domingo, 9 de agosto de 2026

PL►Y: Undertone

Nina: maldição caótica. 

Aterrorizado diáriw, a julgar pelos filmes de terror que recebem atenção atualmente, posso dizer que os slasher movies e seus serial killers mascarados estão em baixa. A ideia agora é investir pesado no terror psicológico, no poder da sugestão, nos silêncios e brincar com medos mais íntimos da plateia. Nessa esteira que Undertone chegou aos cinemas. A trama se concentra em Evy (Nina Kiry), uma jovem cética que produz um podcast junto com o amigo Justin (Adam DiMarco) voltado para histórias assustadoras. Recentemente ela precisou se mudar para cuidar da mãe doente, este e outros aspectos da vida pessoal de Evy irão influenciar bastante a forma como ela lida com o trabalho quando recebe um conjunto de dez gravações de áudio de um casal desconhecido. Durante cada áudio escutado cresce a sensação de que algo estranho aconteceu com o casal que estava prestes a ter o primeiro filho. Evy sempre tenta explicar o que está acontecendo pela luz da lógica, mas aos poucos ela começa a perceber que em sua própria residência situações estranhas começam a acontecer. Undertone faz com que o espectador se identifique com a personagem por compartilhar com ela a audição dos áudios angustiantes, mas o filme escorrega quando na última meia hora precisa dar conta de concluir o que está acontecendo e tudo vira uma grande bagunça. Um misto de alucinação, culpas, maldições, entidades e crendices religiosas que são costuradas meio de qualquer jeito até que os créditos apareçam. Era uma ideia original com desenvolvimento irregular até virar um caos completo.  No entanto, não deixa de ser uma estreia promissora do canadense Ian Tuason. 

Undertone (Canadá-2025) de Ian Tuason com Nina Kiri, Adam DiMarco, Michèle Duquet, Jeff Yung, Ryan Turner, Keana Kyn Bastidas. 

PL►Y: Fremont

Zada: coração desamparado. 
 Isolado diáriw, Fremont é o tipo de filme que gosto muito de assistir, mas que é difícil de encontrar e de realizar. Tem um senso de humor sutil, um drama que é contado nas entrelinhas e se desenvolve com bastante fluidez entre silêncios e situações. O filme conta a história de Donya (Anaita Wali Zada), uma afegã que vive na cidade californiana do título em um prédio com outros afegãos, alguns não falam com ela devido ao período em que trabalhou como tradutora para os EUA no Afeganistão (cerca de 17.000 vistos americanos foram emitidos para tradutores afegãos, além de cerca de 10.000 para parentes, muitos deles ainda perigosamente abandonados após a retirada das tropas). Talvez por conta deste clima tenso, ela prefira ir todo dia trabalhar em São Francisco em uma fábrica de biscoitos da sorte (e justifica que achou que seria bom ver chineses de vez em quando). Donya tem problemas para dormir e procura um psiquiatra para ajudar, talvez ela nem tenha ideia da necessidade que sinta de construir vínculos em um lugar distante de sua terra natal. Anaita Wali Zada constrói uma personagem contida e um tanto enigmática, mas podemos sua alma num misto de força e desamparo. Durante o filme a percebemos cercada de personagens interessantes, uma colega de trabalho, o patrão chinês, o psiquiatra (Gregg Turkington é um achado) e até um mecânico (um fofo Jeremy Allen White) que acende uma pequena chama em seu coração solitário. Há quem veja traços do cinema de Jim Jarmusch neste filme de Babak Jalali, mas eu notei um tanto de Wes Anderson dos bons tempos. É um filme simples, simpático e bastante agradável de assistir. 

