quinta-feira, 15 de outubro de 2026

PL►Y: Uma Infância Alemã

Nanning e o tio:  perdendo a inocência. 
Assombrado diáriw, o consagrado diretor Fatih Akin escreveu o roteiro deste filme baseado no livro de memórias do Hark Bohm, filho de um oficial do exército do führer na Segunda Guerra Mundial. Akin e Bohm dividem o texto e realizam um dos filmes mais precisos do ano ao expor as bordas do final da Guerra em um microuniverso que reflete com precisão a realidade daquele país. Nanning (Jasper Billerbeck) tem doze anos e vive com a mãe grávida, o irmão e a tia em uma casa na ilha de Amrum no ano de 1945. O contato com o continente acontece quando a maré fica baixa, mas a cena em que os aviões ingleses bombardeiam  o mar e o menino diz que é para descarregar o peso, ilustram bem o desconhecimento da realidade. Ao longo do filme o menino descobre um pouco mais sobre que está acontecendo, percebe que sua mãe não é a pessoa legal que ele imaginava e que seu pai oficial não é um herói de guerra. Nanning percebe que a situação ao seu redor é estranha quando o simples comentário feliz sobre o retorno do pai para o lar mediante o fim da guerra pode gerar a punição de uma vizinha. A situação das relações são tensas, os mantimentos são escassos e o fio condutor da narrativa é a tentativa do menino conseguir um pão branco, com manteiga e mel para o lanche de sua mãe. Enquanto tenta encontrar os ingredientes para satisfazer aquele desejo, o menino se depara com vários personagens que compõem um universo periférico ao Holocausto na Alemanha. Este universo é composto por pessoas comuns que ajudaram na construção dos horrores que o país atravessou - e as vozes dissonantes estão sempre sob vigilância. São as narrativas e ações destes personagens que fazem o cotidiano de Nanning ser repleto de crueldades em um mundo que nunca mais seria o mesmo (e que de vez em quando teima em voltar ao seu pior estado). 

Uma Infância Alemã (Amrum/ Alemanha - 2025) de Fatih Akin com Jasper Billerbeck, Laura Tonke, Lisa Hagmeister, Kian Köppke e Diane Kruger. ☻☻☻☻

Pódio: Kyle Chandler

Bronze: o primeiro Lanterna.
3º Lanternas (2026) Embora tenha realizado alguns trabalhos importantes no cinema (como o oscarizado Manchester a Beira-Mar/2016 e no recente O Aniversário/2025), a televisão parece ser o território ideal para os melhores trabalhos do ator nascido no estado de Nova York. Eu fiquei muito feliz quando soube que ele viveria o Lanterna Verde Hal Jordan na série dedicada aos heróis da DC, imaginei que por pior que a produção pudesse ser, ele não decepcionaria. Dito e feito. Embora Lanternas seja um programa problemático de sua concepção até a execução, Kyle está bastante convincente como o super-herói desiludido com toda a estrutura por trás do seu anel de poderes incríveis. Nas cenas em que aparece em sua versão gente boa em holograma, ele demonstra que o problema da série não é sua atuação. 

Prata: o Bom Samaritano. 
2º Early Edition (1996-2000) Foi com esta carinha de menino com pinta de galã da era de ouro de Hollywood que o ator conseguiu seu primeiro papel de grande destaque na TV. Embora atuasse desde os anos 1980, foi no seu papel de homem comum que recebe todas as manhãs um jornal do dia seguinte (e tenta evitar que coisas ruins aconteçam) que o ator demonstrou sua versatilidade em situações cômicas e dramáticas ao longo de quatro temporadas. Pelo papel de Gary, ele foi premiado com o Saturn Awards de melhor ator de televisão. Confesso que eu não perdia um episódio quando a série passava na TV aberta com o nome de Edição de Amanhã. O papel lhe rendeu destaque e  convites para trabalhos no cinema e outras séries.

