domingo, 2 de agosto de 2026

PL►Y: Mesa Maldita

Pareja: o horror do luto. 

Enlutado diáriw, dia desses vi este filme espanhol em uma lista de filmes angustiantes ao lado de Speak No Evil (2022), Faça Ela Voltar (2025) e outros filmes que já assisti. Fiquei curioso e fui procurar mais sobre este filme e fiquei surpreso ao descobrir que recebeu mais de vinte prêmios internacionais e, devido ao sucesso, rendeu até uma versão turca que foi lançada no ano passado. A trama conta a história de um casal que acaba de ter o primeiro filho. Depois de muitos anos de tratamento para conseguir um herdeiro, o clima entre Maria (Estefanía de los Santos) e Jesús (David Pareja) anda tenso. A cena de abertura em que os dois discutem sobre a compra de uma mesa de centro retrata bem como as alfinetadas entre um e outro se tornaram constantes. Ele quer comprar uma mesinha com tampa de vidro que dizem ter design sueco, ela acha a mesa horrorosa (e é mesmo). Contrariando a vontade de esposa, ele compra o móvel, mas ocorre um imprevisto na montagem e um acidente ocorre logo depois envolvendo o marido. Sem coragem de contar o que aconteceu, ele tenta esconder os fatos da esposa enquanto tenta lidar com seu próprio trauma. A parte em que o filme lida com a tensão entre marido e esposa funciona com perfeição, mesmo as atitudes um tanto desencontradas do marido fazem sentido diante o choque que vivenciou. A coisa perde um pouco o tom no jantar com as visitas que resolvem aparecer, junto com a vizinha de 13 anos que insiste em dizer que está apaixonada pelo marido de Maria. Nessa parte todo drama e tensão se dissolve no exagero, o que compromete um pouco o ótimo trabalho do diretor Caye Casas até então. Contado com atmosfera de filme de terror, o filme funciona mesmo como um drama pesado sobre um casal em crise.  

Mesa Maldita (La mesita del comedor / Espanha - 2022) de Caye Casas com David Pareja, Estefanía de los Santos, Josep Maria Riera, Claudia Riera, Eduardo Antuña, Gala Flores e Cristina Dilla. 

NªTV: Proud

Ignassy: a vida em julgamento. 
Orgulhoso diáriw, a HBO acabou de exibir a primeira temporada da premiada série polonesa Proud e confesso que fiquei surpreso ao descobrir que existe um gancho para uma segunda temporada. O motivo de minha surpresa é que no sexto episódio (são oito no total) eu imaginava que as coisas já poderiam se resolver devido ao sabor de enrolação. A trama conta a história de Filip Raczynski (Ignacy Liss), um jovem rapaz gay que curte noitadas com múltiplos parceiros sexuais, álcool e drogas. Ele ganha a vida fazendo alguns trabalhos como modelo por indicação de amigos e mora com a irmã Anna (Sylwia Boron) e a sobrinha, Tosia (Alicja Lewczuk). Acostumado com uma rotina sem responsabilidades, tudo muda quando Anna morre e a pequena Tosia precisa de alguém para cuidar dela. De início Filip não quer assumir a sobrinha, mas acaba revendo seus próprios fantasmas do passado (o fato de ter crescido em um orfanato e durante a vida poder contar somente com a irmã, que não está mais por perto). No decorrer dos episódio, Filip percebe que precisa mudar o estilo de vida e enfrenta as dificuldades de ajeitar a rotina para dar conta de um bebê. Das dificuldades de conseguir um emprego, manter um relacionamento e até de ser levado a sério pelos amigos, tudo piora quando a guarda pela menina vai para a justiça e suas chances permanecem mínimas pelo fato de ser gay. Quando começa a parte das visitas da assistente social a série começa a enveredar por situações que carecem de um pouco de credibilidade, prejudicando o tom realista da série. Ignassy Lyss dá conta de viver a transição do protagonista e entre os coadjuvantes está a excepcional Joanna Kulig (do maravilhoso Guerra Fria/2018) como a advogada sem firulas de Filip. 

