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domingo, 22 de fevereiro de 2015

INDICADOS AO OSCAR 2015: Melhor Filme

Indicado em nove categorias (concorre ainda aos prêmios de direção, ator/Michael Keaton, ator coadjuvante/Edward Norton, atriz coadjuvante/Emma Stone, roteiro original, fotografia, mixagem de som e edição de som), o filme de Alejandro González Iñárritu ganhou fôlego de favorito na reta final do Oscar - e pode surpreender quem o achou estranho demais ao contar a saga do ator que deseja ser reconhecido pelo seu talento depois de anos esquecido. A tensão em espiral funciona do início ao fim num dos filmes mais criativos dos últimos anos. 

O filme de Richard Linklater é do tipo que assim que você escuta falar dele, imagina que ele iria estar entre os indicados ao Oscar da categoria, afinal o diretor acompanha o crescimento do seu personagem filmando seus atores por doze anos! Crescendo diante da tela, personagens e atores compõe uma narrativa sutil sobre a passagem do tempo. O longa também está no páreo de direção, atriz coadjuvante/Patrícia Arquette, ator coadjuvante/Ethan Hawke, roteiro original e edição num total de seis categorias. 

O risco de rachar os votos entre os dois candidatos anteriores faz com que o filme de Wes Anderson tenha chances concretas de ganhar na categoria. A história das desventuras do concierge de um luxuoso Hotel na Europa antes da II Guerra Mundial é conduzida com o tom peculiar do diretor numa atmosfera única de visual impressionante. Lançado em março nos EUA o filme continuou na memória do público, dos críticos e dos votantes do Oscar que lhe renderam nove indicações: filme, diretor, roteiro original, fotografia, edição, design de produção, figurino, maquiagem e trilha sonora). Só faltou a indicação de Ralph Fiennes para melhor ator!

O filme já foi considerado um dos favoritos ao Oscar depois que ganhou do prêmio no Festival de Toronto, mas perdeu fôlego na reta final. O filme conta a história do matemático Alan Turing, que decifrou o código de guerra nazista durante a Segunda Guerra Mundial (criando uma máquina que é considerada como o primeiro computador). O filme tem fortes chances nas categorias de roteiro adaptado e eu também não estranharia se Benedict Cumberbatch levasse a de melhor ator (num páreo acirrado com Michael Keaton e Eddie Redmayne). O filme ainda concorre nas categorias de direção (Morten Tyldum), atriz coadjuvante (Keira Knightley), edição, design de produção e trilha sonora. 

Apesar de considerarem o Oscar "mais branco" dos últimos anos, parte da história sobre a luta pelos direitos civis dos afro-americanos americanos se faz presente na cerimonia com o filme dirigido por Ava Duvernay. O filme sobre a luta de Martin Luther King e seus seguidores é retratada com cenas impactantes e dilemas que servem para destacar a importância do líder pacifista na história mundial - além de mostrar um pouco do homem por trás do mito. A marcha pelo voto entre as cidades de Selma e Montgomery em meio ao racismo latente do Alabama gerou um belo filme - que teve problemas sérios de distribuição e concorre só em duas categorias: Filme e canção original. 

A ala mais conservadora e patriótica da Academia deve votar no novo filme de Clint Eastwood que conta a história do atirador de elite do exército americano que, em suas ações no Oriente Médio, foi responsável por mais de duzentas mortes (o filme lhe atribui umas cento e vinte). O filme também aborda sua fama de "herói" e suas dificuldades em voltar a ter uma vida normal ao lado da família. O destaque fica com Bradley Cooper que desbancou atores mais cotados e cravou sua terceira indicação seguida ao Oscar. O filme ainda concorre ao prêmio de roteiro adaptado, edição, mixagem de som e edição de som. 

A vida do casal formado pelo cientista Stephen Hawking e a esposa Jane Hawking rendeu um filme belamente romanceado sobre a história de como eles conduziram a vida diante da doença degenerativa sofrida por ele (até que conflitos inevitáveis começaram a aparecer). O diretor James Marsh evita polêmicas e entrega um filme bem feito para cair no gosto das plateias. Além de concorrer na categoria principal, o longa ainda tornou Eddie Redmayne o favorito na categoria de ator. Felicity Jones também foi lembrada na categoria de melhor atriz e o filme também tem chances nas outras duas categorias a que concorre: roteiro adaptado e trilha sonora. 

