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| David: antes de Dewey. |
sábado, 4 de julho de 2026
CATÁLOGO: Johns
quinta-feira, 30 de abril de 2026
PL►Y: Kill Bill - Volume I e II
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| Uma: a Mamba Negra. |
domingo, 27 de julho de 2025
CATÁLOGO: Meu Querido Companheiro
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| David e seus amigos: o fantasma da AIDS nos anos 1980. |
Meu Querido Companheiro de Norman René entrou para a história do cinema como o primeiro filme de Hollywood a tratar a propagação da AIDS. Lançado em 1989, o filme trazia para as telonas um tema bastante atual, além de difícil e bastante espinhoso de ser trabalhado. Assistido nos dias atuais, percebe-se que apesar do ritmo arrastado e do tom novelesco, o filme até que envelheceu bem na forma como lida com o tema. O maior trunfo do filme é driblar os estigmas que ainda eram bastante presentes na época, chegando até mesmo a citá-los mas de forma que ainda hoje conseguimos ver como uma crítica ao olhar limitado que o período possuía com relação à doença e sua proliferação entre homossexuais. A narrativa inicia em 1981, quando começam as primeiras notícias em torno da estranha doença que afeta o sistema imunológico de suas vítimas. No centro da trama está um grupo de amigos gays que precisará lidar com aquela ameaça desconhecida, com as perdas que se seguirão no grupo e os preconceitos gerados por ela. O roteiro de Craig Lucas estrutura a história com passagens de tempo que atravessam a década de 1980, revelando os rumos que as vidas dos amigos com o HIV pairando sobre eles. O mais interessante é que o roteiro consegue construir identidades para seus personagens para além do fato de serem homossexuais (algo que até hoje é uma dificuldade em produções de estúdio), eles possuem suas vidas estruturadas, profissões, relacionamentos que perduram, terminam e recomeçam. Além disso, consegue retratar o temor de perceber que um amigo está emagrecendo demais ou a ameaça de uma mancha que aparece na pele, além de marcas bastante comuns sobre o período em que sabiam pouca coisa sobre a doença, o que tornava o uso de objetos um cumprimentos algo visto como "perigoso" entre membros da comunidade, afinal, ainda era um mistério a forma omo a doença era transmitida. Obviamente que por ser feito nos anos 1980, a maioria do elenco é formada por atores héteros, rendendo até uma indicação ao Oscar de ator coadjuvante para Bruce Davison na pele de David, que terá que lidar com a doença de seu parceiro. O longa também recebeu o prêmio do Júri no Festival de Sundance e ainda é visto como uma das obras mais importantes de seu período de lançamento. A temática do filme já foi explorada outras vezes, seja na estupenda minissérie Angels in America (2003) ou em filmes como E a Vida Continua (1993) e The Normal Heart (2014). Uma curiosidade é que o filme independente Buddies (1985) recebeu menos projeção em sua época de lançamento, mas oferece uma visão bem mais sombria sobre o período do que a oferecida em Meu Querido Companheiro, que peca um pouco pela forma um tanto formal com que lida com o drama dos personagens.
