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quarta-feira, 17 de junho de 2026

CENTØPÉDIA: FilmesD+ (Parte II)

 Demorou dez anos e seis meses para listar mais cem filmes com a cotação máxima do blog . Os FilmesD+ já haviam gerado outra lista de cem títulos em no início de 2006 e agora agrega mais um grupo seleto de produções avaliadas por este humilde cinéfilo que vos escreve. A seguir mais cem filmes que estão entre os melhores que já assisti:

Ainda Estou Aqui de Walter Salles
A Favorita de Yorgos Lanthimos 
A Fraternidade é Vermelha de Krzysztof Kieslowski
A Grande Beleza de Paolo Sorrentino
A Juíza  Julie Cohen e Betsy West
A Luz Entre Oceanos de Derek Cianfrance 
A Marvada Carne de André Klotzel
A Menina Silenciosa de Colm Bairéan 
Amor e Restos Humanos de Denis Arcand
Anatomia de Uma Queda de Justine Triet
Animais Americanos de Bart Layton 
Apocalypse Now de Francis Ford Coppola 
As Bruxas de Salém de Nicholas Hytner
Assassinato em Gosford Park de Robert Altman 
Assassinos da Lua das Flores de Martin Scorsese
Assunto de Família de Hirokazu Koreeda 
Border de Ali Abassi
 Cães de Aluguel de Quentin Tarantino
Carvão de Carolina Markowicz
Central do Brasil de Walter Salles
Cidade de Deus de Fernando Meirelles e Kátia Lund
Cinema, Aspirina e Urubus de Marcelo Gomes
Corpus Christi de Jan Komasa
Close de Lukas Dhont 
Deus Branco de Kornél Mundruczó
Entre os Muros da Escola de Laurent Cantet
Eu Sei que Vou te Amar de Arnaldo Jabor
Eu, Tonya de Craig Gillespie
Eu, Você e a Garota que Vai Morrer de Alfonso Gomes-Rejon
Fatal de Isabel Coixet 
Flow de Gints Zilbalodis
Fruto da Memória de Christos Nikou
Honeyland de  Tamara Kotevska
Ilha dos Cachorros de Wes Anderson 
Jamais Nevará Novamente de Malgorzata Szumowska
Lamb de Valdimar Johannsson
Lady Bird de Greta Gerwig 
 Lady MacBeth de William Oldroyd
Laranja Mecânica de Stanley Kubrick
Mais Forte que Bombas de Joachim Trier
Marcel, A Concha de Sapatos de Dean Fleisher Camp 
Nashville de Robert Altman
Má Educação de Cory Finley
Meu Pai de Florian Zeller
1917 de Sam Mendes
Monster de Hirokazu Kore-eda
Moonlight de Barry Jenkins
Nada de Novo no Front de Edward Berger
Nenhum a Menos de Zhang Yimou
Nico, 1988 de Susanna Nichiarelli 
Nostalgia de Andrei Tarkovsky 
O Beijo da Mulher Aranha de Hector Babenco 
O Brutalista de Brady Corbet
O Experimento Milgram de Michael Almereyda 
O Garoto que Comia Alpiste de Ektoras Lygizos 
O Homem Elefante de David Lynch
Okja de Bong Joon-Ho
O Mensageiro de Karen Shakhnazarov
O Que Resta do Tempo de Elia Suleiman
O Talentoso Ripley de Anthony Minghella
Os Cinco Sentidos de Jeremy Podeswa
Os Rapazes da Banda de William Friedkin
Os Tempos de Harvey Milk de Rob Epstein
Parasita de Bong Joon-Ho
Paris is Burning de Jennie Livingston
Pinóquio de Guillermo Del Toro
Princesa Mononoke de Hayao Miyazaki
Reprise de Joachim Trier 
Segredos e Mentiras de Mike Leigh 
Sr. Ninguém de Jaco Van Dormael
Stalker de Andrei Tarkovsky 
Sob a Areia de François Ozon
Sonho de Valsa de Ana Carolina 
Summer of Soul de Questlove
Sunshine - Alerta Solar de Danny Boyle 
Tangerinas de Zaza Urushadze
Taxi Driver de Martin Scorsese
Thelma & Louise de Ridley Scott
The Square de Ruben Östlund
Transamérica de Duncan Tucker
Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo de Dan Kwan e Daniel Scheinert
Um Estanho no Ninho de Milos Forman
Underground de Emir Kusturica
Vá e Veja de Elem Klimov
Viagem ao Topo da Terra de Patrick Imbert
Vida Selvagem de Paul Dano
Visages Villages de Agnès Varda e JR
Zola de Janicza Bravo 

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

PL►Y: Balada de Um Jogador

Colin: apostador no purgatório da consciência.  