Nem os mais otimistas imaginavam que o filme modesto (filmado em vinte dias) e sucesso em Sundance conseguiria tantos elogios e cinco indicações ao Oscar. A história sobre o tempestuoso relacionamento de um promissor baterista com seu mestre temperamental deve dar o prêmio de ator coadjuvante para o veterano J.K. Simmons (na pele de um dos maiores carrascos do cinema). O longa de Damien Chazelle ainda concorre nas categorias de roteiro, edição e mixagem de som - e há quem acredite que é o quarto mais possível ganhador da categoria (o que seria uma bela surpresa)!

OS ESQUECIDOS: 
O ANO MAIS VIOLENTO ficou totalmente fora do Oscar, ainda que colhesse elogios e estivesse presente na maioria das listas de melhores do ano. O visual que remete aos grandes filmes da década de 1970, direção precisa de J.C. Chandor e ótimas atuações de Oscar Isaac e Jessica Chastain não foram suficientes para o filme receber uma indicação sequer.  Por outro lado, FOXCATCHER é o candidato mais óbvio que ficou de fora da categoria, mas pelo menos concorre em outras cinco (direção, ator/Steve Carrell, ator coadjuvante/ Mark Ruffalo, roteiro original e maquiagem). Acho que ninguém reclamaria se os dois se juntassem à lista de indicados no total de dez candidatos que sempre fica desfalcada pelo novo critério de pontos adotado pela Academia. 

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

INDICADOS AO OSCAR 2015: Melhor Diretor

ALEJANDRO GONZÁLEZ IÑÁRRITU (Birdman)
Desde que estreou no cinema concorrendo ao Oscar de Filme Estrangeiro com o antológico Amores Brutos (2000) que o mexicano caiu nas graças da Academia - 21 Gramas (foi indicado a melhor ator, atriz e ator coadjuvante), Babel (total de sete indicações, duas para Alejandro como produtor e diretor), Biutiful (Melhor Filme Estrangeiro e ator para Javier Barden) -, mas é com o humor negro de estilo inigualável de Birdman (e seus bastidores vertiginosos da fama) que o cineasta está mais perto da estatueta, ou melhor, das estatuetas, já que Alejandro concorre como diretor, roteirista e produtor do filme. Com cinco indicações no currículo, é a segunda vez que concorre ao Oscar de direção. Favorito na categoria, a pergunta é se a Academia irá premiar um latino após a consagração de Alfonso Cuarón no ano passado por Gravidade.  


RICHARD LINKLATER (Boyhood)
Lidar com gravações esporádicas ao longo de doze anos para acompanhar o crescimento de seu protagonista é uma tarefa árdua - e isso deve pesar nos votos a favor de Linklater. Por registrar as mudanças sutis na vida de seus personagens ao longo dos anos (e controlar os ânimos de quem desanimava no caminho, caso de sua própria filha Lorelei Linklater), o ator recebeu sua primeira indicação ao Oscar de direção (ele também concorre como roteirista e produtor do longa). Nem parece, mas Richard já possui 54 anos e mantem seu estilo indie - que já concorreu ao Oscar como roteirista por Antes da Meia-Noite (2013) e Antes do Por-do-Sol (2004).

WES ANDERSON (O Grande Hotel Budapeste)
Com estilo bastante peculiar, Wes Anderson entrou no páreo de melhor direção pela primeira vez depois de concorrer como roterista (Os Excêntricos Tenenbaums/2001 e Moonrise Kingdon/2012) e melhor animação (O Fantástico Senhor Raposo/2009). Anderson conta a história de um concierge conquistador num hotel luxuoso na fictícia República de Zubrowka durante o período delicado entre guerras na Europa. É a primeira vez que seu cinema incorpora elementos mais violentos e sombrios. Lançado no início de 2014, sua vitória no Globo de Ouro renovou seu fôlego na memória dos votantes, parece que finalmente entenderam sua forma de pensar e fazer cinema!


