sábado, 15 de agosto de 2026

PL►Y: Song Sung Blue

Kate e Hugh: irresistíveis no palco. 

Surpreso diáriw, havia uma dúvida sobre quem ficaria com a quinta vaga na disputa pelo Oscar de melhor atriz e houve uma surpresa geral quando Kate Hudson cravou sua indicação ao prêmio (mesmo sendo indicada antes ao Globo de Ouro, BAFTA e prêmio do Sindicato). Vendo o filme é fácil entender o motivo da atenção recebida. Ela está bastante carismática em uma personagem mãe solo, que tem voz, presença de palco e vive uma mudança brusca na vida devido a um acidente. Embora não tivesse chances de levar a estatueta, não considero um equívoco diante de tantas presepadas já indicadas por conta de campanhas milionárias. O filme é ambientado num mundo bastante particular dos anos 1980, com atmosfera kitsch (leia-se cafona) e músicas antigas. Ela vive Claire que conhece Mike (Hugh Jackman) nos bastidores de shows de covers de artistas famosos. Os dois se juntam para fazer shows com canções de Neil Diamond e se tornam famosos enquanto vivem um romance que gera até um casamento. Baseado na história real de Lightining e Thunder, dupla que ficou famosa em Milwauke e chegaram a abrir shows para o Pearl Jam, o filme se beneficia muito do talento de Kate e Jackman (que ama fazer musicais) que apresentam uma química irresistível e prende nossa atenção até quando o filme vira um melodrama daqueles! Se a primeira parte é uma celebração à música, a segunda investe pesado nas dificuldades do casal e tende a se tornar um filme de superação. Com base no documentário de mesmo nome, o filme altera algumas situações em nome da dramaticidade, mas se torna uma produção a que se assiste com facilidade, do tipo que dificilmente cai nas graças dos atuais votantes do Oscar. Eu gostei justamente por ser despretensioso e de puro entretenimento. 

Song Sung Blue (EUA -2025) de CRaig Brewer com Hugh Jackman, Kate Hudson, Ella Anderson, Hudson Hensley, King Princess, Michael Imperioli, Jim Belushi, Fisher Stevens e Kena Anae. 

PL►Y: Engolidos

Koch: terror queer. 

Platônico diáriw, fiquei surpreso com o que o diretor Carter Smith faz neste filme. Ainda que o último ato seja bastante problemático, Engolidos é um terror que tem orgulho de ser queer - e eu nem imaginava isso diante das pistas presentes no cartaz e no título. O filme conta a história de dois amigos que estão em uma noite de despedida. Benjamin (Cooper Koch) está prestes a ir para Los Angeles para se tornar um astro pornô e o amigo Dom (Jose Colom) está disposto a ajudá-lo a ter algum dinheiro para se estabelecer por lá. Os dois resolvem traficar drogas para o Canadá em uma única noite, só não imaginavam que teriam que engolir uns pacotes com uma substância misteriosa. Como o mundo é cruel, uma briga ocorre por conta de preconceito e um soco no estômago de Dom faz com que se deem conta de que a tal substância é mais perigosa do que imaginavam. Tendo que resolver a situação, Ben só pode contar com a ajuda de quem os colocou naquela situação, a traficante Alice (Jena Malone) e a coisa só piora quando o chefe dela (Mark Patton) entra em cena. O que prendeu minha atenção no filme foi a relação entre Ben e Dom, dois amigos que diversas cenas sugerem que poderia haver algo mais, caso o roteiro seguisse caminhos mais convencionais, mas como é um terro que flerta com o body horror a relação entre os dois envereda por um caminho totalmente diferente com direito a cenas bastante incômodas. O laço entre os dois ajuda a relevar as guinadas bruscas da história e os horrores que precisam passar, mas o terceiro ato se torna longo e arrastado demais para manter o interesse. Enquanto terror queer, eu não tinha visto nada parecido com o que acontece em Engolidos, com nudez masculina, ereções e... melhor nem escrever, o filme faz horror com o que para muitos seria puro fetiche.  

Engolidos (Swallowed / EUA-2022) de Carter Smith com Cooper Koch, Jena Malone, Mark Patton, Jose Colom e Roe Pacheco. 

