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sábado, 26 de janeiro de 2019

Ladies and Gentlemen: Olivia Colman

Sarah Caroline Olivia Colman
Ela pode não se encaixar nos padrões de beleza de Hollywood e também dificilmente será escolhida para ser aquela personagem sexy que enlouquece o protagonista sedutor. No entanto, Olivia Colman tem a versalidade necessária para ser uma das atrizes mais requisitadas dos próximos anos. Nascida em Norfolk na Inglaterra de 1974, Sarah Caroline Olivia Colman é casada com o também ator Ed Sinclair, com quem tem três filhos. Após alguns trabalhos no teatro, Olivia ficou conhecia por seus trabalhos na televisão, tendo sua estréia no programa de esquetes Bruises (2001), em que também escrevia os roteiros. A atriz estreou no cinema com Zemanovaland (2005), comédia sobre um personagem obsessivo compulsivo. O filme não fez o sucesso esperado, mas a televisão britânica continuou sendo um porto seguro para ela. Em 2006 aceitou um papel em Um Casamento Original, sobre um matrimônio ambientado em comunidade naturista. Por conta da proposta, ela passou a maior parte do filme completamente nua diante da câmera. Depois fez uma participação na comédia Chumbo Grosso (2007) ao lado da dupla Simon Pegg e Nick Frost e outra em Nunca É Tarde Para Amar (2007) estrelado por Michelle Pfeiffer. Depois de participar das séries Skins, teve papel fixo em Beutiful People e deu o ar da graça em Doctor Who, Olivia chamou atenção nos festivais de cinema por seu magnífico trabalho em Tiranossauro (2011). O filme distanciava a atriz da comédia e a apresentava como uma atriz completa, versátil e capaz de demonstrar uma densidade inacreditável. Pelo seu desempenho recebeu oito prêmios naquele ano, incluindo o prêmio especial do júri em Sundance e o British Independent. No mesmo ano, a atriz trabalhou com Meryl Streep em A Dama de Ferro (2011). Pela parceria Meryl mencionou em entrevistas que Olivia tinha um dom divino para atuação. O cinema parecia finalmente abrir as portas para ela. Filmou Um Final de Semana em Hyde Park (2012) ao lado de Bill Murray e Dou-lhes um Ano (2013) com Rose Byrne. No entanto, eram papéis pequenos, ao contrário do que vimos, ou melhor, ouvimos em Locke (2013), onde passa boa parte do filme sendo a voz no telefone com Tom Hardy. Em 2014, o grego Yorgos Lanthimos, em sua primeira produção em língua inglesa, a escolheu para ser a gerente do estranho hotel do filme O Lagosta. O filme foi premiado em Cannes e indicado ao Oscar de melhor roteiro e, ainda que a participação de Olivia fosse pequena, ela chamou atenção pela presença cômica dentro do estilo minimalista do diretor. A atriz já colecionava vários prêmios televisivos britânicos quando o Globo de Ouro a indicou como melhor atriz dramática pelo papel da esposa em meio às intrigas da minissérie O Gerente da Noite (2016). Baseado na obra de John LeCarré e dirigido pela dinamarquesa Susanne Bier, o programa fez sucesso no mundo todo e surpreendeu ao render prêmios no Globo de Ouro para seus três atores: Tom Hiddleston (o Loki de Thor), Hugh Laurie (Dr. House em pessoa) e Olivia (que não estava presente).  O prêmio lhe valeu a escalação para uma expressiva participação na nova versão de Assassinato no Oriente Express (2017) realizada pelo conterrâneo Kenneth Branagh, mas a guinada maior de sua carreira estava por vir. Yorgos Lanthimos escalou a atriz para viver a Rainha Anne em seu novo filme, A Favorita, uma comédia de humor negro que atiçava a curiosidade de todos antes mesmo de começar a ser filmada. Ao lado das oscarizadas Rachel Weisz e Emma Stone, Olivia reluz feito ouro em pó. Desde que o filme foi exibido no Festival de Veneza, ela coleciona prêmios pelo trabalho. Foi eleita a melhor atriz do Festival pela atuação que equilibra magistralmente o cômico e o trágico. Ela ainda recebeu o Globo de Ouro de Melhor Atriz de Comédia pelo papel e pode receber o Oscar da categoria. Com a agenda cheia pelas séries Les Miserábles e a nova temporada de The Crown onde assume o papel de Rainha Elizabeth após duas temporadas com Claire Foy, Olivia Colman corre sério risco de se tornar sua nova atriz favorita nos próximos meses. 

Versatilidade: Tiranossauro, The Night Manager, A Favorita e The Crown.

domingo, 14 de agosto de 2016

Ladies & Gentlemen: Jack O'Connell

Jack O'Connell
Filho de uma inglesa com um irlandês, Jack O'Connell é um dos jovens atores britânicos que ouvimos falar muito nos últimos anos. Nascido em 1º de agosto de 1990, na cidade de Derby no Reino Unido, ele começou a ficar conhecido do público por seus trabalhos na TV britânica, sobretudo no seriado Skins (2009-2013) no qual interpretava o adolescente James Cook. Sua estreia como ator aconteceu aos quinze anos numa participação no seriado britânico Doctors (sucesso exibido até hoje na Inglaterra). Seu primeiro trabalho no cinema foi em This is England (2006) que abordava o polêmico universo de jovens skinheads. Dois anos depois ele apareceu ao lado de Michael Fassbender e Kelly Reilly no suspense Sem Saída (2008), mas ainda faltava muito para tornar-se protagonista. Porém, o talento de Jack lhe garantiu outros trabalhos com nomes importantes, foi assim que conseguiu algum destaque em Harry Brown (2009), drama criminal estrelado por Michael Caine. Conjugando trabalhos na televisão e no cinema, Jack ainda apareceu em United (2011), filme sobre um legendário jogador do Mancester's United. Depois ele conseguiu o papel de um dos protagonistas de Weekender (2011), filme sobre a cena rave dos anos 1990. O filme pode não ter feito grande sucesso, mas garantiu novos papéis para o ator em pequenas produções britânicas como The Somnambulist (2011), Tower Block (2012) e Private Peaceful (2012) onde chamou atenção pela sua atuação como um soldado no início do século XX e depois o ator exercitou seu humor negro em Assassinos de Aluguel (2012) ao lado de Tim Roth e Peter Mullan. Já com papeis de destaque em seu currículo, Jack chamou pela primeira vez a atenção da crítica mundial no drama Encarcerado (2013), onde vive um jovem prisioneiro que reencontra o pai atrás das grades. O filme com cenas fortes de violência e nudez lhe valeu as primeiras indicações a prêmios no cinema. O passo seguinte o tornou ainda mais conhecido ao viver o campeão olímpico Louis Zamperini em Invencível (2014), segundo longa metragem dirigido por Anjelina Jolie. O filme alcançou sucesso nas bilheterias, mas foi esquecido no Oscar onde muitos consideravam que Jack seria lembrado por sua atuação espetacular. Após ficar mais conhecido do público, o drama 71 - Esquecido em Belfast (2014) fez algum sucesso nos cinemas americanos no mesmo ano em que ele apareceu no candidato à blockbuster 300 - A Ascenção de um Império. Naquele ano o ator disse em entrevistas que buscaria viver personagens menos problemáticos em seus novos filmes. Ironicamente foi quando Jodie Foster o convidou pra viver o transtornado personagem de Jogo do Dinheiro (2015) onde ele ameaça explodir uma bomba em rede nacional num programa de TV. Elogiado mais uma vez por viver um personagem complicado, o ator deve aparecer em breve nas telas no suspense HHhH (2016) onde um grupo de jovens planeja assassinar líderes nazistas e Tulip Fever (2017), produção de época onde aparece ao lado de Alicia Vikander e Christoph Waltz. Com projetos ambiciosos no cinema, Jack ainda voltará à TV no seriado western Godless. 

Jack em Invencível: de atleta a prisioneiro de guerra. 

