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sábado, 8 de agosto de 2026

Combo: Inspirado em Jane Austen

05 Jane Austen Arruinou Minha Vida (2024) foi o filme que me fez lembrar que para além das mais de 30 adaptações que a obra de Jane Austen (1775-1887) já rendeu para cinema e TV, existe um subgênero cinematográfico vinculado à popularidade da escritora. São produções que embora não sejam versões para as telas dos livros da autora, bebem diretamente na fonte de suas referências. Esta comédia romântica francesa não chega a ser engraçada e o romance é visto de forma um tanto... desconstruída, mas faz das desventuras de sua personagem uma mistura de referências do que já vimos em Razão e Sensibilidade (não é a toa que a protagonista tem uma irmã desencanada de romances), Orgulho e Preconceito e Emma. 

04 O Clube de Leitura de Jane Austen (2007) baseado no sucesso editorial de Karen Joy Fowler, este foi um dos primeiros exemplos de que os fãs de Austen estavam dispostos a curtir um filme sobre Austen que não fosse uma adaptação de um dos seus cultuados romances. O longa conta a história de cinco mulheres e um homem que se encontram para conversar sobre a obra da escritora quase como se fosse uma terapia de grupo para resolver tudo o que ocorre na vida sentimental de cada um. O elenco é impressionante ao juntar Emily Blunt, Maria Bello, Hugh Dancy, Kathy Baker e Amy Brenneam com nomes menos conhecidos. Pena que o filme tenha personagens e dilemas demais para dar conta em uma narrativa cheia de água com açúcar. 

03 Orgulho Preconceito e Zumbis (2016) Jane Austen deve ter levado um susto no túmulo quando viu que em 2009 sua obra clássica recebeu uma releitura em tom de paródia que colocava as irmãs Bennett e Mark Darcy tendo que lutar contra uma legião de zumbis no século XIX. A fanfic do escritor Seth Grahame-Smith se tornou um sucesso nas livrarias e foi levada aos cinemas pelas mãos de Burr Steers (de A Estranha Família de Igby/2002, quem diria!). Embora se leve mais a sério do que deveria, o filme prende atenção pela química entre Lizzy (Lily James) e Darcy (Sam Riley) em meio ao massacre de zumbis. Vale dizer que figurinos, cenários e penteados são feitos no capricho até que um romance de época seja dominado por mortos-vivos. 

02 Austenland (2014) é mais uma adaptação literária de um livro voltado para fãs de Jane Austen, a diferença é que este conseguiu uma adaptação bastante equilibrada para a a telona, sendo divertido e esperto. Baseado na obra de Shannon Hale, o filme conta a história de  Jane Hayes (Keri Russell), uma mulher que aos 33 anos não encontrou seu par ideal. Apaixonada pela obra de Jane Austen, ela resolve usar suas economias para visitar um parque temático voltado para fãs da escritora. Lá ela vive um triângulo amoroso (que não sabe ser de verdade ou encenação) e se depara com os aspectos menos apaixonantes dos tempos de Austen (o ócio, o preconceito, as madames esnobes e a falta de dinheiro). Ser mocinha nos tempos de Austen não era moleza! 

01 Amor e Inocência (2007) confesso que quase que Austenland ficou em primeiro lugar na lista, mas achei que seria de bom tom deixar esta cinebiografia de Jane Austen. Dirigido por Julian Harrold, o filme conta um pouco da vida pessoal da cultuada autora nos tempos em que sonhava em conhecer o mundo e os pais queriam que se casasse com um homem rico. A americana Anne Hathaway vive a escritora inglesa e James McAvoy garante o tom de romance na pele de Tom Lefroy, homem que teria servido de inspiração para criação do famoso Mark Darcy em Orgulho e Preconceito. A graça do filme é captar as referências aos livros da autora que temperam a produção. O filme fez um relativo sucesso e Hathaway foi indicada ao British Independent Film Award na categoria de melhor atriz. A biopic vale uma conferida. 

terça-feira, 31 de março de 2026

Combo: Visibilidade Trans

05 Emilia Perez (2024) no Dia da Visibilidade Trans resolvi fazer um combo com cinco filmes importantes para artistas que só recentemente começaram a ter espaço no cinema após décadas de pessoas cis vivendo personagens trans nas telas. Bem que eu tentei deixar de fora, mas o pior filme da carreira de Jacques Audiard merece lembrança por premiar pela primeira vez uma mulher trans no Festival de Cannes e cravar uma indicação ao Oscar de melhor atriz. Apesar da performance de Karla Sofía Gascón, o filme é um desarranjo com sua história desengonçada sobre um traficante realiza uma cirurgia de redesignação sexual e retorna tempos depois em um musical estapafúrdio. Vale como lembrança para as gerações futuras de como não abordar um tema já visto com tanto preconceito pela público. 

