quinta-feira, 18 de junho de 2026

Na Tela: Mestres do Universo

Nicholas: rindo de si mesmo

Anabolizado diáriw, lembro que assisti ao primeiro filme do He-Man no cinema em 1987. O revi várias vezes (nem sei quantas). O filme nunca foi muito elogiado, mas o considero divertido o suficiente para passar o tempo. Há tempos queriam fazer um novo longa sobre aquele universo e finalmente saiu do papel pelas mãos da Amazon que abraçou a galhofa e alcançou um resultado que quer apenas entreter sem maiores pretensões. Escalaram Nicolas Galitzine para oxigenar as madeixas e ficar bombado o suficiente para usar os trajes modestos do herói e Jared Leto para ficar escondido atrás da máscara do esqueleto. Na trama Esqueleto passa a dominar o reino de Etérnia e provoca a fuga do pequeno Príncipe Adam com a espada do poder para a Terra. Acontece que o menino perde a espada no caminho e cresce com plena consciência de sua missão. Procurando a espada e ganhando a vida trabalhando no RH, tudo muda quando ele finalmente encontra a espada e volta ao seu planeta natal. Ele se junta aos personagens que sempre guardou na memória para derrotar esqueleto e... tudo é tratado com muito humor, efeitos especiais, piadas de duplo sentido sem se levar a sério. Muitos reclamaram que falta seriedade ao filme, mas acho estranho exigir isso de um filme baseado em um desenho animado gerado para vender brinquedos. Não é inovador, mas também não compromete o material em que se baseia. Bem cuidado em cenários e figurinos, o filme conta com um elenco esforçado. Gostei muito que deixaram o Esqueleto fiel aos desenhos. Um sujeito de humor ridículo em sua vilania, mas que consegue ser bastante assustador. Ele diz coisas absurdas durante o filme e lembra alguns políticos que andam por aí. O melhor é que ele não posa de bom moço, como ele mesmo diz, é o vilão e adora isso. Na sala de cinema, o público curtiu bastante.

Mestres do Universo (Masters of the Universe / EUA - 2026) de Travis Knight com Nicholas Galitzine, Camila Mendes, Idris Elba, Jared Leto, Alison Brie, Jóhannes Haukur Jóhannesson, Jon Xue Zhang, Sam C. Wilson, James Purefoy, Morena Baccarin, Kristen Wiig e Dolph Lundgren. ☻☻

quarta-feira, 17 de junho de 2026

CENTØPÉDIA: FilmesD+ (Parte II)

 Demorou dez anos e seis meses para listar mais cem filmes com a cotação máxima do blog . Os FilmesD+ já haviam gerado outra lista de cem títulos em no início de 2006 e agora agrega mais um grupo seleto de produções avaliadas por este humilde cinéfilo que vos escreve. A seguir mais cem filmes que estão entre os melhores que já assisti:

