quinta-feira, 30 de julho de 2026

Na Tela: A Odisseia

Damon: Odisseu em Amnésia.

Mitológico diáriw,  confesso que fiquei preocupado quando soube que Christopher Nolan faria a nova versão cinematográfica de A Odisseia. A minha maior preocupação era como o diretor iria embaralhar a temporalidade, algo que gosta tanto de fazer, mais por estilo do que propriamente favorecer a narrativa. Tão logo o elenco espetacular foi anunciado começaram as polêmicas, mas não vejo problema nenhum na diversidade da produção. Afinal, estamos falando de mitos, de representações sobre a humanidade e suas alegorias sobre emoções e valores. É estranho imaginar que uma produção baseada em uma das histórias mais antigas da humanidade (século VIII a.C) imaginada em contexto politeísta, possa despertar tanto conservadorismo. Enfim, talvez hoje,  Nolan seja o único diretor com cacife de bancar uma produção visual impressionante como esta. Na trama, Odisseu (Matt Damon) relembra como perdeu todos o seu exército depois da Guerra de Troia. Entre tantos desafios, encontros e perigos, ele passou vinte anos longe de casa enquanto a esposa Penélope (Anne Hathaway) resistiu aos seus pretendentes que desejam assumir o trono de Ítaca. Obviamente que o filme de quase três horas não adaptaria na íntegra as vinte e oito partes da obra de Homero na íntegra e várias alterações são realizadas em nome da "fluência" narrativa. Existem vários momentos impactantes, como a concepção do Cavalo de Troia, os encontros com o Ciclope, a passagem pelo Reino de Tártaro e o encontro com a solitária Circe (Samantha Morton em um trabalho impressionante), no entanto, a visão um tanto simplista do protagonista compromete sua jornada pessoal diante das cenas de ação e aventura. É o preço de criar um blockbuster épico lucrativo que padece um pouco com a montagem truncada na cronologia dos fatos. No entanto, perante o sucesso de crítica e bilheteria, Nolan corre o risco de levar mais Oscars para casa em 2027. 

A Odisseia (The Odissey / EUA - Reino Unido / 2026) de Christopher Nolan com Matt Damon, Anne Hathaway, Tom Holland, Zendaya, John Leguizamo, Robert Pattinson, Charlize Theron, Samantha Morton, Elliot Page, Lupita Nyong'o, Joe Bernthal, Logan Marshall Green, Benny Safdie e Mia Goth. 

Pódio: Harry Melling

Bronze: o escritor cult.
3º O Pálido Olho Azul (2022) Harry Edward Melling nasceu em 1989 em Londres e começou a ficar conhecido ainda pequeno como o primo (muito) trouxa  do bruxinho Harry Potter. Dentre todos os atores revelados na adaptação da franquia para a telona, ouso dizer que Melling é o meu favorito. Sem fazer questão de ter um visual padrão, ele ama interpretar personagens diferentões. Quando já acumulava algum respeito na indústria foi escalado para viver o escritor Edgar Allan Poe nesta adaptação do livro de Louis Bayard. Na trama, o jovem Poe se torna peça importante num misterioso assassinato. Mesmo tendo outros nomes conhecidos no elenco, o considero o maior destaque da produção ao viver o cultudo escritor gótico como manda o figurino sendo indicado a melhor ator coajuvante do aqui no blog.  

Prata: o amante submisso.
2º Pillion (2025) fossem as grandes premiações menos conservadoras, provavelmente o ator teria cravado indicações a prêmios de melhor ator pelo papel do jovem tímido que descobre seus pendores, digamos, submissos em um relacionamento com um motoqueiro com pinta de galã. Na pele de Colin, o ator encontra o equilíbrio entre o cômico e o dramático, deixando o espectador até surpreso perante a forma como mistura os tons em sua interpretação. Ao viver um personagem com tantas camadas, ele ainda encara cenas ousadas com seu parceiro de cena (Alexander Skarsgård) e deixa os puritanos de cabelo em pé. Pelo papel, o ator foi considerado melhor ator no Festival de Estocolmo e foi indicado ao British Independent Film Award. 

Ouro: o contador de histórias.
1º A Balada de Buster Scruggs (2018) O ponto de virada na carreira de Melling após seus trabalhos nos filmes de Harry Potter, curtas e produções para TV foi sua escalação para viver o rapaz sem os membros que ganha a vida como atração de circo. Melling é o responsável pelo segmento mais melancólico do filme dos irmãos Coen, construindo um personagem que depende muito da expressividade vocal e facial do ator. Diante das limitações físicas do papel, o moço impressiona em cada cena. O filme concorreu ao prêmio de melhor elenco no Actor Awards e foi eleito aqui no blog como artista revelação daquele ano. O trabalho serviu para deixar claro que aquele ator mirim cresceu e se tornou um dos atores mais interessantes de sua geração. 

PL►Y: Pillion

Ray e Col: amor além de fetiche? 

