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| Fatma e Marianne: sinistrices. |
domingo, 20 de setembro de 2026
PL►Y: Vestido Maldito
sexta-feira, 12 de junho de 2026
CICLO DIVERSIDADESXL: Apenas amigos
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| Josha e Majid: otimismo. |
domingo, 19 de outubro de 2025
PL►Y: Chained for Life
Aaron Schimberg estreou na direção com Go Down Death (2013) filme indie em preto e branco que não conseguiu muita repercussão com sua narrativa de contos macabros. Um tanto mais palatável foi seu segundo trabalho, Chained for Life (2018) que traz alguns elementos semelhantes com Um Homem Diferente (2024), que apareceu em algumas premiações do ano passado. Em comum, os dois filmes tem o ótimo trabalho de Adam Pearson, um ator inglês com neurofibromatose (uma doença genética que causa o crescimento de tumores benignos no tecido nervoso). Se no filme do ano passado Schimberg contou a história de um ator que se submete à um tratamento experimental para se curar da neurofibromatose e embarca em uma crise de identidade, em Chained for Life temos um filme dentro do filme sobre um grupo de pessoas com particularidades físicas que buscam tratamento em um hospital liderado por um médico em busca de métodos revolucionários. A protagonista do filme (e do outro filme) é Mabel (Jess Weixler), cuja personagem cega que interpreta convive com os outros personagens sem saber exatamente a aparência de quem a cerca. Ela começa a ter um relacionamento especial com Rosenthal (Adam Pearson) no filme e o mesmo acontece com os dois atores que se tornam cada vez mais próximos. Fosse o filme só isso já seria interessante, mas Schimberg não se contenta e começa a inserir outras narrativas na produção, o que pode deixar a trama um tanto confusa para alguns, mas que também deixa o deixa mais interessante ao brincar com a percepção que o espectador tem do que assiste na tela. Acho que nem vale a pena citar como tudo se desenrola para não atrapalhar as surpresas que o filme reserva no meio do caminho, seja uma história paralela, um final alternativo e até um acidente arrepiante durante as filmagens. Sem dúvida Aaron Schimberg é um diretor para se ficar de olho, especialmente pela forma desafiadora como trabalha questões vinculadas à aparência e a identidade em tempos em que a imagem se tornou uma verdadeira obsessão com suas harmonizações e filtros digitais. Tanto em Chained for Life quanto em Um Homem Diferente temos personagens que percebem suas aparências como uma marca de sua identidade, de quem se é de verdade. Ainda que a citação de início provoque com sua alusão à importância da aparência dos atores para seu oficio, a narrativa por vezes a vira isso do avesso no filme e nos caminhos criativos que os outros personagens sugerem no decorrer da história. No meio de tudo isso, Adam Pearson faz um trabalho realmente destemido. Acho muito interessante que ele tenha conquistado espaço no cinema após seu trabalho como o personagem mais tocante do gélido Sob a Pele (2013) e levando em consideração as intenções cada vez mais evidentes do cinema de Schimberg, ele se torna um muso sob medida. Chained for Life é um filme difícil de classificar por sua mistura de gêneros, o que não impede que seja muito interessante ainda que seu último ato seja menos interessante do que deveria.
Chained for Life (EUA - 2018) de Aaron Schimberg com Jess Weixler, Aaron Pearson, Charlie Korsmo, Sari Lennick, Stephen Plunkett, Frank Mosley e Joaquina Kalukango. ☻☻☻☻
domingo, 3 de agosto de 2025
PL►Y: O Ano de 1985
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| Cory: fantasmas dos anos 1980. |
Ao final de 1985, Adrian Lester (Cory Michael Smith) resolve passar as festas de fim de ano ao lado da família que não visita há algum tempo. Obviamente que o retorno ao lugar que o viu crescer o fará reencontrar questões que fizeram parte de sua história e construção como indivíduo. Estão no mesmo lugar a religiosidade da família, a rigidez do pai (Michael Chiklis), a submissão da mãe (Virginia Madsen), a versão adulta do garoto que o perseguia na escola (Ryan Piers Williams), a amiga de infância (Jamie Chung) que não conversa com ele faz tempo... se tem alguma coisa que mudou naquele cenário é o irmão caçula, Andrew (Aidan Langford), que está prestes a entrar na adolescência e desenvolver seu próprio gosto pessoal - ainda que isso inclua gostar de ouvir Madonna para o horror de seu pai conservador. Apesar de toda educação e desenvoltura, Adrian está visivelmente desconfortável e nos momentos em que que está afastado da família, demonstra que tem algumas questões que ainda não consegue conversar com eles. Não é por acaso que o filme é ambientado em 1985, também não é ao acaso que toda hora alguém menciona um amigo chamado Leo que vive em Nova York, o fato é que O ano de 1985 é mais um filme que aborda as dificuldades em lidar com o surgimento da AIDS. Só que do macrouniverso que vimos em outras produções, este