Depois de mudar a data, mudar o período de consideração de seus indicados e ter que se adaptar, assim como as produtoras e o público no ano conturbado da pandemia. O Oscar acontecerá neste domingo, dia 25 e eu gostaria de escrever sobre mais indicados antes da cerimonia, mas acho que não terei tempo. Então, prefiro apostar em quem deverá sair premiado na cerimonia de amanhã. Quero deixar claro que esses palpites não tratam dos meus favoritos, mas quem deve ser celebrado pela Academia como o melhor da temporada. Meu favorito na categoria de melhor filme é Meu Pai - mas só acredito vendo que Nomadland levará melhor filme (mas creio que Chloé Zhao é imbatível no páreo de direção). Queria muito ver Vanessa Kirby levar o prêmio para casa por Pieces of a Woman, mas sei que é impossível... então, vamos aos que devem receber suas estatuetas amanhã:
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sábado, 24 de abril de 2021
PALPITES PARA O OSCAR 2021
Oscar 2021: façam suas apostas!
Melhor Filme
Melhor ator coadjuvante
Melhor curta de animação
"If anything happens I love you"
Melhor curta-metragem em live action
"The Letter Room'"
Melhor documentário de curta-metragem
"A Love Song for Natasha"
Melhor som
Melhor Canção Original
Melhor figurino
Maquiagem e cabelo
Efeitos visuais
Melhor fotografia
Melhor edição
Melhor design de produção
INDICADOS AO OSCAR 2021: Melhor Filme
Depois de abordar os atores, atrizes e cineastas indicados ao Oscar deste ano, chegou a vez das produções que estão na disputa do prêmio mais cobiçado da noite. Este ano a Academia escolheu oito filmes na categoria principal e deixou alguns de fora que bem que poderiam ter completado a lista de dez. No entanto, diante do ano complicado que o cinema viveu por conta da pandemia, ter filmes lançados já é uma verdadeira vitória. A seguir os oito indicados em ordem alfabética (e um que todos acharam que estariam na disputa e ficou de fora):
Bela Vingança se uma surpresa acontecer, muitos apontam que o filme de estreia de Emerald Fennell seria o favorito com sua história atual e bastante cáustica de uma garota que resolve se vingar da cultura de abusos às mulheres. O filme concorre ainda em melhor direção, roteiro original (que tem fortes chances de levar), edição e Carey Mulligan com chances ampliadas na disputa mais imprevisível do ano, a de melhor atriz (ela já levou o Critic's Choice pelo papel).
Judas e o Messias Negro O segundo filme de Shaka King apareceu na disputa na reta final e, graças à sua força narrativa, surpreendeu ao conseguir seis indicações ao Oscar: filme, roteiro original, canção, fotografia e a disputa de Daniel Kaluuya e Lakeith Stanfield no páreo de ator coadjuvante. Kaluuya levou todos os prêmios de coadjuvante da temporada como o líder dos Panteras Negras Fred Hampton - que é traído por um informante do FBI (Lakeith).
Mank é produzido pela Netflix (em ano de pandemia), com direção de David Fincher sobre o roteiro (do pai dele) acerca do processo criativo do famoso roteirista responsável pelo texto de um clássico do cinema. Não tinha o que dar errado... mas a produção não empolgou. Lembrado em dez categorias é o mais indicado: filme, direção, ator (Gary Oldman), atriz coadjuvante (Amanda Seyfried), fotografia, design de produção, som, trilha sonora, maquiagem e penteados e figurino.
Meu Pai é o meu filme favorito da disputa! Gosto muito da forma como o diretor Florian Zeller transporta sua peça para a tela utilizando todos os recursos para causar a mesma sensação de desorientação do protagonista. Anthony Hopkins está brilhante como o senhor que não entende muito bem o que acontece ao seu redor (e ele pode surpreender na disputa de melhor ator). O filme ainda concorre à atriz coadjuvante (Olivia Colman), edição, design de produção e roteiro adaptado.
