sábado, 31 de outubro de 2026

NªTV: Slow Horses - 6ª Temporada.

Lowden: só problemas. 

Maratonado diáriw, esta série da AppleTV chegou à sua sexta temporada e permanece como uma das minhas favoritas. Baseada na série de livros Slough House de Mick Herron, a produção merece aplausos pela desenvoltura com que costura suas narrativas através das temporadas, sempre deixando aquela sensação de que tudo pode acontecer: personagens queridos podem morrer ou podem sair do programa e podem retornar quando você menos espera... nesta sexta temporada estes temperos que já faziam a glória dos fãs é elevado à potência máxima já que os agentes rejeitados que já passaram pela Slough House (um lugar da Inteligência Britânica destinada a lidar com arquivos e para onde são encaminhados agentes desprezados que tiveram algum problema em campo, ou seja, o limbo) passam a ser executados um a um. Por conta disso, o desleixado Jackson Lamb (Gary Oldman) precisa tomar algumas providências junto à agora chefona Diana Taverner (Kristin Scott Thomas) - que precisa lidar com os efeitos de algumas ações equivocadas com os russos. No meio disso tudo, River (Jack Lowden) ficará tão feliz quanto o público com a volta de uma personagem muito querida... Entre cenas de ação, piadas e aquelas perseguições que podem terminar de forma imprevisível, a série prende mais uma vez a atenção do espectador ao longo de seus seis episódios (sempre com aquele gancho para segurar as expectativa de um episódio para o outro e... para a nova temporada que já está prontinha).  Se existe algum problema é que aqueles a maioria dos diálogos de troca de insultos entre os personagens já soam cansativos, mas é um defeito pequeno diante do que a temporada entrega (dessa vez até com uma criança desbocada). Ao ver o trailer da próxima temporada eu só lembrava que será a penúltima. Que tristeza!

Slow Horses - 6ª Temporada (Reino Unido - EUA /2026) de Mick Herron com Gary Oldman, Jack Lowden, Kristin Scott-Thomas, Saskia Reeves, Christopher Chung, Aimee Ffion Edwards, Rosalind Eleazar, Ruth Bradley, Tom Booke, Joanna Scanlan e Hugo Weaving. ☻☻☻☻

PL►Y: Mirrors nº 3

Paula: um lugar para ocupar. 

Acidentado diáriw, o diretor alemão Christian Petzold permanece em sua linha mais intimista com Mirrors nº3 e para isso escala novamente uma de suas atrizes favoritas, Paula Beer (Afire/2022, Undine/2020 e Em Trânsito/2018. A atriz vive Laura, uma estudante de música que viaja meio a contragosto com um casal de amigos e o namorado pelo interior da Alemanha. Naquela paisagem bucólica, uma mulher chama atenção de Laura à beira da estrada em frente uma das poucas casas que compõem aquela paisagem. Ela nem imagina que por conta de um acidente ela passará um tempo na casa daquela mesma mulher solitária. Betty (Barbara Auer) acolhe a jovem com bastante zelo e aos poucos uma se instaura na rotina da outra, servindo de companhia e ajuda. A casa vazia está cheia de objetos quebrados que precisam de reparos, o jardim precisa de cuidado, a cerca precisa ser pintada... é como se aquele espaço aos poucos pedisse para se tornar um lar novamente. Quando entra em cena o marido (Matthias Brandt) e o filho (Enno Trebs) de Betty, que moram do outro lado da cidade, o espectador passa a ter certeza de que algo aconteceu e deixou aquela família em pedaços. Petzold mistura os personagens e compõe uma narrativa que evolui através dos detalhes, das roupas que servem perfeitamente em Laura, os cochichos secretos os olhares que sempre parecem esconder algo. Entre interações por vezes cômicas e outras um tanto dramáticas, as relações entre os personagens parecem desenhar um suspense que (propositalmente) nunca se consolida. Quando a revelação surge, ela causa menos impacto do que a expectativa do que acontecerá a seguir. Petzold cria este microuniverso com bastante cuidado e encontra nas atuações de seu elenco em sintonia perfeita o mecanismo ideal para que o filme funcione. Misturando luto, dependência e identidade, Mirrors nº3 parece modesto, mas alcança um resultado interessante dentro de sua proposta emocional. 

