quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Nada a Declarar - Entre 4 Irmãos

Eu não iria estranhar se fizessem um exame de DNA em alguns atores e descobrissem que eles são irmãos, sempre os achei parecidos...

O primogênito: Tobey Maguire
Nascido em Santa Monica na California no ano de 1975, seus pais tinhas 18 e 20 anos quando nasceu, mas quando o pequeno Tobias Vincent Maguire tinha dois aninhos o casal resolveu se divorciar. Tobey acabou crescendo ao lado da mãe e de inúmeros parentes. Foi graças à sua mãe que decidiu largar a culinária e cursar teatro enquanto estudava na sexta série. Até onde sabe é filho único!

O segundo: Jake Gyllenhaal
Nascido em 1980, Jacob Benjamin Gyllenhal nasceu na mesma Califórnia de Maguire (coincidência 1) só que em Los Angeles. Até onde sabemos é filho de um poeta e de uma roteirista. Começou cedo na carreira, aos dez anos - o que pelas minhas contas é a mesma idade que Maguire começou também (coincidência 2). Tem uma irmã reconhecida em cartório (Margareth Ruth, ou melhor, Maggie Gyllenhall, que nasceu exatamente no ano de 1977 em que os pais de Maguire se separaram - coincidência 3). Assim como ela, Jake tem uma indicação ao Oscar de coadjuvante.

O hobbit: Elijah Wood
Nascido um ano depois de Jake (coincidência 1), veio ao mundo em Cedar Rapids no estado de Iowa, que é um bocado longe da Califórnia - ou seja ideal para quem quer construir outra família (coincidência 2) ele começou a carreira aos oito anos de idade (Rá, ou seja, praticamente no mesmo ano em que Maguire e Gyllenhal!! Coincidência 3)! Assim como Maguire começou na carreira artística com o incentivo de sua mãe (coincidência 4) que o matriculou numa associação de talentos em 1988! Os pais de Wood também são divorciados (coincidência 5) e até onde sabe tem dois irmãos legítimos registrados. Wood tem ascendência inglesa...

O caçula: Daniel Radcliffe
 Nascido na Inglaterra (ascendência = coincidência 1, com Wood) em 1989 e começou a atuar com dez anos (ou seja, com a mesma idade de Maguire e Gyllenhall - coincidência 2), como todo caçula tende a ter algumas particularidades que chamam a atenção dos parentes - como sua "Síndrome do desastrado" acarretado por um probleminha neurológico que afeta sua coordenação motora e o fato de ser ateu (rs). Os pais (um agente literário e uma diretora de elenco) começaram a incentivá-lo na carreira em 1999 (três anos após o divórcio dos pais de Elijah - muita coincidência... coincidência 3) quando todos os outros três desse post mexeriqueiro já eram  famosos (ou seja, deve ter sido para ele não se sentir inferiorizado entre os manos - coincidência 4)!

DVD: Entre Irmãos

Jake e Tobey: transfusão de personalidade entre dois irmãos.