Pode se dizer que o alemão Edward Berger é um dos diretores que recebeu mais destaque dos últimos anos. Embora dirija filmes desde os anos 1990, foi somente em 2022 que foi descoberto por Hollywood com a nova versão de Nada de novo no Front (2022), que foi indicado a nove categorias no Oscar e levou quatro estatuetas para casa (filme internacional, trilha sonora, fotografia e design de produção). Neste ano, outro filme dirigido por ele caiu nas graças do Oscar: Conclave. O longa foi indicado em oito categorias e levou para casa o de roteiro adaptado. Após dois triunfos era de se esperar que o novo filme do diretor já fosse apontado a estar na lista de favoritos da Academia na próxima premiação e, com isso, o olho da Netflix cresceu em torno do projeto. No entanto, Balada de Um Jogador pegou muita gente de surpresa ao ser um projeto bem diferente dos anteriores. A começar pelo seu tom quase cômico (ou seria apenas, jocoso?). O filme gira em torno de Lorde Doyle (Colin Farreell), um apostador de alto risco que passa um tempo em Macau, na China. Hospedado em hotéis e apostando o que tem e o que não tem nas jogatinas, Doyle se aproxima de uma funcionária Dao Ming (Fala Chen) e de outros jogadores excêntricos enquanto desconfia que é perseguido por uma mulher desconhecida (Tilda Swinton). Se nos jogos ele considera ter sorte, por outro lado, o período de pagar por todas as contravenções que fez na vida parece ter chegado. Doyle vai descer até o purgatório, mas ainda terá sorte suficiente para retornar de lá? Embora eu considere o roteiro um tanto truncado em suas intenções, Colin Farrell consegue manter nossa atenção ao longo da narrativa, sua performance somada ao visual do filme torna a produção em um passatempo interessante, mas sem fôlego para ser levado a sério nas premiações. Considero a estética do filme bastante instigante em sua mistura de luzes e ambientações degradantes, além disso considerei o trabalho de figurino um verdadeiro achado ao destacar a identidade de seus personagens ao longo da narrativa. Para quem estranhou esta curva na cinematografia de Berger, vale a pena procurar outro projeto do diretor que foi lançado pouco antes das premiações caírem de amor por ele, a minissérie Patrick Melrose (2018) estrelada por Benedict Cumberbatch. Acredito que é possível estabelecer várias associações entre este filme o programa, o que torna bastante compreensível o interesse do diretor pelo roteiro de Rowan Joffe baseado no livro de Lawrence Osborne e seu personagem desajustado. 

Balada de Um Jogador (Ballad of a Small Player / Reino Unido - Alemanha / 2025) de Edward Berger com Colin Farrell, Fala Chen, Tilda Swinton, Jason Tobin, Margaret Cheung, Jason Tobin, Alan K. Chang e Alex Jennings. ☻☻☻

domingo, 23 de fevereiro de 2025

INDICADOS AO OSCAR 2025: Direção

 Brady Corbet (O Brutalista) com 36 anos e três filmes no currículo, o diretor conseguiu sua primeira indicação ao Oscar (e também concorre na categoria de roteiro original e melhor filme, afinal, também assina como produtor). O estilo de narrativa que mistura o tom dos grandes épicos de Hollywood com uma certa modernidade fez toda a diferença entre os votantes da Academia. Cotado desde que o filme ganhou o Leão de Ouro no Festival de Veneza, a indicação pode ser a guinada que faltava na carreira do cineasta. O longa custou dez milhões de dólares e impressiona pelo seu cuidado na produção. Brady levou o Globo de Ouro na categoria. Vale lembrar que Brady começou a carreira como ator em filmes como Melancholia/2011 e o remake de Funny Games/2007

