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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

APOSTAS PARA O OSCAR 2015 - Capítulo IV

Grandes Olhos (Big Eyes)
Já faz algum tempo que Amy Adams se tornou uma atriz que todo cinéfilo aguarda o dia em que levará um careca dourado para a casa. A atriz já soma cinco indicações ao Oscar e pode conseguir uma sexta com a nova obra de Tim Burton - que investe numa linguagem menos fantasiosa para contar a história da pintora Margaret Keane, que ficou muito famosa na década de 1950 por seus quadros com pessoas de olhos enormes, mas que enfrentou sérias dificuldades financeiras quando o esposo Walter Keane (Christoph Waltz) reivindicou crédito por suas obras. Burton tem aqui a (grande) chance de redimir-se por seus micos recentes. 

Whiplash
Desde que Whiplash teve sua primeira exibição, tornou-se um dos filmes mais cotados para concorrer ao Oscar do próximo ano - tudo por conta da abordagem intensa da relação entre aprendiz e mestre, no caso, baterista (Miles Teller) e instrutor (J.K. Simmons). Andrew é um jovem baterista que participa da seleção para uma prestigiada escola de música - e para explorar seu potencial ao máximo ele precisa da ajuda de um (super)exigente professor. O filme de Damien Chazelle ganhou o prêmio do júri no Festival de Sundance embalado pela trajetória de sangue e suor de seu esforçado protagonista (e o veterano Simmons se tornou o favorito ao prêmio de coadjuvante).
  
Caminhos da Floresta (Into the Woods)
Rob Marshall não acertou uma desde que Chicago ganhou o Oscar de Melhor Filme em 2003, mas não são poucos que consideram que sua volta por cima está nessa adaptação do premiado musical da Broadway produzido pela Disney. Na trama, uma bruxa (Meryl Streep, finalmente aceitando um papel de bruxa) conspira para ensinar importantes lições para Chapeuzinho Vermelho,  Rapunzel, João (aquele do pé de feijão) e Cinderela. Todo mundo conhece a resistência que a Academia tem com fantasias, mas as expectativas geradas pelo elenco (com destaque para Emily Blunt, Chris Pine e Anna Kendrick) e o capricho na produção devem contar a favor. 

Corações de Ferro (Fury)
Pouca gente se deu conta que Brad Pitt ganhou seu primeiro Oscar em 2014 pelo drama 12 Anos de Escravidão. Não, ele não ganhou pela sua pequena participação de sotaque estranho, mas por ter produzido o filme de Steve McQueen que levou para a casa a estatueta de melhor filme. No entanto, Pitt continua esforçado para receber o Oscar de melhor ator - e o filme de guerra dirigido por David Ayer serve para nos lembrar disso. Na pele de um sargento que guia seus homens (incluindo Shia LaBeouf e Logan Lerman) por uma missão suicida dentro de um tanque durante a segunda guerra mundial, Pitt vem colhendo elogios crescentes. Mas será que o filme tem fôlego para tanto?

St. Vincent 
As chances dessa pequena comédia suburbana nas premiações são pequenas, mas existe uma campanha crescente para que, ao menos, a despachada atuação de Bill Murray seja lembrada por incorporar um veterano de guerra (hedonista e misantropo) que serve de mentor para um menino que enfrenta o divórcio dos pais. O elenco inspirado conta com Naomi Watts, Melissa McCarthy, Chris O'Dowd e (o fofo) Jaeder Lieberher (que já tem três filmes agendados depois de sua atuação nesse filme de estreia de Theodore Melfi). Comédias não costumam cravar muitas indicações, mas podem surpreender - especialmente com as indicações ao Globo de Ouro no dia 11 de dezembro!

domingo, 16 de novembro de 2014

APOSTAS PARA O OSCAR 2015: Capítulo III

Selma
Abordar a luta pelos direitos civis nos EUA é sempre bem vindo na temporada de premiações e se tiver os atores certos nos papéis cobiçados de Martin Luther King (David Oyelowo) e George Wallace (Tim Roth), as chances de sucesso aumentam consideravelmente! Dirigido por Ava DuVernay, o filme deixou a expectativa crescer ao seu redor aos poucos - e a presença de Oprah Winfrey e Tom Wilkinson só faz aumentar a atenção que o filme deve receber nos próximos meses em seu retrato da marcha pelos direitos civis na terra do Tio Sam. 

A Most Violent Year
O diretor J.C. Chandor já provou que pode fazer milagres num filme com um único cenário e um único ator em cena  (o cult Até o Fim/2013 com Robert Redford). Imagine o que ele pode fazer com uma atriz que chama cada vez mais atenção na sétima arte? Jessica Chastain estrela ao lado de Jason Isaacs esse drama de uma família de imigrantes que tenta manter os negócios na cidade de Nova York no ano mais violento de sua história (1981 - só para lembrar). Doses de violência, corrupção e decadência, atrapalham os personagens que lutam para evitar que tudo que construíram desabe perante a dura realidade que enfrentam. 

