçada, assim como cansativa. Wes brinca com a percepção do espectador ao subverter a ideia de que nem sempre o importante é o que está sendo dito (ou quem diz). Comecei a curtir mais a brincadeira quando passei a não direcionar meu olhar para o narrador e ficar de olho no andamento da ação com outros personagens (e aqui o diretor soa como se fizesse troça de quem sempre fala de sua obsessão por simetria, já que com  o narrador em cena,  a ação não está ao centro, mas na visão periférica da cena). Henry Sugar parece na verdade dois filmes emendados e ressalta mais uma vez a paixão de Wes pelo oriente, aqui ele não está nem aí para as acusações de apropriação cultural, já que está plenamente seguro de que construiu um mundo só seu. Outro detalhe que fica latente aqui é um acabamento teatral da mise en scène , especialmente na transição dos cenários e convite à imaginação do espectador para complementar elementos em várias cenas. Confesso que desanimei após este aclamado curta. Sorte que depois eu assisti Veneno, eu nem sabia, mas é o curta-metragem que encerra a série de curtas e o achei o mais divertido com a história de um homem (Benedict Cumberbatch) que encontra uma cobra venenosa dormindo em sua cama e gera uma série de trapalhadas sob a tensão de uma morte eminente. Aqui, a narração de fala acelerada se torna mais orgânica e a rigidez do personagem de Cumberbatch, ao interagir com os elementos narrativos propostos pelo diretor, resulta em algo bastante divertido, embora trate de um tema sério como a xenofobia. O trato bem sacado me fez investir mais um pouco do meu tempo e ver O Caçador de Ratos. Se antes eu já achava o maior barato a forma como Ralph Fiennes (que se tornou membro do cast do diretor em O Grande Hotel Budapeste/) se encaixa nas tramas de Wes (ele também interpreta Roald Dahl sempre que necessário ao longo dos curtas), aqui, ele larga a sua boa aparência para se tornar um sujeito tão esquisito quanto os ratos que ele caça. Seus métodos nada ortodoxos garantem a graça da trama narrada por Richard Ayoade, que por vezes se confunde com o próprio Dahl. O tom nervosinho ganha mais graça ainda com Rupert Friend com cara de "onde eu estava com a cabeça quando contratei esse sujeito?". Embora o final seja bem menos interessante do que sugere, o curta cumpre seu papel sem maiores problemas. É interessante que deixei por último O Cisne, talvez o curta mais melancólico dos quatro, ao contar a história de um garotinho que sofre um bocado na mão de algumas pessoas mal intencionadas. Aqui Rupert Friend assume a narrativa e ganha pleno destaque já que é ele que fala a maior parte do tempo. O ator narra, faz vozes diferentes, encena... até que no final, Roald Dahl explica um pouco mais sobre o seu jovem personagem, cuja inspiração veio de uma triste história real que foi publicada nos jornais da época. O Cisne resulta então num filme sobre inocência, adaptação e sobrevivência. É o mais dramático dos quatro e flerta até um pouco comoo horror devido a violência que sugere (em todos os curtas as cenas mais chocantes são apenas narradas). Embora a maioria dos críticos bata palmas para A Incrível História de Henry Sugar, acho que O Cisne, com toda sua beleza triste, seria meu favorito para conquistar vários prêmios e, quem sabe até conceder finalmente um Oscar para Wes Anderson (ele merece faz tempo). 

A Incrível História de Henry Sugar ( / EUA-2023) de Wes Anderson com Benedict Cumberbatch, Ben Kingsley, Dev Patel e Ralph Fiennes. ☻☻

O Caçador de Ratos (The Rat Catcher / EUA-2023) de Wes Anderson com Richard Ayoade, Ralph Fiennes e Rupert Friend. ☻☻☻

Veneno (Poison / EUA-2023) de Wes Anderson de Wes Anderson com Benedict Cumberbatch, Dev Patel, Ben Kingsley, Ralph Fiennes e Benoît Herlin . ☻☻☻☻ 

O Cisne (The Swan / EUA - 2023) de Wes Anderson com Rupert Friend, Asa Jennings e Truman Hanks. ☻☻☻☻ 

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

CATÁLOGO: Quem quer ser um milionário?


Patel: catalizando a esperança da era Obama.