Submisso diáriw, este filme até tentou encontrar espaço nos cinemas, mas não conseguiu. Obviamente que a dificuldade vai além do fato de girar em torno de um relacionamento gay, mas também por ter algumas cenas explícitas que nem o verniz cômico impresso pelo diretor estreante Harry Lighton amenizou o receio dos distribuidores. O filme conta a história de Colin (Harry Melling), um rapaz gay e tímido que tenta encontrar um namorado. Um dia ele conhece Ray (Alexander Skarsgård), um motoqueiro que o convida para um encontro e Colin nem sabe definir exatamente o que aconteceu entre eles. Considerando que não agradou, imagina nunca mair encontrar o motoqueiro, mas os encontros pasam a ser constantes, porém, a relação entre os dois é bem diferente do que Colin idealizou. Ray faz questão de deixar seu parceiro sempre em posição de submissão, o tratando como um verdadeiro servo. De início Colin se incomoda, mas aos poucos parece se acostumar e aceitar o tipo de relação que se instaura entre os dois. Carência? Baixa auto-estima? Só um fetiche? Fica a cargo do espectador pensar nisso. O fato é que aos poucos começam a aparecer fissuras neste relacionamento, que incomodam ambos os lados. Lighton faz um filme com uma dinâmica interessante entre os protagonistas, beneficiando-se muito das performances de Melling e Alexander, que deixam o subtexto sempre impresso nos olhares e posturas dos personagens. Imprimindo uma atmosfera queer, o filme não é para todos os gostos, mas quem se interessa por filmes de relacionamentos com um "tempero" diferente, vai considerar uma obra interessante. Com momentos incômodos, entre outros bem humorados e até de partir o coração, a narrativa é fluente até chegar a um desfecho que revela um padrão que talvez seja difícil de compreender. 

Pillion (Irlanda - Reino Unido / 2025) de Harry Lighton com Harry Melling, Alexander Skarsgård, Douglas Hodge, Lesley Sharp, Jake Shears, Matt Hill e Anthony Welsh. ☻☻ 

quarta-feira, 29 de julho de 2026

KLÁSSIQO: Glória Feita de Sangue

Kirk: contra à pena de morte. 

Obstinado diáriw, entre meus objetivos cinéfilos está assistir todos os filmes de Stanley Kubrick. O mais difícil é encontrar os mais antigos, portanto fiquei muito feliz quando encontrei o clássico Glória Feita de Sangue no catálogo do Looke. Estrelado por Kirk Douglas no ano de 1957, o filme foi esquecido nas premiações dos Estados Unidos, provavelmente por sua visão pouco heroica da Guerra, no caso aqui a Primeira Guerra Mundial. Kirk interpreta o comandante francês Dax, que tem plena consciência que sua tropa não tem chances nas trincheiras contra o exército alemão. No entanto, um general planeja fazer seu nome na Guerra e ordena um ataque fadado ao fracasso. Enquanto metade da tropa se recusa a avançar nos campos, três sobreviventes do campo de batalha irão sofrer as consequências das ordens do general não serem obedecidas. Os três serão condenados à pena de morte e caberá a Dax tentar resolver a situação na corte marcial, mas seus esforços nunca parecem suficientes. Kubrick mais uma vez constrói uma narrativa que prende a atenção e capricha nas ironias de uma guerra. Ideais e heroísmos se reduzem a interesses mesquinhos e as vidas são declaradamente descartáveis. Enxuto em sua duração, o filme tem uma ótima fluência de um ato para o outro e mantem a tensão sobre toda a situação até a última cena. Além do texto afiado (baseado no livro de Humphrey Cobb lançado em 1935), acho sempre curioso perceber os efeitos especiais práticos utilizados na época com bastante eficiência. Kubrick voltaria a abordar a loucura da guerra em Dr. Fantástico (1964) e Nascido para Matar (1987), outras duas pérolas de sua filmografia. Interessante que várias décadas depois, os três filmes continuam bastante atuais em suas abordagens, graças às características que definem um clássico e a genialidade de um verdadeiro deus do cinema. 

Glória Feita de Sangue (Paths of Glory/EUA-1957) de Stanley Kubrick com Kirk Douglas, Ralph Meeker, Adolph Menjou, George MacReady, Joe Turkel, Timothy Carey e Kem Dibbs. ☻☻ 

Glória Feita de Sangue ()