04 Perto de Você (2023) Elliot Page se tornou o primeiro artista indicado ao Oscar ao descobrir sua redesignação sexual diante da mídia. Indicado ao Oscar de melhor atriz por Juno (2007), Page abraçou a militância queer em suas pautas e projetos e depois que realizou seus procedimentos para redesignação sexual voltou ao cinema com este filme indie modesto, mas que toca em assuntos delicados no retorno de um homem trans para a cidade em que cresceu. Embora o filme tenha seus problemas de execução, o longa serve para abordar questões bastante delicadas envolvendo os preconceitos presentes em um grupo de pessoas que deveriam exalar apoio e acolhimento. Mudanças a parte, o talento de Page continua o mesmo. 

03 Uma Mulher Fantástica (2017) o drama chileno ganhou os holofotes com a trama de Marina (Daniela Vega), uma mulher trans que sonha em ser uma cantora de sucesso, mas que a vida dá uma guinada assustadora quando seu parceiro, Orlando (Francisco Reyes) morre e ela precisa enfrentar a família do falecido em busca de seus direitos. O filme de Sebastian Lélio ganhou o prêmio de melhor roteiro no Festival de Berlim e o prêmio Ecumênico, além disso levou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2018. Embora eu fique bastante incomodado em ver todo o martírio da personagem, o longa se tornou um marco para a comunidade queer (e ainda rendeu uma pendenga danada por um comentário infeliz do crítico Rubens Ewald Filho na transmissão do Oscar). 

02 Tangerine (2015) embora Sean Baker tenha caído nas graças do Oscar recentemente, ele merecia desde esta produção filmada com  Iphone5  - o que favoreceu bastante o estilo de filmagem documental que lembrava muito uma câmera escondida. A narrativa acompanha Sin-Dee (Kitana Kiki Rodriguez), que ao sair da véspera de natal da prisão, tenta encontrar seu namorado após descobrir que ele a traiu com uma mulher cis. Na jornada, ela conta com a companhia da amiga Alexandra (Mya Tayor) em situações permeadas por diálogos inacreditáveis. O resultado parece um conto trans escrito por Almodóvar pelas ruas de Los Angeles. De um colorido fascinante, Tangerine é um verdadeiro tesouro indie. 

  01 Até o Cair da Noite (2023) Talvez este seja o filme menos conhecido da lista, mas eu considero suas camadas as mais complexas dentre os citados. O filme conta a história de Leni (Thea Ehre), uma presidiária que é convidada a colaborar com a polícia na busca por um traficante que atua online. Para isso, ela precisa trabalhar com Robert (Timocin Ziegler), um investigador que deverá se passar por seu amante. Acontece que o investigador já teve um relacionamento com Leni antes de seu processo de transição de gênero e os sentimentos entre os dois tendem a tornar a missão ainda mais complicada. O diretor Christoph Hochhäusler mistura drama queer com filme policial e rendeu para a austríaca Thea o prêmio de melhor coadjuvante no Festival de Berlim. 

domingo, 10 de agosto de 2025

Combo: Ao meu Pai

Meu pai faleceu no ano de 2023 e desde então o Dia dos Pais não fazsentido. Se antes, todos os dias ele estava presente, agora, todos os dias eu lembro dele ainda mais. Durante muito tempo nosso relacionamento foi um tanto complicado, mas depois que me formei e passei a morar longe, passamos a aproveitar com um pouco mais de afeto a presença um do outro. Acho que nunca escrevi por aqui que devo muito ao meu pai o meu interesse por cinema. Foi ele que me levou diante de uma telona pela primeira vez e várias outras vezes até minha adolescência - e ele perceber que meu gosto estava ficando um tanto quanto (nas palavras dele mesmo) estranho. Este combo é para lembrar cinco filmes que vi ao lado do meu pai e que fizeram parte da minha gênese como cinéfilo:

5 Império do Sol (1987) talvez por conta da assinatura do diretor de ET e Indiana Jones, meu pai achou que era uma boa ideia me levar para ver este filme em sua semana de estreia. Confesso que por muito tempo se tornou o filme mais assustador que eu já tinha visto na vida. Afinal, na minha cabeça, era sobre um moleque rico (vivido por Christian Bale em sua estreia aos 13 anos) que se perde dos pais na China quando ela é invadida pelo Japão. Ele acaba testemunhando os horrores da guerra e termina enviado para um campo de prisioneiros. Com duas horas e meia de duração, o filme me pareceu interminável e fiquei chocado pensando que aquilo tudo era a maior tragédia pela qual um garoto poderia passar. Eu tinha oito anos e vi um filme no capricho que se tornou um dos maiores fracassos comerciais do Spielberg. 
 
