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quarta-feira, 20 de novembro de 2024

PALPITES PARA O OSCAR 2025 - PARTE FINAL

"Piano de Família" de Malcolm Washington
 
O astro Denzel Washington continua em sua missão de adaptar as peças de August Wilson para as telas. Desta vez ele produz o filme de estreia de seu filho na direção, que conta com a presença do outro filho, John David Washington no elenco. A peça é considerada uma obra-prima e conta a história de uma família dona de um piano herdado que é decorado por desenhos esculpidos por um ancestral escravizado. O elenco estelar ainda conta com Samuel L. Jackson, Ray Fisher, Erykah Badu e Danielle Deadwyler (que está cotadíssima para o Oscar de atriz coadjuvante). O longa é uma das apostas da Netflix para a temporada de prêmios. 

"A Complete Unknown" de James Mangold
 
Depois de fazer sucesso com uma cinebiografia de Johnny Cash (Johnny & June/2005), Mangold pretende retornar ao radar das premiações com uma história baseada na ascensão do ícone Bob Dylan ao estrelato nos anos 1960. O filme recebeu elogios pela forma como reconstrói a cena musical do período e tem uma performance inspirada de Thimothée Chalamet (um dos favoritos ao Oscar de melhora ator). O elenco ainda conta com Edward Norton, Elle Fanning, Boyd Holbrook,Will Harrison e uma elogiadíssima Monica Barbaro no papel de Joan Baez. O filme é aguardado com grandes expectativas para a temporada. 

"Queer" de Luca Guadagnino
 
Embora a recepção no Festival de Veneza não tenha sido das mais empolgantes, a adaptação da obra de William S. Burroughs não gera só polêmicas em torno de seu teor homoerótico, mas também gera expectativas para ver se Daniel Craig finalmente será indicado ao Oscar. Ele vive Lee, um militar aposentado da Marinha dos Estados Unidos que vive na cidade do México dos anos 1940 e que se apaixona por um homem muito mais jovem.  O filme ainda tem no elenco Jason Schwartzman, Lesley Manville e Omar Apollo. A produção também está cotado para o Oscar de melhor fotografia. 

"Um Homem Diferente" de Aaron Schimberg

Premiado no Festival de Berlim deste ano, Sebastian Stan ainda tem sua cota de admiradores em torno de seu trabalho neste drama com maior jeito de thriller psicológico. Ele vive Edward, um ator que resolve mudar drasticamente sua aparência e acarreta efeitos indesejados em sua carreira. O filme também pode aparecer entre os indicados a melhor roteiro original (assinado pelo próprio diretor) e até surpreender com seu elenco de coadjuvantes bem defendidos por Renate Reinsvie e Adam Pearson. 

"Maria" de Pablo Larraín

De vez em quando Angelina Jolie lembra que é atriz e resolve atuar novamente nos cinemas. Quando surge em um projeto mais sério começam logo as especulações em torno do tempo que faz de  sua última indicação (por A Troca/2008) ou de quando ganhou um Oscar de coadjuvante (por Garota Interrompida/1999). Na nova biopic do diretor chileno sobre personalidades femininas, Jolie vive a diva Maria Callas em um período de crise que comprometeu a sua belíssima voz. Centrado nos últimos anos de vida da cantora, o filme tem poucas chances de figurar em outras categorias além de melhor atriz. 

"The Last Showgirl" de Gia Coppola

Comprovando que a disputa por uma indicação ao Oscar de melhor atriz está acirradíssimo no próximo Oscar, até mesmo a estrela da série SOS Malibu (1989-2001) surge com chances de uma respeitosa indicação. Pamela Anderson já foi uma das figuras mais faladas de Hollywood, mas nunca foi levada a sério como atriz no cinema, pelo menos até encarnar Shelly, uma showgirl de Las Vegas que perde o emprego após seu espetáculo ser cancelado após trinta anos em cartaz. Por dar conta dos dramas da personagem, Pamela se tornou o ponto mais elogiado do filme que conta ainda com Dave Bautista, Jamie Lee Curtis e Kiernan Shipka. Façam suas apostas!

segunda-feira, 4 de novembro de 2024

Palpites para o Oscar 2025 - PARTE II

"Babygirl" de Halina Rijn
 
Nicole Kidman no Oscar de novo? Pode apostar que sim! Com a credencial de ser eleita a melhor atriz do último Festival de Veneza, a atriz fincou seu lugar na disputa do prêmio de melhor atriz da temporada. No papel de uma executiva casada que se envolve no jogo de sedução de um jovem funcionário, o filme investe num tom bastante provocativo para abordar os riscos dessa relação. Embora possa aparecer em outras categorias (incluindo de ator coadjuvante para Antonio Banderas ou Harris Dickinson) a campanha do filme investe cada vez mais no trabalho de Kidman para figurar nas premiações. Se for indicada, esta será a sexta vez que a atriz será indicada (e ela possui um Oscar na estante por As Horas/2002). 