Mirrors nº3 (Miroirs nº 3/ Alemanha - 2025) de Christian Petzold com Paula Beer, Barbara Auer, Matthias Brandt, Enno Trebs e Phillip Froissant. ☻☻☻

PL►Y: Tony

Dominic: chef em formação. 

Famoso diáriw, quem também recebeu uma biografia recente foi o renomado chef Anthony Bourdain, que conciliou sua carreira em restaurantes com a de escritor, jornalista e documentarista, tendo ficado famoso mundialmente por conta de seus trabalhos para a televisão. O filme dirigido por Matt Johnson (que também é ator e esteve recentemente em Matt & Mara/2025) foca na juventude de Anthony, ou melhor Tony. Vivido por Dominic Sessa (o ator revelação de Os Rejeitados/2023), o filme parte daquele momento do pontapé inicial para Bourdain se tornar quem seria no futuro. Ele sonhava ser escritor, mas após perder sua bolsa na faculdade, ele parte para o litoral e passa a trabalhar num restaurante simplório de frutos do mar. Não existe nada de glamour aqui. Devido a uma confusão, termina responsável por lava os pratos. Em troca de um teto, dorme em uma rede, acorda com balde d'água na cara todas as manhãs, mas começa a ter cada vez mais interesse pela cozinha. O interesse pelos ingredientes só perde espaço para Nancy (Emilia Jones), uma velha conhecida que nunca deu muita bola para ele. Outro destaque do elenco é Antonio Banderas, no papel do chefe de Tony que se torna uma espécie de mentor e Leo Woodall como o amigo cozinheiro conquistador. Narrado de forma fluente, sem grandes surpresas, Tony é um filme bastante agradável de assistir e torna compreensível como um sujeito como Antony Bourdain se tornou tão admirado. Embora não tenha recebido muita atenção nos cinemas, o filme é uma boa opção para passar o tempo e entrou recentemente em cartaz no PrimeVideo. 

Tony (EUA - Canadá / 2026) de Matt Johnson com Dominic Sessa, Antonio Banderas, Emilia Jones, Leo Woodall, Stavros Halkias e Rich Sommer. ☻☻☻

PL►Y: A Cronologia da Água

Poots: drama pesadão. 
Afogado diáriw, a atriz Kirsten Stewart realizou uma estreia na direção bastante promissora com esta adaptação da biografia de Lidia Yuknavitch, aspirante à nadadora que se tornou escritora. Imogene Poots é responsável por viver a escritora e realiza um ótimo trabalho, especialmente se levarmos em conta as situações pesadas que o roteiro lhe reserva e o fato da montagem optar por um estilo quase aleatório no encadeamento das cenas (mas que não prejudica o desenvolvimento da personagem). No início considerei os cortes intensos bastante cansativos, mas meia hora depois, compreendi a intenção e a própria narrativa começa a fazer sentido enquanto um conjunto de memórias em que fatos presentes trazem à tona situações do passado e estabelece uma relação com situações futuras. É verdade que Lídia sofre um bocado, a infância marcada por situações abusivas vividas por ela e pela irmã (quando crescida é vivida por Thora Birch em uma tristeza contida que cai muito bem à personagem) reserva à Lidia um futuro de relações tumultuadas, álcool, drogas e um tantinho de gosto pela autodestruição. O fato é que no meio de tudo isso, ela começa a perceber na escrita uma forma de exorcizar tudo isso. Vale destacar que seu mentor no ofício de escritora é Ken Kesey (vivido por James Belushi), autor que em 1962 lançou Um Estranho no Ninho. O filme se revela uma montanha-russa de emoções e Kirsten demonstra bastante sensibilidade ao lidar com os vários momentos complicados na vida de sua protagonista. Embora não seja um filme para todos os gostos, gostei da forma como as coisas se encaixam perto do final e oferecem à Lidia a chance de organizar as emoções e a vida, deixando os traumas do passado em seu devido lugar. 

A Cronologia da Água (The Chronology of Water / EUA - França - Letônia / 2025) de Kirsten Stewart com Imogene Poots, Thora Birch, Susannah Flood, Michael Epp, Charlie Carrick, Tom Sturridge, Earl Cave e Kim Gordon. ☻☻☻ 

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

PL►Y: Mother Mary

Hathaway: o nome dela é trabalho. 

