terça-feira, 18 de agosto de 2026

4EVER: Glória Menezes

19/10/193418/08/2026

Nilcedes Soares de Magalhães nasceu em Pelotas no Rio Grande do Sul e se tornou famosa como Glória Menezes. Ela iniciou a carreira na televisão nos anos 1950 e se consagrou com sua personalidade múltipla no clássico Irmãos Coragem (1970), em que fez par com o esposo Tarcísio Meira. Em sete décadas de carreira encarnou papéis inesquecíveis (como esquecer da Laurinha de Rainha da Sucata/1990?) e fez história no cinema ao atuar em O Pagador de Promessas (1962) único filme brasileiro a ganhar a Palma de Ouro em Cannes e primeiro longa brasileiro indicado ao Oscar de filme estrangeiro. Gloria estava afastada das novelas desde 2015 e faleceu de causas naturais. 

4EVER: Laura Cardoso

13/09/1927 ✰ 17/08/2026
Laurinda de Jesus Cardoso Balleroni nasceu em São Paulo e se tornou uma referência da dramaturgia brasileira. Com papéis no rádio, teatro, cinema e televisão, ela começou a carreira em 1950 e participou de mais de uma centena de produções. Ao longo de décadas fez papéis importantes em Mulheres de Areia (1993), A Viagem (1994) e Chocolate com Pimenta (2003). Seu último trabalho na TV foi em A Dona do Pedaço (2019). No cinema fez mais de trinta filmes, entre eles os premiados Terra Estrangeira (1995) e Através da Janela (2000). A atriz faleceu de causas naturais. 

domingo, 16 de agosto de 2026

4EVER: Hayden Panettiere

21/08/1989 ✰ 16/08/2026

Hayden Lesley Panettiere nasceu em Nova York e estreou como atriz profissionalmente em 1994 quando participou da novela One Life to Live, mas ficou mundialmente famosa quando a série Heroes (2006-2010) estreou e ela se tornou o verdadeiro lema da série ao viver a ("salve a") líder de torcida, Claire Bennett. O primeiro ano da série se tornou febre mundial e abriu portas para novos projetos como a série Nashville (2012-2018) que lhe rendeu duas indicações ao Globo de Ouro. No cinema, seu papel mais famoso foi como Kirby personagem introduzida na franquia Pânico em 2011. A causa da morte da atriz não foi divulgada.   

Na Tela: O Fim da Rua

Anne: meus vizinhos dinos. 

Dedicado diáriw, acredito que Anne Hathaway receberá algum prêmio de funcionária do ano, já que este já é o terceiro filme com ela que assisto no cinema em 2026. Colaboraria muito com o prêmio o fato que ela foi bastante criteriosa nas escolhas feitas. Uma continuação, a adaptação de um clássico e um filme de dinossauro! O Fim da Rua pode ser visto como um Jurassic Park/1993 em pequena escala, o que não prejudica em nada o andamento do filme que já dizem ser o melhor filme de dinos desde o primeiro filme da franquia. Produzido por JJ Abrams, o filme conta a história de uma família do ano de 1982 que após o clarão em meio a uma noite de chuva é levada para mais ou menos uns 200 milhões de anos atrás. O fato é que não foram só eles que viajaram no tempo, mas todo o bairro foi levado para o passado e agora, os vizinhos que discutiam por conta de cachorros no quintal e brigas infantis, agora precisam correr para salvar suas vidas. O roteiro e a direção são de David Robert Mitchell, que depois de toda a confusa pretensiosa de O Mistério de Silver Lake (2018) resolveu simplificar as coisas e fez uma trama simples e redonda sobre um casal em crise que precisa lutar para manter a família... inteira. Hathaway vive a mãe que deseja ser escritora (e escreve escondida no porão), Ewan McGregor vive o pai que faz uns bicos para pagar as contas, Maisy Stella e Cristian Convery vivem os filhos que acham que um divórcio se anuncia. Sem perder de vista os personagens, Mitchell capricha nos efeitos especiais e na construção do suspense, tal e qual fez muito bem no seu aclamado A Corrente do Mal (que em breve terá uma sequência). Uma produção com aquele gosto especial de filme pipoca dos bons. 

O Fim da Rua (The End of Oak Street/EUA-2026) de David Robert Mitchell com Anne Hathaway, Ewan McGregor, Cristian Convery, Maisy Stella, Jordan Alexa Davis, P.J. Byrne e Hudson Meek. ☻☻☻

sábado, 15 de agosto de 2026

PL►Y: Song Sung Blue

Kate e Hugh: irresistíveis no palco. 

