domingo, 13 de setembro de 2026

CICLO VERDE E AMARELO: Love Kills

Thais Lago: vampiros em São Paulo. 

Vampiresco diáriw, a O2 filmes acabou de lançar um canal no Youtube em que colocará filmes de seu acervo em cartaz de forma gratuita, Love Kills é um dos filmes que está em cartaz por lá. Adaptado da graphic novel de Danilo Beiruth, a diretora Luiza Shelling Tubaldini faz um verdadeiro deleite estético na construção de uma cidade de São Paulo habitada por vampiros. Fotografia, figurino, direção de arte, tudo é feito no capricho para contar uma fase complicada da vida imortal de Helena (Thais Lago), uma vampira com mais de cinco mil anos que procura suas refeições pela maior metrópole brasileira. Sua rotina de dormir de manhã e vagar durante a noite é transformada  quando um grupo de vampiros pretende acabar com sua existência. Após a vampira tanto tempo tendo ao seu lado somente o amigo Victor (curiosamente vivido por Flow Kountouriotis), surge um rapaz mortal aparece apaixonado por ela. Leander (Erom Cordeiro) trabalha no bar frequentado por ela e aos poucos descobre que sua amada está longe de ser uma mera mortal. De vez em quando o roteiro arranha a história de Leander, mas ela nunca recebe muita atenção, concentrando o texto em sua relação com Helena. Cheio de estilo, Love Kills inova ao ser um raro filme de vampiro brasileiro, mas por vezes tropeça na própria pose, o que que torna a experiência um tanto artificial. Os diálogos um tanto rebuscados também incomodam, mas se você embarcar na atmosfera proposta pelo filme você é capaz de relevar tudo isso. O capricho da produção não evita também que tenhamos a sensação de que estamos diante do primeiro episódio de uma série para televisão sobre uma vampira que encontra o amor enquanto todos os desafetos colecionados através  dos milênios resolvem se vingar dela. Se você busca um filme brasileiro diferente, este é uma boa pedida. 

Love Kills (Brasil-2025) de Luiza Shelling Tubaldini com Thais Lago, Erom Cordeiro, Flow Kountouriotis, Almir Guilhermino, Gabriela Flores, Rosana Maris e Marat Descartes. 

sábado, 12 de setembro de 2026

CICLO VERDE E AMARELO: Transe

Luisa e Ravel: de boas intenções...

Fúlgido diáriw, o período das eleições de 2018 se caracteriza como um dos mais estranhos da história recente de nosso país. Nos anos seguintes, a coisa apenas se complicou ainda mais com uma pandemia no meio para embolar ainda mais as lembranças e as emoções da população. No meio da polarização acirrada daquela eleição as diretoras Anne Pinheiro Guimarães e Carolina Jabor resolveram realizar filmagens do que resultaria em Transe, filme lançado em 2022 com registros daquele período. O filme é um misto de ficção e documentário com base em seu trio de atores interagindo com pessoas nas ruas e improvisando cenas diante da câmera. Em alguns momentos a coisa parece se tornar interessante, mas em outras cai em armadilhas que só denunciam uma fragilidade no discurso que só evidencia certa superficialidade. Luisa Arraes vive Luisa, uma atriz que mora com o namorado músico Ravel (Ravel Andrade). Ela conhece Johnny (Johnny Massaro) em uma manifestação e subitamente se estabelece um trisal. A ideia é que o trio personifique tudo o que incomoda a família tradicional brasileira, mas faltou construir os personagens para que eles parecessem de verdade. A ideia de dar a eles o nome dos atores também não ajuda, assim como os diálogos saídos de uma enciclopédia de clichês, o que dificulta ainda mais a plateia comprar o discurso politizado que tenta imprimir. Algumas pessoas com que os atores interagem tiram o filme do marasmo, mas nada avança como debate interessante sobre um período crucial da realidade sócio-política brasileira recente. O distanciamento temporal só faz a produção soar ainda mais simplista em suas complexas intenções de desvendar o transe coletivo em torno do candidato que seria eleito.  

Transe (Brasil/2022) de Anne Pinheiro Guimarães e Carolina Jabor com Luisa Arraes, Ravel Andrade, Johnny Massaro, Bella Camero, Matheus Macena e Ana Flavia Cavalcanti. 

