segunda-feira, 22 de junho de 2026

NªTV: Margô Está em Apuros

Elle: carreira em alta. 
Televisivo diáriw, Elle Fanning deve estar muito feliz com seu ano de 2026. Foi o ano em que recebeu sua indicação ao Oscar pelo seu belo trabalho no oscarizado Valor Sentimental (2025) e que recebe elogios unânimes por seu trabalho em Margô está em Apuros, produção da AppleTV em parceria com A24 que deve lhe render indicações aos prêmios de televisão no próximo ano. Me atrevo  dizer que a atriz está em sua melhor fase aos 28 anos e 25 anos de carreira (!!). Ela vive Margô Millet, estudante de literatura que pretende ser escritora, mas fica grávida de um professor (Michael Angarano) casado. Daí em diante tudo se complica, ela perde o emprego, faz um acordo complicado com  a família do pilantra, perde as amigas com quem dividia o apartamento e o dinheiro fica cada vez mais minguado para sustentar um bebê. Embora conte com a ajuda da mãe (a maravilhosa Michelle Pfeiffer) e do pai, que andava sumido (o ótimo Nick Offerman), a grana curta a faz abrir uma página no OnlyFans e os acontecimentos seguem de forma cada vez mais caótica ao ponto de ter o risco de perder a guarda do bebê. Feito sem moralismos e com elenco afiado, Margô está em Apuros é uma delícia de assistir, sobretudo por expor as hipocrisias do mundinho estadounidense que adora se ver como recatado, mas que não tem postura para sustentar o discurso. Tem algo que retrata isso melhor do que o professor que transa com aluna e acusa a mesma de não ter moral? Encontrando um raro equilíbrio entre o drama e a comédia, a minissérie comove e faz rir com um ótimo texto baseado no livro de Rufi Thorpe. Assim que o livro foi lançado, Elle e a irmã Dakota Fanning ficaram de olho nos direitos e descobriram que Nicole Kidman e o produtor David E. Kelly (esposo de Michelle Pfeiffer) também queriam adaptar o material. Todos se juntaram e o resultado é um grande acerto. 

Margô está em Apuros (Margo got Money Troubles / EUA - 2026) de David E. Kelley com Elle Fanning, Michelle Pfeiffer, Nick Offerman, Michael Angarano, Marcia Gay Harden, Greg Kinnear, Thaddea Graham e Nicole Kidman. ☻☻☻ 

MOMENTO ROB GORDON: Nicolas Cage HQ

 Nicolas Cage é um grande fã de histórias em quadrinhos, tanto que virou notícia quando decidiu vender sua coleção de HQs. Seu nome artístico também foi inspirado no personagem Luke Cage e o nome de batismo de seu fiho, Kal-El, foi inspirado no nome verdadeiro do Superman. Não é por acaso, que o ator tem vários personagens do gênero em sua carreira: 

#5 Superman (Superman Lives/199?)

Parece balela, mas é verdade, Nicolas Cage esteve muito perto de interpretar o Homem de Aço num filme a ser dirigido por Tim Burton nos anos 1990. A Warner estava tão feliz com os resultados de Batman que chegou a planejar o filme. Superman Lives contou até com prova de roupa e tudo mais. O ator estava animado com o projeto até ele ser cancelado por conta das, digamos, excentricidades do projeto. O fato é que a ideia permaneceu no imaginário de muita gente rendendo referências em produções como The Flash (2023) e a animação Teen Titans em Ação (2018). 

#4 Dr Temna (Astro Boy /2009)

Cage emprestou sua voz para o Dr. Tenma, o cientista que cria o clássico personagem robótico de Osamu Tezuka. Tenma constrói o personagem após a traumática morte de seu filho e se apresenta como um personagem ambíguo, que transita entre o heroísmo e a vilania. O filme não fez o sucesso esperado, mas a interpretação vocal do ator rendeu-lhe vários elogios pelo tom melancólico que atribui ao personagem. 

#03 Motoqueiro Fantasma (2007)

O mundo nerd foi ao delírio quando Nicolas Cage topou viver o motoqueiro assombrado da Marvel. Ele vive Johnny Blaze, um homem que vende a alma ao diabo para salvar a vida do pai. Anos depois ele reencontra o amor de sua vida e o próprio capiroto com quem fez o pacto, Mephisto, tendo a chance de recuperar sua alma. O filme encontrou seu público e rendeu uma sequência em 2012. A crítica não curtiu muito o filme, mas os efeitos especiais do crânio flamejante a atuação exagerada do ator fez sucesso. 


Não sei vocês, mas eu fui pego de surpresa quando vi que Nicolas Cage estava no elenco de Kick Ass como Big Daddy, pai e responsável pelo treinamento da inacreditável Hit Girl (Chloe Grace Moretz). Na verdade, por trás da máscara se esconde Damon McCready, ex-policial perseguido por não se juntar ao mundo do crime. O trauma pela morte da esposa o fez lutar contra o crime do seu próprio jeito, se tornando o primeiro super-herói da vida real. O personagem rendeu um dos trabalhos mais interessantes da carreira do ator e é lembrado com muito carinho pelos fãs do personagem de Frank Miller e John Romita Jr.
 
