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terça-feira, 17 de dezembro de 2024

PL►Y: Longlegs

Maika: um serial killer das trevas.

Pode se dizer que entre todos os filmes que foram lançados durante o ano, o terror Longlegs se tornou o sucesso mais surpreendente do ano. Muito se deve à aura de mistério construída em torno do marketing em que nada era revelado sobre a trama. Tudo o que circulava era que se tratava de uma investigação sobre uma série de crimes mal resolvidos e, depois que o filme estreou, começaram a falar muito sobre a presença e Nicolas Cage em mais um daqueles trabalhos que só funcionariam se fosse feito por ele. Houve um hype tão grande em torno do filme que logo rendeu dez vezes o seu orçamento nas bilheterias mundiais (custou cerca de dez milhões de dólares, uma ninharia para os padrões de Hollywood). A plateia carente de um suspense envolvente e saturada de ideias recicladas, caiu de amores pelo filme de atmosfera estranha em torno de uma trama macabra que flerta com o fantástico em contraste com sua aparência realista. O responsável por conciliar este contraste complicado é Osgood Perkins (ou Oz Perkins para os íntimos), o filho de Anthony Perkins (ele mesmo, o próprio ator do clássico Psicose/1960). Até aqui, Oz era mais conhecido por ser uma figura dissonante em Hollywood, principalmente por curtir fazer filmes de terror mas não assiste os sucessos recentes do gênero - o que lhe garante uma estética bastante peculiar, distante do que está na moda. O moço trabalha como ator desde 1982, quando fez a versão mirim de seu pai em Psicose2 (1983) quando tinha apenas nove anos de idade. Desde então já participou de tudo quanto é tipo de séries e filmes, de Legalmente Loira (2001) até Star Trek (2009), mas aquele sujeito grandalhão e meio deslocado chamou atenção mesmo quando dirigiu seu primeiro filme, Enviada do Mal (2015), também conhecido como February ou The Blackcoat's Daughter. O filme (que visto hoje parece a versão diabólica do recente Os Rejeitados/2023) causou estranhamento assim que estreou e obteve relançamentos por conta de não saberem exatamente como vender o filme. Passado outros dois filmes sem muito sucesso, Osgood finalmente conseguiu construir uma história capaz de se comunicar com um público mais amplo, embora, muito de sua estreia para lá de sombria tenha semelhanças com a atmosfera construída por aqui. O filme acompanha Lee (Maika Monroe), uma novata agente do FBI que costuma ter intuições certeiras. Por conta de sua sensibilidade aguçada, ela é escolhida para auxiliar a desvendar uma série de crimes envolvendo famílias até então tranquilas. Ao que tudo indica, o pai da família é o responsável pelas atrocidades antes de tirar a própria vida. No entanto, no local dos crimes é deixada uma carta com códigos indecifráveis assinadas por Longlegs. Para não comprometer as surpresas, basta dizer que Lee irá começar a desvendar as entrelinhas dos crimes e se deparar com detalhes cada vez mais estranhos e alguns segredos que ela preferia não ter descoberto. É um filme de investigação carregado na rédea curta pelo diretor e que gerou comparações com o incomparável O Silêncio dos Inocentes (1991) pela forma como em boa parte das cenas, mais sugere do que mostra. Perkins constrói meticulosamente um verdadeiro universo em que tudo é incerto e o mal está sempre à espreita com as artimanhas mais cruéis. Transitando por tudo isso está um elenco perfeito, Maika Monroe está ótima como uma protagonista que também pode ser classificada como estranha (e perceba como ela muda de postura quando está "liberta" de sua própria maldição), a atriz realiza um trabalho sutil, que transpira desconforto a maior parte do tempo. Ela é seguida de perto pelo "chefe" Blair Underwood e da "mãe" Alicia Witt. Obviamente que em outro nível está Nicolas Cage, que deixa pairar sobre o filme um estranhamento ainda maior com as sandices que saem de sua boca em aparência grotesca. Fazia tempo que eu não assistia um filme em que não fazia a mínima ideia do que estava acontecendo e que me deixasse tão apreensivo diante do que via. Para piorar, Oz se inspirou em um crime real sem solução para criar o filme e, ao conhecer a história verídica, tive a impressão que o cineasta lidou com seus próprios temores sobre o caso ao criar o roteiro. No fim das contas, o resultado é tão trevoso que o diretor faz a gentileza de deixar um gesto (visivelmente improvisado por Cage) para lembrar à plateia que é tudo é uma fantasia (embora seja das mais assustadoras). 

Longlegs: Vínculo Mortal (EUA - 2024) de Osgood Perkins com Maika Monroe, Blair Underwood, Alicia Witt, Michelle Choi-Lee e Dakota Daulby. ☻☻☻☻

domingo, 20 de outubro de 2024

NªTV: Slow Horses - 4ª Temporada

Os pangarés: espantando o sossego.

