Mostrando postagens com marcador The Scafaria Collection. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador The Scafaria Collection. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 2 de abril de 2020

PL►Y: As Golpistas

J.Lo, Constance e as parceiras: virando um gênero do avesso. 

Sou parte do time que torcia por uma indicação ao Oscar de atriz coadjuvante para Jennifer Lopez por As Golpistas. Depois de passar tanto tempo presa às comédias românticas bobocas e suspenses esquecíveis, J.Lo retoma aqui a grande promessa que ela foi nos anos 1990. Ela ficou tanto tempo presa à uma imagem por mais de uma década que ao chegar em determinado momento tudo pareceu ter estagnado para ela. A carreira como cantora acabou recebendo mais destaque do que no cinema e os bons papéis foram rareando. Essa ausência de reconhecimento ficou bem evidente quando a Academia ignorou seu trabalho impecável neste filme aqui, uma espécie de Os Bons Companheiros (1990) em menor escala num ótimo trabalho da diretora Lorene Scafaria (do terno Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo/2012 e do divertido A Intrometida/2015). Embora este aqui seja bastante diferente dos seus filmes anteriores, a diretora ressalta mais uma vez sua maior virtude: alimentar o que a história possui para além de uma primeira impressão. O filme se baseia numa história real e entrega para Jennifer o papel da esperta Ramona, uma mulher da noite que sabe utilizar muito bem seus dotes para conseguir o que quer - e não estou falando do corpão e da sensualidade capaz de derreter geleiras. É quando a grande crise econômica dos Estados Unidos explode que vemos como Ramona é capaz de articular planos para manter seu padrão de vida, mas sem perder de vista quem também passam por dificuldades (e elas vão ganhar muito, mas muito dinheiro num plano que é quase uma vingança em sentido amplo...), no entanto, a sabedoria do roteiro não lhe dá contornos de vilã, mas de uma anti-heroína que sabe articular bem o seu discurso para driblar a consciência de quem possa cair na sua lábia. Ramona só é coadjuvante porque o filme é centrado no olhar de Destiny (Constance Wu que está bem diferente do que vimos em Podres de Ricos/2018) sobre esta tramoia toda. Destiny é descendente de orientais, tem problemas para arranjar emprego e conseguir sustentar a família. Ela também é tímida demais para ganhar dinheiro ao começar os serviços como dançarina em uma boate para homens adultos e endinheirados. Pois é, esqueci de mencionar, As Golpistas é um raríssimo caso de filme sobre mulheres com pouca roupa que funciona muito bem, provavelmente porque a diretora está mais interessada nas entrelinhas da história do que em destacar o corpo de suas personagens. É verdade que o filme tem cenas sensuais de sobra, mas deixa sempre a impressão de não querer cair na vulgaridade desrespeitosa, tanto que a única cena de nudez total que aparece é de um homem (e a função é mais cômica do que sensual). Sem se preocupar em fazer um julgamento moral de suas personagens, o filme funciona como uma crônica marginal com personagens interessantes e um roteiro bem amarrado, redondinho e até comovente. J.Lo me fez chorar! Tudo porque me fez perceber que debaixo de tudo aquilo, existe a história de uma amizade  rumo à destruição. Surpreendente!

As Golpistas (Hustlers / EUA 2019) de Lorene Scafaria com Constance Wu, Jennifer Lopez, Julia Stiles, Mete Towley e Ema Batiz. ☻☻☻☻ 

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Na Tela: A Intrometida

Simmons e Susan: romance maduro. 

É sempre interessante quando cinema redescobre uma grande atriz. Susan Sarandon completará setenta anos no próximo dia quatro e deve comemorar em grande estilo já que recentemente conseguiu o seu melhor papel em muito tempo. Depois de passar mais de uma década em papéis triviais, finalmente lembraram que a atriz tem brilho suficiente para fazer de um filme simples um verdadeiro deleite. Em A Intrometida (nem vou comentar o quanto considero esse título equivocado) ela vive a descolada Marnie, um mulher que enviuvou recentemente e que não gasta o tempo lamentando a solidão. Ela sabe que com o dinheiro que o falecido deixou ela poderá viver confortavelmente por muito tempo, mas a maior preocupação da personagem é com a filha, a roteirista Lori (Rose Byrne), que anda não apenas preocupada com o trabalho, mas com o término do relacionamento com seu amado Jacob (Jason Ritter). Por conta desse momento complicado, a filha vive estressada com a mãe e acaba partindo para Nova York para dar uma guinada em sua vida. Sorte de Marnie que irá ocupar seus dias ajudando um rapaz que faz curso noturno, uma amiga da filha que pretende fazer uma cerimonia de casamento e, no meio de suas pequenas aventuras cotidianas, Marnie conhece o policial aposentado Zipper (J.K. Simmons) com quem a mútua atração torna-se crescente. No entanto, é com essa promessa de relacionamento que a protagonista terá de enfrentar alguns sentimentos que nem ela percebia que ainda precisam ser trabalhados em sua vida sentimental, afinal, estava ocupada demais tentando ajudar os outros a lidar com seus problemas. A cineasta Lorene Scafaria demonstra mais uma vez que consegue lidar com misturas de drama e comédia em suas narrativas de forma agradável (antes ela assinou Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo/2012), mas ao lado de Susan ela transforma A Intrometida num filme surpreendente dada a leveza com que aborda temas complicados como solidão, luto, relação mãe/filha e recomeços. Com o talento de sempre, Susan Sarandon faz de Marnie uma mulher madura bastante crível e que torna emocionante até o momento em que prepara pão com ovo! Com roteiro despretensioso e narrativa envolvente, o filme revela-se um grande acerto. 

