terça-feira, 15 de setembro de 2026

Ciclo Verde e Amarelo: Os Enforcados

Irandhir e Leandra: em crise. 

Elogiado diáriw, difícil acreditar que um filme tão interessante como Os Enforcados tenha recebido tão pouca atenção. Mesmo o Grande Prêmio Cinema Brasil lembrou dele em somente duas categorias: ator (Irandhir Santos) e ator coadjuvante (Augusto Madeira), deixando de fora o trabalho de atuação mais interessante do filme, o de Leandra Leal. Esta é a segunda colaboração da atriz com o diretor Fernando Coimbra, diretor de O Lobo Atrás da Porta (2014). Leandra vive Regina, a esposa de Valério (Irandhir Santos), os dois são apaixonados e confiam um no outro ao ponto de serem cúmplices em fantasias sexuais, digamos, "agressivas". Os dois vivem num casarão que está numa interminável reforma, mas este se tornará o menor dos problemas quando os negócios ilegais da família começarem a entrar em crise e a solução encontrada pelo casal só trará mais problemas. Entre assassinatos e uma investigação policial, a crise se instaura na confiança do casal. Existe uma tensão absurda no encadeamento dos acontecimentos sórdidos da trama, mas ao mesmo tempo, o filme não deixa de temperar a trama com um senso de humor cortante. Me atrevo a dizer que diante do ótimo elenco, os melhores diálogos são travados entre Leandra e Irene Ravache que vive a sua mãe com uma visão pouco ortodoxa perante os temores da filha. Misturando um drama criminal com referências que vão de clássicos Macbeth e Crime e Castigo ao noticiário diário em sua guerra de criminosos, Os Enforcados é um filme que chama atenção pela sua eficiência narrativa auxiliada por uma montagem perfeita. Além disso, tem Leandra Leal em um daqueles papéis que só comprovam que ela é uma das melhores atrizes de nosso país. Seu trabalho na transformação pela qual Regina passa ao longo da trama é digna de Oscar. 

Os Enforcados (Brasil/2024) de Fernando Coimbra com Irandhir Santos, Leandra Leal, Thiago Thomé, Pêpê Rapazote, Augusto Madeira, Ernani Moraes, Irene Ravache e Stepan Nercessian. ☻☻☻☻

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

CICLO VERDE E AMARELO: (Des)Controle

Carol: indicada a prêmios. 

Querido diáriw, Carolina Dieckmann foi indicada ao prêmio de Melhor Atriz no Grande Prêmio Cinema Brasil deste ano por conta de seu trabalho neste filme dirigido por Rosane Svartman e Carol Minêm. O trabalho da atriz é o principal motivo para ver o filme, já que por mais que tente aprofundar sua discussão sobre uma personagem alcóolica, o filme por vezes se perde em uma montagem picotada demais que faz a carga dramática da trama perder sua força. Carolina vive Kátia Klein, uma escritora de sucesso que após quinze anos de sobriedade volta a beber por conta de sua realidade estressante. Entre a escrita de um novo livro, problemas com a família e a falta de tempo, a protagonista encontra na bebida um refúgio para sua rotina exaustiva. Se de início ela pensa que está tudo sob controle com um golinho aqui e outro ali, não demora para que a situação se complique colocando em risco sua vida e de pessoas queridas.  Como é comum na carreira de Rosane Svartman (que também se tornou autora de novela após seu sucesso no cinema), apesar do tema sério, a trama é desenvolvida com bastante leveza e toques de bom humor tendo até um toque de surrealismo quando a personagem se vê diante de uma outra versão de si mesma que assume o controle quando se entrega ao vício com cada vez mais frequência. Centrado em sua protagonista, sobra pouco tempo para desenvolver os personagens que estão ao seu redor. No entanto, o maior problema do filme é a edição acelerada, sei que pode ser uma forma de fazer o espectador sentir na pele a sensação da personagens sentir-se perdida diante dos fatos, mas esta opção narrativa prejudica o desenvolvimento de situações importantes ao longo da narrativa. Baseado em histórias reais de superação, o final é exatamente como você imagina. 