Ouro: o Treinador Paternal. 
1º Friday Night Lights (2006-2011) o ator se tornou uma celebridade nacional nos Estados Unidos pelo seu papel nesta série querida pelo público americano que acompanha os Dillon Panthers, um dos melhores times de futebol do país, mas o destaque fica com o treinador, Eric Taylor (Chandler) que além de treinar os atletas, também faz hora extra como figura paterna que ajuda os jovens atletas a enfrentarem todos os dilemas que perpassam as temporadas. Aclamado pela crítica e o público, o papel rendeu indicações a vários prêmios ao longo das temporadas e garantiu o Emmy de melhor ator principal em série dramática para Kyle. Hoje aos 61 anos, Kyle se tornou um dos rostos mais populares para os amantes de séries de TV. 

NªTV: Lanternas

Kyle e Aaron: ruim de doer. 
Decepcionado diáriw, a situação para o James Gunn no DCU da Warner deve estar complicada, não apenas pelas mudanças que estão prestes a acontecer no estúdio, mas por conta das produções com o selo DC que foram lançadas este ano. Supergirl se tornou um dos maiores fracassos do ano e a série Lanternas é uma das coisas mais sonolentas que assisti recentemente. Todo universo do Lanterna Verde é um dos mais interessantes da editora, mas tiveram a ideia brilhante de jogar tudo no lixo e repaginar os personagens como dois policiais investigando um crime. O fato de estar na HBO fez tudo ainda mais parecido com True Detective (e não duvidaria que o roteiro fosse originalmente uma nova temporada da antologia que foi mexida para se tornar uma produção com selo DC). A série aborda o período em que o veterano Hal Jordan (Kyle Chandler), o Lanterna Verde original, é designado a orientar o novato John Stewart (Aaron Pierre) enquanto investigam um brutal assassinato na cidadezinha de Rushville. Hal percebe que aquele não é um crime comum e suspeita de ter indícios alienígenas no caso. Com uma premissa dessas a série poderia ser envolvente se caprichasse na relação entre os dois personagens, mas as tretas entre os dois se arrastam ao longo de oito episódios que se arrastam em uma costura ruim cheia de idas e vindas no tempo. Haja paciência para ver a trama rodar em torno do próprio rabo lembrando quase nada dos personagens dos quadrinhos. Nada contra apresentar um Hal Jordan desiludido, mas custava dizer o motivo dele ter ficado ao ponto de tratar John com total desprezo o tempo inteiro? Os Guardiões, Sinestro (Ulrich Thomsen) e Guy Gardner (Nathan Fillion)  aparecem pouco e não acrescentam muita coisa à trama que parece juntar dois programas que não conseguem conversar entre si. A série começa com a sensação de que vai melhorar e termina com o sabor de uma grande perda de tempo. Custava ser só uma série de super-herói?    

Lanternas (EUA-2026) de Chris Mundy, Damon Lindelof e Tom King com Aaron Pierre, Kyle Chandler, Kelly MacDonald, Poorna Jagannathan, Laura Linney, Garret Dillahunt, Chris Coy e Sherman Augustus. ☻

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

KLÁSSIQO: Vidas Amargas

Dean: filme de despedida. 

Saudoso diáriw, aproveitei toda a animação em torno da minissérie East of Eden da Netflix e procurei sua versão para o cinema realizada por Elia Kazan em 1955. Lançado por aqui com o nome de Vidas Amargas, o filme se tornou um clássico, muito pela presença de James Dean que tornou este seu último filme após falecer precocemente aos 24 anos de idade. Dean foi o primeiro ator a receber uma indicação póstuma ao Oscar de ator. No filme ele interpreta Caleb Trask, um dos filhos de Adam Trask (Raymond Massey) que sempre deixou clara sua insatisfação com o jovem, preferindo as atitudes do outro filho, Aron (Richard Davalos). O religioso Adam desde pequeno contou aos filhos que a mãe deles havia morrido, mas não é bem assim. O roteirista Paul Osborn optou por adaptar somente última parte da obra de John Steinbeck que se passa às vésperas da Primeira Guerra Mundial e que gira em torno de um triângulo amoroso formado pelos dois irmãos e a doce Abra (Julie Harris), deixando um mistério no ar sobre a mulher que Cal está sempre à espreita. Ela é Kate (Jo Van Fleet premiada com o Oscar de atriz coadjuvante), que possui um prostíbulo nas redondezas e parece muito bem resolvida com as escolhas que fez ao longo da vida. Elia Kazan enfatiza o tom de conflito entre a família Trask, no que ficou conhecido como uma releitura dos manos bíblicos Caim e Abel. O mais interessante é como Cal é apresentado como um adolescente rebelde um tanto desequilibrado até percebermos os traumas e mentiras que envolveram sua infância e adolescência. O diretor sabe utilizar muito bem o ar de vulnerabilidade do astro James Dean, que tem um bom trabalho apesar de alguns exageros melodramáticos que eram comuns no período de produção. O longa também concorreu aos Oscars de direção e roteiro adaptado naquele ano. 