Sem o traje de Homen Aranha, Tobey Maguire tem se voltado novamente para as produções intimistas que lhe deram algum reconhecimento na década de 1990. Ele chegou a ser indicado ao Globo de Ouro de ator dramático por sua atuação nesse drama dirigido por Jim Sheridan, mas como o filme foi mal nas bilheterias faltou boa vontade para impulsioná-lo nas demais premiações. Para piorar, ainda se trata da refilmagem de um filme dinamarquês de mesmo nome de 2004, elogiado pela eficiência com que a diretora Suzanne Bier não deixa a coisa descambar para o melodrama. Sheridan muda alguns detalhes da trama, mas ela é basicamente  a mesma: o militar Sam Cahill (Maguire) é o filho exemplar de uma família, casado com a namorada de adolescência (Natalie Portman, sempre correta), pai de duas meninas e que é o total oposto de seu irmão rebelde (Jake Gyllenhaal). Quando o irmão rebelde volta para a família o desconforto do pai (Sam Shepard) é evidente, mesmo diante dos esforços da madrasta (Mare Winningham) o clima pesa. Acaba que o exemplar Sam vai para a guerra e é dado como morto. A esposa acaba se aproximando do cunhado e quando as coisas vão voltando ao lugar, Sam retorna tendo que lidar com seus fantasmas de guerra e o ciúme da relação que se estabeleceu entre a esposa e o irmão rebelde - que se mostra mais redimido que as piores expectativas. O que compromete o filme é justamente seu último ato, quando todas as soluções soam apressadas e explora pouco a relação estabelecida entre os membros dessa família com dolorosas feridas mal cicatrizadas. Maguire impressiona com a culpa injetada em seu personagem, pena que Sheridan amarele exatamente nesse ponto quando deveria explorar a inusitada transferência de personalidade entre os irmãos - algo surpreendente para quem já dirigiu filmes como Meu pé esquerdo (1989) e Em nome do Pai (1993). Os demais personagens sofrem com o pouco espaço que lhes coube até o fim da sessão. Se Sheridan não quisesse poupar o expectador da angústia de seu protagonista o filme poderia ter sido mais bem sucedido. Ainda que inferior ao original (afinal, como sabe o Dogma 95, dinamarquês não tem frescuras) merece uma visita para ver Maguire sepultando Peter Parker em uma aparência cadavérica de alguém que perdeu a vida após retirar a de outra pessoa. 

Entre Irmãos (Brothers/EUA - 2009) de Jim Sheridan com Natalie Portman, Tobey Maguire, Jake Gyllenhaal, Bailee Madison, Mare Winningham, Taylor Geare, Patrick Flueger e Carey Mulligan. ☻☻☻

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Combo: Filmes Favoritos de Heróis



5 Homem Aranha (2002) Acho que Sam Raimi nem imaginava como ele se daria bem ao dirigir a franquia de Spider Man. Considero impressionante a forma como conseguiu reunir tantos elementos harmônicos no filme, para começar a escolha de Tobey Maguire para ser Peter Parker beira o brilhantismo, o cara de bom rapaz caiu como uma luva para o personagem. Pode se dizer o mesmo da Tia Mae de Rosemary Harris, o editor vivido por J. K Simmons, a Mary Jane de Kirsten Dunst, a fotografia, os efeitos especiais... enfim, Raimi realmente soube como formatar a franquia para o cinema nesse episódio! E ainda que todo mundo fale mal do Duende Verde eu considero Willem Dafoe muito bem como um vilão que nasce de uma grande fusão empresarial! A coisa ficou tão legal que até temo pela repaginada que o filme irá sofrer nas mãos de Marc Weber! Grandes poderes exigem grandes responsabilidades!

4 Os Incríveis (2003) As animações estavam entre a fofura dos bichinhos e o deboche aos contos de fada quando surgiu esta animação da Pixar dirigida por Brad Bird. Mais do que um filme sobre heróis o filme é sobre a família e as diferenças entre seus membros - que acaba fortalecendo-os enquanto grupo. Filosofices à parte Os Incríveis é muito melhor do que  a maioria dos filmes de ação de carne e osso que aparecem por aí - e ainda é cheio de referências à Watchmen de Alan Moore. Cheio de heróis insatisfeitos com a aposentadoria, personagens multifacetados (como a estilista de heróis Edna Moda - dublada pelo próprio Bird - deve ter aprendido em Watchmen que capa não é nada funcional...) e fãs vingativos esta aventura do Sr. Incrível e sua família bem que merecia uma continuação! Talvez por ser um desenho tenha sido o único filme de herói a ganhar o Oscar de Melhor Filme - mesmo que seja de animação...