PL►Y: Erupcja

Charli: estreia no cinema. 

Vulcânico diáriw, existe um bocado de esperteza da cantora inglesa Charli XCX estrear no cinema como Bethany neste filme de Pete Ohs, mas também existe um tantinho de coragem por não viver uma personagem fácil. Ela vive uma turista britânica que passeia por Varsóvia na Polônia com o namorado, Rob (Will Madden). Enquanto ele está todo animado em preparar momentos românticos para pedi-la em casamento, ela está mais interessada em encontrar Nel (Lena Góra), uma jovem florista. O título vem da estranha coincidência de que sempre que as duas se encontram (fato que ocorre esporadicamente desde que Bethany tinha 16 anos), um vulcão entra em erupção. As duas consideram que isso seja algo especial e resolvem aproveitar o tempo em que estão juntas para deixar os compromissos de lado. Rob não entende muito bem o que está acontecendo, mas sente na pele a instabilidade e um tanto de irresponsabilidade emocional da namorada, assim como o interesse amoroso de Nel que já passou por isso. Vale dizer que desde o início sabemos que Nel está interessada em Ula (Agata Trzebuchowska), mas não sabe muito bem o que fazer com isso. Erupcja se desenvolve com o auxílio de um narrador e surpreende ao deixar de lado qualquer envolvimento sexual entre as duas amigas, embarcando numa fantasia que as duas criaram para si (e que um certo personagem desconstrói), mas que ao mesmo tempo pode esconder um desejo nunca plenamente assumido. Erupcja foi exibido no Festival de Toronto e dividiu opiniões pela forma como a trama se desenvolve sem muita pretensão ou novidades perante as possibilidades que possui. Sobre a performance de Charli, ela é discreta, mas consegue preencher sua personagem com uma vida interior que permanece um enigma até o fim da sessão. 

Erupcja (EUA-Polônia) de Pete Ohs com Charli XCX, Lena Góra, Will Madden, Jeremy O. HArris, Agata Trzebuchowska, Maja Michnacka e Jacek Zubiel. 

NªTV: Diários de Um Robô Assassino

Alexander: ótima fase. 

Robótico diáriw, se tenho algum arrependimento com esta série da AppleTV é não ter assistido antes. A boa notícia é que vou esperar menos pela nova temporada que deve estrear no ano que vem! Diários de Um Robô Assassino é baseado na série de 4 livros de Martha Wells que se tornou um sucesso entre os fãs de ficção-científica. O grande motivo do sucesso é a construção irresistível do protagonista, um robô de segurança que consegue hackear o próprio sistema para fazer o que bem entende (no caso assistir, séries de ficção científica e tecer comentários sarcásticos sobre a humanidade). O personagem caiu como uma luva no dinamarquês Alexander Skarsgård que está na melhor fase de sua carreira. Enquanto protagonista ele consegue dar conta de todas as angústias e inseguranças perante o medo de seu "defeito" ser descoberto e leva-lo à destruição. A sorte é que ele se torna responsável pela segurança de um grupo de cientistas "alternativos", com tendências hippies e à vida em comunidade, o que os leva a ficar no meio do caminho entre acolher o protagonista ou desconfiar de que ele possa matar todo mundo. O elenco está bastante coeso em cena e são as relações do grupo que movem as cenas de ação e os muitos momentos de humor. Destaque para Dra Mensah (Mona Dumezweni) e Gurathin (David Dastmalchian) que exemplificam bem a relação hesitante dos humanos com o "equipamento" de segurança. Durante os dez episódios o protagonista descobre que seu livre-arbítrio o aproxima mais de ser humano do que ele imagina. O fato é que a série não funcionaria sem Alexander (que também assina a produção) que com expressões contidas e olhares intensos, consegue da conta dos circuitos contraditórios de uma máquina pensante. Feito pelos manos Chris e Paul Weitz (separados desde o sucesso Um Grande Garoto/) a produção é um grande acerto. 