#01 "Spider-Noir" (Homem Aranha no Aranhaverso/2018)

Quando Nicolas Cage emprestou a voz para a versão alternativa do Homem-Aranha que vivia um detetive dos anos 1930, acho que ele não imaginava que cairia nas graças do público com tanta devoção. O charme e a aura e mistério impressa em seu trabalho vocal caiu como uma luva no personagem da Marvel criado em 2008 e fez tanto sucesso que começaram as especulações sobre uma aventura solo do herói. Demorou, mas o personagem ganhou uma minissérie live-action que (curiosidade) demorou mais do que devia para ficar pronta por conta das cenas (feitas em preto e branco) que tiveram que ser coloridas posteriormente por receio do público não curtir a experiência. Estrelada por Cage e em cartaz no Prime Video, Spider-Noir é uma das séries mais faladas do ano. 

sábado, 20 de junho de 2026

NªTV: Spider-Noir

Spider: Cage em boa forma.

Cinzento diáriw, interessante ver que somente agora Nicolas Cage se aventurou em uma produção televisiva. Curiosamente, seu primeiro projeto para TV é devido ao seu trabalho em uma animação, já quem em Homem-Aranha no Aranhaverso (2018) ele foi o responsável por dar a voz ao Spider-Noir. Trata-se de uma versão alternativa do herói aracnídeo que vive como detetive na década de 1930. O personagem foi publicado pela primeira vez em 2009 e ganhou notoriedade quando chegou ao cinema. O personagem empolgou tanto que pensaram em fazer um filme para ele, mas a ideia acabou virando uma série em cartaz no Prime Video. Diante de toda saturação de filmes de heróis no cinema, achei a ideia bem mais apropriada, já que pode construir o universo do personagem com mais calma e a produção ainda inventou uma saída interessante ao deixar a cargo o espectador escolher se quer ver a produção em cores ou em preto e branco - que parece mais apropriado à atmosfera noir que o personagem sugere. Na trama, Ben Reilly (Cage) é um detetive que perdeu o amor de sua vida, por conta disso decidiu aposentar seu alter-ego o herói Spider. No entanto, suas habilidades de aranha permanecem em ação. O trabalho como detetive não vai bem e as coisas pioram quando ele se mete em uma investigação envolvendo o chefe do crime da cidade, o Cabelo de Prata (Brendan Gleeson), e um grupo de pessoas com poderes especiais que começam a aparecer. Como todo bom noir, nada é o que parece e temos uma femme fatale, no caso Cat Hardy (Li Jun Li), para bagunçar o coração do herói. Bem cuidada e com um estilo diferente do que vimos em séries de heróis até aqui, Spider-Noir é uma grata surpresa para os fãs de quadrinhos e traz Cage em um daqueles papéis que lembram o quão interessante ele pode ser.

Spider-Noir (EUA-2026) de Oren Uziel com Nicolas Cage, Lamorne Morris, Brendan Gelleson Li Jun Li, Jack Huston, Lukas Hass, Abraham Popoola e Scott MacArthur. ☻☻☻

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Na Tela: Mestres do Universo

Nicholas: rindo de si mesmo

Anabolizado diáriw, lembro que assisti ao primeiro filme do He-Man no cinema em 1987. O revi várias vezes (nem sei quantas). O filme nunca foi muito elogiado, mas o considero divertido o suficiente para passar o tempo. Há tempos queriam fazer um novo longa sobre aquele universo e finalmente saiu do papel pelas mãos da Amazon que abraçou a galhofa e alcançou um resultado que quer apenas entreter sem maiores pretensões. Escalaram Nicolas Galitzine para oxigenar as madeixas e ficar bombado o suficiente para usar os trajes modestos do herói e Jared Leto para ficar escondido atrás da máscara do esqueleto. Na trama Esqueleto passa a dominar o reino de Etérnia e provoca a fuga do pequeno Príncipe Adam com a espada do poder para a Terra. Acontece que o menino perde a espada no caminho e cresce com plena consciência de sua missão. Procurando a espada e ganhando a vida trabalhando no RH, tudo muda quando ele finalmente encontra a espada e volta ao seu planeta natal. Ele se junta aos personagens que sempre guardou na memória para derrotar esqueleto e... tudo é tratado com muito humor, efeitos especiais, piadas de duplo sentido sem se levar a sério. Muitos reclamaram que falta seriedade ao filme, mas acho estranho exigir isso de um filme baseado em um desenho animado gerado para vender brinquedos. Não é inovador, mas também não compromete o material em que se baseia. Bem cuidado em cenários e figurinos, o filme conta com um elenco esforçado. Gostei muito que deixaram o Esqueleto fiel aos desenhos. Um sujeito de humor ridículo em sua vilania, mas que consegue ser bastante assustador. Ele diz coisas absurdas durante o filme e lembra alguns políticos que andam por aí. O melhor é que ele não posa de bom moço, como ele mesmo diz, é o vilão e adora isso. Na sala de cinema, o público curtiu bastante.

