domingo, 18 de março de 2012

CATÁLOGO: Parceiros da Noite


Pacino: sangue, suor e ambiguidades. 

Tem filmes que são curiosos, não sendo lembrados propriamente pela história e mais pela forma como funcionam como documento histórico de determinado período. Parceiros da Noite de William Friedkin (consagrado por O Exorcista/1973 e Operação França/1971) é um desses casos. Baseado em fatos reais, o filme se inspira na investigação policial para encontrar o assassino responsável pelo encontro de cadáveres e partes de corpos masculinos encontrados próximos ao rio Hudson em Nova York. A polícia passa a investigar os crimes e descobre que se trata de um serial killer que vitima homossexuais, com preferência pelos frequentadores dos bares do West Village. Descobre-se aos poucos que as vítimas tinham gosto mais exótico, sendo adeptos de práticas sadomasoquistas e parceiros variados encontrados nas redondezas. Diante dessas informações, o policial Steve Burns (Al Pacino) é escolhido para se infiltrar naquela comunidade, menos pelo seu prestígio e mais por sua semelhança com as vítimas - por sua vez, Burns vê na tarefa a chance de ingressar na divisão de detetives e abandonar a desprestigiada ronda pela cidade. Apesar de algumas ousadias (como o retrato da comunidade gay local como uma Sodoma e Gomorra contemporânea), enquanto thriller o filme é bem convencional (dos ataques com o rosto do assassino sempre disfarçado na sombra, a faca sempre reluzindo à luz, os espelhos em que o protagonista se vê e até a motivação do assassino que descobrimos no final), a graça mesmo fica por conta da atuação de Al Pacino, que mergulha nas ambiguidades sugeridas pelo seu personagem. Apesar de ter um relacionamento sério com Nancy (Karen Allen) fica evidente que existe uma mudança no comportamento de Steve ao frequentar aqueles espaços do Village. Isso fica mais evidente quando aluga um apartamento nas redondezas e conhece o vizinho Ted (boa atuação Don Scardino que mantém carreira sólida na TV americana), um dramaturgo homossexual que namora um dançarino que vive em turnê. Não demora para que ambos desenvolvam uma amizade sincera que contrasta com o enferninho S&M que Burns deve frequentar para garimpar suspeitos. Friedkin contratou consultores especializados no assunto para compor esses ambientes de iluminação sombria, música pesada, bigodes, peitos peludos, suor e sexualidade agressiva. Essa parte deve desagradar os mais sensíveis - e até hoje gera polêmica pela forma obscura como retrata a comunidade gay (mas que cai como uma luva como retrato de um período pré-AIDS e que facilitou sua propagação ainda conhecida como peste gay). Em determinada cena, Ted diz que se a polícia descobrir o assassino, provavelmente o contrataria para trabalhar para eles e essa tensão, presente no livro homônimo de Gerard Walker, reserva momentos que beiram o surreal na ação da polícia. Fica evidente a intolerância e o preconceito com que tratam um suspeito apenas por ele ser gay (tem uma parte estranha com um fortão de cueca que aparece só para lhe dar tapas na cara e outra pior ainda, onde os policiais o torturam psicologicamente atribuindo sua inocência ou culpa ao fato do testículo boiar na água ou não). Friedkin sempre foi adepto de revirar os nervos da plateia, mas aqui tudo soa exagerado enfraquecendo os pontos fortes do roteiro  - que não estão presentes nos crimes ou na estética, mas nas ambiguidades do personagem Steve Burns. Pacino constrói um personagem complexo que sente atração e repulsa pelo universo que o cerca, seja descobrindo o significado dos lenços coloridos ou flertes com outros homens. A verdade é que Burns torna-se cada vez mais escorregadio, o que remete a uma fala com a namorada antes que comece sua investigação ("Há muitas coisas sobre mim que você não sabe"), a cena em que é amarrado numa cama por um suspeito (e reclama quando a polícia vem resgatá-lo), a enigmática cena em que atende ao convite de um homem rumo à escuridão do Central Park ou a crise de ciúme com o namorado de Ted. São cenas assim que fazem o caminho para o desfecho perturbador quando achamos que tudo está resolvido e existe a suspeita de que Burns se contaminou com a loucura do assassino em matar para abafar um desejo proibido. Apesar das cenas feitas para chocar e os clichês desengonçados, é essa interpretação multifacetada que fica na cabeça quando o filme termina - ainda bem que o papel não ficou com Richard Gere! Para os fãs do seriado Modern Family fiquem atentos ao pequeno papel de Ed O'Neill (o patriarca da família) como um policial. 

