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| Luisa e Ravel: de boas intenções... |
sábado, 12 de setembro de 2026
CICLO VERDE E AMARELO: Transe
domingo, 2 de agosto de 2026
PL►Y: Mesa Maldita
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| Pareja: o horror do luto. |
domingo, 23 de junho de 2024
PL►Y: Está tudo bem comigo?
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| Dakota: uma amiga em crise. |
Lucy (Dakota Johnson) e Jane (Sonoya Mizuno) são melhores amigas faz tempo. As duas estudaram juntas e desde então não se desgrudam. Mas enquanto Jane tem um relacionamento sério com Danny (Jermaine Flower), as emoções de Lucy com Ben (Whitmer Thomas) estão confusas entre o namoro e a amizade. A vida amorosa de ambas funciona como uma espécie de analogia sobre as duas, enquanto uma é segura de si (e por vezes transborda suas intenções a quem está por perto), a outra está sempre hesitante em dar uma oportunidade a si mesma. No entanto, existe algo de confortável nesses polos opostos em que as amigas estão, já que uma acaba dando conforto à outra. O problema é quando Jane recebe a proposta de ir morar em Londres à trabalho por conta de uma promoção e ficar por lá por tempo indeterminado. Se de início Lucy fica feliz pelo reconhecimento conquistado pela amiga, a coisa complica quando ela se dá conta de que sem a companhia da melhor amiga, ela não terá mais ninguém por perto. Acho que se perguntarem para Lucy o que está acontecendo, ela não saberá explicar, mas quem já teve uma pessoa tão próxima capaz de oferecer suporte emocional quando se precisa, esta pessoa irá entender completamente o que se passa. O problema é que Jane não é apenas um suporte, mas uma verdadeira muleta para as emoções mais escondidas de sua amiga. O anúncio do distanciamento faz com que Lucy comece a questionar uma série de coisas em sua vida, isso inclui a sua profissão e também a forma como vivencia seus relacionamentos amorosos. Quando Está Tudo Bem Comigo? (que está disponível no Max) se concentra nestes pontos complicados, o filme funciona muito bem, especialmente no seu início. No entanto, quando resolve abordar a forma como a personagem começa a enfrentar sua homossexualidade o filme decepciona (o affair com a colega de trabalho é uma das coisas mais insossas que já vi em um filme) e fica pelo meio do caminho. O roteiro de Lauren Pomerantz acerta ao apresentar como uma amizade é importante em nossas vidas e o quanto imaginar sua ausência pode ser algo desesperador, acerta quando as duas amigas (com a distância iminente) começam a lavar roupa suja e trazem à tona segredos que não imaginavam, no entanto, quando inventa aprofundar a sexualidade de Lucy o filme demora para se ajeitar. Oque falta de energia na crise romântica de Lucy, sobra em sinceridade nas atuações de Dakota Johnson e Sonoya Mizuno na pele de duas amigas que deixam o desfecho ainda mais autêntico.