Confesso que enrolo o máximo possível para terminar de ver uma temporada de Slow Horses, afinal, fico com aquela sensação de vazio quando termina uma temporada enquanto crio expectativas para a temporada seguinte (religiosamente anunciada em um trailer após a season finale). O trailer sobre esta quarta temporada deixava no ar a sensação de que um dos agentes desprezados de Lamb (Gary Oldman) iria se despedir do programa e... quem conhece as artimanhas do programa já deve imaginar as surpresas que irão aparecer depois da sensação de luto do primeiro episódio. Como de praxe, a série inspirada nos livros de Mick Herron gosta de surpreender o espectador em desdobramentos capazes de revelar um pouco mais sobre os personagens e prender a atenção dos espectador ao longo de seus oito episódios. Desta vez, os pangarés rejeitados do MI5 precisam lidar com mais problemas, agora em torno da família de River Cartwright (Jack Lowden) - que parece ter uma ligação estranha com um atentado realizado em um shopping nos arredores de Londres. Mais uma vez o trabalho pouco estimulante na Slough House (o escritório de arquivos para qual são destinados os agentes fracassados do serviço secreto inglês) recebe novos personagens que tentam provar seu valor em um universo que os rejeita. Obviamente que também reencontramos personagens que já possuem nosso respeito, como Guy (Rosalind Eleazar) e Catherine (Saskia Reeves), que recebem mais destaque nessa temporada e não podemos esquecer de Diana Taverner (Kristtin Scott Thomas), que precisa lidar novamente com a incompetência de seus superiores na alta cúpula do MI5. Mais uma vez, conforme a temporada avança em sua narrativa, a tensão cresce e a série nos oferece cenas de ação que não fazem feito em comparação a que vimos na excelente terceira temporada, a diferença é que existe aqui um emaranhado emocional ainda maior a ser resolvido, até mesmo entre a dupla Shirley (Aimee-Ffion Edwards) e Marcus (Kadiff Kirwan).  Para manter a tradição, a  quinta temporada recebe um trailer ao final do último episódio e deixa claro que o programa ainda vai manter sua ótima fórmula em desenvolver os laços entre os melhores piores agentes da Inglaterra enquanto todo o marasmo do serviço burocrático é espantado mais uma vez (para alegria deles e nossa também). Ampliando cada vez mais seu leque de personagens interessantes, Slow Horses ocupa cada vez mais o posto de minha série favorita do momento. 

Slow Horses - 4ª Temporada (Reino Unido - EUA / 2024) de Will Smith com Gary Oldman, Jack Lowden, Kristtin Scott Thomas, Saskia Reeves, Rosalind Eleazar, Hugo Weaving, Christopher Chung, jonathan Pryce, Ruth Bradley, Tom Brooke, Naomi Wirthner, Aimee-Ffion Edwards e Kadiff Kirwan. ☻☻☻☻☻

segunda-feira, 11 de março de 2024

Premiados Oscar 2024

Downey Jr, Da'Vine, Emma e Cillian: poucas surpresas.
 

Pela qualidade das produções envolvidas, pode se dizer que foi o melhor Oscar dos últimos anos. Parece que pela primeira vez a alardeada diversidade dos novos membros da Academia finalmente demonstrou efeito ao escolher seus indicados e até alguns premiados. É verdade que desde o início sabíamos que Oppenheimer era o grande favorito da noite, restava saber em quantas categorias seus oponentes conseguiriam se sobrepor. Pena que Assassinos da Lua das Flores do Scorsese com suas dez indicações não conseguiu cravar uma estatueta sequer, nem mesmo da categoria de melhor atriz - em que o páreo acirrado de estava entre Lily Gladstone e Emma Stone que acabou entrando para o seleto clube das atrizes com dois Oscars de atriz principal na estante, enquanto Lily entrou para a História como a primeira atriz indígena a concorrer ao Oscar de melhor atriz. Apesar da cerimônia ter fluído de forma ágil, não curti a apresentação de Jimmy Kimmel, sorte que os números musicais ficaram interessantes, sobretudo Ryan Gosling no momento histórico de I'm Just Ken um dos hits da trilha sonora de Barbie. A seguir os ganhadores da noite com ☻marcando meus acertos da noite.  

  Filme
     Oppenheimer ☻

     Direção
 
   Ator
        Cillian Murphy, por Oppenheimer ☻
 
   Atriz
    Emma Stone, por Pobres Criaturas
     
    Ator Coadjuvante
       Robert Downey Jr., por Oppenheimer ☻
     
    Atriz Coadjuvante
      Da'Vine Joy Randolph, por Os Rejeitados ☻
 
    Roteiro Original
    Anatomia de uma Queda ☻
     
    Roteiro Adaptado
    Ficção Americana
   
    Melhor Animação
    O Menino e a Garça ☻
    
    Filme Internacional
     Zona de Interesse (Reino Unido) ☻
      
    Melhor Documentário
    20 Dias em Mariupol ☻
 
      Documentário em Curta-metragem
        A Última Loja de Consertos
 
    Melhor Curta-metragem
       The Wonderful Story of Henry Sugar ☻
 
    Melhor Curta-metragem de Animação
       War is Over ☻
 
    Trilha Sonora
       Oppenheimer ☻
 
    Canção Original
       "What Was I Made For?" (Barbie) ☻
 
    Melhor Som
    Zona de Interesse ☻
 
   Fotografia
   Oppenheimer ☻
     
    Cabelo e Maquiagem
   Pobres Criaturas
   
    Melhor Figurino
       Pobres Criaturas ☻
 
    Melhor Montagem
      Oppenheimer ☻
    
    Melhores Efeitos Visuais
       Godzilla Minus One ☻

 

Em 23 categorias, foram 18 acertos! Um a mais do que no ano passado!
☻☻☻☻☻☻☻☻☻☻☻☻☻☻☻☻☻☻☻☻☻☻☻
 
Placar
 Oppenheimer - 07
Pobres Criaturas - 04 
Zona de Interesse - 02
Anatomia de Uma Queda - 01
Ficção Americana - 01
Barbie - 01
Godzila Minus One - 01

sábado, 9 de março de 2024

MINHAS APOSTAS PARA O OSCAR 2024

Oppenheimer? Emma? Lily? Barbie?: Quem leva o Oscar 2024?