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Ladies & Gentlemen: Mads Mikkelsen

Nascido em Compenhagen, na Dinamarca no dia 22 de novembro de 1965, Mads presta serviços ao cinema desde 1996. Mads Dittman Mikkelsen é o maior astro do cinema dinamarquês, sendo considerado frequentemente o homem mais sexy do país (e suas conterranêas consideram o homem mais sensual do mundo), sobre esse título ele apenas diz que prefere ser isso do que "o homem mais feio da Dinamarca"! Filho do também ator Henning Mikkelsen com a enfermeira Bente Christiansen, durante a infância e adolescência, Mads desejava ser ginasta e treinou atletismo por vários anos, mas acabou estudando dança na Academia de Balé de Gothenburgo, na Suécia, durante a década de 1980. Ele foi dançarino profissional por mais mais de dez anos, até que em 1996 decidiu ser ator e começou a cursar a Escola de Teatro de Aarhus. Foi no mesmo ano que foi escolhido pelo cineasta Nicolas Winding Refn para viver o amigo drogado do protagonista de Pusher (1996). O sucesso gerou uma trilogia e, no filme seguinte, o personagem dele ganhou o posto de personagem principal (no que considero o melhor filme da trilogia), mas a continuação chegou às telas somente em 2004. Nos oito anos que separam um do outro, Mikkelsen participou de mais de uma dezena de filmes, tornando-se um dos atores mais requisitados de seus país. Em 1998 participou do drama Vildsor (ao lado de outro astro dinamarquês  famoso: Nicolaj Coster-Waldau) e do terror Anjo da Noite, voltando a trabalhar com Refn no ano seguinte em Bleeder (1999). Em 2002 ele participou de dois filmes muito elogiados, I Am Dina de Ole Bordenal (ao lado dos internacionais Gerard Depardiéu e Christopher Eccleston) e Corações Livres, filme considerado por muitos o melhor de Suzanne Bier. No mesmo ano, o ator trabalhou com outra celebrada diretora de seu país, Lone Scherfig em seu primeiro filme falado em inglês: Meu Irmão quer se Matar. As boas escolhas continuaram com The Green Butchers (2003) - uma comédia sobre açougueiros e um acidente... - e o espanhol Da Cama Para a Fama (2003). A carreira do ator cresceu paralela à consagração mundial do cinema dinamarquês e Hollywood não ficaria indiferente. O astro dinamarquês foi convidado para viver Tristão na última versão de Rei Arthur estrelada por Clive Owen e Keira Knightley em 2004. Somente aí a sequência de Pusher estreou - e ele já era um astro internacional (o que ajudou ainda mais na projeção do filme com sua atuação de tintas shakesperianas). Em seguida atuou no drama sobre neonazismo Entre o Bem e o Mal (2005), considerado por muitos críticos uma obra-prima. Ele voltou a trabalhar com Suzanne Bier no drama Depois do Casamento (2006) que se tornou um sucesso mundial e ainda recebeu uma indicação ao Oscar de Filme estrangeiro. Ele também atuou no drama romântico Prag, no suspense Exit - esse ao lado de outro conterrâneo prestes a ser descoberto por Hollywood, Alexander Skarsgaard (filho de Stellan) - e no blockbuster que reconceituaria James Bond no cinema: Cassino Royale, onde interpretou o vilão Le Chiffre. Em 2008, outro drama relacionado ao nazismo foi acrescentado ao currículo do astro: Flammen & Citronen, que reafirmou a boa fase do cinema da Dinamarca. No ano seguinte viveu o compositor Stravinsky no quase experimental Coco Chanel  & Igor Stravinsky (2009) que causou rebuliço por conta das cenas tórridas entre o casal. No mesmo ano voltou a trabalhar com Refn em Guerreiro Silencioso (num papel bem diferente do que o público estava se acostumando a vê-lo) e no suspense surreal A Porta. Depois, Hollywood o escalou para reforçar o elenco dos remakes de Fúria de Titãs (2010) e Os Três Mosqueteiros (2011) que o tornou mais conhecido na Terra do Tio Sam. De volta ao cinema dinamarquês seus filmes seguintes receberam ainda mais projeção mundial, seja em festivais ou premiações. O ator viveu O Amante da Rainha (2012) e A Caça (2012), literalmente, ambos os filmes foram indicados ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, A Caça ainda lhe rendeu o maior reconhecimento de sua carreira: o prêmio de melhor ator no Festival de Cannes pelo professor acusado de pedofilia. Ainda em 2012 ele estrelou o suspense Move On do diretor Asger Leth e no ano seguinte esteve ao lado de Shia Labeouf em Conquistas Perigosas. Em 2013, Mads também começou a viver o famigerado canibal de Hannibal, baseado no personagem dos livros de Thomas Harris que ficou famoso mundialmente com o rosto (e o apetite) de Anthony Hopkins. A série acaba de chegar à sua terceira temporada e a atuação de Mikkelsen  continua irrepreensível. Recentemente o astro apareceu nos cinemas brasileiros com Michael Kohlhaas - Justiça e Honra, drama ambientado no século XVI e baseado numa história real onde um homem luta com um senhor feudal por suas terras. Ano passado ele estrelou o western inédito por aqui A Salvação e para esse ano, faz uma participação especial na comédia de humor negro Homens e Frangos enquanto estrela a terceira temporada do sinistro canibal. 

Pusher II: sem cabelo (mas promovido a protagonista). 

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Ladies & Gentlemen: Rosamund Pike

Filha única de um cantor de ópera (Julian Pike) e uma violinista clássica (Caroline Friend), Rosamund Mary Elizabeth Pike nasceu em 28 de janeiro de 1979 em Londres, Inglaterra. Devido à carreira dos pais, ela cresceu viajando pela Europa, ao ponto de falar fluentemente alemão e francês. Ela ainda era uma estudante quando começou a atuar no National Youth Theatre, chamando atenção numa montagem de Romeu e Julieta. Ainda que sua carreira como atriz fosse promissora, ela se formou em Literatura Inglesa na renomada Universidade de Oxford. Em 1998 começou a trabalhar em produções para a televisão inglesa, sendo acolhida pelo cinema com 007 - Um Novo Dia Para Morrer (2002) no papel de Miranda Frost naquele que seria o filme de despedida de Pierce Brosnan na franquia. Depois atuou no drama israelense Terra Prometida (2004) do diretor Amos Gitai e no controverso O Libertino (2004) ao lado de Johnny Depp, no qual sua atuação lhe valeu o prêmio de melhor atriz coadjuvante no British Independent Film Awards. No ano seguinte, ela foi escalada para viver a romântica Jane Bennet em Orgulho e Preconceito (2005). Embora os holofotes estivesse sobre Keira Knightley, Rosamund chamou atenção como a mais doce das irmãs Bennet, era questão de tempo para que Hollywood lhe desse atenção. A atriz apareceu em seguida no sci-fi Doom (2005) e fez par romântico com Ryan Gosling no suspense Um Crime de Mestre (2005). Atuou em filmes pequenos como Fugitive Pieces (2007) do canadense Jeremy Podeswa e na produção para TV The Tower (2008). Ela reencontrou com Carey Mulligan (que interpretara uma das irmãs Bennet) no elogiado Educação (2009) no papel da deslumbrada amiga Helen, depois ela atuou em outra produção para a televisão (Freefall/2009) e ao lado de Bruce Willis na ficção científica Substitutos (2009). No entanto, embora tivesse acesso às superproduções, são as produções mais alternativas que valorizaram mais seu currículo, caso de Minha Versão do Amor (2010), onde vive o grande amor de Barney (Paul Giamatti). Ela ainda atuou na comédia de suspense Burning Palms (2010) e fez uma pequena participação em Revolução em Dagenham (2010). Depois, Rosamund investiu em comédias (O Retorno de Johnny English/2011, O Grande Ano/2011 e Heróis de Ressaca/2013 com Simon Pegg), filmes de ação (Fúria de Titãs II /2012 e Jack Reacher /2012) e um suspense (The Devil You Know/2013). No entanto, sempre deixou a impressão que era melhor atriz do que os papéis que ofereciam para ela. Em 2014, Pike tem quatro filmes lançados: reatou a parceira com Simon Pegg  em Hector à Procura da Felicidade, além de estrelar duas dramédias O que Faremos no Feriado (ao lado de David Tennant e Billy Connolly) e Uma Longa Queda - baseado no livro de Nick Hornby. Porém, o grande divisor de águas de sua carreira será Garota Exemplar (2014) de David Fincher. Vivendo a mulher desaparecida a que o título se refere (em todas as suas neuroses), Rosamund Pike já é uma das atrizes mais cotadas para a temporada de ouro por virar do avesso toda a imagem de perfeição que sua beleza clássica evoca.

Orgulho e Preconceito: Pike e suas irmãs Bennet

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Ladies & Gentlemen: Chris Pratt