Aproveitei a exibição do filme ontem na TV aberta para rever essa obra que oscarizou Danny Boyle. Ao mesmo tempo serve de uma espécie de aquecimento para o Oscar do ano que vem, já que Boyle teve um crescente favoritismo que culminou em sua vitória sobre David Fincher e seu elaborado Benjamin Button. Boyle e Fincher devem se enfrentar novamente nesse ano e o segundo deve levar a melhor por A Rede Social. Os maiores méritos de Boyle em Slumdog Millionaire é o tom explosivo que o diretor imprime em seu filme, algo que se tornou sua marca registrada desde a estréia em Cova Rasa (1994) e consolidada em Trainspotting (1996). O filme conta a história de Jamal (Dev Patel), um rapaz vindo da parte mais pobre da Índia e que está prestes a ganhar um prêmio milionário na TV. Claro que Boyle não se contenta em contar apenas esse momento da vida do rapaz, fazendo com que a narrativa conte em flashbacks os fatos que o motivaram a estar ali e como alguém de origem tão humilde consegiu responder perguntas de naipe tão variado. O fascínio que o filme causou na época se deve há vários motivos. Na parte social, era o período em que os EUA vivenciavam as expectativas da futura eleição de Barack Obama. No campo econômico, Hollywood estava diante da crise e cada vez mais em busca de recursos em outros países - e o visual Made in Bollywood do longa caia como uma luva naquele momento. No campo técnico, Boyle utilizava uma câmera inovadora e desenvolvida especialmente para o filme. Com relação à trama é uma história que transborda otimismo e esperança tendo um herói pobre que está mais interessado em encontrar a sua amada Latika (a linda Freida Pinto) do que em ficar milionário. Na época foram inevitáveis as comparações do filme com o brasileiro Cidade de Deus (fotografia, enquadramentos, edição, a visão do mundo marginal...), surgiram polêmicas sobre o título do filme (algo como ‘cachorro favelado milionário’), mas nada destruiu a campanha do filme nas premiações. Diante de tudo que o filme apresenta considero mais interessante o ritmo que Boyle imprime a um filme que poderia facilmente cair no melodrama ou na amolação com suas idas e vindas temporais. Quem quer ser um Milionário foi premiado por retratar um momento do delicado do cinema americano - especialmente se levarmos em consideração que a produtora do filme faliu (a finada Warner Independent) e ele quase ficou sem distribuição. Para um longa com um empecilho desse no currículo chegar às telas conquistando público e crítica, os prêmios não poderiam ignorá-lo. Mas, na alma, o filme é uma história de um amor que nasce na infância (as cenas com as crianças na dura realidade da pobreza na Índia, conferem ao filme uma tristeza que contrasta com a energia impressa pelo diretor – e esse equilíbrio que deve ter agradado) e que vence as adversidades do destino de forma surpreendente como um conto de fadas contemporâneo com direito a vilões, violência... só faltou uma fada madrinha - mas um pouco de realidade não faz mal a ninguém. Para completar o conto de fadas o filme levou os Oscars de filme, direção, roteiro adaptado, canção original, trilha sonora, edição, mixagem de som e fotografia. Nada mal, Jamal.

Quem quer ser um milionário (Slumdog Millionaire/Reino Unido - 2008) de Danny Boyle. Com Dev Patel, Freida Pinto e Anil Kapoor ☻☻☻

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Na Tela: Lion - Uma Jornada para Casa

Sunny Pawar: a verdadeira estrela de Lion. 

Ao assistir Lion o que mais me surpreendeu foi a quantidade de crianças perdidas que aparecem durante o filme. Talvez o grande público não perceba este detalhe ao assistir a história do menino Saroo, mas a informação que aparece ao final ressalta o dado alarmante de que 80 mil crianças se perdem por ano na Índia. Saroo foi apenas uma delas e diante de todas as atrocidades que sabemos que pode acontecer com uma criança desaparecida, ele teve a sorte de ser adotado por um casal australiano que o criou com toda atenção e o apoiou quando o menino, já crescido, resolveu procurar sua família biológica. Baseado numa história real, o filme do inglês Garth Davis tem o mérito de entregar exatamente o que o público espera de uma história dessas, sendo espirituoso, comovente e com um final feliz que todo mundo espera ansiosamente (especialmente os que já sabem como a história). O pequeno Saroo (vivido por um irresistível Sunny Pawar) se perde do irmão mais velho numa estação de trem em Calcutá e por não saber informar de onde veio ou o nome da mãe (resista quando ele responde que o nome da mãe dele é “Mamãe”) está realmente em mãos lençóis. Nesta parte o diretor consegue fazer a angústia do menino transbordar da tela. O filme se torna tenso, triste e doloroso de assistir, por isso mesmo gera um verdadeiro alívio quando aparece o casal Brierley em sua vida, John (David Wenham que infelizmente não recebe muito destaque) e Mia (Nicole Kidman, indicada ao Oscar de coadjuvante) surgem como uma salvação para o menino - desde o primeiro olhar luminoso de Mia (cortesia de uma inspirada Nicole) sabemos que ele encontrou uma família que o aceita de coração aberto. Some o momento em que outro filho chega na casa e você perceberá que a primeira parte do filme termina muito bem-sucedida em suas intenções. Quando Saroo cresce é Dev Patel (indicado ao prêmio de ator coadjuvante, categoria em que foi premiado no último BAFTA) que assume o personagem e demonstra maturidade por transparecer que mesmo diante de todo o conforto e expectativas de vida, a dor de não saber o que houve com sua família biológica ecoa dentro dele – e não demora para que isso afete sua vida social (incluindo o namoro com Rooney Mara) e alguns conflitos familiares apareçam pelo caminho. Existe um buraco na identidade de Saroo (e que pode tragar sua personalidade como um vácuo). Diretor de primeira viagem em longa-metragem, Garth Davis (que anteriormente tem como maior mérito ter dirigido quatro episódios da série Top of the Lake) perde fôlego na segunda parte, sorte que o elenco consegue manter o interesse no drama familiar que se instaura. Embora tenha deslizes tudo é perdoado com o último ato (tendo como bônus a cena que mostra os personagens reais que inspiraram o filme) o que demonstra que Lion é um filme bastante convencional, mas sabe exatamente onde quer chegar com a carga emocional que tem em mãos. Comprovando que a produção funciona o filme foi lembrado no Oscar nas categorias de Melhor Filme, Fotografia, Roteiro Adaptado e  Trilha Sonora. 