3 X-Men 2 (2003) Bryan Singer me deixou preocupado quando disse que iria dirigir a adaptação dos heróis mutantes da Marvel para o cinema. Ainda bem que X-Men se tornou uma referência para os filmes de heróis ao usar uma atmosfera séria e realista. Depois das inúmeras reclamações da curta direção do primeiro longa Singer fez a sequência anabolizada explorando o passado de Wolverine (Hugh Jackman) e uma verdadeira caça aos mutantes liderada por Stryker (Bryan Cox). Nessa empreitada os heróis de Xavier (Patrick Stewart) e os vilões de Magneto (Ian McKellen) irão se unir por uma causa maior... pelo menos até o quase fim da sessão. O filme continua resistindo ao tom maniqueísta que costuma assolar os filmes de heróis e deixou água na boca para a terceira parte que acabou mudando o diretor e perdendo o tom elegante da narrativa mutuna Singeriana.

2 Watchmen (2009) Fracasso nos Estados Unidos, sucesso na Europa, rejeitado por Alan Moore, divisor da opinião do público e crítica, a histórica saga dos heróis atormentados por seus fantasmas chegou às telas no ano passado após inúmeros adiamentos desde a década de 1980. Vou logo dizendo que sou um dos admiradores do empenho de Zach Snyder em ser fiel à cultuada HQ, mantendo o seu verniz político pessimista e a complexidade de seus mascarados. O elenco competente (especialmente O Comediante de Jefrey Dean Morgan e Rorschach de Jackie Earle Haley) consegue ficar de igual para igual com a exuberância visual do longa. A trama tem como ponto de partida a morte de um dos Vigilantes e que evidencia uma conspiração que pode gerar o fim do mundo.  Trilha inspirada, diálogos perfeitos e clima noir fazem de Watchmen um marco pouco reconhecido nos filmes de heróis, talves por mostrar sem pudores que o pior inimigo pode estar em nossas fraquezas.

1 Batman - O Cavaleiro das Trevas (2008) A unanimidade que Watchmen não alcançou foi destinada para a segunda aventura do Homem Morcego de Christian Bale sob a batuta de Christopher Nolan. Houve quem ficasse revoltado com a ausência do filme nas categorias mais nobres do Oscar, mas o prêmio póstumo de coadjuvante para o antológico Coringa de Heath Ledger serviu de consolação. Mais crível do que a oportuna visão política sobre a trama - ter alguém para acreditar (encarnado por Harvey Dent/Aaron Eckhart) mesmo entre o caos do Coringa e o limite do morcego justiceiro - é a impressionante relação entre os três personagens. Afinal, o Coringa parece Batman do avesso e Dent se torna a mistura dessas duas figuras de forma mais explícita ao final de suas tragédias pessoais. O filme rompeu a barreira do bilhão, deu carta branca à Nolan em Hollywood e sua sequência (anunciada para 2012) é umas das mais aguardadas de todos os tempos. Santa expectativa Batman! 

terça-feira, 23 de novembro de 2010

DVD: Homem de Ferro 2


Downey, mais Tony Stark do que nunca: "Ninguém é de ferro, meu chapa!"

