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sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

PL►Y: Pieces of a Woman

 
Shia e Vanessa: juntando os cacos. 

Pieces of a Woman ganhou fama ao receber o prêmio de melhor atriz do Festival de Veneza para Vanessa Kirby (que ficou conhecida como a princesa Margareth das primeiras temporadas de The Crown) e confesso que fiquei muito feliz quando a Netflix comprou os direitos do filme. O filme gira em torno de Martha (Vanessa Kirby) que está prestes a ter seu primeiro bebê. Ela opta por ter o parto em casa com a ajuda de uma parteira e a meia-hora inicial do filme é dedicado a este momento em que junto à dor e a angústia da personagem o pior acontece (e só então o filme anuncia seu título). O luto se instaura e a partir dali vemos como aquela situação trágica afeta a vida da protagonista e de quem está ao seu redor, com destaque para seu companheiro, Sean (um dedicado Shia LaBeouf). O que temos aqui é um doloroso filme de luto, mas o roteiro de Kata Wéber reserva para sua personagem ações que fogem do óbvio e a tornam uma espécie de enigma. É óbvio que Martha está sofrendo, sofre com o quarto da criança, sofre com o leite que seu corpo insiste em produzir, sofre com ao encarar a  expressão de quem a viu grávida e percebe sua tristeza não pode ser medida. Ao seu lado também está a dor de Sean, que segue por um caminho oposto e autodestrutivo enquanto envereda por uma trama paralela sobre o  processo contra a parteira responsável pela conturbada chegada de Yvette ao mundo. Esta ideia de justiça na medida de culpar alguém é motivada principalmente pela mãe da protagonista, Elizabeth (Ellen Burstyn) que tem lá seus conflitos a serem resolvidos com a filha. Martha não vê sentido em nada daquilo,  nada é capaz de lhe trazer conforto. Pieces of a Woman traz um recorte sobre a vida de sua personagem principal e amplia sua rede de possibilidades sem que para isso precise contar muitos detalhes sobre sua vida pessoa. O que vemos são realmente fragmentos sobre a vida daquela mulher após aquele doloroso episódio e divagamos um pouco sobre seu relacionamento com Sean e a família, mas é tudo pontuado numa cadência perfeita para criar um nó na garganta pelo tom impresso pelo diretor húngaro Kornél Mundruczó - que guarda sentimentos dentro de uma armadura mas que permanecem dotados da capacidade de fazer o espectador se conectar com Martha de uma forma inimaginável até que ela se reconecte com o mundo com sua dor em forma de catarse. Esta é a primeira produção em língua inglesa de Kornél Mundruczó, que chamou bastante atenção com Deus Branco (2014) e até com o menos impactante Lua de Júpiter (2017) e aqui ele prova mais uma vez que filma muito bem, mas melhorou ainda mais o amparo ao seu elenco em momentos de rasgar o coração. Shia e Ellen estão ótimos em cena, mas o espetáculo fica por conta de Vanessa que já desponta como uma das favoritas ao próximo Oscar de melhor atriz. Ainda que não viva uma personagem propriamente agradável (e nem precisa ser) seu trabalho impressiona de tão comovente. Além de me convencer de que estava tendo realmente um bebê no início do filme, ela ainda tem aquela cena perto do desfecho em que não precisa dizer nada, que apenas a sua dor preenche a tela e transborda para o espectador. Ainda assim, Pieces of a Woman termina em tom de esperança (e você jamais verá as maçãs do mesmo jeito). 

Pieces of a Woman (Canadá / Hungria / EUA - 2020) de Kornél Mundruczó com Vanessa Kirby, Shia LaBeouf, Ellen Burstyn, Molly Parker, Iliza Shlesinger, Benny Safdie e Sarah Snooke. ☻☻☻

sexta-feira, 26 de março de 2021

INDICADOS AO OSCAR 2021: Atriz Coadjuvante

Amanda Seyfried (MANK) Faz um tempinho que a atriz de 35 anos se tornou conhecida em Hollywood e olhando seu currículo podemos ver os filmes em que tinha esperança de ser lembrada pela Academia - só lembrar de seus trabalhos em Lovelace (2013), Les Miserables (2012), Fé Corrompida (2018) - mas sua primeira indicação ao Oscar veio ao encarnar Marion Davis, a ex-atriz do cinema mudo que encontra dificuldades para se impor nos filmes falados - além de ser namorada do magnata William Randolph Hearst. Amanda está luminosa no papel e consegue ser o principal ponto de humanidade no filme em que o todo o perfeccionismo técnico de David Fincher quase engessa o resultado. Vale lembrar que Amanda foi minha coadjuvante favorita do ano passado. 

Glenn Close (Era Uma Vez um Sonho) Ela já foi indicada outras sete vezes ao Oscar e perdeu até quando era a favorita - concorreu quatro vezes como atriz principal (Atração Fatal/1986, Ligações Perigosas/1988, Albert Nobbs/2010 e A Esposa/2018) e outras três vezes como coadjuvante (com sua estreia em O Mundo Segundo Garp/1981, O Reencontro/1982 e Um Homem Fora de Série/1984). Será que desta vez a diva leva sua estatueta para a casa? Se for reconhecida pelo papel da avó destemida neste filme muito criticado pelo exagero, a atriz fará história ao se tornar a única atriz a ganhar um Oscar por um papel que também rendeu uma indicação ao Framboesa de Ouro. Maldade...