Lion: Uma Jornada para Casa (Austrália / EUA / Reino Unido - 2016) de Garth Davis com Sunny Pawar, Dev Patel, Nicole Kidman, David Wenham e Rooney Mara. ☻☻☻

terça-feira, 9 de outubro de 2012

DVD: O Exótico Hotel Marigold

O elenco de veteranos: garantindo o sucesso de comédia despretensiosa. 

Um elenco é capaz de salvar um filme do esquecimento? Tenho certeza que você deve lembrar de uma série de filmes que garantem um sonoro SIIIIM à esta pergunta. O Exótico Hotel Marigold é um dos mais recentes a entrar na lista ao reunir nomes de peso do cinema britânico. Só para ficar nos mais famosos, ele conta com Judy Dench, Maggie Smith, Tom Wilkinson e Bill Nighy. A direção é de John Madden, que desde o oscarizado  Shakespeare Apaixonado/ não tem agradava o público e a crítica, mas aqui, talvez pela despretensão, caiu nas graças de ambos com uma história simpática de um grupo de idosos que vão curtir uma estadia num hotel na Índia. O filme é baseado no livro de Deborah Moggach e é um dos raros casos em que se comete a ousadia de se concentrar num bando de personagens na terceira idade. Curiosamente o menos interessante é o personagem mais jovem da trama, vivendo o gerente do hotel em decadência, Dev Patel não consegue encontrar o tom do personagem sempre caindo no exagero da caricatura. No roteiro, cada personagem se destina ao hotel por algum motivo, seja uma cirurgia que fará na Índia, a recente viuvez, a vontade encontrar um marido marajá, reencontrar um amor do passado ou apenas curtir as férias num lugar exótico. A história é contada a partir do olhar de Evelyn (Judi Dench, num momento de rara leveza) que vê a estadia na Índia como um recomeço -  é ela que irá costurar as histórias com comentários no seu blog e sugestões aos outros hóspedes. Mas nem todos tem um olhar carinhoso com o país que visita, a amargurada Muriel (Maggie Smith) só perde em preconceitos para a intragável Jean (Penelope Wilton) que finge não perceber que as diferenças com o esposo Douglas (Bill Nighy) chegaram ao limite. Até existem tramas onde as diferenças culturais aparecem, mas não espere grande profundidade já que o filme não tem a mínima intenção de gerar polêmicas. Sua abordagem da sociedade dividida em castas é apresentada apenas superficialmente, assim como os conflitos envolvendo casamento arranjado e homossexualismo. Evidentemente que Madden quis fazer um filme para relaxar e não quis preocupar o público com causas sociais ou qualquer outro elemento que não fosse capaz de gerar algum sorriso no espectador. Diálogos e situações não são capazes de gerar gargalhadas, mas podem conquistar o público de diversas idades com o desempenho de seus atores veteranos. O que mais me assusta é que tudo é realizado com tanta vontade de agradar que a narrativa perde o fôlego lá pela metade - o que torna seus 124 minutos bastante cansativos, no entanto, o apelo do elenco pode compensar qualquer insatisfação (afinal não é todo dia que podemos conferir atores deste quilate numa mesma produção - e Peter O'Toole e Julie Christie quase entraram no elenco). O filme fez um inesperado sucesso rendendo mais de quatro vezes o seu custo nas bilheterias, pode até ser merecido, mas um pouco mais de ousadia não faria mal. 

O Exótico Hotel Marigold (The Best Exotic Marigold Hotel/Reino Unido-EUA-Emirados Árabes/2011) de John Madden com Judy Dench, Tom Wilkinson, Maggie Smith, Dev Patel, Penelope Wilton e Bill Nighy. ☻☻ 

segunda-feira, 18 de maio de 2015

NaTela: Chappie

Chappie: melhor deletar...

