segunda-feira, 16 de março de 2026

PL►Y: O Problemista

Julio e Tilda: belo besteirol. 

Camaleônico diáriw, tenho a impressão que Tilda Swinton tem em casa um álbum de fotografia com todas as caracterizações que já teve na carreira. Discreta em sua vida pessoal (embora sempre flerte com a androginia), a atriz costuma gostar de interpretar personagens que exijam algumas mudança em seu visual. Prestigiada o suficiente para fazer filmes com Pedro Almdóvar ou da Marvel nos últimos anos, Tilda está em um patamar diferente dos meros mortais e não hesita em trabalhar com diretores iniciantes se a proposta lhe parece interessante. Foi assim que ela foi parar neste O Problemista, um delicioso delírio cômico que está em cartaz na Netflix com sua narrativa frenética e cheia de estranhezas. O filme conta a história de Alejandro (Julio Torres que também assina direção e roteiro), um rapaz que desde pequeno sonha em se tornar um designer de brinquedos, digamos... diferentes (e hilariantes). Nascido em El Salvador, ele tenta a sorte em Nova York, mas descobre que o sucesso no ramo é mais complicado do que ele esperava. Se a grana é sempre curta, a coisa piora quando ele perde o emprego em uma empresa digna de filme de ficção científica. Desesperado para conseguir se manter na cidade, ele começa a trabalhar para uma artista (Tilda Swinton) que parecer ter raiva do muno enquanto tenta promover os trabalhos do falecido marido artista plástico medíocre. De tropeço em tropeço, o rapaz tenta pagar suas contas e conseguir algum sucesso em momentos de puro besteirol. Embora tenha rendido boas risadas (banhadas de estranhamento), o filme poderia ser um tantinho menos nervoso em sua narrativa para curtirmos os momentos de puro besteirol de forma menos acelerada. Este é o primeiro filme em que Julio Torres assina a direção, ele já realizou vários trabalhos na televisão (incluindo o icônico do Saturday Night Live que lhe rendeu várias indicações ao Emmy). Indicado ao Independent Spirit de melhor estreia com este filme, o rapaz (que já tem 39 anos!) merece atenção em seus futuros projetos. 

O Problemista (Problemista / EUA - 2023) de Julio Torres com Julio Torres, Tilda Swinton, RZA, Isabella Rosselini, Catalina Saavedra, James Scully, Laith Nakli, Greta Lee e Lary Owens. 

PL►Y: O Último Azul

Santoro e Denise: distopia
Reflexivo diáriw, entre os candidatos à vaga brasileira entre os concorrentes ao Oscar de filme internacional estava O Último Azul de Gabriel Masccaro. O filme ganhou o Urso de Prata no Festival de Berlim em 2025 e foi bastante elogiado pela forma como esgarça o etarismo em um mundo distópico que reflete os tempos atuais. O filme conta a história de Teresa (Denise Weinberg), uma mulher que ao passar do setenta anos deverá ser encaminhada para uma espécie de colônia afastada das cidades para que possa viver sob os cuidados necessários sem ocupar a filha que precisa trabalhar. Teresa questiona ter que ir para um lugar que não deseja, afinal, continua consciente e resolvendo a vida como pode. No entanto, quando o governo identifica que ela já deveria ter ido para a tal colônia, ela decide seguir por outros caminhos que sempre se deparam com limitações não desencadeadas por seu estado físico ou mental, mas por uma sociedade que não a percebe como uma pessoa capaz de gerenciar as próprias vontades. Embora tenha uma narrativa contemplativa e um apelo imagético sereno, o trabalho excepcional de Denise Weinberg retrata bem a angústia desta mulher experiente que do dia para a noite passa a ser vista como uma pessoa incapaz apontada como um peso na vida dos outros. Mascaro conduz seu filme com bastante sensibilidade, flerta com a ficção científica, com elementos fantásticos e constrói um filme que nos faz pensar sobre como lidamos com o envelhecimento (se você não produz você é descartável? A vida se resume a isso?). Embora tenha destaque no cartaz, Rodrigo Santoro tem uma participação pequena, mas importante quanto ao aspecto mais delirante do filme: o uso de um caracol que permite ver o futuro. Não deixa de ser interessante que o futuro ainda cause fascínio e curiosidade em uma sociedade que percebe de forma tão negativa o envelhecimento. Nosso futuro é envelhecer e, se isso não acontecer é porque a morte (sempre) chega antes do esperado. 

O Último Azul (Brasil/2025) de Gabriel Mascaro com Denise Weinberg, Rodrigo Santoro, Miriam Socarras, Adanilo, Clarissa Pinheiro, Isabela Catão e Diego Bauer. 

PREMIADOS OSCAR 2026

Jessie, Jordan e Amy: merecido!