Maria Bakalova (Borat: Fita de Cinema Seguinte) Será que o Oscar irá premiar uma atriz Búlgara? Nascida em 1986, a atriz estudou arte dramática na Escola Nacional de Artes de Burgas e começou sua carreira na televisão de sua terra natal. Depois de fazer curtas metragens e alguns filmes pouco conhecidos, ela foi escolhida para dar vida à filha do personagem de Sacha Baron Cohen na continuação do antológico filme de 2006. Responsável por algumas das cenas mais inacreditáveis desta comédia de absurdos calcada na realidade, Maria já foi indicada ao Globo de Ouro, ao BAFTA e ao SAG pelo papel e se tornou uma das grandes revelações da temporada. Ela pode até não ganhar, mas a torcida é grande! Esta é sua primeira indicação ao Oscar.

Olivia Colman (Meu Pai) Será que a ganhadora do Oscar de melhor atriz por A Favorita/2019 derrota Glenn Close de novo? Se da noite para o dia a inglesa se tornou uma das atrizes mais interessantes de Hollywood, ela prova que não foi afetada pela maldição do Oscar ao ser indicada novamente na categoria de atriz coadjuvante. Esta é a segunda indicação da atriz que vive a filha de um senhor que está com a memória cada vez mais comprometida. Entre cuidar dele e seguir a vida, Olivia está novamente bem em cena. Cinéfilos mais antenados já conhecem o talento da atriz que começou na comédia e desde o longa Tiranossauro (2011) provou ter dotes dramáticos invejáveis (que também podem ser vistos nas terceira e quarta temporadas da série The Crown). 

Yuh-Jung Youn (Minari) a atriz coreana veterana, presente no cinema desde os anos 1970, já possui mais de cinquenta prêmios por sua carreira, mas faltava uma indicação ao Oscar para coroar sua suas décadas de trabalho. Aos setenta e três anos (sendo quase cinquenta atuando em filmes), Youn interpreta a adorável vovó que desconstrói um pouco a seriedade e a preocupação da família de imigrantes do filme. Seu trabalho leve e sensível rende os momentos mais ternos de um longa bastante emocional e singelo. O filme concorre em outras cinco categorias, mas de todas elas, esta é a que o filme tem mais chances de levar.

A ESQUECIDA: Jodie Foster (O Mauritano) Cogitava-se uma indicação para a veterana Ellen Burstyn (Pieces of a Woman) ou para Saoirse Ronan (Amonite), mas conforme as premiações foram chegando era o nome de Jodie Foster que se fortalecia. Pelo papel da obstinada advogada (neste filme com trama bem parecida com outros já assistidos recentemente), ela demonstra mais uma vez porque é tão respeitada. Ter Jodie nos créditos eleva a qualidade e o interesse por qualquer filme e pelo papel a atriz foi indicada (e ganhou) o Globo de Ouro de atriz coadjuvante, mas o Oscar não ligou muito para a grande estrela premiada duas vezes pela academia. Jodie foi premiada como melhor atriz pelo ainda atual Acusados/1988 e o clássico O Silêncio dos Inocentes/1991.A aé a categoria mais imprevisível da temporada. 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

INDICADOS AO GLOBO DE OURO 2021

Globo de Ouro: Borat, Mandalorian, Carey, Chadwick e muito mais. 

Algo me dizia que no ano mais conturbado do cinema que deixou salas fechadas, estreias adiadas e filmes se virando para exibição on demand, seria a Netflix que faria a festa. Pelo menos no Globo de Ouro a gigante do streaming (que tem cada vez mais concorrência no ramo) foi a mais lembrada nas produções para o cinema (22 indicações) e televisão (20 indicações), em segundo lugar ficou a Disney com dez indicações (graças aos lançamentos da Pixar e Searchlight/FOX ao seu catálogo). Se algumas indicações foram dadas como certas, outras causaram surpresa seja pela presença (afinal o que Music está fazendo na lista? James Corden mais ser indicado do que Meryl Streep? Pequenos Vestígios indicado?) ou ausência (onde foi parar Destacamento Blood? Ellen Burstyn? Paul Raci? Bridgerton? I May Destroy You?), mas vale ressaltar o marco histórico de três mulheres concorrendo na categoria de Melhor Direção (e Chloe Zhao é a favorita)! A seguir todos os indicados da Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood que premiará os seus favoritos no dia 28 de fevereiro com apresentação de Tina Fey e Amy Poehler. Façam suas apostas...

