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sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

NaTela: Star Wars - Episódio VII: O Despertar da Força

Kylo Ren encontra seus inimigos: Obrigado, JJ Abrams!

Sou desses que recebeu com muita satisfação o fato de JJ Abrams assumir a terceira fase de Star Wars nas telas - e curti mais ainda quando ele jogou no lixo as sinopses desenvolvidas por George Lucas para os episódios VII, VIII e IX da saga. Com todo o respeito que George Lucas merece por gerar o universo Star Wars na década de 1970, devemos admitir que o que ele fez nos últimos três filmes da saga (que narravam a transformação de Anakin Skywalker/Darth Vader)  foi de uma ruindade digna do lado sombrio da força (um verdadeiro teste de lealdade aos fãs da série). Depois que a Disney comprou a LucasFilms, eu não imaginava que respiraria tão aliviado! Sob o pretexto da própria cronologia da saga, Abrams ignora boa parte do que foi realizado na trilogia mais recente do universo, utilizando referências da produção dos filmes originais. Ao contrário do que Lucas fez nos filme mais recentes, JJ preferiu utilizar locações reais, maquetes e cenários concretos, espantando o artificialismo das cenas. Além disso, o mais importante está lá: o esforço em emular a mesma magia da trilogia original. Por isso, Abrams mantém o foco do episódio VII na busca por Luke Skywalker, mas apresenta novos personagens que respeitam os signos do universo da trilogia original. Mais de trinta anos se passaram naquele universo e a chamada Primeira Ordem pretende recuperar os ideais que moviam o Império sombrio de Darth Vader e seus companheiros. A saga de Luke, Leia e Han Solo é visto quase como uma mitologia pelos mais jovens, mas serve de base para o movimento de resistência que pretende evitar a ascensão do mal mais uma vez. Assim, com Luke desaparecido, o roteiro reserva lugares especiais para Princesa Leia (Carrie Fisher, vivendo a princesa madura de forma bastante coerente) e Han Solo (Harrison Ford, ainda dominando o personagem com maestria) que tem uma grande pendenga familiar para resolver... afinal, pendenga familiar é o grande motor de toda a saga - e você perceberá que a árvore genealógica da família Sywalker cresceu e vê o legado (dos dois lados) da força para preservar. Embora a história comece com o piloto Poe Dameron (Oscar Isaac, bom como sempre, mas num personagem que merece ser ampliado no futuro) e seu robô (já cultuado) BB-8, a narrativa centra-se cada vez mais na jovem Rey (Daisy Ridley) e no stormtrooper desertor Finn (John Boyega, que poderia ser menos cômico) que cruzam o caminho de Solo e Chewbacca (o mesmo Peter Mayhew) enquanto tentam levar BB-8 para a Resistência  e fugir da primeira ordem liderada pelo líder supremo Snoke (Andy Serkis). Snoke tem ao seu lado Kylo Ren (Adam Driver, excepcional) um rapaz que possui laços mais do que ideológicos com Darth Vader e que, após treinamento Jedi, bandeou-se para o lado obscuro da força. Essa é a base para que Abrams nos provoque um deslumbramento nostálgico com cenas de ação espertas, efeitos especiais perfeitos e muita atenção aos detalhes (as máquinas gastas, os figurinos, a direção de arte vintage), mas sem perder de vista a dimensão humana do que está em jogo (sem falar nos discursos que remetem diretamente aos discursos de ódio que encontram na internet território fértil nos dias atuais). Existem partes que já soam clássicas, a maioria protagonizada por Kylo Ren (a cena em que tenta extrair informações de Rey, seu duelo com a mocinha ou o seu encontro com um dos personagens clássicos da série), o que demonstra potencial para o moço se tornar um vilão de respeito - assim com Rey é seu oposto. Com a cena final prometendo mais um Jedi a caminho desejamos que Episódio VIII (previsto para 2017) estreie o mais rápido possível - especialmente com as expectativas que este deixa no ar. A Força despertou tão vigorosa como deveria!