Proud (Polônia/2026) de Karol Klementewicz e Monika Pęcikiewicz com Ignassy Lyss, Maria Sobocińska, Kamil Studnicki, Joanna Kulig, Mateusz Więcławek e Maja Ostaszewska. ☻☻

PL►Y: Blue Moon

Hawke: texto afiado. 

Prezado diáriw, nos anos 1990 Ethan Hawke sofreu um bocado para provar que não era apenas um rostinho bonito. Vendo as várias produções que estrela atualmente, percebo que ele soube aproveitar muito bem a passagem do tempo em sua aparência. Trabalhando mais do que nunca, o ator conquistou sua quinta indicação ao Oscar, a terceira por um trabalho como ator e a primeira como ator principal. Ele vive o letrista Lorenz Hart (1895-1943) que ficou famoso por sua parceria com Richard Rodgers (e pela canção que aparece no título). O filme é ambientado em uma noite na vida de Hartz, 31 de março de 1943, a noite de estreia do musical Oklahoma!, escrito por Rodgers (vivido aqui por Andrew Scott) em parceria com Oscar Hammerstein II (Simon Delaney) que se tornou um enorme sucesso. O diretor Richard Linklater utiliza esta noite para que Hartz coloque sua vida em perspectiva, especialmente por conta de ter sido deixado de lado pelo parceiro por conta de seus problemas com o álcool. Hawke constrói o personagem de forma impressionante, com alteração na voz, na postura, no olhar e demonstra claramente a imagem de alguém que percebe que perdeu as rédeas da própria vida. Com melancolia, amargura e um senso de humor ácido, Hawke carrega o filme nas costas. Linklater por sua vez faz um bom trabalho no uso de planos e cortes para contornar o risco da sensação de um teatro filmado. O roteiro é baseado nas cartas trocadas entre Hartz e Elizabeth Weiland (vivida por Margaret Qualley), mas ironicamente, o longo diálogo entre os dois é a parte em que o filme mais perde o ritmo. A estética do filme é perfeita para a reproduzir a época em que se passa a trama e se torna um trunfo desta produção que também concorreu ao Oscar de roteiro original. 

Blue Moon - Música e Solidão (Blue Moon / EUA  2025) de Richard Linklater com Ethan Hawke, Andrew Scott, Margaret Qualley, Jonah Lees, John Duran e Patrick Kennedy. ☻☻  

Na Tela: Homem-Aranha: Um Novo Dia

Tom: Miranha com burnout. 
Aracnídeo diáriw, fico muito feliz que a Marvel tenha descoberto que menos é mais e voltado a se dedicar mais às suas produções ao invés de fazer muita coisa sem importância. Este é o terceiro acerto seguido do estúdio nas telonas. Um Novo Dia mostra os acontecimentos posteriores ao filme de 2021, em que para segurança de quem o conhecia, Peter Parker (Tom Holland) utiliza um feitiço para que todos esqueçam que o conheceram algum dia. Com isso, ele passou os últimos anos sozinho em Nova York, espiando sua amada MJ (Zendaya) e o amigo Ned (Jacob Batalon) pelas redes sociais enquanto combatia o crime. Se dedicar ao trabalho para não pensar na vida pessoal deixa Peter estressado e deixa seus sentidos de aranha descontrolados. Para piorar, ele percebe que uma força estranha está tomando conta da mente das pessoas e algo lhe diz que tem relação com o Departamento de Controle de Danos liderado por William Metzger (Tramell Tillman). Embora apareçam muitos candidatos a vilões por aqui, a ideia central do roteiro é Peter Parker organizar os dois lados de sua vida após os traumáticos acontecimentos do filme anterior e, por isso mesmo, o filme encontra fôlego emocional suficiente para nova fase do herói nas telas. A direção de Destin Daniel Cretton (do pouco lembrado Shang chi e a Lenda dos Dez Aneis/2021 e do ótimo Temporário 12)  mostra-se um grande acerto, ele torna a trama mais orgânica demonstrando a mesma eficiência seja em cenas de ação e na valorização dos laços entre os personagens. Com boas participações especiais de super-heróis da Marvel já conhecidos, nada de compara à introdução de uma personagem defendida com excelência por Sadie Sink (não vou contar para não dar Spoiler) que deve levar os fãs ao delírio com uma promessa há muito aguardada no MCU. Depois dos aplausos ao final da sessão, a expectativa para o novo Vingadores: Doomsday em dezembro mostra estar perto do topo. 