De comediante gorducho passando para pinta de galã sarado (mas mantendo o bom humor), Christopher Michael Pratt é o mais forte candidato a queridinho da América depois de protagonizar Guardiões da Galáxia (2014). O mais engraçado é que pouca gente lembra de ter assistido um filme com ele nos últimos anos (e sim, você deve ter assistido pelo menos um), graças à sua repaginada visual (resultado de cinco meses de dieta e musculação),  além disso, ele tem papel cativo em uma premiada série de TV (Parks & Recreation da Sony). Nascido em 1979 na cidade de Virgina no Minessota, Pratt começou a ser reconhecido por suas participações nas série Everwood (2002/2006) e The O.C. (em 2006 e 2007), antes ele havia realizado dois filmes para o cinema (The Extreme Team/2003 e Strangers with Candy/2005) que não receberam muita atenção do público ou da crítica (e nem mereciam). Em 2007 participou de uma comédia dramática independente, Walk The Talk ao lado de Cary Elwes e Illeana Douglas, mas o sucesso na telona permanecia distante. As coisas também não melhoraram com a comédia boboca Os Salsichas de 2008 e o sucesso passou raspando com sua participação no filme de ação mirabolante O Procurado/2008 ao lado de Anjelina Jolie e James McAvoy, mas seu papel era pequeno demais para chamar atenção. A situação começou a melhorar quando foi escalado para ser um dos noivos de Noivas em Guerra/2009, restando servir de escada para Anne Hathaway e Kate Hudson. No filme, seu gosto pela comédia ajudou para que conseguisse ser protagonista da comediota Deep in The Valley (2009) com Denise Richards. Fez uma participação em Garota Infernal/2009, mas sua atuação mereceu tanta atenção quanto o resto do (fiasco que foi o) filme. Investiu mais uma vez no tom cômico em Uma noite Mais que Louca/2011, que estava longe de ser memorável... sorte que no mesmo ano ele atuou O Homem que Mudou o Jogo (2011) ao lado de Brad Pitt. Na trama sobre um time de beisebol formado por jogadores fracassados, problemáticos e derrotados, que Pratt deu a sorte de encarnar o jogador com maior destaque na trama. Sua atuação contida serviu para mostrar que ele tinha dotes dramáticos bastante confiáveis. O filme fez surpreendente sucesso e foi indicado a 6 Oscars (incluido melhor filme e roteiro adaptado). No mesmo ano fez duas comédias românticas de algum sucesso (Qual é o seu Número? e Dez anos de Pura Amizade) que lhe garantiram ainda mais a simpatia do público como aquele rapaz de bochechas em (constante) crescimento e carisma para viver sujeitos comuns bem humorados. Esse tipo simpático foi encarnado mais uma vez, em Cinco Anos de Noivado (2012) onde faz o amigo/cunhado do casal protagonista (Emily Blunt e Jason Segel). No mesmo ano, atuou em outra produção indicada ao Oscar, o badalado A Hora Mais Escura, onde vive um dos soldados que participa da caçada à Osama Bin Laden. Chris (já bastante acima do peso, encarnado o estereótipo do gordinho engraçado) percebeu que seu nome começava a ficar em alta, tanto que ousou participar de um dos curtas mais divertidos do grotesco Para Maiores/2013, onde vivia um rapaz que precisava lidar com o estranho fetiche da namorada. Apesar do tema nojento (que recuso escrever aqui), Pratt conseguiu mais uma vez dar alguma dignidade a um personagem que poderia facilmente cair na canastrice. No mesmo ano, o moço provou ser pé quente quando o assunto é Oscar, afinal, participou de Ela, filme de Spike Jonze, indicado a cinco estatuetas (incluindo melhor filme) e que levou para a casa o prêmio de melhor roteiro original. Pratt interpreta (de bigode) o gentil amigo de Joaquin Phoenix que compreende sua paixão por um sistema operacional. Uma participação afetiva pequena, mas que encaixa perfeitamente no retrato das relações construídas pelo filme. Em 2013 também participou de De Repente Pai - e se fosse o protagonista do filme (que ficou a cargo de Vince Vaughn), talvez o filme alcançasse maior sucesso junto ao público. Provavelmente foi pela sua versatilidade em viver diferentes personagens em diferentes locais e situações que foi escolhido para duplar o simpático protagonista de Uma Aventura Lego (2014), animação esperta que mostra um boneco comum que se junta a alguns personagens famosos do universo Lego para salvar o mundo. Sucesso de público e crítica, o filme parecia o prenúncio do barulho que o novo filme de Pratt faria. Os Guardiões da Galáxia (2014) de James Gunn já era um risco por levar às telas personagens pouco conhecidos do universo Marvel, mas ampliou esse risco ao investir num protagonista desconhecido que poderia colocar tudo a perder se não encontrasse o tom certo. Sorte que Chris Pratt  estava no papel de sua vida como o auto-proclamado Senhor das Estrelas, que já é considerado um dos personagens mais cool da ficção científica, uma espécie de Han Solo repaginado para o público do século XXI. Além disso, serviu para provar que o ator tem capacidade de levar um filme nas costas (ainda mais depois da transforação física que passou no último ano). A confiança no seu taco está tão forte que ele foi escalado para ressuscitar a franquia Parque dos Dinossauros no ano que vem. Parque dos Dinossauros IV não conta com a atuação de Steven Spielberg (assim como o episódio anterior) e será o primeiro filme do ator após o sucesso de Guardiões da Galáxia, resta saber se o papel fará tão bem à sua carreira quanto ele imagina. Até lá podemos vê-lo como Andy Dawyer na série Parks & Recreation, onde relembra seus tempos onde precisava só fazer graça para a plateia (sem se envolver com cenas de ação mirabolante cheias de efeitos especiais).

Pratt (ao centro) em Para Maiores: antes da dieta. 

domingo, 15 de dezembro de 2013

Ladies & Gentlemen: Andrea Riseborough

Nascida em Jesmond na Inglaterra no ano de 1981, Andrea Riseborough Louise cresceu  tendo que lidar com a dificuldade de ser filha de um casal de trabalhadores durante o governo de Margareth Tatcher. Ela começou a atuar em teatros populares quando ainda era uma pré-adolescente e estudava em escolas independentes de sua cidade natal. O gosto pela atuação permaneceu até a vida adulta, ao ponto dela se formar-se em interpretação pela Escola Real de Arte Dramática em 2005. Apesar de seu estilo camaleônico, sua pele claríssima e a beleza tipicamente europeia costumam permanecer. Começando a carreira no teatro, os primeiros filmes da atriz foram realizados para a TV. Entre uma produção e outra, apareceu pela primeira vez na telona em um papel pequeno em Vênus (2006) estrelado por Peter O'Toole. A outra participação no cinema aconteceu no ano seguinte em The Magicians (2007), comédia bobinha sobre a rivalidade entre dois mágicos (em que ela não tinha muito o que fazer em cena). As coisas começaram a melhorar quando Mike Leigh a escolheu para ser uma das amigas de Sally Hawkins em Simplesmente Feliz (2008). Seu papel seguinte foi em Margareth Tatcher, um elogiado filme para a televisão inglesa. Por sua excelente atuação, foi indicada ao BAFTA e outros prêmios na Inglaterra. A projeção alcançada com  papel ajudou para que o cinema lhe oferecesse mais papéis. Foi assim que seu tempo em tela aumentou na comédia  Mad, Sad & Bad (2009) e conseguiu lugar em papeis em filmes importantes como Revolução em Dagenham (2010) e Não Me Abandone Jamais (2010). Muita gente ficou surpresa quando ela apareceu no filme seguinte, onde parecia uma adolescente de 17 anos em O Pior dos Pecados. Em plenos 29 anos ela era mais do que convincente na pele de uma jovem que se apaixonava por um gangster cheio de más intenções. A interpretação lhe valeu uma indicação ao BAFTA e várias menções entre as revelações cinematográficas do ano. No entanto, o mais interessante em sua carreira foi a projeção alcançada com um filme que foi mal de bilheteria e criticado no mundo todo: W.E. (2011) O segundo longa metragem dirigido por Madonna era mais pretensioso do que qualquer coisa, mas é Andrea que nos faz embarcar na fraca releitura do romance entre Wallis Simpson e o Príncipe Edward. Apesar dos elogios, Andrea ficou de fora das premiações, mas sua carreira parecia ter decolado de vez (no mesmo ano ela participou do drama Resistance (2011) que permanece inédito por aqui). Foi W.E. que lhe valeu convites para várias produções que precisavam de atrizes capazes de emprestar credibilidade aos seus personagens feminios.  Foi assim que ela conseguiu os papeis no elogiado Disconnect (2012) sobre histórias paralelas numa grande cidade e o papel de protagonista em Agente C (2012) que lhe rendeu alguns prêmios pela densa interpretação de uma mãe envolvida com o IRA e o Serviço Secreto. Em 2013 ela emprestou sua versatilidade para Oblivion (2013) sobre o mundo pós-apocalíptico com Tom Cruise (rs) e Inimigos de Sangue (2013), onde interpreta a parceira durona de James McAvoy. Sendo um nome em ascensão em Hollywood, Andrea tem quatro filmes em produção para o ano que vem: estará no suspense Hidden (em que uma família encontra refúgio num abrigo), Birdman (primeira comédia de Alejando González Inãrritú, sobre um ator que quer reviver seus dias de glória), The Silent Storm (sobre o dilema de uma esposa prestes a trair o marido com um delinquente) e o televisivo The Money (em que uma família sofre com um patriarca controlador). Ainda bem que veremos o talento da moça por muito tempo. 