CINEMA

Melhor Filme - Drama
“Meu Pai”
“Mank”
“Nomadland”
“Bela vingança”
“Os 7 de Chicago”

Melhor filme - Musical ou comédia
“Borat: fita de cinema seguinte”
“Hamilton”
“Palm Springs”
“Music”
“A Festa de Formatura”

Melhor Direção
Emerald Fennell — "Bela Vingança"
David Fincher — "Mank"
Regina King — "Uma noite em Miami"
Aaron Sorkin — "Os 7 de Chicago"
Chloé Zhao — "Nomadland"

Melhor atriz de filme - Drama
Viola Davis ("A voz suprema do blues")
Andra Day ("The United States vs. Billie Holiday")
Vanessa Kirby ("Pieces of a Woman")
Frances McDormand ("Nomadland")
Carey Mulligan ("Bela vingança")

Melhor ator de filme - Drama
Riz Ahmed (“O som do silêncio”)
Chadwick Boseman (“A voz suprema do blues”)
Anthony Hopkins (“Meu pai”)
Gary Oldman (“Mank”)
Tahar Rahim (“The Mauritanian”)

Melhor atriz em filme - Musical ou comédia
Maria Bakalova (“Borat: Fita de cinema seguinte”)
Michelle Pfeiffer (“French Exit”)
Anya Taylor-Joy (“Emma”)
Kate Hudson (“Music”)
Rosamund Pike (“I Care a Lot”)

Melhor ator em filme - Musical ou comédia
Sacha Baron Cohen (“Borat: fita de cinema seguinte”)
James Corden (“A Festa de Formatura”)
Lin-Manuel Miranda (“Hamilton”)
Dev Patel (“The Personal History of David Copperfield”)
Andy Samberg (“Palm Springs”)

Melhor ator coadjuvante
Sacha Baron Cohen (“Os sete de Chicago”)
Daniel Kaluuya (“Judas e o messias negro”)
Jared Leto (“Os pequenos vestígios”)
Bill Murray (“On the Rocks”)
Leslie Odom Jr. (“Uma noite em Miami”)

Melhor atriz coadjuvante
Glenn Close (“Era uma vez um sonho”)
Olivia Colman (“Meu pai”)
Jodie Foster (“The Mauritanian”)
Amanda Seyfried (“Mank”)
Helena Zengel (“News of the World”)

Melhor roteiro
“Bela vingança"
“Mank”
“Os 7 de Chicago"
“Meu pai"
“Nomadland”

Melhor filme em língua estrangeira
“Another Round” - Dinamarca
“La Llorona” - Guatemala / França
"Rosa e Momo" - Itália
“Minari” - EUA
"Nós duas" - França e EUA

Melhor Animação
“Os Croods 2: Uma Nova Era”
“Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica”
“A caminho da Lua"
“Soul”
“Wolfwalkers”
Melhor Canção Original
“Fight for You” (Judas e o Messias Negro)
“Hear My Voice” (Os 7 de Chicago)
“Io Si (Seen)” (Rosa e Momo)
“Speak Now” (Uma noite em Miami)
“Tigress & Tweed” (The United States vs. Billie Holliday)

TV

Melhor série - Drama
“The Crown”
“Lovecraft Country”
“The Mandalorian”
“Ozark”
“Ratched”

Melhor série - Musical ou comédia
"Emily In Paris"
"The Flight Attendant"
"The Great"
"Schitts Creek "
"Ted Lasso"

Melhor série limitada ou filme para TV
“Normal People”
“O Gambito da Rainha”
“Small Axe”
“The Undoing”
“Unorthodox”

Melhor ator em série - Drama
Jason Bateman (“Ozark”)
Josh O’Connor (“The Crown”)
Bob Odenkirk (“Better Call Saul”)
Al Pacino (“Hunters”)
Matthew Rhys (“Perry Mason”)

Melhor atriz em série - Musical ou comédia
Lily Collins (“Emily in Paris”)
Kaley Cuoco (“The Flight Attendant”)
Elle Fanning (“The Great”)
Jane Levy (“Zoey’s Extraordinary Playlist”)
Catherine O’Hara (“Schitt’s Creek”)

Melhor ator em série - Musical ou comédia

Don Cheadle (“Black Monday”)
Nicholas Hoult (“The Great”)
Eugene Levy (“Schitt’s Creek”)
Jason Sudeikis (“Ted Lasso”)
Ramy Youssef (“Ramy”)

Melhor atriz em série limitada ou filme para TV
Cate Blanchett (“Mrs. America”)
Daisy Edgar-Jones ("Normal People")
Shira Haas (“Unorthodox”)
Nicole Kidman (“The Undoing”)
Anya Taylor-Joy (“O Gambito da Rainha”)

Melhor atriz coadjuvante em série
Gillian Anderson ("The crown")
Helena Boham Carter ("The crown"
)

Julia Garner - "Ozark"
Annie Murphy - "Schitt's creek"
Cynthia Nixon - "Ratched"

Melhor ator coadjuvante em série
John Boyega (“Small Axe”)
Brendan Gleeson (“The Comey Rule”)
Dan Levy (“Schitt’s Creek”)
Jim Parsons (“Hollywood”)
Donald Sutherland (“The Undoing”)

Melhor ator em série limitada ou filme para TV
Bryan Cranston (“Your Honor”)
Jeff Daniels (“The Comey Rule”)
Hugh Grant (“The Undoing”)
Ethan Hawke (“The Good Lord Bird”)
Mark Ruffalo (“I Know This Much Is True”)

terça-feira, 9 de março de 2021

INDICADOS BAFTA 2021

 

BAFTA: cinco indicados a Melhor Filme. 