Minari conta a história de uma família de imigrantes coreanos que investe em uma fazenda nos EUA na década de 1980. Sensível e com excelente trilha sonora, o filme de Lee Isaac Chung tornou-se o favorito no páreo de atriz coadjuvante ao longo da temporada e deve premiar a veterana Yuh-Jung Youn. Steve Yeun também se tornou o primeiro ator de origem oriental indicado ao prêmio de melhor ator. Com seis indicações, o filme ainda concorre à direção, roteiro original e trilha sonora.
Nomadland já recebeu mais de 200 prêmios internacionais desde que levou para casa o Leão de Ouro no Festival de Veneza e conta a história de Fern (Frances McDormand), uma mulher que perdeu tudo e mora em uma van e busca por empregos provisórios nos EUA. Este retrato pós-crise quase documental é o favorito da disputa! Concorre em seis categorias, incluindo atriz, roteiro adaptado, sendo também o favorito para direção (Chloé Zhao que deve fazer história) e fotografia.
O Som do Silêncio é a prova de que a Amazon aprendeu a divulgar seus filmes durante a temporada de ouro. Dirigido por Darius Marder, o filme investe num tom imersivo que se torna uma verdadeiro experiência sensorial sobre um baterista que perde a audição e precisa aprender a lidar com isso. O filme também concorre em seis categorias incluindo ator (ótimo trabalho de Riz Ahmed), ator coadjuvante (Paul Raci), som (em que é favorito), roteiro original e edição.
Os Sete de Chicago é o segundo longa do premiado roteirista Aaron Sorkin na direção. Produzido pela Netflix, o filme ganhou força com acontecimentos recentes na terra do Tio Sam. O filme conta a história de sete manifestantes contra a Guerra do Vietnã que se deparam com um julgamento de cartas marcadas (e um juiz inconcebível). Ganhador do SAG de melhor elenco, o filme tem chances em roteiro original. Ainda concorre a ator coadjuvante (Sacha Baron Cohen), edição, fotografia e canção original.
O ESQUECIDO: Uma Noite em Miami merecia mais do que as indicações recebidas (ator coadjuvante/Leslie Odom Jr., roteiro adaptado para Kemp Powers e canção original), afinal a boa estreia de Regina King na direção resulta num dos filmes mais elegantes e bem resolvidos do ano ao imaginar o encontro de quatro ícones afro-americanos nos anos de luta da década de 1960. Além das ótimas atuações, Regina constrói uma narrativa dinâmica que merece atenção no catálogo Prime Video.
domingo, 18 de abril de 2021
INDICADOS AO OSCAR 2021: Melhor Direção
Chloé Zhao (Nomadland) Faz tempo que a cineasta preza por um cinema quase documental. Nomadland é seu premiado terceiro longa-metragem e, embora tenha a alma muito semelhante aos dos anteriores, é a primeira vez que trabalha com atores conhecidos num roteiro adaptado, mas ainda assim, o elenco de apoio é praticamente todo de pessoas vivendo a si mesmas. Pelo resultado que descasca o american way of life, Chloé concorre ao Oscar de direção pela primeira vez - e em outras três (melhor filme, roteiro e edição). Favorita na categoria, ela deve ser a segunda mulher a ser premiada com o Oscar de direção (e a Marvel já está de olho nela há tempos e lhe deu a tarefa de dirigir o aguardado Os Eternos).
David Fincher (Mank) Esta é a terceira vez que Fincher é indicado ao Oscar de direção (concorreu anteriormente por A Rede Social/2010 e O Estranho Caso de Benjamin Button/2008). Desta vez ele utiliza todo seu perfeccionismo para reproduzir a aura do clássico Cidadão Kane/1941 para contar a história do problemático roteirista Herman J. Mankiewicz. O roteiro é do pai de David (o jornalista Jack Fincher) que transforma este filme produzido pela Netflix em sua obra mais pessoal. A técnica impecável e a narrativa em torno do cinema podem ajudar na disputa, mas o fato de muita gente não ter se empolgado com o filme pesa contra o cineasta.