Andrea em O Pior dos Pecados: 17 anos beirando os 30. 

terça-feira, 23 de julho de 2013

Ladies & Gentleman: Henry Cavill

Vale lembrar que Henry Cavill quase foi o escolhido para ser o Homem de Aço em Superman - O Retorno (2006) de Brian Singer. O britânico acabou perdendo o papel para Brandon Routh. Enquanto fazia os testes para o papel, Cavill tinha no currículo três papéis na televisão (em produções pouco lembradas), além de papéis de coadjuvante no cinema. Sua estreia foi aos dezenove anos em meio aos mafiosos de Laguna (2001). No ano seguinte estava ao lado de Jim Caviezel e Guy Pearce na adaptação do clássico O Conde de Monte Cristo (2002). No ano seguinte teve algum destaque no prestigiado I Capture the Castle, adaptado da obra de Dodie Smith e estrelado por Romola Garai e Bill Nighy. Quando soube que Singer não o havia selecionado para o papel do kryptoniano ele terminava as filmagens de Tristão e Isolda (2006) ao lado de James Franco. Nascido em Jersey no Reino Unido no ano de 1983, Henry William Dalgliesh Cavill começou a se interessar em ser ator ainda na escola em montagens shakesperianas (como de Sonho de Uma Noite de Verão) e de adaptações como do musical Grease, foi nessa época que chamou atenção de produtores que procuravam jovens atores nas escolas. Aos dezessete anos sua carreira de ator profissional começou a decolar. Se Singer não o escolheu, Cavill teve que se contentar a um papel pequeno em  outra adaptação de HQ, Stardust (2007) de Matthew Vaughn e uma versão moderninha de Chapeuzinho Vermelho (2007), onde encarnava o caçador. Nessa época o ator já ficava famoso nos bastidores como um "quase escohido", afinal, além de ter perdido o papel de Superman em 2006, o ator quase foi o Homem Morcego em Batman Begins (mas Christopher Nolan bateu o pé por Christian Bale e quase foi o 007 se os produtores não optassem pelo louro Daniel Craig na última hora). No fim das contas, a televisão mostrava-se como o veículo que lhe oferecia as melhores oportunidades. Foi assim que conseguiu o papel de Charles Brandon na série de sucesso The Tudors (2007-2010). Na pele do primeiro duque de Suffolk o ator  passou a ser reconhecido pelo público, ao ponto de tornar-se garoto propaganda do perfume London. Enquanto The Tudors era exibida, Henry foi convidado por Woody Allen para ser o homem que rouba o coração de Evan Rachel Wood de Larry David em Tudo Pode dar Certo (2009) e estrelar Renascido das Trevas (2009) de Joel Schumacher. Imagino a reação dele quando descobriu que Superman iria passar por outra repaginada e que ele fora o escolhido para encarnar o super-herói. Em entrevistas, o ator foi bastante elegante demonstrando não haver ressentimentos e que parecia algo que estava escrito para acontecer na hora certa. O anúncio chamou um pouco mais de atenção para sua interpretação de Teseus em Imortais (2011) dirigido pelo indiano Tarsem. Na pele do personagem mitológico, Cavill provava que dava conta de fazer um herói não apenas por conta de sua musculatura. Henry ainda conseguiu o papel principal em Fuga Implacável (2012) ao lado de Bruce Willis e Sigourney Weaver. O filme não foi bem de público ou crítica, mas Cavill parecia não esperar grande coisa do projeto. Com a repercussão de Homem de Aço (2013) dirigido por Zack Snyder, o ator já tem garantido uma franquia milionária no currículo (uma continuação de Superman, um encontro com Batman, filme da Liga da Justiça...), além disso o ator já foi selecionado por Guy Ritchie para ao lado de Armie Hammer estrelar uma adaptação da série O Homem da UNCLE, sem contar A Grande Muralha - filme que fará ao lado de Ziyi Zhang. Parece que o tempo de "quase" ficou para trás na hora certa...

Tudo Pode dar Certo: Cavill (e Evan) num dos filmes mais divertidos de Woody Allen.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

LADIES & GENTLEMEN: Sam Rockwell

O californiano Sam Rockwell nasceu no dia 5 de novembro de 1968 e aos dois anos mudou-se com a família para Nova York. Seus pais também eram atores e aos cinco anos o  menino teve que atravessar o divórcio do casal. Ele acabou indo morar com o pai em São Francisco e passando os verões com a mãe em Manhattan. Sua estreia como ator aconteceu ao lado da mãe quando tinha apenas dez anos. Quem conheceu o ator durante a adolescência garante que os tipos inconsequentes que costuma viver nas telas são inspirados nele mesmo, já que ele vivia chapado e correndo atrás das garotas em festas. Sua estreia no cinema aconteceu numa produção de Francis Ford Coppola de 1989, o obscuro Palhaço Assassino (Clownhouse), onde interpretava um dos três fugitivos de um manicômio que, disfarçados de palhaços, aterrorizam três crianças. A produção marcou a despedida de Rockwell de São Francisco. Decidido a tornar-se ator, mudou-se para Nova York e foi aprimorar o seu talento. Lentamente ele conseguiu participações em produções para a TV e pequenas aparições em filmes conhecidos como Noites Violentas no Brooklyn (1989), As Tartarugas Ninja (1990) e O Dono da Noite (1992). Com mais de uma dezena de títulos desconhecidos no currículo, as coisas pareciam começar a mudar quando o ator foi convidado por Woody Allen para participar de Celebridades (1998). Apesar de sua eficiência em cena, a carreira ainda não decolou. O ponto de mudança foi mesmo em 1999. Naquele ano, o ator participou do shakesperiano Sonhos de Uma Noite de Verão, fez uma participação no divertido Heróis Fora de Órbita e chamou a atenção do público como o prisioneiro mais desagradável de À Espera de Um Milagre (1999). Sua personificação como o vilão Wild Bill caiu no gosto da crítica - era como se o ator percebesse que a personificação de um sujeito tão deplorável fosse a grande chance de sua carreira. Apesar de todos os olhos estarem voltados para o gigante Michael Clarke Duncan (que foi indicado ao Oscar de coadjuvante), Rockwell recebeu uma cota generosa de elogios e não parou mais de ganhar papéis de destaque. No ano seguinte foi o vilão bobo de As Panteras (2000) e no ano seguinte participou de cinco produções - a de maior prestígio foi O Assalto  (2001) de David Mamet, onde atuou ao lado de Gene Hackman e Morgan Freeman. Sua chance como protagonista só veio em 2002, quando George Clooney o escalou para sua estreia na direção. Confissões de Uma Mente Perigosa contava com mais uma atuação inspirada de Rockwell. O roteiro de Charlie Kauffman retratava os delírios da biografia de  Chuck Barris que dizia ter trabalhado como agente da CIA (e vivido histórias tão mirabolantes que nem a CIA admite suas sandices). Rockwell ganhou o prêmio de ator no Festival de Berlim pelo papel e vivia ali a criação de um tipo que lhe persegue até hoje: o "doidinho". Mas sua versatilidade ainda lhe rendeu papéis como o amigo traidor em Os Vigaristas (2003) de Ridley Scott e uma participação especial no descolado O Guia do Mochileiro das Galáxias (2005). Talvez pelo tom cômico que tempera suas atuações, o ator surpreenda mesmo em personagens sérios como o de Charley Ford em O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford (2007) e Frost/Nixon (2008). Apesar de curtir muito sua atuação como o viciado em sexo de No Sufoco (2008), minha atuação favorita de Rockwell está na estreia de Duncan Jones no cinema. Lunar (2008) é uma pérola pouco famosa da ficção científica recente de Hollywood, mas traz um trabalho memorável do ator como um astronauta que entra em crise de identidade sozinho na Lua. Solitário em cena, Rockwell tem uma performance memorável submerso nos conflitos do personagem - mas o grande público deve lembrar mesmo é dele como o o rival de Tony Stark em Homem de Ferro 2, lançado no mesmo ano. Ainda sem indicações ao Oscar e ao Globo de Ouro, imaginaram que sua atuação em A Condenação lhe rendesse alguma coisa. Engano. Restou fazer menos do que devia em filmes como Cowboys & Aliens (2011) e O Babá(ca)  (2011). Sorte que de vez em quando aparecem roteiros como de Sete Psicopatas e um Shih Tzu (2012) para lhe render prêmios no cinema independente e associações de críticos. Com cinco filmes agendados para estrear em 2013 - entre eles o elogiado no Festival de Berlim, A Single Shot e o novo longa de Clark Gregg, Trust Me. Você ainda vai esbarrar com ele em alguma telona neste ano.

Com o diretor Clooney (esq.) em  Confissões de Uma Mente Perigosa: melhor ator em Berlim. 