PREMIADOS FESTIVAL DE VENEZA 2026

Woman Unknown: melhor filme e melhor atriz em Veneza

 E o Festival de Veneza chegou ao fim anunciando seus premiados. Gerou alguma polêmica o fato do grande premiado com o Leão de Ouro ser Woman Unknown da diretora May El-Toukhy o único longa da mostra competitiva dirigido por uma mulher. Ainda assim, as qualidades do filme (sobre a rotina de uma empregada na ocupação alemã na Dinamarca durante a Segunda Guerra Mundial) devem lhe garantir algum fôlego para o Oscar do próximo ano - e ao que parece a mídia já anunciou o seu favorito ao Oscar de melhor ator: John Malkovich. A seguir todos os premiados desta edição: 

Leão de Ouro: "Woman Unknown" de May el-Toukhy

Leão de Prata - Grande Prêmio do Júri: "Amor Possível" de Lee Chang-dong

Leão de Prata - Melhor Direção: Ilya Khrzhanovsky (DAU)

Prêmio Especial do Júri: "NAZA"  de Yuval Abraham e Rachel Szor

Melhor Roteiro: "Un bon petit soldat"

Copa Volpi de Melhor Ator: John Malkovich (Cavalo Selvagem Nove) 

Copa Volpi de Melhor Atriz: Mathilde Arcel (Woman Unknown)

Prêmio do Público: "Eu Contez" de Alina Şerban

Melhor Jovem Ator: Malou Khebizi  (A Place to Heal)


terça-feira, 1 de setembro de 2026

4EVER: Gracindo Júnior.

21/05/1943 ✰ 01/09/2026

Epaminondas Xavier Gracindo nasceu no Rio de Janeiro, filho do lendário ator Paulo Gracindo, estreou como ator no teatro em 1962. Na mesma década iniciou seus trabalhos na televisão em produções. Trabalhou nas novelas A Moreninha (1965), Dona Beija (1986), Mandala (1987) e Celebridade (2003) e muitas outras. Em 1980, Gracindo Jr fez um comercial para a Loja Adonis em que inaugurou a nudez masculina na TV (na ocasião ele aparecia sem roupa somente com uma sombra na altura dos quadris). Diretor, roteirista, ator e roteirista, fez mais de vinte filmes ao longo de sua carreira, incluindo Buffo & Spalanzani (2001) e Irmã Dulce (2014). O artista faleceu de causas naturais. 

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Festival de Veneza 2026

A 83ª edição do Festival de Veneza começa no dia 02 de setembro e se estenderá até o dia 12 de setembro, na competição estarão filmes assinados por Danny Boyle, Werner Herzog, Martin McDonoagh, Hirokazu Koreeda, Nanni Moretti e Florian Zeller. Com a realização próxima da temporada de ouro das grandes premiações, o Festival está cercado de expectativas. O júri deste ano é presidido pela cineasta e atriz Maggie Gyllenhaal e conta com Daniel Blumberg, Xavier Giannoli e Frenacesco Casetti entre os jurados. A seguir todos os filmes que serão exibidos no festival ao longo de dez dias:

Mostra Competitiva

Ink, dir. Danny Boyle (Filme de Abertura)

Company, dir. Casey Affleck

A Bit of Light, dir. Ali Asgari

Ritorno a Buenos Aires, dir. Marco Bechi

Un Bon Petit Soldat, dir. Stephane Brize

Il Fuoco Che Ti Porti Dentro, dir. Edoardo de Angelis

Woman Unknown, dir. May el-Toukhy

Bucking Fastard, dir. Werner Herzog

A Place to Heal, dir. Cedric Kahn

Dau, dir. Ilya Khrzhanovsky

Look Back, dir. Hirokazu Koreeda

Possible Love, dir. Lee Chang-dong

Cavalo Selvagem Nove, dir. Martin McDonagh

It Will Happen Tonight, dir. Nanni Moretti

Primetime, dir. Lance Oppenheim

The Echo Chamber, dir. Andrea Pallaoro

Un Peu Avant Minuit, dir. Nicolas Pariser

L’Estranea, dir. Paolo Strippoli

Mr. Nelson, Did You Kill People?, dir. Shinya Tsukamoto

Bunker, dir. Florian Zeller

Mostra Holofote

Sumo: Spirit Weighs Nothing, dir. Erik Shirai (Filme de Abertura)