Depois de ler e ouvir tantas críticas divididas enfrentei Iron Man 2. Talvez por ter esperado a poeira baixar o filme não me decepcionou. Está certo que o filme tem umas horas de narrativa em ponto morto, tem uma visão ingênua das politicagens e blábláblá... mas é notável como a produção joga todo o peso nas costas de Robert Downey Jr e ele aguenta sem sinais de cansaço. A primeira aventura do herói da Marvel nos cinemas fez um inesperado sucesso nas mãos de Jon Favreau (que acho que deveria ter seus méritos de ator reconhecidos também) e a adesão do público ocorreu especialmente pelo respeito da produção com a história do personagem e o despudor em explorar o lado menos agradável de seu alter-ego, o industrial bélico Tony Stark (Downey). No primeiro Iron Man entendemos porque Favreau bateu o pé para escalar Downey Jr, nesta segunda produção o que vemos é um apetite ainda mais voraz do ator com seu personagem, tanto que o filme acaba explorando mais sua figura do que propriamente do herói. O filme me surpreendeu pela audácia de ter poucas cenas de ação - são só três: a da corrida, a da festa e a sequência final - isso num longa de duas horas e quatro minutos. O roteiro escrito por Favreau e Justin Theroux  investe na comédia (ambos começaram a carreira amparados por elogiados roteiros cômicos) e intensifica isso na insolência egocêntrica de Stark e as neuroses de Pepper Potts (Gwyneth Paltrow, mais a vontade que no primeiro filme).  Apesar de tudo estar centrado demais em Robert a produção se deu ao trabalho de escalar bons atores para participações pequenas, mas pontuais. Don Cheadle assume o posto do amigo oficial Rhodes que foi deixado por Terrence Howard (que desapareceu do mapa), Samuel L. Jackson surge como um Nick Fury revisitado, a tal falada participação de Scarlett Johanson deve durar menos de dez minutos como a agente Romanoff (Viúva Negra) e Mickey Rourke investe na bizarrice do vilão russo Ivan Vanko/Chicote Negro. Se alguém consegue um pouco mais de espaço é Sam Rockwel como um concorrente inescrupuloso de Stark que acaba contando com a ajuda de Ivan Vanko para construir uma armadura ainda mais poderosa do que a de Homem  de Ferro. Ao fim da sessão temos a promessa da aventura no cinema dos vingadores e depois dos créditos a premissa de Thor (que deve ser o próximo lançamento heróico nos cinemas). Se continuar mantendo o estilo deve funcionar com a garotada de férias. Principalmente se o talento de Robert Downey Jr. continuar sendo tão confiável quanto  a armadura do herói (não duvido que ele figure nas indicações ao Globo de Ouro de ator de comédia por sua atuação neste filme).

Homem de Ferro 2 (Iron Man 2/EUA-2010) de Jon Favreau com Robert Downey Jr, Mickey Rourke, Gwyneth Paltrow, Sam Rockwell, Don Cheadle, Scarlett Johansson, Jon Favreau, Samuel L. Jackson e Clark Gregg. ☻☻☻

DVD: O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus


Ledger: ele poderia ter salvo o filme.

As coisas não andam muito boas para o lado de Jude Law, talvez porque os seus cabelos começam a rarear ou porque da mais trabalho do que ele pensava se casar com Sienna Miller - ou talvez as duas coisas estejam relacionadas... - os seus filmes não tem feito o sucesso esperado. Se não fosse ele ter topado o desafio oferecido por Guy Ritchie de encarar um divertido "meu caro Watson" em Sherlock Holmes ele teria colecionado um fracasso atrás do outro na última década. Fracassar num filme bom tudo bem, o problema é fracassar num filme onde nada se salva. Por isso o galã deve ter aceitado a empreitada de ocupar um dos momentos deixados por Heath Ledger nesse O Mundo Imaginário de Doutor Parnassus, mais uma empreitada cheia de imprevistos do diretor Terry Gillian. Desde Os 12 Macacos (1995) que o diretor anda se dando mal em seus filmes, estando cada vez mais supérfluos, se preocupando mais com o visual do que com a história em si. Do visual de Doutor Parnassus não há do que se reclamar, do elenco também não, mas o andar da história... Claro que o filme se tornou um abacaxi depois que seu protagonista Heath Ledger faleceu. Gillian teve que mudar o foco para o personagem de Christopher Plummer e sua trupe e ainda inventar que o personagem de Ledger muda de cara cada vez que atravessa um misterioso espelho. Foi aí que entrou Jude Law (parecendo que tomou Bobol, rindo o tempo todo), Johny Depp e Colin Farrel. O Doutor Parnassus do título é um homem com mais de mil anos que se apresenta com seu teatro mambembe ao lado de um espelho que funciona como portal para o seu imaginário. O problema é que ele fez um acordo com o diabo (Tom Waits, muuuuito estranho) e agora deve pagar sua dívida lhe dando a filha que acaba de completar 16 anos, Valentina (a shape renascentista Lily Cole). Acontece que ele se arrepende do acordo e quer tapear o coisa ruim. Um novo acordo acaba sendo feito e ele tem que arranjar cinco almas em troca da moça. Nessa confusão ele acaba contando com a ajuda involuntária de um homem misterioso (Ledger), o qual  foi encontrado enforcado numa ponte. O tal consegue atrair o público e o coração de Valentina, despertando o ciúme de assistente de palco Anton (o novo spider man Andrew Garfield, numa atuação comicamente estranha). Tudo no filme é desengonçado, as cenas através do espelho, a atuação dos atores convidados para tampar o buraco deixado por Ledger, as metáforas se perdem pelo caminho (os dramas da imortalidade, a importância de se contar histórias, a relação o imaginário e a mentira...) e a coisa termina de forma insatisfatória. O elenco (que ainda conta com o excelente anão Verne Troyer) se esforça, mas a qualidade do texto é claudicante, talvez porque seja um drama e o diretor resolveu tratar como uma comédia quase pastelão. Espero que Gillian volte à sua antiga forma sem outros incidentes trágicos sobre seus filmes, a coisa já está ficando chata... 