quarta-feira, 20 de março de 2013

LADIES & GENTLEMEN: Joel Edgerton

O australiano Joel Edgerton nasceu em 23 de junho de 1974 e se dedicou à escola de arte dramática a partir de 1994. Joel começou a ganhar fama em seus trabalhos na TV australiana e pode não ser um nome conhecido do grande público ainda, mas tem se tornado um rosto cada vez mais visto em produções importantes. Até 2001 sua carreira ficou concentrada em séries de TV, algumas participações em filmes (especialmente curtas-metragens), mas seu primeiro papel com algum destaque no cinema americano foi no papel de Owen Lars em Star Wars  - O Ataque dos Clones (2002), depois acabou coadjuvando os conterrâneos Guy Pearce e Rachel Griffith em O Grande Roubo no mesmo ano. Seu maior destaque foi ao participar da série The Secret Life of Us, que rendeu o convite para estrelar ao lado de Orlando Bloom, Heath Ledger, Geoffrey Rush e Naomi Watts a adaptação de Ned Kelly (2003) para o cinema. Ainda que seu personagem tivesse algum destaque (chegou a ser indicado a prêmios), ainda não era daquela vez que o ator ganharia fama. Ele ainda teve que se contentar com os papéis modestos em produções ambiciosas como Rei Arthur (2004) e no episódio final de Star Wars (2005). Edgerton chegou a chamar atenção em suas participação na comédia britânica Kinky Boots (2005) e no drama Open Window (2005) ao lado de Robin Tunney, mas precisava mais do que papéis em filmes modestos. Após ser uma das peças do filme de ação A Última Cartada (2006), o ator voltou a se dedicar às séries de TV deixando sua carreira nos filmes restrita aos curtas metragens. Depois da participação em dois filmes independentes que quase ninguém viu em 2009, o ator foi escalado para  participar de Reino Animal do diretor David Michôd. O filme fez muito sucesso em festivais de cinema independente e conseguiu até uma indicação ao Oscar com sua trama cheia de tensão ao acompanhar uma família de bandidos. Num ambiente que parece prestes a explodir, Edgerton interpreta Barry, um dos membros mais sensatos do clã que tenta manter algum equilíbrio naquele universo - mas um acontecimento em sua vida irá mudar o rumo de todos os membros da família. O filme deu destaque ao ator que conseguiu convites variados, como o pedido para emprestar a voz para uma das corujas de A Lenda dos Guardiões (2010) ou viver o lutador de MMA cheio de dramas familiares em Guerreiro (2011) - filme em que ao lado de Tom Hardy interpreta algumas das cenas de luta mais inacreditáveis do cinema. Ainda não sei muito bem como ele foi se meter na refilmagem fracote do terror Enigma de Outro Mundo (2011), mas sua atuação no aclamado Wish you Were Here (2012) o redimiu de qualquer repreensão da crítica. O filme australiano, inédito por aqui, recebeu elogios pela sua trama sobre o desaparecimento de um homem. Ainda no ano passado, Edgerton viveu o pai dedicado de A Estranha Vida de Timothy Green, fábula simpática sobre um menino que "brota", literalmente, das expectativas de seus pais plantam no jardim. Além disso, Joel teve papel de destaque em A Hora Mais Escura, filme de Kathryn Bigelow que causou polêmica ao abordar as investigações da CIA que culminaram com a prisão de Osama Bin Laden. O filme concorreu a cinco Oscars (incluindo melhor filme), mas ganhou somente o de melhor edição de som.  Em 2013, Joel Edgerton poderá estar no papel que lhe renderá a primeira indicação ao Oscar, ele é coadjuvante de Leonardo DiCaprio na versão do conterrâneo Baz Luhrman para O Grande Gatsby de F. Scott Fitzgerald. Na pele de Tom Buchanan, o ator pode receber ainda mais destaque em sua carreira que promete ganhar espaço em Hollywood nos próximos anos.

Com Jacki Weaver em Reino Animal: primeiro grande sucesso. 

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

LADIES & GENTLEMEN: Joseph Gordon-Levitt

Joseph Leonard Gordon-Levitt nasceu em 17 de fevereiro de 1981 e ele começou na carreira de ator somente sete anos depois no filme televisivo Stranger in my Land. O menino fez vários papéis na TV incluindo no cultuado seriado Caras e Caretas (1988) e na refilmagem do seriado Dark Shadows em 1991 (que recentemente virou filme nas mãos de Tim Burton).  Seu primeiro papel no cinema foi (mínimo) em Beethoven - O Magnífico (1992), mas no mesmo ano recebeu um papel mais relevante como um dos meninos na primeira parte de Nada É Para Sempre de Robert Redford. As coisas começaram a melhorar na tela grande quando foi o filho de Demi Moore em A Jurada em 1996 - mesmo ano em que ganhou destaque na TV como o chefe alienígena disfarçado de adolescente do seriado 3rd Rock From the Sun.   O seriado durou até 2001 - enquanto aparecia nas telas como um dos candidatos a defunto de Halloween H20 (1998), no hit 10 Coisas que Eu Odeio em Você (1999) e no drama indie Maníaco (2001) onde interpretava um jovem desajustado. Apesar de ter emprestado a voz para o filme Planeta do Tesouro (2002) da Disney, foi uma pequena produção independente que deixou evidente que aquele promissor garotinho cresceu: Mistérios da Carne. O filme de Greg Araki parece mais feito para chocar do que para ganhar prêmios, mas na pele de um adolescente que se torna garoto de programa após sofrer abusos na infância rendeu ao ator o prêmio de melhor ator no Festival de Seattle. A repercussão de seu trabalho rendeu o convite para estrelar A Ponta de Um Crime (2005) de Rian Johnson que foi indicado a vários prêmios em Festivais de cinema independente e recebeu o prêmio especial do júri em Sundance com sua mistura de filme adolescente e investigação policial. O filme fez tanto sucesso que rendeu à Joseph o papel principal em outro suspense: O Vigia (2007). Nele interpretava um rapaz que tem problemas de memória e que se envolve com perigosos assaltantes. Além disso, o ator ganhou papéis de destaque em trabalhos de diretores  independentes badalados como Lee Daniels (Matadores de Aluguel/2005), Kimberly Peirce (Stop-Loss/2008) e Spike Lee (Milagre em Sta. Ana/2008). Se em 2009 ele esteve na pagação de mico de G.I. Joe - A Origem de Cobra, a coisa melhorou muito quando apareceu em (500) Dias com Ela de  Marc Webb. O filme foi considerado uma das melhores comédias românticas de todos os tempos e foi indicado a vários prêmios - incluindo o  Globo de Ouro de Melhor Filme e melhor ator de Comédia e entrou na lista dos 10 melhores filmes do ano pelo National Board of Review. Assim, os filmes de pequeno porte que estava prestes a lançar (Hesher/2010 e Elektra Luxx/2010) ganharam alguma publicidade, mas o ator estava prestes a aparecer cada vez mais em super-produções. Foi assim que entrou para a patota de Christopher Nolan como o invasor de sonhos mais elegante de todos os tempos em A Origem (2010). No ano seguinte ele interpretou um rapaz com câncer na dramédia 50%  - que lhe valeu a segunda indicação ao Globo de Ouro de Melhor Ator em Comédia ou Musical. Neste ano, Joseph Gordon-Levitt deu as caras em alguns dos filmes mais aguardados do ano: é o aspirante a Robin em Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012), retomou a parceria com o diretor Rian Johnson em  Looper, será o primogênito de Lincoln na cinebiografia a ser lançada por Spielberg e ainda arranjou espaço para ser o ciclista perseguido em Perigo por Encomenda de David Koepp. Para o ano que vem ele tem apenas um filme programado - depois de dirigir quatro curtas, o ator se aventura pela primeira vez na direção de um longa-metragem: Don Jon's Addiction conta com Scarlett Johansson e Julianne Moore na trama de um admirador de filmes pornôs que precisa aprender a ser menos egoísta (quem viu a participação de Joseph no Saturday Night Live pode considerar aquilo como uma espécie de ensaio). 

(500) Dias com Ela: rumo ao primeiro time de Hollywood.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

