| Kieron: entre personas. |
Polêmico diáriw, ao ser exibido em Festivais e lançado em circuito indie restrito nos Estados Unidos, Sem Cortes recebeu elogios pela ousadia com que constrói os temas em torno do encontro de seus dois personagens principais. Aaron (Kieron Moore) ganha a vida fazendo vídeos eróticos na internet. Uma noite ele é contratado por um dos seus admiradores (Hank Grant), mas o chegar no local do encontro, o homem encapuzado parece querer mais conversar do que fazer outras coisas. Ao longo da conversa, Aaron percebe que existe algo estranho no interesse daquele homem por ele e a coisa se torna ainda mais complexa quando descobre que aquele senhor de cabelos brancos é alguém do seu passado. Este é o longa de estreia de Elliot Tuttle que também assina o roteiro e merece atenção pela coragem com que demonstra interesse em desvendar a personalidade de um personagem tão perigoso quanto o cliente vivido pelo veterano Hank Grant. Ao longo dos diálogos travados entre os dois personagens vemos as camadas de desejo e solidão vividas por ambos, sendo que sempre sempre que o personagem mais velho está em questão, um arrepio percorre a mente do espectador. A produção aborda um tema pesado, mas o faz pelos olhos de Aaron que parecia tão seguro em sua persona online, mas que mostra-se vulnerável ao se reencontrar com seu passado. Sua curiosidade e tentativa de desvendar a mente de seu interlocutor gera situações e emoções que ele nem imaginava reviver. Embora o texto tenha um grande potencial para os palcos (somente dois atores, longos diálogos e somente uma locação), o diretor e o elenco espantam qualquer vestígio de teatro filmado. Embora o sexo seja algo presente desde a primeira cena, a forma como ele e tratado aqui é bastante diferente. Considero o filme uma grande surpresa.
Sem Cortes (Blue Film / EUA - 2025) de Elliot Tuttle com Kieron Moore e Hank Grant. ☻☻☻☻






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