Vias Amargas (East of Eden / EUA - 1955) de Elia Kazan com James Dean, Julie Harris, Richard Davalos, Jo Van Fleet, Raymond Massey, Burl Ives e Lois Smith. ☻☻☻

NªTV: East of Eden

Pugh: atuação impecável. 

Elogiado diáriw, a atual produção mais badalada da Netflix é esta minissérie de sete episódios baseada na obra de John Steinbeck. Parte do livro já havia chegado às telas pelas mãos de Elia Kazan em 1955 e a neta dele, Zoe Kazan, resolveu adaptar toda a obra. Antes de comparar o filme com a minissérie é bom lembrar que o formato em episódios permite trabalhar muito mais os personagens, especialmente Kathy (em um desempenho estupendo de Florence Pugh) que deixou de ser a mulher que abandonou os filhos para ter sua história conturbada exibida na telinha. A personagem é a que mais ganha nuances nesta nova produção, ao mesmo tempo que os crimes cometidos por ela também recebem atenção. Na minissérie ela é acolhida pelos irmãos Adam (Christopher Abbott) e Charles (Mike Faist) após ser agredida e deixada a beira da morte. Aos poucos conhecemos sua história e como Adam se apaixona por ela ao ponto de achar que poderia dirigir a vida da esposa. Ambientado no árido Vale das Salinas na Califórnia entre o período da Guerra Civil e a Primeira Guerra Mundial, o tom épico daqueles personagens perante a História dos Estados Unidos se enriquece ainda mais com coadjuvantes importantes como Lee (Hoon Lee), o filho de chineses nascido nos na Terra do Tio Sam e que não encontra espaço para viver o sonho americano. O elenco, a direção, a ambientação e todo resto é de uma perfeição de encher os olhos, mas em meio a tantos destaques nada brilha mais do que Florence Pugh na pele de Kathy. Todo mundo já sabe que a inglesa de é uma grande atriz, mas o que ela faz aqui a coloca entre as maiores atrizes em atividade (entreguem logo um Oscar para ela). A cena em que reencontra Aaron e tenta disfarçar o choro com uma risada é de partir o coração. A obra que era sempre lembrada como uma releitura de Caim e Abel, ganhou uma versão impecável que é impossível parar de assistir. 

East of Eden (EUA - 2026) de Garth Davis e Laure de Clermont-Tonnerre com Florence Pugh, Chritopher Abbott, Mike Faist, Ciarán Hinds, Joseph Zada, Martha Plimpton, Tracy Letts e Hoon Lee. ☻☻☻☻☻

domingo, 11 de outubro de 2026

.Doc: A Artista e o Ladrão

Bertil e Barbora: amizade improvável. 

