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domingo, 30 de agosto de 2026

PL►Y: O Convite

Seth e Olivia: casal anfitrião em crise. 

Entusiasmado diáriw, fico muito feliz de ver Olivia Wilde reencontrando seu caminho como diretora após a bagunça de Não se Preocupe, Querida (2022). A diretora brigou para que seu terceiro filme fosse lançado nos cinemas e chegou a recusar uma proposta robusta da Netflix que o lançaria direto no streaming. O resultado é um sucesso de bilheteria abraçado pelo público adulto que estava carente de um comédia madura ancorada em diálogos e atuações inspiradas. Baseado no filme espanhol Sentimental (2020) de Cesc Gay, o roteiro de Rashida Jones e Will McCormack  onsegue dar aos personagens novas nuances que torna tudo mais interessante. O filme conta a história do jantar promovido por Angela (Olivia Wilde) para os seus vizinhos, Piña (Penelope Cruz) e Hawk (Edward Norton) - mesmo que seu esposo, Joe (Seth Rogen) seja contra. A situação anda tensa entre o casal anfitrião, Joe é frustrado com sua carreira na música e Angela nunca conseguiu se dedicar à sua profissão, ficando presa às neuras de afazeres cotidianos. Já os convidados são descolados e tem uma vida sexual audível que mostra-se ainda mais movimentada do que os seus vizinhos suspeitavam. Entre diálogos afiados sobre a vida dos casais e alguns constrangimentos surge um convite inesperado para o casal em crise sair da rotina. Olivia Wilde faz um ótimo trabalho na direção, os atores apresentam uma ótima sintonia e a narrativa do filme flui de forma surpreendente levando em consideração a ambientação em uma única locação. Utilizando a estrutura do apartamento para emoldurar seus personagens, O Convite tem um pouco do cinema de Woody Allen quando ele dizia "vamos parar de rir e falar sério" e, não por acaso, o filme é dedicado à Diane Keaton (musa master do cineasta cancelado). Eu amei a última cena que deixa o final em aberto. 

O Convite (The Invite / 2026) de Olivia Wilde com Olivia Wilde, Seth Rogen Penelope Cruz e Edward Norton. ☻☻☻☻ 

segunda-feira, 28 de novembro de 2022

PL►Y: Não se Preocupe, Querida

 
Harry e Florence: Só problemas. 

(Confesso que estava com preguiça de escrever sobre Não se Preocupe, Querida). O novo filme dirigido por Olivia Wilde está disponível na HBOMax depois de toda turbulência que sofreu. Seja na produção ou no lançamento, o longa foi rodeado de fofocas variadas sobre os bastidores (da relação entre Harry Stiles e Wilde, da separação da diretora do então parceiro de longa data - o Jason Sudekis -, a dispensa de Shya LaBeouf do papel principal, as desavenças de Florence Pugh com Olivia, aquele papo de cuspe na exibição em Veneza, Florence se recusando a participar de campanha de divulgação, enfim, tudo de ruim.) Porém, com toda esta confusão, ainda havia expectativas altas para o filme, especialmente por conta da estreia de Wilde atrás das câmeras, o divertido Fora de Série (2019) que conquistava justamente pela despretensão. Particularmente não vejo nada demais na diretora querer dar um passo mais ambicioso em sua carreira, cobiçar prêmios e tudo mais, o problema é quando não se percebe que o roteiro não lhe dá suporte para estas ambições (uma pena, já que cenários, figurinos e fotografia são feitos no capricho e podem até aparecer nas premiações que se aproximam). O filme é ambientado nos anos 1950, em que um jovem casal vai morar numa comunidade experimental em que tudo gira em torno de uma misteriosa empresa de tecnologia em que ninguém faz muita ideia do que faz. Alice (Florence Pugh) parece viver no país das maravilhas com seu esposo, Jack (Harry Stiles) até que uma vizinha começa a ter um comportamento estranho e faz com que Alice comece a questionar o que está acontecendo - e ela que passa a ser considera a estranha da vez. A ideia de uma comunidade utópica, com donas de casa assustadoramente perfeitas já foi vista no clássico do suspense As Esposas de Stepford (1975) que já rendeu uma regravação cômica em Mulheres Perfeitas (2004) com Nicole Kidman, mas aqui a ideia traz uma revelação diferente no seu último ato. Muita gente reclamou que o filme não tem pé nem cabeça, mas ainda penso que essa era a ideia (basta notar a Alice vestindo só uma camisa do marido no meio da rua nos anos 1950). Repare os ovos vazios, a parede que aperta Alice contra o vidro, a cena do sufocamente, as cenas de sexo manjadas, os homens vestidos de vermelho, tudo é feito de forma estranha e proposital em sua artificialidade, como se quisesse revelar que tudo é um mundo de fantasia (tal e qual a nostalgia que o Tio Sam sente daquele tempo antes dos movimentos de contracultura e revolução sexual). O problema é que Não Se Preocupe, Querida atira para muitos lados e o alvo do que poderia ser mais interessante. Talvez a produção conturbada tenha afetado o rumo das gravações e levado tudo ao final insatisfatório, apressado e que larga o que o filme tinha de melhor pelo meio do caminho. Em alguns momentos tive a impressão que a presença de Harry Styles forçava uma couraça pop ao filme, que na verdade tem a alma de um dos pesadelos de Darren Aronofsky (e existem várias referências, ainda que brandas, a algumas cenas de Réquiem Para um Sonho/2000 por aqui). Aos fãs do moço, tenho a dizer que não o considero o desastre que alardearam, o rapaz tem lá seu magnetismo, só precisa se aprimorar no desenvolvimento da personalidade dos personagens (mas também é covardia querer que ele esteja à altura da sempre ótima Florence Pugh). Não se Preocupe, Querida é um filme que tem algo a dizer, mas se torna cansativo em sua irregularidade. Ao final deixa aquela imagens caleidoscópicas idílicas em preto e branco, talvez o filme seja isso mesmo, um caleidoscópio de ideias que não se desenvolvem como deveriam. 