Não tem jeito, fazer as apostas para o Oscar é algo irresistível! Além disso é um baita exercício de objetividade versus subjetividade, afinal, adivinhar quem leva muitas vezes significa esquecer seu gosto pessoal e adivinhar o que os dez mil membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas preferem em sua maioria! Marcado para acontecer amanhã a partir das 20h da noite, transmitido por aqui pela TNT e também ao vivo pelo streaming do HBOMax, o ápice da temporada de ouro chegou! Já fez as suas apostas? A seguir a lista de quem eu acho que leva o careca dourado para casa:

   Filme
     Oppenheimer

     Direção
 
   Ator
        Cillian Murphy, por Oppenheimer
 
    Ator Coadjuvante
       Robert Downey Jr., por Oppenheimer
     
    Atriz Coadjuvante
      Da'Vine Joy Randolph, por Os Rejeitados
 
    Roteiro Original
    Justine Triet & Arthur Harari, por Anatomia de uma Queda
     
    Roteiro Adaptado
     Christopher Nolan, por Oppenheimer
   
    Melhor Animação
    O Menino e a Garça
    
    Filme Internacional
     Zona de Interesse (Reino Unido)
      
    Melhor Documentário
    20 Dias em Mariupol
 
      Documentário em Curta-metragem
        Nai Nai & Wai Po
 
    Melhor Curta-metragem
       The Wonderful Story of Henry Sugar
 
    Melhor Curta-metragem de Animação
       War is Over 
 
    Trilha Sonora
       Ludwig Göransson, por Oppenheimer
 
    Canção Original
       "What Was I Made For?" (Barbie)
 
    Melhor Som
    Zona de Interesse
 
   Fotografia
        Hoyte van Hoytema, por Oppenheimer
     
    Cabelo e Maquiagem
   Maestro
   
    Melhor Figurino
      Holly Waddington, por Pobres Criaturas
 
    Melhor Montagem
        Jennifer Lame, por Oppenheimer
    
    Melhores Efeitos Visuais
       Godzilla Minus One  

INDICADOS AO OSCAR 2024: Melhor Filme

"Anatomia de Uma Queda" é o ganhador da Palma de Ouro em Cannes2023 e não foi o escolhido da França pela vaga de filme estrangeiro, mas conquistou cinco indicações ao Oscar: filme, direção, atriz (Sandra Hüller) roteiro original e montagem. Se a elogiada produção não é a favorita ao principal prêmio da noite, o roteiro tem fortes chances após ser lembrado em outras premiações da temporada (como o Globo de Ouro). Justine se tornou a oitava mulher a ser indicada ao Oscar na categoria de direção, não mais do que merecido pelo excelente trabalho de um drama de tribunal que não se contenta em ser só isso, explorando, de forma bastante complexa, a forma como construímos verdades perante as informações que recebemos. Mesmo que não leve o prêmio para casa, já se tornou um dos filmes mais marcantes do século XXI. 

"Assassinos da Lua das Flores" de Martin Scorsese tinha chances de ser a pedra no sapato do grande favorito da noite, mas com o tempo o filme perdeu fôlego, especialmente após ficar fora da categoria de melhor roteiro adaptado (não pela qualidade do texto, mas por mudar o foco do livro em que se inspira). Ainda assim, o filme concorre em dez categorias: filme, direção, atriz (Lily Gladstone), ator coadjuvante (Robert De Niro), fotografia, montagem, design de produção, figurinos, trilha sonora e canção original. A história da nação Osage vítima de crimes camuflados na virada do século XX se tornou um filme de tirar o fôlego do ano. Scorsese demonstra uma energia invejável aos 81 anos. Indicado como diretor e produtor do filme, Scorsese acumula 16 indicações ao Oscar, mas tem apenas uma estatueta na estante pela direção de Os Infiltrados (2006). Dá para acreditar?
 
"Barbie" de Greta Gerwig se tornou o grande hit do ano e bastava ver todo o movimento de pessoas vestindo rosa para assistir ao filme nos cinemas. É verdade que muita gente torce o nariz, acusando o filme de ser superficial nos temas que aborda, mas gente, o ponto de partida do filme era um brinquedo - e olha o que Greta Gerwig consegue fazer! Greta acabou de fora da categoria de melhor direção, mas foi lembrada na categoria de roteiro adaptado (ao lado do esposo, Noah Baumbach). Margot Robbie também ficou de fora do prêmio de melhor atriz, mas concorre como produtora do filme. O longa ainda concorre a duas indicações a melhor canção (pelas favoritas What I was Made for e I'm Just Ken), ator coadjuvante (Ryan Gosling), design de produção e figurino. A torcida do filme deve garantir alguns números de audiência para a Academia.
 
Ficção Americana de Cord Jefferson é adaptado do livro de Percival Everett e foi aclamado como o melhor do Festival de Toronto. Ganhando fôlego nas premiações na reta final, o longa se tornou um dos indies mais queridos da temporada. A trama do escritor que precisa fingir ser outra pessoa para ter seu talento reconhecido  se tornou um dos comentários raciais mais interessantes dos últimos tempos. O filme concorre em cinco categorias: filme, roteiro adaptado, ator (Jeffrey Wright), ator coadjuvante (Sterling K. Brown) e trilha sonora. Infelizmente o filme não é favorito em categoria alguma, mas tem chances na disputa acirrada na categoria de melhor roteiro (categoria que serviu de consolação para o diretor que ficou de fora da categoria de direção em seu ótimo trabalho de estreia).
 
