quarta-feira, 5 de agosto de 2026

GRANDE PRÊMIO DO CINEMA BRASILEIRO 2026

Jesuíta: melhor ator. 
Ontem aconteceu a entrega dos prêmios da Academia Brasileira de Cinema, o Prêmio Gande Otelo foi entregue no Rio de Janeiro e selou uma estranha rivalidade que marcou toda a temporada do ano passado. A culminância com o empate entre O Agente Secreto e Manas como melhor filme foi uma das coisas mais estranhas da história da premiação. Se ano passado Ainda Estou Aqui quase ganhou um prêmio especial e ficou de fora de todas as categorias para que os acadêmicos pudessem premiar outros profissionais do ramo, a sensação é que este ano a vontade foi tentar fazer o mesmo. O Agente Secreto (que foi indicado a quatro Oscars) acabou levando quatro prêmios técnicos na noite e a categoria principal. Manas levou cinco (atriz coadjuvante, direção, roteiro original e montagem). Fiquei feliz mesmo foi com Jesuíta Barbosa celebrado por Homem com H que foi escolhido como melhor filme pelo júri popular (pairando acima de toda briga de egos que marcou o gosto da Academia durante a temporada). A seguir os premiados da noite: 

Melhor Filme de Ficção

Melhor Filme de Comédia
Velhos Bandidos

Melhor Documentário
Apocalipse nos Trópicos

Melhor Filme Infantil
O Diário de Pilar na Amazônia

Melhor Animação
Tainá e os Guardiões da Amazônia 

Melhor Filme Ibero-Americano

Melhor Direção
Marianna Brennand — Manas

Melhor Primeira Direção de Longa-Metragem
Rafaela Camelo — A Natureza das Coisas Invisíveis 

Melhor Atriz de Longa-Metragem
Denise Weinberg — O Último Azul 

Melhor Ator de Longa-Metragem

Melhor Atriz Coadjuvante de Longa-Metragem
Dira Paes — Manas

Melhor Ator Coadjuvante de Longa-Metragem

Melhor Roteiro Original

Melhor Roteiro Adaptado

Melhor Direção de Fotografia
Evgenia Alexandrova — O Agente Secreto 

Melhor Direção de Arte
Thales Junqueira — O Agente Secreto

Melhor Figurino

Melhor Maquiagem

Melhor Montagem de Ficção
Isabela Monteiro de Castro — Manas

Melhor Montagem de Documentário
Apocalipse nos Trópicos

Melhor Efeito Visual

Melhor Som

Melhor Trilha Sonora

Melhor Série

Melhor Atriz em Série
Alice Carvalho — Cangaço Novo 

Melhor Ator em Série

Melhor Série de Documentário
Caçador de Marajás 

Melhor Série de Animação
Osmar, a Primeira Fatia do Pão de Forma (3ª temporada) 

Melhor Curta de Ficção
Amarela

Melhor Curta de Documentário
Sebastiana

Melhor Curta de Animação
A Tragédia do Lobo-Guará

terça-feira, 4 de agosto de 2026

NªTV: DTS St. Louis

Jason e David: nada é o que parece.
Elogiado diáriw, a minissérie DTS St Louis da HBO se tornou uma das produções mais celebradas do ano e, se considerarmos suas 13 indicações ao EMMY, deve se tornar uma das mais premiadas da temporada. Exibida nos meses de março e abril na emissora, meu interesse pelo programa veio com os comentários positivos unânimes que ouvi. O mérito aqui é subverter a impressão inicial de "já sei o que vai acontecer". Aquela sensação de comédia dramática suburbana que gerou pérolas como Beleza Americana (1999) e a série Desperate Housewives (2004-2012) repete-se aqui, mas nada é do jeito que você imagina. A trama aborda a amizade entre o apresentador Clark Forrest (Jason Bateman) e o intérprete de libras Floyd Smernitch (David Harbour) que o acompanha nos telejornais. Os dois ficam muito próximos e quando Floyd é encontrado morto, recai sobre Clark a suspeita de assassinato. Ao final do primeiro episódio a suspeita ganha ares de certeza com o caso entre ele e a esposa do falecido (Linda Cardellini) e os seis capítulos que se seguem servem para confundir o público e os investigadores encarregados do caso vividos por Richard Jenkins e Joy Sunday (que já teve destaque na série Wandinha, mas aqui mostra-se a revelação do elenco). A trama criada por Steve Conrad mistura adultério, aplicativos sexuais, amizade e auto-estima como uma espécie de jogo contra as expectativas do espectador. Se a visão inicial é a intenção de surpreender a plateia a qualquer custo, no desfecho percebemos que a proposta torna-se um desafio à nossa percepção sobre relações humanas. Não por acaso, a minissérie reforça o tempo inteiro que de perto ninguém é normal - e afinal, o que é ser normal? No fim das contas, só senti falta de um melhor desenvolvimento da esposa de Clark que praticamente some da narrativa. 