BENNETT MILLER (Foxcatcher)
Miller é um querido da Academia, sua primeira indicação foi em sua estreia com Capote (2005), depois viu Moneyball (2011) ser indicado a seis Oscars e deixá-lo de fora do páreo de diretor. Com Foxcatcher o prêmio de melhor direção em Cannes deu força para quando já o consideravam fora da disputa. Ótimo diretor de atores, Miller conta a história da desastrosa ligação entre o milionário Jon DuPont com os irmãos lutadores Mark e Dave Schultz com toda a atmosfera desoladora que merece. Ainda que não tenha muitos fãs, Miller já pode ser considerado um dos cineastas mais respeitados dos EUA.  


MORTEN TYLDUM (O Jogo da Imitação)
Se a Academia sentir falta da maneira mais tradicional de fazer cinema, o ganhador deve ser o norueguês que tem a árdua tarefa de manter sóbrio um filme que poderia descambar facilmente para apelação. É a primeira vez que o diretor realiza um longa em inglês e a Academia reconheceu seu trabalho sobre o importante trabalho do matemático Alan Turing em  decifrar o código de comunicação nazista durante a Segunda Guerra Mundial (e sua perseguição por ser homossexual). O Jogo da Imitação está no páreo de outras oito categorias - e mesmo que não ganhe, Tyldum tem o passaporte para Hollywood garantido (já está produzindo Pattern Recognition baseado na obra de William Gibson)


A ESQUECIDA: Ava Duvernay (Selma)
Apesar de algumas imprecisões históricas (como a de vários outros filmes "baseado em história real" que estão no páreo desse ano), o trabalho bastante digno e envolvente de Ava Duvernay ao abordar uma figura tão adorada como Martin Luther King merecia ser reconhecido. A diretora dribla alguns cacoetes da indústria para lidar com figuras histórias ilustres e consegue fazer um filme sobre a luta pelos direitos civis sem perder a dimensão humana de seu maior protagonista. Não por acaso sua indicação era dada como certa. A não indicação fez a Academia perder a chance de fazer história: ela seria a primeira diretora americana negra indicada à categoria. 

domingo, 8 de fevereiro de 2015

INDICADOS AO OSCAR 2015: Melhor Ator

 MICHAEL KEATON (Birdman)
Ele andava sumido faz tempo, parecia estar aguardando que alguém lembrasse dele. Pois o ator responsável por viver o Batman  na década de 1990 voltou em grande estilo - e sua trajetória pessoal faz parte do encanto para o sucesso do filme de Alejandro Gonzalez Iñárritu. Keaton tem sua primeira indicação ao Oscar na pele do ator que busca o talento reconhecido com uma peça em que aposta suas últimas fichas de prestígio. Keaton está excepcional. Com ele em cena você nunca sabe se ele é um ator querendo ser reconhecido, ou se é um homem com super poderes que recusa-se a ser herói. Simplesmente genial. 

  EDDIE REDMAYNE (A Teoria de Tudo)
Aos 33 anos, a atuação de Redmayne ganhou força aos poucos na temporada de prêmios - desbancando os até então favoritos à categoria. Eddie vive o famoso cientista Stephen Hawking, que teve que aprender a lidar com uma rara doença degenerativa enquanto começava sua carreira acadêmica e o relacionamento com sua namorada, Jane. A tarefa do ator foi das mais difíceis ao viver cada passo da evolução da doença no organismo. É a primeira indicação ao Oscar de um ator que eu conheci (e detestei) em Pecados Inocentes (2007), mas que redimiu-se em Sete Dias com Marilyn (2011) e Os Miseráveis (2012). 

 BENEDICT CUMBERBATCH (O Jogo da Imitação)

Muita gente considerava que seria uma barbada para Cumberbatch a categoria de melhor ator, mas conforme os filmes foram estreando, perceberam que era a temporada mais acirrada da categoria em anos. Na pele do matemático Allan Turing, que durante a Segunda Guerra Mundial, teve a árdua tarefa de decifrar a máquina Enigma utilizada pelos nazistas (além de esconder a homossexualidade numa época que era considerado crime),  Benedict está excelente! Ainda que não leve a estatueta para casa, novas oportunidades devem aparecer em breve. É a primeira indicação do ator inglês, que já participou de vários filmes que caíram na mira do Oscar como Desejo e Reparação (2007) e 12 Anos de Escravidão (2013)! 