Mestres do Universo (Masters of the Universe / EUA - 2026) de Travis Knight com Nicholas Galitzine, Camila Mendes, Idris Elba, Jared Leto, Alison Brie, Jóhannes Haukur Jóhannesson, Jon Xue Zhang, Sam C. Wilson, James Purefoy, Morena Baccarin, Kristen Wiig e Dolph Lundgren. ☻☻

quarta-feira, 17 de junho de 2026

CENTØPÉDIA: FilmesD+ (Parte II)

 Demorou dez anos e seis meses para listar mais cem filmes com a cotação máxima do blog . Os FilmesD+ já haviam gerado outra lista de cem títulos em no início de 2006 e agora agrega mais um grupo seleto de produções avaliadas por este humilde cinéfilo que vos escreve. A seguir mais cem filmes que estão entre os melhores que já assisti:

Ainda Estou Aqui de Walter Salles
A Favorita de Yorgos Lanthimos 
A Fraternidade é Vermelha de Krzysztof Kieslowski
A Grande Beleza de Paolo Sorrentino
A Juíza  Julie Cohen e Betsy West
A Luz Entre Oceanos de Derek Cianfrance 
A Marvada Carne de André Klotzel
A Menina Silenciosa de Colm Bairéan 
Amor e Restos Humanos de Denis Arcand
Anatomia de Uma Queda de Justine Triet
Animais Americanos de Bart Layton 
Apocalypse Now de Francis Ford Coppola 
As Bruxas de Salém de Nicholas Hytner
Assassinato em Gosford Park de Robert Altman 
Assassinos da Lua das Flores de Martin Scorsese
Assunto de Família de Hirokazu Koreeda 
Border de Ali Abassi
 Cães de Aluguel de Quentin Tarantino
Carvão de Carolina Markowicz
Central do Brasil de Walter Salles
Cidade de Deus de Fernando Meirelles e Kátia Lund
Cinema, Aspirina e Urubus de Marcelo Gomes
Corpus Christi de Jan Komasa
Close de Lukas Dhont 
Deus Branco de Kornél Mundruczó
Entre os Muros da Escola de Laurent Cantet
Eu Sei que Vou te Amar de Arnaldo Jabor
Eu, Tonya de Craig Gillespie
Eu, Você e a Garota que Vai Morrer de Alfonso Gomes-Rejon
Fatal de Isabel Coixet 
Flow de Gints Zilbalodis
Fruto da Memória de Christos Nikou
Honeyland de  Tamara Kotevska
Ilha dos Cachorros de Wes Anderson 
Jamais Nevará Novamente de Malgorzata Szumowska
Lamb de Valdimar Johannsson
Lady Bird de Greta Gerwig 
 Lady MacBeth de William Oldroyd
Laranja Mecânica de Stanley Kubrick
Mais Forte que Bombas de Joachim Trier
Marcel, A Concha de Sapatos de Dean Fleisher Camp 
Nashville de Robert Altman
Má Educação de Cory Finley
Meu Pai de Florian Zeller
1917 de Sam Mendes
Monster de Hirokazu Kore-eda
Moonlight de Barry Jenkins
Nada de Novo no Front de Edward Berger
Nenhum a Menos de Zhang Yimou
Nico, 1988 de Susanna Nichiarelli 
Nostalgia de Andrei Tarkovsky 
O Beijo da Mulher Aranha de Hector Babenco 
O Brutalista de Brady Corbet
O Experimento Milgram de Michael Almereyda 
O Garoto que Comia Alpiste de Ektoras Lygizos 
O Homem Elefante de David Lynch
Okja de Bong Joon-Ho
O Mensageiro de Karen Shakhnazarov
O Que Resta do Tempo de Elia Suleiman
O Talentoso Ripley de Anthony Minghella
Os Cinco Sentidos de Jeremy Podeswa
Os Rapazes da Banda de William Friedkin
Os Tempos de Harvey Milk de Rob Epstein
Parasita de Bong Joon-Ho
Paris is Burning de Jennie Livingston
Pinóquio de Guillermo Del Toro
Princesa Mononoke de Hayao Miyazaki
Reprise de Joachim Trier 
Segredos e Mentiras de Mike Leigh 
Sr. Ninguém de Jaco Van Dormael
Stalker de Andrei Tarkovsky 
Sob a Areia de François Ozon
Sonho de Valsa de Ana Carolina 
Summer of Soul de Questlove
Sunshine - Alerta Solar de Danny Boyle 
Tangerinas de Zaza Urushadze
Taxi Driver de Martin Scorsese
Thelma & Louise de Ridley Scott
The Square de Ruben Östlund
Transamérica de Duncan Tucker
Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo de Dan Kwan e Daniel Scheinert
Um Estanho no Ninho de Milos Forman
Underground de Emir Kusturica
Vá e Veja de Elem Klimov
Viagem ao Topo da Terra de Patrick Imbert
Vida Selvagem de Paul Dano
Visages Villages de Agnès Varda e JR
Zola de Janicza Bravo 

PL►Y: A Noiva!

