terça-feira, 31 de março de 2026

Combo: Visibilidade Trans

05 Emilia Perez (2024) no Dia da Visibilidade Trans resolvi fazer um combo com cinco filmes importantes para artistas que só recentemente começaram a ter espaço no cinema após décadas de pessoas cis vivendo personagens trans nas telas. Bem que eu tentei deixar de fora, mas o pior filme da carreira de Jacques Audiard merece lembrança por premiar pela primeira vez uma mulher trans no Festival de Cannes e cravar uma indicação ao Oscar de melhor atriz. Apesar da performance de Karla Sofía Gascón, o filme é um desarranjo com sua história desengonçada sobre um traficante realiza uma cirurgia de redesignação sexual e retorna tempos depois em um musical estapafúrdio. Vale como lembrança para as gerações futuras de como não abordar um tema já visto com tanto preconceito pela público. 

04 Perto de Você (2023) Elliot Page se tornou o primeiro artista indicado ao Oscar ao descobrir sua redesignação sexual diante da mídia. Indicado ao Oscar de melhor atriz por Juno (2007), Page abraçou a militância queer em suas pautas e projetos e depois que realizou seus procedimentos para redesignação sexual voltou ao cinema com este filme indie modesto, mas que toca em assuntos delicados no retorno de um homem trans para a cidade em que cresceu. Embora o filme tenha seus problemas de execução, o longa serve para abordar questões bastante delicadas envolvendo os preconceitos presentes em um grupo de pessoas que deveriam exalar apoio e acolhimento. Mudanças a parte, o talento de Page continua o mesmo. 

03 Uma Mulher Fantástica (2017) o drama chileno ganhou os holofotes com a trama de Marina (Daniela Vega), uma mulher trans que sonha em ser uma cantora de sucesso, mas que a vida dá uma guinada assustadora quando seu parceiro, Orlando (Francisco Reyes) morre e ela precisa enfrentar a família do falecido em busca de seus direitos. O filme de Sebastian Lélio ganhou o prêmio de melhor roteiro no Festival de Berlim e o prêmio Ecumênico, além disso levou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2018. Embora eu fique bastante incomodado em ver todo o martírio da personagem, o longa se tornou um marco para a comunidade queer (e ainda rendeu uma pendenga danada por um comentário infeliz do crítico Rubens Ewald Filho na transmissão do Oscar). 

02 Tangerine (2015) embora Sean Baker tenha caído nas graças do Oscar recentemente, ele merecia desde esta produção filmada com  Iphone5  - o que favoreceu bastante o estilo de filmagem documental que lembrava muito uma câmera escondida. A narrativa acompanha Sin-Dee (Kitana Kiki Rodriguez), que ao sair da véspera de natal da prisão, tenta encontrar seu namorado após descobrir que ele a traiu com uma mulher cis. Na jornada, ela conta com a companhia da amiga Alexandra (Mya Tayor) em situações permeadas por diálogos inacreditáveis. O resultado parece um conto trans escrito por Almodóvar pelas ruas de Los Angeles. De um colorido fascinante, Tangerine é um verdadeiro tesouro indie

  01 Até o Cair da Noite (2023) Talvez este seja o filme menos conhecido da lista, mas eu considero suas camadas as mais complexas dentre os citados. O filme conta a história de Leni (Thea Ehre), uma presidiária que é convidada a colaborar com a polícia na busca por um traficante que atua online. Para isso, ela precisa trabalhar com Robert (Timocin Ziegler), um investigador que deverá se passar por seu amante. Acontece que o investigador já teve um relacionamento com Leni antes de seu processo de transição de gênero e os sentimentos entre os dois tendem a tornar a missão ainda mais complicada. O diretor Christoph Hochhäusler mistura drama queer com filme policial e rendeu para a austríaca Thea o prêmio de melhor coadjuvante no Festival de Berlim. 

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