PL►Y: Hamnet - A Vida Antes de Hamlet

Shakesperiano diáriw, a irlandesa Jessie Buckley levou para casa o Oscar de  melhor atriz deste ano por seu trabalho neste filme que concorreu em outras sete categorias, incluindo filme, direção e roteiro adaptado. Consagrado como um dos mais celebrados do ano passado, provavelmente seria o grande premiado no Oscar caso a Academia não houvesse passado por mundanças recentes e alterado seu perfil. Baseado no livro de Maggie O'Farrell, que constrói sua trama em torno da inspiração de William Shakespeare na escrita de Hamlet, o filme gira em torno da relação de Shakespeare (que aqui não tem o nome citado e é vivido por Paul Mescal) com a esposa, Agnes (Jessie Buckley). O ano é o de 1596, ele deseja ser escritor, mas a família o enxerga como um inútil - e a relação dele com o pai é bastante tensa. Já Agnes tem fama de ser filha de uma bruxa, gosta de se refugiar na floresta e ter contato com bichos e plantas. Eis que os dois deslocados se apaixonam, se casam e contituem uma família. Entre os desafios que aparecem, ela precisa lidar com distância com a ida dele para trabalhar em uma Companhia Teatral em Londres, a criação dos três filhos e nada se compara com a morte de um deles, o fofo Hamnet (Jacobi Jupe). A diretora Chloe Zhao capricha no tom poético e na dor da perda, construindo alguns momentos arrebatadores como a parte em que Hamnet adoece e o desfecho que leva o público a uma catarse coletiva. É um filme sensível sobre como a arte pode ajudar a exorcisar uma dor tão profunda que não consegue ser descrita em palavras, mas achei o filme um tanto emperrado. A fotografia que ressalta as cores da natureza com os interiores cinzentos é interessante e retrata bem as emoções dos personagens, os atores estão bem em cena, mas algo em toda a densidade da trama me fez desconectar da trama. Talvez seja o caso de filme que eu precise rever para gostar mais. 

Hamnet: A Vida Antes de Hamlet (Hamnet / EUA - Reino Unido / 2025) de Chloe Zhao com Jessie Buckley, Paul Mescal, Joe Alwyn, Emily Watson, David Wilmot, Justine Mitchell e Jacobi Jupe. 

domingo, 26 de julho de 2026

KLÁSSIQO: Lembranças de Hollywood

Meryl e Shirley: filha e mãe. 

Nostálgico diáriw, eu fiquei realmente feliz quando vi que Lembranças de Hollywood está no catálogo da Netflix. Trata-se de um daqueles filmes que sempre quis rever, assisti só uma vez quando passou no SBT há muito tempo (um tempo em que TV a cabo era um sonho distante e streaming nem habitava o mundo das ideias). Na época em que eu sabia os filmes que estavam passando nos cinemas e contava os anos para ser anunciado na programação de uma emissora no início do ano (e por vezes era exibido só no ano seguinte). O filme já valeria por suas duas atrizes principais, Meryl Streep (já com dois Oscars na estante) e Shirley MacLaine (com o seu Oscar bem guardado) que dispensam apresentações respectivamente como filha e mãe sob o sol de Hollywood. Só que enquanto a mãe mantem seu prestígio, a filha enfrenta problemas com os vícios e observa sua carreira afundar. Para continuar a fazer filmes, ela precisa voltar a viver com a mãe e todos os bons sentimentos começam a dar espaço para as feridas colecionadas ao longo da vida. Se a lavagem de roupa suja por vezes é inevitável, o trunfo da produção é o equilíbrio entre comédia e drama com as atuações precisas das divas. Existem muitas camadas e entrelinhas nesta relação, as inseguranças, o ego, um tanto de narcisismo materno, drogas e álcool... se tudo poderia dar errado, a direção do mestre Mike Nichols segura a química entre as duas até o final num roteiro baseado no livro da Princesa Lea Carrie Fisher sobre um período delicado de sua vida e a relação com a mãe, Debbie Reynolds (a relação entre as duas era tão poderosa que Debbie faleceu apenas um dia após a morte de Carrie). Vale a pena também ficar atento às várias participações especiais presentes no filme (Gene Hackman, Annette Benning, Richard Dreyfuss, Gene Hackman...) que aumenta ainda mais o charme da produção. Apesar de ser um dos grandes triunfos de 1990 o filme só concorreu ao Oscar de atriz (para Meryl) e trilha sonora. 

Lembranças de Hollywood (Postards from the Edge / EUA - 1990) de Mike Nichols com Meryl Streep, Shirley MacLaine, Dennis Quaid, Simon Calow, Rob Reiner, Mary Wickes e Oliver Platt. ☻☻

sexta-feira, 24 de julho de 2026

PL►Y: Marvin

Finnegan: em busca de si. 

Discriminado diáriw, a diretora Anne Fonatine diz ter se inpirado no livro O Fim de Eddy de Edouard Louis e na atmosfera das obras do autor para construir a trama deste filme. Lançado em 2014, o  livro é de partir o coração ao se concentrar na infância de uma criança que sofre preconceitos por conta de sua homossexualidade. Fontaine quis dar um passo além e retratar um personagem que vivenciou as mesmas situações em sua origem pobre na França, mas que encontra seu espaço quando percebe que o mundo é maior do que aquele lugar áspero em que nasceu e cresceu. A montagem mistura passado e presente, mas faz com que o protagonista encontre seu próprio futuro ao ver no teatro a chance de construir sua vida longe da família que rejeitava os indícios de sua sexualidade e do bullying sofrido na infância, o personagem passa a ter que lidar com a busca de satisfazer seus próprios desejos e entender que seu talento pode fazer a diferença. Buscando seu espaço como ator e dramaturgo, o protagonista é vivido de forma bastante contida na adolescência por Finnegan Oldfield (indicado ao César de ator revelação e que merecia estar em mais filmes, recentemente ele apareceu em Alpha da Julia Ducourneau). Ele, assim como o menino Jules Porrier, consegue transmitir as dores do crescimento em um ambiente hostil e cujo maior objetivo é sobreviver aos ataques e a rejeição de si mesmo. Apesar da dureza da trama, a diretora consegue manter seu personagem de cabeça erguida em busca de seu próprio rumo. Entre desilusões amorosas e aquela vontade de desistir, ele conhece até uma espécie de fada madrinha chamada Isabelle Huppert, vivida pela própria atriz, que acredita no talento do moço. Interessante é que diante da fama, sua família diz não perceber o comportamento homofóbico que praticava (talvez por ser algo tão natural que nem merece ser questionado).  

