sábado, 4 de julho de 2026

CATÁLOGO: Johns

David: antes de Dewey. 

Curioso diáriw, é estranho como a mente de um cinéfilo funciona. Enquanto eu assistia Spider-Noir eu reconheci o Lukas Haas (que era aquele garotinho do clássico A Testemunha/1985, único filme que indicou Harrison Ford ao Oscar) e lembrei de outro filme protagonizado por Haas: Johns. Eu só o assisti recentemente ao encontrar no Youtube. O longa marcou a estreia de Scott Silver no cinema (depois ele dirigiu o fracassado Mod Squad/1999 e preferiu ser apenas roteirista de filmes badalados como 8Mile/2002 e ser indicado ao Oscar por O Vencedor/2010 e Coringa/2019. Seu filme de estreia conta a história de dois amigos que ganham a vida como garotos de programa nas ruas de Los Angeles. John (David Arquette no papel que deu destaque suficiente para conseguir um papel como o policial Dewey de Pânico/1996) está prestes a completar 21 anos nas vésperas do natal. Ele sonha passar aquela noite no elegante Park Plaza Hotel, mas para isso ele precisa atender alguns clientes e juntar dinheiro. Acontece que ele também tem uma dívida a ser paga com o violento Jimmy (Terrence Howard) e vive brigando com a namorada, Nikki (Allana Ubach). Seu alento parece ser a amizade com Donner (Lukas Haas) que sonha ser ator, mas também ganha a vida nos perigos das ruas de Los Angeles. Entre policiais e clientes perigosos, os dois pensam em largar aquela vida, mas o risco que correm pode tornar já tarde demais.  Apesar do ritmo nervosinho e da fotografia poderiam sugerir uma comédia, Johns é um filme bastante melancólico. Apesar do diretor filmar sem muita personalidade, o elenco e os situações que parecem improvisadas prendem a atenção. Não espere nudez ou cenas de sexo, o interesse de Silver é outro. Vale ressaltar que o diretor escreveu o roteiro baseado em relatos de vários garotos de programa que venderam suas histórias por vinte dólares. 

Johns (EUA - 1996) de Scott Silver com David Arquette, Lukas Haas, Keith David, Wilson Cruz, Alanna Ubach, Richard Kind, Terrence Howard, Elliot Gould e Nicky Katt. 

FILMED+: Obsessão

Inde: pobre Freaky Nikki. 
Surpreso diáriw, dificilmente um filme de 2026 terá tanto lucro quanto Obsessão do estreante Curry Barker. Produzido de forma independente com orçamento de 750 mil dólares e comprado pela Universal, o filme já rendeu mais de 370 milhões de dólares pelo mundo. O grande mérito do longa vem da forma estranha como o diretor torna a história cada vez mais assustadora entre repetições, sombras e um tempero gore. No início nós conhecemos Bear (Michael Johnston), que se considera apaixonado por Nikki (Inde Navarrette). Incapaz de declarar seus sentimentos, Bear compra para ela um galho de salgueiro capaz de atender um pedido. No entanto, ao invés de presentear a amiga, ele prefere fazer o pedido para que ela o ame mais do que qualquer pessoa no mundo (o que seria até mais do que ela mesma?). Pedido feito, Nikki muda automaticamente seu comportamento, no entanto, fica visível desde o início que aquela é outra Nikki. Ao longo do filme, vemos a garota ficar isenta de qualquer personalidade própria. Toda sua vida passa a girar em torno de Bear. Todos percebem que existe algo errado com ela e o filme se torna cada vez mais angustiante por não perder tempo explicando demais a magia em torno do galho (só eu lembrei dos usados pela Tia Gladys?). Sugere mistérios e faz o favor de não atribuir a Bear qualquer heroísmo, afinal as consequências  de seus desejos se tornam cada vez mais bizarras, mas ele permanece considerando que viver aquilo é melhor do que perder a devoção de Nikki. Barker (que já provocava risos nervosos  com seus vídeos no Youtube) segue sua ideia de forma radical até as últimas consequências e a excepcional Inde Navarrette parte nosso coração, ainda mais se você pensar em tudo que acontecerá à personagem depois do derradeiro ato desta produção surpreendente. 

Obsessão (Obsession/EUA - 2026) de Curry Barker com Inde Navarrette, Michael Johnston, Cooper Tomlinson, Megan Lawless, Andy Richter e Haley Fitzgerald. ☻☻☻☻