aqui parte para o microuniverso e a dificuldade de ser você, mesmo diante das pessoas que mais deveriam te amar num mundo cheio de preconceitos. Dirigido pelo malaio Yen Tan, O ano de 1985 é uma espécie de versão mais contida de É Apenas o Fim do Mundo, peça de Jean-Luc Lagarce que se tornou filme pelas mãos de Xavier Dolan em 2016, dois anos antes do lançamento desta produção independente pouco conhecida, mas que figurou em várias listas de melhores filmes daquele ano. Muito se deve ao tom discreto da narrativa bastante sugestiva impressa pelo diretor, que ficou ainda mais mais valorizada com a fotografia em preto e branco que ao remete mais ainda à ideia de luto em um mundo em que as cores foram banidas. No entanto, o maior mérito da produção é Cory Michael Smith, um excelente ator que ficou conhecido pelo seu trabalho como o Charada da série Gotham, mas que já entregou performances memoráveis em sua carreira (sempre lembro dele como o aluno depressivo de Olive Kitteridge/2014 e recentemente ele encarnou Chevy Chase em Saturday Night/2024). O moço é um destes atores que impressionam sem precisar fazer muito e que mereciam mais atenção do público e da crítica. Sem a sensibilidade impressa por ele no personagem, o filme perderia vários degraus da intensidade que evoca. Vale destacar também o trabalho de Virginia Madsen no papel da mãe que é mais esperta do que pensam (aquela cena de despedida no carro é uma das coisas mais lindas e singelas que já vi). Disponível no Filmicca, o filme merece ser descoberto.
O Ano de 1985 (1985 / EUA - 2018) de Yen Tan com Cory Michael Smith, Virginia Madsen, Michael Chiklis, Jamie Chung, Aidan Langford e Michael Darby. ☻☻☻☻
segunda-feira, 25 de novembro de 2024
PL►Y: Charlotte quer se Divertir
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| Alex e Marguerite: guerra dos sexos na loja de brinquedos. |
Charlotte (Marguerite Bouchard) é uma adolescente de 17 anos que planeja ter sua primeira noite de amor com o namorado. Ela se preparou bastante para este momento, só que não acontece nada como o esperado. Decepcionada, ela conta com suas melhores amigas Mégane (Romane Denis) e Aube (Rose Adam) para consolar e passar o tempo fumando, bebendo e usando substâncias ilícitas. Só que as três percebem que passar o tempo fazendo isso não as levará a lugar algum. Em busca de dinheiro extra, as três resolvem se inscrever para vagas de emprego em uma loja de brinquedos e ficam muito animadas quando as três são chamadas para trabalhar. Se ganhar um dinheiro extra pode ser interessante, Charlotte acha ainda mais interessante os rapazes que trabalham por lá. Disposta a provar para si mesma que é uma garota desejável, ela resolve não desperdiçar a chance de se envolver com quem lhe parecer interessado. Não chega a ser algo planejado, mas movida pelo estranho sentimento de rejeição, ela se aproveita do interesse que todos os rapazes nutrem por ela, ainda que ela tenha uma predileção por Antoine (Alex Godbout). O problema é quando todo os funcionários começam a comentar o jeito, digamos, "liberal" de Charlote levar sua vida sexual. Ela descobre então da pior forma que os parâmetros para lidar com a liberdade sexual é completamente diferente quando se trata de moças e rapazes. Além de ter que lidar com as piadinhas entre os meninos e a rejeição das colegas de trabalho, Charlote começa a elevar a guerra dos sexos no local de trabalho a outros patamares. Este filme canadense dirigido por Sophie Loráin com roteiro de Catherine Léger é uma delícia de assistir! Especialmente pela forma esperta como subverte as expectativas do espectador que imagina estar diante de mais uma história de adolescentes com hormônios doidos para iniciar a vida sexual, este é apenas um ponto de partida para um roteiro bem construído sobre modelos de comportamento que são utilizados para disfarçar sentimentos que são bem mais complicados de lidar - o que não deixa de ser uma forma de viver (ou adiar) o próprio amadurecimento (não por acaso a trama é ambientada em uma loja de brinquedos e os adultos são aparições raras ao longo da história). Existem momentos muito divertidos, como aqueles em que todos começam a aderir a alguma campanha para arrecadar fundos junto aos clientes da loja, o momento em que Mégane percebe que recebe apenas dez dólares por hora trabalhada ou quando se descobrem os joguinhos de sedução entre os colegas de trabalho. O elenco atua em uma sintonia perfeita, mas deixa o destaque para Marguerite Bouchard que está ótima na pele da protagonista. Fazendo pensar sobre a forma como o discurso de liberação sexual feminino continua sendo mais aceito no campo do discurso do que na prática e, ainda assim, provocando risadas na plateia, Charlotte Quer Se Divertir se torna uma verdadeira pérola escondida no catálogo da Filmicca. Além de toda a sua eficiência narrativa, o filme ainda conta com um dos créditos finais mais irresistíveis da história do cinema. Vale a pena procurar.