(Des)Controle (Brasil/2026) de Rosane Svartman e Carol Minêm com Carolina Dieckmann, Caco Ciocler, Irene Ravache, Daniel Filho, Júlia Rabello e Mouhamed Harfouch. 

domingo, 13 de setembro de 2026

CICLO VERDE E AMARELO: Love Kills

Thais Lago: vampiros em São Paulo. 

Vampiresco diáriw, a O2 filmes acabou de lançar um canal no Youtube em que colocará filmes de seu acervo em cartaz de forma gratuita, Love Kills é um dos filmes que está em cartaz por lá. Adaptado da graphic novel de Danilo Beiruth, a diretora Luiza Shelling Tubaldini faz um verdadeiro deleite estético na construção de uma cidade de São Paulo habitada por vampiros. Fotografia, figurino, direção de arte, tudo é feito no capricho para contar uma fase complicada da vida imortal de Helena (Thais Lago), uma vampira com mais de cinco mil anos que procura suas refeições pela maior metrópole brasileira. Sua rotina de dormir de manhã e vagar durante a noite é transformada  quando um grupo de vampiros pretende acabar com sua existência. Após a vampira tanto tempo tendo ao seu lado somente o amigo Victor (curiosamente vivido por Flow Kountouriotis), surge um rapaz mortal aparece apaixonado por ela. Leander (Erom Cordeiro) trabalha no bar frequentado por ela e aos poucos descobre que sua amada está longe de ser uma mera mortal. De vez em quando o roteiro arranha a história de Leander, mas ela nunca recebe muita atenção, concentrando o texto em sua relação com Helena. Cheio de estilo, Love Kills inova ao ser um raro filme de vampiro brasileiro, mas por vezes tropeça na própria pose, o que que torna a experiência um tanto artificial. Os diálogos um tanto rebuscados também incomodam, mas se você embarcar na atmosfera proposta pelo filme você é capaz de relevar tudo isso. O capricho da produção não evita também que tenhamos a sensação de que estamos diante do primeiro episódio de uma série para televisão sobre uma vampira que encontra o amor enquanto todos os desafetos colecionados através  dos milênios resolvem se vingar dela. Se você busca um filme brasileiro diferente, este é uma boa pedida. 

Love Kills (Brasil-2025) de Luiza Shelling Tubaldini com Thais Lago, Erom Cordeiro, Flow Kountouriotis, Almir Guilhermino, Gabriela Flores, Rosana Maris e Marat Descartes. 

sábado, 12 de setembro de 2026

CICLO VERDE E AMARELO: Transe

Luisa e Ravel: de boas intenções...

Fúlgido diáriw, o período das eleições de 2018 se caracteriza como um dos mais estranhos da história recente de nosso país. Nos anos seguintes, a coisa apenas se complicou ainda mais com uma pandemia no meio para embolar ainda mais as lembranças e as emoções da população. No meio da polarização acirrada daquela eleição as diretoras Anne Pinheiro Guimarães e Carolina Jabor resolveram realizar filmagens do que resultaria em Transe, filme lançado em 2022 com registros daquele período. O filme é um misto de ficção e documentário com base em seu trio de atores interagindo com pessoas nas ruas e improvisando cenas diante da câmera. Em alguns momentos a coisa parece se tornar interessante, mas em outras cai em armadilhas que só denunciam uma fragilidade no discurso que só evidencia certa superficialidade. Luisa Arraes vive Luisa, uma atriz que mora com o namorado músico Ravel (Ravel Andrade). Ela conhece Johnny (Johnny Massaro) em uma manifestação e subitamente se estabelece um trisal. A ideia é que o trio personifique tudo o que incomoda a família tradicional brasileira, mas faltou construir os personagens para que eles parecessem de verdade. A ideia de dar a eles o nome dos atores também não ajuda, assim como os diálogos saídos de uma enciclopédia de clichês, o que dificulta ainda mais a plateia comprar o discurso politizado que tenta imprimir. Algumas pessoas com que os atores interagem tiram o filme do marasmo, mas nada avança como debate interessante sobre um período crucial da realidade sócio-política brasileira recente. O distanciamento temporal só faz a produção soar ainda mais simplista em suas complexas intenções de desvendar o transe coletivo em torno do candidato que seria eleito.  