Embora estreante como cineasta, a inglesa esteve envolvida nos últimos anos em produções de sucesso. É uma das roteiristas da série Killing Eve e ficou conhecida como a Camila Parker-Bowles de The Crown. Muita gente ficou surpresa com a indicação pelo tom diferente do que a Academia costuma apreciar. Na trama de vingança à cultura de abusos contra as mulheres, Fennell foge do óbvio e não teme usar de humor e ironia para atiçar ainda a narrativa ácida. Fennell também concorre a melhor roteiro original e melhor filme, além de fazer história ao lado de Chloé Zhao no único ano em que duas mulheres aparecem na categoria e já foi convidada para dirigir Zatanna para Warner/DC Comics.
Lee Isaac Chung (Minari) Há quem diga que o filme não traga em si nenhuma novidade, mas é tão encantador ver a forma como Lee conta a história de uma família que muda de vida ao investir numa fazenda que é impossível não ficar feliz com sua indicação. Responsável pelo tom terno e sensível do filme, além da bela sintonia entre o elenco, Lee se junta ao clube de cineastas de origem oriental indicados ao Oscar. Este é o quarto filme do cineasta Filho de imigrantes coreanos e nascido na cidade de Denver no Colorado (EUA). O diretor em breve adaptará o live action do celebrado anime Your Name. Lee também concorre ao Oscar de roteiro original.
Thomas Vinterberg (Druk) Grata surpresa entre os indicados a melhor direção, o diretor dinamarquês já era conhecido por ser um dos fundadores do movimento Dogma95 (pelo qual dirigiu o primeiro longa do movimento, o elogiado Festa de Família/1998) e já chamou a atenção da Academia ao ver seu filme A Caça (2012) concorrer a melhor filme estrangeiro. Agora o mesmo se repete com a história dos amigos que flertam com a alegria proporcionada pelo álcool e as consequências disso. A lembrança no Oscar de direção é o reconhecimento de uma carreira que sofreu uma tragédia pessoal do cineasta: a morte da filha quando Druk começava a ser produzido. Está é a primeira indicação de Thomas ao Oscar.
A ESQUECIDA: Regina King (Uma Noite em Miami) Imaginei que a oscarizada atriz (melhor coadjuvante por Se a Rua Beale Falasse/2018) estaria no páreo pelo seu filme de estreia na direção. A versão para o cinema do encontro imaginário de Malcolm X, Jim Brown, Sam Cooke e Cassius Clay flui bem em sua transição para a tela, tem elegância, carisma e engajamento na medida certa. Porém, foi lembrado somente nas categorias de ator coadjuvante, roteiro adaptado e canção original. Outros que também poderiam estar na disputa são são Florian Zeller (Meu Pai), Darius Marder (O Som do Silêncio), além de Kelly Reichardt (First Cow) e Eliza Hittman (Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre) que assinaram ótimos filmes totalmente esquecidos no Oscar.
sexta-feira, 9 de abril de 2021
Indicados ao Oscar 2021: MELHOR ATRIZ
Andra Day (Estados Unidos Vs Billie Holliday) Tendo feito participações em curtas e clipes, este é o primeiro filme em que Andra Day tem destaque (na verdade seu papel anterior foi uma participação modesta em Marshall/2017). Este fato de ser praticamente uma estreante torna seu trabalho como a diva do blues ainda mais impressionante. Perseguida pelo FBI por uma música que denunciava o racismo, sua vida se tornou ainda mais problemática diante de sua vida pessoal atribulada. Pelo papel Andra já levou para casa o Globo de Ouro de atriz dramática e cravou seu nome na cobiçada quinta vaga da acirrada disputa deste ano.
Carey Mulligan (Bela Vingança) Há quem aponte que nesta reta final é Carey a favorita da categoria. Desde que foi indicada pela primeira vez na categoria por Educação (2010), Carey se tornou uma das atrizes mais presentes no cinema. Depois de vários trabalhos com diretores importantes, participações em filmes premiados, superproduções e longa independentes, a inglesa voltou ao radar da Academia por um trabalho diferente, preciso e complicado. Afinal na pele de Cassy ela encarna a vingança pela cultura de abusos às mulheres de uma sociedade patriarcal de forma inusitada. Tudo feito no tom provocativo certo com suspense, drama e um senso de humor bastante perigoso.