DTF St. Louis (EUA-2026) de Steve Conrad com Jason Bateman, David Harbour, Linda Cardellini, Richard Jenkins, Joy Sunday, Peter Sarsgaard, Chris Perfetti e Arlan Ruff.  

domingo, 2 de agosto de 2026

PL►Y: Mesa Maldita

Pareja: o horror do luto. 

Enlutado diáriw, dia desses vi este filme espanhol em uma lista de filmes angustiantes ao lado de Speak No Evil (2022), Faça Ela Voltar (2025) e outros filmes que já assisti. Fiquei curioso e fui procurar mais sobre este filme e fiquei surpreso ao descobrir que recebeu mais de vinte prêmios internacionais e, devido ao sucesso, rendeu até uma versão turca que foi lançada no ano passado. A trama conta a história de um casal que acaba de ter o primeiro filho. Depois de muitos anos de tratamento para conseguir um herdeiro, o clima entre Maria (Estefanía de los Santos) e Jesús (David Pareja) anda tenso. A cena de abertura em que os dois discutem sobre a compra de uma mesa de centro retrata bem como as alfinetadas entre um e outro se tornaram constantes. Ele quer comprar uma mesinha com tampa de vidro que dizem ter design sueco, ela acha a mesa horrorosa (e é mesmo). Contrariando a vontade de esposa, ele compra o móvel, mas ocorre um imprevisto na montagem e um acidente ocorre logo depois envolvendo o marido. Sem coragem de contar o que aconteceu, ele tenta esconder os fatos da esposa enquanto tenta lidar com seu próprio trauma. A parte em que o filme lida com a tensão entre marido e esposa funciona com perfeição, mesmo as atitudes um tanto desencontradas do marido fazem sentido diante o choque que vivenciou. A coisa perde um pouco o tom no jantar com as visitas que resolvem aparecer, junto com a vizinha de 13 anos que insiste em dizer que está apaixonada pelo marido de Maria. Nessa parte todo drama e tensão se dissolve no exagero, o que compromete um pouco o ótimo trabalho do diretor Caye Casas até então. Contado com atmosfera de filme de terror, o filme funciona mesmo como um drama pesado sobre um casal em crise.  

Mesa Maldita (La mesita del comedor / Espanha - 2022) de Caye Casas com David Pareja, Estefanía de los Santos, Josep Maria Riera, Claudia Riera, Eduardo Antuña, Gala Flores e Cristina Dilla. 

NªTV: Proud

Ignassy: a vida em julgamento. 
Orgulhoso diáriw, a HBO acabou de exibir a primeira temporada da premiada série polonesa Proud e confesso que fiquei surpreso ao descobrir que existe um gancho para uma segunda temporada. O motivo de minha surpresa é que no sexto episódio (são oito no total) eu imaginava que as coisas já poderiam se resolver devido ao sabor de enrolação. A trama conta a história de Filip Raczynski (Ignacy Liss), um jovem rapaz gay que curte noitadas com múltiplos parceiros sexuais, álcool e drogas. Ele ganha a vida fazendo alguns trabalhos como modelo por indicação de amigos e mora com a irmã Anna (Sylwia Boron) e a sobrinha, Tosia (Alicja Lewczuk). Acostumado com uma rotina sem responsabilidades, tudo muda quando Anna morre e a pequena Tosia precisa de alguém para cuidar dela. De início Filip não quer assumir a sobrinha, mas acaba revendo seus próprios fantasmas do passado (o fato de ter crescido em um orfanato e durante a vida poder contar somente com a irmã, que não está mais por perto). No decorrer dos episódio, Filip percebe que precisa mudar o estilo de vida e enfrenta as dificuldades de ajeitar a rotina para dar conta de um bebê. Das dificuldades de conseguir um emprego, manter um relacionamento e até de ser levado a sério pelos amigos, tudo piora quando a guarda pela menina vai para a justiça e suas chances permanecem mínimas pelo fato de ser gay. Quando começa a parte das visitas da assistente social a série começa a enveredar por situações que carecem de um pouco de credibilidade, prejudicando o tom realista da série. Ignassy Lyss dá conta de viver a transição do protagonista e entre os coadjuvantes está a excepcional Joanna Kulig (do maravilhoso Guerra Fria/2018) como a advogada sem firulas de Filip. 