O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus (The imaginarium of Doctor Parnassus/França-Canadá-Reino Unido/2009) com Christopher Plummer, Heath Ledger, Lily Cole, Verne Troyer, Andrew Garfield, Johny Depp, Colin Farrel e Jude Law. ☻☻

Um cérebro artificial para um filme artificial

Neste final de semana tentei encarar um tal de Os Coletores, o nome de fato não ajuda - e fica ainda pior quando ouvimos a tradução na dublagem: O Resgate de Órgãos. Só sei que o filme em inglês se chama Repo Men e conta com Jude Law, Forrest Whitaker, Liev Schreiber e a brasileira Alice Braga em mais uma de suas aventuras pelas bandas de lá. Eu poderia escrever algo mais substancial sobre o filme se não o considerasse um dos mais desinteressantes em que coloquei os olhos nos últimos tempos. Entendi que a história se passa num futuro onde uma companhia vende órgãos artificiais para transplante, só que quando alguém não paga uma prestação esse órgão é retirado sem a menor preocupação pelos tal Repo Men. Podia ser mais interessante se o diretor percebesse que uma trama dessas daria uma boa reflexão para o seu público se não fosse o tom jocoso da trama - que ele deve pensar que é humor negro. Tudo é motivo de gracinhas e é mostrado com uma frieza macabra de fazer inveja à série Jogos Mortais, tanto que os atores ao invés de aprofundar personagens ficam rindo o tempo todo feito um bando de bocós.  Me disseram que depois o personagem de Jude tem problemas cardíacos, coloca um coração artificial, não tem dinheiro para pagar e é perseguido pelos seu amigo de profissão (Whitaker). Como eu só vi até a parte em que a esposa se separa dele, eu acho que ele deve flertar com a Alice Braga em meio a algumas ceninhas de ação e mais algumas piadinhas sem graça. Agora entendo porque o filme saiu direto em DVD por aqui. Se você acha que depois do momento em que eu parei de ver o filme as coisas melhoram, por favor, me diga que vou encará-lo com alguma boa vontade... pelo menos o poster que eu achei do filme ilustra bem o clima da coisa.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Apostas para o Oscar 2011 - PARTE IV

127 horas
Será que Danny Boyle consegue derrubar seus oponentes mais uma vez? Depois de Quem Quer Ser Um Milionário? ele figura na lista de prováveis candidatos, especialmente pela atuação de James Franco (cujo a indicação é tida como certa após a esnobada por seu papel em Milk). A trama é inspirada na história verídica do alpinista Aron Ralston que em 2003 escalava em Utah e seu antebraço direito ficou preso sob uma pedra durante cinco dias. O filme segue a estrutura narrativa da mente de Aaron nesse tormento e tem causado vertigens sobre a saída que encontrou para sua tragédia.