Coralie Fargeat (A Substância) a diretora francesa não apenas se tornou parte do pequeno grupo de mulheres diretoras indicadas ao Oscar de Melhor direção (é apenas a nona em 97 edições do prêmio) como também quebrou paradigmas ao tornar seu longa metragem o primeiro filme de horror indicado ao Oscar em muito tempo. Com referências que vão de David Lynch, Kubrick e David Cronenberg, a esperta Fargeat construiu um verdadeiro manifesto contra o hetarismo e a ditadura da beleza (com a vantagem de ser totalmente fora da caixinha). A ousadia rendeu ainda indicações a roteiro original (que foi premiado em Cannes e no Critics Choice) e pela produção do filme. Este é o segundo filme da cineasta que promete longas interessantes. 

Jacques Audiard (Emilia Pérez) é outro francês que está no páreo. Fazendo filmes desde 1994, o cineasta já realizou verdadeiras obras-primas como O Profeta (2009) e Ferrugem e Osso (2012). Já ganhou a Palma de Ouro em Cannes com Dheepan (2015) e até migrou para Hollywood com o fracassado Os Irmãos Sisters (2018). Embora O Profeta tenha concorrido ao prêmio de filme estrangeiro (e perdido), curiosamente seu reconhecimento só veio com um dos piores filmes de sua carreira. Embora tenha qualidades técnicas visíveis, a trama sobre o traficante em busca de redenção em sua vida como mulher é bastante problemática. Audiard também concorre a melhor canção (por El Mal), melhor roteiro adaptado e pela produção do longa.
 
James Mangold (Um Completo Desconhecido) confesso que fiquei surpreso quando vi o diretor entre os indicados, o fato era que em listas de apostas o operário padrão Mangold não estava cotado. O diretor já fez de tudo em Hollywood desde que recebeu reconhecimento no cinema independente com Paixão Muda (1995). James já dirigiu suspense, dramas, franquias milionárias, filmes de ação, musical e biografias. Se ele já tinha levado para as telas a vida de Johny Cash em Johny & June (2005), agora ele investe nos primórdios da carreira de Bob Dylan (e concorre também pela produção e roteiro adaptado). Mangold é o único da categoria a ter uma indicação anterior ao Oscar, pela produção de Ford Vs. Ferrari (2020).
 
Sean Baker (Anora) faz um tempinho que Sean Baker precisava de uma indicação para chamar de sua no Oscar. O cineasta que tempos atrás teve que se contentar com  a indicação de Willem Dafoe em ator coadjuvante por Projeto Flórida (2017), agora desponta como favorito ao prêmio de direção depois de ganhar o prêmio do Sindicato dos Diretores e o Independent Spirit. Ao contar as desventuras da dançarina erótica Anora após se casar com um herdeiro russo, Sean faz seu estilo parecer mais caótico do que nunca - e recebeu a Palma de Ouro do Festival de Cannes pelo serviço. Baker ainda concorre como produtor na categoria de melhor filme, roteiro original e montagem. 

O ESQUECIDO: Edward Berger (Conclave) o cineasta alemão é responsável por um dos filmes mais cotados para levar o Oscar de melhor filme, mas ficou de fora da categoria de direção. A atmosfera conspiratória na eleição do novo Papa é um dos grandes trunfos de Conclave, mas a Academia parece ter imaginado que era preciso algo mais para que o diretor fosse reconhecido. Berger tem uma indicação no currículo pelo roteiro adaptado do excepcional Nada de Novo no Front (2023), que foi indicado em nove categorias, ganhou autro e o deixou de fora da categoria de direção do mesmo jeito. Berger pode dar as mãos a Denis Villeneuve (Duna Parte 2) entre os ausentes do ano. 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Na Tela: Conclave

Fiennes: os bastidores da eleição do novo Papa. 