Jessie e Bale: só pretensões. 

Decepcionado diáriw, sou um dos admiradores da estreia da atriz Maggie Gyllenhaal como cineasta em  A Filha Perdida (2021). O filme foi indicado em três categorias no Oscar, entre elas, atriz coadjuvante para Jessie Buckley. Aquela foi  a primeira vez que a atriz caiu no radar da academia e este ano levou o prêmio de atriz para casa por Hamnet. Quando sua campanha do Oscar fervia, chegava aos cinemas esta nova parceria entre as duas, uma versão moderna de A Noiva de Frankenstein. A personagem em si ganhou fama no cinema com o clássico de 1935 de James Whale estrelado por Boris Karloff e Elsa Lanchester que fazia os papéis da autora Mary Shelley e da noiva. Maggie mantem esta ideia para enriquecer a personagem que está presente em uma subtrama do livro.  O roteiro transporta a história  para os anos 1930 e insere a personagem em uma investigação policial enquanto Frank (Christian Bale) quer uma companheira após atravessar o século atrás de um amor. Cheio de ideias, o filme tem estilo demais para história de menos. Há tanta gritaria no filme e tantas linhas para amarrar que fica bastante perdido. Curioso é que apesar de imaginar ter tanto a dizer o filme soe tão vazio com os dois personagens correndo de um lado para o outro, parando de vez em quando para assistir filmes (Frank ama cinema, especialmente musicais) e matar algumas pessoas que não os compreendem pelo caminho. Além disso, tem um discurso feminista desengonçado que nunca é plenamente desenvolvido no decorrer da história. Pena que o bom elenco e o capricho na maquiagem (que curti muito mais do que no Frankenstein de Del Toro) não sejam capazes de salvar o filme de seu emaranhado de pretensões.

 A Noiva! (The Bride! / França - EUA / 2026) de Maggie Gyllenhaal com Jessie Buckley, Christian Bale, Pete Sarsgaard, Penelope Cruz, Annette Bening, John Magaro e Jeannie Berlin.   

Pódio: Josh O'Connor

3º Reino de Deus (2017) O primeiro trabalho em que o rapaz me chamou atenção foi neste drama romântico que recebeu muita atenção na época por conta da relação densa entre seus dois personagens  - além das tórridas entre Josh e o romeno Alec Secăreanu. O primeiro vive Johnny Saxby que vive com o pai e o avô em uma fazenda precária de ovelhas. O rapaz vive uma rotina complicada e ela parece encontrar alguma mudança quando chega à fazenda um jovem romeno. A complexa relação amorosa entre os dois tornou o filme um dos longas com temática LGBTQIAPN+ mais elogiados dos últimos anos. No ano de lançamento, o longa foi indicado ao prêmio de melhor filme britânico no BAFTA. Josh e Alec estão impecáveis em cena. 

2º Rivais (2024) Incrível como o filme de Luca Guadagnino faz de tudo para tornar seus atores sexys. Com Josh O'Connor não é diferente, as câmera parece sempre disposta a apresentar os efeitos da musculação em seu físico esguio. Um close no braço aqui, um ângulo das pernas ali, um tórax definido ali... tudo isso para mudar um pouco nosso olhar sobre o ator que vive um jogador de tênis que está em crise e que reencontra velhos conhecidos com quem ainda tem algumas pendências emocionais a tratar. Eu juro que imaginava que o ator seria indicado na temporada de prêmios por seu personagem neste filme sobre um triângulo amoroso repleto de nuances. Gosto muito de ver o ator cheio de charme em um papel que dificilmente cairia nas mãos de um cara feito ele. 

1º The Crown - 4ª Temporada (2020) Atrevo a dizer que a quarta temporada da série foi a melhor de todas. Havia tantas performances excepcionais em cena que restava apenas apreciar. Entre as atrizes magníficas daquela temporada, havia um ator que brilhava: Josh O'Connor. Ele fez o impossível: tornou palpável os dilemas do então príncipe Charles. Incrível como o ator conseguiu dar conta de nos fazer entender os sentimentos frustrantes que perpassava seu casamento com a cultuada Lady Di (vivida por uma ótima Emma Corrin) enquanto amava mesmo Camila (Emerald Fennell, a própria diretora do novo Morro dos Ventos Uivantes). Josh faz um trabalho espetacular e ousou até nos fazer simpatizar com Charles em um dos momentos mais difíceis de sua vida. 