Livre (Wild)
Não sei por quanto tempo a moda permanece, mas o cinema oferece cada vez mais espaço para filmes onde um ator tem que estar sozinho em cena a maior parte do tempo (prendendo a atenção da plateia), a próxima a enfrentar esse desafio é Reese Witherspoon, que cada vez mais decepcionada com os papéis que os estúdios lhe oferecem, volta-se cada vez mais para filmes independentes de pequeno orçamento. Quase dez anos depois de seu Oscar por Johny e June (2005) a atriz tenta voltar ao radar da Academia nessa jornada intimista de uma mulher que tenta fugir de uma catástrofe pessoal. Obviamente que a assinatura de Jean Marc Vallée (de Clube de Compras Dallas/2013) valoriza o passe do filme consideravelmente. 

Sniper Americano (American Sniper)
Deve ser realmente ótimo não ter que provar mais nada para ninguém. Com duas indicações seguidas ao Oscar (ator por O Lado Bom da Vida/2012 e coadjuvante por Trapaça/2013), Bradley Cooper é capaz de emplacar uma terceira indicação no seu currículo. Com direção de Clint Eastwood, esse filme conta a história de Chris Kyle (Cooper), um atirador do exército americano que matou mais de 150 pessoas. Com previsão de lançamento para o final de dezembro, o filme chamou atenção pelos festivais onde passou. No elenco ainda estão Sienna Miller e Eric Close. 

 O Abutre (Nightcrawler)
O que seria de alguns atores sem as dietas radicais de Hollywood? Jake Gyllenhaal sempre foi um ator interessante, mas foi o último da lista  a enfrentar uma perda radical de peso para um papel. Vivendo um jornalista desesperado por emprego e obcecado por crimes - ao ponto de não dormir -, as coisas complicam quando ele ultrapassa a linha entre observador e criminoso (chamando a atenção de uma veterana da televisão). A estreia de Dan Gilroy (roteirista da trilogia Bourne) promete um retrato sórdido de Los Angeles (e da mídia). 

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

APOSTAS PARA O OSCAR 2015 - Capítulo II

Unbroken
O filme ainda nem foi lançado é já existem mais do que expectativas, são quase promessas para o novo filme de Angelina Jolie na direção (O anterior, Na Terra do Amor e Ódio/2011, não vingou). Com lançamento previsto para a semana do Natal, o filme conta a história de Louis Zamperini, um atleta olímpico que sofre uma acidente de avião, lutando 47 dias para encontrar terra firme - mas quando encontra é capturado por japoneses durante a Segunda Guerra Mundial. Com roteiro em colaboração com os irmãos Coen, atuação devotada de Jack O'Connel, produção caprichada de Brad Pitt e história incrivelmente edificante, Unbroken tem tudo para cair nas graças da Academia de Hollywood (e o falecimento recente de Zamperini aos 97 anos só aumenta a força do filme). 
Vício Inerente 
Depois de O Mestre/2012 Paul Thomas Anderson retoma sua parceria com Joaquin Phoenix (em papel que seria de Robert Downey Jr.) colocando-o ao lado de sua companheira no oscarizado Johny & June (2005), Reese Whiterspoon (que teria atuado no papel que ficou com Amy Adams em O Mestre). Phoenix interpreta o detetive particular Larry Spotello,  que é contratado por uma ex-namorada para investigar o sequestro de um bilionário latifundiário. Baseado no livro de Thoman Pynchon, a história mistura traficantes, policiais corruptos e várias camadas de mentira que surpreende no trailer pelo seu tom cômico. O elenco ainda conta com nomes de peso como Josh Brolin, Benicio Del Toro e Maya Rudolph. 

Mr. Turner
O Oscar tem os seus autores favoritos, um deles é o inglês Mike Leigh, cujas produções costumam receber alguma indicação. Em sua cinebiografia do pintor impressionista J.M.W. Turner o diretor exibe novamente o rigor estético apresentado em Topsy Turvy/1999 para contar a história de um homem apaixonado pela luz e seu efeito sobre o mar, cidades, paisagens... o filme retrata um período difícil na vida do artista, onde ainda cuidava de suas duas filhas e onre reencontra o amor. Exibido em Cannes, o filme premiou Timothy Spall (o ator favorito de Leigh) por sua atuação na pele do protagonista e o fotógrafo Dick Pope por seus respectivos trabalhos (e lhes deu fôlego para as premiações que culminam no Oscar).

Still Alice
Falando no prêmio de Melhor Atriz, existe um consenso de que já passou da hora de premiar Julianne Moore com uma estatueta. A atriz indicada ao Oscar quatro vezes deve entrar no páreo novamente por sua atuação nesse filme assinado por Richard Glatzer e Wash West Moreland. Na pele de Alice Howland, uma conceituada professora de linguística, Moore encarna todas as dificuldades de perder aos poucos a memória para o Mal de Alzheimer. Enquanto a relação com o esposo (Alec Baldwin) corre riscos, os laços com a filha (Kirsten Stewart) se fortalecem. Será que Julianne será finalmente premiada? A crítica garante que sim. 