Fremont (EUA-2023) de Babak Jalali com Anaita Wali Zada, Gregg Turkington, Hilda Schmelling, Siddique Ahmed. ☻☻☻

sábado, 8 de agosto de 2026

Combo: Inspirado em Jane Austen

05 Jane Austen Arruinou Minha Vida (2024) foi o filme que me fez lembrar que para além das mais de 30 adaptações que a obra de Jane Austen (1775-1887) já rendeu para cinema e TV, existe um subgênero cinematográfico vinculado à popularidade da escritora. São produções que embora não sejam versões para as telas dos livros da autora, bebem diretamente na fonte de suas referências. Esta comédia romântica francesa não chega a ser engraçada e o romance é visto de forma um tanto... desconstruída, mas faz das desventuras de sua personagem uma mistura de referências do que já vimos em Razão e Sensibilidade (não é a toa que a protagonista tem uma irmã desencanada de romances), Orgulho e Preconceito e Emma

04 O Clube de Leitura de Jane Austen (2007) baseado no sucesso editorial de Karen Joy Fowler, este foi um dos primeiros exemplos de que os fãs de Austen estavam dispostos a curtir um filme sobre Austen que não fosse uma adaptação de um dos seus cultuados romances. O longa conta a história de cinco mulheres e um homem que se encontram para conversar sobre a obra da escritora quase como se fosse uma terapia de grupo para resolver tudo o que ocorre na vida sentimental de cada um. O elenco é impressionante ao juntar Emily Blunt, Maria Bello, Hugh Dancy, Kathy Baker e Amy Brenneam com nomes menos conhecidos. Pena que o filme tenha personagens e dilemas demais para dar conta em uma narrativa cheia de água com açúcar. 

03 Orgulho Preconceito e Zumbis (2016) Jane Austen deve ter levado um susto no túmulo quando viu que em 2009 sua obra clássica recebeu uma releitura em tom de paródia que colocava as irmãs Bennett e Mark Darcy tendo que lutar contra uma legião de zumbis no século XIX. A fanfic do escritor Seth Grahame-Smith se tornou um sucesso nas livrarias e foi levada aos cinemas pelas mãos de Burr Steers (de A Estranha Família de Igby/2002, quem diria!). Embora se leve mais a sério do que deveria, o filme prende atenção pela química entre Lizzy (Lily James) e Darcy (Sam Riley) em meio ao massacre de zumbis. Vale dizer que figurinos, cenários e penteados são feitos no capricho até que um romance de época seja dominado por mortos-vivos. 

02 Austenland (2014) é mais uma adaptação literária de um livro voltado para fãs de Jane Austen, a diferença é que este conseguiu uma adaptação bastante equilibrada para a a telona, sendo divertido e esperto. Baseado na obra de Shannon Hale, o filme conta a história de  Jane Hayes (Keri Russell), uma mulher que aos 33 anos não encontrou seu par ideal. Apaixonada pela obra de Jane Austen, ela resolve usar suas economias para visitar um parque temático voltado para fãs da escritora. Lá ela vive um triângulo amoroso (que não sabe ser de verdade ou encenação) e se depara com os aspectos menos apaixonantes dos tempos de Austen (o ócio, o preconceito, as madames esnobes e a falta de dinheiro). Ser mocinha nos tempos de Austen não era moleza! 

01 Amor e Inocência (2007) confesso que quase que Austenland ficou em primeiro lugar na lista, mas achei que seria de bom tom deixar esta cinebiografia de Jane Austen. Dirigido por Julian Harrold, o filme conta um pouco da vida pessoal da cultuada autora nos tempos em que sonhava em conhecer o mundo e os pais queriam que se casasse com um homem rico. A americana Anne Hathaway vive a escritora inglesa e James McAvoy garante o tom de romance na pele de Tom Lefroy, homem que teria servido de inspiração para criação do famoso Mark Darcy em Orgulho e Preconceito. A graça do filme é captar as referências aos livros da autora que temperam a produção. O filme fez um relativo sucesso e Hathaway foi indicada ao British Independent Film Award na categoria de melhor atriz. A biopic vale uma conferida. 

PL►Y: Jane Austen Arruinou Minha Vida

Charlie e Camille: roteiro sem graça. 