Proud (Polônia/2026) de Karol Klementewicz e Monika Pęcikiewicz com Ignassy Lyss, Maria Sobocińska, Kamil Studnicki, Joanna Kulig, Mateusz Więcławek e Maja Ostaszewska. ☻☻

PL►Y: Blue Moon

Hawke: texto afiado. 

Prezado diáriw, nos anos 1990 Ethan Hawke sofreu um bocado para provar que não era apenas um rostinho bonito. Vendo as várias produções que estrela atualmente, percebo que ele soube aproveitar muito bem a passagem do tempo em sua aparência. Trabalhando mais do que nunca, o ator conquistou sua quinta indicação ao Oscar, a terceira por um trabalho como ator e a primeira como ator principal. Ele vive o letrista Lorenz Hart (1895-1943) que ficou famoso por sua parceria com Richard Rodgers (e pela canção que aparece no título). O filme é ambientado em uma noite na vida de Hartz, 31 de março de 1943, a noite de estreia do musical Oklahoma!, escrito por Rodgers (vivido aqui por Andrew Scott) em parceria com Oscar Hammerstein II (Simon Delaney) que se tornou um enorme sucesso. O diretor Richard Linklater utiliza esta noite para que Hartz coloque sua vida em perspectiva, especialmente por conta de ter sido deixado de lado pelo parceiro por conta de seus problemas com o álcool. Hawke constrói o personagem de forma impressionante, com alteração na voz, na postura, no olhar e demonstra claramente a imagem de alguém que percebe que perdeu as rédeas da própria vida. Com melancolia, amargura e um senso de humor ácido, Hawke carrega o filme nas costas. Linklater por sua vez faz um bom trabalho no uso de planos e cortes para contornar o risco da sensação de um teatro filmado. O roteiro é baseado nas cartas trocadas entre Hartz e Elizabeth Weiland (vivida por Margaret Qualley), mas ironicamente, o longo diálogo entre os dois é a parte em que o filme mais perde o ritmo. A estética do filme é perfeita para a reproduzir a época em que se passa a trama e se torna um trunfo desta produção que também concorreu ao Oscar de roteiro original. 

Blue Moon - Música e Solidão (Blue Moon / EUA  2025) de Richard Linklater com Ethan Hawke, Andrew Scott, Margaret Qualley, Jonah Lees, John Duran e Patrick Kennedy. ☻☻  