Conversation With the Sea, dir Muayad Alayan,

Hombre Al Agua, dir. Gael Garcia Bernal

Serpenti, dir. Roberto de Paolis Maino

Furies, dir. Rami Kodeih

Guria, dir. Levan Koguashvili

Ground Floor, dir. Gabor Reisz

I Matter, dir. Alina Serban

Mostra Horizontes

La Ragazza con la Leica, dir. Alina Marazzi (Filme de Abertura)

The Burning Giants, dir. Phuttiphong Aroonpheng Thai

What Belongs to Others, dir. Grzegorz Debowski

Una Storia, dir. Anna Foglietta

La Citta dei Vivi, dir. Edoardo Gabbriellini

Falling House, dir. Mohsen Gharaei

Too Much Sugar, dir. Robert Greene

The Difficult Bride, dir. Rubaiyat Hossain

La Maison du Vent, dir. Auguste Bernard Kouemo Yanghu

I Figli Della Scimmia, dir. Tommaso Landucci

A Day in the Life of Jo: Chapter Phaedra, dir. Jacqueline Lentzou

Oasis, dir. Jannis Lenz

Until the Day Ends, dir. Jelena Maksimovic

La Moula, dir. Jerome Pierrat

Lovers in the Blue Night, dir. Anuparna Roy

Un Detour par Diane, dir. Ann Sirot, Raphael Balboni

The Color of the Sun, dir. Xavier Tera

Mostra Venice Open

Juso Per Ferie, dir. Karen di Porto

Nino – Un Film su Nino, dir. Walter Fasano

The Pervert’s Guide to Utopias, dir. Sophie Fiennes

Joie de Vivre, dir. Luca Guadagnino

Twist and Shoot Mister Suzuki, dir. Yves Montmayeur

Intermission, dir. Yonfan

Mostra Venice Open  Não-Ficção

Be Brave, dir. Francesco Carrozzini

What Loves Builds, dir. Russell Crowe

Burgundy, dir. Michael Dweck, Gregory Kershaw

Musk, dir. Alex Gibney

The Road to Jericho, dir. Amos Gitai

Citizen Osama, dir. Ahmed Hassouna

Union Town, dir. Barbara Kopple

Holy Wood Dust, dir. Victor Kossakovsky

Letters from the Silenced Country, dir. Andrei Kutsila

Biografia de Jorge Luis Borges, dir. Mariano Llinas

My Undesirable Friends Part II – Exile, dir. Julia Loktev

Boatbilders, dir. Luke Lorentzen

Imperium, dir. Sergei Loznitsa

Shumei – The Living Legacy of Kabuki, dir. Takashi Miike

Queer Edward II, dir. Theo Rollason

Oasis: Don’t Look Back in Anger, dirs. Dylan Southern, Will Lovelace

Dust, dir. Tsai Ming-liang

Everest: The Other Side, dirs. Elizabeth Chai Vasarhelyi, Jimmy Chan

From Inside Out – The Architecture of Peter Zumthor, dir. Wim Wenders

Mostra Venice Open - Ficção

Nessun Dolore, dir. Gianni Amelio

Let Us Through, Dear Ancestors, dir. Lav Diaz

Father Joe, dir. Barthelemy Grossman

Scherzetto, dir. Mario Martone

Place to Be, dir. Kornel Mundruczo

No Paradise if You Are Killed by a Woman, dir. Halkawt Mustafa

Arrested Memory, dir. Sabu

The Basics of Philosophy, dir. Paul Schrader

Un Bon Avocat, dir. Tristan Seguela

Jupiter, dir. Alexandre Smia

Dio Ride, Giovanni Veronesi (Filme de Encerramento)

PL►Y: Vida Privada

Jodie: a ética na esquina. 