Homem-Aranha: Um Novo Dia (Spider Ma: Brand New Day - EUA / 2026) de Destin Daniel Cretton com Tom Holland, Zendaya, Sadie Sink, Joe Bernthal, Florence Pugh, Liza Colón-Zayas, Jacob Batalon, Michael Mando,Mark Ruffalo, Marisa Tomei e Tramell Tillman. ☻☻  

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Na Tela: A Odisseia

Damon: Odisseu em Amnésia.

Mitológico diáriw,  confesso que fiquei preocupado quando soube que Christopher Nolan faria a nova versão cinematográfica de A Odisseia. A minha maior preocupação era como o diretor iria embaralhar a temporalidade, algo que gosta tanto de fazer, mais por estilo do que propriamente favorecer a narrativa. Tão logo o elenco espetacular foi anunciado começaram as polêmicas, mas não vejo problema nenhum na diversidade da produção. Afinal, estamos falando de mitos, de representações sobre a humanidade e suas alegorias sobre emoções e valores. É estranho imaginar que uma produção baseada em uma das histórias mais antigas da humanidade (século VIII a.C) imaginada em contexto politeísta, possa despertar tanto conservadorismo. Enfim, talvez hoje,  Nolan seja o único diretor com cacife de bancar uma produção visual impressionante como esta. Na trama, Odisseu (Matt Damon) relembra como perdeu todos o seu exército depois da Guerra de Troia. Entre tantos desafios, encontros e perigos, ele passou vinte anos longe de casa enquanto a esposa Penélope (Anne Hathaway) resistiu aos seus pretendentes que desejam assumir o trono de Ítaca. Obviamente que o filme de quase três horas não adaptaria na íntegra as vinte e oito partes da obra de Homero na íntegra e várias alterações são realizadas em nome da "fluência" narrativa. Existem vários momentos impactantes, como a concepção do Cavalo de Troia, os encontros com o Ciclope, a passagem pelo Reino de Tártaro e o encontro com a solitária Circe (Samantha Morton em um trabalho impressionante), no entanto, a visão um tanto simplista do protagonista compromete sua jornada pessoal diante das cenas de ação e aventura. É o preço de criar um blockbuster épico lucrativo que padece um pouco com a montagem truncada na cronologia dos fatos. No entanto, perante o sucesso de crítica e bilheteria, Nolan corre o risco de levar mais Oscars para casa em 2027. 

A Odisseia (The Odissey / EUA - Reino Unido / 2026) de Christopher Nolan com Matt Damon, Anne Hathaway, Tom Holland, Zendaya, John Leguizamo, Robert Pattinson, Charlize Theron, Samantha Morton, Elliot Page, Lupita Nyong'o, Joe Bernthal, Logan Marshall Green, Benny Safdie e Mia Goth. 

Pódio: Harry Melling

Bronze: o escritor cult.
3º O Pálido Olho Azul (2022) Harry Edward Melling nasceu em 1989 em Londres e começou a ficar conhecido ainda pequeno como o primo (muito) trouxa  do bruxinho Harry Potter. Dentre todos os atores revelados na adaptação da franquia para a telona, ouso dizer que Melling é o meu favorito. Sem fazer questão de ter um visual padrão, ele ama interpretar personagens diferentões. Quando já acumulava algum respeito na indústria foi escalado para viver o escritor Edgar Allan Poe nesta adaptação do livro de Louis Bayard. Na trama, o jovem Poe se torna peça importante num misterioso assassinato. Mesmo tendo outros nomes conhecidos no elenco, o considero o maior destaque da produção ao viver o cultudo escritor gótico como manda o figurino sendo indicado a melhor ator coajuvante do aqui no blog.  

Prata: o amante submisso.
2º Pillion (2025) fossem as grandes premiações menos conservadoras, provavelmente o ator teria cravado indicações a prêmios de melhor ator pelo papel do jovem tímido que descobre seus pendores, digamos, submissos em um relacionamento com um motoqueiro com pinta de galã. Na pele de Colin, o ator encontra o equilíbrio entre o cômico e o dramático, deixando o espectador até surpreso perante a forma como mistura os tons em sua interpretação. Ao viver um personagem com tantas camadas, ele ainda encara cenas ousadas com seu parceiro de cena (Alexander Skarsgård) e deixa os puritanos de cabelo em pé. Pelo papel, o ator foi considerado melhor ator no Festival de Estocolmo e foi indicado ao British Independent Film Award. 

Ouro: o contador de histórias.
1º A Balada de Buster Scruggs (2018) O ponto de virada na carreira de Melling após seus trabalhos nos filmes de Harry Potter, curtas e produções para TV foi sua escalação para viver o rapaz sem os membros que ganha a vida como atração de circo. Melling é o responsável pelo segmento mais melancólico do filme dos irmãos Coen, construindo um personagem que depende muito da expressividade vocal e facial do ator. Diante das limitações físicas do papel, o moço impressiona em cada cena. O filme concorreu ao prêmio de melhor elenco no Actor Awards e foi eleito aqui no blog como artista revelação daquele ano. O trabalho serviu para deixar claro que aquele ator mirim cresceu e se tornou um dos atores mais interessantes de sua geração. 

PL►Y: Pillion

Ray e Col: amor além de fetiche? 

Submisso diáriw, este filme até tentou encontrar espaço nos cinemas, mas não conseguiu. Obviamente que a dificuldade vai além do fato de girar em torno de um relacionamento gay, mas também por ter algumas cenas explícitas que nem o verniz cômico impresso pelo diretor estreante Harry Lighton amenizou o receio dos distribuidores. O filme conta a história de Colin (Harry Melling), um rapaz gay e tímido que tenta encontrar um namorado. Um dia ele conhece Ray (Alexander Skarsgård), um motoqueiro que o convida para um encontro e Colin nem sabe definir exatamente o que aconteceu entre eles. Considerando que não agradou, imagina nunca mair encontrar o motoqueiro, mas os encontros pasam a ser constantes, porém, a relação entre os dois é bem diferente do que Colin idealizou. Ray faz questão de deixar seu parceiro sempre em posição de submissão, o tratando como um verdadeiro servo. De início Colin se incomoda, mas aos poucos parece se acostumar e aceitar o tipo de relação que se instaura entre os dois. Carência? Baixa auto-estima? Só um fetiche? Fica a cargo do espectador pensar nisso. O fato é que aos poucos começam a aparecer fissuras neste relacionamento, que incomodam ambos os lados. Lighton faz um filme com uma dinâmica interessante entre os protagonistas, beneficiando-se muito das performances de Melling e Alexander, que deixam o subtexto sempre impresso nos olhares e posturas dos personagens. Imprimindo uma atmosfera queer, o filme não é para todos os gostos, mas quem se interessa por filmes de relacionamentos com um "tempero" diferente, vai considerar uma obra interessante. Com momentos incômodos, entre outros bem humorados e até de partir o coração, a narrativa é fluente até chegar a um desfecho que revela um padrão que talvez seja difícil de compreender. 

Pillion (Irlanda - Reino Unido / 2025) de Harry Lighton com Harry Melling, Alexander Skarsgård, Douglas Hodge, Lesley Sharp, Jake Shears, Matt Hill e Anthony Welsh. ☻☻ 

quarta-feira, 29 de julho de 2026

KLÁSSIQO: Glória Feita de Sangue

Kirk: contra à pena de morte. 