Diários de Um Robô Assassino (Murderbot/EUA - 2025) de Chris e Paul Weitz com Alexander, Skarsgård, Mona Dumezweni, David Dastmalchian, Sabrina Wu, Akshay Khanna, Tamara Podemski, Tattiawna Jones, John Cho e Clark Gregg. 

domingo, 9 de agosto de 2026

PL►Y: Undertone

Nina: maldição caótica. 

Aterrorizado diáriw, a julgar pelos filmes de terror que recebem atenção atualmente, posso dizer que os slasher movies e seus serial killers mascarados estão em baixa. A ideia agora é investir pesado no terror psicológico, no poder da sugestão, nos silêncios e brincar com medos mais íntimos da plateia. Nessa esteira que Undertone chegou aos cinemas. A trama se concentra em Evy (Nina Kiry), uma jovem cética que produz um podcast junto com o amigo Justin (Adam DiMarco) voltado para histórias assustadoras. Recentemente ela precisou se mudar para cuidar da mãe doente, este e outros aspectos da vida pessoal de Evy irão influenciar bastante a forma como ela lida com o trabalho quando recebe um conjunto de dez gravações de áudio de um casal desconhecido. Durante cada áudio escutado cresce a sensação de que algo estranho aconteceu com o casal que estava prestes a ter o primeiro filho. Evy sempre tenta explicar o que está acontecendo pela luz da lógica, mas aos poucos ela começa a perceber que em sua própria residência situações estranhas começam a acontecer. Undertone faz com que o espectador se identifique com a personagem por compartilhar com ela a audição dos áudios angustiantes, mas o filme escorrega quando na última meia hora precisa dar conta de concluir o que está acontecendo e tudo vira uma grande bagunça. Um misto de alucinação, culpas, maldições, entidades e crendices religiosas que são costuradas meio de qualquer jeito até que os créditos apareçam. Era uma ideia original com desenvolvimento irregular até virar um caos completo.  No entanto, não deixa de ser uma estreia promissora do canadense Ian Tuason. 

Undertone (Canadá-2025) de Ian Tuason com Nina Kiri, Adam DiMarco, Michèle Duquet, Jeff Yung, Ryan Turner, Keana Kyn Bastidas. 

PL►Y: Fremont

Zada: coração desamparado. 
 Isolado diáriw, Fremont é o tipo de filme que gosto muito de assistir, mas que é difícil de encontrar e de realizar. Tem um senso de humor sutil, um drama que é contado nas entrelinhas e se desenvolve com bastante fluidez entre silêncios e situações. O filme conta a história de Donya (Anaita Wali Zada), uma afegã que vive na cidade californiana do título em um prédio com outros afegãos, alguns não falam com ela devido ao período em que trabalhou como tradutora para os EUA no Afeganistão (cerca de 17.000 vistos americanos foram emitidos para tradutores afegãos, além de cerca de 10.000 para parentes, muitos deles ainda perigosamente abandonados após a retirada das tropas). Talvez por conta deste clima tenso, ela prefira ir todo dia trabalhar em São Francisco em uma fábrica de biscoitos da sorte (e justifica que achou que seria bom ver chineses de vez em quando). Donya tem problemas para dormir e procura um psiquiatra para ajudar, talvez ela nem tenha ideia da necessidade que sinta de construir vínculos em um lugar distante de sua terra natal. Anaita Wali Zada constrói uma personagem contida e um tanto enigmática, mas podemos sua alma num misto de força e desamparo. Durante o filme a percebemos cercada de personagens interessantes, uma colega de trabalho, o patrão chinês, o psiquiatra (Gregg Turkington é um achado) e até um mecânico (um fofo Jeremy Allen White) que acende uma pequena chama em seu coração solitário. Há quem veja traços do cinema de Jim Jarmusch neste filme de Babak Jalali, mas eu notei um tanto de Wes Anderson dos bons tempos. É um filme simples, simpático e bastante agradável de assistir. 