Meu Querido Companheiro (Longtime Companion / EUA - 1989) de Norman René com Bruce Davison, Campbell Scott, Dermot Mulroney, Mary Louise Parker, Patrick Cassidy, John Dossett e Michael Schoeffling. ☻☻☻
sábado, 26 de julho de 2025
CATÁLOGO: Aquário
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| Katie e Michael: desconforto em forma de filme. |
Mia (Katie Jarvis) mora com a mãe, Joanne (Kierston Wareing) e a irmã caçula, Tyler (Rebecca Griffiths) no subúrbio e passa a maior parte do tempo se metendo em encrencas com os moradores locais. Na primeiras cenas fica evidente que Mia não tem muito o que fazer para passar o tempo, ao mesmo tempo fica claro que ela não tem alguém que preste muita atenção no que ela está fazendo. Depois dos momentos iniciais em que a história ainda parece não ter sido encontrada, a adolescente conhece o novo namorado de sua mãe: Connor (Michael Fassbender). Connor começa a ser figura sempre presente na casa e se aproxima cada vez mais de Mia, por vezes tendo atitudes que fazem a plateia começar a duvidar de suas boas intenções junto daquela família. Carente por atenção, Mia deixa que Connor preencha cada vez mais as lacunas deixadas em sua vida emocional sem perceber o quanto ele pode se aproveitar de toda aquela situação de vulnerabilidade em que se encontra. Aquário (na verdade o Fish Tank do título original) faz alusão à uma das cenas que demonstra mais sobre a personalidade de Connor do que se imagina, já que ele ensina Mia a pegar um peixe com as mãos ao perceber exatamente a hora certa de agarrá-lo. Este é o segundo longa-metragem de Andrea Arnold e se tornou a obra mais marcante de sua carreira. A diretora inglesa que ganhou um Oscar pelo seu curta-metragem Wasp (2004) e gosta de voltar sua câmera para personagens em situações sociais complicadas, o que geralmente se molda muito bem ao seu estilo áspero de direção. Arnold filma como se fizesse um documentário sobre a vida de seus personagens, o que imprime bastante realismo e uma certa angústia em suas narrativas. Confesso que tenho dificuldades para lidar com sua forma de fazer cinema, mas sempre tive curiosidade em assistir Aquário por conta das críticas positivas que sempre ouvi em torno dele. Considero que este seja seu melhor trabalho, já que após o início um tanto caótico, o filme se concentra cada vez mais em uma dinâmica perigosa entre Mia e Connor, dois personagens plenamente valorizados por seus intérpretes desconhecidos até então. Difícil acreditar que este foi o primeiro trabalho de Katie Jarvis como atriz devido a profundidade que apresenta, especialmente na última e desoladora parte do filme. Já Michael Fassbender estava prestes a se tornar mundialmente reconhecido após sua participação em Bastardos Inglórios de Quentin Tarantino no mesmo ano. Aqui ele utiliza seu charme e talento habitual para construir um personagem execrável e tornar o filme ainda mais desconfortável para o espectador. Dolorido de assistir, o filme se desenvolve de forma hipnótica até que o drama ganha tons de suspense perto do desfecho. Aquário foi recentemente lembrado na lista do New York Times sobre os 100 melhores filmes do século XXI e merece ser descoberto.
Aquário (Fish Tank / Reino Unido - 2009) de Andrea Arnold com Katie Jarvis, Michael Fassbender, Kierston Wareing, Rebecca Griffiths, Harry Treadaway e Jason Maza. ☻☻☻☻
sábado, 12 de julho de 2025
CATÁLOGO: Twin Peaks - Os Últimos Dias de Laura Palmer
| Shreryl e Kyle: os primórdios de Twin Peaks. |
Faz tempo que assisti Fire Walk With Me, ou como ficou conhecido no Brasil: Os Últimos Dias de Laura Palmer. Este é o sexto longa-metragem de David Lynch, lançado no ano seguinte após o cancelamento da cultuada série de televisão Twin Peaks (1989-1991), programa que revolucionou as minisséries televisivas ao inserir uma linguagem mais cinematográfica à uma estrutura novelesca temperada com mistério e surrealismo. A série (que está disponível na MUBI atualmente) marcou época e costuma ser mais lembrada pela sua era de ouro do que a pataquada de esquisitices que se tornou quando Lynch se afastou na produção para se dedicar à Coração Selvagem (1990), seu quinto longa e ganhador da Palma de Ouro em Cannes. Bastou Lynch se afastar para o programa se perder em um monte de bobagens sem sentido e jogar no lixo o seu principal fio condutor: quem matou Laura Palmer? Lynch até tentou salvar o programa nos últimos episódios, mas o martelo já estava batido e a série foi cancelada, até retornar em 2017 com mais dezoito episódios - que embora não tenha alcançado o apelo da série original, o resgate fez a glória dos fãs de Lynch. O título deste filme no Brasil rendeu uma grande decepção aos fãs da série, já que não