Parceiros da Noite (Cruising/EUA-1980) de William Friedkin com Al Pacino, Paul Sorvino, Karen Allen, Don Scardino e Richard Cox. ☻☻

sexta-feira, 16 de março de 2012

CATÁLOGO: O Casamento de Muriel

Grifiths e Collette: momento ABBA.

Lembro da primeira vez que vi O Casamento de Muriel do australiano PJ Hogan, lembro que ao fim da sessão eu fiquei num estado de alegria que se repetiu em todas as vezes que assisiti o filme (vale ressaltar que  é um dos que mais revi em minha vida cinéfila, o que, pelos meus cálculos, já deve estar perto de uma dezena de vezes). Acho que um dos maiores méritos do filme é não ter aquela cara das típicas comédias americanas bonitinhas, onde todo mundo é belo e bom numa artificialidade irritante. Apesar de ser uma comédia com um visual que abraça a cafonice sem complexos o filme tem um bocado de melancolia ao acompanhar as desventuras da gordinha Muriel Heslop (a estupenda Toni Collette). O sonho dela é se casar e provar para todos que a cercam que ela não é inútil como pensam - especialmente os pais, sempre eles -  mas as coisas não são muito fáceis. Logo no início do filme, Muriel passa vergonha numa festa de casamento ao ser acusada de furto. O casamento em questão é de uma de suas "amigas" enjoadas que se divertem pegando no pé da jovem que é fã do Abba e que parece ter se acostumado a ser ridicularizada por todo mundo. Naquela época nem se falava de bullying, mas Muriel é uma típica vítima dessa perseguição sistemática que alguns pseudoamigos teimam em fazer para verem alguma (des)graça na vida. Muriel é filha de um político local e seus irmãos não são muito ajustados. Esse núcleo familiar é mostrado de forma disfuncional com um pai rígido (Bill Hunter) e uma mãe submissa (Jeanie Drynan). Parece que todo o filme foi construído para mostrar que naquele ambiente sufocante, Muriel jamais poderia ser feliz - e o fato de suas "amigas" declararem que não querem mais andar com ela ajuda mais ainda nisso. Eis que surge a chance de mudar de vida e numa viagem ela reencontra uma antiga colega de escola, a luminosa Rhonda (a ótima Rachel Grifiths). Ao lado de Rhonda, Muriel terá o incentivo que precisa para mudar de vida, ir para Sidney, trabalhar, perder peso e encontrar o casamento de seus sonhos. Tudo poderia cair no lugar comum se o diretor Hogan sempre deixasse as situações com desfechos surpresa que nunca saem do ritmo com a ajuda de suas talentosas atrizes. A protagonista do filme acaba se envolvendo numa rede de mentiras que possuem efeitos cômicos (como dizer para Rhonda que está fugindo do noivo policial que era muito ciumento) ou dramáticos (o fato de experimentar vestidos de noiva contando histórias tristes para ser fotografada com os vestidos), após alguns acontecimentos ela acaba num casamento que não é o sonhado por ela, mas que consegue despertar nos outros a impressão que de tornou-se uma mulher de sucesso. O mais legal do filme é que o casório em si está em segundo plano, fazendo com que Muriel perceba que mais importante do que ter um esposo é casar-se primeiro consigo mesma. É impressionante como Hogan nunca deixa as coisas passarem do tom (ainda que o filme tenha cores vibrantes e que Hogan repetiu de forma mais branda no sucesso de O Casamento do Meu Melhor Amigo/1997 e no recente Delírios de Consumo de Becky Bloom/2009). O cineasta evita o melodrama, não há vulgaridade mesmo nas cenas mais picantes e sempre mantém o foco na trajetória errônea de Muriel que é defendida com unhas e dentes por Toni.  O filme revelou Toni Collette para o mundo e desde então ela tem enfileirado filme após filme em Hollywood, tendo sido indicada ao Oscar pelo papel da mãe dedicada de O Sexto Sentido (1999) e multipremiada pelo seriado United States of Tara (2009-2010) - neste ano ela repete a parceria com o diretor na dramédia Mental. Mesmo estando fora dos padrões de beleza ela consegue criar uma personagem irresistivelmente humana e até sensual, isso sem contar que a trilha sonora de sua vida é feita de puro Abba. Dizem que o grupo ficou com o pé atrás quando foi solicitado o uso de suas canções - com medo de serem ridicularizadas, mas o resultado é uma homenagem ao repertório açucarado do grupo (o número de Rhonda e Muriel cantando Waterloo é arrepiante, o casamento com I do, I do, I do, Ido é genial e Muriel falando que sua vida é está tão boa quanto Dancing Queen é inacreditavelmente comovente). Diferente do boboca Mamma Mia! (2008), O Casamento de Muriel sabe usar o apelo pop de sua trilha para enfatizar a transformação pela qual passa sua personagem, um patinho feio que pode não virar um cisne, mas que descobre que o fundamental é gostar de si mesma. 