Ano passado ficamos muito felizes quando o Brasil recebeu seu primeiro Oscar com Ainda Estou Aqui na categoria de melhor filme internacional. Este ano ficamos eufóricos com a possibilidade de repetir o feito este ano com O Agente Secreto que concorria em quatro categorias (filme, ator, escalação de elenco e filme internacional), mas deixamos a cerimônia sem nenhum prêmio, ao menor, serve de consolo que perdemos as estatuetas para outros concorrentes de qualidade indiscutíveis. Embora o ganhador na categoria de melhor filme não fosse meu favorito, ao menos chegou a vez de Paul Thomas Anderson ser finalmente reconhecido. Além disso, fez Sean Penn entrar no seleto grupo de atores com três Oscars no currículo. Também não posso deixar de comentar a satisfação que foi ver o Chalamet aplaudir o Oscar de Michael B. Jordan e Amy Madigan quebrar o tabu de artistas em filme de terror que são apenas indicadas. Depois do mico que foi Demi Moore perder no ano passado, espero que a Academia aprenda a lição! A surpresa da noite ficou por conta de um inesperado empate entre os curta-metragens! As seguir todos os premiados com meus acertos marcados com (e algo me diz que acertei pouco este ano, um vexame):

Melhor Filme

Melhor Escalação de Elenco

Melhor Ator

Melhor Atriz
Jessie Buckley (Hamnet: A Vida Antes de Hamlet) 

Melhor Atriz Coadjuvante

Melhor Ator Coadjuvante

Melhor Filme Internacional

Melhor Roteiro Adaptado

Melhor Roteiro Original

Melhor Canção Original
 Golden (Guerreiras do K-Pop) 

Melhor Trilha Original

Melhor Animação
Guerreiras do K-Pop 

Melhor Documentário
Mr Nobody Against Putin

Melhor Figurino

Melhor Design de Produção

Melhor Maquiagem e Cabelo

Melhor Som
F1

Melhor Montagem

Melhor Fotografia

Melhor Efeito Visual
Avatar: Fire and Ash

Melhor Curta-Metragem
The Singers
Two People Exchanging Saliva

Melhor Curta-Metragem de Animação
A Garota que Chorava Pérolas

Melhor Curta-Metragem de Animação
Quartos Vazios 

Placar: 
Pecadores : 04
Guerreiras do K Pop: 02
Hamnet: 01
Avatar - Fogo e Cinzas: 01
F1: 01

Este ano eu acertei... metade!!! Só 12 de 24 categorias
Um fiasco!

domingo, 15 de março de 2026

APOSTAS PARA O OSCAR 2026

OSCAR 2026
Amanhã é dia de entrega do Oscar e mais uma vez o Brasil está em festa com as quatro indicações conquistadas por O Agente Secreto longa de Kleber Mendonça Filho concorre em quatro categorias (Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Direção de Elenco e Melhor Ator para Wagner Moura). Além disso, o brasileiro Adolpho Veloso está entre os favoritos na categoria de melhor fotografia pelo excepcional trabalho em Sonhos de Trem. Nas categorias principais, Pecadores começou a dar trabalho para Uma Batalha Após a Outra, o que eu acho ótimo para espantar aquele sabor de mesmice que paira na temporada de prêmios. Este ano infelizmente não consegui ver todos os filmes que concorrem na categoria principal e também não tive tempo para criar postagens sobre as categorias principais. No entanto, minha tradicional lista de apostas para o Oscar deste ano está logo abaixo (o que é bem diferente de quem deveria eu acho que deveria levar):

Melhor Filme

Melhor Escalação de Elenco

Melhor Ator

Melhor Atriz
Jessie Buckley (Hamnet: A Vida Antes de Hamlet)

Melhor Atriz Coadjuvante

Melhor Ator Coadjuvante

Melhor Filme Internacional

Melhor Roteiro Adaptado
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet

Melhor Roteiro Original

Melhor Canção Original
 Golden (Guerreiras do K-Pop)

Melhor Trilha Original

Melhor Animação
Guerreiras do K-Pop

Melhor Documentário
A Vizinha Perfeita

Melhor Figurino

Melhor Design de Produção

Melhor Maquiagem e Cabelo
Kokuho

Melhor Som

Melhor Montagem

Melhor Fotografia

Melhor Efeito Visual
F1

Melhor Curta-Metragem de ficção
A Friend of Dorothy

Melhor Curta-Metragem documentário
Quartos Vazios

Melhor Curta-Metragem de Animação
Butterfly

domingo, 8 de março de 2026

PL►Y: Se Eu Tivesse Pernas, Eu te Chutaria

Rose: uma mãe em apuros. 

