domingo, 22 de fevereiro de 2026

PL►Y: Juntos

Dave e Alison: num só. 

Unificado diáriw, acho interessante como os filmes de terror se beneficiam da busca por história originais de baixo orçamento pelos estúdios. Ano passado foi  excelente para o gênero e entre os lançamentos que chamaram atenção está Juntos. Protagonizado pelo casal da vida real Dave Franco e Alison Brie, o filme investe no body horror (engraçado como o gênero voltou à moda, David Cronenberg deve estar orgulhoso) para construir uma analogia muito interessante sobre a dependência emocional na vida de um casal. Dave interpreta Tim, um músico que a carreira nunca decolou. Alison vive Millie, uma professora que vai morar com o namorado em uma casa afastada. A coisa entre os dois está um tanto estranha desde que ela fez o pedido de casamento e ele ficou sem reação diante do pedido. Os dois tentam se acertar, mas quando resolvem fazer uma trilha juntos na floresta acabam se deparando com uma fonte de água estranha que o público já sabe o que gera por conta de dois cachorros que apareceram por lá. Ao longo do filme, uma série de sensações estranhas e situações bizarras vão deixar claro que os corpos de ambos desejam se tornar um só e não há nada de romântico nisso. Quando se afastam, um passa mal. Quando se beijam ou transam seus corpos grudam e aos poucos os desentendimentos tomam conta. A química real do casal (os atores estão juntos desde 2011, o que soa uma eternidade para Hollywood) ajuda bastante a dar credibilidade aos conflitos e desejos existentes entre os personagens. Achei que os efeitos são eficientes na maioria da vezes (ruim mesmo e aquela cena do cabelo que parece muito mal feita). Acho que o filme perde alguns pontos quando tenta explicar demais o que está acontecendo. Quando chegou ao final, percebi que achei a ideia mais interessante que o desenvolvimento da história, mas não posso negar que me diverti um bocado com o filme (e nunca mais vou ouvir Two Become One das Spice Girls sem sentir arrepios). 

Juntos (Together / Austrália - EUA / 2025) de Michael Shanks com Dave Franco, Alison Brie, Damos Herriman, Mia Morrissey, Karl Richmond e Jack Kenny. 

domingo, 15 de fevereiro de 2026

4EVER: Robert Duvall

05/01/1931 ✰ 15/02/2026

Robert Selden Duvall nasceu na Califórnia e começou a carreira em 1952 e participou de produções icônicas após estrear no cinema com o clássico O Sol é Para Todos (1962). Fez trabalhos importantes em M*A*S*H (1970), O Poderoso Chefão (1973), Rede de Intrigas (1972) e Apocalipse Now (1979). A longo da carreira concorreu ao Oscar sete vezes, recebendo o Oscar de ator por A Força do Carinho (1984) e em 2015 se tornou o ator de maior idade a ser indicado ao Oscar por seu trabalho em O Juiz (2015) em que concorreu como coadjuvante. A causa da morte não foi revelada. 

INDICADOS AO OSCAR 2026: Atriz Coadjuvante

Amy Madigan (A Hora do Mal) a atriz veterana chamou muita atenção nos anos 1980 e colecionou filmes de sucesso como Ruas de Fogo (1984), Campo dos Sonhos (1989) e Quem Vê Cara não vê Coração (1989). Embora nos anos 1990 sua carreira tenha perdido fôlego em Hollywood, Amy nunca parou de atuar no cinema e na televisão. Foi até engraçado quando a reconheci debaixo de todo o figurino da estranha Tia Gladys neste filme que se tornou um dos longas mais comentados do ano. É interessante notar o talento com que a atriz desliza entre todas as nuances da personagem envolvida com bruxaria, equilibrando o grotesco com o sinistro. Reza a lenda que o diretor ofereceu o papel para Meryl Streep e a atriz não topou o papel, sei que com uma torcida gigante do grande público para levar o Oscar para casa, pode se dizer que Tia Gladys foi parar em ótimas mãos. 

