domingo, 29 de outubro de 2023
#FDS Pablo Larraín: Neruda
sábado, 28 de outubro de 2023
#FDS Pablo Larraín: Ema
Ema (Mariana Di Girolamo) é uma dançarina que está em crise pessoal. Tudo indica que a crise teve início quando seu desejo de ser mãe encontrou um grande obstáculo quando descobriu que seu marido, Gastón (Gael Garcia Bernal), um artista performático, era estéril. Os dois resolveram então adotar um menino nas portas da adolescência, só que Ema teve que enfrentar suas próprias frustrações diante da maternidade através de um menino que não nasceu de seu ventre. Após uma sucessão de acontecimentos, ela decidiu devolver o menino para o lar adotivo de onde o tirou. Só por esse trecho, percebe-se a sensação de fracasso pessoal que paira sobre a personagem e ela é ampliada ainda mais pelo julgamento de todos os personagens que estão ao seu redor, especialmente de sua família que foi diretamente afetada por uma das atitudes do menino. No entanto, com a cabeça mais arejada, Ema sente um grande arrependimento e percebe que fez errado ao desistir do menino quando na verdade deveria tê-lo acolhido. Por outro lado, conforme avança a narrativa de Ema, percebemos que as atitudes controversas do garoto (que não aparece na maior parte do filme) refletem muito do casal que o escolheu para compor um lar. São essas complexidades que tornam o filme de Pablo Larraín um verdadeiro quebra-cabeças, que conforme as peças vão se juntando alcança um retrato no mínimo doentio de sua protagonista. Ela demonstra ter uma relação bastante complicada com todos que estão ao seu redor e não mede esforços para envolver outros personagens em sua jornada para reaver o filho que deixou para trás. O curioso é que o diretor faz questão de não explicar muito ao espectador sobre o que está acontecendo, deixando que ele descubra o que se passa na história conforme tenta encaixar as cenas aleatórias ao longo da sessão. A presença de uma assistente social esperta (a ótima Catalina Saavedra), uma advogada insatisfeita (Paola Gianini) e um bombeiro bonitão (Santiago Cabrera) se tornam peças importantes para o rumo que a trama irá tomar, da mesma forma que o interesse da personagem título por fogo revela muito sobre sua personalidade incendiária. No entanto, embora o roteiro esteja cheio de situações para desenvolver e o diretor invista cada vez mais numa estética moderninha (com cenas de dança, projeções e luzes neon), falta ao casal protagonista a energia para carregar tudo isso nos ombros. Mariana di Girolamo nitidamente não sabe muito bem o que fazer com toda a complexidade de Ema, assim como Gael parece disposto a ser apenas um espectador de todas as situações em que se mete por conta dela. A edição arrastada também não ajuda, de forma que senti uma dificuldade enorme de me envolver com os personagens, especialmente com Ema que mostra-se bastante ardilosa e manipuladora mas sem carisma capaz de seduzir. A última cena do filme só deixa claro que ela é um risco para quem está por perto, inclusive à ela mesma. O filme parece um amontoado de ideias interessantes nunca plenamente desenvolvidas. Apesar de não ter curtido o filme (em cartaz no TelecinePlay) o longa foi eleito o melhor filme Ibero Americano no GP Cinema Brasil em 2022.
Ema (Chile/2019) de Pablo Larraín com Mariana di Girolamo, Gael Garcia Bernal, Paola Gianini, Santiago Cabrera, Catalina Saavedra, Critián Suárez e Diego Muñoz. ☻☻
sexta-feira, 27 de outubro de 2023
#FDS Pablo Larraín: Post Mortem
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| Castro: sem vida à beira da ditadura chilena. |
Motivado pela presença do controverso O Conde (2023) na Netflix, resolvi fazer um #FinalDeSemana dedicado ao cineasta chileno Pablo Larraín. Não por acaso, resolvi começar pelo seu segundo longa-metragem. Depois de Sinfonia Inacabada (2006) o diretor resolveu deixar claro que seu estilo estava para além da narrativa truncada que brincava com diferentes tempos na narrativa, seu interesse estava mesmo era em construir desconforto ao explorar personagens problemáticos. Aqui, como em todos seus outros filmes, o ambiente social dos personagens motiva ainda mais a estranheza. Post Mortem é começa ambientado no Chile de 1973, nos últimos dias do governo Allende e às portas da ditadura de Pinochet. O diretor opta por abordar essa chegada ao poder de forma pouco óbvia, ele utiliza um necrotério para demonstrar que a morte e a insegurança pairam no ar. Mario (Alfredo Castro), trabalha no necrotério da cidade, tem interesse em uma vizinha dançarina (Antonia Zeggers), mas mesmo quando a encontra, ele passa a maior parte do filme com a mesma expressão apática e sem se envolver muito com o que está ao seu redor. A cena em que ele vê uma manifestação de dentro de seu carro e resolve atravessa-la lentamente em sentido oposto demonstra bastante a sua postura diante dos fatos. No entanto, embora todo o cenário ao redor do personagem demonstra a situação complicada que o país atravessa, entre manifestações, ruas vazias e carros incendiados, Mario deixa escapar seu temor em poucas cenas (como aquela em que sem motivo aparente começa a acompanhar o choro de outra personagem como se iniciasse por uma imitação quase obrigatória de sua parceira de cena). Não para de chegar corpos ao necrotério. "Esta mulher apanhou até a morte" diz o legista pouco antes de pedir para que não registre aquilo no laudo, "foi só um comentário", tenta consertar. Mario observa aquilo petrificado, mas não como se estivesse assustado, mas indiferente mesmo. Robótico e um tanto sem reação, até seu corte de cabelo parece ser de alguém fora do eixo. Talvez ele não saiba o que fazer perante a realidade, talvez tenha optado por enfrentar o mundo daquela maneira para não enlouquecer, ou apenas esteja tão morto quanto os corpos com que precisa lidar todos os dias no trabalho. No entanto, a realidade se faz cada vez mais próxima e se esfrega na cara do personagem que tenta manter sua ausência de reação ao longo do filme. Para dar corpo a um personagem tão sem alma o cineasta conta com Alfredo Castro, com quem já havia trabalhado em sua estreia na direção (fazendo um personagem totalmente oposto, mas com igual brilhantismo), assim como também apareceu em outros filmes posteriores do cineasta. Aqui ele demonstra que consegue ser expressivo mesmo diante de um personagem completamente travado e confuso com relação às emoções e desejos que nutre ao longo da narrativa. Um belo desafio, que permite ao expectador projetar em seu trabalho sua própria leitura perante a apatia ressaltada ainda mais pela fotografia sem vida.
Post Mortem (Chile/2010) de Pablo Larraín com Alfredo Castro, Antonia Zegers, Jaime Vadell, Marcelo Alonso, Ernesto Malbran e Amparo Noguera. ☻☻☻
sábado, 30 de setembro de 2023
PL►Y: Sinfonia Inacabada
domingo, 24 de setembro de 2023
PL►Y: O Conde
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| Castro: à sombra do vampiro Pinochet. |