Recentemente o diretor sul africano Neill Blomkamp recebeu aval para dar prosseguimento à saga Alien com direito à tenente Ripley e todo o resto. Essa é uma ótima notícia para os fãs do monstrengo, já que faz tempo que o personagem anda merecendo respeito. Além disso, por mais que eu curta Prometheus (2012), compreendo a frustração dos fãs com a ficção científica apresentado por Ridley Scott como prequel da série. Existe um consenso de que Blomkamp tem tudo para realizar um bom trabalho, já que, dos diretores atuais, mostra-se um grande amante de sci-fi. Sempre vale a pena lembrar que o rapaz fez Distrito 9 (2009), um dos melhores filmes do início do século XXI e indicado a 4 Oscars (incluindo Melhor Filme). Neill também não decepcionou em Elysium (2013), deixando evidente sua preocupação de usar o gênero para abordar questões sociais. Em Chappie ele tenta repetir a mesma desenvoltura, mas eu considero o filme decepcionante. Sei que o filme é um dos mais vistos ao redor do mundo atualmente, mas a abordagem de Neill é um desastre, sendo assim, o resultado é, no máximo, desengonçado em suas referências que vão de Short Cirtuit (1986) ao clássico Robocop (1987) - chega a ser engraçado que depois do remake cometido pelo brasileiro José Padilha no ano passado, o filme de Paul Verhoeven ainda tenha que lidar com esse aqui. Ambientado em Johannesburgo num futuro próximo, robôs policiais são responsáveis pela segurança das cidades. Na empresa que os fabrica trabalham o jovem idealista Deon Wilson (Dev Patel) e o agressivo Vincent Moore (Hugh Jackman). Enquanto Deon pensa em criar um robô com consciência para escrever poesia, Vincent tenta vender a ideia de um robô ainda mais poderoso no combate ao crime (cujo até o design parece com do ED-209 do filme de Verhoeven) para a dona da empresa, Michelle Bradley (a tenente Ripley em pessoa, Sigourney Weaver). No entanto, o experimento pacifista de Deon acaba caindo nas mãos de bandidos e sendo batizado de Chappie (algo como "chapa" em inglês). Chappie é inofensivo, parece uma criança descobrindo o mundo ao seu redor, pena que ele conta com a ajuda de Amerika (Jose Pablo Castilho), Yolandi (a rapper Yo-Landi Visser) e Ninja (vivido pelo parceiro de Yo na vida real: Ninja) para lhe mostrar o mundo de crimes e contravenções, ao ponto dele quase ser destruído no seu "rito de iniciação". Assim, o filme mostra uma família incomum, com Chappie sendo treinado para tornar-se um ladrão ou assassino, por aqueles que ele chama de pai (Ninja) e mãe (Yolandi) - por mais que o seu criador o ensine a não agir contra as leis (percebeu as metáforas óbvias do roteiro?). No fim das contas o comportamento de Chappie irá trabalhar a favor do projeto de Vincent no combate ao caos que  a cidade se tornará. Além disso, o filme não decide se volta-se para o público infanto-juvenil (a voz de Sharlto Copley caminha para isso) ou adulto (já que a violência é bastante sanguinolenta), criando um grande desequilíbrio na tela entre dilemas éticos, morais e cinematográficos que nem vou me deter aqui. Porém, posso dizer que fica difícil engolir o trio marginal que cuida de Chappie, já que são tipos barra-pesada demais para merecer a simpatia da plateia (além de Yo e Ninja serem atores bem sofríveis). Para piorar, o roteiro se estende demais para dar um final feliz aos personagens que nem interessam tanto. Ainda que faça sucesso, Chappie é um tropeço na carreira de Blomkamp. Retornando à estética crua de sua estreia em Distrito 9, ele erra justamente ao considerar que o fato de seus personagens serem bandidos pobres tornam-se dignos de torcida.  Talvez se houvesse explorado mais como se organiza uma sociedade dependente de robôs para manter a paz, ele até conseguisse. Nisso, nem a analogia do robô com uma criança abandonada à mercê da bandidagem salva o filme, já que perde a sutileza logo no início e torna-se uma caricatura risível das críticas sociais que o diretor almeja realizar. 

Chappie (EUA-México-África do Sul/2015) de Neill Blomkamp com Charlto Copley, Dev Patel, Hugh Jackman, Sigourney Weaver e Yo-Landi Visser.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

PREMIADOS BAFTA 2017

BAFTA 2017: os premiados.

Com a entrega dos BAFTA no último domingo (12) ficou ainda mais claro quais são as unanimidades da temporada e quem ainda pode surpreender no Oscar que se aproxima. Se La La Land ainda curte o favoritismo (assim como Viola Davis), Emma Stone e Casey Affleck demonstram que ainda tem fôlego para o auge da temporada de prêmios. Também não podemos esquecer de Dev Patel colocando ainda mais expectativa em uma das categorias mais disputadas da temporada. A seguir todos os premiados pelo prêmio da Academia Britânica de filmes:

Melhor Filme
La La Land – Cantando Estações

Melhor Filme Britânico
 Eu, Daniel Blake

Melhor Diretor
Damien Chazelle – La La Land – Cantando Estações

Melhor Ator
Casey Affleck – Manchester à Beira-Mar

Melhor Atriz
Emma Stone – La La Land – Cantando Estações

Melhor Ator Coadjuvante
Dev Patel – Lion

Melhor Atriz Coadjuvante
Viola Davis – Fences

Melhor Roteiro Adaptado
Lion

Melhor Roteiro Original
Manchester à Beira-Mar

Estreia Notável de Um Cineasta Britânico
Babak Anvari, Emily Leo, Oliver Roskill, Lucan Toh – Sob as Sombras

Melhor Filme em Língua Não-Inglesa
Filho de Saul

Melhor Documentário
13th

Melhor Animação
Kubo e as Cordas Mágicas

Melhor Fotografia
La La Land – Cantando Estações

Melhor Edição
Até o Último Homem

Melhor Maquiagem
Florence: Quem É Essa Mulher?

 Melhor Design de Roupas
 Jackie

Melhor Design de Produção
Animais Fantásticos e Onde Habitam

Melhores Efeitos Visuais
Mogli: O Menino Lobo

Melhor Trilha Sonora Original
La La Land – Cantando Estações

Melhor Som
A Chegada

Melhor Curta Britânico
Home

Melhor Curta de Animação Britânico
A Love Story

Estrela em Ascensão (voto popular)
Tom Holland


terça-feira, 24 de janeiro de 2017

INDICADOS AO OSCAR 2017: Ator Coadjuvante

Dev Patel (Lion)
O ator britânico, filho de pais de origem indiana ficou famoso mundialmente após, ainda adolescente, protagonizar o ganhador do Oscar Quem Quer Ser um Milionário/2008 de Danny Boyle. Desde então, Patel se dedicou a alguns filmes e à série de TV Newsroom. No entanto é na pele do indiano que se perdeu da família aos cinco anos que ele alcança seu melhor momento no cinema. Ele encarna o personagem crescido, justamente quando parte em busca de suas origens. Esta é a primeira indicação do ator de 26 anos ao Oscar!

