domingo, 28 de junho de 2026

PL►Y: As Ovelhas Detetives

As ovelhas: detetives de respeito. 

Balido diáriw,  confesso que achei que esta produção era um filme infantil e até cogitei ser uma animação quando foi lançada. Pura ignorância, já que As Ovelhas Detetives é um live-action com bom elenco e efeitos especiais espertos que dão vida para as ovelhas que ajudam a desvendar os fatos em torno da morte de seu dono, o pastor George (Hugh Jackman). George sempre cuidou de suas ovelhas com muito carinho, dando-lhes nomes e lendo livros de mistério para elas antes de dormir. Quando George é encontrado morto as ovelhas não acreditam que seja apenas um infarto, elas decidem ajudar o policial bobalhão (Nicholas Braun) da cidade a desvendar o caso. As suspeitas recaem sobre alguns moradores da cidade (como o açougueiro e o outro criador de ovelhas da região), mas também sob a herdeira de George e um jornalista que aparece na cidade. Antes deste filme o diretor Kyle Balda realizou somente animações (entre elas o longa dos Minions em 2015) e demonstra habilidade de mesclar humor com uma atmosfera repleta de elementos de mistério. Entre músicas de suspense, neblinas e pistas falsas, ele consegue prender atenção sobretudo pelo carisma que confere aos seus personagens, sobretudo as ovelhas que lembram aqui os animais falantes do clássico Babe - Um Porquinho Atrapalhado (1998). Atribuindo personalidade aos bichos e inserindo reflexões sobre morte, luto e memória, o resultado consegue ser envolvente, leve e divertido. O filme é baseado no livro da escritora alemã Leonnie Shawn e o filme fez tanto sucesso entre os mais vistos mundialmente do Prime Video que não duvido que uma sequência apareça em breve.  

As Ovelhas Detetives (The Sheep Detectives / Irlanda - Reino Unido - EUA) de Kyle Balda com Hugh Jackman, Emma Thompson, Nicholas Galitzine, Molly Gordon, Nicholas Braun, Hong Chau e com vozes de Bella Ramsay, Bryan Cranston, Patrick Stewart, Regina Hall, Julia Louis-Dreyfuss, Brett Goldstein e Chris O'Dowd. ☻☻☻

PL►Y: Spinal Tap II - O Fim Continua

McKean e Guest: maldição!
Cabeludo diáriw, deve ter uns dez anos que desbravei a internet atrás de um dos filmes que sempre apareciam nas listas de melhores de todos os tempos: This is Spinal Tap (1984). Uma daquelas unanimidades que se tornou cult e referencial ao mesmo tempo, um documentário falso (o mockumentary) sobre uma banda de rock prestes a lançar um novo álbum. O longa de  Rob Reiner fez história e, ironicamente, sua continuação foi o último longa dirigido por ele. O diretor volta a atuar como o documentarista responsável pelo primeiro filme e que agora tem a ideia de acompanhar a banda em um aguardado retorno após vários anos afastada dos palcos. De início busca os integrantes, o guitarrista Nigel Tufnel (Christopher Guest) administra uma loja de queijos e guitarras na Inglaterra), o vocalista David St. Hubbins (Michael McKean) agora produz músicas para podcast sobre crimes e músicas de espera telefônica e Derek Smalls (Harry Shearer) administra um museu de... cola (!?). Spinal Tap II tem um gostinho irresistível de reencontro, o humor segue o espírito de galhofa e gaiatice encenado com a mesma pretensão solene do primeiro, o que ajuda muito a funcionar, embora o roteiro seja menos esperto que o anterior. As piadas giram em torno de vários clichês de bandas que ambicionam voltar para pagar as contas, as tretas e ressentimentos pesam e a busca por um baterista disposto a enfrentar a maldição da banda (que teve onze ou doze bateristas falecidos) garantem as risadas. O filme conta com várias participações especiais como Fran Descher e Elton John e, obviamente, conta com aquelas cenas de palco inacreditáveis com letras ridículas e anões saltitantes (em homenagem à cena antológica do primeiro filme). Spinal Tap II faz piada até o fim dos créditos e para quem viu o primeiro torna-se obrigatório como despedida bastante digna ao diretor Rob Reiner

Spinal Tap II - O Fim Continua (Spinal Tap II - The End Continues / EUA - 2025) de Rob Reiner com Christopher Guest, Michal McKean, Harry Shearer, Rob Reiner, Valerie Franco e Kerry Godliman. ☻☻☻ 