explica detalhadamente o que houve com Laura Palmer (Sheryl Lee), mas quem é fã de Lynch já tinha entendido muito bem ao final da série o que tinha acontecido com a cobiçada jovem loura da pacata cidade que dá título à série. A série já deixava claro que debaixo de toda a paz da cidadezinha, havia algo de sórdido escondido entre seus habitantes e Laura, tinha uma vida secreta com parceiros sexuais variados, visita a inferninhos, investimento em fetiches e... todo este apetite pela autodestruição parece motivada por conta dos abusos vividos por Laura em sua própria casa. A situação de abuso parece relacionada à morte de outra personagem, Teresa Banks (Pamela Gidley), a amante de Leland Palmer (Ray Wise), o pai de Laura. Quando o filme começa, tudo gira em torno da morte de Teresa e a investigação realizada pelo agente Chester Desmond (Chris Isaak) e seu parceiro Sam Stanley (Kiefer Sutherland) e, logicamente, que Lynch não seguiria uma trama de investigação convencional, mudando o rumo antes da primeira hora de filme. Lynch reproduz aqui a atmosfera da série, com sua cadência lenta e contemplativa, seguindo Laura em seus encontros amorosos e situações de crise ao ser assombrada por Bob (Dana Ashbrook), um personagem misterioso que somente ela é capaz de ver. A maioria dos personagens importantes da série aparecem pouco e chama atenção a substituição de Lara Flynn Boyle por Moira Kelly no papel de Donna (dizem que a atriz já estava de saco cheio de lidar com sua personagem da série e queria novos rumos na carreira), a melhor amiga de Laura. Lynch recria a atmosfera da série e faz um ótimo contraste do tom de novela com a sordidez dos personagens e seus habituais momentos em que parece divagar em outra dimensão que está mais relacionada com os níveis de consciência do que com o multiverso. Twin Peaks - Os Últimos Dias de Laura Palmer não acrescenta muito ao universo da série (que rendeu várias outras produções e até um game para os fãs), mas ressalta que sobre aquele crime, Lynch não tinha mais muita coisa a dizer.
Twin Peaks: Os Últimos Dias de Laura Palmer (Twin Peaks: Fire Walk with Me / EUA - 1992) de David Lynch com Sheryl Lee, Ray Wise, Chris Isaak, Kiefer Shutherland, Kyle MacLachlan, Moira Kelly, David Bowie, Mädchen Amick, Pamela Gidley, Heather Graham, Peggy Lipton, James Marshall, Eric DaRe e David Lynch. ☻☻
sábado, 24 de maio de 2025
PL►Y: A Cura
Muitos consideram o cineasta Kiyoshi Kurosawa um mestre do terror japonês. Dirigindo desde a década de 1970, ele acumula vários títulos que são dignos de culto pelos fãs. Um deles é este intrigante A Cura, que foi lançado em uma época em que os serial killers cinematográficos estavam em alta em produções de Hollywood - e se David Fincher soube fazer a diferença com Se7en (1995), dois anos depois, Kurosawa (que não tem nenhum parentesco com o Akira Kurosawa) também soube deixar a plateia hipnotizada com o suspense de sua trama. O filme conta a busca do detetive Kenichi Takabe (Kôji Yakusho) pela relação que existe entre uma série de crimes cometidos por pessoas diferentes em circunstâncias semelhantes. No entanto, alguns elementos demonstram que os crimes possam ter uma relação entre si. Seus autores eram pessoas inofensivas que, subitamente, sem maiores explicações, assassinaram pessoas próximas. O interessante é que a trama conta esta história de uma forma diferente, ao invés de manter o foco somente no detetive, a narrativa parece um tanto dispersa no início, apresentando vários personagens e, aos poucos, nos damos conta do painel traçado como se fosse um mapa das pistas que levarão até o provável responsável pelas atrocidades. Quando ele aparece (um ótimo trabalho de Masato Hagiwara), esquecido, perdido, sem identidade, somos incapazes de dizer do que aquele jovem é capaz de fazer - mas não demora para que possamos perceber o quanto aquela figura difusa é ameaçadora. Em determinados momentos o detetive parece até mais ameaçador do que o rapaz de fala macia e conversas enigmáticas. Colocando o vilão emaranhado na mente de seus "cúmplices", o filme assume riscos que o torna ainda mais estimulante e surpreendente, deixando os caminhos do detetive tão imprevisíveis quanto os crimes cometidos. Não por acaso, o final lembraria o filme de Davi Fincher se o roteiro não se esticasse mais um pouco e apresentasse que ameaça pode estar em qualquer lugar. Vendo o filme lembrei de uma conversa sobre Longlegs/2024 em que dois alunos (que curtem muito cinema) me recomendaram este filme que não estava disponível em streaming algum (agora está fresquinho no Filmicca). Kiyoshi Kurosawa faz um filme seco e até elegante perante a atmosfera psicológica que emana desde os momentos iniciais.