terça-feira, 30 de junho de 2026

PL►Y: Ato Noturno

Gabriel e Cirillo: tesão em público. 
Discreto diáriw, senti falta e escrever sobre um filme brasileiro durante o Ciclo DiversidadeSXL deste ano, mas foi complicado assistir filmes disponíveis naquele período. Assisti Ato Noturno dia desses no Canal Brasil e percebi que o filme faz jus às opiniões divisórias que gerou. O longa é dirigido por Filipe Matzembacher e Márcio Reolon,  a mesma dupla responsável por Tinta Bruta (2018) que ganhou o Teddy no Festival de Berlim. Este novo filme foi exibido na Mostra Panorama do mesmo Festival, o que lhe garantiu projeção e expectativas em torno de seu lançamento. Mais uma vez os diretores investem em uma trama queer, só que aparece aqui de forma mais lapidada visualmente. Estéticamente o filme é irrepreensível, o elenco também é interessante, mas o roteiro sofre com algumas situações e diálogos que não convencem muito. A trama gira em torno de um jovem ator de teatro Matias (Gabriel Faryas) que conhece um homem por aplicativo (Cirillo Luna), além de descobrir que os dois tem fetiche por fazer sexo em lugares públicos, o rapaz descobre que o misterioso parceiro é candidato a prefeito da cidade. Ambos terão que tomar cuidado com os encontros para que suas carreiras não sejam afetadas (já que  as eleições se aproximam  para um  e o outro disputa um papel numa série de TV).  Essa disputa pela fama rende a parte que achei mais interessante, já que existe uma rivalidade entre Matias e seu amigo colega de elenco, Fabio (Henrique Barrera) que gera alguns dos melhores momentos do filme. Investindo numa atmosfera de thriller homoerótico, o filme escorrega por levar-se a sério demais e chega a um final estapafúrdio que contradiz tudo o que seus protagonistas prezavam até ali. Ainda assim, o cuidado estético do filme e o conflito dos amigos nos bastidores prenderam a minha atenção.   

Ato Noturno (Brasil/2026)  de Filipe Matzembacher e Márcio Reolon com Gabriel Faryas, Cirillo Luna, Henrique Barrera, Ivo Muller, Kaya Rodrigues e Larissa Sanguiné.  ☻☻☻

segunda-feira, 29 de junho de 2026

PL►Y: Bom Menino

Indy: talento canino. 
Fiel diáriw, o terror se tornou um território bastante fértil para algumas das produções mais originais dos últimos anos. Eu colocaria Bom Menino entre um estes destaques, afinal, não lembro de ter visto um filmes de terror realizado sob a perspectiva de um cachorro! Indy é um simpático cãozinho cujo o dono atravessa problemas de saúde. O moço resolve ir com seu pet para a casa do falecido avô que fica num bosque afastado da cidade. Sei que este é um dos maiores clichês dos filmes de terror, mas funciona bem para que o diretor tenha um espaço restrito e bastante administrável para tratar a relação entre os dois e os males que os cercam. Enquanto todo mundo imagina que o rapaz atravessa uma enfermidade, Indy (com seus sentidos caninos aguçados) percebe que existe algo de espiritual por trás daquilo. A escuridão está sempre à espreita de seu dono. O diretor Ben Leonberg (que também assina o roteiro com Alex Cannon) pode até abusar da repetição de algumas situações e vacilar no desenvolvimento do dono do cãozinho (com a desculpa do foco estar no animal), mas consegue ser bastante original ao demonstrar o que pode fazer ao explorar o ponto de vista do bicho na tensão de cada cena. A câmera sempre no nível do olhar canino e planos sugestivos funcionam como carta de apresentação do cineasta além do talento de dirigir um cão. A expressividade que consegue imprimir à Indy, a cachorrinha do próprio diretor (que trabalhou por 400 dias de filmagem por 3 anos até concluir todas as cenas) é notável. O longa custou 70 mil dólares e arrecadou mais de oito milhões de dólares pelo mundo ao envolver o espectador de uma forma completamente diferente (e imersiva) em uma trama de casa mal assombrada. Ao contrário do que muita gente pensa, este não é refilmagem do Good Boy norueguês de  2022. 

Bom Menino (Good Boy / EUA - 2025) de Ben Loenberg com Indy, Shane Jensen, Arielle Friedman, Larry Fessenden, Stuart Rudin e Hunter Goetz. ☻☻☻

domingo, 28 de junho de 2026

PL►Y: As Ovelhas Detetives

As ovelhas: detetives de respeito. 

Balido diáriw,  confesso que achei que esta produção era um filme infantil e até cogitei ser uma animação quando foi lançada. Pura ignorância, já que As Ovelhas Detetives é um live-action com bom elenco e efeitos especiais espertos que dão vida para as ovelhas que ajudam a desvendar os fatos em torno da morte de seu dono, o pastor George (Hugh Jackman). George sempre cuidou de suas ovelhas com muito carinho, dando-lhes nomes e lendo livros de mistério para elas antes de dormir. Quando George é encontrado morto as ovelhas não acreditam que seja apenas um infarto, elas decidem ajudar o policial bobalhão (Nicholas Braun) da cidade a desvendar o caso. As suspeitas recaem sobre alguns moradores da cidade (como o açougueiro e o outro criador de ovelhas da região), mas também sob a herdeira de George e um jornalista que aparece na cidade. Antes deste filme o diretor Kyle Balda realizou somente animações (entre elas o longa dos Minions em 2015) e demonstra habilidade de mesclar humor com uma atmosfera repleta de elementos de mistério. Entre músicas de suspense, neblinas e pistas falsas, ele consegue prender atenção sobretudo pelo carisma que confere aos seus personagens, sobretudo as ovelhas que lembram aqui os animais falantes do clássico Babe - Um Porquinho Atrapalhado (1998). Atribuindo personalidade aos bichos e inserindo reflexões sobre morte, luto e memória, o resultado consegue ser envolvente, leve e divertido. O filme é baseado no livro da escritora alemã Leonnie Shawn e o filme fez tanto sucesso entre os mais vistos mundialmente do Prime Video que não duvido que uma sequência apareça em breve.  

