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| Stamp: exercício neonoir |
Misterioso diáriw, Steve Soderbergh lançou tantos filmes nos últimos anos que viveu ocupado demais para se preocupar com o fato das premiações o ignorarem solenemente nos últimos vinte anos. Quando ganhou a Palma de Ouro em Cannes por sua estreia em Sexo, Mentiras e Videotape (1989), ele disse que dali em diante era tudo ladeira abaixo. Ele acertou. Seus filmes foram mal de bilheteria e ele só foi levado a sério novamente quando lançou este O Estranho, alguns anos antes de receber o Oscar de direção por Traffic (2000). Com uma história simples nas mãos, o que Steven queria era provar ser capaz de prender a atenção da plateia com uma narrativa envolvente no que podemos considerar como um exercício neonoir, já que os personagens embaçados aqui fazem muita alusão ao clássico gênero de filmes policiais. Só que o personagem principal não é um detetive, mas um pai em busca do assassino de sua filha. Vale dizer que Wilson (Terence Stamp) está longe de ser um pai exemplar, até porque passou os últimos anos na prisão após uma longa trajetória no mundo do crime. Este currículo o torna imprevisível, até mais do que o provável assassino, um executivo do ramo da música (vivido por Peter Fonda). Soderbergh constrói um quebra cabeça juntando os personagens que Wilson encontra pelo caminho e costura cada pista com um pouco da relação de uma família que se perdeu pelo caminho. A edição é um dos destaques da produção (que apresenta cenas com antecedência como se fosse o título de um capítulo de livro além de cenas de A Lágrima Secreta/1967 como se fosse o passado de Wilson). Com este filme, o diretor demonstrou ter fôlego para mais algumas décadas de carreira e caiu nas graças dos atores que até hoje fazem fila para trabalhar com ele.
O Estranho (The Limey - EUA /1999) de Steven Soderbergh com Terence Stamp, Peter Fonda, Lesley Ann Warren, Luiz Guzmán, Barry Newman e Nicky Katt. ☻☻☻



