STEVE CARRELL (Foxcatcher)

Quem diria que o personagem mais esquisito no páreo seria vivido pelo comediante Steve Carrell? Depois de ser elogiado em Cannes e indicado ao Globo de Ouro, Carrell recuperou o fôlego no final da temporada como o excêntrico milionário, amante de luta-livre, Jon DuPont. Seria maldade diminuir sua atuação à maquiagem utilizada, já que o trabalho vocal e de corpo do ator impressiona por sua contenção. Desde a primeira cena percebemos que existe algo fora do lugar no mundo do personagem - e a história real contada no filme só retrata bem isso. Famoso por comédias como O Virgem de 40 Anos (2005), Uma Noite Fora de Série (2010) e Amor à Toda Prova (2011), o ator conseguiu sua primeira indicação ao Oscar por um papel bem diferente. 

BRADLEY COOPER (Sniper Americano)
O único no páreo já indicado anteriormente é Cooper. Ele interpreta o atirador do exército americano Chris Kyle, responsável por mais de uma centena de execuções. O filme é baseado nas memórias do personagem, seus dilemas, seu relacionamento com a família e sua tentativa de conciliar a tensão da guerra com a vida domiciliar. Cooper foi indicado ao prêmio anteriormente por suas cômicas atuações em O Lado Bom da Vida (2012) e Trapaça (2013), mas aqui apresenta seu personagem mais dramático, sendo um caso raro de ator indicado três anos seguidos pela Academia (ou seja, se sua primeira indicação gerou estranhamento, agora isso é passado). 

O ESQUECIDO: JAKE GYLLENHAAL (O Abutre)

Houve um tempo em que Jake era uma séria ameaça aos atores que quisessem ser indicados ao Oscar 2015 por sua atuação como o cameraman freelancer caçador de desgraças noturnas que alimentam um jornal sensacionalista. O ator foi indicado ao Globo de Ouro e suas chances pareciam concretas junto à Academia... mas ele ficou de fora dos indicados. A explicação talvez esteja no mórbido emagrecimento para viver o personagem Lou Bloom (ele perdeu 13 quilos). Depois de Matthew McConaughey e Jared Leto esqueléticos na cerimonia do ano passado por Clube de Compras Dallas, a cota de tranformações físicas do ano ficou com Steve Carrell e só (né Jennifer Aniston?). Jake já foi indicado ao Oscar de coadjuvante  por Brokeback Mountain (2005) - e com seu gosto atual por personagens estranhos deverá ser indicado nos próximos anos. 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

INDICADOS AO OSCAR 2015: Melhor Atriz

JULIANNE MOORE (Alice Para Sempre)
Pelo papel da professora especialista em linguística que sofre de Alzheimer precoce, Julianne tornou-se a favorita. Ela já levou para a casa o Globo de Ouro de atriz dramática e o prêmio do Sindicato dos Atores na mesma categoria (além de outros prêmios) pelo papel. Faz tempo que Julianne merece um Oscar, seu talento já foi reconhecido pela Academia em outras quatro ocasiões, afinal ela já concorreu quatro vezes: melhor atriz por Longe do Paraíso/2002 e Fim de Caso/1999  e Atriz Coadjuvante por Boogie Nights/1997 e As Horas/2002, em todas as vezes poderia ter ganho, mas somente agora é considerada imbatível. Aos 54 anos, se ganhar, será uma das poucas atrizes a ganhar todos os principais prêmios do cinema (Cannes, Veneza, Berlim, Globo de Ouro e Oscar) ao longo da carreira.