Star Wars - Episódio VII: O Despertar da Força (Star Wars - Episode VII: The Force Awakens/EUA-2015) de JJ Abrams com Daisy Ridley, John Boyega, Adam Driver, Harrison Ford, Carrie Fisher, Andy Serkis, Oscar Isaac, Domhnall Gleeson, Lupita N'Yongo, Max von Sydow, Peter Mayhew e Gwendoline Christie. ☻☻☻☻

sábado, 19 de outubro de 2013

DVD: STAR TREK - ALÉM DA ESCURIDÃO

Benedict e Chris: terrorismo intergaláctico. 

Superado o desafio de agradar os zilhões de devotados fãs da série Star Trek/Jornada nas Estrelas, JJ Abrams deixa bem claro que está mais a vontade no segundo episódio de sua repaginada no universo da milionária franquia. O anterior era bacana em sua ideia de apresentar a origem de Capitão Kirk (Chris Pine), Spock (Zachary Quinto, perfeito), Uhura (Zoe Saldana) e sua trupe. Até eu que não era grande admirador da série original me senti realizado em conhecer a construção da Enterprise, a forma como a destruição do planeta Volcano influenciou para sempre a vida de Spock e a forma como lida com as emoções, além de um inevitável Kirk mulherengo e inconsequente que cresce durante a trama. É verdade que para além das apresentações de personagens, os fãs mais ferrenhos estranharam a forma como, na nova concepção, muito da filosofia trekker ficou para trás para favorecer as cenas de ação de tirar o fôlego - mas que tropeçava num senso de humor que muitas vezes, caia no exagero quase caricatural daquele universo. No fim das contas, o filme de 2009 foi um sucesso em arrecadação mundial (mais de 300 milhões pelo mundo) e uma sequência era inevitável. A produção foi cercada de mistérios e boatos, a maior delas foi acerca da escalação de Benedict Cumberbatch na pele de um personagem misterioso, que muitos especulavam ser um disfarce de Khan. Se essa era a estratégia, funcionou muito bem, já que o filme se tornou um dos mais aguardados de 2013. Abrams coloca os personagens em sua missão mais perigosa, enfrentando situações limites que podem destruir não apenas a Enterprise como toda a sua tripulação. A culpa de tudo isso é de Kirk, que está mais seguro de si e percebe que algumas regras podem ser desrespeitadas em nome de um bem maior. Essa ideia aumenta ainda mais os conflitos do Capitão com Spock, que não consegue perceber a lógica nas transgressões do amigo. Para tornar tudo ainda mais perigoso, os dois terão que enfrentar um terrorista que destruiu os arquivos da tropa estelar e planeja ações devastadoras para a organização. O tal terrorista tem total ciência dos limites da organização e se esconde no único ponto em que a tropa tem problemas para visitar. A situação pode provocar uma guerra entre os Klingons com a Terra, especialmente quando o tal vilão (Cumberbatch, saboreando cada segundo da projeção que o papel pode causar em sua carreira) mostra-se disposto a confundir Kirk perante uns mísseis suspeitos que foi obrigado a carregar em sua nave. Cumberbatch constrói um vilão bem mais complexo do que o Nero de Eric Bana do filme anterior (que valeu ao filme o Oscar de maquiagem), além disso, com relação ao primeiro filme, existe um acréscimo considerável das cenas de ação, mas também um tom mais sombrio cercando os personagens durante toda a trama. No entanto, o que prende mesmo a atenção é o crescimento dos personagens, especialmente do relacionamento entre Spock com Kirk. O filme pode ainda não ser perfeito (todo mundo sabe da polêmica cena de semi-nudez de Alice Eve e, não precisa ser um gênio, para notar que sempre depois de uma cena séria existe um corte mirabolante de ação), mas JJ Abrams mostra-se mais uma vez um o sujeito mais competente quando o assunto é fazer filmes para o verão americano. Atenção para a participação de Peter Weller (o Robocop original, um delírio para os nerds) na pele de Marcus - uma espécie de brinde para os fãs. Que venha o novo episódio!

Star Trek: Além da Escuridão (Star Trek: Into Darkness/EUA-2013) de JJ Abrams com Chris Pine, Zachary Quinto, Benedict Cumberbatch, Zoe Saldana, Karl Urban, Simon Pegg, John Cho, Anton Yelchin, Bruce Greenwood, Alice Eve e Peter Weller. ☻☻☻☻

Star Trek (EUA-2009) de JJ Abrams com Chris Pine, Zachary Quinto, Zoe Saldana, Eric Bana, Simon Pegg, Winona Rider, Leonard Nimoy, Karl Urban, John Cho, Anton Yelchin, Bruce Greenwood, Chris Hemsworth e Rachel Nichols. ☻☻☻

terça-feira, 5 de junho de 2012

QUADRILOGIA MISSÃO IMPOSSÍVEL

Protocolo Fantasma: Missão Impossível reencontra o sucesso. 