Maestro de Bradley Cooper é o filme (chatinho) da Netflix que caiu no gosto da Academia. Contando a história do maestro Leonard Bernstein (vivido pelo próprio diretor) ao lado da esposa Felicia Montealegre (Carey Mulligan), o longa é tecnicamente impecável, mas deixa bastante evidente o desespero de Bradley para ganhar um Oscar. Ao longo da carreira o astro já concorreu nove vezes (seja por atuação, produção ou roteiro) ao Oscar  e com seu novo trabalho atrás das câmeras,  recebeu mais três nomeações: produção, ator e roteiro original. O filme concorre em outras quatro categorias: atriz (Carey Mulligan), maquiagem, som e fotografia, num total de sete nomeações. Embora não seja apontado como favorito em categoria alguma, o longa tem chances na categoria de maquiagem e penteados, mesmo com a polêmica por algumas próteses utilizadas pelo ator.
 
"Oppenheimer" de Christopher Nolan tem tudo que a Academia adora, a começar pela escolha de uma figura histórica um tanto controversa pela construção da bomba atômica. O filme de Nolan patina em gelo fino quando tenta apresentar seu protagonista como herói pela construção de algo que causou tanto temor e destruição. Restava fazer o trabalho certo para as pessoas esquecerem as polêmicas e mirarem nas qualidades do filme. Eis que o filme se tornou o favorito na categoria com 13 indicações: filme direção, ator (Cillian Murphy), ator coadjuvante (Robert Downey Jr), atriz coadjuvante (Emily Blunt), roteiro adaptado, fotografia, montagem, figurino, design de produção, trilha sonora, som, maquiagem e penteados.  Com o filme, Nolan alcança oito indicações ao Oscar, entre elas sua segunda em melhor direção (concorreu antes por Dunkirk/2017) .
 
"Os Rejeitados" de Alexander Payne satisfaz a saudade que os cinéfilos estavam do diretor em sua melhor forma: histórias sobre pessoas comuns que misturam drama com bom humor. O longa se revela um dos melhores filmes natalinos feitos nos últimos tempos com a história de um trio de personagens que se conectam nos feriados de fim de ano. Paul Giamatti está perfeito como o professor mal humorado e ainda pode levar seu primeiro Oscar! Quem deve levar mesmo é Da'Vine Joy Randolph na categoria de coadjuvante que ganhou todos os prêmios da temporada. O filme também concorre ainda nas categorias de roteiro original e montagem. Quem também merecia ter sido lembrado é o estreante Dominic Sessa, que está ótimo como o aluno rejeitado que se aproxima do professor rabugento.
 
"Pobres Criaturas" de Yorgos Lanthimos em outros tempos dificilmente conseguiria cravar este filme no gosto da Academia, no entanto, nunca subestime o grego que colocou um filme feito Dente Canino (2009) no páreo de melhor filme estrangeiro. O ganhador do Leão de Ouro de melhor filme no Festival de Veneza conta a história de Bella Baxter (Emma Stone) que é fruto de uma experiência, com o cérebro de um bebê no corpo de um mulher adulta, ela deseja conhecer o mundo e lida com o sexo de forma um tantinho diferente da sociedade do seu tempo. O filme concorre em 11 categorias: filme, direção, atriz (Emma Stone), Ator coadjuvante (Mark Ruffalo), roteiro adaptado, trilha sonora, fotografia, figurino, direção de arte, montagem, maquiagem e penteados. Yorgos já acumula cinco indicações ao Oscar, tendo concorrido anteriormente como diretor por A Favorita (2018).

"Vidas Passadas" de Celine Song talvez seja o indie mais querido do ano, tanto que ganhou vários prêmios ao longo do ano, incluindo o Independent Spirit de melhor filme e melhor direção. Celine bem que poderia ter entrado no páreo de melhor direção, mas foi lembrada na categoria de roteiro original. O longa conta a história de dois amigos de infância ao longo de vinte e quatro anos. Os dois acabam seguindo trajetórias diferentes ao longo da vida e um dia se reencontram contemplando as possibilidades de tudo o que poderia ter vivido. Apesar de não ser um filme biográfico, o filme de estreia da diretora traz muitos elementos pessoais que tornam a trama ainda mais sensível e verdadeira. Apenas com duas indicações ao Oscar, o filme poderia ter sido lembrado ainda nas categorias de atuação com as performances irretocáveis de de Greta Lee, Teo Yoo e John Magaro. 
 
"Zona de Interesse" de Jonathan Glazer parecia ter sido coroado como um dos filmes mais importantes do ano já em sua estreia no Festival de Cannes. O longa ganhou o Grande Prêmio do Júri e desde então só colheu elogios com sua forma diferente de contar os horrores do holocausto. Mais do que emoldurar cenas que já vimos em vários filmes, o filme é ambientado na casa ao lado do campo de concentração de Auschwitz na Polônia. Nesta casa vive o comandante do campo e sua família que convive com todos os cheiros e sons assustadores do holocausto numa assombrosa história sobre a banalidade do mal. Favorito ao Oscar de Filme Internacional o filme ainda concorre aos prêmios de direção, roteiro adaptado e melhor som (que se levar em conta o design de som da produção o torna o grande favorito da categoria também). É a primeira vez que Glazer é lembrado no Oscar. 