4 Ghost (1990) buscando pela memória para lembrar dos filmes que assisti com o meu pai, foi uma grata surpresa me dar conta de que vi este aqui pela primeira vez ao lado dele no cinema. Talvez seja o filme mais fora da curva do gosto cinematográfico do meu pai, cem cenas de ação e explosões, a história de amor entre Molly (Demi Moore) e seu amado Sam (Patrick Swayze), que, falecido, tenta se comunicar com ela (ajuda de Whoopi Goldberg) sobre um perigo iminente prendeu a atenção dele por conta da mistura de romance, humor e um certo suspense. Fico pensando a torcida do meu pai ao ver a Demi ser finalmente indicada ao Oscar por A Substância (2024) e a decepção que seria vê-la perder naquela noite que seria sua reparação histórica. 
 
3 Robocop (1987) Clássico dos anos 1980, cheio de violência e cenas escabrosas em um futuro distópico. A história do policial que se torna uma experiência robótica da polícia, virou um verdadeiro marco do cinema pela forma crua com que o diretor Paul Verhoeven contou a história com uma visão pessimista do futuro. Lembrando que assisti ao filme com menos de dez anos de idade, penso a forma como fiquei impressionado com a narrativa e comprei história em quadrinhos e vi o desenho que a produção gerou depois. Hoje eu só lembro de como o meu pai ficou decepcionado com aquele remake feito pelo José Padilha em 2014. 
 
2 Indiana Jones e a Última Cruzada (1989) Acho que este é o filme que vi ao lado do meu pai que lembro com mais carinho. Provavelmente pela dinâmica e a química irresistível que existia entre pai e filho no próprio filme. Harrison Ford como Indiana e Sean Connery como o pai Henry Jones são um espetáculo a parte neste filme em que o filho tem que salvar o pai que foi sequestrado pelos nazistas. No meio da aventura, nossos heróis ainda precisam proteger o Santo Graal em uma Europa assolada pela guerra. Por muito tempo, eu achei que o título era uma referência ao fim da trilogia com chave de ouro, mas com o tempo outros filmes foram feitos e continuei achando que deveria ter parado por aqui (e meu pai também). 
 
Peter Pan (1953) Não sei dizer ao certo o ano em que assisti este clássico da Disney no cinema, mas levei um susto ao saber que ele foi feito em 1953, mas eu assisti com o meu pai ainda pequeno no cinema. Li em algum lugar que houve uma cópia restaurada que entrou em cartaz nos anos 1980 e a coisa fez sentido. Lembro até hoje de sair em um domingo com meu pai e irmos assistir ao filme na Cinelândia no centro do Rio de Janeiro. Era um cinema gigante, com tela enorme. Na cidade em que eu cresci não tinha cinema e demoramos quase uma hora para chegar lá. Foi a primeira vez que fui ao cinema e ainda lembro da sensação de deslumbramento quando as luzes apagaram e o filme começou. Nascia um cinéfilo ali. Obrigado pai. Te amo. 

quinta-feira, 31 de outubro de 2024

Combo: Dignas de Oscar

Neste Halloween, em homenagem à campanha de Demi Morre para o Oscar por A Substância, resolvi tirar da tumba o Combo no blog, só para lembrar cinco atrizes que mereciam o reconhecimento da Academia e acabaram de fora do páreo de melhor atriz. Quatro são de obras recentes e a primeira colocada é a prova irrefutável de que o Oscar tem problemas com ótimas performances em filmes de terror. 

05 Um Lugar Silencioso (2018) Em um mundo atacado por monstros alienígenas que surtam por qualquer barulho, Emily Blunt interpreta a mãe que precisa sobreviver com a família em meio ao caos. Alguns detalhes tornam a dramaticidade de sua personagem ainda mais alta: ela está grávida e em algum momento esta criança irá nascer de (parto natural) e irá chorar! O filme é uma experiência cinematográfica diferente, mas nada supera a cena do parto - que  está entre uma das mais angustiantes da História do cinema. Emily está impecável! Só pela  cena ela merecia uma indicação ao Oscar (que só lembrou dela esse ano por ser a Srª Oppenheimer). Dirigida pelo maridão John Krasinski, ela abre nossa lista porquê o prêmio do Sindicato dos Atores percebeu a gafe iminente e lhe premiou como melhor atriz coadjuvante pelo papel.
 
04 Hereditário (2018) Toni Collette já fez muitos papéis inesquecíveis no cinema e embora tenha recebido uma indicação por um filme de terror no passado (atriz coadjuvante por O Sexto Sentido/1999) imaginava-se que ela poderia repetir a façanha pelo papel da mãe que descobre uma trama macabra envolvendo toda a família. O filme de estreia de Ari Aster foi alçado rapidamente ao posto de um dos mais arrepiantes do gênero e muito se deve à intensidade das atuações. Na pele da mãe desesperada perante os acontecimentos inevitáveis em seu lar, Toni foi cotada ao Oscar de melhor atriz, mas teve que se contentar  com as nomeações ao Critic's Choice, Gotham Awards, Independent Spirit e até o prêmio de melhor atriz no Brazil Online Film Awards!
 