Marvin (França - 2017) de Anne Fontaine com Finnegan Oldfield, Jules Porier, Isabelle Huppert, Vincent Macaigne, Catherine Salée, Catherine Mouchet, Grégory Gadebois, Charles Berling, Sharif Andoura e Yannick Morzelle. ☻☻

PL►Y: A Voz de Hind Rajab

Malhees: indignação.

Apreensivo diáriw, houve uma certa surpresa quando entre os indicados ao Oscar de Melhor Filme Internacional estava este filme escolhido pela Tunísia. Esperava-se que o sul-coreano A Única Saída ou o alemão Sound Of Falling cravassem indicações, mas ficaram na vontade. O fato é que o impacto do longa da diretora Kaouther Ben Hania torna-se um diferencial ao utilizar a própria voz da menina mencionada no título durante a projeção. Já vimos muitos filmes com atendentes lidando com situações delicadas do outro lado da linha telefônica, mas nada se compara a saber que a gravação que ouvimos aqui é real. Hind Hajab era uma menina de seis anos que ficou presa dentro de um carro com seus parentes mortos após terem sido alvo de forças israelenses em Gaza. O pedido de socorro da menina foi registrado por uma equipe de resgate que correu contra o tempo e as burocracias para conseguir salva-la. Se o que ouvimos durante a sessão são os registros da voz amedrontada da criança diante da morte, o que vemos em cena é o outro lado da linha, com a equipe em constante conflito para tentar realizar seu trabalho. As horas passam, os contatos são permanentes para garantir a segurança de uma operação de resgate, mas nada parece correponder à necessidade da vida em risco. Não é difícil se colocar no lugar das pessoas que atenderam Hind Rajab em seu sentimento de impotência diante de um sistema emperrado. As atuações e a direção garantem a tensão em cena com uma edição precisa ambientada em um único cenário. Interessante que ao longo da narrativa a esperança se torna desespero conforme a indignação toma conta ao lembrar das vidas inocentes que são perdidas em territórios de guerra. Ao final da sessão, entrevistas e fotos dos reais personagens desta trama tornam tudo ainda mais incômodo. Ganhador do prêmio do júri em Veneza no ano passado, o filme pode ser conferido na Netflix.

A Voz de Hind Rajab (Sawt Hind Rajab/Tunísia - 2025) de Kaouther Ben Hania com Saja Kilani, Motaz Malhees, Amer Hlehel, Clara Khoury e Nesbat Serhan. ☻☻

quarta-feira, 22 de julho de 2026

PL►Y: Missão: Impossível - O Acerto Final

Cruise: o preço da repetição.

Caro diáriw, lembro que assisti ao primeiro Missão: Impossível (1996) no cinema e desde então acompanho as aventuras de Ethan Hunt ao longo das... décadas. Sim, eu tenho os meus favoritos e entendi o motivo dos últimos filmes da franquia não empolgarem tanto. Ao longo de oito filme, parece que a fórmula ficou gasta. Eu fiquei muito empolgado com Efeito Fallout (2018), mas o que vemos agora no oitavo filme é que tudo se reduz a explicar a tarefa complicada que Ethan tem pela frente e ressaltar o que ela tem de mais perigoso. Esse artifício apresentado em nome de uma  grande missão é aceitável. Mas ao longo do filme existem tantas etapas a serem feitas, tantas explicações, tantos perigos que haja paciência para aguentar isso por quase três horas. Acho admirável que Christopher McQuarrie tenha assumido a franquia milionária no quinto filme e desde então tentou realizar uma costura na trajetória de Hunt. Aqui ele chega a fazer um apanhado de fatos importantes dos outros longas para atribuir sentido à missão do agente tentado derrotar uma inteligência artificial chamada de A Entidade (vista na primeira parte deste desfecho) tendo uma série de velhos conhecidos pelo caminho. Alguns personagens dos filmes anteriores retornam e algumas participações até surpreendem, mas o que realmente despertou meu sono diante da trama foi aquela cena dentro do submarino que (sem trocadilho) é de perder o fôlego. É a grande sequência do filme e imagino o trabalho danado que deu para fazer. Diante disso é legal ver Tom Cruise com mais de sessenta anos demonstrando energia em cena e com confiança de fazer várias cenas só de cueca boxer até em águas congelantes. Ele não precisa provar mais nada para ninguém faz tempo. Porém, este filme é vndido como o último da franquia, se não for, imagino que a tendência é que se torne cada vez mais cansativa pela repetição. 

