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quinta-feira, 7 de agosto de 2014

DVD: Ela

Theodore: o amor carregado no bolso. 

O último filme de Spike Jonze poderia se contentar em ser apenas mais um filme sobre nossa dependência da tecnologia, poderia colecionar piadas cínicas sobre a forma como os apetrechos moderninhos e as redes sociais distanciam o homem da vida em sociedade e uma série de outros pontos que se tornaram clichês até nos comentários do próprio Facebook. Sorte que Jonze nunca foi um artista convencional, desde a época em que se consagrou como o melhor diretor de clipes dos anos 1990. Ela conta a história de um futuro não específico (de visual deliciosamente retrô, com vidros coloridos e calças de cintura alta) onde acompanhamos Theodore (Joaquin Phoenix, em um momento bastante diferente de sua carreira), um sujeito que tenta digerir o divórcio recente com Catherine (Rooney Mara) e trabalha em uma empresa que escreve cartas por encomenda (e as escritas por ele são as mais românticas). Theodore vive sozinho, ainda que tenha alguns amigos, mas ao adquirir um revolucionário Sistema Operacional dotado de Inteligência Artificial, a vida do personagem irá mudar. Após responder algumas perguntas ele configura Samantha (espetacular atuação vocal de Scarlett Johansson), um sistema operacional "feminino", inteligente, espirituoso e bem humorado que lhe ajudará a administrar os afazeres e ainda fazer a companhia quando a única opção de diversão era jogar games (cujo personagem Alien desbocado é dublado por Jonze)! Aos poucos, Theodore se apaixona por Samantha e vice-versa. Jonze contempla esse romance virtual sem deboches ou moralismos, tanto que a primeira noite de amor entre os personagens poderia ser surreal, mas surge romântica e bastante crível. É verdade que o roteiro aborda alguns pudores do personagem em embarcar nessa relação, ao mesmo tempo em que Samantha entra em conflito se o que sente é realmente um sentimento ou parte de sua programação. Enquanto alguns demonstram estranhamento com o romance que se constrói, outros o percebem como algo natural - e alimentam indiretamente os sentimentos do casal. O filme evolui de forma bastante fluente, na construção de um universo bastante particular, com doses de romantismo e certa melancolia. No entanto, a partir do momento que Catherine se encontra com o ex-marido, existe uma mudança no olhar do espectador sobre Theodore, uma vez que passamos a pensar até que ponto a relação com Samantha reflete as suas dificuldades de compreender seus próprios sentimentos e estabelecer um romance (afinal, as personagens de Olivia Wilde e Amy Adams cruzam seu caminho de forma bastante peculiar) e o relacionamento com Samantha começa a enfrentar problemas devido suas inseguranças. É verdade que o tom cômico em algumas situações é inevitável, como a necessidade de Samantha ter algo físico com seu namorado ou quando ele começa a ter ciúme de sua namorada, no entanto, o roteiro não demora para abordar o lado dramático desses aspectos. Joaquin Phoenix está bastante convincente como Theodore, anulando qualquer traço de esquisitice que o personagem poderia ter: surge como um homem apaixonado e ponto. Por outro lado, Scarlett Johansson tem momentos excepcionais como o software com sede de conhecer o mundo em tudo que ele tem de físico e abstrato. Me incomoda um pouco a forma como algumas piadinhas sexuais são utilizadas para "descontrair" quando o filme ambiciona tornar-se sério, mas nada que ofusque as qualidades do roteiro que ganhou o prêmio de roteiro original na última edição do Oscar (além de conquistar outras quatro indicações - melhor filme, trilha sonora, direção de arte e canção para a meiga "The Moon Song" de Karen O.). Há quem enxergue em todo o filme o fantasma do casamento do diretor com Sofia Coppola (que durou de 1999 - ano em que estreou como diretor com Quero Ser John Malkovich - até 2003), pode ser, afinal, além do original ensaio sobre a solidão e relações amorosas, o filme ainda tem um visual que lembra bastante o tom contemplativo de Sofia. Ela é na verdade uma espécie de filho híbrido cinematográfico do talento dos dois cineastas. 

Ela (Her/EUA-2013) de Spike Jonze com Joaquin Phoenix, Scarlett Johansson, Amy Adams, Chris Pratt e Rooney Mara. ☻☻☻☻

sábado, 19 de janeiro de 2013

FILMED+: Adaptação

Cage e Cage: os manos Kauffman em processo criativo. 