Surpreso diáriw, em abril de 2015 duas pinturas grandes e das mais valiosas da artista Barbora Kysilkova foram roubadas à luz do dia da Galleri Nobel no centro da cidade de Oslo. Apreensiva diante da situação, Barbora acompanha a investigação que descobre quem são os ladrões que irão a julgamento. Embora o mandante do crime seja desconhecido, a artista tem curiosidade de conversar com um dos ladrões, o norueguês Karl Bertil Nordland, um criminoso de currículo extenso. Obviamente que existe a curiosidade da pintora descobrir mais sobre o caso, mas enquanto Bertil argumenta não lembrar de nada devido ao efeito das drogas, Barbora começa a se interessar pela história pessoal rapaz. O laço entre os dois se firma de vez quando ela o utiliza como modelo para um dos seus quadros e ele fica em choque e depois chora ao ver a obra pronta. A cena foi a que motivou o diretor Benjamin Ree a estender as filmagens de seu curta-metragem por anos e acompanhar aquela relação de amizade improvável de 2016 até 2019. No decorrer dos anos conhecemos um pouco mais sobre a o passado de Bertil e sua capacidade autodestrutiva e como isso provocou alguma identificação em Barbora que canaliza esta energia perigosa para fazer arte. Premiado em Sundance, o filme se desenvolve de forma surpreendente e possui cenas marcantes, como aquela em que Bertil lembra quando foi afastado dos irmãos ainda muito pequeno, sua carreira como marceneiro e o trabalha com crianças com dificuldade de aprendizagem antes do vício em substâncias ilícitas. Enquanto isso  Barbora a se sentir uma pessoa pior quando começa a fazer terapia. Fosse uma obra de ficção, A Artista e o Ladrão seria considerado absurdo, mas é uma história real emocionante sobre vidas opostas que se encontram. 

A Artista e o Ladrão (Kunstneren og tyven / Noruega - EUA/ 2020) de Benjamin Ree com Barbora Kysilkova, Karl Bertil Nordland e Øystein Stene. ☻☻☻☻ 

10+ Cotados para o Oscar 2027

 A temporada de ouro se aproxima e com ela os lançamentos que ambicionam uma vaga nas premiações começam a ser lançados nos cinemas de olho no Oscar do ano que vem. Embora alguns filmes lançados ao longo do ano como A Odisseia, Devoradores de Estrelas, O Convite e Obsessão devem garantir vagas nas categorias principais, seus maiores concorrentes devem chegar aos cinemas na reta final do ano. A seguir os dez filmes que devem dar o que falar nos próximos meses:

#01 "A Bola Negra" de Javier Calvo e Javier Ambrossi
Exibido e premiado no Festival de Cannes o filme foi comprado pela Netflix que deve investir pesado para conquistar preciosas indicações. O filme interliga três vidas em períodos históricos diferentes para abordar a homossexualidade através dos tempos. Com participação especial de Glenn Close e Penelope Cruz, a produção franco-espanhola é a favorita na categoria de filme internacional, mas a concorrência será pesada com o polonês Fatherland, o romeno Fjord, o austríaco Rose e o francês Minotauro no páreo. 

#02 "A Grande Estreia" de Jesse Eisenberg 
Julianne Moore está cotada para levar seu segundo Oscar! Ela vive uma dona de casa que sempre sonhou ser atriz e que consegue um papel em uma peça de teatro local, mas precisa lidar com  um diretor exigente (Paul Giamatti que pode ser premiado como coadjuvante). Não sou grande fã do último filme do Eisenberg como diretor, mas a ideia e o elenco deste são bem interessantes. 

#03 "Artificial" de Luca Guadagnino
Esta comédia dramática aborda a crise de cinco dias da OpenAi em dezembro de 2023, crise que rendeu a demissão do CEO Sam Altman (vivido por Andrew Garfield) e sua recontratação pouco tempo depois. O filme não gerava grandes expectativas até sua primeira exibição que deixou muita gente animada com o resultado que lança um olhar bastante atual sobre nossa relação com a tecnologia. Yura Borisov e Monica Barbaro reforçam o elenco.

#04 "Behemoth!" de Tony Gilroy
Pedro Pascal indicado ao Oscar? Muita gente aposta que sim! O ator chileno está bastante elogiado por seu trabalho neste filme em que interpreta um violoncelista nascido em uma família de músicos que retorna para Los Angeles após 20 anos viajando pelo mundo. Prestes a gravar a trilha sonora de um filme, o músico se reencontra com seu passado. No elenco ainda estão Olivia Wilde, Will Arnet e Hank Azaria.