03 Nós (2019) Muita atriz já foi indicada ao Oscar por muito menos do que Lupita Nyong'o fez neste filme de Jordan Peele. Ela vive Adelaide, uma mãe e esposa que vive uma vida confortável com o marido e os filhos, até que uma temporada na praia a faz reviver traumas da infância que parecia ter superado. Ao viver dois papéis completamente diferentes no mesmo filme, Lupita está magnífica e foi cotada para cravar mais uma indicação ao Oscar. A ganhadora do prêmio de melhor atriz coadjuvante por 12 Anos de Escravidão (2013) só não contava com a imensa resistência da Academia em reconhecer os méritos de uma atuação desse quilate em um filme de terror. A atriz foi indicada ao prêmio do Sindicato dos Atores por sua performance e ficou por isso mesmo. 
 
02 Pearl (2022) A medalha de prata vai para a neta da Maria Gladys! O trabalho de Mia Goth na segunda parte da trilogia de Ti West rendeu inúmeros debates sobre o preconceito da Academia com atuações em filmes de terror. No entanto, muita gente imaginava que com o sucesso do filme e os elogios unânimes da crítica pela enlouquecida personagem (que mora em uma fazenda e sonha em ser uma estrela de cinema) alavancariam as chances de Mia conseguir uma indicação. Embora o trabalho dela seja um dos mais impressionantes daquele ano, o filme foi completamente esquecido pelo Oscar. Mia, que também ajudou no roteiro, teve que se contentar com as indicações ao Independent Spirit e ao Critic's Choice. 
 
01 O Bebê de Rosemary (1968) Após assistir a este clássico de Roman Polanski eu tinha certeza que Mia Farrow foi indicada ao Oscar de melhor atriz. Ela está perfeita como a mulher grávida que suspeita que seu bebê não foi concebido em circunstâncias naturais. O clima de paranoia só cresce e a plateia se pergunta se Rosemary está falando a verdade ou só está delirando por conta de todas as mudanças que estão acontecendo no seu corpo. Clássico absoluto, o filme permanece no imaginário cinéfilo até hoje! Foi indicado ao Oscar de roteiro adaptado e ganhou o de melhor atriz.... coadjuvante para Ruth Gordon no papel da vizinha sinistra. E Mia? Nem foi indicada! A atriz foi lembrada no BAFTA e Globo de Ouro, mas virou consolação para as grandes atuações femininas do terror que foram desprezadas pela Academia.

sexta-feira, 7 de maio de 2021

Combo: Filmes Frutas

05 Jenipapo (1996) A história de um padre e um jornalista que se envolvem nas lutas dos sem-terra no nordeste brasileiro (e suas consequências) marcou a estreia da produtora Monique Gardenberg como cineasta e teve que ouvir muitas piadinhas sobre a cara de filme estrangeiro que imprimiu ao longa. Com atores brasileiros (Marília Pêra, Daniel Dantas, Julia Lemertz...) em papéis secundários falando em inglês e o protagonismo por conta do canadense Henry Czerny e do belga Patrick Bauchau, o filme segue esquecido (encontrar fotos da produção na internet é complicado) e recebeu o título da fruta de sabor forte por conta de uma cena com seu famoso licor - o filme quase se chamou A Hora do Lobo. 

04 Bananas (1971) Antes de enveredar por temas mais sérios em sua carreira (e se envolver em polêmicas sobre sua vida pessoal), os primeiros filmes de Woody Allen tinham como única intenção fazer rir, muitas vezes sem medo de apelar para o absurdo. Aqui ele vive um estadounidense que reclama de tudo e que após o fim do seu romance com a namorada ativista, parte para um país sul-americano que atravessa uma situação política complicada. Ele acaba se metendo no meio de uma revolução só para impressionar a pretendente. Allen está bastante elétrico na pele do protagonista e realiza algumas das cenas mais engraçadas de sua carreira em uma República de Bananas. 

03 Tangerine (2015) O cineasta Sean Baker fez história com este filme por dois motivos. O primeiro foi a repercussão por ter se tornado o primeiro filme totalmente filmado com iPhone e o segundo foi dar o protagonismo a duas atrizes trans em papéis trans - um verdadeiro marco para os filmes da terra do Tio Sam. O filme acompanha as amigas Sin-Dee (Kitana Rodriguez) e Alexandra (Mya Taylor, melhor atriz coadjuvante no Independent Spirit daquele ano) pelas ruas de Los Angeles perto do Natal. As duas encontram outros personagens interessantes e com problemas amorosos sempre de forma espontânea, divertida e bafônica.  Seu despojamento lembra muito os primeiros filmes do Almodóvar.