FELICITY JONES (A Teoria de Tudo)
Faz tempo que essa Felicity fica na mira das indicações e acaba de fora. Houve especulações de indicações por A Tempestade/2010 , Loucamente Apaixonados/2011 e O Nosso Segredo/2013 mas foi como a devotada esposa do físico Stephen Hawking que a Academia lhe conferiu a primeira indicação. Ela transborda emoção na pele de Jane Hawking e o desafio de lidar com a doença degenerativa do esposo - considerado um dos homens mais inteligentes do mundo. Atuando desde os treze anos, Felicity é uma de minhas atrizes favoritas (e com o prestígio alcançado com o filme deve ter seu número de admiradores  aumentado consideravelmente).

REESE WITHERSPOON (Livre)
Baseado na autobiografia de Cheryl Strayed, o filme do canadense Jean Marc-Vallé mostra a jornada de uma mulher em busca de superar seus fantasmas numa trilha de mil milhas pela costa do Oceano Pacífico. A jornada também ajudou Reese Witherspoon a encontrar sua redenção no cinema independente, com qual flertava nos últimos anos depois de servir apenas de chamariz em filmes que nem ligavam se ela tinha um Oscar de atriz por Johny & June/2005. Pela personagem que lida com o divórcio, tenta superar o vício em heroína e a morte da mãe, a atriz entrou no radar da Academia mais uma vez por um papel dramático. 

ROSAMUND PIKE (Garota Exemplar)
Apesar do filme ser um dos mais falados do ano, a Academia considera que a melhor coisa nele é a interpretação da atriz como a multifacetada esposa desaparecida do filme de David Fincher. Na obra, em que nada é o que parece, Rosamund está excepcional na pele de uma personagem complicada. Curiosamente, quase que Reese Witherspoon (que tinha comprado o direito autoral para adaptar o best seller) ficou com o papel, mas Fincher conseguiu convencê-la de que não era adequada para o papel. É a primeira vez que a atriz inglesa concorre ao Oscar, antes seu papel mais conhecido era como a doce Jane de Orgulho e Preconceito/2005. 

MARION COTILLARD (Dois Dias, Uma Noite)
 A academia gostou mesmo dela no papel da mulher que precisa convencer seus colegas operários de que eles devem votar pela sua permanência na fábrica (e abrir mão de um gordo bônus salarial). Ótima em cena, Cotillard tem um Oscar na estante por Piaf (2007), onde interpretou a diva francesa Edith Piaf - e desde então mostrou-se versátil em blockbusters (A Origem/2010 e Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge/2012 ), produções que miram o Oscar (Nine/2009 , Meia-Noite em Paris/2011, Era Uma Vez em Nova York/2014) além de produções estrangeiras (Ferrugem e Osso/2012). Vale lembrar que Marion é a única atriz estrangeira a ganhar um Oscar de atriz em língua não inglesa. 
  
A ESQUECIDA: Jennifer Aniston (Cake)
Sei que para muitos é difícil acreditar, mas Aniston foi uma das ausências mais sentidas nas indicações desse ano. No filme ela interpreta uma mulher traumatizada e depressiva, dependente de remédios e de grupos de autoajuda (e ainda torna-se obcecada por uma conhecida que se suicidou). O filme de Daniel Barnz rendeu elogios à atriz desde que foi exibido no Festival de Toronto, mas desde o início o produtor inexperiente comprometeu a repercussão do filme no período de votação. Pelo papel, Aniston concorreu a vários prêmios, entre eles o Globo de Ouro de atriz dramática e o Prêmio do Sindicato. Jennifer também foi quase indicada ao Oscar por sua atuação em Por um Sentido na Vida (2002). 

domingo, 25 de janeiro de 2015

INDICADOS AO AO OSCAR 2015: Ator Coadjuvante

J.K. SIMMONS (Whiplash)
O papel do professor carrasco que tortura psicologicamente seus alunos no filme de Damien Chazelle, colocou esse veterano na posição de favorito da categoria. J.K. já foi coadjuvante em vários filmes (dos primeiros filmes do Homem Aranha/2002 às obras de Jason Reitman), sendo considerado um daqueles atores em que você sempre lembra do rosto mas nunca sabe de onde. Se você lembra do ator como o pai compreensivo de Juno (2007), dificilmente verá semelhança na fúria que emana de sua atuação -que já lhe rendeu o Globo de Ouro de coadjuvante. Simmons está arrepiante no papel e merece o reconhecimento, ainda que tardio, aos 60 anos completados recentemente.