Acabou de chegar em DVD o quarto longa-metragem estrelado por Tom Cruise na pele do agente Ethan Hunt - e este não deve ser o último. Lembro que estava no Segundo Grau quando assisti o que Brian dePalma havia aprontado com o seriado clássico que foi ao ar de 1966 até 1973. No elenco de apoio, nomes robustos como Vanessa Redgrave, John Voight, Emanuelle Beárt e Kristin Scott-Thomas ajudavam a dar o clima de conspiração da história. Como se tornou de praxe nos episódios, o filme começa no meio de uma missão, uma festa refinada em Praga, até que tudo começa a dar errado. Hunt percebe que seus colegas foram alvos de uma armadilha. Ele acredita ser o único sobrevivente da missão - e por isso começa a ser suspeito de traição, até que descobre outra agente (a francesa Emanuelle Beárt) que sobreviveu e está disposta  desvendar o que havia por trás daquela missão junto com ele. Mais do que em qualquer longa da série, a atmosfera noir é a que toma conta do roteiro confuso - mas que serviu para  apresentar as características que dariam corpo à série: máscaras de disfarce, a modernizada trilha clássica pelas mãos de Adam Clayton e Larry Mullen  (U2), duas ou três cenas de ação de tirar o fôlego, os companheiros de origem duvidosa de Hunt (incluindo Ving Rhames na pele de Luther Stickel que sempre aparece como amigo de Hunt), um ator veterano consagrado como mentor e os apetrechos fascinantes que os agentes dispõem para fazer o serviço. A bilheteria robusta garantiu para Cruise uma verdadeira mina de ouro em sua carreira (tratava-se de sua estreia na produção ao lado de sua então agente Paula Wagner). Não é todo dia que cai uma franquia de sucesso em suas mãos - e muito menos originária de um programa de TV. Com o custo de 80 milhões e arrecadação mundial de mais de 450 milhões, o filme credenciou a produção de uma sequência. Pena que Missão Impossível 2 é o pior da série. Diante de um roteiro fraquinho chamaram John Woo para dar uma vitaminada na narrativa. Para Woo é fácil prender a atenção com cenas de ação elaboradas, mas quando se trata de explorar o que há entre elas a coisa complica!  O vilão é Sean Ambrose (Dougray Scott), que possui um vírus letal  e precisa ser detido por Ethan e seus dois parceiros - o já conhecido Luther e Billy vivido por John Polson, ambos aparecem pouco durante o filme. O roteiro força a exploração de um triângulo amoroso formado por Hunt, Ambrose e a ladra Nyah (uma pouco inspirada Thandie Newton) que não dá liga. Se o roteiro do primeiro longa parecia confuso, este aqui torna-se cheio de reviravoltas que escondem a falta de assunto. Os esforços de Woo e do marketing pesado (até na trilha sonora cheio de bandas pesadas como Limp Biskit, Metallica e até os brasileiros Raimundos) serviu para o longa arrecadar 565 milhões de dólares ao redor do mundo - mas o custo inchado de mais de 120 milhões e as críticas mornas fizeram todos perceberem que alguma coisa precisava ser revista nas aventuras do agente. 

Hunt em sua estreia: missão menos confusa que a segunda. 

Cruise penou um bocado para encontrar o diretor adequado para o terceiro filme da franquia. Seu sonho de consumo era David Fincher, depois se contentou com Joe Carnahan (Narc/2002) que desistiu pouco depois. Parecia que o astro não conseguiria tirar o filme do papel. Na época sua imagem começava a dar sinais de desgaste e um sucesso de bilheteria era tudo o que precisava para colocar a carreira nos eixos. Como os cineastas convidados não toparam, Cruise resolveu convidar um diretor vindo da TV, JJ Abrams que estava no auge com o sucesso da cultuada série Lost. Abrams já provara que entendia desse negócio de agente secreto (já que criou o aclamado seriado Alias que revelou Jennifer Garner na pele de uma espiã). Abrams conseguiu dar o trato no roteiro que a franquia precisava, resgatando aspectos que o segundo filme havia ignorado  (mas que eram capazes de agradar os fãs): abordou a vida pessoal do protagonista, deu mais destaque aos personagens que compõem a equipe de Hunt (como acontecia no seriado), colocou um vilão inesquecível na trama e mostrou como as lendárias máscaras de disfarce são produzidas. Como de costume, o filme começa com uma missão que serve de anúncio para as outras que aparecem no roteiro - além de apresentar o vilão traficante de armas Owen Davian (Phillip Seymour Hoffman). Embora sombrio, trata-se do filme mais bem costurado da franquia e o mais fiel ao clima do seriado original ao destacar os parceiros de Hunt na trama -  Declan (Johnatan Rhys Meyers) e Zhen (Maggie Q). Claro que as cenas de ação ajudam a não perceber alguns aspectos repetitivos dos filmes M:I (a conspiração dentro da agência Missão: Impossível e sempre colocando Hunt como alvo de perseguição quando mais precisa de ajuda),  aspectos que podem ter colaborado para o filme não ser um sucesso. Com orçamento de 150 milhões, o filme só conseguiu o dobro disso nas bilheterias mundiais, tornando-se a menor bilheteria do agente Tom Cruise. Mesmo assim, ao final de 2011 foi lançado Missão Impossível: Protocolo Fantasma, com direção assinada por Brad Bird (da oscarizada animação Os Incríveis/2004). Bird se sai muito bem em sua primeira aventura com atores de carne e osso, conseguindo imprimir bom ritmo na narrativa e inserindo mais humor na trama. Para anabolizar o elenco, Cruise escolheu o astro em ascensão Jeremy Renner (para viver um analista que entra quase de penetra na missão), o britânico Simon Pegg (para ficar responsável pelas partes cômicas) e a linda Paula Patton (como a agente que exala sensualidade e inteligência em iguais proporções). Com os agentes ganhando ainda mais espaço na trama (com conflitos e dramas pessoais), o problema ficou por conta de Michael Nyqvist (da trilogia sueca Millenium) que tem quase nada para fazer como vilão disposto a destruir o mundo numa explosão nuclear. Mais uma vez, Hunt precisa agir fora da  burocracia da agência que faz parte, assumindo riscos cada vez maiores ao se confrontar com acusações, uma vida pessoal em frangalhos e uma mercenária que pode colocar tudo a perder. Cenas como a fuga da prisão, o encontro de Rachel com a tal mercenária e da tempestade de areia valeram a compra do ingresso com respaldo da crítica. Com orçamento de 145 milhões e o triplo disso em bilheteria mundial, o filme colocou a franquia novamente nos eixos. Protocolo Fantasma ainda traz uma série de novos elementos que revitalizam a franquia - fique atento às pistas de que na próxima trama a vida pessoal de Hunt voltará a entrar em pauta. 

Hoffman na terceira missão: o melhor vilão da franquia. 

Missão: Impossível (Mission: Impossible / EUA-França/1996) com Tom Cruise, Emanelle Beárt, Henry Czerny, Jon Voight, Vanessa Redgrave, Ving Rhames, Kristin Scott Thomas e Emilio Estevez. ☻☻☻

Missão: Impossível 2 (M:I 2 / Alemanha-EUA/ 2000) de John Woo com Tom Cruise, Thandie Newton, Dougray Scott, Anthony Hopkins, Ving Rhames e John Polson. ☻☻

Missão: Impossível III (Mission: Impossible III - EUA-China-Alemanha / 2006) de J.J. Abrams com Tom Cruise,  Phillip Seymour Hoffman, Maggie Q, Johnatan Rhys Meyers, Keri Russel, Michelle Monaghan, Billy Crudup e Simon Pegg. ☻☻☻☻

Missão Impossível: Protocolo Fantasma (Mission: Impossible - Ghost Protocol/EUA- Emirados Árabes / 2011) com Tom Cruise, Jeremy Renner, Paula Patton, Simon Pegg, Michael Nyqvist e Josh Holloway.
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terça-feira, 16 de agosto de 2011

Na Tela: Super 8


Joel Courtney: o cinema entre dores, amores e fantasias.

O maior problema de Super 8 é a expectativa que foi gerada ao seu redor, afinal, é o encontro de Steven Spielberg com J.J. Abrams. Spielberg dispensa apresentações, já J.J. tornou-se célebre na televisão com programas de sucesso como Felicity, Alias e o recente Lost. De olho em seu poder de envolver a plateia, Hollywood lhe deu a missão de assumir as rédeas de Missão Impossível 3 (2006) e o resultado foi o melhor longa da franquia. Depois lhe deram a missão espinhosa de reciclar a franquia Star Trek (2009) e o cara não desapontou nem os fãs mais xiitas. Já estava na hora de ver o que Abrams seria capaz de fazer com um longa fora da reciclagem de franquias consagradas, soma-se a isso a expectativa de seu nome ao lado de Spielberg e entenderemos porque tem gente que não se empolgou muito com Super 8. Devo dizer que o filme não é ruim e merece destaque num ano de produções sofríveis que só agora começa a ter suas gemas chegando por aqui. Super 8 transborda nostalgia (não por conta da trama ser ambientada no ano de 1979 e ter o nome de uma popular câmera de uma época que a câmera digital era quase uma lenda), além de ter se inspirado em um monte de referências de filmes com alienígenas (ET, Contatos Imediatos do Terceiro Grau e O Dia que a Terra Parou) para compor a sua trama (e estética), o filme carrega a alma de produções com grupos de crianças aventureiras que faziam sucesso na década de 1980 (de Os Goonies, passando por Conta Comigo e o pouco lembrado Viagem ao Mundo dos Sonhos). O resultado é bem feito, simpático e não deve decepcionar a garotada que sentiu falta de opções nas telas durante as férias escolares. O problema maior do filme é que nem sempre JJ consegue equilibrar todos os elementos de sua trama, embora funcionando, a costura de seus elementos tem pontos frouxos. Uma parte considerável da trama (e esta é a mais interessante) é sobre o grupo de crianças que quer fazer um filme Super 8 para participar de um concurso. É interessante ver os arquétipos da esquipe de produção: o diretor mandão (Riley Griffiths), o ator medroso (Gabriel Basso), a atriz que dilacera corações (a ótima Elle Fanning) e os técnicos que fazem o que podem para o longa não fazer feio (Zach Mills, Ryan Lee e o promissor Joel Courtney). O protagonista do filme é Joe Lamb (Courtney) que recentemente perdeu a mãe e nutre uma paixão platônica pela aspiante à atriz Alice (Fanning) - romance que é prejudicado pelo mal relacionamento entre seus pais. É Joe que é responsável pelas cores dramáticas da trama, esses dilemas que o personagem vivencia compõe o segundo ingrediente do filme, especialmente sua relação ainda tortuosa com o pai delegado (o correto Kyle Chandler). O terceiro é ponto da trama é o mais espetaculoso e começa quando as crianças presenciam um misterioso acidente de trem que mudará os rumos daquela cidadezinha (chamada Lilian, nome da avó de JJ). Acontecimentos estranhos começam a preocupar os moradores: quedas de luz, desaparecimento de habitantes, cachorros somem... A tarefa de JJ é projetar esses elementos de forma harmônica na tela, o que nem sempre acontece. As tramas são atraentes, mas colocadas uma do lado da outra mostram-se desequilibradas, podemos notar isso quando o filme termina de forma apressada e, por mais que seja bem sacada a ideia do relicário, fica-se com a impressão de qual era o papel daquele alienígena esquisito na história. Claro que eu sei que ele está ali pela aventura e chamar a atenção do público para os efeitos especiais (ou, na melhor das hipóteses fazer as crianças vivenciarem aventura parecia com a que filmam)  mas penso que o roteiro merecia uma última lapidada. De resto é um filme bem produzido e filmado, mas está longe de ser o concorrente ao Oscar que todos imaginavam. Trata-se de um filme pipoca de verão americano, só que melhor do que a maioria lançada neste ano. Para os apressadinhos, vale a pena esperar os créditos para desfrutar do filminho trash que a turma realizou.    

Super 8 (EUA/2011) de J.J. Abrams com Joel Courtney, Elle Fanning, Kyle Chandler e Noah Emmerich. ☻☻☻