Charlotte Quer se Divertir (Charlotte a du Fun/ Canadá - 2018) de Sophie Lorain com Marguerite Bouchard, Romane Denis, Rose Adam, Alex Godbout, Audrey Roger, Vassili Schneider, Claudia Bouvette, Nicolas Fontaine e Alexandre Cabana. ☻☻☻☻
quinta-feira, 12 de setembro de 2024
CICLO VERDE E AMAELO: Morto Não Fala
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| Daniel e seus fantasmas: falando com gente morta. |
segunda-feira, 4 de setembro de 2023
CICLO VERDE E AMARELO: Temporada
Juliana (Grace Passô) acabou de ser aprovada para um concurso público de agente de saúde. Ela irá trabalhar no combate a endemias na periferia de Contagem na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Ela então se organiza para deixar a sua cidade, Itaúna, para começar uma nova fase em sua vida. Visivelmente apreensiva diante da mudança, ela arruma um lugar para ficar e se organiza para que em breve o esposo venha morar com ela, afinal, ele já queria sair do emprego e recomeçar em outro lugar. Juliana é de poucas palavras, mas aos poucos começa a estreitar seus laços com os colegas de trabalho e deixar se levar pela jornada que se anuncia. Porém, ela nem imagina que a temporada em que vive sozinha em Contagem irá render mais mudanças do que imagina. Dirigido por André Novais Oliveira, o filme reza direitinho na cartilha da produtora Filmes de Plástico, do qual ele é um dos sócios fundadores, e entrega um filme que parece um recorte da vida de uma personagem real. A câmera por vezes parece escondida e registrar um documentário da realidade daqueles profissionais, a visita aos quintais que mal cuidados, as precauções para não serem surpreendidos por um escorpião, as cotas de trabalho, os dias de chuva, os moradores nem sempre bem humorados que os recebem... esses elementos servem para oferecer um tempero a mais no desenvolvimento da nova fase na vida da protagonista que tem lá suas cotas de dramas pessoais a superar. Lidando com as tristezas e alegrias do cotidiano da personagem, o filme possui uma atmosfera otimista e não perde o bom humor mesmo quando as situações poderiam render situações melodramáticas. Em um elenco em sintonia perfeita, emerge a atuação brilhante de Grace Passô (eleita melhor atriz no Festival de Brasília) como uma mulher em reconstrução que aceita os novos desafios que aparecem em sua vida sem medo de assumir a direção da própria vida. Embora o filme perca um pouco do ritmo em sua meia hora final, Temporada consegue a proeza de ser realista sem soar artificial. O ideal de recriar diante de uma câmera a vida real funciona nas mãos do cineasta André Novais que apresenta aqui seu segundo longa metragem (fiquei até curioso em procurar o primeiro, Estado de Sítio/2011). Assim como no cotidiano de uma pessoa comum, eu me emocionei e sorri perante a vida dos personagens que surgem na tela. Com paisagens nada idílicas, personagens de vidas simples, sem luxos e grana curta, o filme constrói uma verdadeira joia do cinema nacional escondida no catálogo da Netflix.
Temporada (Brasil/2018) de André Novais Oliveira com Grace Passô, Russo APR, Rejane Faria, Hélio Ricardo, Juliana Abreu e Renato Novaes. ☻☻☻☻
domingo, 9 de julho de 2023
PL►Y: Em Trânsito
Georg (Franz Rogowski) tinha a missão de guiar um escritor para fora da França após a ocupação fascista por lá. O escritor planeja ir para o México com sua esposa e devido a um imprevisto, Georg acaba assumindo a identidade do escritor perante a embaixada. O que era uma missão, acaba se tornando um plano para fugir do continente europeu antes que o regime totalitário impeça de vez a saída de países em que chega ao poder. Nem tudo sai como o planejado para Georg. Além de ter que convencer que é de fato o tal escritor, Georg ainda precisa provar que não representa uma ameaça para o regime a sua saída de Marselha. Como se isso não bastasse, uma mulher vive cruzando o seu caminho, Marie (Paula Beer). Embora esteja acompanhada de seu amante, Richard (Godehard Giese), ela está desesperada na busca por seu esposo, que estava sumido, mas agora ela recebeu a notícia de que ele está na cidade em busca de sua autorização para sair da Europa. Em Trânsito foi considerado o Melhor Filme do Festival de Berlim em 2018, levando o Urso de Ouro para casa com uma história sem época definida, que remete ao passado, mas que, infelizmente, também pode apontar para o futuro. O diretor Cristian Petzold embaralha a história de seus personagens que estão em rota de fuga, mas que por algum motivo sempre ficam presos no lugar em que estão, a sensação é que estão prestes a testemunhar o pior que está por vir. Obviamente que o filme remete diretamente a ascensão de Hitler na Alemanha e a sensação de desespero de quem desejava estar bem longe dali enquanto a escalada totalitária só crescia, mas Petzold faz questão de não localizar sua trama no tempo, denotando que aquela situação ainda é uma ameaça em qualquer período. Franz Rogowski está ótimo mais uma vez em cena, assim como Paula Beer, numa química sutil que repetiriam em Undine (2020) do mesmo diretor, e aqui também paira sobre os dois a sensação de que toda a história de amor que poderiam viver está fadada ao fracasso desde o início. No entanto, conforme caminha para o desfecho, Petzold acentua isso quando acreditamos estar próximos de um final feliz e o destino revela algo que só aumenta a culpa do protagonista. Não por acaso, Petzold apresenta o filme como a última parte de uma trilogia chamada Amor em Tempo de Sistemas Opressores, que é formado por Barbara (2012) e Phoenix (2014). Em Trânsito, com sua estética contemporânea e seus romances perdidos atemporais, prende a atenção ao reconstruir um pesadelo histórico que desejamos que seja algo preso somente ao campo da ficção.
