segunda-feira, 13 de julho de 2026

Pódio: Sam Neill

Bronze: o paleontólogo famoso.

3º Jurassic Park (1993) embora tenha começado a atuar no início dos anos 1970, o papel que se tornou icônico na carreira de Sam foi como o Dr. Allan Grant, um famoso paleontologista que é convidado a avaliar um parque inovador antes de sua inauguração. Grant não fazia ideia de que ficaria de frente com os seus objetos de estudo e que teria de lutar para manter-se vivo até o final da sessão. Neill fez de tudo em sua carreira e aqui encarna sua versão aventureira com um toque de Indiana Jones (o chapéu). O personagem se tornou querido do público e retornou em 2022 para uma participação em Jurassic World: Domínio (a quinta continuação que não chega aos pés do original). 

Prata: o pai sisudo.
2º Fuga Para a Liberdade (2016) ao longo da carreira Sam Neill participou de mais de 150 produções. Entre filmes para o cinema, produções para TV e até mesmo voz emprestada para animações e games, sua versatilidade lhe garantiu vários trabalhos interessantes. Um deles ficou de fora dessa lista por pouco (o papel do marido em O Piano/1993). Este aqui é num filme pouco conhecido de Taika Waititi, mas que lhe rende um dos seus papéis mais emocionais como o pai adotivo sisudo de um menino que decide fugir de casa. O episódio irá fortalecer os laços entre os dois em uma narrativa bem humorada e tocante ao mesmo tempo. Pelo papel Neill foi indicado a vários prêmios na Nova Zelândia. 

Ouro: ex-marido inconformado. 
1º Possessão (1981) Eu fiquei realmente assustado quando assisti este filme do polaco Andrzej Żuławski e percebi que ao lado da performance premiada de Isabelle Adjani estava Sam Neil dando o sangue (literalmente) para não ficar eclipsado por ela. A ideia do filme em si já é interessante ao abordar um casal em crise em que a intensidade dos sentimentos é a pura possessão. Embora tenha dividido opiniões na época o filme ganhou status de cult pela intensidade absurda que o diretor e o elenco imprime à trama. Há quem diga que é uma analogia com a própia história da Polônia, que é Andrzej exorcisando o próprio divórcio ou que é a versão body horror de Kramer vs Kramer (1979). O fato é que Adjani e Neill impressionam em cada cena. 

4EVER: Sam Neill

14/09/1947 ✰ 13/07/ 2026
 Nigel John Dermot Neill nasceu na Irlanda do Norte e ao longo da carreira foi indicado três vezes ao EMMY e duas ao Globo de Ouro. Seus primeiros trabalhos como ator aconteceram nos anos 1970, sendo sua estreia nos cinemas em 1975. A primeira vez em que chamou atenção dos críticos foi em Possessão (1981) e posteriormente se tornou conhecido do público com seu trabalho na franquia Jurassic Park (1993). Entre trabalhos para cinema e TV, Neill era conhecido por sua dedicação. Em tratamento contra um linfoma, o ator escreveu um livro de memórias publicado em 2023. O ator que já havia superado o câncer teve a causa de sua morte não revelada. 

domingo, 12 de julho de 2026

PL►Y: Devoradores de Estrelas

Ryan: professor no espaço. 