Está Tudo Bem Comigo (Am I Ok? / EUA - 2022) de Tig Notaro e Stephanye Allyne com Dakota Johnson, Sonoya Mizuno, Kiersey Klemons, Molly Gordon, Jermaine Flower e Whitmer Thomas. ☻☻
quarta-feira, 17 de abril de 2024
PL►Y: Suzume
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| Suzume: por trás dos terremotos japoneses. |
domingo, 14 de abril de 2024
PL►Y: Viver
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| Bill: pensando sobre a vida que resta. |
Bill Nighy é um rosto bastante conhecido dos cinéfilos. Com 74 anos de vida e mais de quatro décadas de carreira, o ator inglês já participou de inúmeras produções para teatro, cinema e televisão. Apesar de ser mais conhecido por seus trabalhos em comédias, Bill tem uma cota de personagens sérios respeitáveis, mas que o Oscar parecia não dava muita bola até que em 2022 ele atuou neste filme de Oliver Hermanus. Viver conta a história de Sr. Rodney Williams (Nighy), burocrata de Londres que chefia um grupo de funcionários que são responsáveis por obras na cidade. Sisudo e fleumático, Williams não é muito aberto a intimidades com seus colegas e parece aquele tipo de pessoa que passou todo o tempo agarrado em seus compromissos - enquanto a vida passava junto aos ponteiros do relógio sem que ele se desse conta. Sua rotina rígida é quebrada quando ele descobre que possui câncer e alguns meses de vida. Naquele momento ele percebe que a vida não poderia ser só aquilo que fez até ali e deseja fazer algo diferente no tempo que lhe resta. O roteiro segue então pelo caminho mais óbvio, que é inserir o personagem por noitadas, com mulheres, bebidas e gastos que não caberiam na vida de um sujeito tão regrado. A diferença é que mesmo nesses momentos, Sr. Williams não parece encontrar satisfação, deixando que algo mais se revele em momentos mais intimistas, como aquele em que toma coragem para bancar um projeto que há muito tempo é barrado no trabalho ou nos momentos em que passa a se encontrar com uma jovem colega de trabalho, a senhorita Margaret Harris (Aimee Lou Wood), momentos em que a suspeita de um romance tardio ganha menos espaço do que a sensação de tempo perdido ao longo da vida. São nos detalhes que a atuação de Bill Nighy se revela merecedora de espaço entre os indicados ao Oscar de melhor ator de 2023, seu trabalho é sutil, preciso e consegue transparecer a sensação de quem está no fim da vida e não há muito mais o que se fazer além de aproveitar o tempo que resta. O filme só me parece curto demais para dar conta das nuances do personagem junto aos outros que o cerca, isso acontece tanto com Margaret quanto com o novato Peter (Alex Sharp), que parece ser o dono do olhar sobre o protagonista oferecido pela produção. Viver é na verdade uma adaptação da adaptação, já que é baseado em Ikiru (1952) de Akira Korosawa que é pautado pela obra A Morte de Ivan Ilich de Tolstói. O texto aqui ficou por conta do romancista Kazuo Ishiguro, que é craque em sutilezas e transporta o dilema do protagonista num encaixe perfeito para a realidade britânica. Mesmo que você não a considere uma produção empolgante, Viver deixará a sensação de uma reflexão sobre a forma que encaramos a vida ao indagar se entre nosso compromissos cotidianos estamos realmente a viver.
Viver (Living / Reino Unido - Japão - Suécia / 2022) de Oliver Hermanus com Bill Nighy, Alex Sharp, Aimee Lou Wood, Michael Cochrane, Zoe Boyle, Hubert Burton e Oliver Chris. ☻☻☻
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024
PL►Y: Pare com Suas Mentiras
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| Victor e Guillaume: peças de um no quebra-cabeça do outro. |
Stéphane Belcourt (Guillaume de Tonquédec) é um escritor famoso que após trinta e cinco anos afastado de sua cidade natal recebe o convite para ser embaixador de uma famosa destilaria da região. Após alguns anos sem lançar um romance, ele está promovendo o lançamento de um conto que se tornou um sucesso de crítica e, também por este motivo seu retorno à cidade é bastante aguardado. No entanto, Stéphane sabe que o distanciamento de suas origens tem um motivo que custa caro à toda a sua obra: seu primeiro e grande amor. Quando adolescente, Stéphane se encontrava secretamente com um colega de escola, Thomas Andrieu (Julien de Saint Jean), de forma que os encontros tórridos se transformaram ao longo dos meses em um romance tão secreto quanto proibido. Esta história perpassa as entrelinhas de várias obras do escritor, mas ele nunca falou abertamente sobre isso, uma vez que Thomas sempre pediu segredo sobre aquela relação. Acontece que ao chegar na