Na Tela: Homem-Aranha: Um Novo Dia

Tom: Miranha com burnout. 
Aracnídeo diáriw, fico muito feliz que a Marvel tenha descoberto que menos é mais e voltado a se dedicar mais às suas produções ao invés de fazer muita coisa sem importância. Este é o terceiro acerto seguido do estúdio nas telonas. Um Novo Dia mostra os acontecimentos posteriores ao filme de 2021, em que para segurança de quem o conhecia, Peter Parker (Tom Holland) utiliza um feitiço para que todos esqueçam que o conheceram algum dia. Com isso, ele passou os últimos anos sozinho em Nova York, espiando sua amada MJ (Zendaya) e o amigo Ned (Jacob Batalon) pelas redes sociais enquanto combatia o crime. Se dedicar ao trabalho para não pensar na vida pessoal deixa Peter estressado e deixa seus sentidos de aranha descontrolados. Para piorar, ele percebe que uma força estranha está tomando conta da mente das pessoas e algo lhe diz que tem relação com o Departamento de Controle de Danos liderado por William Metzger (Tramell Tillman). Embora apareçam muitos candidatos a vilões por aqui, a ideia central do roteiro é Peter Parker organizar os dois lados de sua vida após os traumáticos acontecimentos do filme anterior e, por isso mesmo, o filme encontra fôlego emocional suficiente para nova fase do herói nas telas. A direção de Destin Daniel Cretton (do pouco lembrado Shang chi e a Lenda dos Dez Aneis/2021 e do ótimo Temporário 12)  mostra-se um grande acerto, ele torna a trama mais orgânica demonstrando a mesma eficiência seja em cenas de ação e na valorização dos laços entre os personagens. Com boas participações especiais de super-heróis da Marvel já conhecidos, nada de compara à introdução de uma personagem defendida com excelência por Sadie Sink (não vou contar para não dar Spoiler) que deve levar os fãs ao delírio com uma promessa há muito aguardada no MCU. Depois dos aplausos ao final da sessão, a expectativa para o novo Vingadores: Doomsday em dezembro mostra estar perto do topo. 

Homem-Aranha: Um Novo Dia (Spider Ma: Brand New Day - EUA / 2026) de Destin Daniel Cretton com Tom Holland, Zendaya, Sadie Sink, Joe Bernthal, Florence Pugh, Liza Colón-Zayas, Jacob Batalon, Michael Mando,Mark Ruffalo, Marisa Tomei e Tramell Tillman. ☻☻  

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Na Tela: A Odisseia

Damon: Odisseu em Amnésia.

Mitológico diáriw,  confesso que fiquei preocupado quando soube que Christopher Nolan faria a nova versão cinematográfica de A Odisseia. A minha maior preocupação era como o diretor iria embaralhar a temporalidade, algo que gosta tanto de fazer, mais por estilo do que propriamente favorecer a narrativa. Tão logo o elenco espetacular foi anunciado começaram as polêmicas, mas não vejo problema nenhum na diversidade da produção. Afinal, estamos falando de mitos, de representações sobre a humanidade e suas alegorias sobre emoções e valores. É estranho imaginar que uma produção baseada em uma das histórias mais antigas da humanidade (século VIII a.C) imaginada em contexto politeísta, possa despertar tanto conservadorismo. Enfim, talvez hoje,  Nolan seja o único diretor com cacife de bancar uma produção visual impressionante como esta. Na trama, Odisseu (Matt Damon) relembra como perdeu todos o seu exército depois da Guerra de Troia. Entre tantos desafios, encontros e perigos, ele passou vinte anos longe de casa enquanto a esposa Penélope (Anne Hathaway) resistiu aos seus pretendentes que desejam assumir o trono de Ítaca. Obviamente que o filme de quase três horas não adaptaria na íntegra as vinte e oito partes da obra de Homero na íntegra e várias alterações são realizadas em nome da "fluência" narrativa. Existem vários momentos impactantes, como a concepção do Cavalo de Troia, os encontros com o Ciclope, a passagem pelo Reino de Tártaro e o encontro com a solitária Circe (Samantha Morton em um trabalho impressionante), no entanto, a visão um tanto simplista do protagonista compromete sua jornada pessoal diante das cenas de ação e aventura. É o preço de criar um blockbuster épico lucrativo que padece um pouco com a montagem truncada na cronologia dos fatos. No entanto, perante o sucesso de crítica e bilheteria, Nolan corre o risco de levar mais Oscars para casa em 2027. 

A Odisseia (The Odissey / EUA - Reino Unido / 2026) de Christopher Nolan com Matt Damon, Anne Hathaway, Tom Holland, Zendaya, John Leguizamo, Robert Pattinson, Charlize Theron, Samantha Morton, Elliot Page, Lupita Nyong'o, Joe Bernthal, Logan Marshall Green, Benny Safdie e Mia Goth. 