PL►Y: O Órfão

Barabas: órfão de pai vivo. 
Surpreso diáriw, o cineasta László Nemes ganhou o Oscar de filme estrangeiro com O Filho de Saul (2015) e recebeu fama mundial. Ano passado ele concorreu ao Leão de Ouro no Festival de Veneza com este O Órfão, filme ambientado após a Revolução Húngara de 1956 que tentou livrar o país da influência governamental da União Soviética. O filme conta a história de Andor (Bojtorján Barabas), que acredita ser filho de Hirsch, o desaparecido esposo de sua mãe (Andrea Waskovics). Acontece que o açougueiro Berend (Grégory Gadebois) aparece em sua vida. Agressivo e temperamental, o homem não demora a contar ao menino que é seu verdadeiro pai. O impacto de perder o pai idealizado e encontrar um brutamontes real como progenitor traz ao menino uma revolta difícil de lidar, comprometendo sua relação com a mãe e até com outras pessoas ao seu redor. Embora o filme demore para engrenar, a presença de Berend torna o filme muito mais envolvente, especialmente pelas oscilações de humor vividas intensamente por Gadebois e a complexidade de sua relação com a família que reclama para si. O menino Barabas não decepciona como o filho que quanto mais rejeita o pai, mais se aproxima do comportamento dele. Waskovics vive uma mãe desiludida que pensa apenas em sobreviver num cenário árduo. Destaque também para Eliz Szabó, que vive a amiga de Andor e que ajuda o irmão a se esconder das autoridades. Nemes constrói aqui um drama que tende para o suspense e o último ato na roda gigante é simplesmente magistral. O diretor se inspirou na história de seu próprio pai e o resultado é uma alegoria interessante sobre a história da Hungria (que faz toda a diferença para compreender o contexto da trama). 

O Órfão (Árva - Hungria/2025) de László Nemes com Bojtorján Barabas, Grégory Gadebois, Andrea Waskovics, Eliz Szabó, Hermina Fátyol, Soma Sándor e Marcin Czarnik. ☻☻☻☻ 

sábado, 27 de junho de 2026

PL►Y: Isso Ainda Está de Pé?

Arnett: stand up como desabafo. 
Divorciado diáriw, depois de toda a elaboração pretensiosa daquele pastel de vento chamado Maestro (2023), Bradley Cooper teve o bom senso de repensar suas aspirações enquanto diretor quando resolveu filmar este novo filme. O texto partiu de uma ideia do ator Will Arnett após uma conversa com o comediante John Bishop sobre como iniciou seu trabalho com comédia stand up. Arnett achou o relato interessante e junto com Bradley Cooper e Mark Chappell escreveu o roteiro sobre Alex Novak (Arnett), um homem em crise que está lidando com seu recente divórcio com Tess (Laura Dern). O casal tem dois filhos, amigos em comum e a família dele a adora, o que torna inevitável que os dois ainda se encontrem com frequência. Para ajudar a digerir o fim do casamento, Alex faz do palco uma espécie de confessionário, tentando disfarçar um pouco sua insatisfação com o ocorrido com piadas. Às vezes ele consegue fazer graça com o que está acontecendo, outras vezes passa bem longe de ser engraçado. Arnett se esforça e consegue conferir charme à um personagem visivelmente amarrotado (fisica e emocionalmente) e tem bons momentos em sua química com Laura Dern, que consegue fazer muito com o pouco material que tem sobre a personagem. Filmado de forma mais despojada que o projeto anterior de Cooper (que faz uma participação como o amigo ator do casal), o filme tem alguns problemas de fluxo na narrativa e parece mais truncado do que deveria, mas é algo a que se assiste fácil pelo tom reflexivo acerca dos sentimentos que  Alex e Tess ainda possuem um pelo outro. Se o filme desenvolvesse mais os coadjuvantes o texto alcançaria outro nível em seu olhar sobre relacionamentos maduros e seria ainda mais interessante (o elenco de apoio é ótimo e pouco aproveitado). Vale dizer que achei o título em português horroroso. 

Isso Ainda Está de Pé? (Is This Thing On? / EUA - 2025) de Bradley Cooper com Will Arnett, Laura Dern, Andra Day, Bradley Cooper, Sean Heyes, Scott Icenogle, Ciarán Hinds e Peyton Manning. ☻☻ 

.Doc: Hype!