Surpreso diáriw, havia uma dúvida sobre quem ficaria com a quinta vaga na disputa pelo Oscar de melhor atriz e houve uma surpresa geral quando Kate Hudson cravou sua indicação ao prêmio (mesmo sendo indicada antes ao Globo de Ouro, BAFTA e prêmio do Sindicato). Vendo o filme é fácil entender o motivo da atenção recebida. Ela está bastante carismática em uma personagem mãe solo, que tem voz, presença de palco e vive uma mudança brusca na vida devido a um acidente. Embora não tivesse chances de levar a estatueta, não considero um equívoco diante de tantas presepadas já indicadas por conta de campanhas milionárias. O filme é ambientado num mundo bastante particular dos anos 1980, com atmosfera kitsch (leia-se cafona) e músicas antigas. Ela vive Claire que conhece Mike (Hugh Jackman) nos bastidores de shows de covers de artistas famosos. Os dois se juntam para fazer shows com canções de Neil Diamond e se tornam famosos enquanto vivem um romance que gera até um casamento. Baseado na história real de Lightining e Thunder, dupla que ficou famosa em Milwauke e chegaram a abrir shows para o Pearl Jam, o filme se beneficia muito do talento de Kate e Jackman (que ama fazer musicais) que apresentam uma química irresistível e prende nossa atenção até quando o filme vira um melodrama daqueles! Se a primeira parte é uma celebração à música, a segunda investe pesado nas dificuldades do casal e tende a se tornar um filme de superação. Com base no documentário de mesmo nome, o filme altera algumas situações em nome da dramaticidade, mas se torna uma produção a que se assiste com facilidade, do tipo que dificilmente cai nas graças dos atuais votantes do Oscar. Eu gostei justamente por ser despretensioso e de puro entretenimento. 

Song Sung Blue (EUA -2025) de CRaig Brewer com Hugh Jackman, Kate Hudson, Ella Anderson, Hudson Hensley, King Princess, Michael Imperioli, Jim Belushi, Fisher Stevens e Kena Anae. 

PL►Y: Engolidos

Koch: terror queer. 

Platônico diáriw, fiquei surpreso com o que o diretor Carter Smith faz neste filme. Ainda que o último ato seja bastante problemático, Engolidos é um terror que tem orgulho de ser queer - e eu nem imaginava isso diante das pistas presentes no cartaz e no título. O filme conta a história de dois amigos que estão em uma noite de despedida. Benjamin (Cooper Koch) está prestes a ir para Los Angeles para se tornar um astro pornô e o amigo Dom (Jose Colom) está disposto a ajudá-lo a ter algum dinheiro para se estabelecer por lá. Os dois resolvem traficar drogas para o Canadá em uma única noite, só não imaginavam que teriam que engolir uns pacotes com uma substância misteriosa. Como o mundo é cruel, uma briga ocorre por conta de preconceito e um soco no estômago de Dom faz com que se deem conta de que a tal substância é mais perigosa do que imaginavam. Tendo que resolver a situação, Ben só pode contar com a ajuda de quem os colocou naquela situação, a traficante Alice (Jena Malone) e a coisa só piora quando o chefe dela (Mark Patton) entra em cena. O que prendeu minha atenção no filme foi a relação entre Ben e Dom, dois amigos que diversas cenas sugerem que poderia haver algo mais, caso o roteiro seguisse caminhos mais convencionais, mas como é um terro que flerta com o body horror a relação entre os dois envereda por um caminho totalmente diferente com direito a cenas bastante incômodas. O laço entre os dois ajuda a relevar as guinadas bruscas da história e os horrores que precisam passar, mas o terceiro ato se torna longo e arrastado demais para manter o interesse. Enquanto terror queer, eu não tinha visto nada parecido com o que acontece em Engolidos, com nudez masculina, ereções e... melhor nem escrever, o filme faz horror com o que para muitos seria puro fetiche.  

Engolidos (Swallowed / EUA-2022) de Carter Smith com Cooper Koch, Jena Malone, Mark Patton, Jose Colom e Roe Pacheco. 

PL►Y: Erupcja

Charli: estreia no cinema. 

Vulcânico diáriw, existe um bocado de esperteza da cantora inglesa Charli XCX estrear no cinema como Bethany neste filme de Pete Ohs, mas também existe um tantinho de coragem por não viver uma personagem fácil. Ela vive uma turista britânica que passeia por Varsóvia na Polônia com o namorado, Rob (Will Madden). Enquanto ele está todo animado em preparar momentos românticos para pedi-la em casamento, ela está mais interessada em encontrar Nel (Lena Góra), uma jovem florista. O título vem da estranha coincidência de que sempre que as duas se encontram (fato que ocorre esporadicamente desde que Bethany tinha 16 anos), um vulcão entra em erupção. As duas consideram que isso seja algo especial e resolvem aproveitar o tempo em que estão juntas para deixar os compromissos de lado. Rob não entende muito bem o que está acontecendo, mas sente na pele a instabilidade e um tanto de irresponsabilidade emocional da namorada, assim como o interesse amoroso de Nel que já passou por isso. Vale dizer que desde o início sabemos que Nel está interessada em Ula (Agata Trzebuchowska), mas não sabe muito bem o que fazer com isso. Erupcja se desenvolve com o auxílio de um narrador e surpreende ao deixar de lado qualquer envolvimento sexual entre as duas amigas, embarcando numa fantasia que as duas criaram para si (e que um certo personagem desconstrói), mas que ao mesmo tempo pode esconder um desejo nunca plenamente assumido. Erupcja foi exibido no Festival de Toronto e dividiu opiniões pela forma como a trama se desenvolve sem muita pretensão ou novidades perante as possibilidades que possui. Sobre a performance de Charli, ela é discreta, mas consegue preencher sua personagem com uma vida interior que permanece um enigma até o fim da sessão. 