Frances McDormand (Nomadland) Ganhadora do Oscar por Fargo (1996) e Três Anúncios para um Crime (2017) ela pode se tornar a segunda atriz a levar para casa três Oscars de melhor atriz (Meryl Streep tem três, mas um é de coadjuvante). O curioso é que se ganhar, no discurso ela dirá que preferia que uma outra atriz fosse reconhecida (ela disse isso ao ganhar o segundo Oscar). Avessa ao mundo das celebridades, Frances tem outra atuação memorável como uma mulher sofrida que mora num carro e cruza os EUA atrás de serviços temporários. Frances também pode ser premiada como produtora, já que o filme é o favorito na categoria principal. Ela também já concorreu como coadjuvante por Mississipi em Chamas (1988), Quase Famosos (2000) e Terra Fria (2005). Esta é sua sexta indicação.
Vanessa Kirby (Pieces of a Woman) Famosa pelo seu trabalho nas duas primeiras temporadas de The Crown, a inglesa entrou para lista de candidatas ao Oscar assim que foi premiada no Festival de Veneza, por sua atuação irretocável da mulher que sofre uma verdadeira tragédia após um parto domiciliar mal sucedido. É a minha favorita da categoria (confesso que entre todas as candidatas, este é o trabalho que mais me emocionou). Embora tenha sido indicada a todas as premiações da temporada de ouro, Kirby não levou nada para casa (algo que pode mudar com o BAFTA e bagunçar ainda mais a disputa do Oscar nesta categoria). É a primeira indicação da atriz ao Oscar.
Viola Davis (A Voz Suprema do Blues) Outra cantora no Oscar deste ano é a primeira grande diva do blues: Ma Rainey. Trata-se de uma personagem difícil, mas que Viola faz com maestria ao abraçar as camadas mais difíceis da personagem. Ela confere à personagem um certo ar cansado de ter que se impor num mundo onde os fatos de ser mulher, negra e lésbica pesam muito contra para o reconhecimento que merece. Se hoje existe preconceito, imagine na década de 1920? Esta é a quarta indicação de Viola ao Oscar, o que a torna a afro-americana mais indicada da história! Sua primeira indicação foi como coadjuvante por Dúvida (2012), depois concorreu como atriz em Histórias Cruzadas (2011) e levou para casa o Oscar de atriz coadjuvante por Um Limite entre Nós (2016).
A ESQUECIDA: Kate Winslet (Ammonite) A lista de atrizes que esperavam aparecer no Oscar deste ano era extensa, entre elas Michelle Pfeiffer (French Exit), Zendaya (Malcolm & Marie), Amy Adams (Era Uma Vez um Sonho), mas entre uma premiação aqui e outra ali elas acabaram sendo lembradas nas indicações, porém... Kate Winslet foi completamente esnobada nesta temporada. Talvez seja pelas comparações que Ammonite recebeu com o recente Retrato de Uma Jovem em Chamas/2019, mas sequer o BAFTA se comoveu com a performance de uma caçadora de fósseis que se envolve com uma mulher mais jovem. Kate tem o Oscar de melhor atriz por O Leitor (2008) e outras seis indicações no currículo, mas se alguém foi realmente esquecida nesta temporada foi ela.
domingo, 4 de abril de 2021
INDICADOS AO OSCAR 2021: Melhor Ator
Anthony Hopkins (Meu Pai) O ator veterano é conhecido da Academia e do público faz tempo! Na pele de um senhor idoso que começa a confundir o mundo ao seu redor, Hopkins está perfeito e é um dos que podem fazer sombra ao favorito da categoria. Anthony já tem um Oscar na estante por seu antológico trabalho em O Silêncio dos Inocentes (1991), mas também já foi indicado a melhor ator por Vestígios do Dia (1993) e Nixon (1995), além de coadjuvante por Amistad (1997) e Dois Papas (2019). Esta é sua sexta indicação ao prêmio. Será que ele leva seu segundo Oscar para casa?