Embora Bridges faça cada vez mais do mesmo, Hollywood gosta cada vez mais dele. Desta vez ele vive um Texas Ranger prestes a se aposentar, mas que pretende cumprir com seu dever pela última vez na caçada a dois irmãos assaltantes de banco num Texas castigado pela crise econômica. Ele é o único no páreo com um Oscar na estante - por Coração Louco (2010). Ele conta com outras indicações no currículo (a primeira foi com A Última Sessão de Cinema/1971 e a última pela refilmagem de Bravura Indômita/2011). Ele concorreu quatro vezes ao Oscar de Melhor Ator e esta é sua terceira ao prêmio de coadjuvante

Hedges tem vinte anos de idade e dez anos de carreira. Porém, já trabalhou com diretores renomados como Terry Gilliam, Jason Reitman e (duas vezes com) Wes Anderson. Considerado por muitos uma das grandes revelações do ano, ele vive o adolescente cheio de conflitos que fica sob os cuidados do tio após uma tragédia familiar. Sua atuação é um dos pontos altos do filme e já lhe rendeu uma indicação ao BAFTA de ator revelação e o Critic' Choice Award de Melhor Jovem Ator. É um ator para se ficar de olho nos próximos anos! 

Desde que o filme começou a ser exibido em festivais teve início um dilema: como escolher somente um ator diante de todas as boas atuações que ele possui? No meio das votações, o californiano Mahershala Ali despontou como o grande favorito da temporada por viver o mentor do protagonista de uma história que atravessa três fases distintas. Na pele do traficante Juan é um vínculo forte para a história funcionar - e rende um dos movimentos de câmera mais bonitos da temporada. Atuando desde 2002 para séries de TV (incluindo a recente Luke Cage do Netflix) esta é sua primeira indicação ao Oscar. 

Pelo número de interpretações inesquecíveis, você deve imaginar que Shannon foi indicado uma dezena de vezes ao Oscar... mas na verdade ele só tem uma indicação no currículo, também de coadjuvante pelo vizinho do doloroso Foi Apenas um Sonho (2008). Aqui ele acrescenta mais um personagem endurecido para sua coleção na pele do xerife que perpassa a narrativa mais sórdida do filme. Eu não ficaria surpreso se o ator fosse finalmente reconhecido pela Academia, afinal, faz alguns anos que ele é o ator favorito para viver vilões em Hollywood (e já filmou com uns dois terços dos votantes). 

Depois de levar para casa do Globo de Ouro de ator coadjuvante e concorrer ao BAFTA da mesma categoria, o inglês de 26 anos deve ter levado um susto ao ter ficado de fora das indicações ao Oscar. A explicação está na divisão de votos provocada pela atuação de seu colega de cena Michael Shannon (mas se até Amy Adams ficou de fora pelo mesmo filme e por A Chegada, Aaron deve ter relaxado depois). Na pele de um dos bandidos que assombram o casal do filme o ator de Kick-Ass (2010) tem uma atuação arrepiante em vários momentos. Fica para a próxima, rapaz!

sábado, 10 de maio de 2014

Combo: Envelhescência

Já que os pequenos dependem dos adultos para ir aos cinemas e os adolescentes apreciam ver filmes em qualquer telinha tanto quanto no cinema, já estava na hora de Hollywood mirar em um público que andava esquecido. Sempre existiram filmes voltados para os mais maduros, mas só recentemente os filmes declaradamente voltados para eles ganharam status perante a indústria. É verdade que nem todos se tornam sucesso de bilheteria, mas costumam ser valorizados por bom elenco de veteranos (que nem sempre recebe atenção nas grandes produções) e temáticas que abordam dilemas comuns entre da faixa etária (o a vida sem os filhos, solidão, as lembranças, o passado, o presente, o futuro...). Nesse combo destaquei cinco produções que falam diretamente para esse público - mas que pode agradar qualquer faixa etária

05 Querido Companheiro (2012) Diane Keaton (68) e Kevin Kline (66) tem a vida alterada no dia em que resolvem adotar um cachorro abandonado. Por conta do canino a filha deles até se casa com um veterinário! O cenário do casório é a casa de campo dos pais que resolvem ficar mais um tempo ali com a companhia da tia Diane Wiest (66) e seu novo namorado Richard Jenkins (67). O problema é que por uma imprudência Kline perde o cachorro no meio do bosque. A busca pelo cão serve para que o casal coloque a relação sob o crivo do tempo e as ausências acumuladas (e o fato dele ser médico ajuda muito nas queixas). Filme de sessão da tarde - valorizado pelo premiado time de veteranos.

04 Alguém Como Você (2008) Depois de longo tempo servindo de coadjuvante em Hollywood, lembraram que o oscarizado Dustin Hoffman (76) é um dos melhores atores que eles tem à disposição. Famoso por inúmeros clássicos dos anos 1970, 1980 e 1990, Hoffman andava esnobado quando o chamaram para atuar nessa comédia romântica madura ao lado de outro talento oscarizado que andava esquecido na época: Emma Thompson (55). Por sua atuação de homem solitário, que encontra companhia para ir ao casamento da filha distante, o ator foi indicado ao Globo de Ouro de Melhor Ator de Comédia. Simpaticamente agridoce, o título original (Last Chance Harvey/A Última Chance de Harvey) merece atenção por não tratar seus personagens maduros como adolescentes. 