Desesperado Diáriw, fico muito feliz quando um filme pequeno como este consegue superar toda a grana investida em marketing dos estúdios e chega ao Oscar em uma categoria importante como melhor atriz. Rose Byrne tem o trabalho mais celebrado de sua carreira, levou o prêmio de atuação no Festival de Berlim, o Globo de Ouro de atriz de comédia, o Independent Spirit e vários prêmios da crítica. No fim das contas, ela é a única que pode tirar o prêmio da Jessie Buckley. Toda torcida em torno de Rose é merecida, já que ela consegue transmitir todo o desespero de sua personagem na primeira cena. Antes de dizer uma palavra, ela já deixa claro que a personagem está prestes a se desintegrar perante os cuidados que específicos que a filha necessita, com a ausência do marido e o trabalho como terapeuta. As coisas só pioram quando um problema de infiltração alaga seu apartamento e faz o teto quase desabar em sua cabeça - uma clara alusão à sua vida. Assim como ela insiste com o proprietário para cuidar do problema, ela tenta o tempo inteiro encontrar apoio em alguém, mas nota, cada vez mais como depende dela mesma dar conta de tudo que lhe acontece (até mesmo de uma paciente que resolve desaparecer no meio de uma sessão). Filmado de forma claustrofóbica por Mary Bronstein em ângulos que só reforçam a solidão da personagem (reparem como nem o rosto da filha aparece durante o filme), Se eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria não é perfeito, mas constrói uma narrativa opressora cheia de projeções em torno da personagem que é sentida plenamente pelo espectador. Só para lembrar, a australiana Rose consolidou a carreira com comédias, mas antes de ir para Hollywood ganhou o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Veneza pelo cult A Deusa de 1967 (2000). 

Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria (If I had Legs, I'd Kick You) de Mary Bronstein com Rose Byrne, Conan O'Brien, Danielle MacDonald, Delaney Quinn, Mary Bronstein, A$ap Rocky, Ivy Wolk e Christian Slater. 

sábado, 28 de fevereiro de 2026

4EVER: Dennis Carvalho

27/09/1947  28/02/2026

Nascido em São Paulo, Dennis de Carvalho iniciou a carreira como dublador, ganhando destaque como ator nos anos 1970 como o vilão da novela Ídolo de Pano (1974), consolidando a carreira com os trabalhos seguintes em Pecado Capital (1975) e Brilhante (1981). Embora respeitado como ator, começou a se dedicar à direção, sendo responsável por trabalhos memoráveis na direção de novelas como a versão original de Vale Tudo (1988) e Celebridade (2003), além de trabalhos marcantes em Malu Mulher (1979), Anos Rebeldes (1992) e a sitcom Sai de Baixo (1996-2002). A causa da morte não foi informada.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

PL►Y: Juntos

Dave e Alison: num só. 

Unificado diáriw, acho interessante como os filmes de terror se beneficiam da busca por história originais de baixo orçamento pelos estúdios. Ano passado foi  excelente para o gênero e entre os lançamentos que chamaram atenção está Juntos. Protagonizado pelo casal da vida real Dave Franco e Alison Brie, o filme investe no body horror (engraçado como o gênero voltou à moda, David Cronenberg deve estar orgulhoso) para construir uma analogia muito interessante sobre a dependência emocional na vida de um casal. Dave interpreta Tim, um músico que a carreira nunca decolou. Alison vive Millie, uma professora que vai morar com o namorado em uma casa afastada. A coisa entre os dois está um tanto estranha desde que ela fez o pedido de casamento e ele ficou sem reação diante do pedido. Os dois tentam se acertar, mas quando resolvem fazer uma trilha juntos na floresta acabam se deparando com uma fonte de água estranha que o público já sabe o que gera por conta de dois cachorros que apareceram por lá. Ao longo do filme, uma série de sensações estranhas e situações bizarras vão deixar claro que os corpos de ambos desejam se tornar um só e não há nada de romântico nisso. Quando se afastam, um passa mal. Quando se beijam ou transam seus corpos grudam e aos poucos os desentendimentos tomam conta. A química real do casal (os atores estão juntos desde 2011, o que soa uma eternidade para Hollywood) ajuda bastante a dar credibilidade aos conflitos e desejos existentes entre os personagens. Achei que os efeitos são eficientes na maioria da vezes (ruim mesmo e aquela cena do cabelo que parece muito mal feita). Acho que o filme perde alguns pontos quando tenta explicar demais o que está acontecendo. Quando chegou ao final, percebi que achei a ideia mais interessante que o desenvolvimento da história, mas não posso negar que me diverti um bocado com o filme (e nunca mais vou ouvir Two Become One das Spice Girls sem sentir arrepios). 

Juntos (Together / Austrália - EUA / 2025) de Michael Shanks com Dave Franco, Alison Brie, Damos Herriman, Mia Morrissey, Karl Richmond e Jack Kenny.