Ao divulgar seus indicados para categoria de melhor filme o BAFTA apenas reafirmou quatro produções que já estavam bastante cotadas para o Oscar deste ano, além de destacar que The Mauritanian merece um lugar na lista final da Academia de Hollywood. A graça mesmo está nas categorias seguintes, que destacou vários trabalhos que andavam esquecidos até agora na temporada de ouro. Particularmente fiquei muito feliz com a indicação da minha atuação feminina favorita de 2020, Wuhmi Mosaku  (de O que Ficou para Trás), lembrada na categoria de melhor atriz. No geral parece que passou um furacão entre os indicados do BAFTA e embaçou um pouco a temporada devido as particularidades dos lançamentos e a votação. A seguir todos os indicados da Academia Britânica de Artes, Cinema e Televisão e suas surpresas:

Melhor Filme
"Meu pai"
"The Mauritanian"
"Nomadland"

Melhor Filme Britânico
"Calm with horses"
"Meu pai"
"Limbo"
"The mauritanian"
"Mogul Mowgli"
"Rocks"

Melhor Filme de Língua não Inglesa
"Druk - Mais uma Rodada" 
"Dear Comrades!" 
"Les Misérables" 
"Minari" 
"Quo Vadis, Aida?" 

Melhor Animação
"Dois irmãos"
"Wolfwalkers"

Melhor Direção
"Druk - Mais uma Rodada” - Thomas Vinterberg
"Babyteeth" - Shannon Murphy
"Minari" - Lee Isaac Chung
"Nomadland" - Chloé Zhao
"Quo Vadis, Aida?" - Jasmila Žbanić
"Rocks" - Sarah Gavron

Melhor Atriz
Frances McDormand - "Nomadland"
Bukky Bakray - "Rocks"

Melhor Ator
Anthony Hopkins - “Meu Pai”
Tahar Rahim - “The Mauritanian”
Mads Mikkelsen - “Druk - Mais uma Rodada”

Melhor Atriz Coadjuvante
Youn Yuh-jung - "Minari"
Niamh Algar - "Calm with Horses"
Kosar Ali - "Rocks"
Ashley Madekwe - "County Lines"
Dominique Fishback - "Judas e o Messias negro"

Melhor Ator Coadjuvante
Daniel Kaluuya - “Judas e o Messias Negro”
Barry Keoghan - “Calm with Houses”
Alan Kim - “Minari”

Melhor Elenco
“Judas e o Messias Negro”
“Calm with Horses”
“Minari”
“Rocks”

Melhor Roteiro Original
"Druk - Mais uma Rodada" 
"Rocks"

Melhor Roteiro Adaptado
"Meu Pai" 
"The Mauritanian" 
"Nomadland" 

Melhor Documentário
“Collective”
“David Attenborough e Nosso Planeta”
“The Dissident”
“Professor Polvo”
“O Dilema das Redes”

Melhor Animação
“Os Irmãos Willoughby”
“Wolfwalkers”

Melhor Trilha Sonora
“Minari”

Melhor Fotografia
“Nomadland”
“The Mauritanian”
“Judas e o Messias Negro”

Melhor Montagem
“Meu Pai”
“Nomadland”

Melhor Design de Produção
“Meu Pai”

Melhor Figurino
“Ammonite”

Melhor Cabelo e Maquiagem
“Pinóquio”

Melhor Som
“Greyhound”
“Nomadland”

Melhores Efeitos Especiais
“Greyhound”
“Mulan”
“O Grande Ivan”

Melhor Curta Britânico em Animação
“The Fire Next Time”
“The Owl and the Pussycat”
“The Song of a Lost Boy”

Melhor Curta Britânico
“Eyelash”
“Lucky Break”
“Lizard”
“Miss Curvy”
“The Present”

Melhor Estreia (roteirista, diretor ou produtor)
“Moffie”
“Limbo”
“Rocks”

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

10+ Na Mira do Oscar 2021

Começando os trabalhos neste ano novo, vale a pena comentar quais os filmes estão disputando vagas no Oscar desse ano conturbado. A sétima arte teve que se virar e o streaming foi uma saída para os produtores divulgarem seus filmes. Com o adiamento do Oscar para o dia 25 de abril (lembrando que Globo de Ouro foi para 28 de fevereiro e o SAG em 14 de março), a janela para lançamento dos filmes que cobiçam a estatueta dourada se estendeu e promete pegar fogo nos próximos meses. Alguns filmes que miram no Oscar já estrearam por aqui (Mank, Os 7 de Chicago, Soul, A Voz Suprema do Blues, O Destacamento Blood, Nunca Raramente às Vezes Sempre e até Era Uma Vez Um Sonho - que apesar do massacre da crítica, pode render um indicação para Glenn Close. Será?). Esta lista destaca dez filmes que ganham força junto à Academia e devem aparecer entre os indicados. As produções estão em ordem alfabética e pode começar as suas apostas:

 01 "Ammonite" de Francis Lee 
O diretor do elogiado O Reino de Deus (2017) agora mantem o foco na história de amor de duas mulheres vividas pelas sempre elogiadas Kate Winslet (cotada para o Oscar de melhor atriz) e Saoirse Ronan (será que a quinta indicação ao Oscar sai este ano?). A história ambientada na Inglaterra de 1840 conta o romance entre uma paleontóloga e uma jovem convalescente perdeu fôlego nos últimos meses por não trazer novidades ao gênero, mas Kate ainda tem chances de emplacar a oitava indicação  ao Oscar de sua renomada carreira. 