Transe (Brasil/2022) de Anne Pinheiro Guimarães e Carolina Jabor com Luisa Arraes, Ravel Andrade, Johnny Massaro, Bella Camero, Matheus Macena e Ana Flavia Cavalcanti. 

PREMIADOS FESTIVAL DE VENEZA 2026

Woman Unknown: melhor filme e melhor atriz em Veneza

 E o Festival de Veneza chegou ao fim anunciando seus premiados. Gerou alguma polêmica o fato do grande premiado com o Leão de Ouro ser Woman Unknown da diretora May El-Toukhy o único longa da mostra competitiva dirigido por uma mulher. Ainda assim, as qualidades do filme (sobre a rotina de uma empregada na ocupação alemã na Dinamarca durante a Segunda Guerra Mundial) devem lhe garantir algum fôlego para o Oscar do próximo ano - e ao que parece a mídia já anunciou o seu favorito ao Oscar de melhor ator: John Malkovich. A seguir todos os premiados desta edição: 

Leão de Ouro: "Woman Unknown" de May el-Toukhy

Leão de Prata - Grande Prêmio do Júri: "Amor Possível" de Lee Chang-dong

Leão de Prata - Melhor Direção: Ilya Khrzhanovsky (DAU)

Prêmio Especial do Júri: "NAZA"  de Yuval Abraham e Rachel Szor

Melhor Roteiro: "Un bon petit soldat"

Copa Volpi de Melhor Ator: John Malkovich (Cavalo Selvagem Nove) 

Copa Volpi de Melhor Atriz: Mathilde Arcel (Woman Unknown)

Prêmio do Público: "Eu Contez" de Alina Şerban

Melhor Jovem Ator: Malou Khebizi  (A Place to Heal)


terça-feira, 1 de setembro de 2026

4EVER: Gracindo Júnior.

21/05/1943 ✰ 01/09/2026

Epaminondas Xavier Gracindo nasceu no Rio de Janeiro, filho do lendário ator Paulo Gracindo, estreou como ator no teatro em 1962. Na mesma década iniciou seus trabalhos na televisão em produções. Trabalhou nas novelas A Moreninha (1965), Dona Beija (1986), Mandala (1987) e Celebridade (2003) e muitas outras. Em 1980, Gracindo Jr fez um comercial para a Loja Adonis em que inaugurou a nudez masculina na TV (na ocasião ele aparecia sem roupa somente com uma sombra na altura dos quadris). Diretor, roteirista, ator e roteirista, fez mais de vinte filmes ao longo de sua carreira, incluindo Buffo & Spalanzani (2001) e Irmã Dulce (2014). O artista faleceu de causas naturais. 

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Festival de Veneza 2026

A 83ª edição do Festival de Veneza começa no dia 02 de setembro e se estenderá até o dia 12 de setembro, na competição estarão filmes assinados por Danny Boyle, Werner Herzog, Martin McDonoagh, Hirokazu Koreeda, Nanni Moretti e Florian Zeller. Com a realização próxima da temporada de ouro das grandes premiações, o Festival está cercado de expectativas. O júri deste ano é presidido pela cineasta e atriz Maggie Gyllenhaal e conta com Daniel Blumberg, Xavier Giannoli e Frenacesco Casetti entre os jurados. A seguir todos os filmes que serão exibidos no festival ao longo de dez dias:

Mostra Competitiva

Ink, dir. Danny Boyle (Filme de Abertura)

Company, dir. Casey Affleck

A Bit of Light, dir. Ali Asgari

Ritorno a Buenos Aires, dir. Marco Bechi

Un Bon Petit Soldat, dir. Stephane Brize

Il Fuoco Che Ti Porti Dentro, dir. Edoardo de Angelis

Woman Unknown, dir. May el-Toukhy

Bucking Fastard, dir. Werner Herzog

A Place to Heal, dir. Cedric Kahn

Dau, dir. Ilya Khrzhanovsky

Look Back, dir. Hirokazu Koreeda

Possible Love, dir. Lee Chang-dong

Cavalo Selvagem Nove, dir. Martin McDonagh

It Will Happen Tonight, dir. Nanni Moretti

Primetime, dir. Lance Oppenheim

The Echo Chamber, dir. Andrea Pallaoro

Un Peu Avant Minuit, dir. Nicolas Pariser

L’Estranea, dir. Paolo Strippoli

Mr. Nelson, Did You Kill People?, dir. Shinya Tsukamoto

Bunker, dir. Florian Zeller

Mostra Holofote

Sumo: Spirit Weighs Nothing, dir. Erik Shirai (Filme de Abertura)