Elle Fanning (Valor Sentimental) no início da temporada, a atriz não era uma grande aposta entre as indicadas, o que torna ainda mais grata a surpresa de vê-la entre as cinco lembradas pela Academia. Elle estreou no cinema aos três anos de idade, interpretando a versão mais nova da irmã (Dakota Fanning) no filme Uma Lição de Amor (2001) e desde então não parou de atuar. Alternando vários gêneros no currículo e trabalhando com diretores importantes em mais de vinte anos de carreira, Elle se tornou uma das atrizes mais requisitadas de sua geração. Discreta e focada no trabalho, Elle ousou se arriscar em um filme norueguês de forte carga emocional e, mesmo em um papel relativamente pequeno, conseguiu dar conta de desenvolver uma personagem que se percebe no meio de um conflito familiar intenso. Na pele de uma atriz que questiona se é a pessoa certa para um papel, Elle recebeu sua primeira indicação ao Oscar. 

Inga Ibsdotter Lilleaas (Valor Sentimental) completa o trio de atrizes indicada pelo filme norueguês que chega forte ao Oscar deste ano. Na pele da filha mais nova de um cineasta pai ausente, Inga chama atenção pelos olhos expressivos e marcantes que dizem mais do que as palavras presentes no roteiro. Na pele da filha que atuou ainda menina no filme do pai - e agora vê sua irmã recusar o convite de fazer o mesmo, Inga tem uma performance sutil, mas de momentos fundamentais para o andamento da narrativa. Embora atue nos cinemas há mais de dez anos, nenhum de seus trabalhos anteriores alcançaram a repercussão mundial do filme de Joachim Trier. A indicação deverá render papeis de mais destaques para a atriz e devemos vê-la em mais filmes daqui para frente. Uma curiosidade: em entrevistas, Inga surpreendeu ao saber falar português após morar em Goiânia durante um ano de seu Ensino Médio. 

Teyana Taylor (Uma Batalha Após a Outra) passou boa parte de sua carreira artística como cantora e compositora, mas nos últimos anos começou a investir cada vez mais na carreira de atriz, chamando atenção da crítica e dos diretores. Basta ver o que ela fez em Mil e Um (2023) para ver seu potencial para carregar um filme nas costas. Desde então ela recebeu vários convites de trabalho, sendo neste filme de Paul Thomas Anderson a grande chance para se tornar uma grande estrela de cinema. Embora tenha pouco tempo de tela, sua presença marcante como a guerrilheira que trai seu grupo e abandona a família perpassa todo o filme, deixando o público sempre desejando o seu retorno. Pelo papel, Teyana foi indicada em todas as premiações da temporada e levou para casa o Globo de Ouro de atriz coadjuvante. Muitos apontam que ela está em uma disputa acirrada com Amy Madigan pela estatueta, o que pode gerar uma das entregas mais esperadas da noite. Esta é sua primeira indicação ao Oscar. 

Wunmi Mosaku (Pecadores) nos últimos anos, a atriz nascida na Nigéria tem recebido cada vez mais destaque em filmes e séries de televisão. Se o Emmy e o BAFTA já tinham reparado nela em seu trabalhos para a televisão, parece que o Oscar finalmente voltou seus olhos para uma das atrizes mais talentosas da atualidade. Wunmi interpreta Annie, a esposa de um dos protagonistas que é uma espécie de líder espiritual do seu grupo que se vê em uma batalha contra um grupo de vampiros. A triz que já teve destaque nas séries Luther (2010-2019), Loki (2021-2023) e Lovecraft Country (2020) bem que merecia ter sido mais lembrada nas premiações por seu excelente trabalho no filme O Que Ficou Para Trás (2020) que fez sucesso em Sundance e na Netflix e foi considerada a melhor atriz por este blog naquele ano. Wunmi tem tudo para ter papéis cada vez mais relevantes nos próximos anos. 

A ESQUECIDA: Chase Infiniti (Uma Batalha Após a Outra) o fato é que meu dedo coçou para colocar a Tânia Maria (O Agente Secreto) entre as indicadas, mas convenhamos que as chances sempre foram remotas disso acontecer. Sem dúvida quem de fato perdeu sua vaga na categoria foi a revelação Chase Infiniti devido à manobra de campanha que desejava colocá-la na categoria principal. Na hora da decisão, acabaram deixando a jovem atriz de 25 anos de fora de ambas as categorias. Tivesse sido indicada por aqui, provavelmente ela seria uma das grandes obviedades da noite como a filha que descobre suas origens e se envolve em situações que colocam sua vida em risco. Apesar de ter ficado de fora, após seu trabalho, a atriz está cotada para vário trabalhos, incluindo um novo filme com Gillian Anderson e uma série de TV. 