A Intrometida (The Meddler/EUA-2015) de Lorene Scafaria com Susan Sarandon, Rose Byrne, JK Simmons, Cecily Strong, Lucy Punch e Jason Ritter. ☻☻☻

sábado, 12 de janeiro de 2013

DVD: Procura-se um Amigo Para o Fim do Mundo

Knightley, Sorry e Carrell: alguns sorrisos antes do apocalipse. 

As pessoas devem detestar muito o nosso mundo, afinal, todos resolveram especular sobre o seu fim. Além do apocalipse ser tema religioso, o cinema vez por outra se rende ao tema (especialmente Roland Emmerich). A coisa chegou a tal ponto que a temática parou de gerar somente blockbusters e começou a motivar produções mais sérias e intimistas como Melancolia/2011 de Lars Von Trier e até comédias românticas como este Procura-se Um Amigo para o Fim do Mundo. O filme de Lorene Scafaria (do superestimado Nick & Norah/2008) é tão simpático que o final, apesar de óbvio, consegue surpreender os espectadores mais otimistas (como este que vos escreve). Como o título indica, a solidão é um tema em pauta no roteiro. Dodge (Steve Carrell) está no carro com sua esposa quando o radialista confirma o fracasso da missão espacial que evitaria que um meteoro caísse na Terra e causasse o fim do mundo. Ele parece até conformado com a situação, até que a esposa desesperada fuja em direção a um lugar que ele não sabe qual é. A partir daí, a câmera acompanha Dodge em um mundo onde as coisas perderam o sentido (especialmente para ele que trabalha com a venda de seguros de vida). Enquanto alguns contem o desespero seguindo sua rotina diária (como a empregada de Dodge que continua limpando a casa como se o fim não se aproximasse ou o guarda de trânsito que continua cumprindo suas cotas de multas e detenções), outras pessoas aproveitam o clima de isenção de consequências (seja saqueando a casa dos outros ou fazendo uma festa com funcionários e clientes numa lanchonete). No entanto, quando Dodge se aproxima de sua vizinha riponga Penny (Keira Knightley, não a via tão confortável desde Orgulho e Preconceito/2005) o filme irá se concentrar em duas pessoas que tem objetivos um tanto românticos para seus últimos dias. Não se trata de se descobrirem almas gêmeas (que é a coisa mais forçada do filme, clara interferência dos produtores no resultado final), mas Penny quer visitar seus pais antes que tudo acabe (mas não pode devido a todas as passagens de avião terem se esgotado com o apocalipse eminente) e Dodge planeja reencontrar sua paixão de juventude. Os dois se ajudam e atravessam o país com a companhia de um cãozinho abandonado pelo dono (que tinha outras prioridades diante do fim), encontram tipos estranhos vividos por um elenco confiável (William Petersen, Adam Brody, Martin Sheen, Melanie Linskey, Patton Oswald...) e compõem um filme agridoce que lembra muito aquela música do Paulinho Moska. Mantendo o equilíbrio entre o cômico o dramático, Scafaria consegue criar uma pequena pérola sobre os tempos onde o contato físico com alguém acabou se tornando cada vez mais raro. Na comovente cena final, essa proximidade ainda parece ser a única satisfação diante do fim. Além da trilha sonora, outro destaque o filme é a atuação de Carrell, que já se tornou especialista nesse tipo de composição tragicômica de personagens. 

Procura-se um Amigo par o Fim do Mundo (Seeking a Friend for the End of the World/EUA-2012) de Lorene Scafaria, com Steve Carrell, Keira Knightley, Melanie Linskey, Adam Brody e Martin Sheen. ☻☻☻