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| Lea: tudo pela beleza. |
Harmonizado diáriw é impressionante como em tempos de releituras de terror de gosto duvidoso sobre personagens clássicos do cinema e da literatura, alguém surge com bom senso e faz realmente uma obra interessante. Se até a Disney erra em suas versões de carne e osso para os clássicos, torna-se ainda mais louvável o que a cineasta estreante Emilie Blichfeldt faz ao colocar em destaque a meia-irmã da Cinderela, a jovem Elvira no centro de uma narrativa própria. Sempre apresentada nas versões da história como uma moça pouco atraente, a diretora resolveu criar uma história em que a personagem passa por procedimentos estéticos arrepiantes para conquistar o príncipe encantado naquele bendito baile. Sem a ajuda de uma fada madrinha, Elvira (a ótima novata Lea Myren) recorre a um esteticista para fazer ajustes em algumas partes de seu corpo. Embora seja ambientado em uma era "vitoriana" na Noruega do século XIX, o culto à beleza e os sacrifícios motivados por ele são verdadeiras agulhadas nos tempos atuais. Misturando contos de fadas com body horror e pitadas de erotismo (a cineasta não tem problemas em apresentar partes masculinas durante a sessão) o filme impressiona pela criatividade em construir uma releitura ousada utilizando personagens já conhecidos. O mais interessante é que todo o horror que vemos no filme, faz lembrar as origens do clássico conto dos irmãos Grimm com crianças sendo devoradas por uma bruxa ou um lobo faminto na floresta. Aqui quem devora a protagonista é o padrão no qual ela não se encaixa. Com personalidade suficiente para deixar o público nervosamente curioso com os flagelos de sua protagonista, A Meia-Irmã Feia foi até lembrado no Oscar de melhor Maquiagem e Penteados (categoria a qual seu primo A Substância/2024 ganhou ano passado).
A Meia-Irmã Feia (Den Stygge Stesøsteren / Noruega - Dinamarca - Suécia - Romênia - Polônia / 2025) de Emilie Blichfeldt com Lea Myren, Ane Dahl Torp, Thea Sofie Loch Næss, Isac Calmroth, Flo Fagerli, Malte Gårdinger, Willy Ramnek Petri e Adam Lundgren. ☻☻☻

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