quinta-feira, 4 de junho de 2026

4EVER: Marjane Satrapi

22/11/1969 ✰ 04/06/2026

Nascida em Rasht no Irã, Marjane Ebrahimi ficou famosa com o lançamento da graphic novel Persépolis que narrava sua infância em Terrã diante da Revolução Islâmica. O sucesso da HQ fez a história se tornar uma animação indicada ao Oscar em 2007 (a qual dirigiu ao lado de Vincent Paronnaud). Com o filme, Marjane dirigiu outros cinco filmes (o último permanece inédito por aqui) e firmou-se como cineasta junto à carreira de escritora. Familiares afirmam que Marjane não se recuperou após a morte do esposo no ano passado, alegando que a autora faleceu de tristeza.

PL►Y: Wicked Parte II

Ariana e Erivo: nem feitiço. 

Cantante diáriw, com certeza Wicked2 foi o maior decepcionado com o Oscar deste ano. O primeiro filme conseguiu dez indicações ao careca dourado (incluindo melhor filme e para sua dupla de atrizes) e cravou duas merecidas estatuetas (design de produção e figurinos). Diante de um sucesso estrondoso, quando o segundo filme estreou, o público e a crítica não demonstraram o mesmo entusiasmo do anterior. Algo já me dizia que o ponto em que o primeiro acabava, sobrava pouco para o segundo filme, já que diante dos boatos que transformavam Elphaba (Cinthya Erivo) em Bruxa Má - para desacreditar qualquer tentativa de desmascarar a farsa do mágico de Oz (Jeff Goldblum) - restava uma caça às bruxas para desenvolver. Ela é desenvolvida sem muito brilho, principalmente se comparado ao primeiro filme. Os momentos musicais não empolgam, as músicas não são legais, o desenvolvimento das personagens também não avança e deixa tanto Elphaba quanto Glinda (Ariana Grande) fazendo o que podem com o que lhes resta. Até mesmo aquele momento em que a história das bruxas de Oz se cruza com a clássica chegada de Dorothy fica de escanteio, tendo alguma graça quando descobrimos a origem do leão covarde, do Homem de Lata e do Espantalho, mas é pouco. Houvesse desenvolvido mais estes detalhes da trama conhecida talvez o filme ficasse mais interessante do que investir no triângulo amoroso formado pelas duas protagonistas com o príncipe Fiyero (Jonathan Bailey). Com uma trama que não empolga o suficiente para segurar mais de duas horas de exibição, resta o visual caprichado para passar o tempo e o esforço do elenco para prender a atenção. Acho que com jeitinho caberia os dois filmes em um longa de três horas, mas... o resultado acabou sendo dois filmes em que um se torna o oposto do outro. Difícil agradar o público com esta guinada (para baixo). 

Wicked Parte II (Wicked for Good / EUA - 2026) de John M. Chu com Cynthia Erivo, Ariana Grande, Jonathan Bailey, Jeff Goldblum, Michelle Yeoh, Ethan Slater, Ethan Slater e Marissa Bode. ☻☻

PL►Y: Pai Mãe Irmã Irmão

Vicky: laços de família

Premiado diáriw, fiquei surpreso quando o novo filme de Jim Jarmush ganhou o Leão de Ouro do Festival de Veneza. A torcida era muito maior para outros títulos ( os elogiados A Voz de Hind Hajab e A Única Saída por exemplo), mas o ícone do cinema indie teve mais força entre os votantes e o seu longa dividido em três histórias distintas levou o prêmio. A primeira história traz um casal de irmãos (Adam Driver e Mayim Bialik) que realiza sua visita anual ao pai (Tom Waits), mas o distanciamento permanece numa formalidade apática até quando o pai provoca os filhos afim de despertar-lhes alguma reação menos calculada. A segunda história é bastante semelhante com duas irmãs (Cate Blanchett e Vicky Krieps) visitando a mãe (Charlotte Rampling) para o chá da tarde anual e a conversa também nunca parece avançar. São duas histórias em que os filhos demonstram um distanciamento emocional dos pais que seria cômico se não fosse trágico. Entre silêncios constrangedores e assuntos que não fazem a mínima diferença seguem sem maiores sobressaltos deixando que o espectador preencha as entrelinhas daquelas famílias. O terceiro episódio segue uma estrutura diferente, com um casal de irmãos gêmeos (Indya Moore e Luka Sabbat) visitam o apartamento dos pais que faleceram recentemente e relembram fatos do passado. O encanto do filme reside justamente em ter um elenco famoso e filmá-los em um pequeno recorte da vida daqueles personagens tradados feito pessoas comuns. É um filme simples e que pode soar nada demais ou promover reflexões sobre laços familiares. Particularmente não vi nada demais no filme. É agradável de assistir, tem alguns detalhes interessantes que conferem um charme à narrativa, mas continuei surpreso com o prêmio em Veneza. 

Pai Mãe Irmão Irmã (Father Mother Brother Sister/ EUA - Irlanda - França - Japão / 2025) de Jim Jarmush com Tom Waits, Adam Driver, Mayim Bialik, Charlotte Rampling, Vicky Krieps, Cate Blanchett, Luka Sabbat e Indya Moore.