Chris Cornell: auge no grunge. 
Nostálgico diáriw, o grunge tem um lugar especial na minha memória. Eu era um adolescente quando as bandas  de Seatle começaram a fazer sucesso e tocar nas rádios por aqui. Bandas como Nirvana, Alice in Chains, Soundgarden e Pearl Jam revolucionaram a sonoridade do rock mainstream. Ao contrário do que se ouvia nas rádios, o rock deixava de ser sobre curtição, para ser mais denso em suas letras e sonoridade. O som era uma mistura do punk com o hardcore já as letras refletiam a os tormentos  de um bando de jovens que cresceram na chuvosa Seatle. Naquele tempo foi lançado um documentário que chamou atenção de quem curtia as bandas dali, Hype! (que encontrei no Youtube). Visto hoje, entendo a decepção de muita gente que viu o filme e  reclamou que as bandas famosas mal apareciam. A ideia da produção é ampliar a visão que nós temos do que estava acontecendo. O filme deixa claro o longo histórico  de bandas que tocavam em vários locais espalhados pela localidade que cresceu em torno de uma vila  pescadores. Esclarece as roupas sobrepostas, assim como a antológica camisa de flanela, que se tornaram marca de estilo pelo simples fato de  lá ser muito frio, afinal, como dizem no filme, estão quase no gélido Canadá. A maioria as bandas que aparecem no documentário, eu nunca ouvi falar, mas as que ficaram famosas já apresentavam reflexões interessantes sobre a fama, a forma como começaram a aparecer em revistas. Some isso às roupas ganharem editoriais de moda e  algumas fake news sobre o grunge fortalecerem toda a mítica do movimento. O clima pesa quando menciona a morte de  Kurt Cobain. Este trauma na história o grunge revela de vez a dificuldade do filme  aprofundar sua temática. Ajuda um pouco ver o curta Hype! 20 Anos Depois que em clima de  ressaca olha para aquele furacão indie. Quando foi lançado o curta já sentia falta  de outro falecido, Chris Cornell (Soungarden)  e também poderia também lembrar o Layne Staley (Alice in Chains). Hype! tem um sabor  de viagem no tempo com tempero amargo de luto pelo transe coletivo que foi ouvir aquelas músicas em escala mundial. 

Hype! (EUA/ 1996) de Doug Pray com Dawn Anderson, Nils Bernstein, Kim Thayil,Van Conner, Eddie Vedder, Mark Arm e Steve Fisk. ☻☻ 

Na Tela: Toy Story 5

Jessie: brincar em tempos de tela
Animado diáriw, convenhamos que diante de todo brilhantismo de Toy Story3 (2010), o quarto filme não era dos mais memoráveis. Para muita gente a saga dos brinquedos terminou naquela trilogia, mas dificilmente Hollywood daria descanso aos personagens de uma de seus animações mais lucrativas. Diante de toda descrença em torno do quinto filme, vale a pena dizer que ele é uma grata surpresa, justamente por encontrar algo especial a dizer quando propõe uma reflexão sobre o que é brincar em tempos em que as crianças passam mais tempo diante de uma tela do que imaginando brincadeiras com seus brinquedos (salvo as devidas proporções é um reflexo da vida adulta). Achei muito legal que o protagonismo desta vez ficou com a Jessie (voz de Joan Cusack), que estava habituada a ser a parceira de brincadeiras favoritas da menina Bonnie, mas perde espaço quando a dona ganha a Lilypad (voz de Greta Lee). A Lilypad surge para "ajudar" a menina a fazer amizade com outras crianças, já que todo mundo tem esse tipo de tablet e passa horas brincando online. Já que Bonnie sentia-se excluída por ser uma criança que ainda ousa brincar com brinquedos, a Lily surge como uma salvação. Mais uma vez a animação aborda questões sobre amizade, ser especial e o medo de ser esquecido, a diferença é que agora lança um olhar sobre como alguns hábitos de hoje inserem as crianças em um universo marcado por cyberbullying e a ansiedade de estar conectado (e incluído) o tempo inteiro em seu grupo. Claro que durante a jornada  alguns brinquedos vão se perder no caminho, outros vão surgir e cada um deles provará seu valor. Embora não tenha o impacto do terceiro capítulo, este novo filme coloca a saga novamente nos trilhos com aquele misto de humor e sensibilidade que se tornou sua marca registrada. A sala lotada do cinema, só prova que a saga tem fôlego para atrair o público de várias idades. 