 03 O Exótico Hotel Marigold (2012) Se havia certa timidez em rotular uma produção voltada para os mais maduros, esse filme de John Madden acabou com essa palhaçada! Não é todo dia que vemos talentos como Judi Dench (79), Bill Nighy (64), Maggie Smith (79), Tom Wilkinson (66) e Penelope Wilton (67) juntos num mesmo filme. Como um grupo de aposentados que vão parar na espelunca indiana do título (administrada a duras penas pelo jovem exagerado Dev Patel) eles tem suas vidas transformadas de diferentes formas. O texto é cheio de boas intenções e o filme fez tanto sucesso que prepara-se uma continuação para 2015 com elenco anabolizada por Richard Gere (64) e David Straitharn (65).

02 RED (2010) Aposentados e Perigosos é um verdadeiro manifesto do segmento, já que serve para provar que os veteranos ainda dão conta de carregar um filme de ação e humor nas costas com bastante leveza. Quem tinha saudade de filmes como Máquina Mortífera não tem do que reclamar com o time de ex-agentes da CIA vivido por Bruce Willis (59), John Malkovich (60), Morgan Freeman (76) e Helen Mirren (68 -  o que prova como uma sessentona pode ser muito sexy) unindo forças contra uma conspiração que pode acabar com eles. Para ajudar, o filme ainda conta com o sumido Richard Dreyfuss (66) e Brian Cox (67). Sucesso nas bilheterias o filme teve uma sequência em 2013. Ah, o manifesto ganhou até uma versão troglodita no mesmo ano com Os Mercenários...

 01 Rugas (2011) Pouca gente conhece essa animação espanhola de Ignacio Ferreras baseado na graphic novel de Paco Roca, o filme é bastante emblemático ao abordar a amizade entre um grupo de idosos em um asilo a partir da chegada de Emílio (que conta com a ajuda dos amigos para disfarçar os sintomas de Alzheimer que começam a aparecer). Apesar do ambiente melancólico o filme consegue equilibrar sua narrativa sobre os dramas dos personagens (seus problemas, lembranças e trajetórias) com um humor refinado e um realismo surpreendente (eu não me assustaria se o filme ganhasse uma versão de carne e osso e ganhasse vários prêmios). Longe de querer dizer que o lugar dos atores desse combo é um azilo, Rugas está aqui por ser uma grata surpresa e sintetizar que os mais maduros são interessantes até em animações - um formato que é erroneamente associado aos pequeninos. 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

INDICADOS AO GLOBO DE OURO 2021

Globo de Ouro: Borat, Mandalorian, Carey, Chadwick e muito mais. 

Algo me dizia que no ano mais conturbado do cinema que deixou salas fechadas, estreias adiadas e filmes se virando para exibição on demand, seria a Netflix que faria a festa. Pelo menos no Globo de Ouro a gigante do streaming (que tem cada vez mais concorrência no ramo) foi a mais lembrada nas produções para o cinema (22 indicações) e televisão (20 indicações), em segundo lugar ficou a Disney com dez indicações (graças aos lançamentos da Pixar e Searchlight/FOX ao seu catálogo). Se algumas indicações foram dadas como certas, outras causaram surpresa seja pela presença (afinal o que Music está fazendo na lista? James Corden mais ser indicado do que Meryl Streep? Pequenos Vestígios indicado?) ou ausência (onde foi parar Destacamento Blood? Ellen Burstyn? Paul Raci? Bridgerton? I May Destroy You?), mas vale ressaltar o marco histórico de três mulheres concorrendo na categoria de Melhor Direção (e Chloe Zhao é a favorita)! A seguir todos os indicados da Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood que premiará os seus favoritos no dia 28 de fevereiro com apresentação de Tina Fey e Amy Poehler. Façam suas apostas...

CINEMA

Melhor Filme - Drama
“Meu Pai”
“Mank”
“Nomadland”
“Bela vingança”
“Os 7 de Chicago”

Melhor filme - Musical ou comédia
“Borat: fita de cinema seguinte”
“Hamilton”
“Palm Springs”
“Music”
“A Festa de Formatura”

Melhor Direção
Emerald Fennell — "Bela Vingança"
David Fincher — "Mank"
Regina King — "Uma noite em Miami"
Aaron Sorkin — "Os 7 de Chicago"
Chloé Zhao — "Nomadland"

Melhor atriz de filme - Drama
Viola Davis ("A voz suprema do blues")
Andra Day ("The United States vs. Billie Holiday")
Vanessa Kirby ("Pieces of a Woman")
Frances McDormand ("Nomadland")
Carey Mulligan ("Bela vingança")

Melhor ator de filme - Drama
Riz Ahmed (“O som do silêncio”)
Chadwick Boseman (“A voz suprema do blues”)
Anthony Hopkins (“Meu pai”)
Gary Oldman (“Mank”)
Tahar Rahim (“The Mauritanian”)

Melhor atriz em filme - Musical ou comédia
Maria Bakalova (“Borat: Fita de cinema seguinte”)
Michelle Pfeiffer (“French Exit”)
Anya Taylor-Joy (“Emma”)
Kate Hudson (“Music”)
Rosamund Pike (“I Care a Lot”)