domingo, 14 de junho de 2026

CICLO DIVERSIDADESXL: A História do Som

Josh e Paul: amor pela música. 
Sonoro diáriw, quando Paul Mescal e Josh O'Connor foram escalados para viver um romance gay o projeto já criou rebuliço. Quando o filme foi selecionado para o Festival de Cannes as expectativas foram às alturas, mas ao ser exibido, o consideraram decepcionante. Acho que as pessoas imaginaram os dois atores em cenas tórridas ao longo de mais de duas horas de filme, mas a proposta do filme é ser bem mais do que isso. Sim, existem cenas dos dois atores na cama, mas a ideia é principal é outra. O rigor com que Hermanus conta a história de Lionel Worthing (Paul Mescal) é tão marcante que até pensei se tratar de uma história real (mas é baseado no conto fictício de Ben Shattuck de 2018). Lionel nasceu filho de fazendeiros pobres na virada para o XX, desde pequeno notou ter a capacidade de enxergar cores nas melodias, assim como sentir sabores nas músicas. Seu interesse pela música encontra abrigo no professor David White (Josh O'Connor) que se encanta com a voz do rapaz. A música serve de ponto de partida para um relacionamento intenso entre os dois, que irá sofrer uma quebra na 1ª Guerra Mundial e um reencontro anos depois quando percorrem os Estados Unidos para registrar canções transmitidas oralmente pelos recantos do país. No entanto, existe um receio que faz com que o relacionamento nunca decole e afete a vida de ambos para sempre. O diretor Oliver Hermanus (de Viver/2022) já demonstrou curtir um cinemão clássico, com fotografia bem cuidada, figurino caprichado, atuações contidas e aqui ele segue o mesmo caminho até o último ato emocionante.  Quem esperava um filme cheio de erotismo se decepcionou, quem espera ver uma história bem contada (e um tanto melancólica) sobre dois personagens que se perdem de si mesmos (e um do outro) não irá se decepcionar. 

A História do Som (The History of Sound / EUA - Reino Unido - Suécia - Itália / 2025) de Oliver Hermanus com Paul Mescal, Josh O'Connor, Chris Cooper, Molly Price, Cate Finck e Emma Canning. ☻☻☻ 

sábado, 13 de junho de 2026

CICLO DIVERSIDADESXL: Nunca Fui Santa

Lyonne e Clea: sem estereótipos. 

Debochado diáriw, muito antes dos tratamentos da questionável cura gay chegar aos cinemas com toda a carga dramática de O Mau Exemplo de Cameron Post (2018), Boy Erased (2018) ou Pedágio (2023), a diretora Jamie Babbit em 1999 já abordada a situação com deboche deliciosamente queer. Nunca Fui Santa se tornou um filme cultuado por seu grupo de fãs pelo humor exagerado e atuações caricaturais que servem na verdade para cutucar um tema bastante sério. Natasha Lyonne vive Megan, a líder de torcida que é bastante popular e namora um rapaz cobiçado da escola, mas sua família começa a desconfiar que tudo isso é na verdade um disfarce para seu interesse por outras garotas. Por mais que Megan ressalte que ela não seja lésbica, a família resolve intervir e a mandar para um tratamento de "cura gay", lá ela conhece Graham (Clea Duvall) e você imagina o que acontece. É realmente genial juntar um bando de meninas que gostam de outras meninas num mesmo espaço e imaginar que a cura acontecerá! Embora colorido e satírico, o filme segue a cartilha da descoberta de si mesmo, o que é comum em qualquer filme sobre crescimento, mas a diferença é que as personagens que aparecem aqui sabem o que são e do que gostam, mas a sociedade insiste em negar-lhes a legitimidade do desejo (ainda mais intenso pelas descobertas e hormônios a flor da pele). Feito como um filme para adolescentes e com insinuações sexuais até sutis para os dias e hoje, o filme recebeu classificação etária de 17 anos e se tornou peça rara em locadoras. Com o passar do tempo e com a fama de sua atriz principal em trabalhos futuros (como na série Orange is The New Black), Nunca Fui Santa começou a receber um reconhecimento tardio pela forma como desconstrói estereótipos lésbicos e, fosse lançado hoje, acredito que seria um dos filmes mais comentados do ano.  

Nunca Fui Santa (But I'm a Cheerleader / EUA - 1999) de Jamie Babbit com Natasha Lyonne, Clea Duvall, RuPaul, Melanie Linskey, Cathy Mortiarty, Michelle Williams, Dante Brasco, Eddie Cribrian e Kip Pardue. ☻☻ 

sexta-feira, 12 de junho de 2026

CICLO DIVERSIDADESXL: Apenas amigos

Josha e Majid: otimismo. 

Amoroso diáriw, eu sei que é bastante recorrente as críticas aos filmes de temática LGBTQIAP+ que reservam um destino cruel aos seus protagonistas (como se fosse uma punição à quem ousa ir contra a heteronormatividade), por isso mesmo, um romance queer água com açúcar é bem vindo, mas isso não o isenta de  tomar alguns cuidados em sua execução. Este é o caso de Apenas Amigos, um filme bem feitinho e simpático que arrisca abordar alguns temas atuais, mas se esquiva de aprofundar algumas questões que acabam retirando a complexidade que o seu par central possui. A trama gira em torno de Yad (Majd Mardo), filho de uma família Síria de imigrantes que abandonou a faculdade de medicina e passou um tempo em Amsterdam. Ele retorna para a casa e volta a dar aula de surf, além de fazer um extra cuidando da casa de uma senhora idosa (Jenny Arean). Acontece que a senhora tem um neto chamado Joris (Josha Stradowski) que é marrento e sofre com a perda recente do pai. Ambos se sentem um tanto deslocados e quando se conhecem o interesse entre os dois torna-se logo evidente. Esta parte do filme é desenvolvida como uma comédia romântica trivial que flui naturalmente, mesmo diante do notório preconceito da esnobe mãe de Joris que não faz ideia de que o rapaz que cuida da casa de sua mãe é namorado de seu filho. Pena que ao invés de abordar os conflitos pessoais de cada um, o filme resolve colocar o namoro em crise abruptamente no último terço de filme para resolver tudo de forma apressada e não muito criativa. O filme vai bem até a crise forçada e perde a chance de seguir por um viés mais original que poderia fazer seus personagens encararem os problemas de forma mais interessante. A sorte é que até escorregar numa fórmula gasta, o filme já recebeu nossa torcida para que os dois mocinhos tenham um final feliz, sem mortes, tragédias ou traumas. No fim das contas o diferencial aqui é o otimismo da dupla.