Quanto Conclave começou a ser exibido, muitos declararam que era a vez de finalmente Ralph Fiennes levar o primeiro Oscar de sua carreira. A indicação ele já conseguiu, mas tendo em vista a carreira do ator britânico, torna-se surpreendente que esta seja apenas a terceira indicação de uma longa carreira com atuações memoráveis (antes ele concorreu como coadjuvante por A Lista de Schindler/1993 e ator principal por O Paciente Inglês/1996). Em Conclave ele vive o Cardeal Laurence, que após a morte do Papa, torna-se responsável por conduzir o processo confidencial da escolha do próximo líder da Igreja Católica. Representantes da Igreja de todo o mundo vão ao Vaticano e ficarão isolados para realizar a votação até que um dos candidatos alcance o número necessário de votos para que seja o sucessor do falecido. Acontece que desde a morte do Papa, uma série de comentários e segredos começam a chegar aos ouvidos de Laurence, que logo percebe que o trabalho será muito mais árduo do que ele imagina. O diretor Edward Berger (do excepcional Nada de Novo no Front/2022) é muito bem ancorado pelo roteiro de Peter Straughan baseado no livro de Robert Harris. Para escrever sua obra, Harris realizou muita pesquisa entre padres, freiras e um cardeal que participou de uma votação, com isso criou uma trama cheia de subtextos e que chega às telas com tom de conspiração, o que pode incomodar alguns fiéis. No entanto, o que vemos na tela não é nada muito diferente entre os conflitos entre grupos mais conservadores e outros mais liberais que ocorre nos espaços de poder. Existe toda uma preocupação em torno da concepção de mundo que o próximo Papa possui, seja sobre divórcio, homossexuais, imigração, política, assim se revela uma rede de intrigas envolvendo nomes como os sacerdotes Bellinni (Stanley Tucci), Tremblay (John Lithgow), Tedesco (Sergio Castelitto), Adeyemi (Lucian Msamati), Wozniak (Jacek Koman) e Benitez (Carlos Diehz) e seus segredos mais ocultos virão a tona para influenciar nos votos de seus colegas. No meio de tanta disputa, Laurence se preocupa cada vez mais com o nome que será escolhido (e o temor que seja o dele próprio). Berger reuniu um elenco de respeito (que inclui ainda Isabella Rossellini em uma participação mais do que especial que lhe rendeu a primeira indicação ao Oscar da carreira) e constrói um clima de tensão que perpassa toda a narrativa mas, por vezes, a rede de intrigas se torna um tanto cansativa para sustentar duas horas de filme. No entanto, nada que diminua os méritos do filme que concorre em oito categorias no Oscar, incluindo Melhor filme, ator (Ralph Fiennes), atriz coadjuvante (Isabella Rossellini), roteiro adaptado, montagem, figurinos, design de produção e trilha sonora original. 

Conclave (Reino Unido - EUA / 2024) de Edward Berger com Ralph Fiennes, John Lithgow, Stanley Tucci, Isabella Rossellini, Sergio Castelitto, Lucian Msamati, Jacek Koman, Carlos Diehz e Thomas Loibl. ☻☻☻☻

segunda-feira, 21 de outubro de 2024

Palpites para o Oscar 2025 - PARTE I

Cá estamos especulando mais uma vez sobre o ápice da temporada de ouro do cinema. Até o momento já tivemos contato com algumas produções que devem tentar alguma indicação. Provavelmente Duna 2 irá aparecer no Oscar novamente, assim como Divertida Mente2 tem lugar garantido entre os favoritos à melhor animação. Existe uma grande torcida para que A Substância quebre preconceitos e seja lembrado pelos votantes do Oscar, a torcida do longa estrelado por Demi Moore se tornou maior que a de Rivais, Guerra Civil e Assassino por Acaso tem sua ala de torcedores. No entanto, os pesos pesados da temporada começam a se revelar somente agora nos Estados Unidos. A seguir os filmes inéditos por aqui que cobiçam votos da Academia: 

 
"O Brutalista" de Brady Corbet

Se a cerimônia do Oscar fosse hoje, provavelmente o ganhador seria este drama com três horas e meia de duração! O filme conta a história de Lászlo Toth (Adrien Brody), um visionário arquiteto que foge da Europa ao lado de sua esposa (Felicity Jones) no pós-guerra de 1947 para os EUA, mas o destino de ambos é mudado por conta de um misterioso cliente. Com a maior cara de cinemão clássico banhado nos fantasmas da Segunda Guerra Mundial, o filme tem tudo para ser o grande filme do próximo Oscar. Com produção impecável o filme de três horas e meia de duração impressiona por ter custado menos de dez milhões de dólares!!! Presença certa na categoria de melhor filme, direção, roteiro, ator, fotografia, figurino e montagem... o filme deve ser aquele que os demais devem temer.