Chadwick Boseman (A Voz Suprema do Blues) O falecimento precoce do ator comoveu o mundo e elevou ainda mais o apelo de sua interpretação neste filme de George C. Wolfe. Chadwick encarna o instrumentista que vive uma grande tensão ao trabalhar com uma diva do blues. Enquanto aguarda para realizar uma famosa gravação em 1927, os fantasmas do passado começam a assombrar os envolvidos -incluindo o rapaz talentoso que pode colocar tudo a perder. Embora o filme tenha o maior jeito de teatro filmado, Chadwick já levou para os prêmios de melhor ator no Globo de Ouro e no Critic's e pode levar o SAG para casa na noite de hoje. Se levar, o Oscar é dele. Esta é sua primeira indicação ao Oscar.
Gary Oldman (MANK) diante da pouca empolgação em torno do filme de David Fincher, imaginaram que a indicação de Gary estava em risco, mas a Academia se rendeu mais uma vez ao encanto do ator. O inglês interpreta o roteirista Herman J. Mankiewicz, responsável pelo roteiro do clássico Cidadão Kane. Esta autoria rende polêmicas até hoje e o filme explora este fato com bastante ironia. Apesar de suas décadas de performances inesquecíveis, esta é a terceira indicação de Gary, a primeira foi com O Espião que Sabia Demais (2011) e a segunda foi com O Destino de Uma Nação (2017) que o fez levar sua estatueta para casa.
Steven Yeun (Minari) O ator que ficou conhecido por seu trabalho na série The Walking Dead faz história com esta indicação, ao se tornar o primeiro ator de origem oriental a concorrer ao Oscar de melhor ator. Nascido na Coreia do Sul e naturalizado americano, Steven pode não ser o favorito da categoria, mas seu trabalho como o pai que leva sua família, de origem coreana, para o interior dos Estados Unidos afim de se tornar um fazendeiro de sucesso é bastante comovente. A indicação promete ser uma guinada na carreira do rapaz, que chegou a ser lembrado em algumas premiações pelo sombrio Em Chamas (2018) em que faz um papel totalmente diferente.
Riz Ahmed (O Som do Silêncio) O ator está entre os favoritos da categoria. Riz interpreta o baterista de uma banda de heavy metal que perde a audição e inicia um processo bastante doloroso de aceitação de sua nova condição. Mais do que convincente, Riz conduz o espectador em uma narrativa imersiva que triunfa especialmente na última cena em que nos damos conta de como nos conectamos ao seu personagem. Indicado ao prêmio do Sindicato de atores, Globo de Ouro, Critics, BAFTA, o ator foi considerado o melhor do ano pelo Gotham Awards. Esta é a primeira indicação de Riz ao Oscar, o que o torna o primeiro muçulmano a concorrer na categoria.
O ESQUECIDO: Delroy Lindo (Destacamento Blood) Quando o filme de Spike Lee estreou na Netflix, Delroy foi logo anunciado como um dos nomes certos na categoria de melhor ator no Oscar2021. No entanto, o filme foi lançado muito antes da votações e outras atuações de peso começaram a receber mais destaque na temporada de ouro e... restou apenas a indignação a quem torcia por uma das atuações mais vigorosas do ano. Delroy nunca concorreu ao Oscar ou ao Globo de Ouro e sua marcante atuação como um homem convivendo com seus traumas merecia ter sido lembrada pela Academia. Será que a Academia irá lembrar desta mancada no futuro?
sexta-feira, 26 de março de 2021
INDICADOS AO OSCAR 2021: Atriz Coadjuvante
Amanda Seyfried (MANK) Faz um tempinho que a atriz de 35 anos se tornou conhecida em Hollywood e olhando seu currículo podemos ver os filmes em que tinha esperança de ser lembrada pela Academia - só lembrar de seus trabalhos em Lovelace (2013), Les Miserables (2012), Fé Corrompida (2018) - mas sua primeira indicação ao Oscar veio ao encarnar Marion Davis, a ex-atriz do cinema mudo que encontra dificuldades para se impor nos filmes falados - além de ser namorada do magnata William Randolph Hearst. Amanda está luminosa no papel e consegue ser o principal ponto de humanidade no filme em que o todo o perfeccionismo técnico de David Fincher quase engessa o resultado. Vale lembrar que Amanda foi minha coadjuvante favorita do ano passado.