Apenas Amigos (Gewoon Vrieden / Países Baixos - 2018) de Annemarie van de Mond com Majd Mardo, Josha Stradowski, Jenny Arean, Tanja Jess e Melody Klaver. ☻☻

quinta-feira, 11 de junho de 2026

CICLO DIVERSIDADESXL: Watermelon Woman

Cheryl: pesquisa histórica. 
Instigado diáriw,  é incrível como um filme despretensioso como Watermelon Woman é capaz de entrar para  a História. O longa dirigido por Cheryl Dunye a fez se tornar a primeira diretora afro-americana assumidamente lésbica a dirigir um longa-metragem. Tudo se torna ainda mais interessante quando a temática do filme volta-se so seu interesse por uma atriz negra que fazia filmes na década de 1930 e era conhecida como Mulher Melancia. Cheryl  interpreta uma cineasta que trabalha em uma locadora, o que ajuda muito a realizar sua pesquisa sobre a atriz em questão. Ela busca novas informações sobre a atriz e se depara com a história de uma mulher lésbica e negra nos primórdios da história do cinema. Se o início passa a impressão que estamos diante de mais uma comédia romântica, aos poucos, Watermelon Woman ganha novas camadas, se torna divertido, curioso e militante ao revelar a forma como a sociedade ainda se relaciona com a imagem da mulher apresentada no título. Para além da pesquisa que o filme retrata, existe ainda o romance de Cheryl com Diana (Guinevere Turner) que rende algumas conversas interessantes sobre os arquétipos de ambas. Feito com baixíssimo orçamento e com uma espontaneidade desconcertante, o filme se tornou um marco no cinema queer dos EUA. Embora Dunye tenha lançado outros filmes com menor repercussão (aqui a perspectiva histórica faz toda a diferença no emaranhado narrativo que o filme apresenta), seu nome é sempre lembrado como um referência de um tempo em que mulheres negras homossexuais e cineastas era algo impossível de ser pensado no cinema (e estamos falando de apenas três décadas atrás). Nascida na Libéria, Cheryl tem se dedicado cada vez mais  a direção de episódios séries (Lovecraft Coutry, Bridgerton, You, Umbrella Academy...) e não lança um longa desde 2012. Em cartaz na Mubi o filme é um pequeno clássico do cinema indie

Watermelon Woman (EUA-1996) de Chreyl Dunye com Cheryl Dunye, Guinevere Turner, Valarie Walker, Lisa Marie Bronson, Chreryl Clarke, Irene Dunye e Camille Paglia. ☻☻ 

quarta-feira, 10 de junho de 2026

CICLO DIVERSIDADESXL: Sebastiane

Treviglio: santo sofrimento. 

Esquecido diáriw, o diretor inglês Derek Jarman (1942-1994) é pouco lembrado, mas os seus filmes são frequentemente lembrados como marcos do cinema queer. Geralmente com orçamento modesto, Jarman fez história no cinema por conta de sua capacidade em utilizar criatividade estética para driblar a grana curta. Recentemente um amigo comentou sobre esta visão de Jarman sobre a vida de São Sebastião e fiquei bastante curioso em assistir. O filme gerou escândalo na época pela naturalidade com que apresenta a nudez masculina e o desejo homossexual de seus personagens. Ambientado no ano 300 e falado em latim, o filme conta os dias em que Sebastião (Leonardo Treviglio) passou exilado com outros soldados em um posto avançado no meio do nada. Em meio aos treinos, ele é alvo de deboches e provocações por ser cristão e a situação só piora diante das investidas de um general Severus (Barney James) que nutre forte desejo por ele e o submete a torturas variadas. Antes de gerar a famosa imagem por sua execução por flechadas, Sebastião foi soldado e capitão do império romano e teve papel importante na proteção dos cristãos perante as perseguições do imperador Diocleciano. Jarman (que assina a direção e o roteiro ao lado de Paul Humfress) utiliza estes fatos históricos para construir uma história de desejos latentes e um tanto de sadismo para construir cenas em que a luz e os enquadramentos valorizam os corpos masculinos torneados, suados e desinibidos. Em alguns momentos as cenas parecem pinturas e lembram que o diretor começou seu trabalho no cinema cuidando da cenografia para outros diretores. Seu cuidado estético fez com que nos anos 1980 e 1990 dirigisse vários clipes para artistas como The Smiths, Pet Shop Boys e Suede antes de falecer vítima do HIV. 