Quantos roteiristas podem se gabar de ser indicado ao Oscar de Roteiro Original em sua estreia? Seja qual for a resposta, Charlie Kaufman está entre este seleto grupo. Pelo surreal Quero Ser John Malkovich (1999), Charlie se tornou uma celebridade da noite para o dia e uma referência para autores de textos que flertam com existencialismo, metalinguagem, humor maluco e confusão na mente de quem curte cinema. Choveram propostas de trabalho e a que ele aceitou de bom grado foi a adaptação do livro O Ladrão de Orquídeas da jornalista Susan Orlean (uma obra metafórica sobre orquídeas e pessoas). No entanto, o hábito de escrever textos originais ajudou na crise criativa em Kauffman. A ideia de não corromper a obra, não mudar o rumo dos objetivos da escritora e preservar o espírito do livro, mergulhou o rapaz numa crise de integridade profissional. A forma como ele resolveu a pendenga pode ser conferida em Adaptação, o segundo filme de Spike Jonze em parceria com Kaufman. Jonze estreou como cineasta com Quero Ser John Malkovich (um texto engenhoso que rolava entre os estúdios, mas que ninguém se via em condições de filmar), mostrando-se o tradutor perfeito do texto Kaufmaniano, principalmente quando a insanidade quase sai da coleira do autor. O filme é um exercício metalinguístico espetacular, onde o próprio Kaufman surge como protagonista na pele de Nicolas Cage - na companhia de Susan Orlean (em atuação avassaladora de Meryl Streep) e até o ladrão de orquídeas John Laroche (Chris Cooper, que ganhou o Oscar de coadjuvante pelo papel). Não satisfeito, Kaufman colocou na trama seu irmão gêmeo Donald (Cage) que é o seu total oposto. Enquanto Charlie busca ideias originais e instigantes, Donald prefere misturar ideias alheias sem grandes preocupações com lógica - mas com grande consciência do que "a indústria" (termo que Charlie detesta) espera dele. Enquanto Charlie digere frustrações amorosas anonimamente nos bastidores, Donald só quer curtir as ambições de vender um roteiro para Hollywood. Se Charlie é capaz de contar a história da vida na terra até o ponto em que nasceu em poucos segundos, Donald delira num roteiro onde um policial, a vítima e o vilão são a mesma pessoa! Cansado de não conseguir avançar no trabalho, Charlie convida o irmão para ajudá-lo e, assim, o filme muda radicalmente de tom. Tudo o que Charlie não queria fazer acaba acontecendo quando ele busca descobrir a verdade que está por trás do livro de Susan. Sexo, drogas e violência começam a aparecer na trama. Nesta jornada onde os personagens são virados do avesso, Spike Jonze nos guia com a maior clareza possível com o auxílio de uma trinca de atores espetacular. Cage tem aqui seu último grande trabalho como ator, numa encarnação (dizem) mediúnica de Charlie Kaufman. Pançudo e desglamourizado, ele consegue alcançar todas as notas que seus dois personagens exigem. Já Cooper era conhecido até então como o vizinho nazi de Beleza Americana (1999) e aqui consegue injetar uma sensibilidade incomum num personagem que viraria facilmente um malandrão da pior espécie canastrona. Com ele dá até para entender como a sofisticada Susan Orlean se encanta por sua figura desleixada. No fim das contas o filme parece ter modificado bastante o enredo do livro, mas a verdadeira Susan afirmou que a essência do livro está toda ali em sua proposta de como o ser vivo se adapta ao meio para sobreviver às suas dores individuais.  

Adaptação (Adaptation/EUA-2002) de Spike Jonze com Nicolas Cage, Meryl Streep, Chris Cooper, Maggie Gyllenhaal, Tilda Swinton e Curtis Hanson. ☻☻☻☻☻

domingo, 12 de agosto de 2012

FILMED+: Quero Ser John Malkovich

Craig, Maxine e Lotte: existencialismo surreal.