LADIES & GENTLEMEN: Michael Shannon

Nascido Michael Corbett Shannon no estado de Kentucky (EUA) em 1974, o pequeno Michael teve que dividir sua vida entre sua cidade natal, Ilinois e Chicago após o divórcio de seus pais. Ele começou a carreira de ator protagonizando um clipe da banda de Every Mother's Nightmare chamado "House of Pain" de 1993. No video, o ator vivia um jovem que fugia de uma vida cheia de abusos. Curiosamente nascia ali um tipo que encarnaria nos papéis mais importantes de sua carreira: o problemático. Neste mesmo ano teve o seu primeiro papel (pequeno) no cinema no filme Feitiço do Tempo ao lado de Bill Murray preso no dia da marmota. No teatro as coisas eram melhores. Foi na década de 1990 que Shannon se tornou um dos fundadores da companhia  Red Orchid, com a qual começou a chamar cada vez mais atenção. No cinema teve que se contentar com papéis pequenos em filmes como o fracasso Reação em Cadeia (1996) e Hellcab (1998). A coisa começou a melhorar quando o filme de pequenas histórias Jesus' Son (1999) chamou a atenção da crítica - entrando em algumas listas de melhores daquele ano. A trama era baseada nos contos de Dennis Johnson e foi premiado em Veneza com o Leão de Ouro e o Prêmio Ecumênico. Em meio a nomes como Holly Hunter, Samantha Morton, Dennis Hooper e Jack Black, Shannon o destaque para que os produtores o colocassem em filmes de maior repercussão como Tigerland (2000) e a comédia Cecil Bem Demente (2000). Enquanto a carreira no teatro ia bem, chovia papéis de coadjuvante em filmes de grande apelo na mídia - como Pearl Harbour (2001), Vanilla Sky (2001) e 8 Mile (2002). Mesmo com os trabalhos como ator, o cara arranjou tempo de montar uma banda, a Corporal - e ainda ser o vilão do bobinho Kangaroo Jack (2003). Quando apareceu nos cinemas em Bad Boys II (2003), o ator estava prestes a encarnar um dos seus personagens mais marcantes na peça Bug (2004) - a perturbadora obra de Tracy Letts. A atuação de Michael Shannon era tão perturbadora como Peter Evans que quando William Friedkin (de O Exorcista/1973) resolveu filmá-la não imaginou outro ator na pele do homem que acredita ter participado de estranhas experiências militares com insetos. Lançado em 2006, o filme não fez o sucesso esperado, afinal, se tratava de um filme de terror desagradável de se ver. Para piorar o filme recebeu por aqui o nome enganoso de Possuídos... mas o público não estava preparado para acompanhar a deterioração física e mental dos personagens vividos por Shannon e Ashley Judd. Em 2006 o ator ainda conseguiu papéis importantes nos filmes de Oliver Stone (As Torres Gêmeas) e encarnou um homem que acreditava na supremacia da raça branca em Let's go to Prison. No ano seguinte Hollywood lhe reservou papéis em Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto, o último e aclamado filme de Sidney Lumet (pelo qual recebeu o prêmio Gotham de Melhor Elenco), o micado último filme de Curtis Hanson (Lucky You) e a participação no primeiro filme do cineasta Jeff Nichols (Shotgun Stories). Aos poucos, Shannon foi conquistando mais espaço com seus tipos estranhos. Só faltava o papel certo para que seu talento ganhasse projeção. Esse papel veio pelas mãos de Sam Mendes em Foi Apenas um Sonho (2008). No filme, Shannon interpretava um homem considerado louco que gosta de dizer umas verdades inconvenientes ao casal de vizinhos - vivido por Leonardo DiCaprio e Kate Winslet. Pela atuação intensa, Shannon foi indicado a vários prêmios de coadjuvante, inclusive o Oscar. Depois da indicação foi o protagonista do indepentende Pessoas Desaparecidas (2009) e firmou parceria com o renomado diretor Werner Herzog  no remake de Vício Frenético (2009) e My Son, What Have you Done? (2009). Ainda que em 2010 tenha participado da aguardada (e fracassada) versão da HQ Jonah Hex e da biografia da banda The Runnaways (numa atuação curiosa como o lendário produtor Kim Fowley), foi na TV que Shannon encontrou seu melhor papel daquele ano. Na série Boardwalk Empire, produzida por Martin Scorsese, Shannon interpreta um agente federal protestante que não hesita em utilizar a violência para servir a lei. Com as gravações da série, o ator ainda encontrou tempo de gravar um CD com sua banda (lançado em 2010), participar do filme menos badalado de Marc Foster (Redenção/2011) além de dois longas exibidos no festival de Cannes. Um deles foi o drama criminal O Retorno (ainda inédito por aqui) e o outro o colocaria no rumo das premiações mais uma vez. O Abrigo é sua segunda parceria com Mike Nichols e lhe valeu vários prêmios da crítica (Nova York, Chicago, Ohio, Toronto, San Diego) e indicações. O Oscar acabou deixando o cara de fora, mas a atuação de Shannon como um misto de louco e profeta foi uma das mais marcantes do ano passado. A parceria com Nichols funciona tão bem que Shannon já está no novo filme dele, "Mud", exibido em Cannes2012 e que já é cotado como um dos favoritos aos prêmios do ano. O ator ainda vai aparece nas telas ao lado do ciclista vivido por Joseph Gordon Lewitt e - se você ainda não se convenceu que o cara é bom - espere até vê-lo no thriller Iceman ao lado de Winona Ryder e Benicio Del Toro ou na sua aguardada versão do General Zod para o novo filme do Superman dirigido por Zack Snyder. Michael Shannon ainda vai estar entre os seus atores favoritos. 

Shannon em Possuídos: dos palcos para a tela. 

quinta-feira, 24 de maio de 2012

LADIES & GENTLEMEN: Viola Davis

Nascida na Carolina do Sul (EUA) em 1965, Viola Davis se tornou o tipo de atriz que quando você assiste sente que ela capturou sua alma.Isso acontece mesmo quando ela não aparece muito, em Dúvida (2008) ela aparece em duas cenas - o que foi suficiente para ser indicada ao Globo de Ouro e ao Oscar - além de ter sido considerada pela revista TIME uma das três atuações feminina mais marcantes daquele ano. Viola nasceu na fazenda de sua avó, sendo a segunda mais nova de uma família de seis filhos. Sua mãe era operária e empregada doméstica, enquanto  seu pai era treinador de cavalos. A infância foi um período difícil para a menina, apesar do esforço dos pais, a situação financeira da família era cada vez mais preocupante. Na adolescência Viola Davis percebeu que tinha dotes dramáticos suficientes para se tornar atriz. Se formou em teatro pela Rhode Island College em 1988, mas na faculdade quase desistiu da carreira. Uma de suas maiores motivadoras - e amiga  desde então - foi Meryl Streep, que notou que Viola conseguia injetar uma emoção genuína nos personagens que vivia. Apesar de estrear no cinema em 1996, como uma enfermeira no pouco lembrado  The Substance of Fire, a atriz chamou atenção de Steve Soderbergh no período de seu renascimento como cineasta. Steve a escalou para atuar em Irresistível Paixão (1996) num papel pequeno ao lado de George Clooney e Jennifer Lopez. Satisfeito com o desempenho da atriz tornaram-se amigos e a escalou novamente no premiado Traffic (2000) onde vivia uma agente social. Se a carreira no cinema ia devagar, Viola conseguia papéis mais importantes no teatro, especialmente quando em 2001 levou para a casa o prêmio Tony de melhor atriz pela peça King Reilley II, onde interpretava uma mulher grávida que pretende fazer um aborto. Nesta época podiamos vê-la no modesto The Shrink In e na comédia romântica Kate & Leopold ao lado de Meg Ryan (além de podermos ouvir sua voz no interrogatório a Danny Ocean em Onze Homens e um Segredo). Em 2002, Viola recebeu um doutorado honorário na Faculdade de Belas Artes, pelo seu incentivo nos projetos destinados aos jovens que pretendiam seguir a carreira artística (ela mesma participou de um desses programas, graças ao empenho de Bernard Masterson, que era diretor de um deles e lhe conseguiu uma bolsa na escola de artes). Neste momento especial ela estava nas telas no novo filme do amigo Soderbergh, o subestimado Solaris e ao lado de Julianne Moore no drama Longe do Paraíso. Porém, seu destaque ficou na atuação em Antwone Fisher que lhe valeu uma indicação ao Independent Spirit de coadjuvante. A vida de coadjuvante continuaria em seriados e  relativos sucessos do cinema como Syriana (2005), As Torres Gêmeas (2006), Paranóia (2006) e até como a avó de 50 cent em Fique Rico ou Morra Tentando (2005) e outras produções esquecidas. A coisa melhorou quando conseguiu o papel da mãe do menino que pode ter sido molestado em Dúvida (2008). Em menos de 10 minutos, Viola alcança a melhor atuação do filme, sendo indicada ao  Oscar de coadjuvante ao lado de seus colegas de elenco, Phillip Seymour Hoffman, Amy Adams e a amiga Meryl Streep. A indicação pode não ter lhe rendido a primeira estatueta da carreira, mas abriu caminho para produções de maior apelo perante o público como Intrigas do Estado (2009), Código de Conduta (2009), Encontro Explosivo (2010) e Comer, Rezar, Amar (2010), além da participação em seriados como United States of Tara e Law & Order. O mais interessante é que seu papel mais interessante no cinema foi numa produção independente onde vivia uma psiquiatra de sanatório no pouco visto Se enlouquecer, não se apaixone (2010). Era apenas um aperitivo do que estava por vir. Em 2011, Viola atuou em dois filmes que chegaram à categoria de melhor filme no Oscar. Um deles era Tão Forte, Tão Perto (onde era um dos coadjuvantes do filho de Tom Hanks e Sandra Bullock) e o outro era o sucesso Histórias Cruzadas. Na pele da doméstica Aibeleen Clark ela sofre com o racismo do Mississipi da década de 1960. Pelo desempenho, Viola Davis colecionou prêmios e seu desempenho colossal foi a maior oponente de Meryl Streep na disputa que lhe rendeu o terceiro Oscar de sua carreira. O momento em que Viola levantou-se para parabenizar a amiga foi um dos momentos mais elegantes da história da premiação, não duvide que Meryl teria feito o mesmo por ela. Neste ano Viola será uma das mães dedicadas de Won't Back Down e ano que vem estará no drama Beautiful Creatures e na pele de uma militar em Ender's Game. Ao que tudo indica, os dias de coadjuvante ficaram para trás. 