Romântico diáriw, comédias românticas estão longe de ser meu gênero favorito. Porém, de vez em quando, até curto assistir algum longa metragem que prometa alguma coisa de diferente no gênero. Foi por conta disso que assisti Jane Austen Arruinou Minha Vida de Laura Piani, longa que recebeu alguma atenção no ano passado e rendeu para a atriz Camille Rutherford ao César de atriz revelação. Ela vive Agathe, uma dona de livraria que é fã da autora de Orgulho e Preconceito, mas que a vida amorosa anda estagnada. Traumatizada por um acidente, ela vive com a irmã e o sobrinho, além de ter como homem mais próximo o melhor amigo Félix (Pablo Pauly). Agathe também pretende escrever um livro, mas sempre considera que não tem tempo suficiente para isso. Eis que Félix a inscreve em uma espécie de retiro na propriedade que foi de Jane Austen na Inglaterra. Ela fica relutante em ir e os sentimentos pelo amigo ficam um tanto confusos. A coisa complica ainda mais quando ela conhece um tatatataraneto de Austen, Oliver (Charlie Anson), que é professor de literatura, desiludido do amor e imita trejeitos de Hugh Grant. Não é difícil perceber que Oliver assume aqui o papel de Mark Darcy e Agathe se vira como pode como uma heroína romântica contemporânea. O problema é que o filme faz pouca alusão à obra de Austen, os momentos que eram para ser engraçados não são tão engraçados assim e tudo soa bem menos esperto do que poderia ser devido às convenções do roteiro. Serve para passar o tempo e curtir o charme de Charlie Anson que parece mesmo um galã saído dos filmes baseados na obra da escritora. Confesso que não entendi o burburinho que houve em torno do filme, me pareceu bastante convencional e o final apressado serve só para expressar que não havia muito a dizer.

Jane Austen Arruinou Minha Vida ( Jane Austen a gâché ma vie / França - 2024) de Laura Piani com Camille Rutherford, Pablo Pauly, Charlie Anson, Annabelle Lengronne, Liz Crowther, Alan Fairban e Alice Butaud. ☻☻ 

PL►Y: We're All Going to the World's Fair

Anna: a vida online é ou não é real?

Arrepiado diáriw, antes de impressionar com Eu Vi o Brilho da TV (2024) a diretora Jane Schoenbrun realizou (ao lado de Valeria Santiago) este We're All Going to the World's Fair e deixou claro que tinha algo a dizer que não fosse convencional. O território de Jane é o thriller psicológico, temperado com dramas existenciais adolescentes que se alimentam uma atmosfera da horror. Aqui o roteiro se utiliza de um desafio online em que o cotidiano é transformado em registros que precisam avançar para situações de terror. A protagonista, Casey (a ótima Anna Cobb) é iniciante na brincadeira e não sabe muito bem como seus registros irão avançar. Sozinha no sótão registando vídeos e assistindo de outros participantes, Casey começa a construir sua trajetória online de forma que quem assiste não sabe se ela está sendo sincera ou se está criando uma ficção diante da câmera. A situação fica tensa quando um jogador veterano chamado JLB (Michael J. Rogers) começa a interagir com ela. O filme nunca deixa claro quais são os interesses de JLB em Casey e também não esclarece se os relatos dela são realmente angústias que ela atravessa cotidianamente. São nas ambiguidades do que é real e o que é encenação online  que o filme avança de forma instigante em um formato pouco convencional. A tensão cresce lentamente no estranhamento que o filme provoca, especialmente por usar o verniz do terror para falar de um tempo em que postagens online são constantes e embaçam a percepção de quem assiste. Esta ideia é o que torna o desfecho (apenas o relato de um personagem) ainda mais estranho.  Cheio de lacunas a serem preenchidas pelo espectador, o filme revela-se uma reflexão instigante sobre o mundo online e a solidão que camufla. Em cartaz na MUBI o filme é um ótimo aquecimento para Acampamento Miasma, novo filme da diretora que foi premiado em no Festival de Cannes deste ano. 