02 "Promising Young Woman" de Emerald Fennell
Apesar de ter feito muitos filmes importantes, Carey Mulligan não é lembrada no Oscar desde 2010 (quando foi indicada por Educação e deu uma guinada em sua carreira). Agora ela é uma das favoritas a ser indicada por esta comédia ácida sobre uma jovem que após um trauma resolve se vingar de homens abusivos. A direção e o roteiro (cotado na categoria de roteiro original) fica por conta  da atriz e cineasta estreante Emerald Fennell que é mais conhecida como a jovem Camila Parker-Bowles nas duas últimas temporadas da série The Crown

03 "First Cow" de Kelly Reichardt
Lançado uma semana antes do fechamento dos cinemas por conta da pandemia nos Estados Unidos, o filme ganhou o rótulo de mais azarado do ano - pelo menos até que fosse lançado on demand em julho e colecionado ótimas críticas pela sua história de dois homens e que passam maus bocados para produzir doce de leite em 1820. Entre o olhar diferente sobre o velho oeste e o drama, o filme é considerado o melhor filme indie de 2020. O longa deve aparecer na categoria de roteiro adaptado no Oscar, mas se tornou tão querido que pode aparecer como melhor filme, direção, fotografia e até melhor ator (John Magaro). 

04 "Judas and the Black Messiah" de Shaka King 
Com previsão de lançamento nos EUA para fevereiro deste ano, o segundo filme de Shaka King conta a história de Fred Hampton (Daniel Kaluuya), um ativista do movimento Panteras Negras, e a forma como foi traído por um informante do FBI (Lakeith Stainfield). Existe grande expectativa em torno do filme, principalmente por resgatar uma temática que recebe cada vez mais destaque ao redor do mundo. O filme pode ser lembrado nas categorias principais, especialmente ator (Kaluuya), ator coadjuvante (Lakeith) e roteiro. O elenco ainda conta com Jesse Plemons e Martin Sheen. 

05 "Minari" de Lee Isaac Chung
Outro filme muito querido da temporada é este drama sobre uma família coreana que se muda para o Arkansas nos anos 1980 com o sonho de criar uma fazenda. No entanto, eles descobrem que tudo é bem mais complicado do que imaginavam. Esta comovente crônica sobre American  Dream  foi recentemente envolvida em uma polêmica com o Globo de Ouro que o relegou ao prêmio de Filme em Língua Estrangeira e reacendeu os debates sobre a ausência de atores orientais no Oscar (a última foi Rinko Kikuchi por Babel/2006). O debate pode aumentar a chance do filme nas categorias de melhor filme, roteiro, ator (Steven Yeun) e atriz coadjuvante (Youn Yuh-jung).

06 "Nomadland" de Chloe Zhao
Desde que foi premiado no único grande festival de cinema realizado presencialmente durante a pandemia (O Festival de Veneza), Nomadland só cresceu em favoritismo rumo ao Oscar e não duvido que caminhe para se tornar o grande vencedor da noite (e de quebra premiar Chloe Zhao na categoria de direção, o que a tornaria a segunda mulher a receber o prêmio da categoria na história). Frances McDormand está cotada novamente ao prêmio de atriz (e se levar se iguala à Katharine Hepburn) pelo papel de uma mulher que durante a crise econômica vive em seu carro em busca de trabalho. Zhao imprime um tom bastante documental pautado no livro de Jessica Bruder. O filme também deve ser indicado ao prêmio de roteiro adaptado e fotografia. 
 
07 "One Night in Miami" de Regina King
A estreia na direção cinematográfica da atriz Regina King foi tão elogiada após sua exibição em festivais que chega com força para as principais categorias do Oscar. O filme é uma obra de ficção que imagina o encontro icônico de Muhammad Ali (Eli Goore), Malcolm X (Kingsley Ben-Adir), Sam Cooke (Leslie Odom Jr.) e Jim Brown (Aldis Hodge) durante o movimento pelos direitos civis na Miami de 1960. O filme já aparece em premiações da crítica e são dadas como certa sua presença na categoria de melhor filme, direção, roteiro adaptado (era uma peça) e que membros do seu elenco apareçam nas categorias de melhor ator e ator coadjuvante. 

08 "Pieces of a Woman" de Kornél Mundruczó  
Vanessa Kirby (a princesa Margareth das primeiras temporadas de The Crown) já serviu de enfeite em filmes de ação nos últimos anos, mas depois que foi eleita a melhor atriz no Festival de Veneza pelo primeiro filme em inglês do diretor de Deus Branco/2014, a sua carreira deve ganhar mais notoriedade. A atriz interpreta uma mulher cuja vida desmorona depois de um fracassado parto domiciliar. O filme  estreia hoje na Netflix (inspirando esta lista) e deve colocar Vanessa entre as favoritas ao Oscar de atriz deste ano (podendo também render uma indicação de coadjuvante para Ellen Burstyn que interpreta sua mãe no longa). 

09 "The United States Vs. Billie Holliday" de Lee Daniels
O diretor de Preciosa/2009 costuma fazer barulho com os seus lançamentos e está tão confiante com seu novo filme que o está guardando em segredo para a temporada de ouro que se aproxima. Quem assistiu garante que o filme irá colocar Andra Day no páreo de melhor atriz por sua personificação da cultuada cantora. O filme é baseado no livro de Johann Hari que conta como a estrela teve que lidar com uma operação secreta do Departamento Federal de Narcóticos liderada por um ex-namorado Jimmy Fletcher (Trevante Rhodes). A expectativa para o filme é bastante alta. 