Em Trânsito (Transit - Alemanha/2018) de Christian Petzold com Franz Rogowski, Paula Beer, Godehard Giese, Maryam Zaree, Lilien Batman, Sebastian Hülk e Alex Brendemühl. ☻☻☻☻
quinta-feira, 15 de junho de 2023
CICLO DIVERSIDADESXL: Faca no Coração
quarta-feira, 7 de junho de 2023
PL►Y: As Ceifadeiras
Ambientado na África do Sul, o filme nos apresenta Janno (Brent Vermeulen), um adolescente que cresceu na região de Free State, um reduto de minoria étnica branca denominada Afrikaans. A rotina da localidade é essencialmente agrícola e ditada pelo conservadorismo. A masculinidade pautada pela força fica bastante evidente pela presença de Jan (Mornée Visser), o pai de Janno e a religiosidade é representada pela fé de Marie (Jualiana Venter), a mãe, que percebe a vida como um conjunto de provas que irão lhe reservar um lugar no paraíso. A rotina da família, que é ainda composta por meninas pequenas, se divide entre o trabalho nas plantações, orações e igreja. A situação muda quando Marie e Jan acolhem Pieter (Alek van Dyk) que estava em situação de vulnerabilidade social acentuada. Ele não conheceu os pais, se tornou usuário de drogas e sofria situações inimagináveis quando vivia nas ruas. Existe um alto contraste entre os dois jovens rapazes da casa. Janno é bastante sensível, dotado de responsabilidades e uma certa melancolia. Pieter é rebelde, arredio e com uma certa dificuldade em aceitar regras. No entanto, Marie percebe no filho um cúmplice na transformação que a vida do novo membro da família pode ter e lhe pede ajuda sempre que possível. Conforme os dois meninos se aproximam, um percebe no outro traços que revelam que eles possuem mais coisas em comum do que imaginam. As Ceifadeiras marca a estreia do sul-africano Etienne Kallos na direção de longa-metragens e ganhou destaque no Festival de Cannes na mostra Un Certain Regard que o colocou na lista de concorrentes à Camera D'Or destinada aos cineastas estreantes. Desenvolvido de forma lenta e contemplativa, o filme sugere aqui e ali a forma como os dois adolescentes lidam com a sua história pessoal e a sexualidade. Este último aspecto gerou polêmica no lançamento do filme. Se a sexualidade de Janno se torna sufocada pela religiosidade de sua comunidade, a de Pieter revela-se de forma muito mais agressiva, por vezes pelo viés de situações em que é jovem demais para perceber o quanto é explorado. Existe aqui um peso da fé muito grande sobre os personagens, não apenas sobre os dois meninos, mas sobre os pais, o que só amplia a força de algumas verdades quando reveladas. É um longa que se desenvolve aos poucos, com bela fotografia e bom trabalho de seus atores, sobretudo de Brent Vermeulen em um personagem bastante introspectivo e que o jovem ator encontra a exata medida de suas emoções. Curiosamente, no terceiro ato uma sensação de fraternidade emerge da narrativa e torna o filme ainda mais doloroso.