Não se Preocupe, Querida (Don't Worry Darling/EUA-2022) de Olivia Wilde com Florence Pugh, Harry Styles, Chris Pine, Olivia Wilde, Kiki Lane, Gemma Chan, Nick Kroll e Thimothy Simons. ☻☻

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Na Tela: Fora de Série

Kaitlyn e Beanie: hora de curtir. 

Depois que chamou atenção do mundo inteiro em Tron: O Legado (2010), a atriz Olivia Wilde demonstrou cansaço em ter que ser sempre "a-mulher-bonita-do-filme". Há algum tempo que ela deseja ser algo mais e a comédia Fora de Série é a prova de que ela é bem mais do que a beldade em cena. O filme é a sua estreia como cineasta e podemos dizer que ela a faz com maestria! O trabalho com os atores, com a edição e um ritmo invejável do início ao fim, fazem do filme a grande surpresa do ano. Em entrevistas a atriz deixou claro que queria recriar o clima dos filmes de John Hughes dos anos 1980, filmes que ela ainda gosta de assistir. Para isso escolheu uma história simples sobre duas amigas às vésperas da formatura e a nutriu com uma energia que não se percebe todo dia. A trama segue Amy (Kaitlyn Dever de Homens, Mulheres e Filhos/2014) e Molly (Beanie Feldstein de Lady Bird/2017), duas amigas de infância que ao chegar ao final do Ensino Médio descobrem que poderiam ter curtido mais com a galera do que ter passado todos os fins de semana grudadas nos livros. Com a universidade batendo-lhes à porta, elas descobrem que até alunos considerados menos dedicados conseguiram aceitação em Universidades. A partir daí começa uma verdadeira crise, especialmente em Molly, que deseja se esbaldar numa festa aguardada por todos e compensar todas as festas não vividas... o problema é achar a tal festa. Molly e Amy passam então a atravessar a cidade em busca daquela festa em que todo mundo estará falando no dia seguinte, mas não fazem a mínima ideia de onde ela acontece. No caminho se deparam com outras comemorações e colegas que sempre brincam com os estereótipos vistos neste tipo de filme. Estão lá o garoto com fama de pegador, a aluna skatista, a rata de festa (que sempre está em todas as festas ao mesmo tempo!), o bonitão, os nerds, a chata, os artistas, a professora bacana... o roteiro (assinado por quatro mulheres roteiristas) é o maior barato, sempre descolando aventuras para as duas amigas que pretendem curtir mais do que nunca. É verdade que a coisa não funcionaria tão bem se não contasse com duas protagonistas que sabem exatamente o que estão fazendo e, mais ainda, são capazes de tornar palpável os anos de história que as duas personagens tem de convivência (mesmo que o filme não apresente este passado em comum). Entre gírias, dancinhas, brincadeirinhas e piadas internas Kaitlyn e Beanie convencem que Molly e Amy são amigas há tempos! Fora de Série já figura entre as melhores comédias adolescentes do cinema americano e faz por merecer, especialmente por fugir do lugar comum e apresentar cenas como aquela das amigas se vendo como duas bonecas de plástico. Não vou me surpreender se no futuro Olivia Wilde se dedicar mais à carreira de diretora do que de atriz. Esperto e divertido, Booksmart é um grande acerto. 

Fora de Série (Booksmart/EUA-2019) de Olivia Wilde com Beanie Feldstein, Kaitlyn Dever, Skyler Gisondo, Billie Lourd, Jason Sudeikis, Will Forte, Lisa Kudrow, Jessica Williams e Diana Silvers. ☻☻☻☻