Melhor ator em filme - Musical ou comédia
Sacha Baron Cohen (“Borat: fita de cinema seguinte”)
James Corden (“A Festa de Formatura”)
Lin-Manuel Miranda (“Hamilton”)
Dev Patel (“The Personal History of David Copperfield”)
Andy Samberg (“Palm Springs”)

Melhor ator coadjuvante
Sacha Baron Cohen (“Os sete de Chicago”)
Daniel Kaluuya (“Judas e o messias negro”)
Jared Leto (“Os pequenos vestígios”)
Bill Murray (“On the Rocks”)
Leslie Odom Jr. (“Uma noite em Miami”)

Melhor atriz coadjuvante
Glenn Close (“Era uma vez um sonho”)
Olivia Colman (“Meu pai”)
Jodie Foster (“The Mauritanian”)
Amanda Seyfried (“Mank”)
Helena Zengel (“News of the World”)

Melhor roteiro
“Bela vingança"
“Mank”
“Os 7 de Chicago"
“Meu pai"
“Nomadland”

Melhor filme em língua estrangeira
“Another Round” - Dinamarca
“La Llorona” - Guatemala / França
"Rosa e Momo" - Itália
“Minari” - EUA
"Nós duas" - França e EUA

Melhor Animação
“Os Croods 2: Uma Nova Era”
“Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica”
“A caminho da Lua"
“Soul”
“Wolfwalkers”
Melhor Canção Original
“Fight for You” (Judas e o Messias Negro)
“Hear My Voice” (Os 7 de Chicago)
“Io Si (Seen)” (Rosa e Momo)
“Speak Now” (Uma noite em Miami)
“Tigress & Tweed” (The United States vs. Billie Holliday)

TV

Melhor série - Drama
“The Crown”
“Lovecraft Country”
“The Mandalorian”
“Ozark”
“Ratched”

Melhor série - Musical ou comédia
"Emily In Paris"
"The Flight Attendant"
"The Great"
"Schitts Creek "
"Ted Lasso"

Melhor série limitada ou filme para TV
“Normal People”
“O Gambito da Rainha”
“Small Axe”
“The Undoing”
“Unorthodox”

Melhor ator em série - Drama
Jason Bateman (“Ozark”)
Josh O’Connor (“The Crown”)
Bob Odenkirk (“Better Call Saul”)
Al Pacino (“Hunters”)
Matthew Rhys (“Perry Mason”)

Melhor atriz em série - Musical ou comédia
Lily Collins (“Emily in Paris”)
Kaley Cuoco (“The Flight Attendant”)
Elle Fanning (“The Great”)
Jane Levy (“Zoey’s Extraordinary Playlist”)
Catherine O’Hara (“Schitt’s Creek”)

Melhor ator em série - Musical ou comédia

Don Cheadle (“Black Monday”)
Nicholas Hoult (“The Great”)
Eugene Levy (“Schitt’s Creek”)
Jason Sudeikis (“Ted Lasso”)
Ramy Youssef (“Ramy”)

Melhor atriz em série limitada ou filme para TV
Cate Blanchett (“Mrs. America”)
Daisy Edgar-Jones ("Normal People")
Shira Haas (“Unorthodox”)
Nicole Kidman (“The Undoing”)
Anya Taylor-Joy (“O Gambito da Rainha”)

Melhor atriz coadjuvante em série
Gillian Anderson ("The crown")
Helena Boham Carter ("The crown"
)

Julia Garner - "Ozark"
Annie Murphy - "Schitt's creek"
Cynthia Nixon - "Ratched"

Melhor ator coadjuvante em série
John Boyega (“Small Axe”)
Brendan Gleeson (“The Comey Rule”)
Dan Levy (“Schitt’s Creek”)
Jim Parsons (“Hollywood”)
Donald Sutherland (“The Undoing”)

Melhor ator em série limitada ou filme para TV
Bryan Cranston (“Your Honor”)
Jeff Daniels (“The Comey Rule”)
Hugh Grant (“The Undoing”)
Ethan Hawke (“The Good Lord Bird”)
Mark Ruffalo (“I Know This Much Is True”)

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

INDICADOS GLOBO DE OURO 2017

La La Land: O favorito do ano?

Hoje a Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood (HFPA) divulgou os indicados ao Globo de Ouro, sem deixar de revelar alguma surpresas. Todo mundo já sabia que La La Land, Moonlight e Manchester à Beira-Mar estariam entre os indicados e que a HFPA poderia colocar Até o Último Homem e A Qualquer Custo entre os pesos pesados da temporada. Porém, ninguém imaginava que o elogiado A Chegada ficaria com duas minguadas indicações, ao mesmo tempo que ver Animais Noturnos em três categorias foi uma bela surpresa (Aaron Taylor-Johnson surpreendendo quando todos imaginavam que seu seu parceiro de cena, Michael Shannon, era o que despontaria na categoria, além de Tom Ford indicado pela direção e roteiro). Outra surpresa no páreo de coadjuvante foi Simon Helberg (quando eu achei que Hugh Grant apareceria por aqui por Florence). Quanto à TV foi bom ver The Night Of ser lembrada, assim como os atores de The Americans (até que'nfim), mas foi triste ver Penny Dreadful desprezada no que foi seu último ano. A seguir todos os indicados (os que devem ser premiados no dia 8 de janeiro estão marcados com ✪ e os meus favoritos com )