"Anora" de Sam Baker 

Com tantas mudanças entre o corpo votantes da Academia, não seria surpresa se o ganhador da Palma de Ouro do Festival de Cannes chegasse como o favorito para levar a estatueta no dia dois de março do ano que vem. O filme conta a história de uma garota de programa (Mikey Madison) que se casa com um grande herdeiro, mas que a família não recebe bem a notícia e deseja anular o casamento. Feito com atores desconhecidos e com o senso de dramédia habitual de Sam Baker, temos aqui a chance do diretor cair de vez nas graças da Academia (antes ele conseguiu somente aquela indicação de coadjuvante de Willem Dafoe por Projeto Flórida/2017). O longa parece ter lugar garantido nas categorias principais, incluindo filme, direção, roteiro e atriz principal. 

"Conclave" de Edward Berger
 
Se os votos se dividirem entre os concorrentes anteriores, provavelmente este novo filme do diretor alemão do oscarizado Nada de Novo no Front (2022) deve fazer bonito. A produção conta uma conspiração durante a escolha do novo Papa e Ralph Fiennes está perfeito como o cardeal responsável pela eleição (despontando como o grande favorito ao Oscar de melhor ator - e já passou da hora dos votantes reconhecerem o talento deste indicado duas vezes ao prêmio). O longa também deve concorrer em  melhor filme, direção, figurino, direção de arte, roteiro, ator coadjuvante (Stanley Tucci) e atriz coadjuvante (Isabella Rosselini).

"O Quarto ao Lado" de Pedro Almodóvar
 
Premiado com o Leão de Ouro no Festival de Veneza, o novo filme do cineasta espanhol (que finalmente realizou seu primeiro longa-metragem em língua inglesa) chega cobiçando indicações robustas, pelo menos deve aparecer em melhor filme, direção, atriz (para Julianne Moore e Tilda Swinton), fotografia e roteiro. A trama conta a história de duas amigas que se reencontram em tom de despedida diante da doença grave de uma delas. O reencontro coloca a relação entre as duas em perspectiva e insere duas novas personagens femininas para a vasta coleção de musas do cineasta. 
 
 
"Ainda Estou Aqui" de Walter Salles
 
Também premiado no Festival de Veneza (melhor roteiro), o brasileiro que disputará uma vaga no prêmio de Filme Internacional tem grandes chances de quebrar um longo jejum do nosso país no Oscar. Desde "Central do Brasil"/1998, também de Walter Salles, que o Brasil não entra no páreo da categoria. O filme baseado no livro de Marcelo Rubens Paiva, baseado na figura marcante de sua mãe (vivida aqui por Fernanda Torres). O longa conta a história de uma família que busca informações sobre o patriarca (papel de Selton Mello) desaparecido durante o período da ditadura militar. Existem muitas especulações que o filme tenha indicações para melhor atriz, roteiro, direção e até melhor filme, mas será que a Academia lhe renderia tanto espaço assim?

"Emilia Pérez" de Jacques Audiard
 
A grande pedra no caminho do filme brasileiro é este filme escolhido pela França para disputar o prêmio de Filme Internacional. Ambientado no México, o filme conta a história de uma advogada que ajuda um temido chefe de cartel a largar o mundo do crime e desaparecer para sempre na pele da mulher que ele sempre desejou ser. Karla Sofía Gascon, Zoe Saldana, Selena Gomez e Adriana Paz dividiram o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes. Karla tem chances de se tornar a primeira mulher trans a ser indicada ao Oscar de melhor atriz, as demais (especialmente Zoe Saldana e Gomez) devem aparecer como coadjuvantes. A última vez que um filme do diretor disputou o Oscar foi com o espetacular O Profeta (que perdeu para o argentino O Segredo dos Seus Olhos). Só para lembrar: o filme é um musical!