Missão: Impossível - O Acerto Final (Mission: Impossible - The Final Reckoning / EUA-2025) Christopher McQuarrie com Tom Cruise, Hayley Atwell, Pom Klementieff, Ving Rhames, Simon Pegg, Esai Morales, Angela Bassett, Hannah Waddingham, Janet McTeer, Henry Czerny e Nick Offerman. ☻☻

PL►Y: Romance a Três

Genc e Alban: pós-guerra. 
Querido diáriw, vez por outra um título é capaz de estragar a maior surpresa de um filme. Sem medo de ser um verdadeiro SPOILER, os distribuidores de Martesa (Casado em Albanês), resolveram dar o título de Romance a Três para o longa da diretora Blerta Zeqiri por aqui. O filme foi o selecionado por Kosovo a disputar uma vaga entre os indicados ao Oscar na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira em 2017 (e foi chamado de The Marriage por lá) e possui muitos méritos no desenvolvimento de sua narrativa, especialmente se você ignorar o título em português e deixar se envolver pelo mistério que deveria ser guardado até a metade da sessão. O filme acompanha Bekin (Alban Ukaj) que está prestes a se casar com Anita (Adriana Matoshi). Os dois estão no auge dos preparativos da festa quando Nol (Genc Salihu), um amigo músico de Bekin volta para visitar os amigos após conseguir algum sucesso na França. Desde o início Bekin fica surpreso com o retorno do amigo que ao beber mostra-se visivelmente instável por conta de um relacionamento do passado. Bekin e Nol foram muito próximos durante a Guerra de Kosovo (entre 1998 e 1999) e as marcas daquele período ainda deixam Nol inconformado. O roteiro faz um trabalho interessante, dando dicas do que pode ter acontecido até que uma informação é revelada e os planos dos noivos podem ser alterados para sempre. Existe aqui uma anologia muito interessante sobre a necessidade e retomar os rumos de sua vida após um período traumático (a própria noiva ainda busca os corpos de seus pais), mas também existe um tanto de receio em assumir seus verdadeiros desejos em meio ao que esperam de você. Embora o final seja menos explosivo do que deveria, o filme conta com um trabalho marcante do iugoslavo Alban Ukaj, que consegue transparecer os dilemas de seu personagem de forma contida. No entanto, ainda acho que o filme funciona mais pelo seu plot twist. 

Romance a Três (Martesa / Kosovo - Albânia / 2017) de Blertas Zeqiri com Alban Ukaj, Adriana Matoshi, Genc Salihu, Vjosa Abasi e Luan Kryeziu. ☻☻

sábado, 18 de julho de 2026

PL►Y: O Bom Bandido

Tatum: vida escondida.

Escondido diáriw, o diretor Derek Cianfrance é conhecido por suas obras deprimentes, seja no cinema (Blue Valentine/2010 e O Lugar onde tudo Termina/2012) ou na TV (I Know This Much is True/2020). Isso já lhe rendeu algumas críticas que vieram à minha cabeça enquanto assistia O Bom Bandido, filme que fez sucesso no Festival de Sundance do ano passado com uma história real que beira o inacreditável. O filme conta a história de Jeffrey Manchester (Channing Tatum), um ladrão que usa de modos, digamos, polidos quando executa seus crimes. Ele é preso e ao conseguir fugir da prisão, resolve se esconder até que seu rosto saia do noticiário. Eis que ele encontra refúgio em uma loja de departamentos e passa a viver semanas sem que sua presença seja notada por lá. Não sei até que ponto o que vemos no filme é real, mas o roteiro desenvolve de forma envolvente a forma como ele consegue articular sua vida durante aqueles dias. A coisa complica ainda mais quando ele se aproxima de uma funcionária (Kirsten Dunst), mãe de duas meninas, e o casal se envolve amorosamente. As mentiras que ele conta se tornam mais elaboradas e mais trabalhosas de serem mantidas, mas ele tem consciência de que quanto mais tempo ele permanecer por ali, maior é o risco de ser descoberto e preso novamente. O fato é que após fugir da prisão, ele acumula ainda mais crimes em sua lista e a tendência é piorar quando ele decidir fugir de vez. Cianfrance utiliza um tom cômico na medida certa para contar esta história e não perde a dimensão dramática do que tem em mãos. Ajuda bastante o entrosamento de sua dupla principal, que vivencia um romance fadado ao fracasso. Tatum tem mais um daqueles trabalhos em que demonstra que pode ser levado a sério nos papéis certos, revelando o que seu personagem tem de mais complexo por baixo de toda simpatia que pretende exalar. Dunst consegue ser comovente em uma personagem que acredita estar vivendo o romance de sua vida enquanto sabe que existe algo fora do eixo em tudo aquilo. O resultado é interessante. 

O Bom Bandido (Roofman / EUA - 2025) de Derek Cianfrance com Channing Tatum, Kirsten Dunst, LaKeith Stanfield, Juno Temple, Peter Dinklage, Uzo Aduba e Ben Meldensohn. ☻☻

PL►Y: Alpha

Mélissa: exclusão em cena. 