As Ovelhas Detetives (The Sheep Detectives / Irlanda - Reino Unido - EUA) de Kyle Balda com Hugh Jackman, Emma Thompson, Nicholas Galitzine, Molly Gordon, Nicholas Braun, Hong Chau e com vozes de Bella Ramsay, Bryan Cranston, Patrick Stewart, Regina Hall, Julia Louis-Dreyfuss, Brett Goldstein e Chris O'Dowd. ☻☻☻

PL►Y: Spinal Tap II - O Fim Continua

McKean e Guest: maldição!
Cabeludo diáriw, deve ter uns dez anos que desbravei a internet atrás de um dos filmes que sempre apareciam nas listas de melhores de todos os tempos: This is Spinal Tap (1984). Uma daquelas unanimidades que se tornou cult e referencial ao mesmo tempo, um documentário falso (o mockumentary) sobre uma banda de rock prestes a lançar um novo álbum. O longa de  Rob Reiner fez história e, ironicamente, sua continuação foi o último longa dirigido por ele. O diretor volta a atuar como o documentarista responsável pelo primeiro filme e que agora tem a ideia de acompanhar a banda em um aguardado retorno após vários anos afastada dos palcos. De início busca os integrantes, o guitarrista Nigel Tufnel (Christopher Guest) administra uma loja de queijos e guitarras na Inglaterra), o vocalista David St. Hubbins (Michael McKean) agora produz músicas para podcast sobre crimes e músicas de espera telefônica e Derek Smalls (Harry Shearer) administra um museu de... cola (!?). Spinal Tap II tem um gostinho irresistível de reencontro, o humor segue o espírito de galhofa e gaiatice encenado com a mesma pretensão solene do primeiro, o que ajuda muito a funcionar, embora o roteiro seja menos esperto que o anterior. As piadas giram em torno de vários clichês de bandas que ambicionam voltar para pagar as contas, as tretas e ressentimentos pesam e a busca por um baterista disposto a enfrentar a maldição da banda (que teve onze ou doze bateristas falecidos) garantem as risadas. O filme conta com várias participações especiais como Fran Descher e Elton John e, obviamente, conta com aquelas cenas de palco inacreditáveis com letras ridículas e anões saltitantes (em homenagem à cena antológica do primeiro filme). Spinal Tap II faz piada até o fim dos créditos e para quem viu o primeiro torna-se obrigatório como despedida bastante digna ao diretor Rob Reiner

Spinal Tap II - O Fim Continua (Spinal Tap II - The End Continues / EUA - 2025) de Rob Reiner com Christopher Guest, Michal McKean, Harry Shearer, Rob Reiner, Valerie Franco e Kerry Godliman. ☻☻☻ 

PL►Y: O Órfão

Barabas: órfão de pai vivo. 
Surpreso diáriw, o cineasta László Nemes ganhou o Oscar de filme estrangeiro com O Filho de Saul (2015) e recebeu fama mundial. Ano passado ele concorreu ao Leão de Ouro no Festival de Veneza com este O Órfão, filme ambientado após a Revolução Húngara de 1956 que tentou livrar o país da influência governamental da União Soviética. O filme conta a história de Andor (Bojtorján Barabas), que acredita ser filho de Hirsch, o desaparecido esposo de sua mãe (Andrea Waskovics). Acontece que o açougueiro Berend (Grégory Gadebois) aparece em sua vida. Agressivo e temperamental, o homem não demora a contar ao menino que é seu verdadeiro pai. O impacto de perder o pai idealizado e encontrar um brutamontes real como progenitor traz ao menino uma revolta difícil de lidar, comprometendo sua relação com a mãe e até com outras pessoas ao seu redor. Embora o filme demore para engrenar, a presença de Berend torna o filme muito mais envolvente, especialmente pelas oscilações de humor vividas intensamente por Gadebois e a complexidade de sua relação com a família que reclama para si. O menino Barabas não decepciona como o filho que quanto mais rejeita o pai, mais se aproxima do comportamento dele. Waskovics vive uma mãe desiludida que pensa apenas em sobreviver num cenário árduo. Destaque também para Eliz Szabó, que vive a amiga de Andor e que ajuda o irmão a se esconder das autoridades. Nemes constrói aqui um drama que tende para o suspense e o último ato na roda gigante é simplesmente magistral. O diretor se inspirou na história de seu próprio pai e o resultado é uma alegoria interessante sobre a história da Hungria (que faz toda a diferença para compreender o contexto da trama). 

O Órfão (Árva - Hungria/2025) de László Nemes com Bojtorján Barabas, Grégory Gadebois, Andrea Waskovics, Eliz Szabó, Hermina Fátyol, Soma Sándor e Marcin Czarnik. ☻☻☻☻ 

sábado, 27 de junho de 2026

PL►Y: Isso Ainda Está de Pé?