Toy Story 5 (EUA - 2026) de Andrew Stanton com vozes de Joan Cusack, Tom Hanks, Tim Allen, Greta Lee, Keanu Reeves, Ernie Hudson e Wallace Shawn. ☻☻☻☻

segunda-feira, 22 de junho de 2026

NªTV: Margô Está em Apuros

Elle: carreira em alta. 
Televisivo diáriw, Elle Fanning deve estar muito feliz com seu ano de 2026. Foi o ano em que recebeu sua indicação ao Oscar pelo seu belo trabalho no oscarizado Valor Sentimental (2025) e que recebe elogios unânimes por seu trabalho em Margô está em Apuros, produção da AppleTV em parceria com A24 que deve lhe render indicações aos prêmios de televisão no próximo ano. Me atrevo  dizer que a atriz está em sua melhor fase aos 28 anos e 25 anos de carreira (!!). Ela vive Margô Millet, estudante de literatura que pretende ser escritora, mas fica grávida de um professor (Michael Angarano) casado. Daí em diante tudo se complica, ela perde o emprego, faz um acordo complicado com  a família do pilantra, perde as amigas com quem dividia o apartamento e o dinheiro fica cada vez mais minguado para sustentar um bebê. Embora conte com a ajuda da mãe (a maravilhosa Michelle Pfeiffer) e do pai, que andava sumido (o ótimo Nick Offerman), a grana curta a faz abrir uma página no OnlyFans e os acontecimentos seguem de forma cada vez mais caótica ao ponto de ter o risco de perder a guarda do bebê. Feito sem moralismos e com elenco afiado, Margô está em Apuros é uma delícia de assistir, sobretudo por expor as hipocrisias do mundinho estadounidense que adora se ver como recatado, mas que não tem postura para sustentar o discurso. Tem algo que retrata isso melhor do que o professor que transa com aluna e acusa a mesma de não ter moral? Encontrando um raro equilíbrio entre o drama e a comédia, a minissérie comove e faz rir com um ótimo texto baseado no livro de Rufi Thorpe. Assim que o livro foi lançado, Elle e a irmã Dakota Fanning ficaram de olho nos direitos e descobriram que Nicole Kidman e o produtor David E. Kelly (esposo de Michelle Pfeiffer) também queriam adaptar o material. Todos se juntaram e o resultado é um grande acerto. 

Margô está em Apuros (Margo got Money Troubles / EUA - 2026) de David E. Kelley com Elle Fanning, Michelle Pfeiffer, Nick Offerman, Michael Angarano, Marcia Gay Harden, Greg Kinnear, Thaddea Graham e Nicole Kidman. ☻☻☻ 

MOMENTO ROB GORDON: Nicolas Cage HQ

 Nicolas Cage é um grande fã de histórias em quadrinhos, tanto que virou notícia quando decidiu vender sua coleção de HQs. Seu nome artístico também foi inspirado no personagem Luke Cage e o nome de batismo de seu fiho, Kal-El, foi inspirado no nome verdadeiro do Superman. Não é por acaso, que o ator tem vários personagens do gênero em sua carreira: 

#5 Superman (Superman Lives/199?)

Parece balela, mas é verdade, Nicolas Cage esteve muito perto de interpretar o Homem de Aço num filme a ser dirigido por Tim Burton nos anos 1990. A Warner estava tão feliz com os resultados de Batman que chegou a planejar o filme. Superman Lives contou até com prova de roupa e tudo mais. O ator estava animado com o projeto até ele ser cancelado por conta das, digamos, excentricidades do projeto. O fato é que a ideia permaneceu no imaginário de muita gente rendendo referências em produções como The Flash (2023) e a animação Teen Titans em Ação (2018). 

#4 Dr Temna (Astro Boy /2009)

Cage emprestou sua voz para o Dr. Tenma, o cientista que cria o clássico personagem robótico de Osamu Tezuka. Tenma constrói o personagem após a traumática morte de seu filho e se apresenta como um personagem ambíguo, que transita entre o heroísmo e a vilania. O filme não fez o sucesso esperado, mas a interpretação vocal do ator rendeu-lhe vários elogios pelo tom melancólico que atribui ao personagem. 