O ESQUECIDO: Segredos de Um Escândalo de Todd Haynes foi aclamado por muitos como um dos melhores filmes do ano. Em determinado momento da temporada de ouro o filme foi tão badalado que era favorito a várias categorias no Oscar que se aproximava. No entanto, parece que conforme o filme se tornou conhecido, as polêmicas em torno do caso em que se inspira lhe custaram alguns votos entre os votantes da Academia. Embora muitos o considerem o melhor filme de Haynes e com a melhor atuação de Natalie Portman, ambos foram esquecidos, assim como Julianne Moore e Charles Melton - que revivem o caso da professora que se envolveu com seu aluno de 13 anos e constituiu uma família. Ainda assim, o filme foi lembrado na categoria de melhor roteiro original para os estreantes Samy Burch e Alex Mechanik. Parece que o tom jocoso do filme não agradou todo mundo.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

Premiados Independent Spirit Awards 2024

Vidas Passadas: o melhor indie do ano.

 Particularmente gosto muito de assistir aos premiados do Independent Spirit Awards que este ano pôde ser visto pelo canal da instituição no Youtube. O maior prêmio do cinema independente tem categorias tradicionais e outras que servem de termômetro para conhecermos trabalhos que nem sempre ganham o devido reconhecimento. De vez em quando os caminhos do Spirit e do Oscar se cruzam, neste ano o premiado como melhor filme concorre também no prêmio da Academia, mas está longe de levar o prêmio. Achei ótimo ver uma premiação em que Oppenheimer não era anunciado como melhor filme (já está bastante previsível) e Da'Vine Joy Randolph parece ser a imbatível do ano. A seguir todos os premiados:

   Filme: Vidas Passadas
    Direção: Celine Song, por Vidas Passadas
    Performance principal: Jeffrey Wright, por American Fiction
    Performance coadjuvante: Da'Vine Joy Randolph, por Os Rejeitados
    Filme de estreia: A.V. Rockwell, por A Thounsand and One
    Revelação: Dominic Sessa, por Os Rejeitados
    Prêmio John Cassavetes: Fremont
    Fotografia: Eigil Bryld, por Os Rejeitados
    Montagem: Daniel Garber, por How to Blow Up a Pipeline
    Roteiro: Cord Jefferson, por American Fiction
    Roteiro de estreia: Sammy Burch, por Segredos de um Escândalo
   Documentário: As 4 Filhas de Olfa
   Filme internacional: Anatomia de uma Queda
    Nova série: Treta
    Principal em nova série: Ali Wong, por Treta

    Coadjuvante em nova série: Nick Offerman, por The Last of Us
    Revelação em  série: Keivonn Montreal Woodard, por The Last of Us

    Nova série documental: Dear Mama

domingo, 25 de fevereiro de 2024

Premiados SAG 2024

Lily: ainda no páreo de melhor atriz.

Parece que a cerimônia do Oscar já pode começar entregando o prêmio de melhor filme para Oppenheimer. A esta altura beira o impossível o filme de Christopher Nolan perder o principal prêmio de Hollywood. Pelo que vimos no Prêmio do Sindicato (SAG), o favoritismo de Robert Downey Jr e Da'Vine Joy Randolph só se confirma, Cillian Murphy fica cada vez mais na frente de Paul Giamatti... o maior suspense mesmo está no páreo de melhor atriz com Lily Gladstone  demonstrando que ainda está no páreo com Emma Stone, o que para além do trabalho de Lily existe uma narrativa irresistível de ser a primeira atriz nativa dos EUA a receber tanto o SAG quanto, provavelmente o Oscar. Quanto aos prêmios para TV, foi sensacional ver Pedro Pascal reconhecido como ator e a dupla de Treta se consagrar de vez. A seguir todos os premiados e que venha o Oscar!

CINEMA

Melhor elenco de filme: “Oppenheimer”.

Melhor ator: Cillian Murphy / “Oppenheimer”.

Melhor atriz: Lily Gladstone / “Assassinos da Lua das Flores”.

Melhor ator coadjuvante: Robert Downey Jr. / “Oppenheimer”.

Melhor atriz coadjuvante: Da’Vine Joy Randolph / “Os Rejeitados”.
 

TELEVISÃO

Elenco em série dramática: “Succession”.

Ator em série dramática: Pedro Pascal / “The Last of Us”.

Atriz em série dramática: Elizabeth Debicki / “The Crown”.

Elenco em série de comédia: “O Urso”.

Ator em série de comédia: Jeremy Allen White / “O Urso”.

Atriz em série de comédia: Ayo Edebiri / “O Urso”.

Ator em minissérie ou filme para a TV: Steven Yeun / “Treta”.

Atriz em minissérie ou filme para a TV: Ali Wong / “Treta”.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Indicados ao Oscar 2024: Atriz Coadjuvante

America Ferrera (Barbie) confesso que fiquei surpreso ao ver a atriz cravar sua indicação no Oscar. A campanha começou desde a estreia do filme por conta da repercussão daquela famosa cena do discurso em sobre as dificuldades de ser mulher no mundo real. No entanto, conforme as premiações começaram, ela parecia de lado. America ganhou sua primeira indicação por fazer o papel da mulher que era dona da Barbie estereotipada e a faz entender as mudanças que estão acontecendo. A atriz americana, filha de hondurenhos ficou conhecida mundialmente com o sucesso da versão americana da série Ugly Betty (2006-2010) e se tornou um ícone latino na cultura pop.