Glenn Close (Era Uma Vez um Sonho) Ela já foi indicada outras sete vezes ao Oscar e perdeu até quando era a favorita - concorreu quatro vezes como atriz principal (Atração Fatal/1986, Ligações Perigosas/1988, Albert Nobbs/2010 e A Esposa/2018) e outras três vezes como coadjuvante (com sua estreia em O Mundo Segundo Garp/1981, O Reencontro/1982 e Um Homem Fora de Série/1984). Será que desta vez a diva leva sua estatueta para a casa? Se for reconhecida pelo papel da avó destemida neste filme muito criticado pelo exagero, a atriz fará história ao se tornar a única atriz a ganhar um Oscar por um papel que também rendeu uma indicação ao Framboesa de Ouro. Maldade...
Maria Bakalova (Borat: Fita de Cinema Seguinte) Será que o Oscar irá premiar uma atriz Búlgara? Nascida em 1986, a atriz estudou arte dramática na Escola Nacional de Artes de Burgas e começou sua carreira na televisão de sua terra natal. Depois de fazer curtas metragens e alguns filmes pouco conhecidos, ela foi escolhida para dar vida à filha do personagem de Sacha Baron Cohen na continuação do antológico filme de 2006. Responsável por algumas das cenas mais inacreditáveis desta comédia de absurdos calcada na realidade, Maria já foi indicada ao Globo de Ouro, ao BAFTA e ao SAG pelo papel e se tornou uma das grandes revelações da temporada. Ela pode até não ganhar, mas a torcida é grande! Esta é sua primeira indicação ao Oscar.
Olivia Colman (Meu Pai) Será que a ganhadora do Oscar de melhor atriz por A Favorita/2019 derrota Glenn Close de novo? Se da noite para o dia a inglesa se tornou uma das atrizes mais interessantes de Hollywood, ela prova que não foi afetada pela maldição do Oscar ao ser indicada novamente na categoria de atriz coadjuvante. Esta é a segunda indicação da atriz que vive a filha de um senhor que está com a memória cada vez mais comprometida. Entre cuidar dele e seguir a vida, Olivia está novamente bem em cena. Cinéfilos mais antenados já conhecem o talento da atriz que começou na comédia e desde o longa Tiranossauro (2011) provou ter dotes dramáticos invejáveis (que também podem ser vistos nas terceira e quarta temporadas da série The Crown).
Yuh-Jung Youn (Minari) a atriz coreana veterana, presente no cinema desde os anos 1970, já possui mais de cinquenta prêmios por sua carreira, mas faltava uma indicação ao Oscar para coroar sua suas décadas de trabalho. Aos setenta e três anos (sendo quase cinquenta atuando em filmes), Youn interpreta a adorável vovó que desconstrói um pouco a seriedade e a preocupação da família de imigrantes do filme. Seu trabalho leve e sensível rende os momentos mais ternos de um longa bastante emocional e singelo. O filme concorre em outras cinco categorias, mas de todas elas, esta é a que o filme tem mais chances de levar.
A ESQUECIDA: Jodie Foster (O Mauritano) Cogitava-se uma indicação para a veterana Ellen Burstyn (Pieces of a Woman) ou para Saoirse Ronan (Amonite), mas conforme as premiações foram chegando era o nome de Jodie Foster que se fortalecia. Pelo papel da obstinada advogada (neste filme com trama bem parecida com outros já assistidos recentemente), ela demonstra mais uma vez porque é tão respeitada. Ter Jodie nos créditos eleva a qualidade e o interesse por qualquer filme e pelo papel a atriz foi indicada (e ganhou) o Globo de Ouro de atriz coadjuvante, mas o Oscar não ligou muito para a grande estrela premiada duas vezes pela academia. Jodie foi premiada como melhor atriz pelo ainda atual Acusados/1988 e o clássico O Silêncio dos Inocentes/1991.A aé a categoria mais imprevisível da temporada.
quinta-feira, 18 de março de 2021
INDICADOS AO OSCAR 2021: Ator Coadjuvante
Daniel Kaluuya (Judas e o Messias Negro) O favorito da categoria vive o líder do movimento do Partidos dos Panteras Negras, Fred Hampton. Baseado em um personagem real, Daniel está bastante convincente, sabendo dosar o que o personagem tem de mais aguerrido e mais humano em um trabalho já premiado com o Globo de Ouro, o Critic's Choice Awards e indicado ao SAG. Vai ser difícil tirar o prêmio deste ator inglês de 32 anos já indicado anteriormente na categoria de melhor ator por Corra! (2017). O maior problema de Daniel é seu colega de elenco - que pode provocar divisão de votos entre os membros da Academia.