02 Tangerinas (2013) Lançado na mesma época e com trama totalmente diferente, esta tangerina é do outro lado do mundo. Este  magnífico filme estoniano foi indicado ao Oscar de Filme Estrangeiro (perdeu para o polonês Ida) com a história de um produtor de tangerinas que em 1992 presencia um confronto sangrento em sua porta e acolhe um homem ferido. Mal sabe ele que sua casa se tornará o cenário para dois inimigos de guerra ponderarem sobre o ódio que a guerra instaurou na região. Um filme simples que fala de questões sérias com uma profundidade impressionante e (o mais importante) sem ser chato. Assista com um lenço por perto.  

01 Apples (2020) Fonte de inspiração para este combo, o filme grego que marca a estreia de Christos Nikou é tragicômico na medida certa. Ao retratar uma epidemia de amnésia ao final perto do final do século XX, o diretor conta a história de um protagonista que precisa reaprender tudo sobre a vida com um severo tratamento comportamental. Entre fotos e uma lista de coisas a fazer, ele começa a pensar se tudo aquilo faz realmente sentido. Contido, hipnótico e provocador sem ser escandaloso, o filme é elogiado desde o seu lançamento no Festival de Veneza e bem que poderia ter entrado no páreo de filme estrangeiro no Oscar deste ano. 

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Combo: Sci-Fi baixa renda

A ficção científica é um gênero cinematográfico que é famoso por seus orçamentos inchados, que geralmente ultrapassam cem milhões de dólares. Quando o investimento retorna em lucro de bilheteria todos ficam felizes, mas quando não... o estrago é grande. Quem se aventura por viagens no tempo, idas para outros planetas, encontros com alienígenas ou visitas à outras dimensões ainda precisa tomar cuidado para não cair no ridículo (e com orçamentos modestos a precariedade tem mais chances de comprometer tudo). Este combo é sobre os cinco filmes de ficção científica de baixo orçamento que mais aprecio. Critérios para estar na lista: ter custado menos de dez milhões de dólares e eu ter gostado muito (o que deixou vários baratinhos de fora). Considerei a dificuldade em lidar com grandes ideias e pequeno orçamento para estabelecer a ordem dos filmes por aqui, já que cada um tem suas qualidades próprias:

Considero este um dos filmes mais interessantes de 2018. A diretora francesa Claire Denis, famosa por seus filmes dramáticos, faz aqui sua ótima estreia no gênero sci-fi com um filme lento, claustrofóbico, agressivo e estranhamente sexual. A história gira em torno de um homem (Robert Pattinson) e um bebê dentro de uma nave espacial. Aos poucos conhecemos a história daquele lugar (um misto de presídio e laboratório vagando pelo espaço). Até o final a exaustão do protagonista e sua falta de perspectivas tornam o filme mais do que comovente. Se o dinheiro era curto (cerca de nove milhões de dólares),  a diretora compensou com sentimentos complicados tratados com maestria. 

4 Lunar (2009)
Esta foi a brilhante estreia de Duncan Jones (o filho de David Bowie) no cinema. Embora seus filmes seguintes não tenham despertado o mesmo interesse de público e crítica, Lunar funciona numa engrenagem perfeita que revela sua história aos poucos. Sam Rockwell está magnífico como o astronauta que vive em uma base lunar e não vê a hora de voltar para casa. Sua única companhia é um sistema operacional com voz de Kevin Spacey , mas seu cotidiano é mudado completamente quando encontra um... companheiro de missão aparece por lá. digam o que quiserem, Rockwell merecia um Oscar por este filme (que custou surpreendentes cinco milhões de dólares)
 
3 Riqueza Tóxica (2019)
Produzido no ano passado pelo canal Dust (vale a pena procurar no Youtube), o filme com orçamento de quatro milhões de dólares chamou tanta atenção quando foi exibido em festivais que foi comprado pela Netflix. O filme conta a história de um astronauta e sua filha que viajam até a lua de um planeta para colher uma substância valiosa até que... situações inesperadas começam a acontecer revelando um verdadeiro mercado criminoso daquela mercadoria. No entanto, o que vale mesmo a sessão é a ótima interação da menina Sophie Tatcher ao lado do parceiro Pedro Pascal. 

2 A Vastidão da Noite (2020)
O longa de estreia do diretor Andrew Patterson surpreende pelo domínio narrativo do diretor. O filme investe no poder na sugestão para ganhar o espectador na história de um radialista e uma telefonista que acreditam que naquele dia perdido nos anos 1950 a cidade onde moram terá visitantes muito especiais. O filme cria aos poucos um emaranhado de suspeitas e guarda seus efeitos especiais para o último momento (e deixa no espectador o gosto de quero mais). Tudo isso com o orçamento minúsculo de sete mil dólares. O filme foi sucesso de crítica e um dos mais comentados do ano ao entrar no catálogo do Prime Video. 