As Ceifadeiras (Die Stropers/África do Sul - França - Grécia - Polônia / 2018) de Etienne Kallos com Brent Vermeulen, Alek van Dyk, Juliana Venter, Mornée Visser, Erica Wessels e Danny Keogh. ☻☻☻☻
quinta-feira, 27 de abril de 2023
PL►Y: Girl
Com a estreia de Close (2022) na Mubi, procurei novamente o primeiro filme do cineasta Lukas Dhont na Netflix (e lá estava ele, faz tempo na minha lista de programas a assistir). Girl foi a estreia do diretor belga, que recebeu quatro indicações ao European Film Awards, foi indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro e sua estreia no Festival de Cannes foi mais do que promissora, recebendo três prêmios no festival mais famoso do mundo (um prêmio de atuação para o ator Victor Polster na mostra paralela, a Queer Palm e o Golden Camera para o diretor estreante). Tantos elogios não evitaram algumas polêmicas por colocar um ator cis para viver uma adolescente trans que sonha ser uma grande bailarina no mesmo período em que está prestes a fazer sua cirurgia de adequação sexual. Existe toda uma discussão sobre escalar atores LGBTQIA+ para viver papeis correspondentes no cinema em nome da representatividade, mas o fato de ter um artista cis como protagonista invalida os méritos da obra? Levando a reflexão que o filme proporciona e o bom trabalho de Victor Polster na pele de Lara, considero que o filme merece uma chance (os produtores testaram mais de 500 adolescentes, sem especificação de gênero e somente Victor deu conta de dançar e defender a personagem com a mesma desenvoltura). O filme é baseado em uma história real (e a bailarina no qual o filme se baseia demonstrou bastante satisfação com a obra) e Lukas Dhont já demonstra bastante sensibilidade para contar uma história complicada. Enquanto a família parece lidar bem com a transição de Lara, parece que decisão de viver com o pai (Arieh Worthalter) e o irmão (o pequeno Oliver Bodart) em outra cidade em nome de "uma nova vida" não parece ter o efeito esperado. Não faltam situações constrangedoras na convivência com as colegas de escola e das aulas de ballet. Se existe um esforço descomunal para se tornar bailarina, para Lara a coisa parece se complicar ainda mais por conta de ter que aprender toda uma nova forma diferente de se movimentar da que aprendeu anteriormente em sua antiga identidade. A forma como Lara rejeita os atributos masculinos de sua anatomia são apresentadas várias vezes durante o filme em cenas que ilustram muito bem a sensação de disforia de gênero vivenciada pela protagonista (e tem uma cena junto com algumas meninas que se torna um verdadeiro marco das humilhações que a personagem vivencia). Aos poucos Lara se torna cada vez mais instrospectica, problemas físicos começam a aparecer e comprometem sua cirurgia. Embora o filme tenha uma fotografia quase idílica a maior parte do tempo, Dhont capricha no tom vertiginoso para demonstrar todo esforço da personagem para provar aos outros o que se é. A sensação de inadequação (e cansaço) se intensifica ao ponto que uma ação chocante surja no roteiro. Polêmicas a parte, Girl é uma bela estreia e já demonstra o quanto Lukas Dhont está alinhado com questões pertinentes de seu tempo.
sábado, 15 de abril de 2023
PL►Y: Nos Corredores
Figurando entre os atores europeus mais badalados da atualidade, o alemão Franz Rogowski já foi até citado como uma espécie de irmão mais novo do americano Joaquin Phoenix, os dois realmente possui uma semelhança física para além de uma cicatriz, mas também por conta do gosto por viver personagens diferentões. Eu conheci Rogoswki no excelente Great Freedom/2021 (que o colocou entre as melhores interpretações masculinas de 2022 aqui do blog), filme que está na Mubi assim como outros filmes estrelados por ele. Nos corredores (ou In The Aisles) é um desses e chama atenção principalmente pelo lugar que escolhe de ambientação para sua história: um supermercado. Rogowski vive Christian um jovem de poucas palavras (e muitas tatuagens) que é contratado para ser repositor do corredor de bebidas de um grande supermercado. Ele logo ganha a simpatia do funcionário mais antigo do setor, Bruno (Peter Kurth) que será responsável por lhe ensinar as tarefas do setor lhe dará dicas preciosas no manejo complicado da empilhadeira. Se aos poucos o colega de trabalho se torna uma espécie de figura paterna para Christian, aos poucos ele começa a se interessar por sua colega do corredor vizinho, a sensível Marion (Sandra Hüller que parece a prima alemã da Cate Blanchett) responsável pela sessão de doces. Logo os dois percebem que a recíproca é verdadeira e desenvolvem uma relação platônica com alguns complicadores que irão afetar a relação de ambos com o espaço de trabalho. O mais interessante é como perante a ambientação e os personagens que tem em mãos, o roteiro se torna cada vez mais gracioso, no entanto, o diretor Thomas Stuber opta por filma-lo sem enfeites, de forma lenta e um tanto seca, o que não impede de criar um universo interessante por si só perante aquele mundo particular. Ainda que gere reflexões variadas sobre a relação das pessoas com seu local de trabalho, Nos Corredores demonstra como aquele universo se torna uma espécie de mundo paralelo para os personagens. Existem alguns detalhes da vida fora do trabalho dos personagens que servem apenas para sugerir como naquele espaço eles vivem outras personas, demarcadas até por níveis de status e importância que aos poucos se demonstra cômoda e segura, sem esquecer do afeto construído entre os membros daquele grupo que, por vezes desequilibram a comodidade vivida antes. A ambientação em um supermercado funciona então como a ideia de organização daquele espaço, mas também em momentos em que os personagens subvertem algumas regras do local (incluindo as cenas sobre o que é descartado, com direito até a uma ceia de natal). A fotografia que ressalta os tons de amarelo destacam um certo elemento de fantasia na forma como a história é conduzida (e em dado momento imaginei como seria o filme em uma versão americana feita por Wes Anderson) e a última cena (tão terna e sutil) só reforça este fator. Delicioso em sua originalidade, Nos Corredores é uma grata surpresa.