We're All Going to the World's Fair (EUA / 2021) de Jane Schoenbrun e Valeria Santiago com Anna Cobb, Michael J. Rogers, Turner Greaves, Theo Anthony, Marc Santiago e Holly Anne Frink. ☻☻☻

PL►Y: Toque Familiar

Kathleen: veterana premiada. 
Querido diáriw, naquele época de listas de melhores do ano, houve uma menção que fiquei realmente curioso. Dentre todas as atrizes que estavam disputando vagas em Oscar e tudo mais, uma pessoa (realmente não lembro quem foi) elegeu Kathleen Chalfant como a melhor performance feminina de 2024. A atriz veterana de 81 anos, estreou nos cinemas na década de 1980 e coleciona vários trabalhos para a telona e para a TV  - particularmente lembro dela como a avó da série The Affair (2014-2019). Embora tenha muito tempo de carreira, ela foi indicada a prêmios pela primeira vez em sua carreira por este Toque Familiar, pelo qual foi indicada ao Independent Spirit de melhor atuação e foi premiada no Festival de Veneza. No filme, a atriz interpreta Ruth, uma mulher que devido a problemas de memória passa a viver em uma casa de repouso para receber cuidados especiais. Kathleen consegue expressar com brilhantismo a confusão mental da personagem, construindo reações que se alternam de um minuto para o outro enquanto não consegue reconhecer que realmente possui um problema. A diretora e roteirista Sarah Friedland se concentra na relação de Ruth com quem está por perto (seja o filho ou os cuidadores), mas principalmente na relação com os fragmentos de memória que ainda lhe resta. O resultado não possui exatamente uma estrutura de começo meio e fim, mas uma espécie de costura de acontecimentos e situações que revelam um pouco mais sobre quem foi aquela mulher e sua relação com o mundo. É um filme com momentos emocionantes ancorados na atuação precisa de uma atriz que nunca recebeu a devida atenção. O trabalho de Kathleen Chalfant compensa a narrativa pouco inventiva, especialmente para quem viu a imersão sensorial proposta por Florian Zeller em Meu Pai (2020) que subverteu tudo que vimos nesse tipo de filme. 

Toque Familiar (Familiar Touch / EUA - 2024) de Sarah Friedland com Kathleen Chalfant, Carolyn Michelle, Andy McQueen, H. Jon Benjamin e Rafael Hernandez. 
 

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

4EVER: William Orbit

15/12/1956 ✰ 07/08/2026

William Mark Wainwright nasceu em Londres e abandonou a escola aos 15 anos para estudar por conta própria. O artista iniciou sua carreira na música nos anos 1980 como integrante do grupo Torch Song e fundou sua própria gravadora em 1989. Elogiado como músico, compositor e produtor, seu reconhecimento na cena eletrônica dos anos 1990 rendeu-lhe o convite de produzir o icônico álbum Ray Of Light (1998) de Madonna que recebeu 4 prêmios Grammy (sendo indicado a Álbum do ano). Dentre os artistas com quem estão U2, Blur e Prince. Ao longo de sua carreira solo, o artista lançou dez álbuns. A causa da morte não foi informada. 

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

GRANDE PRÊMIO DO CINEMA BRASILEIRO 2026

Jesuíta: melhor ator. 
Ontem aconteceu a entrega dos prêmios da Academia Brasileira de Cinema, o Prêmio Gande Otelo foi entregue no Rio de Janeiro e selou uma estranha rivalidade que marcou toda a temporada do ano passado. A culminância com o empate entre O Agente Secreto e Manas como melhor filme foi uma das coisas mais estranhas da história da premiação. Se ano passado Ainda Estou Aqui quase ganhou um prêmio especial e ficou de fora de todas as categorias para que os acadêmicos pudessem premiar outros profissionais do ramo, a sensação é que este ano a vontade foi tentar fazer o mesmo. O Agente Secreto (que foi indicado a quatro Oscars) acabou levando quatro prêmios técnicos na noite e a categoria principal. Manas levou cinco (atriz coadjuvante, direção, roteiro original e montagem). Fiquei feliz mesmo foi com Jesuíta Barbosa celebrado por Homem com H que foi escolhido como melhor filme pelo júri popular (pairando acima de toda briga de egos que marcou o gosto da Academia durante a temporada). A seguir os premiados da noite: 