Sebastiane (Reino Unido / 1976) de Derek Jarman e Paul Humfress com Leonardo Treviglio, Barney James, Neil Kennedy, Richard Warwick, Donald Dunham, Ken Hicks e Janusz Romanov. ☻☻ 

terça-feira, 9 de junho de 2026

CICLO DIVERSIDADESXL: O Despertar da Juventude

Alex e Sam: desejos e receios.

Conflituoso diáriw, sabe aquele filme que você não espera muita coisa e conforme ele se desenrola você percebe o quanto ele tem algo mais a oferecer? Senti isso ao assistir Minyan, ou como foi chamado por aqui: O Despertar da Juventude. O filme conta a história de David (Samuel H. Levine), um jovem de família imigrante russa que em meados dos anos 1980 vive em Nova York e começa a descobrir sua própria sexualidade enquanto altera seu olhar sobre o mundo que o cerca. Ele se sente deslocado na escola judaica em que estuda e deseja frequentar uma escola pública, ele também prefere morar com o avô (Ron Rifkin) do que permanecer na casa dos pais e lidar com as pressões familiares, mas além disso, David começa a perceber que seu interesse sexual por homens é crescente. Neste ponto, os dois homens idosos que vivem no apartamento ao lado de seu avô ajudam a fazê-lo perceber que talvez seu desejo não precisa silenciado. No entanto, para evitar problemas com a família, ele começa a ter encontros secretos com desconhecidos até ter um envolvimento mais pessoal com Bruno (Alex Hurt), um bonitão que trabalha num bar gay da cidade. O diretor Eric Steel consegue fazer um belo filme baseado no livro de David Bezmozgis, mas sua abordagem intimista perde a chance de aprofundar algumas questões como o advento da AIDS nos anos 1980, algo que é apresentado de forma tão sutil que gera menos impacto do que deveria. A presença contida de Levine também pode incomodar em um personagem que vivencia conflitos tão intensos entre o tradicional e o transgressor. O rapaz passa quase o filme todo com a mesma cara, com alguns bons momentos para além das cenas tórridas com o filho de John Hurt. Porém, o filme aborda tantas questões que termina parecendo ainda ter material para mais meia hora de projeção, o que pode soar um tanto frustrante ao espectador.

O Despertar da Juventude (Minyan/ EUA -2021) de Eric Steel com Samuel H. Levine, Ron Rifkin, Mark Margolis, Alex Hurt, Brooke Bloom, Gera Sandler, Richard Topol e Zane Pais. ☻☻☻

segunda-feira, 8 de junho de 2026

CICLO DIVERSIDADEXL: Os Tempos de Harvey Milk

Milk: exemplo de luta. 

Queerido diáriw, considero sempre uma boa ideia lembrar de Harvey Milk. Ele foi o primeiro homem assumidamente gay a ser eleito para um cargo político na Califórnia. Antes de ser eleito conselheiro de seu distrito na cidade de São Francisco, ele administrava uma loja de máquinas fotográficas ao lado do companheiro e era conhecido por se envolver nas causas das minorias locais. Querido por sua comunidade, seu apelo transcendia o universo LGBTQIAPN+ de seu tempo. Sua vitória e ingresso na vida política foi um marco ao colocar em pauta questões que antes não encontrava voz na esfera política. Sua trajetória se tornou um exemplo de porque devemos eleger minorias (ou excluídos) para cargos políticos de representatividade. Não por acaso, como demonstra este documentário premiado com o Oscar em 1985, sua presença política incomodava muita gente. Sem seu trabalho, percebia-se que entre a luta por direitos e o combate à discriminação, existia uma linha quase invisível. Também soa emblemático que a vida e a carreira política de Harvey tenha terminado por iniciativa de um homem de bem, hétero e "de família" que em um momento de "descontrole" resolveu atirar no prefeito da cidade e em Harvey que sorriu ao vê-lo entrar em seu escritório. O valor da vida desses dois homens rendeu somente cinco anos e alguns meses de prisão ao assassino que levou o júri às lágrimas ao contar como sua vida estava difícil devido às suas próprias escolhas. Os Tempos de Harvey Milk é mais do que um documentário, mas um registro histórico necessário para entender  as engrenagens de uma sociedade que trata os diferentes como anomalias a serem silenciadas. Para conhecer um pouco mais sobre Harvey Milk vale assistir ao filme de Gus Van Sant (Milk/2008) que rendeu o Oscar de roteiro original para Dustin Lance Black e de melhor ator para Sean Penn. 