Nos Corredores (In den Gängen/Alemanha - 2018) de Thomas Stuber com Franz Rogowski, Sandra Hüller, Peter Kurth, Andreas Leupold e Matthias Brenner. ☻☻☻☻
domingo, 23 de outubro de 2022
FILMED+: Entre Tempos
quarta-feira, 31 de agosto de 2022
PL►Y: Como ser Malvada
Construir a identidade é uma das coisas mais difíceis na vida do ser humano. Tentar encontrar aquele equilíbrio entre o que se quer, o que se pode e o que não de deve fazer... articular o que te ensinaram com o que você deseja, saber lidar com as relações de forma a aceitar o que não pode ser alterado e seguir em frente... enfim, parece complexo demais (e é, haja terapia...) mas o filme alemão Como ser Malvada consegue trabalhar algumas destas questões naquela fase em que a construção de quem se é começa a se tornar mais latente no indivíduo: a adolescência. No entanto, para ficar diferente da maioria dos filmes do gênero, a produção utiliza um toque de fantasia que funciona melhor do que se imagina ao colocar no centro da narrativa a filha do coisa ruim, sim, isso mesmo, uma herdeira do inferno, a filha de Lúcifer é uma das personagens principais do filme. Como os tempos mudaram o anjo caído (vivido pelo veterano Samuel Finzi) agora administra uma empresa em que acompanha as maldades que andam fazendo por aí (e haja funcionários para isso) e no meio de tudo, sua filha, Lilith (Emma Bading) funciona como uma espécie de aprendiz (lidando com tretas online, claro). No entanto, ela quer fazer algo mais prático e importante. Como ela ainda é jovem, o pai não confia muito em suas habilidades e, afim de que ela fracasse, a manda para uma tarefa quase impossível: transformar a doce e educada Greta (Janina Fautz) em uma garota malvada. Lilith acha que vai tirar a lição de letra, mas vinda de uma família humilde e com uma paciência de Jó, Greta lhe dá muito mais trabalho do que imagina. Nada parece capaz de tirar a menina do sério. Das recorrentes humilhações que passa na escola, passando por sua total invisibilidade perante aos olhos dos meninos e a aceitação plena das ordens de seus pais, Greta realmente parece merecer o céu. Mas a que preço? Enquanto a novata Lilith começa a criar atritos na escola, o filme começa a mergulhar em um campo muito interessante ao fazer pensar que a passividade tem um preço e ele pode ser bastante alto se você não tiver um pouquinho de malícia para se impor no mundo e, não por acaso, Greta e Lilith (em saboroso contraste nas atuações) se tornam amigas e a influência de uma sobre a outra começa a provocar alguns efeitos inesperados. Obviamente que Como ser Malvada tem um bocado de ingenuidade, mas funciona ao criar uma história sobre crescimento que foge um pouquinho do óbvio, além de deixar as duas personagens principais em torno do mesmo dilema: até que ponto vale a pena agradar os pais e esquecer o que se quer. Essa construção identitária entre ser o que você é com o que os outros esperam que você seja nutre o desfecho do filme e, de certa forma, deixa claro que até os bonzinhos precisam extrapolar de vez em quando (e os malvados baixar a guarda quase sempre). O filme está perdido no imenso catálogo da Netflix (com o nome original em alemão, o que dificulta bastante a busca por aqui, e merece uma olhada!