cidade, Stéphane conhece um dos funcionários da destilaria, Lucas (Victor Belmondo), que não por acaso, carrega o sobrenome de sua antiga paixão. Lucas é filho de Thomas e ao descobrir que Stéphane conhecia seu pai, fica mais próximo dele para saber um pouco mais da história de seu pai quando jovem. Ou pelo menos é isso que o filme apresenta de início, já que Lucas não revela tudo o que sabe sobre a amizade entre os dois personagens. Baseado no livro de Phillipe Besson o diretor Oliver Peyon faz um filme agradável de se assistir sem se distanciar da verve literária da obra, especialmente na organização da estrutura narrativa e no uso de flashbacks (em que o Jéremy Gillet vive o jovem Stéphane). Para envolver o espectador, o diretor cria um verdadeiro jogo entre Lucas e Stéphane que nunca sabem muito bem como dizer ao outro o que precisa ser contado, assim, o filme cria uma espécie de quebra-cabeça sobre os personagens e os sentimentos ambíguos de um pelo outro. Guillaume Tonquédec está muito bem em cena e consegue construir um protagonista muito discreto, já que conforme o roteiro apresenta no passado e no presente, seu personagem sabe que o mundo ainda tem ressalvas a pessoas que sentem atração por pessoas do mesmo sexo. Esta discrição funciona muito bem a bem ao lado da energia jovial que emana de Lucas, numa ótima interpretação de Victor Belmondo (filho do cultuado Jean Paul) que defende bem as oscilações do personagem perante as lacunas sobre o pai que precisam ser preenchidas. Embora Pare com Suas Mentiras tenha um ponto de partida já utilizado diversas vezes, ele consegue se desenvolver de forma bastante satisfatória ao construir personagens que parecem pessoas de verdade com seus fantasmas a serem exorcizados.
Pare com Suas Mentiras (Arrête avec tes mensonges/França-2022) de Oliver Peyon com Guillaume Tonquédec, Victor Belmondo, Jermy Gillet, Julien de Saint Jean, Pierre- Jean Chapuis e Laurence Pierre. ☻☻☻☻
quinta-feira, 30 de novembro de 2023
PL►Y: Fresh
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| Daisy e Stan: em busca da metade da laranja. |
Acho que a irlandesa Daisy Edgar Jones ganhou uma legião de fãs instantaneamente com a minissérie Normal People (2020), assim como Paul Mescal, seu par na produção. O programa rendeu para ambos indicações aos prêmios mais importantes da televisão, o que carimbou a passagem deles para Hollywood. Se Mescal já foi até indicado ao Oscar, Daisy tem procurado produções instigantes que demonstram que ela é uma atriz marcante. Um desses filmes é Fresh. Confesso que meu interesse pelo filme surgiu principalmente por conta dela e, dia desses, vendo minha lista (gigante) de filmes para assistir estava lá este suspense (disponível faz tempo no Star+) que brinca com a busca pelo par perfeito. Daisy vive Noa, uma jovem que está cansada de procurar sua cara metade em aplicativos de relacionamento. Em determinado momento ela revela que odeia toda aquela tensão do primeiro encontro que é bastante evidente quando um tenta demonstrar para o outro que é a perfeição em forma de gente. Por vezes não parece que se está lá pelo seu interesse no par no encontro, mas para que se prove a melhor opção perante todas as outras. Eis que um dia ela conhece no supermercado o simpático Steve (Sebastian Stan). A conversa flui naturalmente, a faísca da atração mútua aparece, um encontro é marcado e tudo flui como deveria ser... O que poderia ser apenas mais uma comédia romântica logo muda de configuração quando os dois viajam para passar alguns dias juntos e Steve não é nada do que parece. Bem, na verdade pouca gente consegue ser, mas a situação é bem mais complicada. Não vale dizer muita coisa para não quebrar as surpresas que o filme reserva, mas, digamos, que Steve quer devorar Noa. Literalmente. Escrito por Lauryn Kahn e dirigido por Mimi Cave, o filme se torna angustiante a partir do momento em que Noa precisa tentar alternativas para se livrar daquela situação macabra antes que o pior aconteça, restando-lhe pouco mais do que a empatia que seu algoz parecia sentir por ela nos primeiros encontros que tiveram. Embora o filme fique um tanto cansativo (e indigesto) pela repetição sistemática de algumas situações, a melhor sacada é a de resgatar a ideia de existir uma alma gêmea por um outro prisma, naquela sensação de que encontrou alguém semelhante à você, não importa o quão bizarra ela seja ao ser parecida contigo. Neste ponto, os trabalhos de Daisy e Stan ganham destaque ao tornar seus personagens críveis mesmo quando estão evidentemente enganando um ao outro e, talvez, até o público.