PL►Y: Valor Sentimental

Renate e Igna: irmãs. 
Afetuoso diáriw,  eu sou grande admirador do cinema do norueguês Joaquim Trier. Adoro a forma como ele apresenta seus personagens e constrói as tramas com muitos diálogos que dizem menos do que as entrelinhas. Seu novo filme, Valor Sentimental ganhou o Grande Prêmio do Júri (espécie de segundo lugar) do Festival de Cannes. Ao longo do ano tornou-se um dos filmes mais elogiados do ano e o principal concorrente do brasileiro O Agente Secreto (2025) no páreo de melhor filme internacional. Se o brasileiro concorre em quatro categorias, o longa norueguês está na disputa em nove. Seu elenco está todo indicado indicado e ainda roteiro original, montagem, direção e melhor filme. Na trama, duas irmãs atravessam o luto pela morte da mãe quando o pai cineasta (Stellan Skarsgaard) retorna depois de muito tempo com um roteiro embaixo do braço e um convite para a primogênita, Nora (Renate Reinsve) viver a protagonista. Ela antes mesmo de ler o roteiro, rejeita o convite. Nora é uma atriz renomada do teatro, embora sua relação com os palcos seja um tanto, digamos... complicada. A relação da irmã caçula, Agnes (Igna Ibsdotter Lilleaas) parece ser mais tranquila com o pai, tendo atuado ainda criança no último filme dele e ter desistido da carreira logo depois. Agnes casou, tem um filho e parece bem resolvida, enquanto Nora tem um bocado de sentimentos complicados para lidar com a figura paterna. Outros personagens importantes na história são a jovem atriz (Elle Fanning) que assume o papel principal do filme e a casa que está na família há tempos  e que servirá de locação para o longa. Trier faz um filme tão contido quanto intenso, recheado de relações familiares, projeções, necessidades de validação e aquela roupa suja que precisa ser lavada mais cedo ou mais tarde. Depois da parceria em  A Pior Pessoa do Mundo (2021), Joaquim e Renate Reinsve arrasam mais uma e desejo que façam muitos filmes juntos. 

Valor Sentimental (Affeksjonsverdi / Noruega / Alemanha / Dinamarca / Suécia / Turquia / França / Reino Unido / 2025) de Joaquim Trier com Renate Reinsve, Stellan Skarsgård, Igna Ibsdotter Lilleaas, Elle Fanning, Anders Danielsen Lie e Cory Michael Smith. 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

4EVER: James Van der Beek

08/03/1977 ✰ 11/02/2026

Nascido no Texas. James Van Der Beek estreou na TV em 1993, mas a fama chegou cinco anos depois na pele do adolescente de bom coração, e apaixonado por cinema, Dawson Leery, James se tornou o ídolo de uma geração ancorado nas seis temporadas da série. Ainda que o cinema não tenha lhe abraçado como seus colegas de elenco, ele alcançou boas críticas por seus trabalhos nos longas Marcação Cerrada (1999) e Leis da Atração (2002). Em 2023 o ator foi diagnosticado com câncer colorretal e desde então realizava tratamento.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