Famoso diáriw, Anne Hathaway resolveu não ficar em casa nos últimos tempos e lançou cinco filmes ao longo de 2026. O primeiro deles foi um fracasso de bilheteria e recentemente chegou ao streaming. Mother Mary traz a assinatura ilustre de David Lowery, mas que avança pouco em sua relação entre estética e conteúdo. A atriz vive uma cantora pop que está em crise e procura uma antiga estilista (Michaela Coel) para ajudá-la a criar seu figurino para um show. Acontece que as duas tiveram desentendimentos no passado e voltar a trabalhar juntas pode se tornar uma verdadeira tortura psicológica para elas e... para a plateia. Repleto de simbologias e muitos diálogos sobre traumas e ressentimentos, a narrativa costura o reencontro das personagens com algumas cenas de palco que demonstram a transição de uma artista cultuada pelos fãs como uma verdadeira divindade para uma pessoa fragilizada e em crise com seu ofício. Se por um lado a parte estética com figurinos, direção de arte e trilha sonora caprichada (produzida por Jack Artonoff, Charli XCX, FKA Twigs e Daniel Hart, entre outros) que emolduram os dons vocais de Hathaway, o roteiro se enrola na tentativa de ser profundo, mas soa truncado e até banal. Um pouco mais de clareza no desenho do conflito entre as duas personagens cairia muito bem na história. Existe aqui um olhar curioso sobre o universo pop que concilia com uma interessante atmosfera gótica, mas a forma como é desenvolvida deixa a dramaticidade afetada, com muita pose e a necessidade de fazer o sofrimento soar sexy e envolvente. Quando o filme terminou eu fiquei imaginando onde ele queria chegar, já que tive a impressão que ficou parado em seu ponto de partida desde o início.  

Mother Mary (Reino Unido, Finlândia, Alemanha, EUA - 2026) de David Lowery com Anne Hathaway, Michaela Coel, Hunter Schafer, Sian Clifford e FKA Twigs. ☻☻

Na Tela: Cara de Barro

Tom: identidade transformada. 
Derretido diáriw, as coisas andam tão estranhas para o lado da DC nos cinemas que bastou ser lançado um filme mais modesto, com baixas expectativas que o público o abraçou na medida certa. Cara de Barro era um filme que ninguém esperava muita coisa, mas se pagou tranquilamente em seu fim de semana da estreia. O filme é uma história de origem de um dos vilões do Batman que já passou por várias versões nas HQs, aqui Matt Hagen deixa de ser um caçador de tesouros para se tornar um ator famoso que cai em desgraça quando se envolve com a mulher errada. Vivido com competência pelo galês Tom Rhys Harries, Hagen tem seu rosto destruído por um gângster e vê não apenas sua carreira entrar em declínio como sua reputação também. Desesperado, ele se oferece para ser cobaia de um experimento revolucionário com a doutora Caitlin Bates (Naomie Ackie), mas embora os resultados sejam promissores, aos poucos eles percebem que os efeitos não funcionam como os esperados. Aos poucos a pele de Hagen se torna cada vez mais instável, mas os problemas aos poucos se mostram habilidades que podem ajudá-lo em realizar uma vingança. Idealizado por Mike Flanagan como um body horror, a direção caiu nas mãos de James Watkins (responsável pelo remake horroroso de Não Fale Mal/2024) que se sai bem quando lida com a identidade em dissolução do protagonista junto com seu corpo em deterioração, mas encontra dificuldade de apresentar algo mais quando a vingança toma conta da narrativa. No entanto, com um protagonista bem desenhado e cenas marcantes com efeitos convincentes, o público parece ter aprovado o resultado. Fico curioso para saber o espaço que o personagem terá no Universo cinematográfico da DC que ainda soa disperso.