10 "The Father" de Florian Zeller
Com cinco indicações ao Oscar e uma estatueta por O Silêncio dos Inocentes (1991), Anthony Hopkins corre sério risco de levar seu segundo prêmio da Academia por seu trabalho neste filme em que enfrenta problemas com a idade e a memória - o que afeta diretamente seu relacionamento com a filha, Anne (Olivia Colman que deve ser indicada ao prêmio de atriz coadjuvante). Elogiado pela versão para o cinema de sua própria peça, Florian Zeller pode ser indicado ao prêmio de melhor diretor, assim como o longa está cotado para melhor roteiro adaptado e melhor filme. O maior concorrente de Anthony ao Oscar de ator é Chadwick Boseman (por A Voz Suprema do Blues) que pode levar um prêmio póstumo. 

sexta-feira, 9 de abril de 2021

Indicados ao Oscar 2021: MELHOR ATRIZ

Andra Day (Estados Unidos Vs Billie Holliday) Tendo feito participações em curtas e clipes, este é o primeiro filme em que Andra Day tem destaque (na verdade seu papel anterior foi uma participação modesta em Marshall/2017). Este fato de ser praticamente uma estreante torna seu trabalho como a diva do blues ainda mais impressionante. Perseguida pelo FBI por uma música que denunciava o racismo, sua vida se tornou ainda mais problemática diante de sua vida pessoal atribulada. Pelo papel Andra já levou para casa o Globo de Ouro de atriz dramática e cravou seu nome na cobiçada quinta vaga da acirrada disputa deste ano. 

Carey Mulligan (Bela Vingança) Há quem aponte que nesta reta final é Carey a favorita da categoria. Desde que foi indicada pela primeira vez na categoria por Educação (2010), Carey se tornou uma das atrizes mais presentes no cinema. Depois de vários trabalhos com diretores importantes, participações em filmes premiados, superproduções e longa independentes, a inglesa voltou ao radar da Academia por um trabalho diferente, preciso e complicado. Afinal na pele de Cassy ela encarna a vingança pela cultura de abusos às mulheres de uma sociedade patriarcal de forma inusitada. Tudo feito no tom provocativo certo com suspense, drama e um senso de humor bastante perigoso. 

Frances McDormand (Nomadland) Ganhadora do Oscar por Fargo (1996) e Três Anúncios para um Crime (2017) ela pode se tornar a segunda atriz a levar para casa três Oscars de melhor atriz (Meryl Streep tem três, mas um é de coadjuvante). O curioso é que se ganhar, no discurso ela dirá que preferia que uma outra atriz fosse reconhecida (ela disse isso ao ganhar o segundo Oscar). Avessa ao mundo das celebridades, Frances tem outra atuação memorável como uma mulher sofrida que mora num carro e cruza os EUA atrás de serviços temporários. Frances também pode ser premiada como produtora, já que o filme é o favorito na categoria principal. Ela também já concorreu como coadjuvante por Mississipi em Chamas (1988), Quase Famosos (2000) e Terra Fria (2005). Esta é sua sexta indicação.

Vanessa Kirby (Pieces of a Woman) Famosa pelo seu trabalho nas duas primeiras temporadas de The Crown, a inglesa entrou para lista de candidatas ao Oscar assim que foi premiada no Festival de Veneza, por sua atuação irretocável da mulher que sofre uma verdadeira tragédia após um parto domiciliar mal sucedido. É a minha favorita da categoria (confesso que entre todas as candidatas, este é o trabalho que mais me emocionou). Embora tenha sido indicada a todas as premiações da temporada de ouro, Kirby não levou nada para casa (algo que pode mudar com o BAFTA e bagunçar ainda mais a disputa do Oscar nesta categoria). É a primeira indicação da atriz ao Oscar.

Viola Davis (A Voz Suprema do Blues) Outra cantora no Oscar deste ano é a primeira grande diva do blues: Ma Rainey. Trata-se de uma personagem difícil, mas que Viola faz com maestria ao abraçar as camadas mais difíceis da personagem. Ela confere à personagem um certo ar cansado de ter que se impor num mundo onde os fatos de ser mulher, negra e lésbica pesam muito contra para o reconhecimento que merece. Se hoje existe preconceito, imagine na década de 1920? Esta é a quarta indicação de Viola ao Oscar, o que a torna a afro-americana mais indicada da história! Sua primeira indicação foi como coadjuvante por Dúvida (2012), depois concorreu como atriz em Histórias Cruzadas (2011) e levou para casa o Oscar de atriz coadjuvante por Um Limite entre Nós (2016). 

A ESQUECIDA: Kate Winslet (Ammonite) A lista de atrizes que esperavam aparecer no Oscar deste ano era extensa, entre elas Michelle Pfeiffer (French Exit), Zendaya (Malcolm & Marie), Amy Adams (Era Uma Vez um Sonho), mas entre uma premiação aqui e outra ali elas acabaram sendo lembradas nas indicações, porém... Kate Winslet foi completamente esnobada nesta temporada. Talvez seja pelas comparações que Ammonite recebeu com o recente Retrato de Uma Jovem em Chamas/2019, mas sequer o BAFTA se comoveu com a performance de uma caçadora de fósseis que se envolve com uma mulher mais jovem. Kate tem o Oscar de melhor atriz por O Leitor (2008) e outras seis indicações no currículo, mas se alguém foi realmente esquecida nesta temporada foi ela.

domingo, 10 de agosto de 2025

Na Tela: Quarteto Fantástico - Primeiros Passos

O Quarteto: heróis tamanho família. 