Ainda Estou Aqui de Walter Salles
A Favorita de Yorgos Lanthimos 
A Fraternidade é Vermelha de Krzysztof Kieslowski
A Grande Beleza de Paolo Sorrentino
A Juíza  Julie Cohen e Betsy West
A Luz Entre Oceanos de Derek Cianfrance 
A Marvada Carne de André Klotzel
A Menina Silenciosa de Colm Bairéan 
Amor e Restos Humanos de Denis Arcand
Anatomia de Uma Queda de Justine Triet
Animais Americanos de Bart Layton 
Apocalypse Now de Francis Ford Coppola 
As Bruxas de Salém de Nicholas Hytner
Assassinato em Gosford Park de Robert Altman 
Assassinos da Lua das Flores de Martin Scorsese
Assunto de Família de Hirokazu Koreeda 
Border de Ali Abassi
 Cães de Aluguel de Quentin Tarantino
Carvão de Carolina Markowicz
Central do Brasil de Walter Salles
Cidade de Deus de Fernando Meirelles e Kátia Lund
Cinema, Aspirina e Urubus de Marcelo Gomes
Corpus Christi de Jan Komasa
Close de Lukas Dhont 
Deus Branco de Kornél Mundruczó
Entre os Muros da Escola de Laurent Cantet
Eu Sei que Vou te Amar de Arnaldo Jabor
Eu, Tonya de Craig Gillespie
Eu, Você e a Garota que Vai Morrer de Alfonso Gomes-Rejon
Fatal de Isabel Coixet 
Flow de Gints Zilbalodis
Fruto da Memória de Christos Nikou
Honeyland de  Tamara Kotevska
Ilha dos Cachorros de Wes Anderson 
Jamais Nevará Novamente de Malgorzata Szumowska
Lamb de Valdimar Johannsson
Lady Bird de Greta Gerwig 
 Lady MacBeth de William Oldroyd
Laranja Mecânica de Stanley Kubrick
Mais Forte que Bombas de Joachim Trier
Marcel, A Concha de Sapatos de Dean Fleisher Camp 
Nashville de Robert Altman
Má Educação de Cory Finley
Meu Pai de Florian Zeller
1917 de Sam Mendes
Monster de Hirokazu Kore-eda
Moonlight de Barry Jenkins
Nada de Novo no Front de Edward Berger
Nenhum a Menos de Zhang Yimou
Nico, 1988 de Susanna Nichiarelli 
Nostalgia de Andrei Tarkovsky 
O Beijo da Mulher Aranha de Hector Babenco 
O Brutalista de Brady Corbet
O Experimento Milgram de Michael Almereyda 
O Garoto que Comia Alpiste de Ektoras Lygizos 
O Homem Elefante de David Lynch
Okja de Bong Joon-Ho
O Mensageiro de Karen Shakhnazarov
O Que Resta do Tempo de Elia Suleiman
O Talentoso Ripley de Anthony Minghella
Os Cinco Sentidos de Jeremy Podeswa
Os Rapazes da Banda de William Friedkin
Os Tempos de Harvey Milk de Rob Epstein
Parasita de Bong Joon-Ho
Paris is Burning de Jennie Livingston
Pinóquio de Guillermo Del Toro
Princesa Mononoke de Hayao Miyazaki
Reprise de Joachim Trier 
Segredos e Mentiras de Mike Leigh 
Sr. Ninguém de Jaco Van Dormael
Stalker de Andrei Tarkovsky 
Sob a Areia de François Ozon
Sonho de Valsa de Ana Carolina 
Summer of Soul de Questlove
Sunshine - Alerta Solar de Danny Boyle 
Tangerinas de Zaza Urushadze
Taxi Driver de Martin Scorsese
Thelma & Louise de Ridley Scott
The Square de Ruben Östlund
Transamérica de Duncan Tucker
Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo de Dan Kwan e Daniel Scheinert
Um Estanho no Ninho de Milos Forman
Underground de Emir Kusturica
Vá e Veja de Elem Klimov
Viagem ao Topo da Terra de Patrick Imbert
Vida Selvagem de Paul Dano
Visages Villages de Agnès Varda e JR
Zola de Janicza Bravo 

PL►Y: A Noiva!

Jessie e Bale: só pretensões. 

Decepcionado diáriw, sou um dos admiradores da estreia da atriz Maggie Gyllenhaal como cineasta em  A Filha Perdida (2021). O filme foi indicado em três categorias no Oscar, entre elas, atriz coadjuvante para Jessie Buckley. Aquela foi  a primeira vez que a atriz caiu no radar da academia e este ano levou o prêmio de atriz para casa por Hamnet. Quando sua campanha do Oscar fervia, chegava aos cinemas esta nova parceria entre as duas, uma versão moderna de A Noiva de Frankenstein. A personagem em si ganhou fama no cinema com o clássico de 1935 de James Whale estrelado por Boris Karloff e Elsa Lanchester que fazia os papéis da autora Mary Shelley e da noiva. Maggie mantem esta ideia para enriquecer a personagem que está presente em uma subtrama do livro.  O roteiro transporta a história  para os anos 1930 e insere a personagem em uma investigação policial enquanto Frank (Christian Bale) quer uma companheira após atravessar o século atrás de um amor. Cheio de ideias, o filme tem estilo demais para história de menos. Há tanta gritaria no filme e tantas linhas para amarrar que fica bastante perdido. Curioso é que apesar de imaginar ter tanto a dizer o filme soe tão vazio com os dois personagens correndo de um lado para o outro, parando de vez em quando para assistir filmes (Frank ama cinema, especialmente musicais) e matar algumas pessoas que não os compreendem pelo caminho. Além disso, tem um discurso feminista desengonçado que nunca é plenamente desenvolvido no decorrer da história. Pena que o bom elenco e o capricho na maquiagem (que curti muito mais do que no Frankenstein de Del Toro) não sejam capazes de salvar o filme de seu emaranhado de pretensões.

 A Noiva! (The Bride! / França - EUA / 2026) de Maggie Gyllenhaal com Jessie Buckley, Christian Bale, Pete Sarsgaard, Penelope Cruz, Annette Bening, John Magaro e Jeannie Berlin.   