NªTV: Pluribus

Rhea: contra o coletivo
Dissonante diáriw, o final de 2025 trouxe aquela que se tornou a série mais falada e e elogiada do ano. Com a assinatura ilustre de Vince Gilligan (o cérebro por trás de Breaking Bad/2008-2014)) a ficção científica Pluribus virou febre com seus episódios semanais (agora todos disponíveis na AppleTV. A ideia é genial: um sinal vindo do espaço funciona como uma liga que conecta todas as mentes das pessoas do planeta Terra. As mentes interligadas fazem com que as pessoas se entendam melhor e convivam de forma pacífica. As brigas, a violência, os crimes, as guerras acabaram e todos estão felizes vivendo como nunca antes. No entanto, algumas pessoas demonstram imunidade à este pensamento coletivo. Dentre estas doze pessoas está a escritora Carol Sturka (Rhea Seehorn), que torna-se ainda mais amarga quando sua companheira morre durante o processo de propagação desta ligação. O primeiro episódio da série é perfeito, misturando ficção científica, terror e drama, construindo uma atmosfera envolvente que bebe diretamente na clássica série Além da Imaginação. Nos episódios seguintes, Carol começa a questionar todo aquele comportamento, no entanto, percebe que toda sua insatisfação e revolta podem gerar efeitos colaterais entre os outros. Obstinada a descobrir o que está acontecendo, ela se depara com alguns mistérios, cria algumas confusões e a série se beneficia ao apresentar uma nova configuração mundial, que por um lado traz benefícios e por outro assusta ao instaurar somente uma forma de pensamento. Pode se fazer várias analogias à trama, seja sobre a internet, o fascismo, o comportamento de manada, a manutenção de uma identidade própria e o pensamento dissonante como uma ameaça. Ainda que sua personagem seja uma chata,  Rhea Seehorn está ótima em cena e até nos faz esquecer de como sua personagem é de uma nota só. Particularmente achei que lá pela metade tudo se torna repetitivo, mas a curiosidade com este admirável mundo novo, permanece até uma nova temporada. 

Pluribus (EUA-2025) de Vince Gilligan com Rhea Seehorn, Karolyna Wydra, Carlos Manuel, Miriam Shor, Max Reeves, Menik Gooneratne e Samba Schutte. 

sábado, 7 de fevereiro de 2026

NªTV: Stranger Things - Temporada Final

Noah: um novo X-Men

Estranho diáriw, pensei muito se deveria escrever alguma coisa sobre a quinta e  última temporada de Stranger Things, afinal, faz um tempo que pararam de comentar sobre ela, mas acho que vale o registro de uma série que se tornou febre mundial e enfrentou todo tipo de desafio até chegar em seu desfecho. Desde o início sabia-se que o elenco infantil iria crescer. O problema é que depois de uma pandemia e uma greve de roteiristas, elas cresceram mais do que o planejado. Além destes percalços, entregar cinco temporadas ao longo de dez anos com intervalos irregulares já faz tudo ficar um pouco esquecido e perdido no fio da meada. Eu esperei todos os episódios estarem disponíveis para assistir de uma vez, mas confesso que nunca demorei tanto para ver oito episódios. Tive a impressão que todos eram uma grande enrolação até chegar ao confronto final com duração esticada de longa metragem. Precisava de tudo isso? Não. Ainda acho que poderia ter terminado na quarta temporada, esta quinta privilegia mais a ação ao separar os personagens em várias tarefas que visam destruir o vilão Vecna. Nisso tem algumas pontas da temporada anterior para amarrar e se Millie Bobby Brown parece desanimada ao retomar Eleven, a produção ao menos tem a boa ideia de colocar Will (Noah Schnapp) com maior destaque ao explorar sua conexão com o vilão da história, o temido Vecna (Jamie Campbell Bower). No entanto, achei uma chateação aquela reunião para Will sair do armário com gente chorando de emoção e todos o aceitando de boa nos anos 1980... como este, nos raros momentos em que o foco recai no desenvolvimento de personagens eu achei forçado, tanto que aquelas últimas cenas do último episódio soam protocolares. É triste ver uma série tão legal terminar de forma tão sem graça. Prova disso é o que fizeram com Winona Ryder, David Harbour, Linda Hamilton entre outros com personagens sem muito o que fazer no meio do corre-corre interminável da temporada. Deveria ser uma aventura de tirar o fôlego, mas só me deu sono. Enfim, acabou. Amém. 

Stranger Things - Temporada Final (Stranger Things / EUA - 2025) de Matt Duffer e Ross Duffer com Millie Bobby Brown, David Harbour, Winona Ryder, Noah Schnapp, Jamie Campbell Bower, Finn Wolfhard, Caleb McLaughlin, Gaten Matarazzo, Joe Keery, Sadie Sink, Natalia Dyer, Maya Hawke e Charlie Heaton.