Apreensivo diáriw, era mais do que natural que após a Palma de Ouro por Titane (2021) o novo filme de Julia Ducournau fosse aguardado com plena expectativa. Por conta disso quando Alpha estreou em Cannes no ano passado, a empolgação foi modesta. Embora o filme esteja bem longe de causar a comoção do longa anterior da diretora, existem ideias interessantes que podem ser apreciadas, assim como a reafirmação do body horror como marca da cineasta. O filme conta a história da personagem do título, uma garota de 13 anos (vivida pela promissora Mélissa Boros de 19 anos) que ao ficar insonsciente em uma festa é marcada com a letra A no braço. A letra faz uma alusão não apenas ao nome dela, mas principalmente ao clássico A Letra Escarlate de Nathaniel Hawthorne lançado em 1850 pela forma que a menina será tratada a partir disso. Suspeita-se que ela possa ter sido contaminada com uma doença misteriosa que transforma o corpo das pessoas em estátuas de mármore. Existe aqui uma clara alusão à proliferação da AIDS nos anos 1980 e o fato de provocar o julgamento moral de suas vítimas. Alpha passa por este crivo moralista, assim como seu tio, Amin (Tahar Rahim que perdeu 40 quilos para o papel) que é dependente químico para o desespero da irmã médica (Golshifteh Farahani). Existe muita coisa a ser trabalhada em Alpha e Ducournau o faz com um desespero  que se torna cansativo no meio da sessão (haja gritos e diálogos ríspidos em cena), além de uma mistura temporal que gera mais confusão do que revela as intenções da cineasta em desvendar seus personagens. Achei a ideia das estátuas de mármore bem executada, mas todo o resto merecia ser melhor lapidado. Embora o elenco se esforce, o roteiro tenha ideias interessantes e a diretora seja habilidosa em cenas marcantes, Alpha não empolga por deixar suas ideias no meio do caminho. 

Alpha (França / Bélgica - 2025) de Julia Ducournau com Mélissa Boros, Golshifteh Farahani, Tahar Rahim, Emma Mackey, Finnegan Oldfield, Louai El Amrousy e Jean-Charles Clichet. ☻☻

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Pódio: Sam Neill

Bronze: o paleontólogo famoso.

3º Jurassic Park (1993) embora tenha começado a atuar no início dos anos 1970, o papel que se tornou icônico na carreira de Sam foi como o Dr. Allan Grant, um famoso paleontologista que é convidado a avaliar um parque inovador antes de sua inauguração. Grant não fazia ideia de que ficaria de frente com os seus objetos de estudo e que teria de lutar para manter-se vivo até o final da sessão. Neill fez de tudo em sua carreira e aqui encarna sua versão aventureira com um toque de Indiana Jones (o chapéu). O personagem se tornou querido do público e retornou em 2022 para uma participação em Jurassic World: Domínio (a quinta continuação que não chega aos pés do original). 

Prata: o pai sisudo.
2º Fuga Para a Liberdade (2016) ao longo da carreira Sam Neill participou de mais de 150 produções. Entre filmes para o cinema, produções para TV e até mesmo voz emprestada para animações e games, sua versatilidade lhe garantiu vários trabalhos interessantes. Um deles ficou de fora dessa lista por pouco (o papel do marido em O Piano/1993). Este aqui é num filme pouco conhecido de Taika Waititi, mas que lhe rende um dos seus papéis mais emocionais como o pai adotivo sisudo de um menino que decide fugir de casa. O episódio irá fortalecer os laços entre os dois em uma narrativa bem humorada e tocante ao mesmo tempo. Pelo papel Neill foi indicado a vários prêmios na Nova Zelândia. 

Ouro: ex-marido inconformado. 
1º Possessão (1981) Eu fiquei realmente assustado quando assisti este filme do polaco Andrzej Żuławski e percebi que ao lado da performance premiada de Isabelle Adjani estava Sam Neil dando o sangue (literalmente) para não ficar eclipsado por ela. A ideia do filme em si já é interessante ao abordar um casal em crise em que a intensidade dos sentimentos é a pura possessão. Embora tenha dividido opiniões na época o filme ganhou status de cult pela intensidade absurda que o diretor e o elenco imprime à trama. Há quem diga que é uma analogia com a própia história da Polônia, que é Andrzej exorcisando o próprio divórcio ou que é a versão body horror de Kramer vs Kramer (1979). O fato é que Adjani e Neill impressionam em cada cena. 

4EVER: Sam Neill

14/09/1947 ✰ 13/07/ 2026
 Nigel John Dermot Neill nasceu na Irlanda do Norte e ao longo da carreira foi indicado três vezes ao EMMY e duas ao Globo de Ouro. Seus primeiros trabalhos como ator aconteceram nos anos 1970, sendo sua estreia nos cinemas em 1975. A primeira vez em que chamou atenção dos críticos foi em Possessão (1981) e posteriormente se tornou conhecido do público com seu trabalho na franquia Jurassic Park (1993). Entre trabalhos para cinema e TV, Neill era conhecido por sua dedicação. Em tratamento contra um linfoma, o ator escreveu um livro de memórias publicado em 2023. O ator que já havia superado o câncer teve a causa de sua morte não revelada. 

domingo, 12 de julho de 2026

PL►Y: Devoradores de Estrelas

Ryan: professor no espaço. 