#05 "Cavalo Selvagem 9" de Martin McDonagh
John Malkovich foi eleito o melhor ator do Festival de Veneza e com isso cravou seu favoritismo ao Oscar do ano que vem. O ator que andou meio esquecido pelo Academia já tem duas indicações no currículo e será que agora leva? Ele vive um agente secreto que enfrenta uma missão de confiança no Chile no ano de 1973 , ao seu lado o parceiro, Lee (Sam Rockwell) ajuda na empreitada. 

#06 "Digger" de Alejandro González Iñárritu
Com Malkovich no páreo o favoritismo de Tom Cruise está em risco por seu trabalho nesta comédia ácida e absurdista (ou seria premonitória?). As críticas divisivas também podem dificultar as ambições do astro que se esforça bastante no papel do bilionário que coloca o mundo em risco com uma escavação arriscada na Groenlândia. Recém lançado no Brasil, o filme cheio de exageros tem como unanimidade a direção de arte, a maquiagem e o trabalho de Cruise que fazia tempo não se arriscava tanto em uma produção. 

#07 "Elsinore" de Simon Stone
Ian Charleson (Andrew Scott) é um talentoso ator inglês que aceita interpretar Hamlet em uma montagem ambiciosa do National Theatre. O trabalho se torna um desafio ainda maior porque Ian trava uma luta particular com o HIV o que torna a proposta a chance de realizar o grande trabalho de sua vida. A crítica caiu de amores pelo trabalho do (sempre bom) Andrew Scott - o que deve ajudar bastante ao ator cravar sua primeira indicação ao prêmio. Ainda no elenco Olivia Colman e Billie Piper. 

#08 "Ink" de Danny Boyle
Será que o escocês Danny Boyle retornará ao Oscar em grande estilo? Os fãs dizem que sim pelo seu trabalho ao contar a história do famoso jornal "The Sun" que em 1969 foi comprado por um magnata da mídia que ao lado do editor que tornou o tablóide no mais influente da Grã-Bretanha. No elenco estão Jack O'Connell, Guy Pearce e Claire Foy. Ponto negativo: o uso de IA na produção gera polêmicas. 


#09 "Primetime" de Lance Oppenheim
Enquanto o Oscar de melhor atriz deve ficar entre Julianne Moore e Inde Naravete, o de melhor ator sofre um congestionamento de candidatos ao prêmio. Robert Pattinson engrossa a fila com seu trabalho neste filme que demonstra as ambições por trás de um icônico programa jornalístico. Pattinson vive o complexo Chris Hansen que com sua audácia revolucionou o jornalismo da época. Vale lembrar que depois de tantos bons trabalhos tá na hora do Oscar lembrar do ator.

#10 "The Social Reckoning" de Aaron Sorkin
David Fincher ficou de fora da direção de seu sucesso A Rede Social (2010) porque está ocupado demais filmando a continuação de Era Uma Vez em Hollywood (2019) no lugar do Tarantino (As Desventuras de Cliff Both da Netflix e estrelado por Brad Pitt seria o número onze desta lista). Sendo assim, a direção deste aqui ficou com o roteirista premiado Aaron Sorkin que agora conta a história de anos depois em que Mark Zuckerberg (agora vivido por...) admite saber todos os maléficios provocados por sua criação e... lucra com isso! Será que o filme repetirá o mesmo sucesso do original? 

sábado, 10 de outubro de 2026

PL►Y: Acampamento Miasma

Gillian: diva do terror. 