Lakeith Stansfield (Judas e o Messias Negro) O ator ficou no grupo das grandes surpresas do Oscar, longe de seu trabalho ser ruim, mas por ter sido sugerido como ator principal durante toda a temporada de prêmios e a Academia resolveu indica-lo como coadjuvante. Se ele e Daniel são coadjuvantes, quem é o ator principal? Pergunte para os votantes que nem ele é capaz de responder. Lakeith interpreta o Judas do título, ou melhor, Bill O'Neal que a mando do FBI se infiltra entre os Panteras Negras para destruir Fred Hampton e seu grupo. Indicado pela primeira vez ao Oscar, Lakeith faz um trabalho intimista e cheio de conflitos. Vale lembrar que Lakeith e Daniel já trabalharam juntos no oscarizado Corra!.
Leslie Odom Jr (Uma Noite em Miami) É interessante notar que entre os quatro personagens famosos do longa de Regina Kin, foi Sam Cooke que caiu nas graças dos prêmios. Cantor, compositor e empresário americano, Sam ficou conhecido como o Rei do Soul e sua vida geraria um filme solo bastante interessante (aos interessados tem um documentário sobre ele na Netflix). Leslie confere bastante carisma ao personagem que se destaca no encontro imaginário entre Cassius Klay, Malcolm X e Jim Brown para conversar um pouco sobre militância e representatividade em 1964. Cooke também está indicado ao prêmio de melhor canção original por "Speak Now". O elogiado filme ainda concorre a melhor roteiro adaptado.
Paul Raci (O Som do Silêncio) Entre tantos personagens reais, Paul Raci é o responsável pelo único personagem fictício da categoria. O ator está perfeito como o mentor do protagonista que perde a audição e precisa aprender a lidar com sua nova vida. O ator está tão convincente que eu imaginei que ele fosse surdo na vida real. A explicação para a desenvoltura da interpretação está no fato de Raci ser filho de pais surdos, o que o torna bastante fluente na Língua de Sinais Americana. Veterano da Guerra do Vietnã, Raci já participou de várias séries de televisão e tem uma banda de rock que toca covers do Black Sabath! Esta é sua primeira indicação ao Oscar.
Sacha Baron Cohen (Os Sete de Chicago) Pode parecer implicância, mas não consigo entender a presença do ator nas premiações pelo filme de Aaron Sorkin. Acho que por ele estar mais sério que de costume, as pessoas resolveram fazer este agrado. Sacha interpreta o ativista Abbie Hoffman, um anarquista co-fundador do Partido Internacional da Juventude e que se torna um dos sete réus do processo abordado durante o filme. Para quem já fez de tudo em comédia, Sacha tira de letra toda a ironia do personagem! Em 2007, Sacha concorreu ao Oscar pela primeira vez na categoria de roteiro adaptado pelo primeiro filme de Borat (2006) e este ano também concorre pelo roteiro adaptado de Borat: Fita de Cinema Seguinte. O que faz dele o mais indicado ao Oscar da lista.
O ESQUECIDO: Bill Murray (On The Rocks) Muita gente pensou que a nova parceria com Sofia Coppola (sua diretora em Encontros e Desencontros/2003 que lhe indicou pela primeira e única vez ao Oscar) colocaria o veterano novamente na mira da Academia, mas não foi bem assim. Ao viver o pai que desconfia que o esposo de sua filha a trai, Bill faz mais do mesmo no tipo de personagem que já acostumamos a vê-lo interpretar faz tempo. É verdade que a plateia curte, mas a Academia não curtiu muito não. Na reta final eram mais certas as indicações de Jared Leto (Pequenos Vestígios) e até do fofo Alan King (Minari).
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