Cake
Sempre percebi um incômodo em Jennifer Aniston em ter que interpretar sempre o mesmo papel na maioria de seus filmes. De vez em quando a atriz aparece em um longa independente com atuações mais dramáticas (vale conferir Por Um Sentido na Vida/2002), mas esses acabam tendo pouca repercussão e ela volta para as comédias românticas... mas agora Aniston parece ter entrado no radar das premiações com sua atuação desglamourizada nesse drama dirigido por Daniel Barnz sobre uma mulher traumatizada e deprimida que entra para um grupo de autoajuda e, após o suicídio de uma integrante do grupo, acaba se envolvendo com o ex-marido da falecida (Sam Worthington). Exibido em Toronto, as apostas em Jennifer cresceram consideravelmente nas últimas semanas. 

domingo, 2 de novembro de 2014

APOSTAS PARA O OSCAR 2015 - Capítulo I

Esse ano demorei um pouco mais para arriscar meus palpites para a temporada de ouro que culmina no Oscar. O motivo para isso não foi insegurança, mas o apreço por um ano em que os lançamentos superaram minhas expectativas. O fato é que alguns fortes candidatos às estatuetas já foram até lançados no Brasil, basta lembrar de O Grande Hotel Budapeste e Era Uma Vez em Nova York ambos com chances concretas de cravar indicações, seguidos de Garota Exemplar (que pode ser lembrado em algumas categorias - principalmente no que se refere às suas atrizes) além de Boyhood que acaba de estrear por aqui. Ah, claro, não custa lembrar que nos meus palpites para o Oscar 2014, dos cinco mencionados, todos foram indicados ao prêmio principal (incluindo que mais levou estatuetas para casa, o Melhor Filme e os ganhadores dos prêmios de ator, atriz coadjuvante e ator coadjuvante), ou seja: os grandes ganhadores do ano podem estar logo aí embaixo:

Birdman
Parece que depois de sua separação traumática com o roteirista Guillermo Arriaga, o diretor Alejandro González Iñárritu encontrou seu caminho. Após dramas pesadões, o diretor investe em sua primeira comédia. Mas não se trata de uma comédia simples, contando a história de um ator decadente (Michael Keaton) que ficou famoso décadas atrás por encarnar um super-herói (ei!) que está prestes a fazer as pazes com a fama numa peça da Broadway, Birdman é celebrado por suas várias camadas metalinguísticas. História esperta, atores inspirados (Emma Stone, Naomi Watts, Edward Norton...) e uma montagem sagaz que imita um plano sequência faz de Birdman um forte concorrente nas premiações que se aproximam. 

Foxcatcher
O novo filme de Bennet Miller era para ter sido lançado ano passado, mas os estúdios consideraram que havia concorrência demais. Com o lançamento adiado para o Festival de Cannes/2014, o filme saiu de lá com seu diretor considerado o melhor do Festival e ainda com uma campanha vigorosa que permanece intacta até agora. O filme é baseado na relação do lutador olímpico Charles Schultz (Channing Tatum) com o milionário John Du Pont (Steve Carrell, irreconhecível e muito elogiado), que o convida para fazer parte de sua equipe. O problema é que Du Pont é mais excêntrico do que o atleta imagina, tornando sua vida um tanto complicada. 

A Teoria de Tudo
Dramas baseados em histórias reais sempre chamam atenção com seus personagens conhecidos, o que dizer então de um filme baseado na história de um dos maiores cientistas de todos os tempos? Dirigido pelo premiado James Marsh, o filme conta como o jovem astrofísico Stephen Hawking (Eddie Redmayne) fez descobertas importantes sobre o tempo e ainda encontrou tempo para flertar com Jane Wilde (Felicity Jones, será que dessa vez ela consegue ser indicada?), que se tornaria sua esposa. O que deve agradar ainda mais a Academia é a forma como o filme aborda o diagnóstico de uma doença degenerativa (quando Hawking tinha apenas 21 anos) e seu impacto no casamento com Jane. 

O Jogo da Imitação
Outro personagem real que ganha as telas na temporada de ouro é Alan Turing (Benedict Cumberbatch), matemático inglês, especialista em lógica que auxiliou os EUA a decifrar mensagens de guerra durante a Segunda Guerra Mundial. Além de seu trabalho durante o período conturbado da História, Turing tinha problemas em lidar com sua homossexualidade, o que o vez perseguir uma cura inexistente - o que lhe rende um punhado de tragédias pessoais. Dirigido por Morten Tyldum e estrelado por nomes britânicos em ascensão (Keira Knightley, Mark Strong, Matthew Goode...) o filme não deve ser esquecido entre os indicados. 

Interstelar 
Prestes a estrear no Brasil, o novo filme de Christopher Nolan tem como maior desafio driblar os preconceitos contra o gênero ficção-científica nas premiações. Estrelado por alguns queridos nas últimas edições do Oscar (Matthew McConaughey, Anne Hathaway e Jessica Chastain), o filme conta uma jornada espacial (inspirada em Stanley Kubrick, claro!) que busca planetas com recursos naturais capazes de preservar a vida da humanidade. Cheio de efeitos especiais e com uma trama que investe nos dramas dos personagens no espaço (e na terra), o filme terá que driblar com o espetacular Gravidade na memória recente da Academia.