Nostálgico diáriw, a diretora Jane Schoenbrun é responsável por Eu Vi o Brilho da TV (2024), um dos filmes mais interessantes daquele ano. Em 2026, ela exibiu seu novo filme na mostra Un Certain Regard  no Festival de Cannes e saiu de lá premiado com a Queer Palm. Acampamento Miasma é sobre uma famosa franquia de terror slasher iniciada ao final dos anos 1970 e que perdeu fôlego ao longo de várias continuações caça-níqueis. A história sobre o serial killer chamado Pequena Morte (o nome de inspiração francesa não é por acaso) que assombrava o acampamento em que foi morto pelos colegas caiu no ridículo depois de anos de produções ruins. A fama da saga é apresentada logo no início com recortes de jornal, brinquedos e cartazes que narram a trajetória da franquia de forma bastante concisa até que Kris (Hannah Einbinder), uma diretora indie diante do seu primeiro sucesso em festivais é convidada a reiniciar a franquia. Ela vai em busca da protagonista do primeiro filme, Billy Presley (Gillian Anderson, perfeita) que após o sucesso da personagem resolveu se afastar dos holofotes e vive décadas depois nas locações do filme. Kris fica intrigada com a atriz veterana e começa a ter ideias para o novo filme a ser protagonizado pela misteriosa atriz. O filme mistura o olhar sobre o gênero de Pânico (1996) com o clássico Crepúsculo dos Deuses (1950) para que a diretora utilize o terror mais uma vez para falar sobre a sexualidade de seus personagens. Porém, apesar dos jorros de sangue, o filme investe mais no romance entre as protagonistas (pena que Hannah Einbinder me parece ingênua demais no papel de Kris). Com um filme dentro do filme e uma mistura de ficção e realidade, o filme não consegue ser tão fascinante quanto o trabalho anterior da diretora, mas cria momentos bastante envolventes em paisagens surreais. 

Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte (Teenage Sex and Death at Camp Miasma / EUA - 2026) de Jane Schoenbrun, com Hannah Einbinder, Gillian Anderson, Jack Haven, Jasmin Savoy Brown, Aren Buchholz, Kevin McDonald, Ryan McEwen e Amanda Fix. ☻☻☻

NªTV: Meus Mortos Tristes

Morán: Laços espirituais de família. 

Assombrado diáriw, esta minissérie que chegou no final de setembro na Netflix conta a história de Ema (Mercedes Morán, que lembra muito a Carmela Soprano, ou melhor, a Edie Falco), uma médica que desde pequena dizia que conseguia ver e conversar com os mortos. As pessoas ao seu redor parecem nunca levar isso a sério. Agora, após anos cuidando da mãe enferma, ela presencia lidar com o espírito da matriarca chorando todos os dias na residência em que viveram juntas. A experiência se torna ainda mais intensa quando Ema se aposenta e fica mais tempo em casa e lidando com o relacionamento tenso com a filha (Dolores Fonzi), a visita da irmã que foi viver nos Estados Unidos com o marido e a filha, Julie (Carolina Álvarez) que enfrenta problemas por ter a mesma habilidade de Ema - só que as utiliza de forma diferente,  digamos um tanto... prazerosa. Em uma cidade repleta de espíritos, a direção do chileno Pablo Larraín, carrega as expectativas do público para outro caminho o que pode causar algum estranhamento (assim como a fotografia em tons de rosa desbotado). Sem sustos, a relação entre os fantasmas e as videntes falam muito mais sobre a forma como nos relacionamos com as lembranças de quem se foi do que com uma história de terror. Ao longo da trama a cidade parece invadida por almas penadas vistas por outros personagens, a maioria por conta dos conflitos que ocorrem na região, tornando o mundo dos vivos e dos mortos cada vez mais próximo. O destaque da narrativa fica por conta da relação de Ema com Julie, que se torna a alma da história até o desfecho com sabor de família reunida. Particularmente gosto muito mais quando Larraín filma fora de Hollywood, embora aqui eu considere que valeria ter enxugado a trama para caber em um longa-metragem. Uma obra interessante.

Meus Mortos Tristes (Mis Muertos Tristes / Chile - Argentina / 2026) de Pablo Larraín com Mercedes Morán, Dolores Fonzi, Alejandra Flechner, Carolina Álvarez, Carlos Portaluppi, Luz Jimenéz, Germán da Silva e Pablo Schwarz. ☻☻☻