Cara de Barro (Clayface / EUA - 2026) de James Watkins com Tom Rhys Harries, Naomie Ackie, Max Minghella, Nany Carroll, Eddie Marsan, Joana Ribeiro, David Dencik e Joshua James. ☻☻☻

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

4EVER: Patrick Stewart

13/07/1944✰ 28/10/2026 

Filho de uma tecelã e de um militar, Patrick Hewes Stewart ingressou na Royal Shakespeare Company em 1966, estreou na TV em 1967 e na Broadway em 1970. No entanto, seu maior reconhecimento chegou somente em 1987 quando encarnou o capitão Jean-Luc Picard na série Star Trek: The Next Generation (1987-1994). A fama do ator só aumentou quando no ano 2000 encarnou o mutante Professor Charles Xavier nos filmes dos X-Men. Seu trabalho antológico retornará no Universo Cinematográfico da Marvel este ano no novo filme dos Vingadores que estreia em dezembro. O ator faleceu após conviver com Alzheimer. 

terça-feira, 27 de outubro de 2026

10+ Favoritos entre os Premiados da Mostra Internacional de SP

No início, a Mostra Internacional de São Paulo deixava a cargo do público a função de eleger o melhor filme da mostra. Décadas depois, começou a diversificar, deixando que a crítica e um júri também fizessem suas escolhas. Assim, mais filmes ganhavam projeção na mostra e depois com categorias de ficção e documentários, divididos em produções nacionais e internacionais deixaram as escolhas ainda mais diversificadas, deixando o público mais atento às centenas de filmes que passam todo ano pela mostra. Em 2026 o evento chega à sua 50ª edição e vários dos filmes exibidos por lá receberam postagens por aqui ao longo dos anos. A seguir dez dos meus filmes favoritos que foram premiados nas várias edições. Como é quase impossível classificar tantas obras-primas (já foi difícil escolher somente dez), eu preferi organizá-los por ordem cronológica:

Prêmio da Crítica

Prêmio do Público  

Prêmio do Júri

Prêmio do Júri e Prêmio do Público

Prêmio do Júri 

Prêmio do Público

Prêmio do Público

Prêmio Especial da Crítica

Prêmio do Público 

Prêmio do Público

Prêmio do Público

NªTV: Viva o Cinema! Uma História da Mostra de SP

Cakoff: cinema é resistência!  

Cinéfilo diáriw, diante de toda a atmosfera tensa das eleições de 2026 resolvi me distrair com a minissérie documental Viva o Cinema! da HBO sobre a história da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Disponível no streaming, a produção conta a trajetória da Mostra idealizada por Leon Cakoff desde sua criação em 1977 no MASP e sua expansão pela cidade de São Paulo. Em quatro episódios, acompanhamos os desafios, as amizades, os participantes, os filmes que fizeram história com sua exibição nas edições e a forma como a paixão pelo cinema se mostrou um ato de resistência ao longo dos anos. Cakoff era crítico de cinema e ao idealizar a Mostra nunca teve a ideia de centra-se no glamour dos artistas. Sua ideia principal era valorizar os filmes dos mais variados lugares, das mais variadas culturas e temáticas e aproximar o público de filmes que geralmente não teria acessos nas salas de cinema convencionais. Diante deste ideal enfrentou problemas com a censura nos tempos da ditadura (e chega a ser engraçado quando forçou os censores a ver centenas de filmes a tempo da mostra e ajudou a pressionar pelo fim da censura) mais recentemente enfrentou problemas com perda de patrocínio diante do governo federal passado que olhava com desprezo para a cultura.  Dirigido pelo casal Marina Person e Gustavo Moura de Maria, o programa é uma declaração de amor ao cinema e à Mostra, que fica ainda mais evidente com o cuidado com que contextualiza as edições da Mostra e a relação dos filmes com a realidade do Brasil e do mundo. Dos golpes sofridos pela mostra (a falta de recursos, a morte de Cakoff, a edição online na pandemia...) aos fãs que colecionou ao longo da trajetória (da própria Marina à Quentin Tarantino), Viva o Cinema! é uma celebração à arte e ao cinema enquanto uma forma de olhar o mundo e refletir sobre ele. Só para lembrar, a edição deste ano termina na sexta-feira (29/10)! 

Viva o Cinema! Uma História da Mostra de SP (Brasil - 2024) de Marina Person e Gustavo Moura de Maria com Leon Cakoff, Marina Person, Gustavo Moura de Maria, Renata de Almeida, Daniela Thomas, Serginho Groissman e Jonas Chadarevian. ☻☻☻☻☻