Danielle Brooks (A Cor Púrpura) quem já viu a atriz na série Orange Is The New Black (2012-2019) sabe que ela é uma estrela das mais cintilantes. Nesta versão musical da obra de Alice Walker, Danielle encarna Sofia, uma mulher que não se cala perante as adversidades de uma mulher negra no início do Século XX. Embora a crítica tenha dividido opiniões sobre o filme, o trabalho de Danielle é visto como um dos pontos altos da obra, tanto que foi indicada ao BAFTA e ao Critics Choice pelo papel. Só para lembrar que na versão feita por Spielberg, Oprah Winfrey foi indicada ao mesmo prêmio. Esta é a primeira indicação de Danielle ao Oscar. 

 Da'Vine Joy Randolph (Os Rejeitados) está no posto de favorita da temporada, se não levar para casa o Oscar será a grande surpresa da noite. Ela já ganhou todos os prêmios da temporada: Gotham, Globo de Ouro, Criticss Choice, BAFTA... na reta final ela chega no auge do favoritismo pelo papel da chefe de cozinha que passa o natal no trabalho para atenuar a solidão após a morte de seu filho na guerra do Vietnã. Misturando humor sutil, com drama e muita emoção, Da'Vine está ótima em cena e surpreende quem a conheceu em seus trabalhos cômicos. A atriz foi lembrada aqui no blog como uma das revelações de 2019 por  por Meu Nome é Dollemite (2019), mas faz aqui sua estreia no Oscar com chave de ouro. 
 
Emily Blunt (Oppenheimer) é até difícil acreditar que está é a primeira vez que Emily Blunt é indicada ao Oscar. Com atuações marcantes em produções como O Diabo Veste Prada (2006), A Jovem Rainha Victória (2009) e Um Lugar Silencioso (2018), Emily viu suas tentativas de indicação sempre naufragarem. Lembrada pelo papel da esposa do cientista que dá nome ao filme de Christopher Nolan, a atriz finalmente teve reconhecimento da Academia. No papel a atriz transpira inteligência (e uma inadequação para a vida doméstica). Por vezes funcionando como auxiliar do esposo nos rumos da vida, Emily já foi considerada a favorita da categoria, mas será que leva?
 
Jodie Foster (Nyad) pode se dizer que a atriz, diretora e produtora é um verdadeiro patrimônio do cinema. Na pele da treinadora e amiga da protagonista, Jodie várias vezes rouba a cena com sua garra motivacional sem sentimentalismos. Ela é a única atriz na categoria que já foi premiada pela Academia, não uma, mas duas vezes como melhor atriz (por Acusados/1988 e pelo clássico O Silêncio dos Inocentes/1991), ela também já concorreu como atriz por Nell (1994) e esteve na categoria de atriz coadjuvante por outro clássico, Taxi Driver (1976) quando tinha apenas quinze anos de idade. A atuação dela em Nyad é tão marcante que até a pessoa real que ela interpreta se confundiu quanto a viu na tela.
 
A ESQUECIDA: Julianne Moore (Segredos de Um Escândalo) desde que o filme estreou no Festival de Cannes, a atuação de Julianne foi considerada uma das favoritas para a temporada de ouro, lembrada no Globo de Ouro e Critics Choice, causou surpresa vê-la fora da disputa no Oscar. O motivo pode ser o caráter polêmico de sua personagem que causou escândalo ao se envolver com um adolescente que depois se tornou seu esposo. A personagem tem tantas camadas e é tão complexa que deve ter confundido alguns votantes. Mas Julianne não deve ter perdido o sono por conta disso, com um Oscar por Para Sempre Alice (2014) na estante e outras quatro indicações no currículo (além de outros 177 prêmios na estante), logo ela será lembrada de novo.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

Premiados BAFTA 2024

Zona de Interesse: Melhor filme britânico em língua estrangeira.
 
Ainda que o método de escolha dos indicados ao BAFTA seja cheio de polêmicas com seus colegiados, o resultado não é muito diferente do aguardado para a próxima edição do Oscar. Oppenheimer continua fazendo sua limpa na categoria principal nas grandes premiações (e tem visto seu ator se tornar cada vez mais um dos favoritos da temporada). De diferente mesmo foi ver o falado em alemão Zona de Interesse do inglês Jonathan Glazer ser eleito o melhor filme britânico e também ser premiado como melhor filme em língua estrangeira. Quem também merece destaque é Mia McKenna-Bruce lembrada como estrela em ascensão por seu trabalho em How to Have Sex. A seguir todos os premiados nessa jornada até o ápice da temporada de ouro no mundo do cinema.
 