Frankie & Alice
Depois de longo e tenebroso inverno Halle Berry está jogando pesado para reconquistar seu prestígio em Hollywood. A atriz interpreta a protagonista deste drama psicológico. Quem viu que a primeira atriz negra a ganhar um Oscar pode entrar no páreo de novo no ano que vem, o problema é a concorrência pesada para o ano que vem. Berry interpreta uma jovem mulher negra com múltiplas personalidades, sendo uma  delas racista. Como a Academia adora um comeback factor o filme pode surpreender.

 Made in Dagenhan
Um elenco de encher os olhos pode chamar a atenção da Academia desse elogiada dramédia inglesa: Sally Hawkins, Miranda Richardson, Bob Hoskins e Rosamund Pike dão vida a um roteiro sobre um caso de discriminação ocorrido em 1968. O filme tem todos os atrativos para a academia de Hollywood - e o mais importante deles é que se trata de um filme mais bem realizados do ano, cortesia do diretor Nigel Cole (do ótimo O Barato de Grace).

True Grit
Eu tenho certo receio com a presença de refilmagens entre os indicados ao Oscar, geralmente eles não dão sorte, agora imagina se for um clássico de John Wayne? Mas o fato desse remake de Bravura Indômita ser feito pelos irmãos Coen pode ajudar. O filme conta a famosa saga do cowboy bêbado e caolho na caçada de um assassino. Os Coen sempre quiseram fazer um faroeste, mas não precisava caprichar tanto no elenco: Matt Damon, Jeff Bridges e Josh Brolin. Vamos ver como a Academia lidará com esse remake.

Conviction
Annete Benning deve ter um colapso nervoso cada vez que alguém fizer um comentário sobre a atuação de Hillary Swank neste drama sobre a relação entre dois irmãos. Baseado numa história real o filme é um desses filmes pequenos que pode ganhar força nessa reta final. O filme conta o drama de Betty Anne Waters, cujo irmão, Kenny, foi acusado de ter matado uma mulher em Massachussets em 1980. O filme tem causado polêmica pela visão humana criada ao redor do assasssino, mas a atuação de Sam Rockwell pode vencer tudo isso - ainda mais depois de sua criminosa rejeição no ano passado por Moon.

The Fighter
Filmes de boxeadores costumam ser todos iguais. Este aqui conta a história do lutador "Irish" Micky Ward, vivido por Mark Wahlberg. Treinado por seu meio-irmão Dicky (Christian Bale), os dramas saem dos ringues quando as vidas começam a ser afetadas pela violência e as drogas. A direção é de David O. Russel e o elenco ainda conta com ajudas anabolizadas de Amy Adams e Melissa Leo, ambas cotadas para os prêmios de coadjuvante.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