ETHAN HAWKE (Boyhood)
Na pele do pai que ainda não percebeu que envelheceu enquanto seu casamento desmoronava - e restou-lhe ver os filhos de vez em quando - o ator se submeteu aos doze anos de envelhecimento registrados pela câmera de Richard Linklater (e isso ajuda a entender um pouco mais sobre sua indicação pela interpretação naturalista). Hawke era considerado um dos atores mais promissores de sua geração quando estreou ainda menino em Viagem ao Mundo dos Sonhos (1985), embora fosse sempre ofuscado pelo colega River Phoenix (1970-1993). Ethan já foi indicado antes ao Oscar de coadjuvante por sua ótima performance em Dia de Treinamento (2001) e pelos roteiros de Antes da Meia-Noite (2014) e Antes do Pôr-do-Sol (2004). 

MARK RUFFALO (Foxcatcher)
Pela interpretação medalhista olímpico de luta livre David Schultz o ator foi indicado pela segunda vez ao prêmio de melhor ator coadjuvante (a primeira foi pela dramédia Minhas Mães e Meu Pai/2010). David foi um dos atletas mais famosos dos EUA e tornou-se treinador, sendo convidado para trabalhar na equipe do milionário John Du Pont (interpretado por Steve Carrell) ao lado do irmão Mark Schultz (vivido por Channing Tatum). Ruffalo tem sido elogiado por sua performance de pessoa normal num filme marcado pelas excentricidades de Du Pont (o que culmina em uma tragédia na vida do personagem).


EDWARD NORTON (Birdman)
O jovem ator mais elogiado da década de 1990 já obteve duas indicações ao Oscar (ator coadjuvante por As Duas Faces de um Crime/1996 a melhor ator em A Outra História Americana/1998 e poderia ter conseguido outra por Clube da Luta/1999), mas andava esquecido durante o século XXI - incluindo a encrencada encarnação do herói da Marvel em O Incrível Hulk/2008. As coisas parecem ter mudado depois que entrou para a patota de Wes Anderson em Moonrise Kingdom/2012. Pelo papel do ator que contracena com o veterano que pretende reerguer a carreira numa peça da Broadway (o protagonista vivido por Michael Keaton), Norton voltou ao radar do Oscar em grande estilo.


ROBERT DUVALL (O Juiz)
Há quem considere a indicação do veterano uma das mais preguiçosas da Academia em 2015, afinal o ator faz mais do mesmo (o que não é ruim) no filme armado para oscarizar outro Robert (o Downey Jr). Duvall interpreta o juiz da velha guarda que é acusado de assassinato e conta com a ajuda do filho (Robert Downey Jr.) para provar sua inocência. O drama familiar no tribunal rendeu a Duvall sua sétima indicação ao Oscar, lembrando que ele foi premiado em 1984 como melhor ator em A Força do Carinho (1983). Em seu currículo ainda estão as indicações como coadjuvante nos clássicos O Poderoso Chefão (1972) e Apocalipse Now (1979). Duvall é o único no páreo com uma estatueta na estante.

O ESQUECIDO: Michael Fassbender (Frank)
Eu estava prestes a colocar Josh Brolin por sua atuação em Vício Inerente, mas eu descobri que Frank já entrou em cartaz nos EUA (em meia dúzia de salas em agosto) e ficou de fora do Oscar! Como assim?! Fiquei realmente surpreso, já que a atuação de Fassbender como o músico excêntrico que se esconde atrás de uma cabeça de papel machê é uma das coisas mais inesquecíveis que vi no cinema em 2014 (o filme foi exibido no Festival do Rio mas entra em cartaz no Brasil em março). A interpretação física de Fassbender é magistral - e conta com a cena final mais arrasadora dos últimos tempos. Michael foi lembrado no Oscar como coadjuvante ano passado por 12 Anos de Escravidão - e, se o humor de Frank não fosse tão estranho, teria chances outra vez. 