A Cura (Cure/Kyua - Japão/1997) de Kiyoshi Kurosawa com Kôji Yakusho, Masato Hagiwara, Tsuyoshi Ujiki, Anna Nakagawa, Yoriko Dōguchi, Yukijirō Hotaru e Ren Osugi. ☻☻☻☻
sexta-feira, 21 de março de 2025
CATÁLOGO: Encaixotando Helena
Não estava nos meus planos escrever sobre este clássico das locadoras dos anos 1990, mas como planejei fazer uma retrospectiva de David Lynch ao longo do ano, achei que seria de bom tom comentar o filme de estreia de sua herdeira, a cineasta Jennifer Lynch. Jennifer atualmente trabalha de forma recorrente dirigindo episódios de séries de TV (como American Horror Story, Ratched e Capote Vs The Swans) e demonstrava desde o início um gosto e estilo bastante peculiares para contar histórias (que logo disseram ser influência do pai). Seu primeiro longa metragem chamou atenção antes mesmo de estrear por conta da desistência da estrela Kim Basinger em protagonizar o filme, foi alegada uma quebra de contrato que gerou um processo milionário. Vale a pena lembrar que o filme foi concebido em meio aos anos 1990 e com todo o sucesso de Instinto Selvagem/1992 (que Kim também rejeitou o papel que acabou ficando com Sharon Stone), todo mundo estava atrás de um thriller erótico para chamar de seu (até Madonna cometeu Corpo em Evidência/1993 no mesmo ano deste aqui e teria interpretado Helena se não tivesse Evita nos planos). Foi o período em que o puritanismo de Hollywood cedeu espaço ao erotismo em nome de bilheterias robustas, mas ao invés disso, muitos fracassos se seguiram (incluindo o filme seguinte de Sharon Stone, Invasão de Privacidade também de 1993 - um ano agitadíssimo como se percebe). Eis que Jennifer Lynch, com todo o peso de seu sobrenome, consegue tirar do papel seu roteiro (escrito ao lado de Phellipe Calland) sobre uma paixão obsessiva que motiva ações bizarras. Quando o filme começou a ser exibido a crítica o massacrou (e houve até aquele famoso comentário de que os nove milhões que Kim precisou pagar para sair do filme valeu cada centavo). A maioria das críticas se deve à audácia da diretora estreante de 24 anos contar uma história tão abusiva com um verniz tão sensual. A trama conta a história de Nick (Julian Sands), um médico cirurgião obcecado por Helena (Sherilyn Fenn), uma mulher com quem manteve um relacionamento no passado. Só que Helena seguiu em frente e já possui até outro namorado (Bill Paxton), mas Nick ainda deseja reconquistá-la. Quando ele percebe que não tem chances, ele a sequestra e a leva para sua mansão. Até aí a trama lembra outras centenas que já vimos, a diferença é que para ela não ir embora, ele começa a amputar seus membros. A estratégia chocante do personagem é apresentada em contraponto com toda a ambientação do filme repleta de jardins, cortinas, velas, trilha sonora e fotografia luxuriante. Toda a estética do filme remete aos filmes eróticos que tentavam parecer chiques no período. Além da direção de arte referencial, não faltam cenas picantes para endossar semelhanças com o gênero impróprio para menores. O longa deu o que falar nos meus tempos de escola (imaginem, eu tinha menos de quinze anos na época que o filme foi disponibilizado por aqui) e a mistura de filme de terror (qual outro gênero falaria de amputação tão desavergonhadamente?), suspense e erotismo aguçava a curiosidade. Vale dizer que a performance de Sherilyn Fenn que segura o filme. A atriz (que ganhou fama pela beleza e por seu trabalho na série Twin Peaks concebida pelo pai de Jennifer), tem um trabalho marcante com todas as limitações físicas que possui no filme (e os efeitos especiais feitos em seu corpo são desconfortáveis de tão impressionantes). Visto com o distanciamento permitido nos dias de hoje, Encaixotando Helena mantém seus deslizes, mas traz elementos interessantes se não percebermos sua trama como algo literal, mas como uma metáfora para um relacionamento abusivo em que a vítima se percebe impossibilitada de se afastar do abusador. A dinâmica entre Nick e Helena torna-se ainda mais incômoda por conta da dependência que ela passa a ter de um sujeito sádico desequilibrado que a percebe como propriedade de seu desejo. Falando em desejo, Jennifer ousa mais ainda ao expor não apenas a nudez de suas atrizes, mas de seus atores também, com direito até a nu frontal de Bill Paxton (algo raro para o período). É um tema bastante sério tratado com uma atmosfera sexual inusitada e Jennifer Lynch pagou um preço alto por isso, voltando a dirigir outro filme somente quinze anos depois (com o policial Sob Controle/2008 que foi exibido no Festival de Cannes). O mais curioso é perceber que a Helena se