Pódio: Josh O'Connor

3º Reino de Deus (2017) O primeiro trabalho em que o rapaz me chamou atenção foi neste drama romântico que recebeu muita atenção na época por conta da relação densa entre seus dois personagens  - além das tórridas entre Josh e o romeno Alec Secăreanu. O primeiro vive Johnny Saxby que vive com o pai e o avô em uma fazenda precária de ovelhas. O rapaz vive uma rotina complicada e ela parece encontrar alguma mudança quando chega à fazenda um jovem romeno. A complexa relação amorosa entre os dois tornou o filme um dos longas com temática LGBTQIAPN+ mais elogiados dos últimos anos. No ano de lançamento, o longa foi indicado ao prêmio de melhor filme britânico no BAFTA. Josh e Alec estão impecáveis em cena. 

2º Rivais (2024) Incrível como o filme de Luca Guadagnino faz de tudo para tornar seus atores sexys. Com Josh O'Connor não é diferente, as câmera parece sempre disposta a apresentar os efeitos da musculação em seu físico esguio. Um close no braço aqui, um ângulo das pernas ali, um tórax definido ali... tudo isso para mudar um pouco nosso olhar sobre o ator que vive um jogador de tênis que está em crise e que reencontra velhos conhecidos com quem ainda tem algumas pendências emocionais a tratar. Eu juro que imaginava que o ator seria indicado na temporada de prêmios por seu personagem neste filme sobre um triângulo amoroso repleto de nuances. Gosto muito de ver o ator cheio de charme em um papel que dificilmente cairia nas mãos de um cara feito ele. 

1º The Crown - 4ª Temporada (2020) Atrevo a dizer que a quarta temporada da série foi a melhor de todas. Havia tantas performances excepcionais em cena que restava apenas apreciar. Entre as atrizes magníficas daquela temporada, havia um ator que brilhava: Josh O'Connor. Ele fez o impossível: tornou palpável os dilemas do então príncipe Charles. Incrível como o ator conseguiu dar conta de nos fazer entender os sentimentos frustrantes que perpassava seu casamento com a cultuada Lady Di (vivida por uma ótima Emma Corrin) enquanto amava mesmo Camila (Emerald Fennell, a própria diretora do novo Morro dos Ventos Uivantes). Josh faz um trabalho espetacular e ousou até nos fazer simpatizar com Charles em um dos momentos mais difíceis de sua vida. 

domingo, 14 de junho de 2026

CICLO DIVERSIDADESXL: A História do Som

Josh e Paul: amor pela música. 
Sonoro diáriw, quando Paul Mescal e Josh O'Connor foram escalados para viver um romance gay o projeto já criou rebuliço. Quando o filme foi selecionado para o Festival de Cannes as expectativas foram às alturas, mas ao ser exibido, o consideraram decepcionante. Acho que as pessoas imaginaram os dois atores em cenas tórridas ao longo de mais de duas horas de filme, mas a proposta do filme é ser bem mais do que isso. Sim, existem cenas dos dois atores na cama, mas a ideia é principal é outra. O rigor com que Hermanus conta a história de Lionel Worthing (Paul Mescal) é tão marcante que até pensei se tratar de uma história real (mas é baseado no conto fictício de Ben Shattuck de 2018). Lionel nasceu filho de fazendeiros pobres na virada para o XX, desde pequeno notou ter a capacidade de enxergar cores nas melodias, assim como sentir sabores nas músicas. Seu interesse pela música encontra abrigo no professor David White (Josh O'Connor) que se encanta com a voz do rapaz. A música serve de ponto de partida para um relacionamento intenso entre os dois, que irá sofrer uma quebra na 1ª Guerra Mundial e um reencontro anos depois quando percorrem os Estados Unidos para registrar canções transmitidas oralmente pelos recantos do país. No entanto, existe um receio que faz com que o relacionamento nunca decole e afete a vida de ambos para sempre. O diretor Oliver Hermanus (de Viver/2022) já demonstrou curtir um cinemão clássico, com fotografia bem cuidada, figurino caprichado, atuações contidas e aqui ele segue o mesmo caminho até o último ato emocionante.  Quem esperava um filme cheio de erotismo se decepcionou, quem espera ver uma história bem contada (e um tanto melancólica) sobre dois personagens que se perdem de si mesmos (e um do outro) não irá se decepcionar. 

A História do Som (The History of Sound / EUA - Reino Unido - Suécia - Itália / 2025) de Oliver Hermanus com Paul Mescal, Josh O'Connor, Chris Cooper, Molly Price, Cate Finck e Emma Canning. ☻☻☻ 

sábado, 13 de junho de 2026

CICLO DIVERSIDADESXL: Nunca Fui Santa

Lyonne e Clea: sem estereótipos. 

