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sábado, 27 de junho de 2026

PL►Y: Isso Ainda Está de Pé?

Arnett: stand up como desabafo. 
Divorciado diáriw, depois de toda a elaboração pretensiosa daquele pastel de vento chamado Maestro (2023), Bradley Cooper teve o bom senso de repensar suas aspirações enquanto diretor quando resolveu filmar este novo filme. O texto partiu de uma ideia do ator Will Arnett após uma conversa com o comediante John Bishop sobre como iniciou seu trabalho com comédia stand up. Arnett achou o relato interessante e junto com Bradley Cooper e Mark Chappell escreveu o roteiro sobre Alex Novak (Arnett), um homem em crise que está lidando com seu recente divórcio com Tess (Laura Dern). O casal tem dois filhos, amigos em comum e a família dele a adora, o que torna inevitável que os dois ainda se encontrem com frequência. Para ajudar a digerir o fim do casamento, Alex faz do palco uma espécie de confessionário, tentando disfarçar um pouco sua insatisfação com o ocorrido com piadas. Às vezes ele consegue fazer graça com o que está acontecendo, outras vezes passa bem longe de ser engraçado. Arnett se esforça e consegue conferir charme à um personagem visivelmente amarrotado (fisica e emocionalmente) e tem bons momentos em sua química com Laura Dern, que consegue fazer muito com o pouco material que tem sobre a personagem. Filmado de forma mais despojada que o projeto anterior de Cooper (que faz uma participação como o amigo ator do casal), o filme tem alguns problemas de fluxo na narrativa e parece mais truncado do que deveria, mas é algo a que se assiste fácil pelo tom reflexivo acerca dos sentimentos que  Alex e Tess ainda possuem um pelo outro. Se o filme desenvolvesse mais os coadjuvantes o texto alcançaria outro nível em seu olhar sobre relacionamentos maduros e seria ainda mais interessante (o elenco de apoio é ótimo e pouco aproveitado). Vale dizer que achei o título em português horroroso. 

Isso Ainda Está de Pé? (Is This Thing On? / EUA - 2025) de Bradley Cooper com Will Arnett, Laura Dern, Andra Day, Bradley Cooper, Sean Heyes, Scott Icenogle, Ciarán Hinds e Peyton Manning. ☻☻ 

segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

PL►Y: Maestro

 
Carey e Bradley: boas atuações em biopic fria. 

Até o momento Bradley Cooper já contabiliza nove indicações ao Oscar. Foram cinco como ator, três como produtor e uma pelo roteiro da última versão de Nasce uma Estrela (2018). Foi com este filme que o ator estreou na direção, mas apesar de todo sucesso, a produção acabou de fora do Oscar de melhor direção. Ao assistir Maestro, em cartaz na Netflix desde o dia 07 de dezembro, a impressão que fica é que ele quer muito ser lembrado pelos seus pares cineastas entre os indicados de 23 de janeiro. O problema é que Maestro está longe de ter a energia e frescor de seu longa de estreia, afinal, embora seja mais elaborado em seus planos e transições, Maestro é um filme tão técnico quanto frio, deixando a estranha sensação que a elaborada embalagem está lá para disfarçar um roteiro sofrível. A ideia de levar para as telas uma biopic do maestro Leonard Bernstein ao lado de sua esposa é mais do que promissora, mas o tratamento que é dado à história de ambos é um tanto desanimador. A impressão que tive é que o roteiro não faz a mínima ideia do que fazer, portanto preferem seguir uma espécie de guia esquemático do melodrama hollywoodiano: os dois se conhecem, se apaixonam, entram em crise, separam, reatam, uma doença terrível acontece, sofrimento, um sobrevive. Fim. No meio disso tudo, temos a questão da bissexualidade de Bernstein que em alguns momentos se torna ponto de pauta para ser esquecido logo depois numa abordagem superficial dos dilemas do casal. É verdade de Bradley realiza um trabalho digno de nota na pele do maestro, exalando seu temperamento elétrico de forma que as polêmicas próteses utilizadas por ele não fazem muita diferença no resultado final. No entanto, é Carey Mulligan que rouba a cena com a discrição de Felitia Montealegre, uma atriz da Broadway que conhece Bernstein e se torna sua esposa, mãe de três filhos e companheira até o fim da vida. Aqui não há escândalo algum sobre a sexualidade do protagonista, já que desde o início ela sabe de seus gostos variados e parece não se importar, até que um ciúme começa a aflorar disfarçado de preocupação com a carreira do esposo. O roteiro patina em gelo fino nessa abordagem do relacionamento dos dois e não consegue oferecer suporte para uma narrativa desprovida de ritmo e repleta de artificialismos. No entanto, a produção colhe elogios em quem percebeu nele qualidades de um clássico do cinema, motivo pelo qual se tornou a grande aposta da Netflix nas premiações de fim de ano, no entanto falta-lhe aquela fagulha que acende o interesse pelo que se vê na tela. Ao que parece, Bradley Cooper estava tão obcecado por reconhecimento que fez um amontoado de cenas que não querem dizer muita coisa além de analogias manjadas que exigem da plateia mais boa vontade do que ela pode estar disposta a ter diante de um pastel de vento.