Arnett: stand up como desabafo. 
Divorciado diáriw, depois de toda a elaboração pretensiosa daquele pastel de vento chamado Maestro (2023), Bradley Cooper teve o bom senso de repensar suas aspirações enquanto diretor quando resolveu filmar este novo filme. O texto partiu de uma ideia do ator Will Arnett após uma conversa com o comediante John Bishop sobre como iniciou seu trabalho com comédia stand up. Arnett achou o relato interessante e junto com Bradley Cooper e Mark Chappell escreveu o roteiro sobre Alex Novak (Arnett), um homem em crise que está lidando com seu recente divórcio com Tess (Laura Dern). O casal tem dois filhos, amigos em comum e a família dele a adora, o que torna inevitável que os dois ainda se encontrem com frequência. Para ajudar a digerir o fim do casamento, Alex faz do palco uma espécie de confessionário, tentando disfarçar um pouco sua insatisfação com o ocorrido com piadas. Às vezes ele consegue fazer graça com o que está acontecendo, outras vezes passa bem longe de ser engraçado. Arnett se esforça e consegue conferir charme à um personagem visivelmente amarrotado (fisica e emocionalmente) e tem bons momentos em sua química com Laura Dern, que consegue fazer muito com o pouco material que tem sobre a personagem. Filmado de forma mais despojada que o projeto anterior de Cooper (que faz uma participação como o amigo ator do casal), o filme tem alguns problemas de fluxo na narrativa e parece mais truncado do que deveria, mas é algo a que se assiste fácil pelo tom reflexivo acerca dos sentimentos que  Alex e Tess ainda possuem um pelo outro. Se o filme desenvolvesse mais os coadjuvantes o texto alcançaria outro nível em seu olhar sobre relacionamentos maduros e seria ainda mais interessante (o elenco de apoio é ótimo e pouco aproveitado). Vale dizer que achei o título em português horroroso. 

Isso Ainda Está de Pé? (Is This Thing On? / EUA - 2025) de Bradley Cooper com Will Arnett, Laura Dern, Andra Day, Bradley Cooper, Sean Heyes, Scott Icenogle, Ciarán Hinds e Peyton Manning. ☻☻ 

.Doc: Hype!

Chris Cornell: auge no grunge. 
Nostálgico diáriw, o grunge tem um lugar especial na minha memória. Eu era um adolescente quando as bandas  de Seatle começaram a fazer sucesso e tocar nas rádios por aqui. Bandas como Nirvana, Alice in Chains, Soundgarden e Pearl Jam revolucionaram a sonoridade do rock mainstream. Ao contrário do que se ouvia nas rádios, o rock deixava de ser sobre curtição, para ser mais denso em suas letras e sonoridade. O som era uma mistura do punk com o hardcore já as letras refletiam a os tormentos  de um bando de jovens que cresceram na chuvosa Seatle. Naquele tempo foi lançado um documentário que chamou atenção de quem curtia as bandas dali, Hype! (que encontrei no Youtube). Visto hoje, entendo a decepção de muita gente que viu o filme e  reclamou que as bandas famosas mal apareciam. A ideia da produção é ampliar a visão que nós temos do que estava acontecendo. O filme deixa claro o longo histórico  de bandas que tocavam em vários locais espalhados pela localidade que cresceu em torno de uma vila  pescadores. Esclarece as roupas sobrepostas, assim como a antológica camisa de flanela, que se tornaram marca de estilo pelo simples fato de  lá ser muito frio, afinal, como dizem no filme, estão quase no gélido Canadá. A maioria as bandas que aparecem no documentário, eu nunca ouvi falar, mas as que ficaram famosas já apresentavam reflexões interessantes sobre a fama, a forma como começaram a aparecer em revistas. Some isso às roupas ganharem editoriais de moda e  algumas fake news sobre o grunge fortalecerem toda a mítica do movimento. O clima pesa quando menciona a morte de  Kurt Cobain. Este trauma na história o grunge revela de vez a dificuldade do filme  aprofundar sua temática. Ajuda um pouco ver o curta Hype! 20 Anos Depois que em clima de  ressaca olha para aquele furacão indie. Quando foi lançado o curta já sentia falta  de outro falecido, Chris Cornell (Soungarden)  e também poderia também lembrar o Layne Staley (Alice in Chains). Hype! tem um sabor  de viagem no tempo com tempero amargo de luto pelo transe coletivo que foi ouvir aquelas músicas em escala mundial. 

Hype! (EUA/ 1996) de Doug Pray com Dawn Anderson, Nils Bernstein, Kim Thayil,Van Conner, Eddie Vedder, Mark Arm e Steve Fisk. ☻☻ 