domingo, 18 de janeiro de 2015

INDICADOS AO OSCAR 2015: Atriz Coadjuvante

PATRICIA ARQUETTE (Boyhood)
Ela andava esquecida no cinema, mas o papel maternal do filme de Richard Linklater colocou um dos nomes mais promissores de Hollywood na década de 1990 novamente no mapa. Por criar um personagem extremamente emocional de carne e osso, sem medo de envelhecer diante da câmera (que a acompanhou por 12 anos!), Patricia tornou-se a favorita da categoria durante a temporada. Pelo papel já levou para a casa o Globo de Ouro e, se ganhar novamente no dia 22 de fevereiro, a filha de uma família de atores será a primeira do clã a ser oscarizada. Essa é a primeira indicação da loura ao prêmio. 

EMMA STONE (Birdman)
Aos vinte e seis anos, Emma é a mais jovem atriz no páreo da categoria desse ano. Na pele da filha do ex-astro de filmes de ação (e que tenta fazê-lo cair na real depois de anos de decadência), Emma obteve muitos elogios na temporada. Também indicada ao Globo de Ouro, a indicação prova que a garota já é levada a sério em Hollywood e celebra um ano em que trabalhou com Woody Allen (Magia ao Luar) e no sucesso O Espetacular Homem Aranha 2. Um ano de muito trabalho e versatilidade que é coroado com sua primeira indicação ao Oscar (acredito que virão outras em breve). 

MERYL STREEP (Caminhos da Floresta)
Há quem diga que entrega do Oscar sem Meryl Streep não tem graça. A recordista de indicações ao prêmio da Academia, acabou de conquistar sua 19ª indicação!!! A atriz vive a bruxa que desencadeia toda a ação nessa adaptação do famoso musical da Broadway. Fazia tempo que Meryl era convidada para encarnar um papel de bruxa - e quando ela finalmente aceitou o Oscar não poderia ignorar! Meryl já foi premiada na categoria em 1980 com Kramer Vs. Kramer e duas vezes na categoria de Atriz (com A Escolha de Sofia/1982 e A Dama de Ferro/2012). Entre as concorrentes é a única premiada anteriormente.

KEIRA KNIGHTLEY (O Jogo da Imitação)
Prestes a completar 30 anos, a inglesa conseguiu finalmente mais uma indicação ao Oscar (ela tentava isso há tempos), a primeira foi com Orgulho e Preconceito (2005) na categoria de Melhor Atriz. Keira interpreta Joan Clarke, a matemática que trabalhou com Alan Turing e acabou se envolvendo amorosamente com ele (o que ajudava muito para ele manter a homossexualidade em segredo). Keira está longe de ser a favorita na categoria, mas não deve estar se importando com isso, já que os elogios por sua performance foram grandes. 

LAURA DERN (Livre)
Maior surpresa na categoria, a atriz não é lembrada pela Academia desde As Noites de Rose (1991). Estrela favorita de David Lynch, Dern voltou aos holofotes ano passado quando acompanhou o pai (Bruce Dern) na cerimonia em que estava indicado pelo filme Nebraska de Alexander Payne. A participação como a mãe zelosa de A Culpa É das Estrelas também ajudou a lembrar que essa talentosa atriz andava esquecida injustamente. Em Livre ela vive a mãe da personagem que resolve fazer uma caminhada que é quase uma peregrinação no filme de Jean Marc-Vallé. Com a indicação espero ver Laura mais vezes na telona. 

A ESQUECIDA: Jessica Chastain (O Ano Mais Violento)
Sempre lembrada como uma das atrizes mais cobiçadas da atualidade, a indicação de Chastain era dada como certa por esse elogiado filme de J.C. Chandor. A indicação ao Globo de Ouro pela performance como Anna Moralles, que ao lado do esposo, fará tudo para manter os negócios da família no violento ano de 1981 em Nova York. Talvez o jeitão de filme da década de 1970 tenha afugentado os eleitores, mas a performance de Jessica ainda a deixa no mapa hollywoodiano por muito tempo. A atriz já foi indicada ao Oscar de atriz por A Hora Mais Escura (2012) e coadjuvante por Histórias Cruzadas (2011).