Conversation With the Sea, dir Muayad Alayan,

Hombre Al Agua, dir. Gael Garcia Bernal

Serpenti, dir. Roberto de Paolis Maino

Furies, dir. Rami Kodeih

Guria, dir. Levan Koguashvili

Ground Floor, dir. Gabor Reisz

I Matter, dir. Alina Serban

Mostra Horizontes

La Ragazza con la Leica, dir. Alina Marazzi (Filme de Abertura)

The Burning Giants, dir. Phuttiphong Aroonpheng Thai

What Belongs to Others, dir. Grzegorz Debowski

Una Storia, dir. Anna Foglietta

La Citta dei Vivi, dir. Edoardo Gabbriellini

Falling House, dir. Mohsen Gharaei

Too Much Sugar, dir. Robert Greene

The Difficult Bride, dir. Rubaiyat Hossain

La Maison du Vent, dir. Auguste Bernard Kouemo Yanghu

I Figli Della Scimmia, dir. Tommaso Landucci

A Day in the Life of Jo: Chapter Phaedra, dir. Jacqueline Lentzou

Oasis, dir. Jannis Lenz

Until the Day Ends, dir. Jelena Maksimovic

La Moula, dir. Jerome Pierrat

Lovers in the Blue Night, dir. Anuparna Roy

Un Detour par Diane, dir. Ann Sirot, Raphael Balboni

The Color of the Sun, dir. Xavier Tera

Mostra Venice Open

Juso Per Ferie, dir. Karen di Porto

Nino – Un Film su Nino, dir. Walter Fasano

The Pervert’s Guide to Utopias, dir. Sophie Fiennes

Joie de Vivre, dir. Luca Guadagnino

Twist and Shoot Mister Suzuki, dir. Yves Montmayeur

Intermission, dir. Yonfan

Mostra Venice Open  Não-Ficção

Be Brave, dir. Francesco Carrozzini

What Loves Builds, dir. Russell Crowe

Burgundy, dir. Michael Dweck, Gregory Kershaw

Musk, dir. Alex Gibney

The Road to Jericho, dir. Amos Gitai

Citizen Osama, dir. Ahmed Hassouna

Union Town, dir. Barbara Kopple

Holy Wood Dust, dir. Victor Kossakovsky

Letters from the Silenced Country, dir. Andrei Kutsila

Biografia de Jorge Luis Borges, dir. Mariano Llinas

My Undesirable Friends Part II – Exile, dir. Julia Loktev

Boatbilders, dir. Luke Lorentzen

Imperium, dir. Sergei Loznitsa

Shumei – The Living Legacy of Kabuki, dir. Takashi Miike

Queer Edward II, dir. Theo Rollason

Oasis: Don’t Look Back in Anger, dirs. Dylan Southern, Will Lovelace

Dust, dir. Tsai Ming-liang

Everest: The Other Side, dirs. Elizabeth Chai Vasarhelyi, Jimmy Chan

From Inside Out – The Architecture of Peter Zumthor, dir. Wim Wenders

Mostra Venice Open - Ficção

Nessun Dolore, dir. Gianni Amelio

Let Us Through, Dear Ancestors, dir. Lav Diaz

Father Joe, dir. Barthelemy Grossman

Scherzetto, dir. Mario Martone

Place to Be, dir. Kornel Mundruczo

No Paradise if You Are Killed by a Woman, dir. Halkawt Mustafa

Arrested Memory, dir. Sabu

The Basics of Philosophy, dir. Paul Schrader

Un Bon Avocat, dir. Tristan Seguela

Jupiter, dir. Alexandre Smia

Dio Ride, Giovanni Veronesi (Filme de Encerramento)

PL►Y: Vida Privada

Jodie: a ética na esquina. 