Melhor drama
"Até o último homem"
"A qualquer custo"
"Lion"
"Manchester à beira-mar"
"Moonlight"

Melhor comédia ou musical
"20th century women"
"La la land: Cantando estações"
"Sing street"

Melhor diretor
Damien Chazelle ("La la land: Cantando estações")
Tom Ford ("Animais noturnos")
Mel Gibson ("Até o último homem")
Barry Jenkins ("Moonlight")
Kenneth Lonergan ("Manchester à beira-mar")

Melhor ator em drama
Casey Affleck (Manchester à beira-mar")
Joel Edgerton ("Loving") 
Andrew Garfield ("Até o último homem")
Viggo Mortensen ("Capitão Fantástico")
Denzel Washington ("Fences")

Melhor atriz em drama
Amy Adams ("A chegada")
Jessica Chastain ("Miss Sloane")
Isabelle Huppert ("Elle")
Ruth Negga ("Loving")
Natalie Portman ("Jackie")

Melhor ator em comédia ou musical
Colin Farrell ("O lagosta")
Ryan Gosling ("La la land: Cantando estações")
Jonah Hill ("Cães de guerra")
Ryan Reynolds ("Deadpool")

Melhor atriz em comédia ou musical
Annette Bening ("20th century women")
Lily Collins ("Rules don't apply")
Hailee Steinfeld ("The edge of seventeen")
Emma Stone ("La la land: Cantando estações")

Melhor ator coadjuvante
Mahershala Ali ("Moonlight")
Jeff Bridges ("A qualquer custo")
Dev Patel ("Lion")
Aaron Taylor Johsnon ("Animais noturnos")

Melhor atriz coadjuvante
Viola Davis ("Fences")
Naomie Harris ("Moonlight")
Nicole Kidman ("Lion")
Octavia Spencer ("Estrelas além do tempo")
Michelle Williams ("Manchester à beira-mar")

Melhor filme em língua estrangeira
"Divines" 
 "Elle" 
"Neruda"
"The salesman"
"Toni Erdmann"

Melhor animação
"Moana"
"Ma vie de courgette"
"Kubo e as cordas mágicas"
"Trolls"
"Zootopia" 

Melhor roteiro
Damien Chazelle ("La la land: Cantando estações")
Tom Ford ("Animais noturnos")
Barry Jenkins ("Moonlight")
Kenneth Lonergan ("Manchester à beira-mar")
Taylor Sheridan ("A qualquer custo")

Melhor canção original
"Can't stop the feeling" ("Trolls")
"City of stars" ("La la land: Cantando estações")
"Faith" ("Sing")
"Gold" ("Gold")
"How far I'll go" ("Moana")

Melhor trilha sonora
"Moonlight"
"La la land: Cantando estações"
"Lion"
"Estrelas além do tempo"

TV

Melhor série de drama
"The crown"
"Game of thrones"
"Stranger things"
"This is us"
"Westworld"

Melhor série de comédia
"Atlanta"
"Black-ish"
"Mozart in the jungle"
"Trasparent"
"Veep"

Melhor filme para TV ou série limitada
"American crime"
"The dresser"
"The night manager"
"The night of"
"The people v. O.J. Simpson"

Melhor ator em série de drama
Rami Malek ("Mr. robot")
Bob Odenkirk ("Better call Saul")
Matthew Rhys ("The Americans")
Liev Schreiber ("Ray Donovan")
Billy Bob Thornton ("Goliath")

Melhor atriz em série de drama
Caitriona Balfe ("Outlander")
Claire Foy ("The crown")
Keri Russell ("The Americans")
Winona Ryder ("Stranger things")
Evan Rachel Wood ("Westworld")

Melhor ator em série de comédia
Anthony Anderson ("Black-ish")
Gael Garcia Bernal ("Mozart in the jungle")
Donald Glover ("Atlanta")
Nick Nolte ("Graves")
Jeffrey Tambor ("Transparent")

Melhor atriz em série de comédia
Rachel Bloom ("Crazy ex-girlfriend")
Julia Louis-Dreyfus ("Veep")
Sarah Jessica Parker ("Divorce")
Issa Rae ("Insecure")
Tracee Ellis Ross ("Black-ish")

Melhor ator em filme para TV ou série limitada
Riz Ahmed ("The night of")
Bryan Cranston ("All the way")
Tom Hiddleston ("The night manager")
John Turturro ("The night of") 
Courtney B. Vance ("The people v. O.J. Simpson")

Melhor atriz em filme para TV ou série limitada
Felicity Huffman ("American crime")
Riley Keough ("The girlfriend experience")
Sarah Paulson ("The people v. O.J. Simpson")
Charlotte Rampling ("London spy")
Kerry Washington ("Confirmation")

Melhor ator coadjuvante
Sterling K. Brown ("The people v. O.J. Simpson")
Hugh Laurie ("The night manager")
John Lithgow ("The crown")
Christian Slater ("Mr. robot")
John Travolta ("The people v. O.J. Simpson")

Melhor atriz coadjuvante
Olivia Colman ("The night manager")
Lena Headey ("Game of thrones")
Chrissy Metz ("This is us")
Mandy Moore ("This is us")
Thandie Newton ("Westworld")