1 Primer (2004)
Rezo todo dia aos deuses do cinema para o diretor Shane Carruth reavaliar os rumos de sua vida e retomar sua carreira de cineasta (atualmente ele trabalha com estudantes de cinema). Primer foi o primeiro de seus dois filmes e deixava claro que Shane não estava com intenção de fazer filmes comuns. O filme é sobre um experimento que parece não ter funcionado e aos poucos demonstra seus problemáticos resultados. Formado em Matemática, aqui Shane atua, produz, dirige, escreve, edita e fez a trilha sonora no que deve ser o filme sobre viagens temporais com mais linhas de tempo emaranhadas na história do cinema. Tenso, caótico e surpreendente, o filme custou  apenas sete mil dólares e recebeu quatro indicações ao Independent Spirit Awards. Vale ver e rever e rever e rever e rever...

terça-feira, 24 de março de 2020

Combo: Taika Waititi

05 Boy (2010) é nome do menino que sonha com o retorno do pai que é idealizado como um dos caras mais legais do mundo (mas na realidade não é nada disso). Taika Waititi vive o pai do protagonista e capricha nos exageros para demonstrar o quanto ele está longe de ser exemplar! Este é o segundo longa-metragem do cineasta que tem uma origem incomum: é filho de um fazendeiro maori e uma professora judia. Esta origem multifacetada revela muito da forma como o diretor concebe suas histórias, seja na escolha do elenco, no senso de humor e uma certa nostalgia  na construção de uma atmosfera quase fantasiosa sobre busca das origens. 

04 Thor Ragnarok (2017) Dê milhões de dólares na mão de um diretor que sempre concebeu o cinema como divertimento (mas sempre teve restrições de orçamento), dê a ele liberdade para brincar com heróis de histórias em quadrinhos feitos de carne, osso e CGI e o resultado é o multicolorido Thor Ragnarok! Muita gente levou um susto ao ver o que Waititi fez com o que começou nos cinemas com aura shakesperiana. O filme é uma verdadeira ode ao momento mais psicodélico dos quadrinhos da Marvel e, ironicamente, trata justamente do fim do mundo do Deus do Trovão com muito humor. De onde tiraram a ideia de Waititi dirigir um filme da Marvel? Não sei, mas funciona. 

03 Fuga para Liberdade (2016) Um menino órfão que nunca consegue se adequar às famílias que cruzam seu caminho. Um homem rabugento que não faz a mínima ideia do motivo de sua esposa ter adotado um menino. Eis que o garoto decide fugir e começa uma aventura inusitada onde os dois são perseguidos pelas autoridades locais. O mundo ainda estava conhecendo o frescor do cinema de Waititi quando este filme estreou e fez o maior sucesso na Austrália. Com boas atuações do sumido Sam Neil (que tem aqui um dos seus melhores momentos) e do precoce Julian Dennison (que depois fez Deadpool2), o filme é uma boa pedida para uma sessão da tarde divertida e despretensiosa.

02 O Que Fazemos nas Sombras (2014) Um documentário sobre vampiros estrangeiros de épocas e lugares diferentes que vivem na Nova Zelândia? Quem mais poderia ter uma ideia dessas além de Taika Waititi? Ninguém, oras! Mostrando o cotidiano inusitado de um trio de vampiros, o filme é um dos mais divertidos que eu já assisti! Entre servos, vampiros novatos, lobisomens, caçadores de vampiros, A Besta em pessoa e brigas pela tarefa de casa ser feita, o filme se desenrola com delicioso ritmo fake e fez tanto sucesso que virou até série para a televisão no ano passado.

01 Jojo Rabbit (2019) Quase que este filme fica em segundo lugar, mas quando me dou conta da coragem e do perigo que Taika Waititi assumiu ao criar este projeto... ele merece o primeiro lugar. O reconhecimento pelo equilíbrio que o filme busca entre o humor e a seriedade é ligada com a acidez típica do diretor! O resultado foi premiado no Festival de Toronto e levou para casa o Oscar de Roteiro Adaptado. Quem poderia contar uma história sobre um menino que tem Hitler como amigo imaginário em meio a Segunda Guerra Mundial? Quem além de Taika Waititi levaria uma sandice dessas adiante? Ninguém, oras!

domingo, 29 de setembro de 2019

Combo: Era tudo Verdade

De vez em quando uma história inacreditável acontece e vira um documentário de sucesso. Diante de uma ideia que parece até ficção, um diretor resolver pegar aquela mesma trama e filmar com atores ...