Depois de fazer história no mundo dos video clipes, Spike Jonze resolveu se aventurar no cinema com ajuda de um roteiro amalucado assinado por Charlie Kaufman. Se Jonze já era conhecido pela sua criatividade em criar clipes inovadores (entre eles Sabotage do Beastie Boys e Buddy Holly do Weezer) imagine o que ele poderia fazer com o texto de um ilustre desconhecido aclamado como um dos mais promissores roteiristas de Hollywood? Promissor é uma palavra até simples para descrever Kaufman, afinal, imagine alguém que concebe uma história sobre uma passagem secreta para a mente do ator John Malkovich - que fica localizada no sétimo e meio andar de um prédio! Poderia ser apenas mais uma comédia maluca, mas Kaufman tempera tudo com uma mistura surreal de crise de identidade. Craig (John Cusack, em um de seus melhores momentos) é um títere que se satisfaz criando encenações de fantoches para peças sérias (como "Abelardo e Heloísa"), nem sempre ele é bem compreendido - nem mesmo pela esposa, Lotte (uma baranga Cameron Diaz). Além de fantoches,  o lar do casal é repleto de animais cuidados com grande zelo por Lotte (um dos macacos até frequenta o analista). Por conta das dificuldades financeiras, Craig acaba procurando um emprego em que possa utilizar suas habilidades manuais. Acaba sendo escolhido para trabalhar no arquivo de um escritório, onde conhece a arrogante Maxine (a ótima Catherine Keener). Não vai demorar muito para que Craig descubra atrás de um arquivo uma passagem secreta que lhe permitirá ver o mundo pelos olhos de John Malkovich por quinze minutos. Depois, ele é cuspido à margem de uma rodovia. Nem tente procurar sentido nessa loucura, apenas se concentre nos questionamentos que a experiência causará no trio protagonista. Enquanto Craig planeja conquistar o estrelato fazendo de John Malkovich seu fantoche, Lotte começa a questionar a própria sexualidade ao experimentar a masculinidade por alguns minutos. Em meio à crise conjugal, Maxine surge como uma terceira vértice de um triângulo amoroso incomum. É incrível que conforme a trama avança, o texto de Kaufman sempre arranja uma forma de se desviar das obviedades, além de mergulhar mais ainda nos aspectos da personalidade que até seus personagens desconheciam. Se Craig passa de um homem passivo para um manipulador sem escrúpulos, Maxine mostra-se capaz de ignorar os sentimentos mais nobres que pode sentir por alguém e Lotte percebe o motivo de ter se sentido deslocada por tanto tempo. Às vezes a história viaja mais do que deveria (a delirante cena em que John Malkovich mergulha em sua própria mente seria um sinal do egocentrismo do ator?) ou tenta explicar mais do que o necessário, mas Jonze consegue manter a tensão crescente mantendo a história, que poderia ser confusa, totalmente compreensível. Além de sua habilidade em construir uma narrativa com tantos elementos arriscados, Jonze ainda se mostra um diretor excepcional de atores. O trio Cusack-Keener-Diaz tem atuações irrepreensíveis diante dos complexos personagens que tem em mãos.  Apesar de ser considerado uma comédia, Kaufman e Jonze conseguem construir um drama diferente com apelo universal, capaz de gerar várias leituras (negar a si mesmo é apenas uma delas, assim como ver o mundo pelos olhos de outras pessoas, ser um fantoche de alguém, o artista servindo para repensar a existência...) e estranho o suficiente para receber o título de cult. O longa rendeu a primeira indicação ao Oscar de Kaufman (na categoria roteiro original), Jonze (direção) e Keener (atriz coadjuvante) - que se reencontraram anos depois no igualmente genial Adaptação (2002) - que trouxe Nicolas Cage no papel de Charlie Kaufman, mas essa já é outra história...

Quero Ser John Malkovich (Being John Malkovich/EUA-1999) de Spike Jonze com John Cusack, Cameron Diaz, Catherine Keener e John Malkovich. ☻☻☻☻☻

sábado, 11 de agosto de 2012

DVD: Cenas do Subúrbio


Adolescentes: personagens do álbum do Arcade Fire.

O álbum The Suburbs da banda canadense Arcade Fire está entre os meus cinco favoritos de todos os tempos. Nele o Arcade Fire volta a abordar em suas composições os cotidianos de pessoas comuns que vivem fora dos grandes centros urbanos (essa experiência dos membros da banda já aparecia no primeiro CD, Funeral - onde várias canções respondiam pela apresentação enumerada de "Neighboorhood"). O diretor Spike Jonze também deve ter The Suburbs num lugar especial em sua lista de favoritos, afinal,  resolveu criar um filme a partir das faixas do álbum. Famoso por criar filmes complicadamente geniais como Quero Ser John Malkovich (1999) e Adaptação (2002), Jonze pensou num filme de narrativa simples num formato de curta metragem. Vendo o filme fica a impressão de que o diretor poderia ter feito tranquilamente seu quarto longa para o cinema, já que existem complexidades no roteiro que acabam ficando pela metade, sem explicação. O filme retrata um grupo de amigos que vivem num subúrbio não descrito no tempo ou no espaço, no início Jonze se concentra nos passeios de bicicleta, nas conversas triviais sobre namoros e especialmente na relação entre dois amigos Terrance (Justin Arnold) e o narrador vivido por Sam Dillon. Curiosamente o filme não apresenta nenhum responsável pelos adolescentes que aparecem no filme. Os adultos não pertencem ao universo dos personagens, mas quando aparecem... um dos adultos é o irmão mais velho de Terrance, que aparece como uma ameaça para o grupo ("é como se ele houvesse deixado de ser humano" diz um personagem). Os outros adultos que aparecem estão por conta da intervenção militar que atrapalha a vida pacata dos amigos.  A presença, sem explicação, de militares no bairro faz crescer a tensão nas ruas e a situação no círculo de amigos também se complica quando Terrance se torna cada vez mais estranho pela influência do irmão. Ao invés de contar uma história com início, meio e fim, Jonze opta por criar pequenos trechos utilizando algumas músicas do álbum. Estão lá (a obrigatória) The Suburbs, Wasted Hours, Half Light I e até a agitada Month of May para animar uma festinha. Se antes a violência aparecia como brincadeira, ela se torna mais explícita e o diretor prefere retratá-la através de flashes curtos. A justificativa para isso está logo no início, quando o personagem que narra a trama diz que se lembra de algumas coisas e de outras não, no entanto, fica a sensação de que Jonze teve ideias suficientes para criar um filme de duração mais extensa, mas por algum motivo contentou-se com um curta-metragem. O filme concorreu no Festival de Berlim de 2011 e recebeu muitos elogios pela forma sentimental com que Jonze conduz a trama. O  mais interessante é que em suas obras anteriores o diretor pareceu se concentrar e enxergar seus personagens por dentro (e isso inclui até o recente "Onde Vivem os Monstros"/2009) e aqui a trama se concentra em alguém que observa um amigo que se distancia cada vez mais - levando o espectador a especular sobre o que está acontecendo. Em seus vinte e oito minutos de duração, Cenas do Subúrbio tem momentos em que deixa claro que poderia ser tão bom quanto o álbum em que se inspira, mas como é conciso demais, fica parecendo apenas um aperitivo quando se encerra com a triste melodia de Sprawl (Flatland). Só para lembrar, foi desta obra que o Arcade Fire aproveitou as cenas que aparecem no clipe The Suburbs, espécie de trailer do filme e que foi disponibilizado como bônus em uma edição especial do CD. 