sexta-feira, 27 de outubro de 2023

Palpites para o Oscar 2024 - Parte II

 
"Maestro" de Bradley Cooper
Depois da derrota de Ataque dos Cães (2021), a Netflix ficou bastante confusa no ano passado ao investir em Glass Onion para o Oscar de melhor filme (!!), deixando em segundo plano o robusto Nada de Novo no Front. Parece que este ano, a gigante do streaming tem certeza que o novo filme de Bradley Cooper irá fazer bonito na premiação. A cinebiografia do maestro Leonard Bernstein tem tudo para cair no gosto da Academia, seu maior problema é o jeitão de "filme feito para o Oscar". Bradley também assume o posto de protagonista e escreveu  o roteiro com Josh Singer. Ainda no elenco estão Carey Mulligan (cotada para melhor atriz como a esposa do maestro), Maya Hawke e Jeremy Strong. 

"Segredos de Um Escândalo" de Todd Haynes
Outra aposta da Netflix para a temporada de ouro é um dos filmes mais badalados do Festival de Cannes deste ano. May-December conta a história de uma atriz (Natalie Portman) que ao fazer uma pesquisa para viver uma personagem, conhece Gracie (Julianne Moore) que se tornou alvo da mídia ao se envolver com Joe (Charlie Melton), um rapaz várias décadas mais jovem. O roteiro azeitado de Samy Burch está cotado para o Oscar, assim como Julianne e Melton podem concorrer como coadjuvantes. Já Natalie Portman, que bancou a produção do filme, precisa correr garantir um lugar na concorrida disputa por uma vaga ao prêmio de melhor atriz. 

"Zona de Interesse" de Jonathan Glazer
Outro filme aclamado no Festival de Cannes que ganha força para a temporada de premiações é este que investe numa narrativa incomum sobre os horrores da Segunda Guerra Mundial. O filme é todo ambientado em uma casa confortável com um cotidiano aparentemente comum para a década de 1940. A diferença está nos barulhos, cheiros e outras coisas presente nas redondezas... acontece que a tal casa dos sonhos é de um oficial nazista que reside ao lado do campo de concentração de Auschwitz. A forma peculiar com que Glazer narra essa história deve lhe valer algumas indicações, entre elas as de filme estrangeiro, direção, roteiro adaptado e atriz coadjuvante para Sandra Hüller. 

"All of Us Strangers" de Andrew Haigh
Campeão de indicação ao Gotham Awards, O filme conta a história de um roteirista (Andrew Scott) que visita a casa em que viveu durante a infância antes de seus pais falecerem em um acidente. A coisa complica quando ele passa a ver os espíritos de seus pais (Jamie Bell e Claire Foy) e agora eles precisam se relacionar com a sexualidade do filho. O filme é baseado no livro Srangers by de Taychi Yamada e conta com a direção sempre surpreendente de Andrew Haigh (do cult LGBTQ+ Weekend/2011 que já demonstrava gosto por fantasmas do passado no indicado ao Oscar 45 Anos/2015). Filme, direção, roteiro, ator (Scott) e atriz coadjuvante (Claire Foy) são algumas das categorias em que o filme aparece forte até o momento.

"The Holdovers" de Alexander Payne
Quem está de volta para a temporada de prêmios é o cineasta canadense que não emplaca uma indicação ao Oscar desde Nebraska (2013). O filme conta a história de Paul Hunham (Paul Giamatti que faz empo merece uma vaaguinha no Oscar de melhor ator), um solitário professor de História de uma escola preparatória de Massachusetts. Sem família ou amigos, Paul usa suas férias para ficar de olho nos alunos que não conseguiram ir para casa. Quem conhece o histórico do diretor sabe do que ele é capaz com um ponto de partida desses! No elenco ainda estão Dominic Sessa e Da'vine Joy Randolph, que estão cotadíssimos como coadjuvantes da temporada. 
 