Pódio: Harry Melling

Bronze: o escritor cult.
3º O Pálido Olho Azul (2022) Harry Edward Melling nasceu em 1989 em Londres e começou a ficar conhecido ainda pequeno como o primo (muito) trouxa  do bruxinho Harry Potter. Dentre todos os atores revelados na adaptação da franquia para a telona, ouso dizer que Melling é o meu favorito. Sem fazer questão de ter um visual padrão, ele ama interpretar personagens diferentões. Quando já acumulava algum respeito na indústria foi escalado para viver o escritor Edgar Allan Poe nesta adaptação do livro de Louis Bayard. Na trama, o jovem Poe se torna peça importante num misterioso assassinato. Mesmo tendo outros nomes conhecidos no elenco, o considero o maior destaque da produção ao viver o cultudo escritor gótico como manda o figurino sendo indicado a melhor ator coajuvante do aqui no blog.  

Prata: o amante submisso.
2º Pillion (2025) fossem as grandes premiações menos conservadoras, provavelmente o ator teria cravado indicações a prêmios de melhor ator pelo papel do jovem tímido que descobre seus pendores, digamos, submissos em um relacionamento com um motoqueiro com pinta de galã. Na pele de Colin, o ator encontra o equilíbrio entre o cômico e o dramático, deixando o espectador até surpreso perante a forma como mistura os tons em sua interpretação. Ao viver um personagem com tantas camadas, ele ainda encara cenas ousadas com seu parceiro de cena (Alexander Skarsgård) e deixa os puritanos de cabelo em pé. Pelo papel, o ator foi considerado melhor ator no Festival de Estocolmo e foi indicado ao British Independent Film Award. 

Ouro: o contador de histórias.
1º A Balada de Buster Scruggs (2018) O ponto de virada na carreira de Melling após seus trabalhos nos filmes de Harry Potter, curtas e produções para TV foi sua escalação para viver o rapaz sem os membros que ganha a vida como atração de circo. Melling é o responsável pelo segmento mais melancólico do filme dos irmãos Coen, construindo um personagem que depende muito da expressividade vocal e facial do ator. Diante das limitações físicas do papel, o moço impressiona em cada cena. O filme concorreu ao prêmio de melhor elenco no Actor Awards e foi eleito aqui no blog como artista revelação daquele ano. O trabalho serviu para deixar claro que aquele ator mirim cresceu e se tornou um dos atores mais interessantes de sua geração. 

PL►Y: Pillion

Ray e Col: amor além de fetiche? 

Submisso diáriw, este filme até tentou encontrar espaço nos cinemas, mas não conseguiu. Obviamente que a dificuldade vai além do fato de girar em torno de um relacionamento gay, mas também por ter algumas cenas explícitas que nem o verniz cômico impresso pelo diretor estreante Harry Lighton amenizou o receio dos distribuidores. O filme conta a história de Colin (Harry Melling), um rapaz gay e tímido que tenta encontrar um namorado. Um dia ele conhece Ray (Alexander Skarsgård), um motoqueiro que o convida para um encontro e Colin nem sabe definir exatamente o que aconteceu entre eles. Considerando que não agradou, imagina nunca mair encontrar o motoqueiro, mas os encontros pasam a ser constantes, porém, a relação entre os dois é bem diferente do que Colin idealizou. Ray faz questão de deixar seu parceiro sempre em posição de submissão, o tratando como um verdadeiro servo. De início Colin se incomoda, mas aos poucos parece se acostumar e aceitar o tipo de relação que se instaura entre os dois. Carência? Baixa auto-estima? Só um fetiche? Fica a cargo do espectador pensar nisso. O fato é que aos poucos começam a aparecer fissuras neste relacionamento, que incomodam ambos os lados. Lighton faz um filme com uma dinâmica interessante entre os protagonistas, beneficiando-se muito das performances de Melling e Alexander, que deixam o subtexto sempre impresso nos olhares e posturas dos personagens. Imprimindo uma atmosfera queer, o filme não é para todos os gostos, mas quem se interessa por filmes de relacionamentos com um "tempero" diferente, vai considerar uma obra interessante. Com momentos incômodos, entre outros bem humorados e até de partir o coração, a narrativa é fluente até chegar a um desfecho que revela um padrão que talvez seja difícil de compreender. 

Pillion (Irlanda - Reino Unido / 2025) de Harry Lighton com Harry Melling, Alexander Skarsgård, Douglas Hodge, Lesley Sharp, Jake Shears, Matt Hill e Anthony Welsh. ☻☻