Fresh (EUA-2022) de Mimi Cave com Daisy Edgar Jones, Sebastian Stan, Jojo T. Biggs, Andrea Bang, Dayo Okeniyi, Charlotte Le Bon, Brett Dier e Alina Maris. ☻☻☻
domingo, 10 de setembro de 2023
PL►Y: Gato de Botas 2 - O Último Pedido
Gato de Botas 2 - O Último Pedido (Puss in Boots: The Last Wish / EUA - 2022) de Joel Crawford e Januel Mercado com vozes de Antonio Banderas, Salma Hayek, Harvey Guillén, Wagner Moura, Florence Pugh, Olivia Colman, Ray Winstone, John Mullaney, Da'Vine Joy Randolph e Conrad Vernon. ☻☻☻☻
quinta-feira, 7 de setembro de 2023
CICLO VERDE E AMARELO: Carvão
quarta-feira, 6 de setembro de 2023
CICLO VERDE E AMARELO: Marte Um
sexta-feira, 1 de setembro de 2023
CICLO VERDE E AMARELO: A Felicidade das Coisas
Para iniciar o Ciclo Verde e Amarelo de 2023 escolhi um filme que brasileiro que eu não tinha escutado falar até que me deparei com ele na MUBI. A Felicidade das Coisas é um dos filmes da produtora mineira Filmes de Plástico, que se tornou bastante conhecida nos últimos anos ao criar para si um grande desafio: fazer filmes interessantes baseados em personagens comuns e suas aventuras cotidianas. Confesso que fiquei tentado em escrever "pequenas aventuras cotidianas" no trecho acima, mas quando a coisa funciona, o uso da palavra "pequenas" não da conta das camadas que uma trama do gênero pode apresentar.Aqui a história se passa no litoral norte de São Paulo, local em que Paula (Patricia Saravy) resolve passar alguns dias com a mãe (Magali Biff) e os filhos (Messias Góis e Lavinia Castelari). Já que a matriarca está animada com a casa de praia que comprou, ela resolve construir uma piscina. O ponto de partida é bastante simples, mas revela bastante sobre a realidade da personagem. Não deixa de ser curioso que mesmo com a praia próxima e um rio que atravessa o terreno da propriedade, Paula torna a piscina um verdadeiro objetivo de vida à revelia de todos os problemas que começam a acontecer. Grávida e com o marido distante (está sempre trabalhando, nunca consegue aparecer e sequer a voz dele é apresentada ao telefone), ela encontra dificuldades para bancar financeiramente a obra e os conflitos começam a aparecer, seja com o esposo, com os pedreiros, com o filho mais velho... tentando apaziguar a situação está a mãe da protagonista com o maior jeito de que viveu o suficiente para perceber quando algo não vale o esforço, ou, pelo menos, não precisa que se esquente muito a cabeça. Enquanto Paula é pura preocupação e estresse (especialmente com os vizinhos que insistem em entrar em seu quintal para pescar ou meninos da vizinhança que entram ali para tomar banho de rio), seus filhos tentam se divertir e a mãe tenta aproveitar a temporada para conhecer a comunidade local (o que também deixa Paula ainda mais tensa, já que ela não vê com bons olhos a mãe dando "trela" para desconhecidos). Existe no trabalho de Thais Fujinaga um olhar bastante pessoal e carinho no olhar sobre os personagens, o que colabora na construção de um retrato interessante da classe média brasileira - aquele grupo de pessoas que conseguiram acumular algumas propriedades e de vez em quando se dá conta que o dinheiro ainda é pouco para alcançar um estilo de vida da classe superio, não por acaso, existe um clube nas redondezas cujos hóspedes não se misturam com os demais personagens e isso fica bem claro com os seguranças que impedem "penetras" e o muro que divide os grupos por lá. O título faz uma clara referência na busca pela felicidade em nossa relação com bens materiais e Fujinaga é esperta o suficiente para demonstrar que ela pode estar numa improvisação (com água "emprestada" do vizinho), num banho de chuva ou em uma aventura que pode ter consequências sérias. A cineasta extrai atuações bastante espontâneas de todo o elenco, com atenção especial para as crianças. Se a relação entre mãe e filho não chega a se desenvolver como esperamos, pelo menos consegue estabelecer uma tensão que se torna fundamental para o desfecho. Filmes realistas sobre temas cotidianos podem desagradar muita gente que consideram que não acontece muita coisa durante a projeção, mas A Felicidade das Coisas consegue demonstrar que, embora aparentemente não esteja acontecendo nada muito impactante diante da câmera, o interior de sua protagonista vive um terremoto constante.
