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| Bragança: Amyr de corpo e alma. |
Obstinado diáriw, entre 10 de junho e 18 de setembro de 1984 o navegador brasileiro Amyr Klink realizou a primeira travessia solitária do Oceano Atlântico a remo. Ele partiu da África, em Lüderitz na Namíbia, e chegou na costa brasileira na Bahia, percorrendo cerca de 6.500 quilômetros em cem dias. A proeza se tornou um feito celebrado nacionalmente e rendeu um livro que se tornou um sucesso editorial. Cem Dias Entre Céu e Mar foi lançado em 1985 e foi baseado no diário de bordo do navegador. Sempre pairou sobre a obra o interesse de uma adaptação cinematográfica, mas a ideia se tornou realidade quando Carlos Saldanha embarcou no projeto. Vindo de animações de sucesso no exterior (A Era do Gelo/2002, Rio/2011 e Touro Ferdinando/2017), esta é a primeira produção live-action dirigida pelo cineasta que realiza um bom trabalho, sobretudo pela sua habilidade em lidar com efeitos especiais. O roteiro é bastante fiel ao livro, mas insere flashbacks sobre a vida familiar de seu protagonista para contextualizar a ideia insana de realizar a travessia. O que o levou a ter essa ideia? Embora o filme não alarde uma motivação única, sugere que existiram uma série de fatores para a ideia ser gerada, sobretudo em sua relação complicada com o pai (Felipe Camargo). Com duas horas de duração, 100 dias tem o mérito de condensar a narrativa de forma bastante imersiva, transportando o espectador para dentro dos desafios daquele barco. Além disso, ganham destaques a preparação para a viagem, como o desenvolvimento da navegação e da alimentação. No entanto, quero destacar o trabalho de Filipe Bragança que está excelente no papel de Amyr Klink, transparecendo cada emoção e transformação física, a forma como ele compõe uma personalidade forte e um tanto cheia de si ajuda a humanizar o protagonista e torna a torcida por ele ainda mais interessante.
100 Dias (Brasil-2026) de Carlos Saldanha com Filipe Bragança, Felipe Camargo, João Vitor Silva, Phillipine Leroy-Beualieu, Duda Mamberti, Martha Nowill, Gabriel Cano, Enzo Rosetti, Gero Camilo e Amyr Klink. ☻☻☻☻







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