Melhor Filme
    “Oppenheimer”

Melhor Filme Britânico
    “Zona de Interesse”

Melhor Ator
    Cillian Murhy – “Oppenheimer”

Melhor Atriz
    Emma Stone – “Pobres Criaturas”

Melhor Ator Coadjuvante
    Robert Downey Jr. – “Oppenheimer”

Melhor Atriz Coadjuvante
    Da’vine Joy Randolph – “Os Rejeitados”

Melhor Ator ou Atriz em Ascensão
    Mia McKenna-Bruce – “How to Have Sex”

Melhor Direção
    Christopher Nolan – “Oppenheimer”

Melhor Roteiro Original
    Justine Triet e Arthur Harari – “Anatomia de uma Queda”

Melhor Roteiro Adaptado
    Cord Jefferson – “American Fiction”

Melhor Fotografia
    Hoyte van Hoytema – “Oppenheimer”

Melhor Edição
    Jennifer Lame – “Oppenheimer”

Melhor Direção de Arte
    Shona Heath, James Price e Zsuzsa Mihalek – “Pobres Criaturas”

Melhor Figurino
    Holly Waddington – “Pobres Criaturas”

Melhor Cabelo e Maquiagem
    Nadia Stacey, Mark Coulier e Josh Weston – “Pobres Criaturas”

Melhor Som
    Johnnie Burn e Tarn Willers – “Zona de Interesse”

Melhores Efeitos Visuais
    Simon Hughes – “Pobres Criaturas”

Melhor Trilha Sonora
    Ludwig Göransson – “Oppenheimer”

Melhor Elenco
    Susan Shopmaker – “Os Rejeitados”

Melhor Estreia de um Roteirista, Diretor ou Produtor Britânico
    Savanah Lef (roteirista, diretora e produtora), SHirley O’Conner (produtora) e Medb Riorden (produtora) – “Earth Mama”

Melhor Animação
    “The Boy and the Heron”

Melhor Curta Britânico
    “Jellyfish and Lobster”

Melhor Curta Britânico de Animação
    “Crab Day”

Melhor Filme em Língua Estrangeira
    “Zona de Interesse”

Melhor Documentário
    “20 Days In Mariupol”

quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

INDICADOS AO OSCAR 2024: Ator

Bradley Cooper (Maestro) ao dar vida ao maestro Leonard Bernstein, o ator acumula a atuação com dirigir a si mesmo mais uma vez - ele fez o mesmo em sua estreia como cineasta em Nasce Uma Estrela. Aqui ele almeja retratar a genialidade e a bissexualidade do maestro assim como o casamento cheio de conflitos com a esposa. Esta é a quarta indicação ao Oscar de ator de Bradley, antes ele concorreu por Nasce Uma Estrela (2018), O Lado Bom da Vida (2012) e Sniper Americano (2014). Ele também já concorreu a ator coadjuvante por Trapaça (2013).  Pelo filme, ele também concorre como roteirista e produtor (categorias em que já concorreu antes). No geral, hoje, o ator possui doze indicações ao Oscar.

Cillian Murphy (Oppenheimer) atua desde o final dos anos 1990, mas chegou até Hollywood em 2002 com Extermínio de Danny Boyle. Desde então já fez diversos filmes, inclusive com Christopher Nolan (com quem trabalhou outras seis vezes). Para o grande público ele ficou mais conhecido após seus notório trabalho na série Peak Blinders. O irlandês de 47 anos finalmente foi notado pela Academia em seu trabalho como o cientista J. Robert Oppenheimer, o idealizador da bomba atômica. Em um trabalho intimista, Cillian vive a obstinação e a angústia do homem que criou algo que mudaria para sempre os rumos da humanidade. Pelo trabalho, Cillian já recebeu o Globo de Ouro de melhor ator dramático. 

Colman Domingo (Rustin) na pele do ativista que se tornou braço direito de Martin Luther King, o ator de 54 anos, foi indicado ao Oscar pela primeira vez. Colman tem um trabalho excepcional como o militante que teve que lidar com muitos preconceitos não apenas pela cor de sua pele, mas também por ser homossexual em uma época que os preconceitos era legitimado pelas próprias autoridades. O filme rendeu indicações do ator ao BAFTA, Globo de Ouro e Critics Choice o consagrando como um dos melhores atores da temporada. Colman ficou conhecido por seus trabalhos na série Fear the Walking Dead (2015-2023), nos filmes Zola (2020) e a versão recente de A Cor Púrpura (2023).

Jeffrey Wright (American Fiction) é outro ator que concorre ao Oscar pela primeira vez. Desde que ganhou destaque no cinema por seu trabalho em Basquiat (1996) o ator de 58 anos já fez muitos trabalhos importantes para o cinema e para a televisão (provavelmente o cientista de WestWorld/2016-2022 seja o seu papel mais famoso). No filme de estreia do diretor Cord Jefferson, ele vive um escritor que nunca foi muito levado a sério até ser orientado a escrever mais "feito um negro". Esta crítica mordaz sobre o mundo da literatura e seus estereótipos foi premiada no Festival de Sundance e rendeu a Jeffrey indicações aos maiores prêmios de atuação da temporada. O filme permanece inédito no Brasil. 

Paul Giamatti (Os Rejeitados) atua desde 1990 e já pode ser considerado um veterano, pena que o Oscar não costuma lembrar muito dele - lembra das esnobadas por  excepcionais trabalhos em American Splendor (2002), Sideways (2004) e Almas à Venda (2009)? Giamatti foi lembrado pela Academia somente em seu trabalho como coadjuvante em A Luta Pela Esperança (2005). Em seu novo trabalho com o diretor Alexander Payne, o ator vive um professor rabugento que os alunos amam odiar - mas que fica responsável por tomar conta de um estudante que não pôde ir para casa para os feriados de fim de ano. Equilibrando drama e comédia, Giamatti ganhou o Critics Choice de melhor ator e o Globo de Ouro de ator de comédia pelo papel, despontando como um dos favoritos da categoria. 