Debochado diáriw, muito antes dos tratamentos da questionável cura gay chegar aos cinemas com toda a carga dramática de O Mau Exemplo de Cameron Post (2018), Boy Erased (2018) ou Pedágio (2023), a diretora Jamie Babbit em 1999 já abordada a situação com deboche deliciosamente queer. Nunca Fui Santa se tornou um filme cultuado por seu grupo de fãs pelo humor exagerado e atuações caricaturais que servem na verdade para cutucar um tema bastante sério. Natasha Lyonne vive Megan, a líder de torcida que é bastante popular e namora um rapaz cobiçado da escola, mas sua família começa a desconfiar que tudo isso é na verdade um disfarce para seu interesse por outras garotas. Por mais que Megan ressalte que ela não seja lésbica, a família resolve intervir e a mandar para um tratamento de "cura gay", lá ela conhece Graham (Clea Duvall) e você imagina o que acontece. É realmente genial juntar um bando de meninas que gostam de outras meninas num mesmo espaço e imaginar que a cura acontecerá! Embora colorido e satírico, o filme segue a cartilha da descoberta de si mesmo, o que é comum em qualquer filme sobre crescimento, mas a diferença é que as personagens que aparecem aqui sabem o que são e do que gostam, mas a sociedade insiste em negar-lhes a legitimidade do desejo (ainda mais intenso pelas descobertas e hormônios a flor da pele). Feito como um filme para adolescentes e com insinuações sexuais até sutis para os dias e hoje, o filme recebeu classificação etária de 17 anos e se tornou peça rara em locadoras. Com o passar do tempo e com a fama de sua atriz principal em trabalhos futuros (como na série Orange is The New Black), Nunca Fui Santa começou a receber um reconhecimento tardio pela forma como desconstrói estereótipos lésbicos e, fosse lançado hoje, acredito que seria um dos filmes mais comentados do ano.  

Nunca Fui Santa (But I'm a Cheerleader / EUA - 1999) de Jamie Babbit com Natasha Lyonne, Clea Duvall, RuPaul, Melanie Linskey, Cathy Mortiarty, Michelle Williams, Dante Brasco, Eddie Cribrian e Kip Pardue. ☻☻ 

sexta-feira, 12 de junho de 2026

CICLO DIVERSIDADESXL: Apenas amigos

Josha e Majid: otimismo. 

Amoroso diáriw, eu sei que é bastante recorrente as críticas aos filmes de temática LGBTQIAP+ que reservam um destino cruel aos seus protagonistas (como se fosse uma punição à quem ousa ir contra a heteronormatividade), por isso mesmo, um romance queer água com açúcar é bem vindo, mas isso não o isenta de  tomar alguns cuidados em sua execução. Este é o caso de Apenas Amigos, um filme bem feitinho e simpático que arrisca abordar alguns temas atuais, mas se esquiva de aprofundar algumas questões que acabam retirando a complexidade que o seu par central possui. A trama gira em torno de Yad (Majd Mardo), filho de uma família Síria de imigrantes que abandonou a faculdade de medicina e passou um tempo em Amsterdam. Ele retorna para a casa e volta a dar aula de surf, além de fazer um extra cuidando da casa de uma senhora idosa (Jenny Arean). Acontece que a senhora tem um neto chamado Joris (Josha Stradowski) que é marrento e sofre com a perda recente do pai. Ambos se sentem um tanto deslocados e quando se conhecem o interesse entre os dois torna-se logo evidente. Esta parte do filme é desenvolvida como uma comédia romântica trivial que flui naturalmente, mesmo diante do notório preconceito da esnobe mãe de Joris que não faz ideia de que o rapaz que cuida da casa de sua mãe é namorado de seu filho. Pena que ao invés de abordar os conflitos pessoais de cada um, o filme resolve colocar o namoro em crise abruptamente no último terço de filme para resolver tudo de forma apressada e não muito criativa. O filme vai bem até a crise forçada e perde a chance de seguir por um viés mais original que poderia fazer seus personagens encararem os problemas de forma mais interessante. A sorte é que até escorregar numa fórmula gasta, o filme já recebeu nossa torcida para que os dois mocinhos tenham um final feliz, sem mortes, tragédias ou traumas. No fim das contas o diferencial aqui é o otimismo da dupla.