A Felicidade das Coisas (Brasil/2022) de Thais Fujinaga com Patrícia Saravy, Magali Biff, Messias Góis e Lavinia Castelari. ☻☻☻☻
sexta-feira, 25 de agosto de 2023
#FDS Patricia Highsmith: Amando Patricia Highsmith
domingo, 13 de agosto de 2023
PL►Y: Ela Disse
PL►Y: Peter von Kant
domingo, 30 de julho de 2023
PL►Y: Veja como Eles Correm
domingo, 9 de julho de 2023
.Doc: Wham! / Tina / Love to Love you, Donna Summer / Moonage Daydream
sábado, 8 de julho de 2023
PL►Y: Armageddon Time
Filme após filme, o novaiorquino James Gray conquistou fãs e admiradores entre os críticos. Sua carreira começou em filmes independentes como Fuga para Odessa (1994) e Caminho sem Volta (2000), ganhou cores de mainstream com Os Donos da Noite (2007) e Amantes (2008), ganhou ambição com Era Uma Vez em Nova York (2013), tons épicos com Z: A Cidade Perdida (2016) e de sci-fi com Ad Astra (2019), revelando um diretor cada vez mais ambicioso e diverso, no entanto, sua carreira sempre teve algo em comum: nenhuma indicação ao Oscar. Mesmo os atores que foram cotados ao prêmio, sempre ficaram de fora na reta final. Essa história parecia que mudaria com Armageddon Time, seu oitavo longa-metragem, e também o mais pessoal de todos: um registro de suas lembranças de infância. No entanto, quando o filme foi lançado nem os fãs e nem a crítica se empolgou, imagina o Oscar. Sem indicações mais uma vez, o filme está disponível no TelecinePlay para que você tire suas próprias conclusões. As minhas não são muito empolgantes. Parece que o diretor ao se ver diante de sua própria história (e considero que o que vemos aqui seja os momentos mais relevantes de suas memórias de menino), o cineasta não consegue empolgar a plateia com uma série de situações que não chegam a ser desastrosas, mas que soam um tanto desinteressantes. Seria maldade atribuir ao pequeno Banks Repeta a falta de empolgação gerada pelo filme, na pele do protagonista Paul Graff ele faz o que pode com as travessuras que tem em mãos. No geral ele fantasia e apronta o tempo inteiro durante o filme e quem paga o pato é seu amigo Johnny (Jaylin Webb), um menino negro e repetente que não é visto com bons olhos por nenhum outro personagem do filme. Johnny mora com a avó e já está bastante saturado de todo o preconceito ao seu redor, que cresce ainda mais com o discurso conservador pré-era Reagan nos Estados Unidos. Na casa de Graff, de origem judia, todos temem a eleição de Reagan para a presidência e se consideram perseguidos e excluídos, mas são incapazes de ver a perseguição e exclusão dos negros que estavam na mesma escola que seu filho caçula. Essa cegueira poderia ser o ponto mais interessante do filme, mas ela fica de lado, assim como qualquer outro resquício de boa história para contar. No fim das contas, o filme vira do avesso a ideia de "branco salvador" tão criticada no cinema e investe no oposto com a situação de Johnny piorando com as ideias mirabolantes de Paul. Em torno dos meninos estão Anne Hathaway como a mãe e Jeremy Strong como o pai da família Graff, mas a ternura ficaria por conta de Anthony Hopkins na pele do vovô confidente do protagonista. O trio se esforça, mas tem pouco a fazer em personagens sem muitas camadas a serem apresentadas. A fotografia sem vida também não ajuda, deixando a produção toda ainda mais cansativa. Talvez eu já esteja um tanto cansado de histórias de diretores lembrando de suas infâncias, mas a de Gray parece dizer que suas memórias são apenas sem sal.