DVD: Kick-Ass

 Johnson, Moretz, Cage e Plasse: O heroísmo segundo Mathew Vaughn

Se neste ano Nicolas Cage errou feio em Aprendiz de Feiticeiro ele conseguiu um acerto, a adaptação de Matthew Vaughn para a HQ Kick-Ass. Está certo que ele é coadjuvante na trama, mas sua participação consegue imprimir ao personagem um misto de heroísmo e insanidade que lhe caem muito bem. Kick-Ass parece um filhote de Watchmen, uma releitura teen de heróis em contato com o mundo real. Vaughn ousa não ter pudores em colocar adolescentes em situações violência buscando um equilíbrio perigoso entre padecer do próprio alvo de sua crítica. Sorte que Vaughn é esperto. O filme não foi bem na bilheteria americana, mas quem se importa? Trata-se de um dos filmes mais espertos desse ano e que se a Academia não fosse tão conservadora poderia colocá-lo entre os indicados ao Oscar em algumas categorias. O filme acompanha as desventuras do adolescente nerd (Aaron Johnson) que resolve se vestir de super-herói e combater o crime. Obviamente que num filme que se pretende realista ele se torna um verdadeiro saco de pancada dos marginais de toda a espécie. Paralelo à essa trama conhecemos uma garotinha, que foi treinada desde cedo para ser uma verdadeira máquina mortífera - para vingar a morte de sua mãe. Chamada Hit Girl (a ótima Chloe Moretz), ela foi treinada pelo seu pai Big Daddy (Cage) para se tornar uma heroína eles logo se juntam ao espancado Kick Ass mais para protegê-lo do que por necessidade, logo os destinos de ambos irão se cruzar com o grande vilão da cidade (o vilão do momento Mark Strong) e seu filho, o alter-ego do misterioso Red Mist (o muito bom Christopher Mintz-Plasse). Apesar de alguns exageros o filme consegue ser divertido e ainda trazer referências do mundo das HQs, pode não agradar todo mundo – vi o filme no cinema e vi que muita gente ficou surpresa com o que estava na tela. Longe de ser bobo (apesar de seu início querer dizer o contrário) o filme descasca nosso culto aos heróis sem ingenuidade. Mas se algo incomoda, a pequena Chloe Moretz tem a tarefa de nos fazer esquecer as imperfeições e aproveitar a sessão com sua espada que corta vilões como se fossem de manteiga - o filme é literalmente dela – afinal, trata-se do filme de herói que Vaughn queria fazer desde que produzia os filmes de Guy Ritchie: violento, moderninho e de sorriso nervoso estampado por debaixo da máscara. Veremos se ele repetirá o estilo em X-Men First Class.

Kick Ass – Quebrando Tudo (Kick Ass/ EUA-Inglaterra, 2010) de Matthew Vaughn com Aaron Johnson, Chloe Moretz, Mark Strong e Christopher Mintz-Plasse. ☻☻☻☻

CATÁLOGO: Presságio

Cage: poucos pontos numa década catastrófica.

Talvez por Nicholas Cage ter me decepcionado na última década eu deixei Presságio na minha geladeira mental. Colaborou para isso o fato do filme ser dirigido por Alex Proyas – que mesmo alcançando visual arrojado em seus filmes eu só gosto do primeiro, o longínquo “O Corvo” com Brandon Lee. Mas ainda bem que o cinema é uma caixinha de surpresas e encarei o filme nesse fim de semana e descobri que a obra tem seus méritos. A trama começa com uma menina na década de cinqüenta escrevendo uma sucessão de números para ser guardada numa cápsula do tempo na escola. A garotinha esquisita escuta vozes e só cinqüenta anos depois irão descobrir que a guria estava prevendo as maiores catástrofes dos últimos anos. Quem descobre essa estranha premonição é o personagem de Nicolas Cage - que se não surpreende pelo menos consegue manter a seriedade, mesmo quando a trama tem seus momentos mais estapafúrdios. Nada contra a idéia da menina sinistra prever o futuro, Proyas consegue até amparar o clima crescente de suspense, até quando descobrimos a filha crescida a então garotinha – a qual diz que a última data escrita coincide com o dia de sua morte. Para animar (!?) a garotada, o filme tem cenas espetaculares de desastres (a queda de um avião à beira da estrada em que Cage se encontra, o acidente no metrô em que ele está dentro... ou seja, se vê-lo saia correndo!) e que alimentam de forma assustadora a angústia de se prever o futuro e ser impotente diante dos fatos – inclusive pela descrença alheia. Claro que o filme não se aprofunda muito nisso, afinal o filme não trai sua origem de filme pipoca. O problema mesmo é meter alienígenas na trama na sua reta final, uma coisa forçada e que acaba ridicularizando a trama no momento em que deveria ser mais dolorosa. Tudo bem que quisessem salvar aquelas criancinhas, mas do jeito que o roteiro mostra beira o risível, afinal é coincidência demais – assim como o fato da casa de Cage parecer mal assombrada (tal e qual uma casa encontrada no meio da floresta da mulher visionária morta). No fim das contas o filme se salva da vala dos filmes que o ator tem feito nos últimos anos, não é brilhante, mas também não compromete.


Presságio (Knowing/EUA-2009) de Alex Proyas com Nicolas Cage e Gabrielle Rose. ☻☻