Na Tela: Toy Story 5

Jessie: brincar em tempos de tela
Animado diáriw, convenhamos que diante de todo brilhantismo de Toy Story3 (2010), o quarto filme não era dos mais memoráveis. Para muita gente a saga dos brinquedos terminou naquela trilogia, mas dificilmente Hollywood daria descanso aos personagens de uma de seus animações mais lucrativas. Diante de toda descrença em torno do quinto filme, vale a pena dizer que ele é uma grata surpresa, justamente por encontrar algo especial a dizer quando propõe uma reflexão sobre o que é brincar em tempos em que as crianças passam mais tempo diante de uma tela do que imaginando brincadeiras com seus brinquedos (salvo as devidas proporções é um reflexo da vida adulta). Achei muito legal que o protagonismo desta vez ficou com a Jessie (voz de Joan Cusack), que estava habituada a ser a parceira de brincadeiras favoritas da menina Bonnie, mas perde espaço quando a dona ganha a Lilypad (voz de Greta Lee). A Lilypad surge para "ajudar" a menina a fazer amizade com outras crianças, já que todo mundo tem esse tipo de tablet e passa horas brincando online. Já que Bonnie sentia-se excluída por ser uma criança que ainda ousa brincar com brinquedos, a Lily surge como uma salvação. Mais uma vez a animação aborda questões sobre amizade, ser especial e o medo de ser esquecido, a diferença é que agora lança um olhar sobre como alguns hábitos de hoje inserem as crianças em um universo marcado por cyberbullying e a ansiedade de estar conectado (e incluído) o tempo inteiro em seu grupo. Claro que durante a jornada  alguns brinquedos vão se perder no caminho, outros vão surgir e cada um deles provará seu valor. Embora não tenha o impacto do terceiro capítulo, este novo filme coloca a saga novamente nos trilhos com aquele misto de humor e sensibilidade que se tornou sua marca registrada. A sala lotada do cinema, só prova que a saga tem fôlego para atrair o público de várias idades. 

Toy Story 5 (EUA - 2026) de Andrew Stanton com vozes de Joan Cusack, Tom Hanks, Tim Allen, Greta Lee, Keanu Reeves, Ernie Hudson e Wallace Shawn. ☻☻☻☻

segunda-feira, 22 de junho de 2026

NªTV: Margô Está em Apuros

Elle: carreira em alta. 
Televisivo diáriw, Elle Fanning deve estar muito feliz com seu ano de 2026. Foi o ano em que recebeu sua indicação ao Oscar pelo seu belo trabalho no oscarizado Valor Sentimental (2025) e que recebe elogios unânimes por seu trabalho em Margô está em Apuros, produção da AppleTV em parceria com A24 que deve lhe render indicações aos prêmios de televisão no próximo ano. Me atrevo  dizer que a atriz está em sua melhor fase aos 28 anos e 25 anos de carreira (!!). Ela vive Margô Millet, estudante de literatura que pretende ser escritora, mas fica grávida de um professor (Michael Angarano) casado. Daí em diante tudo se complica, ela perde o emprego, faz um acordo complicado com  a família do pilantra, perde as amigas com quem dividia o apartamento e o dinheiro fica cada vez mais minguado para sustentar um bebê. Embora conte com a ajuda da mãe (a maravilhosa Michelle Pfeiffer) e do pai, que andava sumido (o ótimo Nick Offerman), a grana curta a faz abrir uma página no OnlyFans e os acontecimentos seguem de forma cada vez mais caótica ao ponto de ter o risco de perder a guarda do bebê. Feito sem moralismos e com elenco afiado, Margô está em Apuros é uma delícia de assistir, sobretudo por expor as hipocrisias do mundinho estadounidense que adora se ver como recatado, mas que não tem postura para sustentar o discurso. Tem algo que retrata isso melhor do que o professor que transa com aluna e acusa a mesma de não ter moral? Encontrando um raro equilíbrio entre o drama e a comédia, a minissérie comove e faz rir com um ótimo texto baseado no livro de Rufi Thorpe. Assim que o livro foi lançado, Elle e a irmã Dakota Fanning ficaram de olho nos direitos e descobriram que Nicole Kidman e o produtor David E. Kelly (esposo de Michelle Pfeiffer) também queriam adaptar o material. Todos se juntaram e o resultado é um grande acerto. 

Margô está em Apuros (Margo got Money Troubles / EUA - 2026) de David E. Kelley com Elle Fanning, Michelle Pfeiffer, Nick Offerman, Michael Angarano, Marcia Gay Harden, Greg Kinnear, Thaddea Graham e Nicole Kidman. ☻☻☻ 

MOMENTO ROB GORDON: Nicolas Cage HQ

 Nicolas Cage é um grande fã de histórias em quadrinhos, tanto que virou notícia quando decidiu vender sua coleção de HQs. Seu nome artístico também foi inspirado no personagem Luke Cage e o nome de batismo de seu fiho, Kal-El, foi inspirado no nome verdadeiro do Superman. Não é por acaso, que o ator tem vários personagens do gênero em sua carreira: 

#5 Superman (Superman Lives/199?)

Parece balela, mas é verdade, Nicolas Cage esteve muito perto de interpretar o Homem de Aço num filme a ser dirigido por Tim Burton nos anos 1990. A Warner estava tão feliz com os resultados de Batman que chegou a planejar o filme. Superman Lives contou até com prova de roupa e tudo mais. O ator estava animado com o projeto até ele ser cancelado por conta das, digamos, excentricidades do projeto. O fato é que a ideia permaneceu no imaginário de muita gente rendendo referências em produções como The Flash (2023) e a animação Teen Titans em Ação (2018). 

#4 Dr Temna (Astro Boy /2009)

Cage emprestou sua voz para o Dr. Tenma, o cientista que cria o clássico personagem robótico de Osamu Tezuka. Tenma constrói o personagem após a traumática morte de seu filho e se apresenta como um personagem ambíguo, que transita entre o heroísmo e a vilania. O filme não fez o sucesso esperado, mas a interpretação vocal do ator rendeu-lhe vários elogios pelo tom melancólico que atribui ao personagem. 