Científico diáriw, eu ouvi tantos comentários positivos em torno de Devoradores de Estrelas que confesso ter ficado receoso de ver no cinema. Chegado ao Prime Video, estava na hora de conferir esta sci-fi estrelada por Ryan Gosling. Ele vive um professor que sem se dar conta fez uma descoberta que pode ajudar a resolver um problema sério: existe uma forma de vida que está devorando Sol e que irá comprometer a vida na Terra em breve. Ele é enviado para o espaço para resolver esta situação e, devido a alguns problemas de percurso se vê sozinho para salvar a humanidade. Vale dizer que ele não fica sozinho por muito tempo, já que contará com a ajuda de... melhor não estragar a melhor surpresa que tive durante a sessão. O filme tenta explicar cientificamente seus argumentos ao longo do filme e torna tudo um pouco cansativo enquanto vai e volta no tempo mostrando como o Professor Ryland Grace foi parar naquela nave em missão claramente suicida. Baseado no livro de Andy Weir (o mesmo de Perdido em Marte/2015) o longa quer ser um entretenimento bem feito e sem maiores divagações, tem no meio uma história de amizade boa de assistir, mas chama atenção mesmo pelos efeitos especiais que devem ser indicados ao próximo Oscar. Ryan Gosling carrega maior parte do (longo) filme nas costas e prova que está com o carisma em alta para realizar este tipo de filme (logo lembrei de quando viveu outro professor, no sombrio Half Nelson/2006 e foi indicado ao Oscar pela primeira vez). Destaque também para a presença sempre interessante da alemã Sandra Hüller em cena (cantando até música de Harry Styles). Embora não considero o filme tão extraordinário quanto dizem, ele fica mais interessante quanto constrói um laço inusitado e rende um final que realmente me surpreendeu. 

Devoradores de Estrelas (Project Hail Mary / EUA - 2026) de Phil Lord e Christopher Miller com Ryan Gosling, Sandra Hüller, James Ortiz, Ken Leung, Milana Vayntrub e Lionel Boyce. ☻☻☻

sábado, 11 de julho de 2026

NªTV: O Segredo de Widow's Bay

Rhys: maldição turística.

Misterioso diáriw, tive a impressão que todo mundo repentinamente começou a falar da série O Segredo de Widow's Bay e fui tomado por uma curiosidade súbita, ainda que tardia (já que o último episódio foi ao ar no dia 24 de junho e desde então está completa na AppleTV). A produção criada pela roteirista Katie Dippold é um verdadeiro deleite para os fãs de mistério e terror, sendo que, carrega um tempero delicioso de humor a cada episódio. Nem sei se o termo terrir ainda existe ou é usado, mas desde o primeiro episódio vemos que é exatamente este o interesse da diretora. Embora faça graça aqui e ali e tenha um irresistível timing cômico em meio às situações, a trama prende a atenção por deixar o espectador esperto para entender o que está acontecendo. Widow's Bay é uma ilha que fica isolada à costa da Nova Inglaterra. Aparentemente é um lugar muito agradável de se viver, pelo menos até o prefeito (o ótimo Matthew Rhys) inventar de promover o turismo por ali. Descrente de todos os comentários de que a ilha é amaldiçoada, ele insiste em atrair turistas para o local e... não dará certo. Entre uma pousada mal assombrada, almas penadas na praia, mortos que são desenterrados com vida, serial killers lendários, moradores que não podem sair da cidade e uma tempestade que promete acabar com tudo, Dippold dá uma aula de como construir um roteiro cheio de referências em episódios amarradinhos sem perder o charme próprio. Quem costura tudo é Matthew Rhys que vê a tragédia local cair literalmente no seu colo e precisa tentar resolver os mistérios que rondam a localidade. Com ótimo elenco, trilha sonora marcante e atmosfera bem construída, a série mistura de diferentes gêneros de terror e demonstra fôlego para mais algumas temporadas. Já está entre minhas favoritas do ano. 

O Segredo de Widow's Bay (EUA-2026) de Katie Dippold com Matthew Rhys, Kate O'Flynn, Stephen Root, Hamish Linklater, Kevin Carroll, Kingston Rumi Southwick, Dale Dickey, Jeff Hiller e K Callan. ☻☻☻☻ 

quarta-feira, 8 de julho de 2026

4EVER: Bonnie Tyler

08/06/1951 ✰ 08/07/2026

Gaynor Hopkins nasceu no País de Gales e se tornou famosa com o nome de Bonnie Tyler, dona de um timbre áspero, potente e que imprimia traços melancólicos em músicas como It's a Heartache e Total Eclipse of the Heart (que está na trilha do filme brasileiro Deserto Particular/2021). Seu estilo misturava pop, rock e country desde o final dos anos 1970. Indicada a 3 Grammys, seu timbre foi resultado de não ter respeitado o repouso para as cordas vocais após um cirurgia para retirada de nódulos nas cordas vocais em 1977. Após uma internação por problemas de saúde, ela faleceu em decorrência de uma infecção. 