Como ser Malvada (Meine teuflisch gute Freundin/Alemanha - 2018) de Marco Petry com Emma Bading, Janina Fautz, Ludwig Simon, Samuel Finzi, Emilio Sakraya, Oliver Korittke e Thomas Klemens. ☻☻☻
domingo, 31 de julho de 2022
PL►Y: A Professora do Jardim de Infância
Assistindo à interpretação de Maggie Gyllenhaal em A Professora do Jardim de Infância, eu só lembrava de sua estreia na direção com A Filha Perdida (2021). Se no antológico Secretária (2002) a atriz de rosto meigo já demonstrava sua atração por personagens complexos em seus trabalhos como atriz (o que deixa o contraste ainda mais interessante), com sua estreia atrás das câmeras, demonstrou também extrema habilidade narrativa emoldurando este tipo de protagonista (tanto que foi indicada ao Oscar pelo roteiro adaptado do livro de Helena Ferrante). Caso o roteiro caísse nas mãos dela hoje em dia, provavelmente a Maggie iria tentar fazer deste seu novo projeto na direção. Desculpe se daqui em diante possa aparecer alguns SPOILERS. Não sei se é apenas na minha cabeça, mas enxergo um bocado de semelhanças entre os dois filmes. A primeira delas é que ambas tratam de professoras. A segunda é que ambas estão visivelmente insatisfeitas. A terceira é que a relação que possuem com os filhos vai de mal a pior. A quarta é que eu não ficaria surpreso se a personagem de Olivia Colman fizesse exatamente o que a de Maggie neste aqui se tivesse a chance - e existem semelhanças nos desdobramentos reservados ao roteiro sobre o "sequestro" de algo importante. Vamos à história: Lisa Spinelli (Maggie Gyllenhaal) é a professora do título que parece ter deixado de achar graça no trabalho. A vida em família também não anda muito empolgante. Por debaixo de toda a rotina, percebe-se que existia uma mulher com grandes ambições literárias que foram silenciadas ao longo do tempo e das obrigações que ele trouxe. Sua vida recebe uma luz diferente quando ela descobre em sua sala um menino de cinco anos capaz de fazer poesias espontaneamente. Lisa fica fascinada com a forma como o garotinho diz seus pensamentos de forma poética e tenta contar com a ajuda da babá dele para descobrir outras preciosidades que ele possa recitar ao longo do dia. Jimmy (Parker Sevak) é um menino comum, que não recebe muita atenção da família, mas que aos poucos Lisa começa a construir uma verdadeira obsessão. Admiradora das criações do menino, ela começa a ter atitudes cada vez mais radicais em nome do talento que enxerga nele, mesmo que isso possa custar tudo o que construiu até ali. A diretora Sara Colangelo utiliza o encontro destes dois personagens em fases de vida completamente diferentes em suas vidas para que a professora comece a entrar em conflito com o que construiu em sua vida e os desejos que tinha para si. Diante das suas atitudes cada vez mais desesperadas existe um tanto de fazer o que se pode para preservar o talento do menino, mas também um tanto de medo de cair no abismo que ela mesmo construiu para si perante o pragmatismo da vida adulta. A Professora do Jardim de Infância é um destes filmes aparentemente simples que se torna mais interessante quando notamos o que está em suas entrelinhas, e estas são escritas com maestria por Maggie em um dos melhores trabalhos de sua carreira de atriz.
A Professora do Jardim de Infância (The Kindergarten Teacher/ EUA - 2018) de Sara Colangelo com Maggie Gyllenhaal, Gael Garcia Bernal, Michael Chernus, Parker Sevak e Sam Jules. ☻☻☻☻
domingo, 10 de julho de 2022
PL►Y: A Queda do Império Americano
O cineasta canadense Denys Arcand possui dois filmes premiados e fundamentais em sua carreira: O Declínio do Império Americano (1987) e As Invasões Bárbaras (2003). O primeiro ajudou a colocar o nome do diretor no mapa cinéfilo mundial e lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Filme Estrangeiro com a história de um grupo de amigos intelectuais que se reúne para passar alguns dias juntos e discutirem sobre os relacionamentos modernos nos anos 1980 em plena ressaca da liberação sexual. O título com pinta de tese de doutorado escondia uma comédia astuta que brincava com o conservadorismo dos Estados Unidos (e de Hollywood) enquanto seus personagens falavam de sexo quase o tempo todo. Dezessete anos depois, o mesmo grupo de amigos se reúne em uma realidade completamente diferente. Envelhecidos e com problemas com casamentos, filhos e doenças, As Invasões Bárbaras eleva à enésima potência a popularidade do primeiro filme, foi premiado como o melhor roteiro e melhor atriz (Marie-Josée Croze) no Festival de Cannes daquele ano. No total foram cinquenta prêmios internacionais, que inclui ainda o Oscar de Filme Estrangeiro, porém, desde então, a carreira de Arcand perdeu fôlego. Realizo este retrospecto só para dizer da sensação enganosa que é ver seu último filme, A Queda do Império Americano (2018) ostentar este título e não ter relação alguma com os dois filmes anteriores. Pode ser apenas uma provocação com seus fãs ou apenas a necessidade de chamar atenção para um filme que é interessante de assistir, mas que está bem distante do auge criativo do cineasta. A trama conta a história de Pierre (o bom Alexandre Landry), um entregador que dá o azar de estar na hora errada no lugar errado e presenciar um assalto desastroso. Como o assalto dá errado, ele vê a chance de levar para casa uma mala cheia de dinheiro, mas não faz a mínima ideia do que fazer com tudo aquilo sem chamar atenção das autoridades. Ele acaba contratando um ex-presidiário (Remy Girard) para lidar com a grana e um contador inescrupuloso (Pierre Curzi) para enviar tudo para um paraíso fiscal. Paralelo a isso, existe uma investigação para encontrar o dinheiro desaparecido e as ações dos bandidos dispostos a encontrar o que consideram ser deles de direito. Arcand mistura tudo isso e cria uma comédia politicamente incorreta um tanto irregular, mas que prende a atenção do espectador que torce para que o protagonista de bom coração se dê bem no final da trama. Neste ponto, vale destacar o talento e carisma de Landry, que deixa um personagem sem sal ser digno de torcida ao lado dos veteranos Girard e Curzi (que aparecem nos outros filmes citados do cineasta citados acima). Seria maldade não mencionar a vida romântica do rapaz ao precisar lidar com todas as suspeitas que pairam sobre a prostituta de luxo vivida por Maripier Morrin. Embora esteja longe de estar entre os melhores filmes de Arcand, pelo menos o filme consegue ser mais atraente do que seus antecessores, A Era da Inocência/ 2007 e O Reino da Beleza/2014 (que tinham mais pompa e menos graça), o que não impede que A Queda do Império Americano esteja esquecido no catálogo da Netflix há algum tempo.