Erupcja (EUA-Polônia) de Pete Ohs com Charli XCX, Lena Góra, Will Madden, Jeremy O. HArris, Agata Trzebuchowska, Maja Michnacka e Jacek Zubiel. 

NªTV: Diários de Um Robô Assassino

Alexander: ótima fase. 

Robótico diáriw, se tenho algum arrependimento com esta série da AppleTV é não ter assistido antes. A boa notícia é que vou esperar menos pela nova temporada que deve estrear no ano que vem! Diários de Um Robô Assassino é baseado na série de 4 livros de Martha Wells que se tornou um sucesso entre os fãs de ficção-científica. O grande motivo do sucesso é a construção irresistível do protagonista, um robô de segurança que consegue hackear o próprio sistema para fazer o que bem entende (no caso assistir, séries de ficção científica e tecer comentários sarcásticos sobre a humanidade). O personagem caiu como uma luva no dinamarquês Alexander Skarsgård que está na melhor fase de sua carreira. Enquanto protagonista ele consegue dar conta de todas as angústias e inseguranças perante o medo de seu "defeito" ser descoberto e leva-lo à destruição. A sorte é que ele se torna responsável pela segurança de um grupo de cientistas "alternativos", com tendências hippies e à vida em comunidade, o que os leva a ficar no meio do caminho entre acolher o protagonista ou desconfiar de que ele possa matar todo mundo. O elenco está bastante coeso em cena e são as relações do grupo que movem as cenas de ação e os muitos momentos de humor. Destaque para Dra Mensah (Mona Dumezweni) e Gurathin (David Dastmalchian) que exemplificam bem a relação hesitante dos humanos com o "equipamento" de segurança. Durante os dez episódios o protagonista descobre que seu livre-arbítrio o aproxima mais de ser humano do que ele imagina. O fato é que a série não funcionaria sem Alexander (que também assina a produção) que com expressões contidas e olhares intensos, consegue da conta dos circuitos contraditórios de uma máquina pensante. Feito pelos manos Chris e Paul Weitz (separados desde o sucesso Um Grande Garoto/) a produção é um grande acerto. 

Diários de Um Robô Assassino (Murderbot/EUA - 2025) de Chris e Paul Weitz com Alexander, Skarsgård, Mona Dumezweni, David Dastmalchian, Sabrina Wu, Akshay Khanna, Tamara Podemski, Tattiawna Jones, John Cho e Clark Gregg. 

domingo, 9 de agosto de 2026

PL►Y: Undertone

Nina: maldição caótica. 

Aterrorizado diáriw, a julgar pelos filmes de terror que recebem atenção atualmente, posso dizer que os slasher movies e seus serial killers mascarados estão em baixa. A ideia agora é investir pesado no terror psicológico, no poder da sugestão, nos silêncios e brincar com medos mais íntimos da plateia. Nessa esteira que Undertone chegou aos cinemas. A trama se concentra em Evy (Nina Kiry), uma jovem cética que produz um podcast junto com o amigo Justin (Adam DiMarco) voltado para histórias assustadoras. Recentemente ela precisou se mudar para cuidar da mãe doente, este e outros aspectos da vida pessoal de Evy irão influenciar bastante a forma como ela lida com o trabalho quando recebe um conjunto de dez gravações de áudio de um casal desconhecido. Durante cada áudio escutado cresce a sensação de que algo estranho aconteceu com o casal que estava prestes a ter o primeiro filho. Evy sempre tenta explicar o que está acontecendo pela luz da lógica, mas aos poucos ela começa a perceber que em sua própria residência situações estranhas começam a acontecer. Undertone faz com que o espectador se identifique com a personagem por compartilhar com ela a audição dos áudios angustiantes, mas o filme escorrega quando na última meia hora precisa dar conta de concluir o que está acontecendo e tudo vira uma grande bagunça. Um misto de alucinação, culpas, maldições, entidades e crendices religiosas que são costuradas meio de qualquer jeito até que os créditos apareçam. Era uma ideia original com desenvolvimento irregular até virar um caos completo.  No entanto, não deixa de ser uma estreia promissora do canadense Ian Tuason. 

Undertone (Canadá-2025) de Ian Tuason com Nina Kiri, Adam DiMarco, Michèle Duquet, Jeff Yung, Ryan Turner, Keana Kyn Bastidas.