domingo, 8 de março de 2026

PL►Y: Se Eu Tivesse Pernas, Eu te Chutaria

Rose: uma mãe em apuros. 

Desesperado Diáriw, fico muito feliz quando um filme pequeno como este consegue superar toda a grana investida em marketing dos estúdios e chega ao Oscar em uma categoria importante como melhor atriz. Rose Byrne tem o trabalho mais celebrado de sua carreira, levou o prêmio de atuação no Festival de Berlim, o Globo de Ouro de atriz de comédia, o Independent Spirit e vários prêmios da crítica. No fim das contas, ela é a única que pode tirar o prêmio da Jessie Buckley. Toda torcida em torno de Rose é merecida, já que ela consegue transmitir todo o desespero de sua personagem na primeira cena. Antes de dizer uma palavra, ela já deixa claro que a personagem está prestes a se desintegrar perante os cuidados que específicos que a filha necessita, com a ausência do marido e o trabalho como terapeuta. As coisas só pioram quando um problema de infiltração alaga seu apartamento e faz o teto quase desabar em sua cabeça - uma clara alusão à sua vida. Assim como ela insiste com o proprietário para cuidar do problema, ela tenta o tempo inteiro encontrar apoio em alguém, mas nota, cada vez mais como depende dela mesma dar conta de tudo que lhe acontece (até mesmo de uma paciente que resolve desaparecer no meio de uma sessão). Filmado de forma claustrofóbica por Mary Bronstein em ângulos que só reforçam a solidão da personagem (reparem como nem o rosto da filha aparece durante o filme), Se eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria não é perfeito, mas constrói uma narrativa opressora cheia de projeções em torno da personagem que é sentida plenamente pelo espectador. Só para lembrar, a australiana Rose consolidou a carreira com comédias, mas antes de ir para Hollywood ganhou o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Veneza pelo cult A Deusa de 1967 (2000). 

Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria (If I had Legs, I'd Kick You) de Mary Bronstein com Rose Byrne, Conan O'Brien, Danielle MacDonald, Delaney Quinn, Mary Bronstein, A$ap Rocky, Ivy Wolk e Christian Slater. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário