terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

PL►Y: Morra Amor

J. Law: fora do Oscar
Caótico diáriw, há quem diga que a vaga ocupada por Kate Hudson no Oscar deveria ser ocupada por Jennifer Lawrence em sua performance em Morra Amor. Lembrei da torcida quando o longa foi exibido no Festival de Cannes com críticas à montagem do filme. A diretora Lynne Ramsey é esperta e voltou para a sala de montagem e fez o que pôde para deixar o filme mais, digamos, assistível. Digamos que ela não foi óbvia no retrabalho, já que ele está longe de ser convencional. Na trama Jennifer interpreta uma mulher que vai morar com o esposo (Robert Pattinson) em uma casa herdada afastada da cidade. A coisa complica quando ela tem o primeiro filho e suas emoções entram em colapso com o que parece ser uma depressão pós-parto. O filme então apresenta uma montagem que brinca com as memórias e sensações da personagem, sem querer ser didático, mas uma experiência sensorial. O resultado pode soar incômodo sem uma linearidade narrativa, indo e voltando no tempo para compor a história de um casal que caminha do fogo para as cinzas. J.Law costura a atenção da plateia mesmo quando o filme se torna fragmentado demais e um tanto disperso, mas que funciona entre os desarranjos entre o que Grace sente e o que se espera dela. Robert Pattinson está bem no filme, Sissy Spacek e Nick Nolte também (e como gosto de ver os dois veteranos em personagens experientes que parecem reconhecer o estado que a protagonista se encontra), no entanto, o que mais me chama atenção e a forma ousada como a diretora de Precisamos Falar Sobre Kevin (2012) resolve fazer esta adaptação do livro de Ariana Harwicz indo contra uma lógica convencional. Amei a trilha sonora e especialmente o controverso último ato. Enquanto eu assistia eu só lembrava do documentário Bruxas (2024) de Elizabeth Sankey. Aos fãs, se serve de consolo, Jennifer foi lembrada no Globo de Ouro de atriz de filme dramático (e com Mãe! do Aronofsky nem isso ela conseguiu). 

Morra Amor (Die My Love/ Reino Unido / Canadá / EUA - 2025) de Lynne Ramsey com Jennifer Lawrence, Robert Pattinson, Sissy Spacek, Nick Nolte, Lakeith Stanfield e Gabrielle Rose. 

domingo, 1 de fevereiro de 2026

PL►Y: A Meia-Irmã Feia

Lea: tudo pela beleza.
Harmonizado diáriw é impressionante como em tempos de releituras de terror de gosto duvidoso sobre personagens clássicos do cinema e da literatura, alguém surge com bom senso e faz realmente uma obra interessante. Se até a Disney erra em suas versões de carne e osso para os clássicos, torna-se ainda mais louvável o que a cineasta estreante Emilie Blichfeldt faz ao colocar em destaque a meia-irmã da Cinderela, a jovem Elvira no centro de uma narrativa própria. Sempre apresentada nas versões da história como uma moça pouco atraente, a diretora resolveu criar uma história em que a personagem passa por procedimentos estéticos arrepiantes para conquistar o príncipe encantado naquele bendito baile. Sem a ajuda de uma fada madrinha, Elvira (a ótima novata Lea Myren) recorre a um esteticista para fazer ajustes em algumas partes de seu corpo. Embora seja ambientado em uma era "vitoriana" na Noruega do século XIX, o culto à beleza e os sacrifícios motivados por ele são verdadeiras agulhadas nos tempos atuais. Misturando contos de fadas com body horror e pitadas de erotismo (a cineasta não tem problemas em apresentar partes masculinas durante a sessão) o filme impressiona pela criatividade em construir uma releitura ousada utilizando personagens já conhecidos. O mais interessante é que todo o horror que vemos no filme, faz lembrar as origens do clássico conto dos irmãos Grimm com crianças sendo devoradas por uma bruxa ou um lobo faminto na floresta. Aqui quem devora a protagonista é o padrão no qual ela não se encaixa. Com personalidade suficiente para deixar o público nervosamente curioso com os flagelos de sua protagonista, A Meia-Irmã Feia foi até lembrado no Oscar de melhor Maquiagem e Penteados (categoria a qual seu primo A Substância/2024 ganhou ano passado). 

A Meia-Irmã Feia (Den Stygge Stesøsteren / Noruega - Dinamarca - Suécia - Romênia - Polônia / 2025) de Emilie Blichfeldt com Lea Myren, Ane Dahl Torp, Thea Sofie Loch Næss, Isac Calmroth, Flo Fagerli, Malte Gårdinger, Willy Ramnek Petri e Adam Lundgren. 

PL►Y: Vivo ou Morto - Um Mistério Knives Out

Josh: um padre e seus demônios.
Sortudo diáriw, o Rian Johnson encontrou uma mina de ouro quando bolou a história de Entre Facas e Segredos (2019) e foi até indicado ao Oscar de roteiro original. Ele ficou tão animado que criou uma expectativa danada para a continuação Glass Onion (2022) que concorreu ao Oscar de roteiro adaptado. O terceiro filme da franquia nem isso conseguiu com uma história interessante misturando crimes e um pouco de fé. Aqui o roteiro subverte as expectativas do espectador na metade da sessão, aprofunda um pouco mais a narrativa em torno de um principal suspeito e consegue surpreender até recair nas tradicionais "informações surpresas" que ao longo da sessão não haviam sido mencionadas. Não deixa de ser uma traição ao espectador, mas pelo menos aqui temos (mais uma vez) um grupo de atores respeitados que toparam entrar na brincadeira e dar credibilidade à trama. Daniel Craig volta como o detetive Benoit Blanc, mas o destaque mesmo fica por conta de Josh O'Connor como o jovem padre suspeito de assassinar o padre responsável pela paróquia que o acolheu. No entanto, o padre veterano (vivido por Josh Brolin) estava longe de ser um exemplo para a comunidade com suas grosserias e comportamento, digamos, pecaminoso. A trama torce e retorce os segredos dos fiéis da paróquia para tornar o caso complicado de ser resolvido, vai e volta no tempo, constrói digressões e novos crimes deixando o detetive tão confuso quanto o espectador ao longo da sessão. O tipo de filme que não dá para revelar muito. Serve para passar o tempo e bom que a Netflix aprendeu que isto basta para o filme ser um sucesso. 

Vivo ou Morto - Um Mistério Knives Out (Wake Up Dead Man / EUA - 2025) de Rian Johnson com Daniel Craig, Josh O'Connor, Glenn Close, Josh Brolin, Jeremy Renner, Kerry Washington, Cailee Spaeny, Mila Kunis, Andrew Scott, Thomas Haden Church, Daryl McCormack e Jeffrey Wright. 

PL►Y: Os Roses - Até que a Morte os Separe

Olivia e Benedict: em pré-guerra. 
Querido diáriw diante de tantas mudanças em minha rotina eu quase desisti de continuar minha postagens por aqui, pela mais completa falta de tempo. No entanto, em meio às férias de janeiro eu cheguei à conclusão que se eu criasse algumas reformulações por aqui eu consiguiria manter uma regularidade de postagens. Espero que funcione. Minha primeira postagem do ano é sobre um remake simpático que chegou nas telas no ano passado. Os Roses - Até que a Morte os Separe é uma nova adaptação do livro de Warren Adler que já chegou às telas em 1989 pelas mãos de Danny DeVito e estrelado por Michael Douglas e Kathleen Turner sob o título de A Guerra dos Roses. Agora quem dá vida ao casal é Benedict Cumberbatch e a oscarizada Olivia Colman. O talento da dupla colabora bastante para que o filme se beneficie de um humor elegante, mesmo quando a dificuldade de convivência entre os dois se torna aparentemente incontornável. Ele é um ambicioso arquiteto que cai em desgraça quando um projeto cai no ridículo dos vídeos da internet e ela é uma chefe de cozinha que começa uma escalada de prestígio. Quando o sucesso do  do casal se inverte, a crise começa a se anunciar e o que era um casamento saudável começa a exibir um perigoso abismo. Esta nova versão se preocupa de ampliar a vida social do casal (o que enriquece o roteiro com sarcasmos sobre relacionamento aberto, traição, ciúmes e outros temas sobre casais) e constrói a crise do casal gradativamente de forma que conseguimos entender as motivações dos conflitos (a ascensão dela, a queda dele, ele cuidando da casa, o ninho vazio, a agenda dela sempre ocupada, a vaidade dele ferida). Conduzido sem exageros por Jay Roach, o melhor mesmo é ver o talento de Olivia e Benedict fazendo drama e comédia quase ao mesmo tempo desde a primeira cena em que estão diante da terapeuta. Eu lembro pouca da outra versão, mas percebi que esta aqui se distanciou bastante e conseguiu uma identidade própria. 

Os Roses - Até que a Morte os Separe (The Roses / Reino Unido - EUA - Austrália / 2025) de Jay Roach com Benedict Cumberbatch, Olivia Colman, Kate McKinnon, Andy Samberg, Ncuti Gatwa, Sunita Mani e Allison Janney.  

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

4EVER: Catherine O'Hara

04/03/1954 ✰ 30/01/2026

A atriz canadense Catherine O'Hara ficou mundialmente conhecida por seu trabalho como a mãe de Esqueceram de Mim (1990), mas nos últimos anos, a atriz se dedicou mais ainda aos trabalhos na televisão, ressaltando seus dotes cômicos que já foram amplamente utilizados nos filmes e Christopher Guest aos longo dos anos. Impossível não rir se seus trabalhos em O Melhor do Show (2000) e For Your Consideration (2006) que poderia ter lhe rendido uma indicação ao Oscar. Recentemente a atriz foi indicada a vários prêmios por seu trabalho na série O Estúdio (2025). A causa da morte não foi revelada. 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

INDICADOS AO OSCAR 2026

Pecadores: recorde de indicações.
Dando uma pausa do período de férias aqui no blog para escrever sobre os indicados ao Oscar de 2026. Vendo a lista de indicados, considero que reflete bastante o ano cinematograficamente fraco que Hollywood nos brindou em 2025. Sorte que temos filmes em língua não inglesa, algumas mentes que ousam pensar diferente nos estúdios do Tio Sam e o cinema indie sempre disposto a nos surpreender. Temos até uma obra original fazendo história ao se tornar a mais indicada na história do Oscar: Pecadores recebeu 16 indicações e superou o recorde de Titanic (1997). Seu maior concorrente é o favorito Uma Batalha Após a Outra, que curiosamente partilha os mesmos produtores do escritório da Warner. Para o Brasil, o melhor mesmo é ver O Agente Secreto surgindo em quatro categorias: melhor filme, melhor filme internacional, melhor ator e melhor escalação de elenco (a nova categoria do Oscar após 25 anos sem mudanças). A entrega acontecerá no dia 15 de março. Faça suas apostas, cruze os dedos e confira todos os indicados: 

Melhor Filme
Hamnet
Marty Supreme
Valor Sentimental
F1: O Filme

Melhor Diretor
Chloé Zhao (Hamnet: A Vida Antes de Hamlet)
Joachim Trier (Valor Sentimental)
Josh Safdie (Marty Supreme)

Melhor Escalação de Elenco
Hamnet
Marty Supreme

Melhor Ator
Timothée Chalamet (Marty Supreme)
Ethan Hawke (Blue Moon)

Melhor Atriz
Rose Byrne (Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria)
Jessie Buckley (Hamnet: A Vida Antes de Hamlet)
Renate Reinsve (Valor Sentimental)
Kate Hudson (Song Song Blue)

Melhor Atriz Coadjuvante
Inga Ibsdotter Lilleaas (Valor Sentimental)
Elle Fanning (Valor Sentimental)

Melhor Ator Coadjuvante
Stellan Skarsgård (Valor Sentimental)

Melhor Filme Internacional
Valor Sentimental (Noruega)
Foi Apenas um Acidente (França)
Sirât (Espanha)
A Voz de Hind Rajab (Tunísia)

Melhor Roteiro Adaptado
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet

Melhor Roteiro Original
Valor Sentimental
Marty Supreme
Foi Apenas um Acidente
Blue Moon

Melhor Canção Original
 Golden (Guerreiras do K-Pop)
Dear Me (Diane Warren: Relentles)
Sweet Dreams of Joy (Viva, Verdi!)
Train Dreams (Sonhos de Trem)

Melhor Trilha Original
Hamnet

Melhor Animação
Guerreiras do K-Pop
Arco
Zootopia 2
A Pequena Amélie
Elio

Melhor Documentário
Alabama: Presos do Sistema
Embaixo da Luz Neon
Cutting Through Rocks
Mr Nobody Against Putin
A Vizinha Perfeita

Melhor Figurino
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
Marty Supreme
Avatar: Fogo e Cinzas

Melhor Design de Produção
Hamnet
Marty Supreme

Melhor Maquiagem e Cabelo
Kokuho
Coração de Lutador
A Meia-Irmã Feia

Melhor Som
F1
Sirât

Melhor Montagem
F1: O Filme
Marty Supreme
Valor Sentimental

Melhor Fotografia
Marty Supreme

Melhor Efeito Visual
Avatar: Fire and Ash
F1
Jurassic World Rebirth
The Lost Bus

Melhor Curta-Metragem
The Singers
Jane Austen's Period Drama
Two People Exchanging Saliva
Butcher's Stain
A Friend of Dorothy

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

4EVER: Bela Tárr

21/07/1955  04/01/2026 

O cineasta húngaro Bela Tárr é um dos maiores nomes do cinema europeu. Suas obras ficaram famosas pelo rigor estético, o uso do preto e branco e do tom contemplativo. Cultuado pelos admiradores do chamado slow cinema, Tárr gostava de explorar dilemas morais e temas existencialistas em suas obras. Dirigindo desde o final dos anos 1970, Tárr ficou famoso com obras do porte de Danação (1988), O Tango de Satã (1994), A harmonia de Werckmeister (2000) e O Cavalo de Turim (2011) em que caprichava nos planos sequência. A causa da morte não foi revelada.