Admirado diáriw, Jodie Foster é uma das minhas atrizes favoritas desde sempre. Sou fã dela desde que a vi em O Silêncio dos Inocentes (1991) e ela se tornou uma daquelas atrizes em que basta o nome estar em alguma produção para atiçar meu interesse. Infelizmente ela filma pouco ultimamente, o que deixa uma curiosidade a mais para assistir este Vida Privada que está em cartaz na HBOMAX. Ela interpreta Lilian Steiner, uma renomada psiquiatra que tenta lidar com o suicídio de uma de suas pacientes, Paula (Virginie Efira). Considerando que conhecia bem a paciente, ela não acredita que tenha tirado a própria vida, suspeitando que trata-se de um caso de assassinato. Ajuda muito a aumentar as suspeitas de Lilian a hostilidade com que é tratada pelo marido da paciente, Simon (Mathieu Almaric) e o comportamento suspeito da enteada da falecida, Valérie (Luàna Bajrani). A narrativa se dedica à mostrar a psiquiatra descobrindo fatos e costurando pistas conforme sua suspeita instiga e, embora o roteiro não ofereça nada demais ao espectador, torna-se interessante pela forma como expõe nossa capacidade de criar as próprias verdades, moldando o que se encaixa em nosso ponto de vista e desconsiderando todo o resto que indique uma direção contrária. A diretora Rebecca Zlotowski consegue construir uma atmosfera envolvente de mistério e conta com um elenco impressionante que ainda conta com Daniel Auteuil como o ex-marido de Lilian e Vincent Lacoste como o filho cheio de ressentimentos. Entre suspeitas e desventuras, o filme de vez em quanto encontra até espaço para algum humor ancorado em um trabalho que soa como a antítese da personagem que Jodie Foster interpretou na última temporada de True Detective. Não chega a ser um filme memorável, mas é até instigante. 

Vida Privada (Vie Privée / França - 2025) de Rebecca Zlotowski com Jodie Foster, Mathieu Almaric, Virginie Efira, Luana Bajràni, Daniel Auteuil e Vincent Lacoste. 

domingo, 30 de agosto de 2026

PL►Y: O Convite

Seth e Olivia: casal anfitrião em crise. 

Entusiasmado diáriw, fico muito feliz de ver Olivia Wilde reencontrando seu caminho como diretora após a bagunça de Não se Preocupe, Querida (2022). A diretora brigou para que seu terceiro filme fosse lançado nos cinemas e chegou a recusar uma proposta robusta da Netflix que o lançaria direto no streaming. O resultado é um sucesso de bilheteria abraçado pelo público adulto que estava carente de um comédia madura ancorada em diálogos e atuações inspiradas. Baseado no filme espanhol Sentimental (2020) de Cesc Gay, o roteiro de Rashida Jones e Will McCormack  onsegue dar aos personagens novas nuances que torna tudo mais interessante. O filme conta a história do jantar promovido por Angela (Olivia Wilde) para os seus vizinhos, Piña (Penelope Cruz) e Hawk (Edward Norton) - mesmo que seu esposo, Joe (Seth Rogen) seja contra. A situação anda tensa entre o casal anfitrião, Joe é frustrado com sua carreira na música e Angela nunca conseguiu se dedicar à sua profissão, ficando presa às neuras de afazeres cotidianos. Já os convidados são descolados e tem uma vida sexual audível que mostra-se ainda mais movimentada do que os seus vizinhos suspeitavam. Entre diálogos afiados sobre a vida dos casais e alguns constrangimentos surge um convite inesperado para o casal em crise sair da rotina. Olivia Wilde faz um ótimo trabalho na direção, os atores apresentam uma ótima sintonia e a narrativa do filme flui de forma surpreendente levando em consideração a ambientação em uma única locação. Utilizando a estrutura do apartamento para emoldurar seus personagens, O Convite tem um pouco do cinema de Woody Allen quando ele dizia "vamos parar de rir e falar sério" e, não por acaso, o filme é dedicado à Diane Keaton (musa master do cineasta cancelado). Eu amei a última cena que deixa o final em aberto. 

O Convite (The Invite / 2026) de Olivia Wilde com Olivia Wilde, Seth Rogen Penelope Cruz e Edward Norton. ☻☻☻☻ 

PL►Y: Michael

Jafaar: honrando o legado do tio. 