Apenas Amigos (Gewoon Vrieden / Países Baixos - 2018) de Annemarie van de Mond com Majd Mardo, Josha Stradowski, Jenny Arean, Tanja Jess e Melody Klaver. ☻☻

quinta-feira, 11 de junho de 2026

CICLO DIVERSIDADESXL: Watermelon Woman

Cheryl: pesquisa histórica. 
Instigado diáriw,  é incrível como um filme despretensioso como Watermelon Woman é capaz de entrar para  a História. O longa dirigido por Cheryl Dunye a fez se tornar a primeira diretora afro-americana assumidamente lésbica a dirigir um longa-metragem. Tudo se torna ainda mais interessante quando a temática do filme volta-se so seu interesse por uma atriz negra que fazia filmes na década de 1930 e era conhecida como Mulher Melancia. Cheryl  interpreta uma cineasta que trabalha em uma locadora, o que ajuda muito a realizar sua pesquisa sobre a atriz em questão. Ela busca novas informações sobre a atriz e se depara com a história de uma mulher lésbica e negra nos primórdios da história do cinema. Se o início passa a impressão que estamos diante de mais uma comédia romântica, aos poucos, Watermelon Woman ganha novas camadas, se torna divertido, curioso e militante ao revelar a forma como a sociedade ainda se relaciona com a imagem da mulher apresentada no título. Para além da pesquisa que o filme retrata, existe ainda o romance de Cheryl com Diana (Guinevere Turner) que rende algumas conversas interessantes sobre os arquétipos de ambas. Feito com baixíssimo orçamento e com uma espontaneidade desconcertante, o filme se tornou um marco no cinema queer dos EUA. Embora Dunye tenha lançado outros filmes com menor repercussão (aqui a perspectiva histórica faz toda a diferença no emaranhado narrativo que o filme apresenta), seu nome é sempre lembrado como um referência de um tempo em que mulheres negras homossexuais e cineastas era algo impossível de ser pensado no cinema (e estamos falando de apenas três décadas atrás). Nascida na Libéria, Cheryl tem se dedicado cada vez mais  a direção de episódios séries (Lovecraft Coutry, Bridgerton, You, Umbrella Academy...) e não lança um longa desde 2012. Em cartaz na Mubi o filme é um pequeno clássico do cinema indie

Watermelon Woman (EUA-1996) de Chreyl Dunye com Cheryl Dunye, Guinevere Turner, Valarie Walker, Lisa Marie Bronson, Chreryl Clarke, Irene Dunye e Camille Paglia. ☻☻ 

quarta-feira, 10 de junho de 2026

CICLO DIVERSIDADESXL: Sebastiane

Treviglio: santo sofrimento. 

Esquecido diáriw, o diretor inglês Derek Jarman (1942-1994) é pouco lembrado, mas os seus filmes são frequentemente lembrados como marcos do cinema queer. Geralmente com orçamento modesto, Jarman fez história no cinema por conta de sua capacidade em utilizar criatividade estética para driblar a grana curta. Recentemente um amigo comentou sobre esta visão de Jarman sobre a vida de São Sebastião e fiquei bastante curioso em assistir. O filme gerou escândalo na época pela naturalidade com que apresenta a nudez masculina e o desejo homossexual de seus personagens. Ambientado no ano 300 e falado em latim, o filme conta os dias em que Sebastião (Leonardo Treviglio) passou exilado com outros soldados em um posto avançado no meio do nada. Em meio aos treinos, ele é alvo de deboches e provocações por ser cristão e a situação só piora diante das investidas de um general Severus (Barney James) que nutre forte desejo por ele e o submete a torturas variadas. Antes de gerar a famosa imagem por sua execução por flechadas, Sebastião foi soldado e capitão do império romano e teve papel importante na proteção dos cristãos perante as perseguições do imperador Diocleciano. Jarman (que assina a direção e o roteiro ao lado de Paul Humfress) utiliza estes fatos históricos para construir uma história de desejos latentes e um tanto de sadismo para construir cenas em que a luz e os enquadramentos valorizam os corpos masculinos torneados, suados e desinibidos. Em alguns momentos as cenas parecem pinturas e lembram que o diretor começou seu trabalho no cinema cuidando da cenografia para outros diretores. Seu cuidado estético fez com que nos anos 1980 e 1990 dirigisse vários clipes para artistas como The Smiths, Pet Shop Boys e Suede antes de falecer vítima do HIV. 

Sebastiane (Reino Unido / 1976) de Derek Jarman e Paul Humfress com Leonardo Treviglio, Barney James, Neil Kennedy, Richard Warwick, Donald Dunham, Ken Hicks e Janusz Romanov. ☻☻