domingo, 9 de agosto de 2026

PL►Y: Fremont

Zada: coração desamparado. 
 Isolado diáriw, Fremont é o tipo de filme que gosto muito de assistir, mas que é difícil de encontrar e de realizar. Tem um senso de humor sutil, um drama que é contado nas entrelinhas e se desenvolve com bastante fluidez entre silêncios e situações. O filme conta a história de Donya (Anaita Wali Zada), uma afegã que vive na cidade californiana do título em um prédio com outros afegãos, alguns não falam com ela devido ao período em que trabalhou como tradutora para os EUA no Afeganistão (cerca de 17.000 vistos americanos foram emitidos para tradutores afegãos, além de cerca de 10.000 para parentes, muitos deles ainda perigosamente abandonados após a retirada das tropas). Talvez por conta deste clima tenso, ela prefira ir todo dia trabalhar em São Francisco em uma fábrica de biscoitos da sorte (e justifica que achou que seria bom ver chineses de vez em quando). Donya tem problemas para dormir e procura um psiquiatra para ajudar, talvez ela nem tenha ideia da necessidade que sinta de construir vínculos em um lugar distante de sua terra natal. Anaita Wali Zada constrói uma personagem contida e um tanto enigmática, mas podemos sua alma num misto de força e desamparo. Durante o filme a percebemos cercada de personagens interessantes, uma colega de trabalho, o patrão chinês, o psiquiatra (Gregg Turkington é um achado) e até um mecânico (um fofo Jeremy Allen White) que acende uma pequena chama em seu coração solitário. Há quem veja traços do cinema de Jim Jarmusch neste filme de Babak Jalali, mas eu notei um tanto de Wes Anderson dos bons tempos. É um filme simples, simpático e bastante agradável de assistir. 

Fremont (EUA-2023) de Babak Jalali com Anaita Wali Zada, Gregg Turkington, Hilda Schmelling, Siddique Ahmed. ☻☻☻

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