Cenas do Subúrbio (Scenes from the suburbs/EUA-2011) de Spike Jonze com Sam Dillon, Justin Arnold, John Arkinson e Will Butler.☻☻☻

domingo, 12 de dezembro de 2010

DVD: Onde vivem os Monstros


Max encara seu monstro externalizado: Jonze explica.

Nem só de bichinhos fofos viveu as adaptações de obras infantis em 2009, Spike Jonze resolveu levar para as telas o livro Onde Vivem os Monstros de Maurice Sendak no mesmo ano, bem... mais ou menos. O projeto demorou anos para ser concluído devido a alguns problemas na produção, o estúdio achou a primeiro copião do filme muito sombria e pediu para que algumas cenas fossem refeitas. Depois ainda havia o empecilho das fantasias de monstros usadas por atores (entre eles, James Gandolfini e Paul Dano) que eram muito quentes e alguns chegavam a passar mal ali dentro. Jonze ouviu várias críticas por resolver utilizar atores no lugar de efeitos digitais para encarnar os monstrinhos e houve quem dissesse que ter optado por uma animação seria o mais correto, o fato é que o filme estreou e apesar de não ter se tornado um sucesso de bilheteria (apesar de ter sido o mais visto em sua semana de estréia) agradou os críticos e apareceu em várias listas de produções mais interessantes de 2009. É visível desde a primeira cena que o diretor não quis fazer um filme infantil, mas um filme sobre a infância, algo que conseguisse despertar a nostalgia dos adultos e que tocasse na espinha dorsal da trama de Sendak: o momento em que aprendemos a dominar nossos monstros internos e começamos a nos preparar para a vida adulta. O filme conta a história de Max (o bom Max Records) um menino que tenta lidar com o namorado de sua mãe (Catherine Keener) e com o crescimento de sua irmã – que não se dedica mais às brincadeiras. Depois de um momento malcriado ele acaba fugindo de casa e encontrando uma ilha habitada por monstros que gostam de se agredir, mas diante de alguma hostilidade, Max é eleito o rei do pedaço – mas sem antes perceber que a coroa se encontrava ao lado de um monte de ossinhos do rei anterior. Max aos poucos terá de lidar com a agressividade de seus súditos, assim como o ciúme, a inveja, o orgulho e outros sentimentos pouco nobres que os monstrengos demonstram sem a menor cerimônia. No fim Max vai descobrir que seus monstros podem devorá-lo. Pois é, a abordagem de Jonze é bem mais melancólica do que o livro de poucos parágrafos de Sendak supunham (e deve ter dado um trabalhão na confecção do roteiro por tentar explicar o que no livro não precisa de explicação) mas tem qualidades - e talvez a maior delas, pulse na trilha sonora (indicada ao Globo de Ouro) de Karen O. (do Yeah Yeah Yeahs!) que resgata cantigas de roda ao lado de um grupo de crianças. Depois de nos fazer penetrar na mente de (Quero Ser) John Malkovich (1999) e esmiuçar o processo criativo em Adaptação (2002), Jonze lembrou dos monstros internos que ameaçam nossa relação com o mundo.


Onde vivem os monstros (Where the wild things are/EUA-2009) de Spike Jonze, com Max Records, Catherine Keneer, James Gandolfini, Paul Dano e Mark Ruffalo. ☻☻☻