Científico diáriw, eu ouvi tantos comentários positivos em torno de Devoradores de Estrelas que confesso ter ficado receoso de ver no cinema. Chegado ao Prime Video, estava na hora de conferir esta sci-fi estrelada por Ryan Gosling. Ele vive um professor que sem se dar conta fez uma descoberta que pode ajudar a resolver um problema sério: existe uma forma de vida que está devorando Sol e que irá comprometer a vida na Terra em breve. Ele é enviado para o espaço para resolver esta situação e, devido a alguns problemas de percurso se vê sozinho para salvar a humanidade. Vale dizer que ele não fica sozinho por muito tempo, já que contará com a ajuda de... melhor não estragar a melhor surpresa que tive durante a sessão. O filme tenta explicar cientificamente seus argumentos ao longo do filme e torna tudo um pouco cansativo enquanto vai e volta no tempo mostrando como o Professor Ryland Grace foi parar naquela nave em missão claramente suicida. Baseado no livro de Andy Weir (o mesmo de Perdido em Marte/2015) o longa quer ser um entretenimento bem feito e sem maiores divagações, tem no meio uma história de amizade boa de assistir, mas chama atenção mesmo pelos efeitos especiais que devem ser indicados ao próximo Oscar. Ryan Gosling carrega maior parte do (longo) filme nas costas e prova que está com o carisma em alta para realizar este tipo de filme (logo lembrei de quando viveu outro professor, no sombrio Half Nelson/2006 e foi indicado ao Oscar pela primeira vez). Destaque também para a presença sempre interessante da alemã Sandra Hüller em cena (cantando até música de Harry Styles). Embora não considero o filme tão extraordinário quanto dizem, ele fica mais interessante quanto constrói um laço inusitado e rende um final que realmente me surpreendeu. 

Devoradores de Estrelas (Project Hail Mary / EUA - 2026) de Phil Lord e Christopher Miller com Ryan Gosling, Sandra Hüller, James Ortiz, Ken Leung, Milana Vayntrub e Lionel Boyce. ☻☻☻

sábado, 11 de julho de 2026

NªTV: O Segredo de Widow's Bay

Rhys: maldição turística.

Misterioso diáriw, tive a impressão que todo mundo repentinamente começou a falar da série O Segredo de Widow's Bay e fui tomado por uma curiosidade súbita, ainda que tardia (já que o último episódio foi ao ar no dia 24 de junho e desde então está completa na AppleTV). A produção criada pela roteirista Katie Dippold é um verdadeiro deleite para os fãs de mistério e terror, sendo que, carrega um tempero delicioso de humor a cada episódio. Nem sei se o termo terrir ainda existe ou é usado, mas desde o primeiro episódio vemos que é exatamente este o interesse da diretora. Embora faça graça aqui e ali e tenha um irresistível timing cômico em meio às situações, a trama prende a atenção por deixar o espectador esperto para entender o que está acontecendo. Widow's Bay é uma ilha que fica isolada à costa da Nova Inglaterra. Aparentemente é um lugar muito agradável de se viver, pelo menos até o prefeito (o ótimo Matthew Rhys) inventar de promover o turismo por ali. Descrente de todos os comentários de que a ilha é amaldiçoada, ele insiste em atrair turistas para o local e... não dará certo. Entre uma pousada mal assombrada, almas penadas na praia, mortos que são desenterrados com vida, serial killers lendários, moradores que não podem sair da cidade e uma tempestade que promete acabar com tudo, Dippold dá uma aula de como construir um roteiro cheio de referências em episódios amarradinhos sem perder o charme próprio. Quem costura tudo é Matthew Rhys que vê a tragédia local cair literalmente no seu colo e precisa tentar resolver os mistérios que rondam a localidade. Com ótimo elenco, trilha sonora marcante e atmosfera bem construída, a série mistura de diferentes gêneros de terror e demonstra fôlego para mais algumas temporadas. Já está entre minhas favoritas do ano. 

O Segredo de Widow's Bay (EUA-2026) de Katie Dippold com Matthew Rhys, Kate O'Flynn, Stephen Root, Hamish Linklater, Kevin Carroll, Kingston Rumi Southwick, Dale Dickey, Jeff Hiller e K Callan. ☻☻☻☻ 

quarta-feira, 8 de julho de 2026

4EVER: Bonnie Tyler

08/06/1951 ✰ 08/07/2026

Gaynor Hopkins nasceu no País de Gales e se tornou famosa com o nome de Bonnie Tyler, dona de um timbre áspero, potente e que imprimia traços melancólicos em músicas como It's a Heartache e Total Eclipse of the Heart (que está na trilha do filme brasileiro Deserto Particular/2021). Seu estilo misturava pop, rock e country desde o final dos anos 1970. Indicada a 3 Grammys, seu timbre foi resultado de não ter respeitado o repouso para as cordas vocais após um cirurgia para retirada de nódulos nas cordas vocais em 1977. Após uma internação por problemas de saúde, ela faleceu em decorrência de uma infecção. 