relaciona com problemas de saúde enfrentados pela própria cineasta, já que Jennifer nasceu com uma deficiência nos pés que a impossibilitava de engatinhar, quando bebê, ela se arrastava e quando cresceu precisou de uma barra de metal entre os tornozelos para conseguir se locomover. Ela passou por quatro cirurgias e usava sapatos ortopédicos até os doze anos. Se a situação parecia resolvida, ela piorou novamente quando foi atropelada aos 19 anos, o que comprometeu sua espinha dorsal e a fez passar por novas cirurgias. Foi neste período que ela escreveu Encaixotando Helena e o impregnou de seus temores mesclado à sexualidade ainda latente da adolescência. Pelo filme, Jennifer Lynch ganhou o Framboesa de Ouro de pior direção daquele ano, mas ainda hoje aparenta orgulho de sua obra de estreia. Foi tão ousado e corajoso quanto estranho. Muito estranho.
Encaixotando Helena (Boxing Helena / EUA - 1993) de Jennifer Lynch com Sherilyn Fenn, Julian Sands, Bill Paxton, Kurtwood Smith, Art Garfunkel, Betsy Clark e Nicolette Scorsese. ☻☻
terça-feira, 11 de fevereiro de 2025
CATÁLOGO: A Estrada Perdida
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| Patricia e Bill: labirinto sombrio entre imagens e identidades. |
domingo, 12 de janeiro de 2025
CATÁLOGO: Temporada de Caça
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| Nolte e Coburn: o amor de filho pelo pai. |
Sabe aquele filme que você ouve falar e fica curioso de assistir, mas o tempo passa, você não o encontra e você acaba esquecendo? Minha relação com Temporada de Caça foi exatamente assim, lembro que na cerimônia do Oscar de 1999 o filme recebeu o Oscar de melhor ator coadjuvante para o veterano James Coburn e que Nick Nolte concorria como ator principal. Os dois vivem respectivamente pai e filho em uma relação bastante complicada, que se torna mais um ponto para que o protagonista perca as estribeiras conforme o filme caminha para o desfecho. Nick Nolte interpreta Wade Whitehouse, o policial de uma pacata cidadezinha em que nada demais acontece ao longo do ano. Se a vizinhança é puro sossego, a vida de Wade tem lá sua cota de problemas, ele tem um relacionamento complicado com a ex-mulher e quando precisa ficar com a filha, ele nunca sabe o que fazer para agradar. Ele encontra algum alento nos braços de Margie (Sissy Spacek), que ele conhece desde a infância e vivem um romance sossegado. O problema é que Wade tem algumas marcas emocionais bastante complicadas, especialmente por ter crescido com a presença de um pai abusivo dentro de casa. Glen Whitehouse sempre foi bastante agressivo com os filhos e a esposa. Quem ficou farto de tudo isso e resolveu viver longe foi o irmão de Wade, Rolfe (Willem Dafoe) que narra o filme com um a entonação tranquila que soa dissonante com o que vemos na tela. Os três irão se reunir novamente por conta de um falecimento na família e o nível de estresse só aumenta por conta de uma morte ocorrida na temporada de caça da região. Um dos habitantes é encontrado morto e o único que estava por perto, Jack (Jim True-Frost), jura que tudo não passou de um acidente. Wade não acredita naquela justificativa e o fato ajuda a corroer ainda mais a sua estabilidade. O diretor e roteirista Paul Schrader adapta o livro de Russel Banks na rédea curta com uma tensão crescente, sobretudo pela postura do policial que começa como um sujeito pacato e se torna cada vez mais descontrolado, afastando até mesmo aqueles que sentem algum afeto por ele. As paisagens bucólicas e a ideia do marasmo só ressaltam o que aquele ambiente pode ter de sufocante para um sujeito com sede de sangue. A agressividade se torna cada vez mais a tônica das relações no roteiro e rende à Nick Nolte um dos seus melhores trabalhos, mas confesso que em alguns momentos eu achei até engraçada toda a tensão que existia entre pai e filho (e acho que essa era a proposta), ainda que a relação entre os dois se mostre cada vez mais irremediável rumo ao trágico. Temporada de Caça é o tipo de filme em que aparentemente nada acontece, mas não se engane, abaixo da superfície, existe um personagens corroído pouco a pouco (do jeito que Schrader gosta). Vale lembrar que 1999 foi um ano estranho para o Oscar, foi aquele em que Fernandona perdeu para Gwyneth Paltrow, que Ian McKellen perdeu para Roberto Benini, que Judi Dench discursou que merecia só um pedacinho do Oscar (por aparecer em menos de oito minutos como coadjuvante em um filme de duas horas) e também foi aquele em que Ed Harris era o favorito na categoria de ator coadjuvante e perdeu para James Coburn na força do ódio. A zebra estava solta.