5 O Programa (2015) Lance Armstrong era mais do que um esportista! O ciclista era um exemplo para muita gente e migrou do mundo dos esportes para o mundo dos famosos, namorando artistas famosas (Kate Hudson, Sheryl Crow...) e aparecendo em capas de revistas sobre manter a boa forma ou de fofocas sobre celebridades. No entanto toda a fama foi para o ralo quando descobriram que ele estava envolvido com o submundo do esporte regado a várias substâncias proibidas. Esta história foi vista no documentário A Mentira de Armstrong (2013) e depois rendeu este filme pouco visto assinado por Stephen Frears (e que quase rendeu uma indicação ao Oscar para Ben Foster). 

4 Última Parada 174 (2008) A tragédia de 2000 com um ônibus carioca rendeu um documentário que tornou José Padilha famoso até hoje. Ônibus 174 costurava o caos urbano com mazelas sociais em um retrato incômodo da cidade maravilhosa. O cineasta Bruno Barreto estava atento àquela situação e resolveu dramatizar a história neste filme brasileiro que foi escolhido para ser indicado ao Oscar de Filme Estrangeiro - mas ficou só na vontade! A trajetória de Sandro Silva ganha destaque aqui e rende um filme que despertou várias comparações com o premiado documentário. O pior é que recentemente um episódio parecido aconteceu em meio à ponte Rio-Niterói (e que poderá render outros filmes no futuro).

3 Snowden (2016) O americano Edward Snowden poderia ter uma carreira brilhante na CIA até que se aposentasse, mas resolveu contar para todo o mundo segredos do governo americano que envolviam a privacidade do mundo inteiro. Pouco antes de partir para o exílio ele rendeu uma entrevista que rendeu o documentário oscarizado Citizen Four (2014). De olho na história inacreditável, Oliver Stone resolveu recontar um pouco mais da trajetória do moço neste longa-metragem que o tornou ainda mais conhecido do grande público. No papel principal está Joseph Gordon Lewitt que também aparece em...

 2 A Travessia (2015) Olha Joseph Gordon Lewitt aí de novo! Não lembro de outro ator fazendo dois filmes baseados em documentários ganhadores do Oscar em toda a história do cinema! Baseado no filme O Equilibrista (2008), Robert Zemeckis recria a aventura do francês Philippe Petit que se equilibrou num cabo de aço esticado entre as torres do World Trade Center em 7 de agosto de 1974. O documentário é eletrizante com suas cenas de arquivo! Já o trabalho de Zemeckis consegue ter uma linguagem ainda mais pop, não apenas contando como a ideia maluca surgiu, mas também um pouco mais da vida pessoal de Petit. Fique atento aos vertiginosos efeitos especiais!

1 O Rei da Polca (2018) Jan Lewan (Jack Black) é um imigrante polonês que se tornou famoso dançando e cantando Polca na Pensilvânia e o cara foi até indicado ao Grammy! Mas para render uma vida confortável junto à esposa (Jenny Slate) ele também mantem uma lojinha de lembrancinhas polonesas que vende bem menos do que ele queria... Quando a ambição bate mais forte, Lewan acaba desenvolvendo um sistema de pirâmide que o coloca em graves problemas com a polícia! Parece absurdo? Pois é tudo real e já rendeu o documentário The Man Who Would Be Polka King (2009). Ambas as produções estão em cartaz na Netflix. 

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Combo: Super-Humanos

Aqui no blog eu até criei uma tag para brincar com alguns personagens comuns com super-poderes (Poderes Especiais, que sempre penso em retomar), mas alguns foram concebidos como super-humanos de verdade e não foi no cinema americano. Com tantos filmes de super-heróis, de vez em quando um diretor mais autoral resolve criar seu próprio personagem com super-poderes e nesta lista seguem cinco produções que merecem ser vistas: 

Sang-Ho Yeon se juntou à Netflix e fez seu próprio filme de super-herói. O personagem ganha seus poderes meio que por acidente e parte para ajudar a filha e um grupo de comerciantes perseguidos por um grupo de magnatas que pretendem fechar as lojas em que trabalham para construção de um grande empreendimento imobiliário. Embora o personagem defenda os oprimidos da história e o filme tenha bons efeitos especiais, este super-herói coreano perde pontos por apelar para algumas bobeiras ao longo da histórias, mas ainda assim, vale uma olhada. 

04 Tudo Sobre Vincent (2014) 
A produção ficou conhecida como o primeiro filme sobre um super-herói francês. Vincent é um homem tímido que tem sua força multiplicada quando está na água. Escrito, dirigido e estrelado por Thomas Salvador, o filme tem aquela cadência própria do cinema francês - o que pode deixar parte do público entediado. Vincent leva uma vida bem comum ao chegar em uma nova cidade. Trabalha na construção civil e se apaixona por uma colega de trabalho, mas um incidente revela sua habilidade especial. Para alguns críticos, o longa é mais um conto de fadas do que um filme de herói. 