Admirado diáriw, Jodie Foster é uma das minhas atrizes favoritas desde sempre. Sou fã dela desde que a vi em O Silêncio dos Inocentes (1991) e ela se tornou uma daquelas atrizes em que basta o nome estar em alguma produção para atiçar meu interesse. Infelizmente ela filma pouco ultimamente, o que deixa uma curiosidade a mais para assistir este Vida Privada que está em cartaz na HBOMAX. Ela interpreta Lilian Steiner, uma renomada psiquiatra que tenta lidar com o suicídio de uma de suas pacientes, Paula (Virginie Efira). Considerando que conhecia bem a paciente, ela não acredita que tenha tirado a própria vida, suspeitando que trata-se de um caso de assassinato. Ajuda muito a aumentar as suspeitas de Lilian a hostilidade com que é tratada pelo marido da paciente, Simon (Mathieu Almaric) e o comportamento suspeito da enteada da falecida, Valérie (Luàna Bajrani). A narrativa se dedica à mostrar a psiquiatra descobrindo fatos e costurando pistas conforme sua suspeita instiga e, embora o roteiro não ofereça nada demais ao espectador, torna-se interessante pela forma como expõe nossa capacidade de criar as próprias verdades, moldando o que se encaixa em nosso ponto de vista e desconsiderando todo o resto que indique uma direção contrária. A diretora Rebecca Zlotowski consegue construir uma atmosfera envolvente de mistério e conta com um elenco impressionante que ainda conta com Daniel Auteuil como o ex-marido de Lilian e Vincent Lacoste como o filho cheio de ressentimentos. Entre suspeitas e desventuras, o filme de vez em quanto encontra até espaço para algum humor ancorado em um trabalho que soa como a antítese da personagem que Jodie Foster interpretou na última temporada de True Detective. Não chega a ser um filme memorável, mas é até instigante. 

Vida Privada (Vie Privée / França - 2025) de Rebecca Zlotowski com Jodie Foster, Mathieu Almaric, Virginie Efira, Luana Bajràni, Daniel Auteuil e Vincent Lacoste. 

domingo, 30 de agosto de 2026

PL►Y: O Convite

Seth e Olivia: casal anfitrião em crise. 

Entusiasmado diáriw, fico muito feliz de ver Olivia Wilde reencontrando seu caminho como diretora após a bagunça de Não se Preocupe, Querida (2022). A diretora brigou para que seu terceiro filme fosse lançado nos cinemas e chegou a recusar uma proposta robusta da Netflix que o lançaria direto no streaming. O resultado é um sucesso de bilheteria abraçado pelo público adulto que estava carente de um comédia madura ancorada em diálogos e atuações inspiradas. Baseado no filme espanhol Sentimental (2020) de Cesc Gay, o roteiro de Rashida Jones e Will McCormack  onsegue dar aos personagens novas nuances que torna tudo mais interessante. O filme conta a história do jantar promovido por Angela (Olivia Wilde) para os seus vizinhos, Piña (Penelope Cruz) e Hawk (Edward Norton) - mesmo que seu esposo, Joe (Seth Rogen) seja contra. A situação anda tensa entre o casal anfitrião, Joe é frustrado com sua carreira na música e Angela nunca conseguiu se dedicar à sua profissão, ficando presa às neuras de afazeres cotidianos. Já os convidados são descolados e tem uma vida sexual audível que mostra-se ainda mais movimentada do que os seus vizinhos suspeitavam. Entre diálogos afiados sobre a vida dos casais e alguns constrangimentos surge um convite inesperado para o casal em crise sair da rotina. Olivia Wilde faz um ótimo trabalho na direção, os atores apresentam uma ótima sintonia e a narrativa do filme flui de forma surpreendente levando em consideração a ambientação em uma única locação. Utilizando a estrutura do apartamento para emoldurar seus personagens, O Convite tem um pouco do cinema de Woody Allen quando ele dizia "vamos parar de rir e falar sério" e, não por acaso, o filme é dedicado à Diane Keaton (musa master do cineasta cancelado). Eu amei a última cena que deixa o final em aberto. 

O Convite (The Invite / 2026) de Olivia Wilde com Olivia Wilde, Seth Rogen Penelope Cruz e Edward Norton. ☻☻☻☻