Temporada de Caça (Affliction / EUA - 1998) de Paul Schrader com Nick Nolte, James Coburn, Sissy Spacek, Willem Dafoe, Jim True-Frost, Tim Post, Maria Seldes, Brigid Tierney, Holmes Osbourne e Mary Beth-Hurt. ☻☻☻☻
quinta-feira, 19 de dezembro de 2024
PL►Y: Sem Relação
sábado, 19 de outubro de 2024
CATÁLOGO: Um Caso de Amor
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| Russell e Jack: pai e filho em comédia romântica australiana. |
De vez em quando eu procuro um filme que ouvi falar tempos atrás e que nunca assisti. Quando é uma raridade, sinto como se eu ganhasse uma estrelinha na vida cinéfila (quando se trata de um clássico... é como se eu recebesse uma medalha). Dia desses eu recebi uma estrelinha por ter encontrado o australiano Um Caso de Amor, filme estrelado por Russell Crowe quando ele tinha 30 anos e nem imaginava que iria fazer carreira nos Estados Unidos. Crowe já tinha chamado atenção em A Prova (1991) e estava em alta por lá com seu trabalho como o skinhead de Romper Stomper (1992) e decidiu fazer um trabalho totalmente diferente. Ele interpreta Jeff, um bombeiro hidráulico que vive com seu pai, Harry (Jack Thompson), desde o falecimento da matriarca da família. Harry não se importa que o filho seja homossexual, pelo contrário, ele gostaria muito de ser apresentado a algum parceiro do rapaz que é extremamente discreto com sua vida amorosa. Faz um tempo que Jeff pretende ter um relacionamento sério, mas a situação é mais complicada do que ele imagina. Eis que um dia ele conhece Greg (John Polson) e a coisa parece seguir por um caminho diferente, porém, o pretendente enfrenta problemas em se assumir para a família o que o causa um desconforto ainda maior quando é tratado com plena naturalidade por seu futuro sogro. Harry também está procurando uma namorada e o receio da forma como ela lidar com a sexualidade de seu filho pode ser um problema. O filme dirigido por Geoff Burton e Kevin Dowling é bastante leve e espirituoso, apresentando a cumplicidade entre pai e filho sem exageros, assim como envereda pelo território da comédia romântica driblando alguns clichês. O longa ainda ganha um ar moderninho quando os personagens quebram a quarta parede e conversam com o espectador como se fôssemos amigos de longa data - muitas vezes o recurso é utilizado para contar a história da avó materna de Greg, que na terceira idade investiu em um relacionamento com uma mulher. Intercalando a vida amorosa de seus personagens, o filme flui sem problemas até mesmo quando um golpe do destino modifica a dinâmica entre pai e filho - e o que poderia escorregar para o melodrama segue sem maiores tropeços. Russell Crowe e John Polson estão muito convincentes em cena. Quem está acostumado a ver o Gladiador Crowe em papéis mais agressivos, irá se surpreender com a desenvoltura em suas cenas com John Polson (o que deve ter impedido o filme a passar na Sessão da Tarde nos anos 1990). No fim das contas, Um Caso de Amor (o título nacional meio equivocado para o original A Soma de Nós) é um filme sobre a busca pela cara metade como tantos outros que são lançados todos os anos, porém, ver um filme de 1994 (trinta anos!!!) lidando com tanta naturalidade com a homossexualidade de seu protagonista nos faz repensar onde foi que a coisa desandou para os tempos conservadores em que vivemos. Vale lembrar que este foi o último filme da fase australiana de Crowe, no ano seguinte ele já era contratado pela produtora Sharon Stone para ser um dos pistoleiros de Rápida e Mortal (1995) e o resto da história todo mundo sabe. Curiosidade, o filme tem uma mensagem totalmente oposta de Boy Erased (2018), filme em que Crowe vive um pai que acredita na cura gay de seu filho.
