![]() |
| Phoenix: herói de barro. |
Desgovernado diáriw, me deparei com críticas muito ruins ao novo filme de Ari Aster. O diretor que fez dois filmes de terror dignos de nota com Hereditário (2018) e Midsommar (2019), teve problemas com Beau tem Medo (2023) e agora com Eddington constrói uma sátira política numa cidadezinha no meio do nada e ainda mais isolada em 2020, tempos de pandemia. Lá o embate entre o xerife da cidade (Joaquin Phoenix) e o prefeito (Pedro Pascal) renderá acontecimentos que tornarão as relações ainda mais polarizadas. O que poderia ser apenas o debate sobre o uso de máscaras, logo vira algo mais por conta das complicações envolvendo os traumas da esposa do xerife (vivida por Emma Stone). Mas não é só isso, o isolamento e busca de conexões com o mundo via internet, motivam ainda mais o caos na cidade com discursos que viram modismo e caminham para a mais completa desordem. Aster constrói uma massaroca de referências sobre o mundo atual e toda a confusão em que mergulha com falsos gurus e fake news. Celulares parecem armas e vídeos parecem mais relevantes do que os fatos que registram. Diante de todo o caos que se instaura, parece que a solução encontrada para o desfecho é um tiroteio que me fez pensar que Aster viu Bacurau (2019). As conclusões ficam pela metade, os discursos são jogados para o alto e a realidade parece pronta para quem quiser colocar fogo nela. O cineasta demonstra continuar ambicioso e assumindo riscos para não ficar preso a um gênero cinematográfico. Aqui ele faz drama, faz comédia, faz um faroeste virado do avesso, escorrega no humor ao lidar com temas cuidadosos e, como seus personagens fazem, atira para todos os lados. O resultado é interessante, incômodo e com uma ótima atuação de Joaquin Phoenix como um daqueles heróis de barro que adoram cultuar.
Eddington (EUA - Reino Unido - Finlândia / 2025) de Ari Aster com Joaquin Phoenix, Pedro Pascal, Emma Stone, Cameron Mann, Michael Ward, Clifton Collins Jr e Austin Butler. ☻☻☻

Nenhum comentário:
Postar um comentário