Armageddon Time (EUA-2022) de James Gray com Banks Repeta, Anne Hathaway, Jerey Strong, Anthony Hopkins, Jaylin Webb, Andrew Polk, Ryan Sell e Jessica Chastain. ☻☻
domingo, 25 de junho de 2023
PL►Y: A Mulher Rei
segunda-feira, 12 de junho de 2023
CICLO DIVERSIDADESXL: Os Cinco Diabos
O casamento de Joanne (Adèle Exarchopoulos) e Jimmy (Moustapha Mbengue) parece ter vivido dias melhores quando os dois surgem na tela. Talvez aquela paixão dos primeiros anos tenha ficado para trás, ao menos a pequena Vicky (Sally Dramé) traz algum movimento para a casa de seus pais. A menina gosta de acompanhar a mãe nas aulas de natação ou quando Joanne vai treinar nado em um lago das redondezas. Nas horas vagas, Vicky gosta de guardar coisas em potes com líquidos variados, em experiências que são motivadas mais pela curiosidade do que qualquer outra coisa. Quando Julia (Swala Emati), a irmã de Jimmy, anuncia uma visita, o marasmo daquela casa começa a dar origem a conflitos, uma vez que Joanne deixa claro que não gosta da presença da cunhada. O motivo da pendenga das duas faz parte do segredo que move Os Cinco Diabos, longa de estreia de Léa Mysius que brinca com suspense, fantasia e viagens no tempo em torno da história de amor de duas mulheres, que quando jovens começaram a trabalhar juntas num grupo de ginástica olímpica, mas a coisa desandou por conta de uma tragédia no ginásio da cidade. Aquele acontecimento também marcou para sempre Nadine (Daphne Patakia), amiga de Joanne e ex-namorada de Jimmy, que traz mais do que marcas em sua aparência, mas de ressentimentos também. Se por um lado Léa Mysius faz bem em não complicar os elementos fantásticos de seu roteiro, por outro, ela acaba deixando tudo um pouco óbvio para os espectadores mais escolados - que desde a primeira cena de volta ao passado, já começam a entender o que pode ter acontecido no passado de Julia. O que o filme faz melhor é sobrepor o peso dos estigmas e preconceitos sobre os seus personagens, este aspecto até parecer de forma mais explícita no racismo sofrido por Vicky em sua escola repleta de crianças brancas, mas ganha outros contornos quando Julia está no centro da história. No presente, só a sua presença, já incomoda os demais personagens, existe o peso de um ato impensado do passado, mas também a mistura de olhares receosos de sua loucura, desejo e, porque não, de sua própria cor entre os outros habitantes. Ela é tida como a estranha que tira a vida de todos do eixo, que altera toda a normalidade da cidadezinha e, não por acaso, se confronta sempre com o efeito colateral de sua atitude derradeira em silêncio. Embora a personagem misture sentimentos distintos, ao retornar, ela aparentemente aceita o que pensam sobre ela, numa espécie de expiação por sua culpa. Não por acaso, é possível presenciar a forma luminosa como Joanne contempla uma explicação para tudo o que antes parecia absurdo e sentimentos que parecia tão sem sentido, voltam a dar sinais de vida. Os Cinco Diabos escorrega aqui e ali e por vezes se arrasta na narrativa, mas acerta quando busca caminhos diferentes para a história de amor entre duas mulheres e o efeito do perdão em suas vidas.
Os Cinco Diabos (Les Cinq Diables / França - 2022) de Léa Mysius com Adèle Exarchopoulos, Swala Emati, Sally Dramé, Moustapha Mbengue, Daphne Patakia e Hugo Dillon. ☻☻☻






