Dúvida: o mundo descobre Viola Davis. 

quarta-feira, 14 de março de 2012

LADIES & GENTLEMEN: Hugh Jackman

Nascido em 12 de outubro de 1968 na cidade de  Sidney, o australiano Hugh Michael Jackman é graduado em comunicação social com ênfase em jornalismo pela Universidade Tecnológica de Sidney, mas não satisfeito, ainda cursou sua graduação em arte dramática na Western Australia of Performing Arts. Os primeiros trabalhos surgiram na TV com destaque para a série da ABC Correlli no ano de 1995. Os trabalhos em séries de TV sem grande sucesso permaneceu até o ano de 1999, quando começou sua carreira cinematográfica. Neste ano participou da comédia romântica Paperback Hero e do drama Erskineville Kings - que lhe rendeu uma indicação ao prêmio de melhor ator da Academia Australiana de Cinema. No ano seguinte o ator foi escolhido para viver o herói dos quadrinhos Wolverine em X-Men - O Filme, dirigido pelo engenhoso Brian Singer. Os produtores queriam Russel Crowe para o papel, mas por problemas de agenda a vaga ficou aberta para o desconhecido ator australiano. Sucesso de público e crítica, Jackman foi considerado uma das maiores revelações do ano ao encarnar o mutante com garras de adamantium conforme mandava o figurino, mas Hollywood estava sedenta de novos galãs e escalaram o rapaz para duas comédias românticas no ano seguinte. Uma delas era a insossa Alguém como Você (2001), onde era o amigo cafajeste de Ashley Judd que acaba disputando o coração dela com um cara mais certinho.  A outra era Kate & Leopold (2001), onde a atuação de Jackman como um nobre do passado compensava aturar uma das piores atuações de Meg Ryan. Pela atuação, Jackman foi indicado ao Globo de Ouro de Melhor ator de comédia/musical. Ele ainda comprovou que tinha apelo perante o público masculino e feminino ao transformar o thriller tecnológico A Senha (2001) num sucesso de bilheteria. Jackman voltou a encarnar Wolverine em 2003, na sequência X-Men2. O filme foi mais sucesso que o anterior e seu personagem ganhou mais destaque com a promessa de uma aventura solo. Em 2004 ele poderia até ter se tornado protagonista de outra franquia de sucesso se o diretor Stephen Summers houvesse levado a sério o seu ofício e transformado Van Helsing em um filme decente! Apesar do empenho de Jackman como o clássico caçador de vampiros, o filme decepcionou nas bilheterias e, ao lado de seu agente, o australiano colocou sua carreira sob nova perspectiva. Nesse processo ajudou muito seu sucesso no musical The Boy From Oz onde interpretou o coreógrafo Peter Allen - papel que lhe rendeu o Tony de melhor ator. Com o reconhecimento da crítica topou ser o vilão charmoso de Scoop (2006), comédia pouco badalada de Woody Allen. No mesmo ano, Jackman emprestou sua voz para  as animações Por Água Abaixo (2006) onde vivia um rato bem cuidado e Happy Feet, onde interpretava o pai do pingüim sapateador. Ainda em 2006 esteve no sucesso de Christopher Nolan, O Grande Truque, -onde vivia um complexo jogo de disputa com o mágico vivido por Christian Bale. A parceria com Nolan quase lhe rendeu o papel de Harvey Dent para o aclamado "Cavaleiro das Trevas", mas acabou perdendo o papel por ser a cara de Wolverine. O papel mais corajoso de Hugh foi em Fonte da Vida (2006), o projeto mais pessoal e criticado de Daren Aronofsky. No papel de Thomas Creo, Jackman mostra todos os seus recursos dramáticos em três personagens distintos. Apesar da atuação avassaladora, o ator acabou ficando de fora das premiações devido ao fracasso comercial do longa. Apesar dos tropeços, Jackman provou seu poder ao ter a palavra final sobre a produção de X-Men: Confronto Final, que mesmo sem a direção de Brian Singer foi o maior sucesso da saga mutante. Dois anos depois o astro produziu A Lista, um suspense extremamente sexual mas que infelizmente se perde no meio do caminho. Depois, Jackman ainda teve que aguentar as críticas negativas ao megalomaníaco Austrália (2008) de Baz Luhrman. Ao lado de Nicole Kidman teve de ver o maior épico de sua terra natal ser espinafrado pela crítica. Apesar de ser mais leve do que deveria, o filme de Luhrman reserva bons momentos para seu esforçado elenco, o que torna o massacre numa injustiça.  Em meio às críticas ao longa, o ator foi convidado para apresentar o Oscar/2009 e executou a tarefa com grande desenvoltura. Há quem diga que o ator tinha esperanças de sua performance na apresentação da Academia concretizasse seu desejo de filmar a versão cinematográfica de The Boy From Oz, mas a ideia não decolou. Pelo menos em 2009 o desejo da aventura solo de Wolverine se tornou realidade, ainda que X-Men Origens: Wolverine (2009) não tenha um terço do apelo dos filmes da série de Bryan Singer. Depois de alguns papéis no teatro, o ator voltou às telas no ano passado com as pequenas participações em X-Men: Primeira Classe (2011) que retoma os primórdios dos alunos de Charlie Xavier e  Flor da Neve e o Leque Secreto, fantasia de Wayne Wang. Seu sucesso de 2011 foi Gigantes de Aço de Shawn Levy onde interpreta um pai relapso que reencontra os encantos da paternidade com ajuda de um robô lutador de boxe. O filme comprovou o poder de fogo do astro nas bilheterias. Recentemente estreou nos EUA Butter, uma comédia estrelada por ele e Jennifer Garner que deve chegar aqui em breve, mas este é só o início de um ano em que o ator ainda deve aparecer no elenco estelar da comédia Movie 43 ao lado de Kate Winslet, Emma Stone, Gerard Butler e Chloë Moretz, além de emprestar a voz para a animação Rise of the Guardians e  aparecer nas bolsas de aposta para o Oscar2013 no papel de Jean Valjean na adaptação musical de Tom Hooper (O Discurso do Rei/2010) para o clássico de Victor Hugo: Os Miseráveis. O cara ainda encontra tempo de dar forma à nova aventura de Wolverine nas telonas - a ser capitaneada por James Mangold depois que o mano Aronofsky desisitiu do projeto (isso sem falar nas esperanças de Boy from Oz).

Jackman em Fonte da Vida: Uma das maiores injustiças do Oscar de ator. 

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Ladies & Gentlemen: Jessica Chastain

Este ano o cinema ficou muito mais interessante com a chegada de Jessica Chastain em Hollywood. Desde o início ela já mostrava sua competência em séries para TV em produções como Plantão Médico e Law & Order. Depois de aparecer em alguns filmes independentes, neste ano ela chegou ao estrelato com sete (!!) lançamentos elogiados no currículo. Jessica Howard nasceu em 29 de março de 1981 numa família de classe média ao norte da Califórnia.  Aos nove anos se interessou pela dança e aos treze já fazia parte de uma companhia, onde utilizava como nome artístico o sobrenome de solteira de sua mãe (Chastain). Ela poderia estar dançando até hoje se uma amigo não a encorajasse a se tornar atriz. Ao ingressar numa presitigiada companhia teatral (a Juilliard) ela colheu elogios em clássicos como Salomé e Othello. No cinema seu primeiro papel de destaque foi em 2008 com o drama Jolene de  Dan Ireland baseado no livro de E.L. Doctorow. No filme ela passava por diversas situações ao viver uma adolescente que passa dez anos atravessando os EUA conhecendo todo tipo de gente e situação. Sua beleza européia clássica de pele clara e cabelos ruivos constrastava com a realidade da personagem e seu talento já ficava evidente. O lançamento de diversos filmes neste ano ocorreu devido ao burburinho que sua participação em A Árvore da Vida de Terrence Mallick causou quando suas exaustivas filmagens chegaram ao fim (há uns dois anos atrás). Enquanto o filme nunca saia da edição, seu nome se envolveu em filmes importantes que devem lhe garantir uma vaga nas premiações deste ano. Jessica parecia uma deusa quando chegou em Cannes para ouvir os aplausos e vaias destinadas ao filme de Mallick, mas antes mesmo do filme levar para a casa a Palma de Ouro, sua atuação já era uma unanimidade. No filme ela é o total oposto do pai vivido por Brad Pitt. É impressionante como ela não precisa dizer uma palavra para expressar amor pelos membros de sua família (e incluo aí o gato, que em uma das cenas, deita em seu colo como se o estivesse procurando a vida inteira). Outro filme premiado em Cannes que contou com a atuação da nova estrela é O Abrigo (Take Shelter) de Jeff Nichols, onde ela interpreta a esposa do problemático personagem de Michael Shannon (que tem alucinações sobre o apocalipse). Muito elogiado, o filme deve estrear em breve por aqui. Ela ainda deve aparecer em breve em meio aos contornos tragicômicos sobre a segregação racial em Histórias Cruzadas (The Help), onde ela interpreta uma das patroas mais simpáticas do Mississipi - o filme desde já está cotado para o Oscar. Entre os filmes fortes, para as premiações, ela ainda participa da estreia shakesperiana de Ralph Fiennes na direção com Coriolanus e ainda está no novo longa dirigido por Al Pacino, Wilde Salome, uma reinterpretação do clássico teatral de Oscar Wilde. Mas nem só de filmes candidatos à premiações a atriz esteve neste ano. Ela também aparece ao lado de Sam Worthington no suspense policial Em Busca de Um Assassino  que acaba de chegar às locadoras. Mesmo não sendo uma obra prima, o filme de Ami Carran Mann (filha de Michael Mann) rendeu elogios à atriz pela forma como interpreta a ex-mulher do policial que investiga assassinatos misteriosos no Texas (Wortington). Outro filme que participou ao lado de Worthington é No Limite da Mentira onde interpreta o mesmo papel de Helen  Mirren quando jovem. Depois de aparecer tanto em 2011, ano quem vem, Jessica terá um ano mais tranquilo já que tem somente um filme confirmado para o ano que vem (Wettest Country de John "A Estrada" Hillcoat com texto do soturno Nick Cave). Ela também acabou de filmar o novo filme dirigido por Terrence Mallick, mas como ele gosta de ficar anos editando seus filmes só Deus sabe quando será lançado! Até lá, Jessica corre risco de já ter alguns prêmios importantes  na estante.