#03 Motoqueiro Fantasma (2007)

O mundo nerd foi ao delírio quando Nicolas Cage topou viver o motoqueiro assombrado da Marvel. Ele vive Johnny Blaze, um homem que vende a alma ao diabo para salvar a vida do pai. Anos depois ele reencontra o amor de sua vida e o próprio capiroto com quem fez o pacto, Mephisto, tendo a chance de recuperar sua alma. O filme encontrou seu público e rendeu uma sequência em 2012. A crítica não curtiu muito o filme, mas os efeitos especiais do crânio flamejante a atuação exagerada do ator fez sucesso. 


Não sei vocês, mas eu fui pego de surpresa quando vi que Nicolas Cage estava no elenco de Kick Ass como Big Daddy, pai e responsável pelo treinamento da inacreditável Hit Girl (Chloe Grace Moretz). Na verdade, por trás da máscara se esconde Damon McCready, ex-policial perseguido por não se juntar ao mundo do crime. O trauma pela morte da esposa o fez lutar contra o crime do seu próprio jeito, se tornando o primeiro super-herói da vida real. O personagem rendeu um dos trabalhos mais interessantes da carreira do ator e é lembrado com muito carinho pelos fãs do personagem de Frank Miller e John Romita Jr.
 
#01 "Spider-Noir" (Homem Aranha no Aranhaverso/2018)

Quando Nicolas Cage emprestou a voz para a versão alternativa do Homem-Aranha que vivia um detetive dos anos 1930, acho que ele não imaginava que cairia nas graças do público com tanta devoção. O charme e a aura e mistério impressa em seu trabalho vocal caiu como uma luva no personagem da Marvel criado em 2008 e fez tanto sucesso que começaram as especulações sobre uma aventura solo do herói. Demorou, mas o personagem ganhou uma minissérie live-action que (curiosidade) demorou mais do que devia para ficar pronta por conta das cenas (feitas em preto e branco) que tiveram que ser coloridas posteriormente por receio do público não curtir a experiência. Estrelada por Cage e em cartaz no Prime Video, Spider-Noir é uma das séries mais faladas do ano. 

sábado, 20 de junho de 2026

NªTV: Spider-Noir

Spider: Cage em boa forma.

Cinzento diáriw, interessante ver que somente agora Nicolas Cage se aventurou em uma produção televisiva. Curiosamente, seu primeiro projeto para TV é devido ao seu trabalho em uma animação, já quem em Homem-Aranha no Aranhaverso (2018) ele foi o responsável por dar a voz ao Spider-Noir. Trata-se de uma versão alternativa do herói aracnídeo que vive como detetive na década de 1930. O personagem foi publicado pela primeira vez em 2009 e ganhou notoriedade quando chegou ao cinema. O personagem empolgou tanto que pensaram em fazer um filme para ele, mas a ideia acabou virando uma série em cartaz no Prime Video. Diante de toda saturação de filmes de heróis no cinema, achei a ideia bem mais apropriada, já que pode construir o universo do personagem com mais calma e a produção ainda inventou uma saída interessante ao deixar a cargo o espectador escolher se quer ver a produção em cores ou em preto e branco - que parece mais apropriado à atmosfera noir que o personagem sugere. Na trama, Ben Reilly (Cage) é um detetive que perdeu o amor de sua vida, por conta disso decidiu aposentar seu alter-ego o herói Spider. No entanto, suas habilidades de aranha permanecem em ação. O trabalho como detetive não vai bem e as coisas pioram quando ele se mete em uma investigação envolvendo o chefe do crime da cidade, o Cabelo de Prata (Brendan Gleeson), e um grupo de pessoas com poderes especiais que começam a aparecer. Como todo bom noir, nada é o que parece e temos uma femme fatale, no caso Cat Hardy (Li Jun Li), para bagunçar o coração do herói. Bem cuidada e com um estilo diferente do que vimos em séries de heróis até aqui, Spider-Noir é uma grata surpresa para os fãs de quadrinhos e traz Cage em um daqueles papéis que lembram o quão interessante ele pode ser.

Spider-Noir (EUA-2026) de Oren Uziel com Nicolas Cage, Lamorne Morris, Brendan Gelleson Li Jun Li, Jack Huston, Lukas Hass, Abraham Popoola e Scott MacArthur. ☻☻☻

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Na Tela: Mestres do Universo