Os Tempos de Harvey Milk (The Times of Harvey Milk) de Rob Epstein com Harvey Milk, Harvey Fierstein, Anne Kronnenberg, Tory Hartmann, Tom Ammiano e Jim Elliott. ☻☻☻☻

quinta-feira, 4 de junho de 2026

4EVER: Marjane Satrapi

22/11/1969 ✰ 04/06/2026

Nascida em Rasht no Irã, Marjane Ebrahimi ficou famosa com o lançamento da graphic novel Persépolis que narrava sua infância em Terrã diante da Revolução Islâmica. O sucesso da HQ fez a história se tornar uma animação indicada ao Oscar em 2007 (a qual dirigiu ao lado de Vincent Paronnaud). Com o filme, Marjane dirigiu outros cinco filmes (o último permanece inédito por aqui) e firmou-se como cineasta junto à carreira de escritora. Familiares afirmam que Marjane não se recuperou após a morte do esposo no ano passado, alegando que a autora faleceu de tristeza.

PL►Y: Wicked Parte II

Ariana e Erivo: nem feitiço. 

Cantante diáriw, com certeza Wicked2 foi o maior decepcionado com o Oscar deste ano. O primeiro filme conseguiu dez indicações ao careca dourado (incluindo melhor filme e para sua dupla de atrizes) e cravou duas merecidas estatuetas (design de produção e figurinos). Diante de um sucesso estrondoso, quando o segundo filme estreou, o público e a crítica não demonstraram o mesmo entusiasmo do anterior. Algo já me dizia que o ponto em que o primeiro acabava, sobrava pouco para o segundo filme, já que diante dos boatos que transformavam Elphaba (Cinthya Erivo) em Bruxa Má - para desacreditar qualquer tentativa de desmascarar a farsa do mágico de Oz (Jeff Goldblum) - restava uma caça às bruxas para desenvolver. Ela é desenvolvida sem muito brilho, principalmente se comparado ao primeiro filme. Os momentos musicais não empolgam, as músicas não são legais, o desenvolvimento das personagens também não avança e deixa tanto Elphaba quanto Glinda (Ariana Grande) fazendo o que podem com o que lhes resta. Até mesmo aquele momento em que a história das bruxas de Oz se cruza com a clássica chegada de Dorothy fica de escanteio, tendo alguma graça quando descobrimos a origem do leão covarde, do Homem de Lata e do Espantalho, mas é pouco. Houvesse desenvolvido mais estes detalhes da trama conhecida talvez o filme ficasse mais interessante do que investir no triângulo amoroso formado pelas duas protagonistas com o príncipe Fiyero (Jonathan Bailey). Com uma trama que não empolga o suficiente para segurar mais de duas horas de exibição, resta o visual caprichado para passar o tempo e o esforço do elenco para prender a atenção. Acho que com jeitinho caberia os dois filmes em um longa de três horas, mas... o resultado acabou sendo dois filmes em que um se torna o oposto do outro. Difícil agradar o público com esta guinada (para baixo). 

Wicked Parte II (Wicked for Good / EUA - 2026) de John M. Chu com Cynthia Erivo, Ariana Grande, Jonathan Bailey, Jeff Goldblum, Michelle Yeoh, Ethan Slater, Ethan Slater e Marissa Bode. ☻☻

PL►Y: Pai Mãe Irmão Irmã

Vicky: laços de família

Premiado diáriw, fiquei surpreso quando o novo filme de Jim Jarmush ganhou o Leão de Ouro do Festival de Veneza. A torcida era muito maior para outros títulos ( os elogiados A Voz de Hind Hajab e A Única Saída por exemplo), mas o ícone do cinema indie teve mais força entre os votantes e o seu longa dividido em três histórias distintas levou o prêmio. A primeira história traz um casal de irmãos (Adam Driver e Mayim Bialik) que realiza sua visita anual ao pai (Tom Waits), mas o distanciamento permanece numa formalidade apática até quando o pai provoca os filhos afim de despertar-lhes alguma reação menos calculada. A segunda história é bastante semelhante com duas irmãs (Cate Blanchett e Vicky Krieps) visitando a mãe (Charlotte Rampling) para o chá da tarde anual e a conversa também nunca parece avançar. São duas histórias em que os filhos demonstram um distanciamento emocional dos pais que seria cômico se não fosse trágico. Entre silêncios constrangedores e assuntos que não fazem a mínima diferença seguem sem maiores sobressaltos deixando que o espectador preencha as entrelinhas daquelas famílias. O terceiro episódio segue uma estrutura diferente, com um casal de irmãos gêmeos (Indya Moore e Luka Sabbat) visitam o apartamento dos pais que faleceram recentemente e relembram fatos do passado. O encanto do filme reside justamente em ter um elenco famoso e filmá-los em um pequeno recorte da vida daqueles personagens tradados feito pessoas comuns. É um filme simples e que pode soar nada demais ou promover reflexões sobre laços familiares. Particularmente não vi nada demais no filme. É agradável de assistir, tem alguns detalhes interessantes que conferem um charme à narrativa, mas continuei surpreso com o prêmio em Veneza. 

Pai Mãe Irmão Irmã (Father Mother Brother Sister/ EUA - Irlanda - França - Japão / 2025) de Jim Jarmush com Tom Waits, Adam Driver, Mayim Bialik, Charlotte Rampling, Vicky Krieps, Cate Blanchett, Luka Sabbat e Indya Moore.