terça-feira, 7 de julho de 2026

4EVER: Benedito Ruy Barbosa

17/04/1931  07/07/2026
Benedito Ruy Barbosa nasceu em Gália em São Paulo. Jornalista e publicitário, sua carreira na dramaturgia teve início com a peça Fogo Frio (1959), mas a estreia como autor de novelas aconteceu com Somos todos Irmãos (1966) na TV Tupi. Sua obra é marcada pela representação da vida rural e interiorana, com interesse pela imigração portuguesa e italiana no Brasil. De origem humilde, o autor escreveu novelas de grande sucesso,como Pantanal (1990), Renascer (1993), Rei do Gado (1996) e Terra Nostra (1999). O autor faleceu em decorrência de uma doença renal crônica. 

sábado, 4 de julho de 2026

CATÁLOGO: Johns

David: antes de Dewey. 

Curioso diáriw, é estranho como a mente de um cinéfilo funciona. Enquanto eu assistia Spider-Noir eu reconheci o Lukas Haas (que era aquele garotinho do clássico A Testemunha/1985, único filme que indicou Harrison Ford ao Oscar) e lembrei de outro filme protagonizado por Haas: Johns. Eu só o assisti recentemente ao encontrar no Youtube. O longa marcou a estreia de Scott Silver no cinema (depois ele dirigiu o fracassado Mod Squad/1999 e preferiu ser apenas roteirista de filmes badalados como 8Mile/2002 e ser indicado ao Oscar por O Vencedor/2010 e Coringa/2019. Seu filme de estreia conta a história de dois amigos que ganham a vida como garotos de programa nas ruas de Los Angeles. John (David Arquette no papel que deu destaque suficiente para conseguir um papel como o policial Dewey de Pânico/1996) está prestes a completar 21 anos nas vésperas do natal. Ele sonha passar aquela noite no elegante Park Plaza Hotel, mas para isso ele precisa atender alguns clientes e juntar dinheiro. Acontece que ele também tem uma dívida a ser paga com o violento Jimmy (Terrence Howard) e vive brigando com a namorada, Nikki (Allana Ubach). Seu alento parece ser a amizade com Donner (Lukas Haas) que sonha ser ator, mas também ganha a vida nos perigos das ruas de Los Angeles. Entre policiais e clientes perigosos, os dois pensam em largar aquela vida, mas o risco que correm pode tornar já tarde demais.  Apesar do ritmo nervosinho e da fotografia poderiam sugerir uma comédia, Johns é um filme bastante melancólico. Apesar do diretor filmar sem muita personalidade, o elenco e os situações que parecem improvisadas prendem a atenção. Não espere nudez ou cenas de sexo, o interesse de Silver é outro. Vale ressaltar que o diretor escreveu o roteiro baseado em relatos de vários garotos de programa que venderam suas histórias por vinte dólares. 

Johns (EUA - 1996) de Scott Silver com David Arquette, Lukas Haas, Keith David, Wilson Cruz, Alanna Ubach, Richard Kind, Terrence Howard, Elliot Gould e Nicky Katt. 

