Afogado diáriw, a atriz Kirsten Stewart realizou uma estreia na direção bastante promissora com esta adaptação da biografia de Lidia Yuknavitch, aspirante à nadadora que se tornou escritora. Imogene Poots é responsável por viver a escritora e realiza um ótimo trabalho, especialmente se levarmos em conta as situações pesadas que o roteiro lhe reserva e o fato da montagem optar por um estilo quase aleatório no encadeamento das cenas (mas que não prejudica o desenvolvimento da personagem). No início considerei os cortes intensos bastante cansativos, mas meia hora depois, compreendi a intenção e a própria narrativa começa a fazer sentido enquanto um conjunto de memórias em que fatos presentes trazem à tona situações do passado e estabelece uma relação com situações futuras. É verdade que Lídia sofre um bocado, a infância marcada por situações abusivas vividas por ela e pela irmã (quando crescida é vivida por Thora Birch em uma tristeza contida que cai muito bem à personagem) reserva à Lidia um futuro de relações tumultuadas, álcool, drogas e um tantinho de gosto pela autodestruição. O fato é que no meio de tudo isso, ela começa a perceber na escrita uma forma de exorcizar tudo isso. Vale destacar que seu mentor no ofício de escritora é Ken Kesey (vivido por James Belushi), autor que em 1962 lançou Um Estranho no Ninho. O filme se revela uma montanha-russa de emoções e Kirsten demonstra bastante sensibilidade ao lidar com os vários momentos complicados na vida de sua protagonista. Embora não seja um filme para todos os gostos, gostei da forma como as coisas se encaixam perto do final e oferecem à Lidia a chance de organizar as emoções e a vida, deixando os traumas do passado em seu devido lugar.
A Cronologia da Água (The Chronology of Water / EUA - França - Letônia / 2025) de Kirsten Stewart com Imogene Poots, Thora Birch, Susannah Flood, Michael Epp, Charlie Carrick, Tom Sturridge, Earl Cave e Kim Gordon. ☻☻☻

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