Fremont (EUA-2023) de Babak Jalali com Anaita Wali Zada, Gregg Turkington, Hilda Schmelling, Siddique Ahmed. ☻☻☻

sábado, 8 de agosto de 2026

Combo: Inspirado em Jane Austen

05 Jane Austen Arruinou Minha Vida (2024) foi o filme que me fez lembrar que para além das mais de 30 adaptações que a obra de Jane Austen (1775-1887) já rendeu para cinema e TV, existe um subgênero cinematográfico vinculado à popularidade da escritora. São produções que embora não sejam versões para as telas dos livros da autora, bebem diretamente na fonte de suas referências. Esta comédia romântica francesa não chega a ser engraçada e o romance é visto de forma um tanto... desconstruída, mas faz das desventuras de sua personagem uma mistura de referências do que já vimos em Razão e Sensibilidade (não é a toa que a protagonista tem uma irmã desencanada de romances), Orgulho e Preconceito e Emma

04 O Clube de Leitura de Jane Austen (2007) baseado no sucesso editorial de Karen Joy Fowler, este foi um dos primeiros exemplos de que os fãs de Austen estavam dispostos a curtir um filme sobre Austen que não fosse uma adaptação de um dos seus cultuados romances. O longa conta a história de cinco mulheres e um homem que se encontram para conversar sobre a obra da escritora quase como se fosse uma terapia de grupo para resolver tudo o que ocorre na vida sentimental de cada um. O elenco é impressionante ao juntar Emily Blunt, Maria Bello, Hugh Dancy, Kathy Baker e Amy Brenneam com nomes menos conhecidos. Pena que o filme tenha personagens e dilemas demais para dar conta em uma narrativa cheia de água com açúcar. 

03 Orgulho Preconceito e Zumbis (2016) Jane Austen deve ter levado um susto no túmulo quando viu que em 2009 sua obra clássica recebeu uma releitura em tom de paródia que colocava as irmãs Bennett e Mark Darcy tendo que lutar contra uma legião de zumbis no século XIX. A fanfic do escritor Seth Grahame-Smith se tornou um sucesso nas livrarias e foi levada aos cinemas pelas mãos de Burr Steers (de A Estranha Família de Igby/2002, quem diria!). Embora se leve mais a sério do que deveria, o filme prende atenção pela química entre Lizzy (Lily James) e Darcy (Sam Riley) em meio ao massacre de zumbis. Vale dizer que figurinos, cenários e penteados são feitos no capricho até que um romance de época seja dominado por mortos-vivos. 

02 Austenland (2014) é mais uma adaptação literária de um livro voltado para fãs de Jane Austen, a diferença é que este conseguiu uma adaptação bastante equilibrada para a a telona, sendo divertido e esperto. Baseado na obra de Shannon Hale, o filme conta a história de  Jane Hayes (Keri Russell), uma mulher que aos 33 anos não encontrou seu par ideal. Apaixonada pela obra de Jane Austen, ela resolve usar suas economias para visitar um parque temático voltado para fãs da escritora. Lá ela vive um triângulo amoroso (que não sabe ser de verdade ou encenação) e se depara com os aspectos menos apaixonantes dos tempos de Austen (o ócio, o preconceito, as madames esnobes e a falta de dinheiro). Ser mocinha nos tempos de Austen não era moleza! 

01 Amor e Inocência (2007) confesso que quase que Austenland ficou em primeiro lugar na lista, mas achei que seria de bom tom deixar esta cinebiografia de Jane Austen. Dirigido por Julian Harrold, o filme conta um pouco da vida pessoal da cultuada autora nos tempos em que sonhava em conhecer o mundo e os pais queriam que se casasse com um homem rico. A americana Anne Hathaway vive a escritora inglesa e James McAvoy garante o tom de romance na pele de Tom Lefroy, homem que teria servido de inspiração para criação do famoso Mark Darcy em Orgulho e Preconceito. A graça do filme é captar as referências aos livros da autora que temperam a produção. O filme fez um relativo sucesso e Hathaway foi indicada ao British Independent Film Award na categoria de melhor atriz. A biopic vale uma conferida. 

PL►Y: Jane Austen Arruinou Minha Vida

Charlie e Camille: roteiro sem graça. 