"Sing Sing" de Greg Kwedar

Quem vai precisar de um empurrãozinho na temporada é Colman Domingo, que já foi considerado o favorito ao Oscar de melhor ator quando este filme começou a ser exibido nos Estados Unidos, mas após não chamar atenção nas bilheterias, o longa perdeu fôlego justamente quando precisava estar mais em evidência. Ambientado na prisão de segurança máxima que dá nome ao filme, o longa conta a história de detentos envolvidos com o projeto Reabilitação Através da Arte, em que presidiários se envolvem com espetáculos teatrais. Colman e Paul Racci lideram o elenco que inclui pessoas que participaram do projeto. Elogiado pela crítica, o filme precisa de uma campanha de resgate para não desaparecer nas premiações.
 
"Hard Truths" de Mike Leigh  
 
Outro filme independente que precisa de apoio para não ser esquecido na temporada de prêmios é a nova produção assinada pelo inglês Mike Leigh. Elogiado nos festivais em que foi exibido, o longa conta a história de Pansy (Marianne Jean-Baptiste), um mulher depressiva que precisa aprender a controlar sua raiva. Seu temperamento afeta sua relação com o marido e o filho e parece que somente a irmã tem paciência com ela. O filme promove o reencontro de Leigh com Marianne, que foi indicada como atriz coadjuvante por sua obra-prima, Segredos e Mentiras (1996). O mais legal do filme é ver Leigh conseguindo bancar um projeto após anos seis anos ouvindo que seus longas não são interessantes para gerar lucro. Sacrilégio!
 
"The Real Pain" de Jesse Eisenberg
 
Quem desponta como favorito ao prêmio de coadjuvante é Kieran Culkin, após todo o sucesso de sua performance nas temporadas de Succession (2018-2023) ele recebe cada vez mais elogios por seu trabalho neste segundo longa dirigido por Jesse Eisenberg, que também atua no filme. Os dois vivem primos que após a morte da avó resolvem viajar para a Polônia para conhecer a origem da família. Os dois se deparam então com as lembranças do Holocausto. Aclamado no Festival de Sundance, Eisenberg tem poucas chances de ser indicado à melhor ator ou direção, mas deve aparecer na categoria de melhor roteiro original.  

"Nickel Boys" de RaMell Ross 

 
Imagina que você lança seu primeiro longa-metragem de ficção e é comparado com ninguém menos do que Terrence Mallick! É isso o que acontece com RaMell Ross, após dirigir um documentário, um curta e uma série de TV, o rapaz colhe elogios calorosos com sua adaptação da obra de Colson Whitehead (ganhador do Pulitzer) sobre o cotidiano de dois jovens que vivem em um reformatório da Flórida. A recepção à produção é tão calorosa que apostam que ele aparecerá entre os concorrentes aos Oscars de filme, direção, roteiro adaptado, fotografia, montagem e ator coadjuvante para o novato Brandon Wilson.
 
"Jurado Nº2" de Clint Eastwood
 
 Imagine que você investe uma fortuna em um dos maiores micos do ano e, ao mesmo tempo, tem uma das produções mais elogiadas da temporada e... não dá a mínima para ela. Este comportamento estranho é o que a Warner apresenta com relação ao novo filme da lenda viva Clint Eastwood. O filme rejeita ser apenas mais um filme de tribunal e apresenta uma truncada teia de interesses e dilemas morais defendidos por um elenco encabeçado por Nicholas Hoult e Toni Collette. A produção que conta com pífia campanha de marketing pode aparecer no Oscar se tiver uma boa campanha de boca a boca em uma Hollywood perdida entre franquias e fiascos de bilheteria. Com o vexame de Coringa2 A Warner agora só tem olhos para campanha de  Duna2 para o Oscar (e deve alcançar o mesmo resultado do primeiro filme perante à Acadermia). 

segunda-feira, 21 de outubro de 2024

Palpites para o Oscar 2025 - PARTE I

Cá estamos especulando mais uma vez sobre o ápice da temporada de ouro do cinema. Até o momento já tivemos contato com algumas produções que devem tentar alguma indicação. Provavelmente Duna 2 irá aparecer no Oscar novamente, assim como Divertida Mente2 tem lugar garantido entre os favoritos à melhor animação. Existe uma grande torcida para que A Substância quebre preconceitos e seja lembrado pelos votantes do Oscar, a torcida do longa estrelado por Demi Moore se tornou maior que a de Rivais, Guerra Civil e Assassino por Acaso tem sua ala de torcedores. No entanto, os pesos pesados da temporada começam a se revelar somente agora nos Estados Unidos. A seguir os filmes inéditos por aqui que cobiçam votos da Academia: 