O Casamento de Muriel (Muriel's Wedding/Austrália - 1994) de PJ Hogan com Toni Collette, Rachel Grifiths, Bill Hunter, Daniel Lapayne e Matt Day. ☻☻☻☻

quarta-feira, 14 de março de 2012

DVD: A Hora do Espanto


Yelchin e Farrell: o bem e o mal no subúrbio de Las Vegas. 

Eu era só um moleque quando vi A Hora do Espanto (1985) com minha irmã mais velha. Ela adorava aquele filme (e filmes de horror em geral) e eu o achava mais divertido do que qualquer outra coisa. Obviamente que a refilmagem capitaneada por Craig Gillespie (que tem como obra-prima A Garota Ideal/2007) tinha um enorme desafio de atualizar a trama do rapaz que descobre que seu vizinho é um vampiro que está atacando a vizinhança. Eu não lembro muito do original estrelado por Chris Sarandon, mas posso dizer que a refilmagem me despertou sensações muito parecidas. Pra começar mantém aquele equilíbrio entre humor e terror que inspirou a série Pânico de Wes Craven  e conta com um elenco mais eficiente do que esse tipo de filme costuma contar. Charley (Anton Yelchin) é o rapaz que tenta ocultar seu passado nerd evitando as companhias de quando era mais jovem, assim ele consegue conquistar o coração de uma cobiçada garota da escola. Sua vida parece estar entrando nos eixos quando o amigo Ed (o ótimo Christopher Mintz Plasse, que é a cara do meu primo Vinícius!) revela desconfiar que o novo vizinho de Charley é um vampiro responsável pelo desaparecimento de alguns amigos da escola.  Claro que ninguém iria acreditar numa sandice dessas. Quando o póprio Ed desaparece, Charley começa a cogitar que as desconfianças do amigo poderiam estar certas. O problema é que o vizinho, Jerry (Colin Farrell) faz o tipo conquistador e deixa até a mãe de Charley (Toni Collette, em mais um papel maternal para sua coleção) atraída por ele.  Descareditado por todos, o jovem rapaz vai tentar encontrar formas de se livrar do garanhão de caninos afiados. Gillespie consegue gerar bons momentos de suspense e ainda perde tempo com os clichês contemporâneos (vídeos da internet, sms...) para atualizar sucessos do passado, mas isso é menos relevante do que a tensão que consegue exalar sempre que Farrell está na tela. O irlandês Farrell está longe de ser um dos meus atores favoritos, mas devo admitir que ele se sai muito bem quando não tenta ser levado a sério como ator, são nesses momentos que consegue ser espontâneo e crível em suas atuações. Pode parecer que na pele de Jerry ele não faz muito mais do que pose e olhares 43, mas é só disso que um autêntico vampiro precisa para a mulherada se render aos seus caninos. Posso dizer que faz tempo que o ator não está tão a vontade num longa metragem. Preocupado em tirar os vampiros da vala em que a saga Crepúsculo os condenou ao ridículo ao trocar a sexualidade desses personagens por pele brilhosa, a refilmagem de A Hora do Espanto consegue um bom resultado, estiloso, coeso e de narrativa fluente. Existem momentos que o filme perde o ritmo - o curioso é que esses momentos acontecem geralmente quando insere o personagem Peter Vincent (David Tennant) na narrativa. Na pele de um caçador de vampiros charlatão que acaba tendo mais razão do que imaginamos, a tensão parece ficar sempre no meio do caminho quando ele aparece. Sem maiores pretensões, o filme é uma boa diversão para quem gosta dos filmes do gênero, poderia ser uns dez minutos mais curto (bastava não esticar demais o final), mas ainda assim consegue um resultado eficiente com algumas cenas mirabolantes e um elenco dedicado. 

A Hora do Espanto (Fright Night/EUA-2011) de Craig Gillespie com Anton Yelchin, Colin Farrell, Toni Collette, Christopher Mintz-Plasse e Imogen Potts. ☻☻☻

DVD: A Casa dos Sonhos

A Família em sua casa dos sonhos: Trotes mal resolvidos em casa mal assombrada. 