Sonoro diáriw, a cinebiografia de Michael Jackson rende mais de um bilhão de bilheteria. Enquanto estava em cartaz era comum ver as reclamações com uma plateia disposta a render-se à empolgação e cantar junto, levantar e dançar na frente da tela. O repertório do Rei do Pop justificaria a postura de quem esqueceu os bons modos em casa e achou que iria para um show? Fato é que a trilha sonora de Michael é realmente empolgante e quem vivenciou aquele tempo em que ele dominava as rádios e a MTV (antes de se tornar um sujeito estranho) viverá uma compreensível nostalgia. Tirando a música do filme não sobra muita coisa no longa assinado por Antoine Fuqua. O roteiro de John Logan é capenga e se limita a costurar com algumas situações da vida do cantor os momentos dedicados aos seus maiores sucessos, no entanto vemos pouco do processo criativo do artista e nada de sua complexidade artística ou enquanto sujeito. De resto temos Jaafar Jackson (sobrinho do Michael) convincente como o cantor enquanto está cantando, dançando e consegue representar os gestos, olhares sorrisos e voz do tio, mas como ator o material que tem em mãos é pouco para trabalhar, já que os conflitos do protagonista estão mais vinculados à sua figura paterna opressora (vivido por Colman Domingo fazendo mais do que o roteiro lhe oferece) do que as suas ambições. Desta forma o final não poderia ser muito diferente do que ele anunciando sua saída do crivo do pai, mas é como cinema é pouco. A produção é bem cuidada, as luzes, a montagem, o som... mas o texto é fraquíssimo. O Rei do Pop merecia mais. Não por acaso a mana Janet Jackson pediu para nem ser mencionada na produção. Terminando na era Bad (1987), o filme terá uma sequência que acompanhará os anos mais complicados da carreira de Jackson. Imagino como será...  

Michael (EUA-2026) de Atoine Fuqua com Jaafar Jackson, Colman Domingo, Nia Long, Miles Teller, Mike Myers, Laura Harrier, Jessica Sula e KeiLyn Durrell Jones. 

sábado, 29 de agosto de 2026

PL►Y: 9 ¹/² Semanas de Amor

Kim e Mickey: relacionamento tóxico. 
Amoroso diáriw, este filme faz parte daquela lista de "filmes muito falados que eu nunca assisti". Nunca tive muita vontade de assistir, acho que por pré-conceito mesmo já que sempre imaginei que era sobre uma casal apaixonado até que o amor acabava antes da décima semana. Confesso que fiquei surpreso em perceber como o filme tem mais nuances do que a pecha de romance erótico que atribuíram a ele. As cenas de sexo são  discretas e não deve deixar espectadores impressionados, mesmo contando com os corpos jovens de Kim Basinger e Mickey Rourke. Ele vive um executivo charmoso e um tanto misterioso, ela vive uma mulher que ainda tenta lidar com as feridas de um divórcio. Os dois começam um tórrido relacionamento amoroso, mas logo nas primeiras cenas você percebe que o rapaz é meio cretino e curte promover umas situações humilhantes com sua amada. Chamar de amada é um tanto demais, já que eu não enxerguei muito amor no filme. Percebi desejo, tesão, fantasias e fetiches, mas amor... a coisa fica ainda mais complicada quando percebemos a vulnerabilidade de Elizabeth em um relacionamento que mexe em algumas feridas de  sua auto-estima. Dizem que o diretor Adryan Lyne (que se tornou expert em dramas sexuais já no ano seguinte com Atração Fatal/1987 e depois vieram Proposta Indecente/1993, Lolita/1997 e Infidelidade/2002) tinha várias horas de filme que foram cortadas e que davam um sentido muito mais complexo (e ordenado) para o relacionamento entre os personagens. No fim das contas achei um filme ousado para época (foi fiasco nos EUA e sucesso na Europa) e serviu para dar status de estrela para o casa principal. Décadas depois cada um receberia uma indicação ao Oscar, mas neste filme Kim tem cenas de partir o coração (e nunca tinha imaginado como ela parecia com a Liv Ullman!). 

9 ¹/² Semanas de Amor (9¹/² Weeks / EUA - 1986) de Adrian Lyne com Kim Basinger, Mickey Rourke, Margareth Whitton, Sarah Kernochan, Christine Baranski e David Marguiles.