Maestro (EUA-2023) de Bradley Cooper com Bradley Cooper, Carey Mulligan, Matt Bomer, Sarah Silverman, Michael Urie, Vincenzo Amato e Maya Hawke. ☻☻

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Na Tela: Nasce uma Estrela

Bradley e Lady: nasce um cineasta. 

Bradley Cooper era visto com desconfiança por muita gente até conseguir a proeza de ser indicado ao Oscar por três anos seguidos. Com os elogios recebidos por O Lado Bom da Vida (2012), Trapaça (2013)  e Sniper Americano (2014), Bradley deixou de ser apenas um cobiçado galã para ser reconhecido como um ator versátil. Nos últimos anos ele não apareceu muito na telona (embora sua voz continuasse presente na voz do guaxinim mais descolado do universo, o Rocket de  Guardiões da Galáxia) por conta do preparo de sua estreia como cineasta. Quando eu descobri que ele faria uma nova versão de Nasce uma Estrela eu só me perguntei se ele tinha enlouquecido. Nasce uma Estrela estreou no cinema em preto e branco no ano de 1937 com Janet Gaynor na pele de uma jovem que se apaixona por um cantor decadente - enquanto ela se torna mais famosa. Depois foi a vez de Judy Garland fazer o mesmo em 1954 e a versão mais famosa do filme deve ser a de 1976, onde Barbra Streisand obteve um de seus melhores momentos na telona - e ainda levou para casa o Oscar de melhor canção pela belíssima Evergreen. Será que o mundo merecia mais uma versão desta história? Cooper não apenas considerava que merecia, como achava que com Lady Gaga seria muito melhor. Gaga ficou famosa como a cantora de roupas insanas e música pop cheia de arranjos eletrônicos, mas no meio do caminho ganhou um controverso Globo de Ouro por seu trabalho na série American Horror Story: Hotel (2010) - e ao julgar pelo entusiasmo da crítica, parece que ela terá outro em breve. Tão logo o filme foi exibido, os críticos caíram de amores pela nova versão, especialmente pela habilidade com que Bradley Cooper conduz as cenas. Nas cenas de palco temos a sensação de estar vendo de fato um filme sobre a turnê de um artista, com uma energia impressionante sobre o palco. Por outro lado, quando vemos as cenas do relacionamento entre os protagonistas, o sabor é de uma crônica amarga sobre o estrelato. Gaga interpreta Ally, jovem que tem uma voz poderosa e gosta de compor, mas que não considera que seu talento compense a aparência. Além de dirigir, Cooper atua como Jack, o cantor decadente que bebe mais do que devia, mas que percebe em Ally a chance de ter novo fôlego em sua carreira e vida pessoal. Embora a trama seja a mesma das outras versões, Cooper consegue dar novas camadas ao seu personagem ao ponto de roubar a cena com um trabalho realmente impressionante, do olhar, passando pelo sotaque (que parece inspirado em Jeff Bridges) e a postura no palco, o ator simplesmente desaparece no personagem. Já Lady Gaga está... bem, mas ajudaria bastante se a overdose de botox não atrapalhasse suas expressões faciais. Sorte que a química entre os dois funciona bem e a montagem bastante dinâmica ajuda bastante neste dramático musical. Não lembro do final das outras versões haver um tratamento tão obscuro, mas o fato é que em Nasce uma Estrela, nasceu um bom diretor que não tem medo de desafios.

Nasce Uma Estrela (A Star is Born / EUA - 2018) de Bradley Cooper com Lady Gaga, Bradley Cooper, Sam Elliot e Rafi Gavron. ☻☻☻