Um Caso de Amor (The Sum of Us/Austrália - 1994) de Geoff Burton e Kevin Dowling com Russell Crowe, Jack Thompson, John Polson, Deborah Kennedy, Joss Moroney, Mitch Mathews, Des James e Julie Herbert. ☻☻☻
quinta-feira, 19 de setembro de 2024
CATÁLOGO: O Livro da Vida
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| PJ e Donovan: de volta ao mundo. |
Na virada do ano de 1999 para o ano 2000 o canal francês Art convidou dez diretores de nacionalidades diferentes para criar uma série de filmes chamada "2000 seen by" em que cineastas deveriam retratar a atmosfera do fim do milênio e início. Entre os longas produzidos está o ótimo O Primeiro Dia do brasileiro Walter Salles, O Muro do belga Alain Berliner, A Última Noite do canadense Don McKellar e este O Livro da Vida do novaiorquino Hal Hartley. Pode se dizer que Hartley era o nome mais cult do cinema independente americano no início dos anos 1990, embora muita gente torcesse o nariz para a pretensão filosófica de tramas como Amateur (1994) e Flerte (1995), o rapaz estava entre o mais badalado de sua geração. Em O Livro da Vida ele manteve a pretensão intacta ao trazer Jesus Cristo (Martin Donovan, ator favorito do cineasta) para a Nova York do ano de 1999 ao lado de sua assistente, Madalena (a cantora PJ Harvey) para anunciar o apocalipse. No entanto, ele se depara novamente com seus sentimentos de esperança perante a humanidade. Quem também circula pela cidade e está sempre por perto é Lúcifer (Thomas Jay Ryan), que aguarda ansiosamente o fim dos tempos para recolher os pecadores que considera estar na sua cota de direito. Enquanto os esses personagens famosos circulam entre os mortais, os noticiários assumem o tom alarmista de que o fim está cada vez mais próximo na virada do ano. Como os demais filmes da coleção, O Livro da Vida é curto (tem uma hora de duração), mas mesmo assim, deixa a impressão que não possui história para tanto. Mesmo que o diretor invista num tom de reflexão que era bem comum no período, ele parece não saber muito bem o que fazer com a premissa interessante que tem em mãos. Existe até boas ideias, como tratar todos como homens de negócios (em que o negócio em questão é o futuro da humanidade), mas entre cenas desfocadas e interpretações contidas, tudo parece um tanto emperrado. Confesso que minha maior curiosidade era ver PJ Harvey em sua primeira (e unica até o momento) experiência como atriz. Pode se dizer que ela confere charme ao papel que lhe coube e isso traz até um diferencial para a produção que soa um tanto fria diante das possibilidades fantásticas que tinha em mãos. Confesso que fiquei um tanto decepcionado com o filme (principalmente se comparado a outros lançados na mesma cinessérie), mas vale pela curiosidade de revisitar os pensamentos que habitavam o mundo com a proximidade do século XXI. No entanto, vale ressaltar, que se você se deparar com algum do filmes da coleção, vale a pena conferir, já que se tornaram artigos raros nos streamings por aqui.