"Dinheiro Fácil" de Craig Gillespie
Comédias costumam ficar de lado no Oscar, mas se conseguir apelo nas premiações que o precedem pode ser que tenha chances - ainda mais quando conta com a assinatura de Gillespie que sempre consegue uma indicação aqui e ali para seus filmes. Aqui ele conta uma absurda história real sobre um rapaz comum (Paul Dano) que usa suas economias para comprar ações de uma loja de videogames. Ele posta a respeito na internet, a dica interfere no mercado de ações e se transforma em um movimento que deixa muita gente rica. Só que alguns  bilionários não gostaram nada disso... a sandice tem chances em roteiro e muitos clamam finalmente uma indicação de melhor ator para Paul Dano. Será que acontece?

segunda-feira, 13 de março de 2023

GANHADORES OSCAR 2023

Quan, Michelle, Brendan e Jamie: A24 domina a premiação.

Digam o que for, mas ver uma cerimonia em que uma obra original como Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo se consagra como o mais premiado da noite é algo altamente positivo depois da ressaca deixada pelo Oscar do ano passado. Depois de premiar No Ritmo do Coração em um ano em outros três concorrentes eram versões repaginadas de sucessos do passado, o Oscar2023 parece estar atento para novidades. Além disso, fez história ao consagrar pela primeira vez uma atriz asiática como Melhor Atriz (sei que os fãs de Cate Blanchett estão arrasados, mas Cate já tem duas estatuetas e terá chances de levar novas estatuetas no futuro, já para Yeoh a coisa complica), além disso houve dois comebacks irresistíveis entre as atuações (Brendan Fraser que já parecia cansado de fazer discursos emocionantes e emocionado) e Ke Huy Quan (que completou a noite reencontrando seu amigo Indiana Jones). Já Jamie Lee Curtis roubou a cena mais uma vez de Angela Bassett, confirmando a vitória que o SAG já anunciava. Acho que também vale perceber a lição que fica para a Netflix que com um candidato forte como Nada de Novo no Front resolveu investir na campanha de uma diversão ligeira feito Glass Onion (que acabou só indicado à roteiro adaptado e perdeu), enquanto o longa alemão levou quatro prêmios para casa. Parece que o mal estar deixado pela derrota de Ataque dos Cães no ano passado fez a gigante do streaming perder um pouco a noção das coisas, pelo menos não fez o mesmo que a Amazon que tinha o ótimo Argentina, 1985 na manga e preferiu investir em campanha para 13 Vidas que nem apareceu nas premiações. No fim das contas, quem saiu ganhando mesmo foi a A24, o estúdio famoso por produções alternativas saiu com nove estatuetas da festa, sendo o grande vencedor da temporada. A seguir os ganhadores da noite e meus acertos tradicionalmente marcados com ☻ :

MELHOR FILME

MELHOR DIREÇÃO

MELHOR ATOR
Brendan Fraser (A Baleia) ☻

MELHOR ATRIZ

MELHOR ATOR COADJUVANTE

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Entre Mulheres ☻

MELHOR FOTOGRAFIA

MELHOR TRILHA SONORA

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
"Naatu Naatu" (de RRR) ☻

MELHOR EDIÇÃO

MELHOR FIGURINO

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO

MELHOR CABELO & MAQUIAGEM

MELHOR SOM

MELHORES EFEITOS VISUAIS
Avatar: O Caminho da Água ☻

MELHOR ANIMAÇÃO EM LONGA METRAGEM

MELHOR ANIMAÇÃO EM CURTA METRAGEM
The Boy, the Mole, the Fox and the Horse☻

MELHOR CURTA METRAGEM EM LIVE-ACTION
An Irish Goodbye

MELHOR FILME INTERNACIONAL
Nada de Novo no Front (Alemanha) ☻

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM LONGA METRAGEM
Navalny

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM CURTA METRAGEM
The Elephant Whisperers ☻

Acertos: ☻☻☻☻☻☻☻☻☻☻☻☻☻☻☻☻☻☻☻☻☻☻☻
17 acertos em 23 categorias... um a menos que ano passado!!!

Placar:
A Baleia - 02
Avatar: O Caminho da Água - 01
RRR - 01
Entre Mulheres - 01