Quarteto Fantástico: Primeiros Passos demonstra que a Marvel realmente parou para pensar na vida e tentar ajustar a grande confusão que seu universo se tornou. Se Thunderbolts (2014) já demonstrava que a coisa ainda tinha jeito, este reboot no grupo de heróis mais clássico da editora demonstra, mais uma vez, a boa vontade de colocar tudo nos trilhos. A impressão geral é que depois de complicar demais o que deveria ser apenas produções para divertir, o estúdio resolveu criar uma história mais simples e redondinha, capaz de se resolver por conta própria  - o que já está de bom tamanho. Os heróis do filme vivem na Terra 828 e já são conhecidos e consagrados por serem os defensores daquele planeta. Assim como o recente Superman (2025), o filme não gasta tempo mostrando a origem dos personagens (para isso usa uma reportagem que já dá conta de explicar aos iniciantes, desta forma já sabemos de cara quem são o Reed Richards/Sr. Fantástico (Pedro Pascal), Sue Storm/Mulher Invisível (Vanessa Kirby), Tocha-Humana (Joseph Quinn) e Coisa (Ebon Moss-Bacharach), assim como fica fácil notar que eles foram uma família após o incidente que lhes deram super-poderes. Falando em família, ela está prestes a crescer, já que Sue está grávida. Por um bom tempo, ela e Reed ficaram temerosos da forma como o herdeiro poderia ser concebido devido aos efeitos que a radiação provocaram em seus corpos, mas ao que parece está tudo na mais perfeita ordem com o bebê. Pelo menos até surgir a Surfista Prateada (Julia Garner) com o anúncio da chegada do devorador de mundos Galactus (Ralph Ineson) e que a Terra será poupada somente se o casal de heróis entregar o bebê para o vilão. Como disse anteriormente, a história é mais simples, mas os dilemas dos personagens não deixa de ser complexos. Afinal, você entregaria seu filho para salvar o planeta? Esta ideia insere um grande peso à história já que, pelo fato de serem heróis, eles devem sacrificar tudo para salvar vidas? Por serem pessoas públicas, a opinião pública se torna responsável por decidir o que eles devem fazer? Some isso à dinâmica da relação entre Reed e Sue e o filme consegue construir um drama que sustenta o filme. Muito disso se deve ao trabalho de Pedro Pascal que, ao encarnar o homem mais inteligente do mundo, torna sua personalidade cerebral em algo que o torna sempre pensativo e reflexivo. Por outro lado, a interpretação de Vanessa Kirby, impregnada pela maternidade se torna um contraponto para seu parceiro de cena. Kirby está colhendo muitos elogios por sua performance (e acho que o seu trabalho premiado em Pieces of a Woman/2020 tem muita relação com sua escolha para o papel). Bela, elegante e talentosa, a atriz se torna a alma do filme. Com menos tempo em cena, Quinn e Ebon ficam como alívio cômico para a sessão. Vale destacar ainda a direção eficiente de Matt Shakman (responsável por Wanda Vision) e a excelente ambientação retro-futurista. Embora muita gente dirá que o filme tem pouca ação, considero que o filme consegue se organizar de forma bastante eficiente até chegar ao desfecho emocional. Com uma cena pós-crédito bastante instigante (e outra até nostálgica), Quarteto Fantástico soa como um passo importante para o aguardado Vingadores: Doomsday previsto para dezembro de 2026. Se antes disso o Homem-Aranha: Um Novo Dia (2026) seguir a mesma linha, parece que a Marvel tem jeito. 

Quarteto Fantástico: Primeiros Passos (Fantastic Four: First Steps / EUA - 2025) de Matt Shakman com Vanessa Kirby, Pedro Pascal, Ebon Moss-Bacharach, Julia Garner, Ralph Ineson, Natasha Lyonne, Paul Walter-Hauser e Sarah Niles. ☻☻ 

domingo, 27 de junho de 2021

PL►Y: À Segunda Vista

 
Ryan e Iliza: de amores e disfarces.

