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| James e Sal: nas entrelinhas. |
Censurado diáriw, ainda lembro quando
Celulóide Secreto chegou nos cinemas em 1995 e se tornou um dos documentários mais comentados daquela década. Com base no livro de Vitto Russo, o filme aborda como Hollywood lidou com a homossexualidade por muito tempo. Da forma como personagens homossexuais eram presentes de forma cômica no início do século XX (desde o cinema mudo), mas que com a censura décadas depois, mesmo este aspecto precisou ficar restrito às entrelinhas em clássicos como
Rebecca (1944),
Festim Diabólico (1948),
Juventude Transviada (1955) e
Ben-Hur (1959), ou aparecendo de forma um tanto mais sugestiva em clássicos esquecidos como
Infâmia (1961). No geral, personagens
queer eram (!?) punidos no desfecho após vivenciarem seus desejos com muita culpa. É engraçado ver
Os Rapazes da Banda (1970) sendo revisto sentindo-se culpado em seu sarcasmo, como se não espelhasse o retrato de um tempo vindo de tanta censura, para depois
Cabaret (1972) retratar homossexualidade com mais naturalidade (vale lembrar que levou o Oscar de melhor filme daquele ano) antes de toda uma onda de filmes violentos sobre o mundo
queer (
Parceiros da Noite/1980 que o diga). Interessante ver que nos anos 1990 houve uma mudança neste olhar que chegou ao
mainstream, ainda que carregando marcas do passado como em
Tomates Verdes Fritos (1991),
Filadelfia (1993) e até
Priscila - A Rainha do Deserto (1994). Entre entrevistas, trechos de filmes e estrelas que se tornaram ícones gays no futuro, o legal é ver como os roteiristas de diversos tempos lidam com o preconceito para retratar uma parcela do público (incluindo a si mesmos) e "agradar" a outra. Você jamais verá os clássicos do cinema do mesmo jeito.
Celulóide Seccreto (The Celluloid Closet / EUA - Reino Unido - França - Alemanha / 1995) de Rob Epstein e Jeffrey Friedman com entrevistas com Lilly Tomlin, Shirley MacLaine, Tom Hanks, Whoopi Goldberg, Susan Sarandon, Tony Curtis, Harvey Fierstein e Gore Vidal. ☻☻☻☻