Nicholas: rindo de si mesmo

Anabolizado diáriw, lembro que assisti ao primeiro filme do He-Man no cinema em 1987. O revi várias vezes (nem sei quantas). O filme nunca foi muito elogiado, mas o considero divertido o suficiente para passar o tempo. Há tempos queriam fazer um novo longa sobre aquele universo e finalmente saiu do papel pelas mãos da Amazon que abraçou a galhofa e alcançou um resultado que quer apenas entreter sem maiores pretensões. Escalaram Nicolas Galitzine para oxigenar as madeixas e ficar bombado o suficiente para usar os trajes modestos do herói e Jared Leto para ficar escondido atrás da máscara do esqueleto. Na trama Esqueleto passa a dominar o reino de Etérnia e provoca a fuga do pequeno Príncipe Adam com a espada do poder para a Terra. Acontece que o menino perde a espada no caminho e cresce com plena consciência de sua missão. Procurando a espada e ganhando a vida trabalhando no RH, tudo muda quando ele finalmente encontra a espada e volta ao seu planeta natal. Ele se junta aos personagens que sempre guardou na memória para derrotar esqueleto e... tudo é tratado com muito humor, efeitos especiais, piadas de duplo sentido sem se levar a sério. Muitos reclamaram que falta seriedade ao filme, mas acho estranho exigir isso de um filme baseado em um desenho animado gerado para vender brinquedos. Não é inovador, mas também não compromete o material em que se baseia. Bem cuidado em cenários e figurinos, o filme conta com um elenco esforçado. Gostei muito que deixaram o Esqueleto fiel aos desenhos. Um sujeito de humor ridículo em sua vilania, mas que consegue ser bastante assustador. Ele diz coisas absurdas durante o filme e lembra alguns políticos que andam por aí. O melhor é que ele não posa de bom moço, como ele mesmo diz, é o vilão e adora isso. Na sala de cinema, o público curtiu bastante.

Mestres do Universo (Masters of the Universe / EUA - 2026) de Travis Knight com Nicholas Galitzine, Camila Mendes, Idris Elba, Jared Leto, Alison Brie, Jóhannes Haukur Jóhannesson, Jon Xue Zhang, Sam C. Wilson, James Purefoy, Morena Baccarin, Kristen Wiig e Dolph Lundgren. ☻☻

quarta-feira, 17 de junho de 2026

CENTØPÉDIA: FilmesD+ (Parte II)

 Demorou dez anos e seis meses para listar mais cem filmes com a cotação máxima do blog . Os FilmesD+ já haviam gerado outra lista de cem títulos em no início de 2006 e agora agrega mais um grupo seleto de produções avaliadas por este humilde cinéfilo que vos escreve. A seguir mais cem filmes que estão entre os melhores que já assisti:

Ainda Estou Aqui de Walter Salles
A Favorita de Yorgos Lanthimos 
A Fraternidade é Vermelha de Krzysztof Kieslowski
A Grande Beleza de Paolo Sorrentino
A Juíza  Julie Cohen e Betsy West
A Luz Entre Oceanos de Derek Cianfrance 
A Marvada Carne de André Klotzel
A Menina Silenciosa de Colm Bairéan 
Amor e Restos Humanos de Denis Arcand
Anatomia de Uma Queda de Justine Triet
Animais Americanos de Bart Layton 
Apocalypse Now de Francis Ford Coppola 
As Bruxas de Salém de Nicholas Hytner
Assassinato em Gosford Park de Robert Altman 
Assassinos da Lua das Flores de Martin Scorsese
Assunto de Família de Hirokazu Koreeda 
Border de Ali Abassi
 Cães de Aluguel de Quentin Tarantino
Carvão de Carolina Markowicz
Central do Brasil de Walter Salles
Cidade de Deus de Fernando Meirelles e Kátia Lund
Cinema, Aspirina e Urubus de Marcelo Gomes
Corpus Christi de Jan Komasa
Close de Lukas Dhont 
Deus Branco de Kornél Mundruczó
Entre os Muros da Escola de Laurent Cantet
Eu Sei que Vou te Amar de Arnaldo Jabor
Eu, Tonya de Craig Gillespie
Eu, Você e a Garota que Vai Morrer de Alfonso Gomes-Rejon
Fatal de Isabel Coixet 
Flow de Gints Zilbalodis
Fruto da Memória de Christos Nikou
Honeyland de  Tamara Kotevska
Ilha dos Cachorros de Wes Anderson 
Jamais Nevará Novamente de Malgorzata Szumowska
Lamb de Valdimar Johannsson
Lady Bird de Greta Gerwig 
 Lady MacBeth de William Oldroyd
Laranja Mecânica de Stanley Kubrick
Mais Forte que Bombas de Joachim Trier
Marcel, A Concha de Sapatos de Dean Fleisher Camp 
Nashville de Robert Altman
Má Educação de Cory Finley
Meu Pai de Florian Zeller
1917 de Sam Mendes
Monster de Hirokazu Kore-eda
Moonlight de Barry Jenkins
Nada de Novo no Front de Edward Berger
Nenhum a Menos de Zhang Yimou
Nico, 1988 de Susanna Nichiarelli 
Nostalgia de Andrei Tarkovsky 
O Beijo da Mulher Aranha de Hector Babenco 
O Brutalista de Brady Corbet
O Experimento Milgram de Michael Almereyda 
O Garoto que Comia Alpiste de Ektoras Lygizos 
O Homem Elefante de David Lynch
Okja de Bong Joon-Ho
O Mensageiro de Karen Shakhnazarov
O Que Resta do Tempo de Elia Suleiman
O Talentoso Ripley de Anthony Minghella
Os Cinco Sentidos de Jeremy Podeswa
Os Rapazes da Banda de William Friedkin
Os Tempos de Harvey Milk de Rob Epstein
Parasita de Bong Joon-Ho
Paris is Burning de Jennie Livingston
Pinóquio de Guillermo Del Toro
Princesa Mononoke de Hayao Miyazaki
Reprise de Joachim Trier 
Segredos e Mentiras de Mike Leigh 
Sr. Ninguém de Jaco Van Dormael
Stalker de Andrei Tarkovsky 
Sob a Areia de François Ozon
Sonho de Valsa de Ana Carolina 
Summer of Soul de Questlove
Sunshine - Alerta Solar de Danny Boyle 
Tangerinas de Zaza Urushadze
Taxi Driver de Martin Scorsese
Thelma & Louise de Ridley Scott
The Square de Ruben Östlund
Transamérica de Duncan Tucker
Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo de Dan Kwan e Daniel Scheinert
Um Estanho no Ninho de Milos Forman
Underground de Emir Kusturica
Vá e Veja de Elem Klimov
Viagem ao Topo da Terra de Patrick Imbert
Vida Selvagem de Paul Dano
Visages Villages de Agnès Varda e JR
Zola de Janicza Bravo 