Romântico diáriw, comédias românticas estão longe de ser meu gênero favorito. Porém, de vez em quando, até curto assistir algum longa metragem que prometa alguma coisa de diferente no gênero. Foi por conta disso que assisti Jane Austen Arruinou Minha Vida de Laura Piani, longa que recebeu alguma atenção no ano passado e rendeu para a atriz Camille Rutherford ao César de atriz revelação. Ela vive Agathe, uma dona de livraria que é fã da autora de Orgulho e Preconceito, mas que a vida amorosa anda estagnada. Traumatizada por um acidente, ela vive com a irmã e o sobrinho, além de ter como homem mais próximo o melhor amigo Félix (Pablo Pauly). Agathe também pretende escrever um livro, mas sempre considera que não tem tempo suficiente para isso. Eis que Félix a inscreve em uma espécie de retiro na propriedade que foi de Jane Austen na Inglaterra. Ela fica relutante em ir e os sentimentos pelo amigo ficam um tanto confusos. A coisa complica ainda mais quando ela conhece um tatatataraneto de Austen, Oliver (Charlie Anson), que é professor de literatura, desiludido do amor e imita trejeitos de Hugh Grant. Não é difícil perceber que Oliver assume aqui o papel de Mark Darcy e Agathe se vira como pode como uma heroína romântica contemporânea. O problema é que o filme faz pouca alusão à obra de Austen, os momentos que eram para ser engraçados não são tão engraçados assim e tudo soa bem menos esperto do que poderia ser devido às convenções do roteiro. Serve para passar o tempo e curtir o charme de Charlie Anson que parece mesmo um galã saído dos filmes baseados na obra da escritora. Confesso que não entendi o burburinho que houve em torno do filme, me pareceu bastante convencional e o final apressado serve só para expressar que não havia muito a dizer.

Jane Austen Arruinou Minha Vida ( Jane Austen a gâché ma vie / França - 2024) de Laura Piani com Camille Rutherford, Pablo Pauly, Charlie Anson, Annabelle Lengronne, Liz Crowther, Alan Fairban e Alice Butaud. ☻☻ 

PL►Y: We're All Going to the World's Fair

Anna: a vida online é ou não é real?

Arrepiado diáriw, antes de impressionar com Eu Vi o Brilho da TV (2024) a diretora Jane Schoenbrun realizou (ao lado de Valeria Santiago) este We're All Going to the World's Fair e deixou claro que tinha algo a dizer que não fosse convencional. O território de Jane é o thriller psicológico, temperado com dramas existenciais adolescentes que se alimentam uma atmosfera da horror. Aqui o roteiro se utiliza de um desafio online em que o cotidiano é transformado em registros que precisam avançar para situações de terror. A protagonista, Casey (a ótima Anna Cobb) é iniciante na brincadeira e não sabe muito bem como seus registros irão avançar. Sozinha no sótão registando vídeos e assistindo de outros participantes, Casey começa a construir sua trajetória online de forma que quem assiste não sabe se ela está sendo sincera ou se está criando uma ficção diante da câmera. A situação fica tensa quando um jogador veterano chamado JLB (Michael J. Rogers) começa a interagir com ela. O filme nunca deixa claro quais são os interesses de JLB em Casey e também não esclarece se os relatos dela são realmente angústias que ela atravessa cotidianamente. São nas ambiguidades do que é real e o que é encenação online  que o filme avança de forma instigante em um formato pouco convencional. A tensão cresce lentamente no estranhamento que o filme provoca, especialmente por usar o verniz do terror para falar de um tempo em que postagens online são constantes e embaçam a percepção de quem assiste. Esta ideia é o que torna o desfecho (apenas o relato de um personagem) ainda mais estranho.  Cheio de lacunas a serem preenchidas pelo espectador, o filme revela-se uma reflexão instigante sobre o mundo online e a solidão que camufla. Em cartaz na MUBI o filme é um ótimo aquecimento para Acampamento Miasma, novo filme da diretora que foi premiado em no Festival de Cannes deste ano. 

We're All Going to the World's Fair (EUA / 2021) de Jane Schoenbrun e Valeria Santiago com Anna Cobb, Michael J. Rogers, Turner Greaves, Theo Anthony, Marc Santiago e Holly Anne Frink. ☻☻☻