Obstinado diáriw, entre meus objetivos cinéfilos está assistir todos os filmes de Stanley Kubrick. O mais difícil é encontrar os mais antigos, portanto fiquei muito feliz quando encontrei o clássico Glória Feita de Sangue no catálogo do Looke. Estrelado por Kirk Douglas no ano de 1957, o filme foi esquecido nas premiações dos Estados Unidos, provavelmente por sua visão pouco heroica da Guerra, no caso aqui a Primeira Guerra Mundial. Kirk interpreta o comandante francês Dax, que tem plena consciência que sua tropa não tem chances nas trincheiras contra o exército alemão. No entanto, um general planeja fazer seu nome na Guerra e ordena um ataque fadado ao fracasso. Enquanto metade da tropa se recusa a avançar nos campos, três sobreviventes do campo de batalha irão sofrer as consequências das ordens do general não serem obedecidas. Os três serão condenados à pena de morte e caberá a Dax tentar resolver a situação na corte marcial, mas seus esforços nunca parecem suficientes. Kubrick mais uma vez constrói uma narrativa que prende a atenção e capricha nas ironias de uma guerra. Ideais e heroísmos se reduzem a interesses mesquinhos e as vidas são declaradamente descartáveis. Enxuto em sua duração, o filme tem uma ótima fluência de um ato para o outro e mantem a tensão sobre toda a situação até a última cena. Além do texto afiado (baseado no livro de Humphrey Cobb lançado em 1935), acho sempre curioso perceber os efeitos especiais práticos utilizados na época com bastante eficiência. Kubrick voltaria a abordar a loucura da guerra em Dr. Fantástico (1964) e Nascido para Matar (1987), outras duas pérolas de sua filmografia. Interessante que várias décadas depois, os três filmes continuam bastante atuais em suas abordagens, graças às características que definem um clássico e a genialidade de um verdadeiro deus do cinema. 

Glória Feita de Sangue (Paths of Glory/EUA-1957) de Stanley Kubrick com Kirk Douglas, Ralph Meeker, Adolph Menjou, George MacReady, Joe Turkel, Timothy Carey e Kem Dibbs. ☻☻ 

Glória Feita de Sangue ()

PL►Y: Hamnet - A Vida Antes de Hamlet

Shakesperiano diáriw, a irlandesa Jessie Buckley levou para casa o Oscar de  melhor atriz deste ano por seu trabalho neste filme que concorreu em outras sete categorias, incluindo filme, direção e roteiro adaptado. Consagrado como um dos mais celebrados do ano passado, provavelmente seria o grande premiado no Oscar caso a Academia não houvesse passado por mundanças recentes e alterado seu perfil. Baseado no livro de Maggie O'Farrell, que constrói sua trama em torno da inspiração de William Shakespeare na escrita de Hamlet, o filme gira em torno da relação de Shakespeare (que aqui não tem o nome citado e é vivido por Paul Mescal) com a esposa, Agnes (Jessie Buckley). O ano é o de 1596, ele deseja ser escritor, mas a família o enxerga como um inútil - e a relação dele com o pai é bastante tensa. Já Agnes tem fama de ser filha de uma bruxa, gosta de se refugiar na floresta e ter contato com bichos e plantas. Eis que os dois deslocados se apaixonam, se casam e contituem uma família. Entre os desafios que aparecem, ela precisa lidar com distância com a ida dele para trabalhar em uma Companhia Teatral em Londres, a criação dos três filhos e nada se compara com a morte de um deles, o fofo Hamnet (Jacobi Jupe). A diretora Chloe Zhao capricha no tom poético e na dor da perda, construindo alguns momentos arrebatadores como a parte em que Hamnet adoece e o desfecho que leva o público a uma catarse coletiva. É um filme sensível sobre como a arte pode ajudar a exorcisar uma dor tão profunda que não consegue ser descrita em palavras, mas achei o filme um tanto emperrado. A fotografia que ressalta as cores da natureza com os interiores cinzentos é interessante e retrata bem as emoções dos personagens, os atores estão bem em cena, mas algo em toda a densidade da trama me fez desconectar da trama. Talvez seja o caso de filme que eu precise rever para gostar mais. 

Hamnet: A Vida Antes de Hamlet (Hamnet / EUA - Reino Unido / 2025) de Chloe Zhao com Jessie Buckley, Paul Mescal, Joe Alwyn, Emily Watson, David Wilmot, Justine Mitchell e Jacobi Jupe.