PL►Y: A Noiva!

Jessie e Bale: só pretensões. 

Decepcionado diáriw, sou um dos admiradores da estreia da atriz Maggie Gyllenhaal como cineasta em  A Filha Perdida (2021). O filme foi indicado em três categorias no Oscar, entre elas, atriz coadjuvante para Jessie Buckley. Aquela foi  a primeira vez que a atriz caiu no radar da academia e este ano levou o prêmio de atriz para casa por Hamnet. Quando sua campanha do Oscar fervia, chegava aos cinemas esta nova parceria entre as duas, uma versão moderna de A Noiva de Frankenstein. A personagem em si ganhou fama no cinema com o clássico de 1935 de James Whale estrelado por Boris Karloff e Elsa Lanchester que fazia os papéis da autora Mary Shelley e da noiva. Maggie mantem esta ideia para enriquecer a personagem que está presente em uma subtrama do livro.  O roteiro transporta a história  para os anos 1930 e insere a personagem em uma investigação policial enquanto Frank (Christian Bale) quer uma companheira após atravessar o século atrás de um amor. Cheio de ideias, o filme tem estilo demais para história de menos. Há tanta gritaria no filme e tantas linhas para amarrar que fica bastante perdido. Curioso é que apesar de imaginar ter tanto a dizer o filme soe tão vazio com os dois personagens correndo de um lado para o outro, parando de vez em quando para assistir filmes (Frank ama cinema, especialmente musicais) e matar algumas pessoas que não os compreendem pelo caminho. Além disso, tem um discurso feminista desengonçado que nunca é plenamente desenvolvido no decorrer da história. Pena que o bom elenco e o capricho na maquiagem (que curti muito mais do que no Frankenstein de Del Toro) não sejam capazes de salvar o filme de seu emaranhado de pretensões.

 A Noiva! (The Bride! / França - EUA / 2026) de Maggie Gyllenhaal com Jessie Buckley, Christian Bale, Pete Sarsgaard, Penelope Cruz, Annette Bening, John Magaro e Jeannie Berlin.   

Pódio: Josh O'Connor

3º Reino de Deus (2017) O primeiro trabalho em que o rapaz me chamou atenção foi neste drama romântico que recebeu muita atenção na época por conta da relação densa entre seus dois personagens  - além das tórridas entre Josh e o romeno Alec Secăreanu. O primeiro vive Johnny Saxby que vive com o pai e o avô em uma fazenda precária de ovelhas. O rapaz vive uma rotina complicada e ela parece encontrar alguma mudança quando chega à fazenda um jovem romeno. A complexa relação amorosa entre os dois tornou o filme um dos longas com temática LGBTQIAPN+ mais elogiados dos últimos anos. No ano de lançamento, o longa foi indicado ao prêmio de melhor filme britânico no BAFTA. Josh e Alec estão impecáveis em cena. 

2º Rivais (2024) Incrível como o filme de Luca Guadagnino faz de tudo para tornar seus atores sexys. Com Josh O'Connor não é diferente, as câmera parece sempre disposta a apresentar os efeitos da musculação em seu físico esguio. Um close no braço aqui, um ângulo das pernas ali, um tórax definido ali... tudo isso para mudar um pouco nosso olhar sobre o ator que vive um jogador de tênis que está em crise e que reencontra velhos conhecidos com quem ainda tem algumas pendências emocionais a tratar. Eu juro que imaginava que o ator seria indicado na temporada de prêmios por seu personagem neste filme sobre um triângulo amoroso repleto de nuances. Gosto muito de ver o ator cheio de charme em um papel que dificilmente cairia nas mãos de um cara feito ele. 

1º The Crown - 4ª Temporada (2020) Atrevo a dizer que a quarta temporada da série foi a melhor de todas. Havia tantas performances excepcionais em cena que restava apenas apreciar. Entre as atrizes magníficas daquela temporada, havia um ator que brilhava: Josh O'Connor. Ele fez o impossível: tornou palpável os dilemas do então príncipe Charles. Incrível como o ator conseguiu dar conta de nos fazer entender os sentimentos frustrantes que perpassava seu casamento com a cultuada Lady Di (vivida por uma ótima Emma Corrin) enquanto amava mesmo Camila (Emerald Fennell, a própria diretora do novo Morro dos Ventos Uivantes). Josh faz um trabalho espetacular e ousou até nos fazer simpatizar com Charles em um dos momentos mais difíceis de sua vida.