FILMED+: Obsessão

Inde: pobre Freaky Nikki. 
Surpreso diáriw, dificilmente um filme de 2026 terá tanto lucro quanto Obsessão do estreante Curry Barker. Produzido de forma independente com orçamento de 750 mil dólares e comprado pela Universal, o filme já rendeu mais de 370 milhões de dólares pelo mundo. O grande mérito do longa vem da forma estranha como o diretor torna a história cada vez mais assustadora entre repetições, sombras e um tempero gore. No início nós conhecemos Bear (Michael Johnston), que se considera apaixonado por Nikki (Inde Navarrette). Incapaz de declarar seus sentimentos, Bear compra para ela um galho de salgueiro capaz de atender um pedido. No entanto, ao invés de presentear a amiga, ele prefere fazer o pedido para que ela o ame mais do que qualquer pessoa no mundo (o que seria até mais do que ela mesma?). Pedido feito, Nikki muda automaticamente seu comportamento, no entanto, fica visível desde o início que aquela é outra Nikki. Ao longo do filme, vemos a garota ficar isenta de qualquer personalidade própria. Toda sua vida passa a girar em torno de Bear. Todos percebem que existe algo errado com ela e o filme se torna cada vez mais angustiante por não perder tempo explicando demais a magia em torno do galho (só eu lembrei dos usados pela Tia Gladys?). Sugere mistérios e faz o favor de não atribuir a Bear qualquer heroísmo, afinal as consequências  de seus desejos se tornam cada vez mais bizarras, mas ele permanece considerando que viver aquilo é melhor do que perder a devoção de Nikki. Barker (que já provocava risos nervosos  com seus vídeos no Youtube) segue sua ideia de forma radical até as últimas consequências e a excepcional Inde Navarrette parte nosso coração, ainda mais se você pensar em tudo que acontecerá à personagem depois do derradeiro ato desta produção surpreendente. 

Obsessão (Obsession/EUA - 2026) de Curry Barker com Inde Navarrette, Michael Johnston, Cooper Tomlinson, Megan Lawless, Andy Richter e Haley Fitzgerald. ☻☻☻☻

terça-feira, 30 de junho de 2026

PL►Y: Ato Noturno

Gabriel e Cirillo: tesão em público. 
Discreto diáriw, senti falta e escrever sobre um filme brasileiro durante o Ciclo DiversidadeSXL deste ano, mas foi complicado assistir filmes disponíveis naquele período. Assisti Ato Noturno dia desses no Canal Brasil e percebi que o filme faz jus às opiniões divisórias que gerou. O longa é dirigido por Filipe Matzembacher e Márcio Reolon,  a mesma dupla responsável por Tinta Bruta (2018) que ganhou o Teddy no Festival de Berlim. Este novo filme foi exibido na Mostra Panorama do mesmo Festival, o que lhe garantiu projeção e expectativas em torno de seu lançamento. Mais uma vez os diretores investem em uma trama queer, só que aparece aqui de forma mais lapidada visualmente. Estéticamente o filme é irrepreensível, o elenco também é interessante, mas o roteiro sofre com algumas situações e diálogos que não convencem muito. A trama gira em torno de um jovem ator de teatro Matias (Gabriel Faryas) que conhece um homem por aplicativo (Cirillo Luna), além de descobrir que os dois tem fetiche por fazer sexo em lugares públicos, o rapaz descobre que o misterioso parceiro é candidato a prefeito da cidade. Ambos terão que tomar cuidado com os encontros para que suas carreiras não sejam afetadas (já que  as eleições se aproximam  para um  e o outro disputa um papel numa série de TV).  Essa disputa pela fama rende a parte que achei mais interessante, já que existe uma rivalidade entre Matias e seu amigo colega de elenco, Fabio (Henrique Barrera) que gera alguns dos melhores momentos do filme. Investindo numa atmosfera de thriller homoerótico, o filme escorrega por levar-se a sério demais e chega a um final estapafúrdio que contradiz tudo o que seus protagonistas prezavam até ali. Ainda assim, o cuidado estético do filme e o conflito dos amigos nos bastidores prenderam a minha atenção.   

Ato Noturno (Brasil/2026)  de Filipe Matzembacher e Márcio Reolon com Gabriel Faryas, Cirillo Luna, Henrique Barrera, Ivo Muller, Kaya Rodrigues e Larissa Sanguiné.  ☻☻☻