De vez em quando eu comento aqui no blog a minha dificuldade em ficar satisfeito com as comédias recentes. Geralmente considero as produções tão bobas, infantis, cheias de baixaria e repetitivas que não consigo encontrar motivos para dar risada. Então, quando resolvo encontrar algo para rir eu começo a ver uma comédia por uns dez minutos e, se a risada não aparecer, eu parto para outra. Para outra. Para outra... e geralmente eu termino vendo uma reprise ou outro tipo de filme. Eis que, ontem vagando na Netflix encontrei um filme que nunca ouvi falar com atores pouco conhecidos entre as produções mais vistas do serviço de streaming. À Segunda Vista conta a história de Andrea (Iliza Shlesinger), uma comediante de stand up (que ao que parece é mesmo a origem de Iliza no showbizz) que deseja ter mais reconhecimento e estabilidade em sua carreira de atriz. Se a profissão está meio estagnada, a vida amorosa também não avança muito. Ela também começa a sentir o peso da idade aos 34 anos, principalmente por todo mundo repetir que ela parece ter 35... no meio de tanta mesmice ela conta com a companhia da amiga Margot (Margaret Cho atriz fashionista que por um tempo apresentou o Fashion Police). Eis que numa viagem de avião, Andrea conhece o engravatado Dennis (Ryan Hansen), que de início parece ser um fã, mas aos poucos demonstra ter outros interesses por ela. A partir daí o filme irá se desenvolver como uma comédia romântica com um tom mais ácido e debochado, seja quando Andrea percebe que começa a ficar atraída por Dennis, embora ele esteja bem longe de ser o tipo que ela gosta. Se por um lado Iliza faz de tudo para se distanciar da heroína romântica que estamos acostumados a ver neste tipo de filme (ela está bem longe de ser ingênua e sonhadora), por outro lado o galã Ryan Hansen faz de tudo para esconder seu sex appeal, estão lá o cabelo lambido para o lado, o óculos sem graça, os ternos sem estilo, a barriga de espuma para disfarçar o físico de atleta e apela até para um dublê de corpo naquela  tradicional cena da piscina (e todo este disfarce do ator até faz parte da maior piada do filme), mas o fato é que debaixo de tudo isso é impossível não simpatizar por Dennis e torcer para que o romance se instaure... mesmo que logo depois o filme comece a indicar cada vez mais que aquele homem não é bem o que ele diz. Nesta parte o filme derrapa um pouco, já que Andrea era apresentada como uma mulher bem mais esperta que sacaria o que estava acontecendo rapidinho... mas tudo bem, imagine que ela estava cega de amor e por isso era fácil de ser enganada [sic]. O filme conta com um ótimo elenco de apoio e a diretora Kimmy Gatewood (que é também uma atriz esperta que já apareceu em Glow e Atipical, ambas da Netflix) consegue imprimir um ritmo agitadinho fluente durante a sessão. Confesso que vou ficar de olho nos novos trabalhos de Iliza Schlesinger, seu senso de humor é esperto, sem apelações e não me lembrava de tê-la visto em outras produções (inclusive em Pieces of a Woman/2020 filme que adoro e que também está na Netflix). À Segunda Vista  não vai revolucionar o gênero ou se tornar inesquecível, mas consegue dar uma sacudida no tipo de filme sempre castigado pela mesmice e, por isso mesmo, recebe o dificílimo selo de aprovação deste que vos escreve. Recomendo. 

À Segunda Vista (Good on Paper / EUA -2021) de Kimmy Gatewwod com Iliza Schlesinger, Ryan Hansen, Margaret Cho, Rebecca Rittenhouse, Adam Ray e Beth Dover. ☻☻☻

segunda-feira, 15 de março de 2021

INDICADOS AO OSCAR 2021

 
Oscar 2021: oito candidatos a melhor filme do ano. 

Hoje conhecemos os indicados ao Oscar do ano em que o cinema teve que se virar por conta da pandemia. Como era esperado, os serviços de streaming fizeram a festa, sobretudo a Netflix com 35 indicações (graças também a ter o mais indicado do ano em seu catálogo). Quem acompanhou o início da temporada de ouro já tinha mais ou menos em vista quem seriam os indicados, mas os votantes reservaram ainda algumas surpresas. Seja por escolher somente oito para a lista de melhor filme do ano (deixando alguns favoritos de fora), colocarem o dinamarquês Thomas Vinterberg no lugar que era esperado ser de Regina King, cravar Lakeith Stainfeld na categoria de coadjuvante e deixar Jodie Foster fora da categoria de atriz coadjuvante. Também fiquei surpreso com a presença de Professor Polvo entre os documentários (eu assisti e não escrevi sobre ele... ops!) e adorei o espaço reservado para o chileno O Agente Duplo na mesma categoria. Falando em documentários, o romeno Collective alcançou a proeza de ser indicado tanto em documentário quanto filme estrangeiro (algo que o candidato brasileiro Babenco tanto desejava e ficou longe de conseguir). Antes de mencionar a lista, vale ainda ressaltar a histórica indicação de duas mulheres na categoria de direção (e uma delas é a grande favorita), Viola Davis se consagrando como a atriz afro-americana mais indicada ao Oscar (quatro indicações até agora) e Steve Yeun se tornando o primeiro descendente asiático a aparecer na lista de melhor ator. E o que falar de Glenn Close lembrada tanto no Oscar quanto no Framboesa de Ouro pelo mesmo papel? Gosto não se discute, sendo assim, façam suas apostas até a cerimonia de 25 de abril:

Melhor Filme


Melhor ator coadjuvante


Melhor filme em língua estrangeira
“Another Round” (Dinamarca)
"Collective" (Romênia)
"Quo vadis, Aida?" (Bósnia e Herzegovina)

Melhor Animação
“Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica”

Melhor curta de animação
"Burrow"
"Genius Loci"
"If anything happens I love you"
"Opera"
"Yes people"

Melhor curta-metragem em live action
"Feeling through"
"The letter room'"
"The present"
'"wo distant strangers"
"White Eye"

Melhor documentário de curta-metragem
"Collete"
"A concerto is a conversation"
"Do not split"
"Hunger ward"
"A love song for Natasha"


Melhor som
"Greyhound: Na mira do inimigo"

Melhor Canção Original
"Husa'vik" - (Eurovision: A saga de Sigrit e Lars"