03 O Rapaz Insivível (2014)
O cinema italiano também inventou um personagem com poderes para chamar de seu. Neste filme de Gabriele Salvatore nós somos apresentados a Gabriel, um adolescente não muito estudioso e apaixonado por uma garota da escola, mas que após uma festa de Halloween descobre ter a habilidade de ficar invisível - só falta agora controlar este poder. O filme utiliza bastante humor em sua história e perde um pouco da originalidade ao colocar o rapaz na mira de vilões que querem usá-lo para o mal. Simpático o filme tem o mérito de ser divertido e ter mais do que bons efeitos especiais. 

02 Thelma (2016)
Esta semana foi divulgado que o filme norueguês do diretor Joachim Trier ganhará uma versão americana a ser dirigida por Craig Gillespie. Sempre vejo com desconfiança os remakes americanos, mas vou torcer para que o resultado seja pelo menos interessante. O filme conta a história da jovem Thelma, que desde pequena sabe que não é igual às outras meninas. Uma tragédia familiar deixa seus pais ainda mais preocupados sobre o que destino reserva para a garota. Quando ela vai para a faculdade (e  enfrenta desejos proibidos para sua conservadora família), Thelma terá que tomar algumas decisões complicadas.

01 A Lua de Júpiter (2017)
O cineasta húngaro Kornél Mundruczó resolveu contar a história dos refugiados de uma forma diferente. Investindo em um personagem que é baleado ao tentar atravessar a fronteira da Hungria e ao invés de morrer recebe o miraculoso poder de voar, o filme mistura fantasia com elementos bastante realistas. Incompreensão, hipocrisias, oportunismo, religião, preconceitos, amizade e ameças de misturam numa narrativa bem conduzida por um dos diretores europeus que é sempre digno de atenção. Exibido em Cannes no ano passado, o filme foi o favorito de Will Smith (que não duvido de bolar uma versão americana para ele em breve).

sábado, 18 de agosto de 2018

Combo: Autismo

5 - O Nome dela é Sabine (2007) Entre os anos 1980 e 1990 a atriz Sandrine Bonnaire era uma das estrelas mais famosas do cinema francês. Ela ganhou dois prêmios César e foi indicada outras seis vezes ao longo da carreira, o que pouca gente sabia era que Sandrine tinha uma irmã mais nova, Sabine, que foi diagnosticada com autismo. Foi justamente a história da irmã que a motivou a estrear como diretora neste documentário que mistura 25 anos de vídeos de família, comentários da atriz e uma crítica ao tratamento que os pacientes com este distúrbio neurológico podem sofrer em tratamentos com profissionais despreparados. 

4 - Mary & Max: Uma Amizade Diferente (2009) Esta animação australiana conquistou vários fãs pela forma sensível como apresenta a amizade de uma garota australiana com um americano de 44 anos que possui Síndrome de Asperger. Vivendo em continentes diferentes, os dois se correspondem através de cartas e ajudam um ao outro a lidar com a solidão. Entre momentos cômicos, comoventes e sombrios, o filme apresenta uma abordagem bastante madura sobre as dificuldades dos personagens. Com vozes de Phillip Seymour Hoffman e Toni Collette, a animação do oscarizado Adam Elliott é um grande acerto. 

03 Gilbert Grape (1993) Leonardo DiCaprio foi indicado ao Oscar pela primeira vez como coadjuvante por seu excelente trabalho como o jovem Earnie, o irmão autista do Gilbert Grape (Johnny Depp). Leo está perfeito, nos gestos, no olhar, na forma de falar, ele consegue criar um personagem realmente cativante em uma família que tem lá sua cota de problemas de relacionamentos para lidar. O filme de Lasse Hallström é uma delícia de assistir e muitos consideram até hoje que traz a melhor interpretação do ator em toda sua carreira. 

02 Temple Grandin (2010)
Produzido pela HBO este telefilme ficou muito famoso pela atuação de Claire Danes que ganhou todos os prêmios daquele ano pelo papel real de Temple Grandin, uma mulher que driblou as dificuldades e se tornou uma das maiores pesquisadoras dos Estados Unidos. Seus trabalhos foram revolucionários para os trabalho no alívio do estresse de crianças autistas, além de ter realizado contribuições relevantes na criação de gado. Com o apoio da família e dos professores,  a trajetória de Temple é um exemplo não apenas de superação, mas também na construção de práticas inclusivas. 

01 Rain Man (1988) Ganhador do Oscar de Melhor Filme, diretor (Barry Levinson), ator (Dustin Hoffman) e roteiro, o filme concorreu ainda a outras quatro estatuetas ao contar a história da relação entre dois irmãos. Um é o ambicioso Charlie (Tom Cruise), que descobre ter um irmão, Raymond (Hoffman) que passou anos afastado da família em uma instituição de tratamento. Com uma herança em jogo, os dois irão passar bastante tempo juntos e Charlie aprenderá a ter outro olhar sobre a vida na companhia de Ray. O filme tornou-se um marco na abordagem do tema em Hollywood.