#03 Motoqueiro Fantasma (2007)

O mundo nerd foi ao delírio quando Nicolas Cage topou viver o motoqueiro assombrado da Marvel. Ele vive Johnny Blaze, um homem que vende a alma ao diabo para salvar a vida do pai. Anos depois ele reencontra o amor de sua vida e o próprio capiroto com quem fez o pacto, Mephisto, tendo a chance de recuperar sua alma. O filme encontrou seu público e rendeu uma sequência em 2012. A crítica não curtiu muito o filme, mas os efeitos especiais do crânio flamejante a atuação exagerada do ator fez sucesso. 


Não sei vocês, mas eu fui pego de surpresa quando vi que Nicolas Cage estava no elenco de Kick Ass como Big Daddy, pai e responsável pelo treinamento da inacreditável Hit Girl (Chloe Grace Moretz). Na verdade, por trás da máscara se esconde Damon McCready, ex-policial perseguido por não se juntar ao mundo do crime. O trauma pela morte da esposa o fez lutar contra o crime do seu próprio jeito, se tornando o primeiro super-herói da vida real. O personagem rendeu um dos trabalhos mais interessantes da carreira do ator e é lembrado com muito carinho pelos fãs do personagem de Frank Miller e John Romita Jr.
 
#01 "Spider-Noir" (Homem Aranha no Aranhaverso/2018)

Quando Nicolas Cage emprestou a voz para a versão alternativa do Homem-Aranha que vivia um detetive dos anos 1930, acho que ele não imaginava que cairia nas graças do público com tanta devoção. O charme e a aura e mistério impressa em seu trabalho vocal caiu como uma luva no personagem da Marvel criado em 2008 e fez tanto sucesso que começaram as especulações sobre uma aventura solo do herói. Demorou, mas o personagem ganhou uma minissérie live-action que (curiosidade) demorou mais do que devia para ficar pronta por conta das cenas (feitas em preto e branco) que tiveram que ser coloridas posteriormente por receio do público não curtir a experiência. Estrelada por Cage e em cartaz no Prime Video, Spider-Noir é uma das séries mais faladas do ano. 

sábado, 20 de junho de 2026

NªTV: Spider-Noir

Spider: Cage em boa forma.

Cinzento diáriw, interessante ver que somente agora Nicolas Cage se aventurou em uma produção televisiva. Curiosamente, seu primeiro projeto para TV é devido ao seu trabalho em uma animação, já quem em Homem-Aranha no Aranhaverso (2018) ele foi o responsável por dar a voz ao Spider-Noir. Trata-se de uma versão alternativa do herói aracnídeo que vive como detetive na década de 1930. O personagem foi publicado pela primeira vez em 2009 e ganhou notoriedade quando chegou ao cinema. O personagem empolgou tanto que pensaram em fazer um filme para ele, mas a ideia acabou virando uma série em cartaz no Prime Video. Diante de toda saturação de filmes de heróis no cinema, achei a ideia bem mais apropriada, já que pode construir o universo do personagem com mais calma e a produção ainda inventou uma saída interessante ao deixar a cargo o espectador escolher se quer ver a produção em cores ou em preto e branco - que parece mais apropriado à atmosfera noir que o personagem sugere. Na trama, Ben Reilly (Cage) é um detetive que perdeu o amor de sua vida, por conta disso decidiu aposentar seu alter-ego o herói Spider. No entanto, suas habilidades de aranha permanecem em ação. O trabalho como detetive não vai bem e as coisas pioram quando ele se mete em uma investigação envolvendo o chefe do crime da cidade, o Cabelo de Prata (Brendan Gleeson), e um grupo de pessoas com poderes especiais que começam a aparecer. Como todo bom noir, nada é o que parece e temos uma femme fatale, no caso Cat Hardy (Li Jun Li), para bagunçar o coração do herói. Bem cuidada e com um estilo diferente do que vimos em séries de heróis até aqui, Spider-Noir é uma grata surpresa para os fãs de quadrinhos e traz Cage em um daqueles papéis que lembram o quão interessante ele pode ser.

Spider-Noir (EUA-2026) de Oren Uziel com Nicolas Cage, Lamorne Morris, Brendan Gelleson Li Jun Li, Jack Huston, Lukas Hass, Abraham Popoola e Scott MacArthur. ☻☻☻