Melhor Filme de Ficção

Melhor Filme de Comédia
Velhos Bandidos

Melhor Documentário
Apocalipse nos Trópicos

Melhor Filme Infantil
O Diário de Pilar na Amazônia

Melhor Animação
Tainá e os Guardiões da Amazônia 

Melhor Filme Ibero-Americano

Melhor Direção
Marianna Brennand — Manas

Melhor Primeira Direção de Longa-Metragem
Rafaela Camelo — A Natureza das Coisas Invisíveis 

Melhor Atriz de Longa-Metragem
Denise Weinberg — O Último Azul 

Melhor Ator de Longa-Metragem

Melhor Atriz Coadjuvante de Longa-Metragem
Dira Paes — Manas

Melhor Ator Coadjuvante de Longa-Metragem

Melhor Roteiro Original

Melhor Roteiro Adaptado

Melhor Direção de Fotografia
Evgenia Alexandrova — O Agente Secreto 

Melhor Direção de Arte
Thales Junqueira — O Agente Secreto

Melhor Figurino

Melhor Maquiagem

Melhor Montagem de Ficção
Isabela Monteiro de Castro — Manas

Melhor Montagem de Documentário
Apocalipse nos Trópicos

Melhor Efeito Visual

Melhor Som

Melhor Trilha Sonora

Melhor Série

Melhor Atriz em Série
Alice Carvalho — Cangaço Novo 

Melhor Ator em Série

Melhor Série de Documentário
Caçador de Marajás 

Melhor Série de Animação
Osmar, a Primeira Fatia do Pão de Forma (3ª temporada) 

Melhor Curta de Ficção
Amarela

Melhor Curta de Documentário
Sebastiana

Melhor Curta de Animação
A Tragédia do Lobo-Guará

terça-feira, 4 de agosto de 2026

NªTV: DTS St. Louis

Jason e David: nada é o que parece.
Elogiado diáriw, a minissérie DTS St Louis da HBO se tornou uma das produções mais celebradas do ano e, se considerarmos suas 13 indicações ao EMMY, deve se tornar uma das mais premiadas da temporada. Exibida nos meses de março e abril na emissora, meu interesse pelo programa veio com os comentários positivos unânimes que ouvi. O mérito aqui é subverter a impressão inicial de "já sei o que vai acontecer". Aquela sensação de comédia dramática suburbana que gerou pérolas como Beleza Americana (1999) e a série Desperate Housewives (2004-2012) repete-se aqui, mas nada é do jeito que você imagina. A trama aborda a amizade entre o apresentador Clark Forrest (Jason Bateman) e o intérprete de libras Floyd Smernitch (David Harbour) que o acompanha nos telejornais. Os dois ficam muito próximos e quando Floyd é encontrado morto, recai sobre Clark a suspeita de assassinato. Ao final do primeiro episódio a suspeita ganha ares de certeza com o caso entre ele e a esposa do falecido (Linda Cardellini) e os seis capítulos que se seguem servem para confundir o público e os investigadores encarregados do caso vividos por Richard Jenkins e Joy Sunday (que já teve destaque na série Wandinha, mas aqui mostra-se a revelação do elenco). A trama criada por Steve Conrad mistura adultério, aplicativos sexuais, amizade e auto-estima como uma espécie de jogo contra as expectativas do espectador. Se a visão inicial é a intenção de surpreender a plateia a qualquer custo, no desfecho percebemos que a proposta torna-se um desafio à nossa percepção sobre relações humanas. Não por acaso, a minissérie reforça o tempo inteiro que de perto ninguém é normal - e afinal, o que é ser normal? No fim das contas, só senti falta de um melhor desenvolvimento da esposa de Clark que praticamente some da narrativa. 

DTF St. Louis (EUA-2026) de Steve Conrad com Jason Bateman, David Harbour, Linda Cardellini, Richard Jenkins, Joy Sunday, Peter Sarsgaard, Chris Perfetti e Arlan Ruff.