terça-feira, 7 de julho de 2026

4EVER: Benedito Ruy Barbosa

17/04/1931  07/07/2026
Benedito Ruy Barbosa nasceu em Gália em São Paulo. Jornalista e publicitário, sua carreira na dramaturgia teve início com a peça Fogo Frio (1959), mas a estreia como autor de novelas aconteceu com Somos todos Irmãos (1966) na TV Tupi. Sua obra é marcada pela representação da vida rural e interiorana, com interesse pela imigração portuguesa e italiana no Brasil. De origem humilde, o autor escreveu novelas de grande sucesso,como Pantanal (1990), Renascer (1993), Rei do Gado (1996) e Terra Nostra (1999). O autor faleceu em decorrência de uma doença renal crônica. 

sábado, 4 de julho de 2026

CATÁLOGO: Johns

David: antes de Dewey. 

Curioso diáriw, é estranho como a mente de um cinéfilo funciona. Enquanto eu assistia Spider-Noir eu reconheci o Lukas Haas (que era aquele garotinho do clássico A Testemunha/1985, único filme que indicou Harrison Ford ao Oscar) e lembrei de outro filme protagonizado por Haas: Johns. Eu só o assisti recentemente ao encontrar no Youtube. O longa marcou a estreia de Scott Silver no cinema (depois ele dirigiu o fracassado Mod Squad/1999 e preferiu ser apenas roteirista de filmes badalados como 8Mile/2002 e ser indicado ao Oscar por O Vencedor/2010 e Coringa/2019. Seu filme de estreia conta a história de dois amigos que ganham a vida como garotos de programa nas ruas de Los Angeles. John (David Arquette no papel que deu destaque suficiente para conseguir um papel como o policial Dewey de Pânico/1996) está prestes a completar 21 anos nas vésperas do natal. Ele sonha passar aquela noite no elegante Park Plaza Hotel, mas para isso ele precisa atender alguns clientes e juntar dinheiro. Acontece que ele também tem uma dívida a ser paga com o violento Jimmy (Terrence Howard) e vive brigando com a namorada, Nikki (Allana Ubach). Seu alento parece ser a amizade com Donner (Lukas Haas) que sonha ser ator, mas também ganha a vida nos perigos das ruas de Los Angeles. Entre policiais e clientes perigosos, os dois pensam em largar aquela vida, mas o risco que correm pode tornar já tarde demais.  Apesar do ritmo nervosinho e da fotografia poderiam sugerir uma comédia, Johns é um filme bastante melancólico. Apesar do diretor filmar sem muita personalidade, o elenco e os situações que parecem improvisadas prendem a atenção. Não espere nudez ou cenas de sexo, o interesse de Silver é outro. Vale ressaltar que o diretor escreveu o roteiro baseado em relatos de vários garotos de programa que venderam suas histórias por vinte dólares. 

Johns (EUA - 1996) de Scott Silver com David Arquette, Lukas Haas, Keith David, Wilson Cruz, Alanna Ubach, Richard Kind, Terrence Howard, Elliot Gould e Nicky Katt. 

FILMED+: Obsessão

Inde: pobre Freaky Nikki. 
Surpreso diáriw, dificilmente um filme de 2026 terá tanto lucro quanto Obsessão do estreante Curry Barker. Produzido de forma independente com orçamento de 750 mil dólares e comprado pela Universal, o filme já rendeu mais de 370 milhões de dólares pelo mundo. O grande mérito do longa vem da forma estranha como o diretor torna a história cada vez mais assustadora entre repetições, sombras e um tempero gore. No início nós conhecemos Bear (Michael Johnston), que se considera apaixonado por Nikki (Inde Navarrette). Incapaz de declarar seus sentimentos, Bear compra para ela um galho de salgueiro capaz de atender um pedido. No entanto, ao invés de presentear a amiga, ele prefere fazer o pedido para que ela o ame mais do que qualquer pessoa no mundo (o que seria até mais do que ela mesma?). Pedido feito, Nikki muda automaticamente seu comportamento, no entanto, fica visível desde o início que aquela é outra Nikki. Ao longo do filme, vemos a garota ficar isenta de qualquer personalidade própria. Toda sua vida passa a girar em torno de Bear. Todos percebem que existe algo errado com ela e o filme se torna cada vez mais angustiante por não perder tempo explicando demais a magia em torno do galho (só eu lembrei dos usados pela Tia Gladys?). Sugere mistérios e faz o favor de não atribuir a Bear qualquer heroísmo, afinal as consequências  de seus desejos se tornam cada vez mais bizarras, mas ele permanece considerando que viver aquilo é melhor do que perder a devoção de Nikki. Barker (que já provocava risos nervosos  com seus vídeos no Youtube) segue sua ideia de forma radical até as últimas consequências e a excepcional Inde Navarrette parte nosso coração, ainda mais se você pensar em tudo que acontecerá à personagem depois do derradeiro ato desta produção surpreendente. 

Obsessão (Obsession/EUA - 2026) de Curry Barker com Inde Navarrette, Michael Johnston, Cooper Tomlinson, Megan Lawless, Andy Richter e Haley Fitzgerald. ☻☻☻☻