O Livro da Vida (The Book of Life/ EUA - 1999) de Hal Hartley com Martin Donovan, PJ Harvey, Thomas Jay Ryan, Miho Nikaido, Dave Simonds, DJ Mendel e James Urbaniak. ☻☻
sábado, 31 de agosto de 2024
PL►Y: O Corvo (1994)
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| Brandon Lee: morre uma estrela. |
domingo, 23 de junho de 2024
PL►Y: Buffalo 66
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| Christina e Vincent: amor ou síndrome de Estocolmo? |
segunda-feira, 13 de maio de 2024
CATÁLOGO: Claire Dolan
domingo, 28 de abril de 2024
#FDS Madonna: Destino Insólito
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| Madonna e Giannini: parceria traumatizante. |
Acho que todo o casal tem o direito de fazer uma loucura, mas é sempre bom lembrar que existem consequências. Talvez algum dia alguém consiga explicar o que se passou na cabeça de Madonna e Guy Ritchie para inventarem um remake de Por Um Destino Insólito (1974) da italiana Lina Wertmüller que é historicamente lembrada como a primeira diretora a ser indicada ao Oscar de melhor direção. O filme era uma metáfora sobre luta de classes, a relação entre ricos e pobres, patrões e empregados encaram a vida, sendo que em determinado momento a lógica é invertida por conta de um naufrágio. Wertmüller era esperta para perceber que as relações da hierarquia social em si já são carregadas de tensão, mas ao adaptar o texto, Ritchie optou por tornar tudo mais exagerado e caricato. Destino Insólito conta a história de uma dondoca endinheirada Amber (Madonna) e um empregado humilde (Adriano Gianinni, filho do ator que encarnava o papel original) que surpreendidos por uma tempestade durante um passeio de iate, se separam da tripulação indo parar numa ilha deserta. Na tal ilha, o empregado demonstra ter as habilidades necessárias para que os dois sobrevivam àquela desventura e, obviamente que se imagina que os dois irão viver um romance. Se existem as mesmas tintas de crítica social na refilmagem, ao carregar demais as tintas, Guy cria um grande problema para estabelecer uma química entre os protagonistas (some isso ao desconforto de Adriano ter que interagir com a esposa do diretor nas cenas de amor e ódio e você entenderá ainda mais porque as coisas complicam). Também não ajuda o fato de Amber ser apresentada ao público como uma megera sem salvação - e Madonna torna a mulher insuportável, mas o que poderia ser um mérito se torna um problema quando a interpretação precisa lidar com a transição da personagem de mulher intragável em mulher apaixonada. Difícil. Nesta transição o filme começa a perder ainda mais o foco e depende cada vez mais da dinâmica entre os personagens para manter o interesse do público. O que era para ser um comédia com tintas de crítica social se torna num romance pouco convincente até naufragar (sem trocadilho) no melodrama. A dupla principal se esforça, mas não há muito o que fazer diante da base equivocada do projeto. Madonna e Guy casaram em 2000 e tiveram um filho (Rocco) e já haviam estabelecido parcerias anteriormente, seja em um comercial da BMW ou no clipe de What it Feels like for a Girl que possuem uma vibe parecida com os trabalhos anteriores do cineasta. Quem conhece a carreira de Guy (ele vinha de um sucesso mundial com Snatch/2000) sabe como Destino Insólito destoa completamente de seu estilo, talvez por isso Madonna tenha assumido a responsabilidade sobre o projeto. Ela estava animada depois dos elogios por Evita/1997 e o relativo sucesso de seu filme anterior, Sobrou Para Você (2000). Destino Insólito custou dez milhões de dólares e arrecadou pouco mais de um milhão ao redor do mundo, desagradando público, crítica e a própria Madonna. Ela ficou tão aborrecida com o massacre em torno do filme que anunciou que jamais atuaria novamente. Em seus recentes trabalhos com o cinema, a artista escolheu ficar atrás das câmeras, trabalhando como cineasta nos filmes Sujos e Sábios (2008) e W/E (2011). Por conta de todas as críticas exageradas que recebeu por seus trabalhos no cinema, a artista chegou a declarar que sofreu bullying por parte da imprensa (basta lembrar do Framboesa de Ouro de Pior atriz do século). Madonna e Guy se divorciaram em novembro de 2008.
Destino Insólito (Reino Unido / Itália - 2002) de Guy Ritchie com Madonna, Adriano Giannini, Bruce Greenwood, Elizabeth Banks, Jeanne Triplehorn, David Thornton e Yorgo Voyagis. ☻☻
sábado, 27 de abril de 2024
#FDS Madonna: Evita
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| Banderas e Madonna: polêmica adaptação de uma opera rock. |
sexta-feira, 26 de abril de 2024
#FDS Madonna: Procura-se Susan Desesperadamente
Procura-se Susan Desesperadamente (Desesperately Seeking Susan / EUA - 1985) de Susan Seidelman com Madonna, Rosana Arquette, Aidan Quinn, John Turturro e Gary Blum. ☻☻☻
domingo, 22 de outubro de 2023
CATÁLOGO: Epidemic
| Trier em cena: testando a paciência do fã mais devotado. |