O ESQUECIDO: Leonardo DiCaprio (Assassinos da Lua das Flores) perdia cada vez mais espaço na mídia conforme as premiações se aproximavam. Scorsese até tentou dar um empurrãozinho elogiando o ator por seus trabalhos, mas foi tarde demais. DiCaprio ficou de fora da categoria de melhor ator desse ano. O fato é que o trabalho cheio de ambiguidades feito em torno de seu personagem, Ernest Burkhart deve ter deixado muita gente confusa (e a intenção era essa mesmo). Pelo menos o ator já tem uma estatueta por O Regresso (2015) e suas outras seis indicações (sendo uma como produtor por O Lobo de Wall Street/2014).

terça-feira, 23 de janeiro de 2024

INDICADOS AO OSCAR 2024

Assassinos da Lua das Flores: favorito na disputa contra Oppenheimer.

E finalmente chegamos ao anúncio dos indicados aos Oscar que acontecerá no dia 10 de março. Até lá, os concorrentes deverão convencer de que merecem mais o título de melhor filme do que Oppenheimer, que desponta como o grande favorito com suas 13 indicações. Obviamente que o anúncio trouxe surpresas e, com elas, algumas esnobadas. As minhas surpresas favoritas ficaram na categoria de melhor animação com as lembranças para Meu Amigo Robô e Nimona (que depois de adiar horrores para ver, assisti ontem e postarei aqui em breve), também curti ver a Academia cravar dois filmes estrangeiros entre os dez candidatos a melhor filme (Zona de Interesse e Anatomia de Uma Queda, ambos aparecendo em outras categorias). Entre as esnobadas mais notórias estão nas categorias de atuação, com Margot Robbie fora do páreo de melhor atriz, DiCaprio não lembrado na categoria de atuação e a esnobada completa para a trinca de ouro de Segredos de um Escândalo (lembrado somente em roteiro original). Quanto à Greta Gerwig estar fora do páreo de direção, eu já considerava esperado, achava muito difícil a Academia colocar duas mulheres na categoria novamente (feito que aconteceu em 2021!) e a francesa Justine Triet demonstrava ter mais força entre os votantes do que Greta (que já foi indicada antes pelo meu amado LadyBird/2017). Não liga para eles, Greta, o futuro irá te recompensar em breve. Mas a lição que fica mesmo foi para a França, que esnobou Anatomia de Uma Queda ao não indica-lo na categoria de melhor Filme Internacional (principalmente pelo filme ser falado em três línguas) e ver seu escolhido (O Sabor da Vida) ser ignorado pela Academia. Anatomia concorre cinco categorias (e o vejo como favorito na categoria de melhor roteiro original). Façam suas apostas:


    Filme
    American Fiction
    Anatomia de uma Queda
    Barbie
    Os Rejeitados
    Assassinos da Lua das Flores
    Maestro
    Oppenheimer
    Vidas Passadas
    Pobres Criaturas
    A Zona de Interesse
 
   Direção
    Justine Triet, por Anatomia de uma Queda
    Martin Scorsese, por Assassinos da Lua das Flores
    Christopher Nolan, por Oppenheimer
    Yorgos Lanthimos, por Pobres Criaturas
    Jonathan Glazer, por A Zona de Interesse
 
    Atriz Coadjuvante
    Emily Blunt, por Oppenheimer
    Danielle Brooks, por A Cor Púrpura
    America Ferrera, por Barbie
    Jodie Foster, por NYAD
    Da'Vine Joy Randolph, por Os Rejeitados
 
    Roteiro Original
    Justine Triet & Arthur Harari, por Anatomia de uma Queda
    David Hemingson, por Os Rejeitados
    Bradley Cooper & Josh Singer, por Maestro
    Sammy Burch, por Segredos de um Escândalo
    Celine Song, por Vidas Passadas
 
    Melhor Animação
    O Menino e a Garça
    Elementos
    Nimona
    Meu Amigo Robô
    Homem-Aranha: Através do Aranhaverso
 
    Filme Internacional
    Io Capitano (Itália)
    Perfect Days (Japão)
    A Sociedade da Neve (Espanha)
    The Teacher's Lounge (Alemanha)
    A Zona de Interesse (Reino Unido)
    
Melhor Documentário
    Bobi Wine: The People's President
    The Eternal Memory
    Four Daughters
    To Kill a Tiger
    20 Days in Mariupol
 
    Documentário em Curta-metragem
    The ABCs of Book Banning
    The Barber of Little Rock
    Island in Between
    The Last Repair Shop
    Nai Nai & Wai Po
 
    Melhor Curta-metragem
    The After
    Invincible
    Knight of Fortune
    Red, White & Blue
    The Wonderful Story of Henry Sugar
 
    Melhor Curta-metragem de Animação
    Letter to a Pig
    95 Senses
    Our Uniform
    Pachyderme
    War is Over 
 
    Canção Original
    "The Fire Inside" (Flamin' Hot)
    "I'm Just Ken" (Barbie)
    "It Never Went Away" (American Symphony)
    "Wahzhazhe" (Assassinos da Lua das Flores)
    "What Was I Made For?" (Barbie)
 
    Melhor Som
    Resistência
    Maestro
    Missão: Impossível - Acerto de Contas
    Oppenheimer
    A Zona de Interesse
 
    Cabelo e Maquiagem
    Golda
    Maestro
    Oppenheimer
    Pobres Criaturas
    A Sociedade da Neve
 
    Melhores Efeitos Visuais
    Resistência
    Godzilla Minus One
    Guardiões da Galáxia Vol. 3
    Missão: Impossível - Acerto de Contas
    Napoleão