Com Rupert Friend em Jolene: primeiros elogios.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Ladies & Gentlemen: Naomi Watts

Não deve ser fácil carregar um sobrenome como Watts, afinal, nos lembra energia, choque elétrico, luzes de tudo mais. Sorte que Naomi Ellen Watts consegue carregar um nome desses em grandes problemas. Claro que houve um tempo que ela era apenas mais uma atriz querendo aparecer em bons filmes à altura de seu talento, mas Naomi ainda é um caso curioso que precisou apenas de um longa de sucesso para ser colocada entre as melhores atrizes de Hollywood. Naomi nasceu na Inglaterra em 1968 e a vida familiar da loura não foi fácil, seus pais se separaram quando tinha apenas quatro anos e o pai faleceu quatro anos depois. Seu pai era engenheiro de som do Pink Floyd e sua mãe era um hippie meio destrambelhada que tinha a ideia fixa de dar a guarda de Naomi e seu irmão para os avós. Aos quatorze anos Naomi foi morar em Sidney, onde começou a fazer cursos de interpretação e conheceu sua melhor amiga, Nicole Kidman.   Aos 18 anos se aventurou numa mal fadada carreira de modelo, a qual a atriz quer esquecer até hoje. Enquanto a carreira de atriz não deslanchava trabalhou no comércio e depois com um editor de revistas de moda - além de dedicar-se ao judô (esporte pelo qual chegou a participar de alguns campeonatos). Quando a vida artística voltou aos eixos foi  para uma participação em filmes pouco conhecidos como For love alone (1986), Flertando (1990) e séries de TV. Do seu período de anonimato os filmes mais conhecidos são (o legal) Matinee (1993),  Tank Girl (1995) e a voz usada em Babe 2 (1998). Mas, quando Naomi foi escalada para trabalhar com David Lynch em Mullholand Drive (1999) que as coisas mudaram de rumo. Está certo que MD era uma série de TV que acabou rejeitada, engavetada, reciclada e lançada só em 2001 com prêmios em Cannes e indicações a prêmios importantes como o Oscar. Mullholand Drive virou Cidade dos Sonhos e deu ao mundo uma atriz capaz de tirar o fôlego da plateia sobre o efeito da mente criativa de Lynch. O filme se tornou sucesso mundial e colocou Naomi no páreo pelos grandes papéis. Ela não parou mais, enfileirando o sucesso O Chamado (2002), o namoro com Heath Ledger nas filmagens de Ned Kelly (2003), trabalho com James Ivory em À Francesa (2003) e a consagração deifinitiva com  21 Gramas de Alejandro Gonzalez Iñarritú no mesmo ano. Este último lhe rendeu o prêmio de atriz em Veneza e sua merecida primeira indicação ao Oscar.  Naomi ainda ganhou espaço em produções independentes como na troca de casais de Tentação (2004), a participação especial em O assassinato de um presidente (2004) e exercitou seu lado cômico em Huckabees (2004) e Elle Parker (2005) - onde reviveu a personagem de um curta de 2001. Enfileirando vários projetos por ano ela ainda arranjou tempo para a continuação de O Chamado, ser a musa do  King Kong de Peter Jackson e uma das peças de A Passagem de Marc Foster - tudo isso em 2005. Workaholic assumida, ela diminuiu o ritmo em 2006, fazendo a voz de um dos coelhos do novo filme de David Lynch, Império dos Sonhos e tentou uma vaga no Oscar com O Despertar de uma Paixão. Se os prêmios ignoraram sua atuação, pelo menos nas filmagens ela conheceu o esposo Liev Schreiber, com quem está junto há seis anos. Depois do casamento, a atriz diminuiu o ritmo para dar conta das duas vezes em que engravidou (que gerou Alexander Pete em 2007 e Samuel em 2008), mas ainda assim arranjou tempo para atuar no remake de Violência Gratuita (2007) de Michael Haneke e o badalado Senhores do Crime (2007) de David Cronenberg, que vivem dizendo que terá uma continuação. Em 2009, com outra gravidez no currículo, sua partipação em Trama Internacional de Tom Tykwer foi modesta, mas não atrapalhou seu vigor no maternal Destinos Ligados de Rodrigo Garcia. Ano passado, Naomi quase trabalhou com Nicole Kidman em Você vai conhecer o homem dos seus sonhos (2010) de Woody Allen, mas Nic acabou desistindo do papel por problemas de agenda. O filme de Allen foi exibido em Cannes assim como Jogo de Poder (2010), mas nenhum deles fez o sucesso esperado. Este ano, Naomi está em três filmes inéditos por aqui: A Casa dos Sonhos (ao lado do casal Rachel Weisz e Daniel Craig), The Ipossible (com Ewan McGregor) e o ambicioso J. Edgar de Clint Eastwood estrelado por Leonardo DiCaprio, Armie Hammer e Josh Lucas, que deve figurar entre os mais cotados para o próximo Oscar. Resta cruzar os dedos...

Naomi e Liev: de amantes na tela para o "casal mais feliz de Hollywood"!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Ladies & Gentlemen: Amy Adams

Sei que não parece, mas a ruiva Amy Adams é italiana - mas a surpresa diminui um bocado quando descobrimos que a atriz é filha de um casal de americanos (Kathryn e Richard Adams) e nasceu na terra da pizza por conta do trabalho de seu pai. Nascida em 1974, Amy é uma das atrizes mais aclamadas de sua geração e esperta o suficiente para aproveitar as boas chances que lhe aparecem pelo caminho (mesmo quando parecem arriscadas), por conta disso já conseguiu três indicações ao Oscar nos últimos cinco anos! Apesar da maioria de seus papéis ser de meninas comportadas, a atriz já demonstrou que consegue dar conta dos mais variados personagens - e estes nem precisam ser os protagonistas para que ela se destaque. Amy começou sua carreira no cinema em 1999 (num filme de pouco conhecido chamado Drop Dead Gorgeous, ao lado de Kirsten Dunst e Denise Richards), despois seu talento foi lapidado na TV em produções variadas como o seriado That '70's show, Charmed, The Office, West Wing e Smalville - além de alguns filmes para a telinha como Segundas Inteções 2 (onde assumiu o papel que era de Sarah Michelle Gellar). As grandes produções do cinema pareciam tê-la encontrado quando Spielberg a escalou em Prenda-me de for capaz (2002), mas ainda não era daquela vez que Adams ganharia o devido destaque, já que o papel era pequeno na trama. A guinada em sua carreira aconteceu em Retratos de Família (2005), onde interpretou a personagem mais carismática da trama: uma jovem grávida em meio à fria família de seu esposo. Amy fez o papel de forma tão comovente que além dos prêmios do cinema independente, ainda cavou uma vaga entre as indicadas ao Oscar de coadjuvante. Depois enveredou por comediotas americanas   como Ricky & Bob (2006) e Tennacious D (2006), mas mostrou todos os seus recursos em Encantada (2007), onde fazia uma princesa de contos de fada perdida em Nova York. Se Encantada tornou-se um sucesso, se deve muito à desenvoltura de Amy, que canta, dança, interpreta e parece uma legítima discípula de Julie Andrews (fato que lhe rendeu uma indicação ao Globo de Ouro e o direito de cantar as três músicas indicadas ao Oscar na noite de premiação)! Pena que no mesmo ano foi desperdiçada no chato Jogos do Poder (o primeiro malfadado encontro de Tom Hanks e Julia Roberts em 2007). Em 2008 ela lançou três filmes, sendo indicada ao Oscar e ao Globo de Ouro de coadjuvante pelo drama Dúvida (2008), onde interpretava uma freira bem-intencionada, apesar da língua maior que a boca.  Talvez pela densidade de sua personagem tenha optado por relaxar no ano seguinte, interpretando uma... estátua de Amelia Earhart em Uma Noite no Museu II (2009) e a blogueira cozinheira de Julie & Julia (2009). Se os românticos Moonlight Serenade (2009) e Casa Comigo (2009) não fizeram o sucesso esperado no ano seguinte, a atriz não tem do que reclamar de  seu papel mais ousado: Charlene, a namorada do lutador Micky Ward em O Vencedor (2010). Charlene é bem diferente de seu outros papéis, nada refinada e de personalidade forte, o papel lhe valeu a terceira indicação ao Oscar de coadjuvante (e perdeu para sua parceira de elenco, Melissa Leo). Para este ano a atriz promete dois filmes: On the Road (a adaptação do brasileiro Walter Salles para o livro de Jack Kerouac) e a nova aventura dos Muppets. Amy não para por aí, anda filmando a versão repaginada de Zack Snyder para Superman (sob o título de Man of Steel) previsto para ser lançado em 2013, no filme ela é a eterna musa do herói kryptoniano, Lois Lane.  

Amy encarna Gisele: princesa impagável.