A Queda do Império Americano (La chute de l'empire américain / Canadá - 2018) de Denys Arcand com Alexandre Landry, Maripier Morrin, Remy Girard, Pierre Curzi e Vincent Leclerc. ☻☻☻
sexta-feira, 10 de junho de 2022
CICLO DIVERSIDADESXL: Canário
domingo, 30 de janeiro de 2022
PL►Y: O Banquete
O Banquete (Brasil/2018) de Daniela Thomas com Drica Moraes, Mariana Lima, Caco Ciocler, Rodrigo Bolzan, Fabiana Gugli, Chay Suede, Gustavo Machado, Bruna Linzmeyer e Georgette Fadel. ☻☻
segunda-feira, 22 de novembro de 2021
PL►Y: Piedade
O cinema grego pode ser considerado um dos mais interessantes do cinema atual, mas também carrega consigo a pecha de um dos mais estranhos do mundo. O motivo disso é a chamada "nova onda" construída por cineastas do país, basta ver como Yorgos Lanthimos estava prestes a se tornar mundialmente conhecido com a indicação ao Oscar por Dente Canino (2009), ou os prêmios que Miss Violência (2013) recebeu ainda que causasse protestos pela frieza com que contava uma rotina de abusos e até a poesia encontrada no recente Fruto da Memória (2020) que merecia uma vaguinha no Oscar de filme estrangeiro deste ano. É daquela terra de deuses e filósofos que também veio Piedade, outro longa com críticas sociais partindo de uma premissa que beira o absurdo e, talvez por isso mesmo, se torna tão contundente. O filme conta a história de um advogado (Giannis Drakopoulos) que vê a esposa (Evis Saoulidou) em coma já a algum tempo. Sua rotina de trabalhar, cuidar do filho e do cachorro começa geralmente com um choro pela manhã. Nesta rotina, o protagonista repete várias vezes a triste situação que se abateu sobre a família, recebendo mensagens de incentivo de quem cruza seu caminho, olhares de solidariedade e até bolos matinais de uma vizinha compadecida. No entanto, toda esta tristeza constrói um verdadeiro vício no personagem, que passa a utiliza-la como algo constituinte de sua própria identidade (tanto que ele proíbe ao filho tocar músicas alegres ao piano, afinal, vai que os vizinhos acham que eles podem estar felizes). Esta exacerbação da lógica do "coitadinho" recebe contornos ainda mais irônicos depois que sua esposa começa a se recuperar e o que era para trazer alegria, coloca sua rotina em risco, logo ele percebe que toda aquela tristeza precisa ser mantida para que ele continue recebendo o apoio a que se acostumou nos últimos tempos. Deste ponto em diante, o protagonista passa a construir suas próprias tragédias para que a piedade permaneça em seu universo, ainda que para isso ele siga um caminho cada vez mais doentio e que resvala num desfecho chocante que destoa do que vimos ao longo do filme. Misto de drama, comédia e suspense, o filme é pontuado por frases bem marcadas sobre a interpretação que este personagem possui sobre a piedade e leva a marca das interpretações minimalista lavadas de emoção (marca característica do cinema grego recente), que permite as situações falarem por si, curiosamente flertando com a tragédia e a comédia mais obscura. Enquanto a plateia rir nervosa, o cinema grego funciona que é uma beleza!
Piedade (Oiktos / Grécia - 2018) de Babis Makridis com Giannis Drakopoulos,, Makis Papadimitriou, Tzortzina Hryskioti, Evdoxia Androulidaki, Costas Xikominos e Costas Kotoulas. ☻☻☻☻
