 
"O Brutalista" de Brady Corbet

Se a cerimônia do Oscar fosse hoje, provavelmente o ganhador seria este drama com três horas e meia de duração! O filme conta a história de Lászlo Toth (Adrien Brody), um visionário arquiteto que foge da Europa ao lado de sua esposa (Felicity Jones) no pós-guerra de 1947 para os EUA, mas o destino de ambos é mudado por conta de um misterioso cliente. Com a maior cara de cinemão clássico banhado nos fantasmas da Segunda Guerra Mundial, o filme tem tudo para ser o grande filme do próximo Oscar. Com produção impecável o filme de três horas e meia de duração impressiona por ter custado menos de dez milhões de dólares!!! Presença certa na categoria de melhor filme, direção, roteiro, ator, fotografia, figurino e montagem... o filme deve ser aquele que os demais devem temer.

"Anora" de Sam Baker 

Com tantas mudanças entre o corpo votantes da Academia, não seria surpresa se o ganhador da Palma de Ouro do Festival de Cannes chegasse como o favorito para levar a estatueta no dia dois de março do ano que vem. O filme conta a história de uma garota de programa (Mikey Madison) que se casa com um grande herdeiro, mas que a família não recebe bem a notícia e deseja anular o casamento. Feito com atores desconhecidos e com o senso de dramédia habitual de Sam Baker, temos aqui a chance do diretor cair de vez nas graças da Academia (antes ele conseguiu somente aquela indicação de coadjuvante de Willem Dafoe por Projeto Flórida/2017). O longa parece ter lugar garantido nas categorias principais, incluindo filme, direção, roteiro e atriz principal. 

"Conclave" de Edward Berger
 
Se os votos se dividirem entre os concorrentes anteriores, provavelmente este novo filme do diretor alemão do oscarizado Nada de Novo no Front (2022) deve fazer bonito. A produção conta uma conspiração durante a escolha do novo Papa e Ralph Fiennes está perfeito como o cardeal responsável pela eleição (despontando como o grande favorito ao Oscar de melhor ator - e já passou da hora dos votantes reconhecerem o talento deste indicado duas vezes ao prêmio). O longa também deve concorrer em  melhor filme, direção, figurino, direção de arte, roteiro, ator coadjuvante (Stanley Tucci) e atriz coadjuvante (Isabella Rosselini).

"O Quarto ao Lado" de Pedro Almodóvar
 
Premiado com o Leão de Ouro no Festival de Veneza, o novo filme do cineasta espanhol (que finalmente realizou seu primeiro longa-metragem em língua inglesa) chega cobiçando indicações robustas, pelo menos deve aparecer em melhor filme, direção, atriz (para Julianne Moore e Tilda Swinton), fotografia e roteiro. A trama conta a história de duas amigas que se reencontram em tom de despedida diante da doença grave de uma delas. O reencontro coloca a relação entre as duas em perspectiva e insere duas novas personagens femininas para a vasta coleção de musas do cineasta. 
 
 
"Ainda Estou Aqui" de Walter Salles
 
Também premiado no Festival de Veneza (melhor roteiro), o brasileiro que disputará uma vaga no prêmio de Filme Internacional tem grandes chances de quebrar um longo jejum do nosso país no Oscar. Desde "Central do Brasil"/1998, também de Walter Salles, que o Brasil não entra no páreo da categoria. O filme baseado no livro de Marcelo Rubens Paiva, baseado na figura marcante de sua mãe (vivida aqui por Fernanda Torres). O longa conta a história de uma família que busca informações sobre o patriarca (papel de Selton Mello) desaparecido durante o período da ditadura militar. Existem muitas especulações que o filme tenha indicações para melhor atriz, roteiro, direção e até melhor filme, mas será que a Academia lhe renderia tanto espaço assim?

"Emilia Pérez" de Jacques Audiard
 
A grande pedra no caminho do filme brasileiro é este filme escolhido pela França para disputar o prêmio de Filme Internacional. Ambientado no México, o filme conta a história de uma advogada que ajuda um temido chefe de cartel a largar o mundo do crime e desaparecer para sempre na pele da mulher que ele sempre desejou ser. Karla Sofía Gascon, Zoe Saldana, Selena Gomez e Adriana Paz dividiram o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes. Karla tem chances de se tornar a primeira mulher trans a ser indicada ao Oscar de melhor atriz, as demais (especialmente Zoe Saldana e Gomez) devem aparecer como coadjuvantes. A última vez que um filme do diretor disputou o Oscar foi com o espetacular O Profeta (que perdeu para o argentino O Segredo dos Seus Olhos). Só para lembrar: o filme é um musical!