Já viram uma criança fazendo um desenho sobre o  papel com o maior cuidado, aos poucos a figura ganha forma, definição, o traço se torna firme e quando você pensa que ela vai concluir sua obra ela começa a rabiscar tudo da forma mais aleatória possível, destruindo tudo que havia realizado? É essa a impressão que tive ao assistir este longa dirigido por Jim Sheridan e estrelado por um trio de encher os olhos: Rachel Weisz, Naomi Watts e Daniel Craig. O filme começa cheio de clima, com um homem que resolve se mudar com a família para a casa que sempre quis, lá planeja concluir o livro que tenta escrever mas as coisas não saem conforme o planejado. Sei que esse início já é um enorme clichê já que serviu de premissa para clássicos como O Iluminado (1980) de Stanley Kubrick e outras obras não tão cuidadosas como A Janela Secreta (2004) estrelado por Johny Depp. O filme não pretende mergulhar no processo criativo do personagem, apenas revelar aos poucos os segredos daquela casa. Pena que os segredos não são tão segredos assim. Mal o personagem de Daniel Craig descobre que um homem aparentemente enlouqueceu naquela casa e assassinou a esposa e as filhas, a abordagem pouco sutil de Sheridan já mostra logo o rumo que as coisas vão tomar. Da cara que os vizinhos fazem ao ver Daniel Craig à revelação que acontece na metade da projeção, a impressão é que não houve suspense nenhum até ali. Mas quando você pensa que o roteiro terá uma guinada e tudo se tornará mais interessante numa abordagem inusitada de casa mal assombrada (que lembra muito o do infinitamente melhor resolvido Os Outros/2000 de Alejandro Amenábar), o filme começa a despencar em suas já poucas qualidades. Tudo perde a intensidade e resulta num monte de reviravoltas sem graça e que não sabe aproveitar as ideias que vão surgindo pelo meio do caminho. Tem coisa mais mal resolvida do que a vizinha vivida por Naomi Watts? Nunca fica muito claro o seu papel na trama e quando descobrimos a relação que ela tem com toda aquela tragédia a coisa fica cada vez mais ridícula. Pior que isso foi aguentar a cara de morta viva de Weisz quando o filme chega ao seu último ato. Tenho a impressão que o trio de bons atores foram seduzidos pela assinatura de Sheridan que nos últimos anos tem perdido a mão vergonhosamente. Se muitos torceram o nariz para o seu remake de Entre Irmãos (2009) depois do já preocupante filme do 50 Cent (Fique Rico ou Morra Tentando/2005) a coisa alcança um outro patamar  de ruindade em sua carreira depois desse desastre. Nem parece que Sheridan assinou filmes clássicos com Daniel Day Lewis como Meu Pé Esquerdo (1989) e Em nome do Pai (1993), isso sem falar no pessoal Terra dos Sonhos (2002) seu último momento respeitável como cineasta. Curioso é que a estrutura dos personagens de A Casa dos Sonhos lembra muito este singelo filme que concorreu ao Oscar de roteiro original em 2003, afinal trata-se de um casal com duas filhas pequenas às voltas com uma nova perspectiva de vida ao lidarem com morte, mas o resultado é totalmente desengonçado. Pelo menos o filme serviu para Rachel Weisz engatar um romance com Daniel Craig (coitado de Darren Aronofsky que perdeu sua musa nessa história toda, ele deve ser o que mais odiou esse filme). O filme foi um fracasso nos cinemas - o que não surpreendeu ninguém. 

A Casa dos Sonhos (Dream House/EUA-2011) de Jim Sheridan com Daniel Craig, Naomi Watts e Rachel Weisz.  ☻

LADIES & GENTLEMEN: Hugh Jackman

Nascido em 12 de outubro de 1968 na cidade de  Sidney, o australiano Hugh Michael Jackman é graduado em comunicação social com ênfase em jornalismo pela Universidade Tecnológica de Sidney, mas não satisfeito, ainda cursou sua graduação em arte dramática na Western Australia of Performing Arts. Os primeiros trabalhos surgiram na TV com destaque para a série da ABC Correlli no ano de 1995. Os trabalhos em séries de TV sem grande sucesso permaneceu até o ano de 1999, quando começou sua carreira cinematográfica. Neste ano participou da comédia romântica Paperback Hero e do drama Erskineville Kings - que lhe rendeu uma indicação ao prêmio de melhor ator da Academia Australiana de Cinema. No ano seguinte o ator foi escolhido para viver o herói dos quadrinhos Wolverine em X-Men - O Filme, dirigido pelo engenhoso Brian Singer. Os produtores queriam Russel Crowe para o papel, mas por problemas de agenda a vaga ficou aberta para o desconhecido ator australiano. Sucesso de público e crítica, Jackman foi considerado uma das maiores revelações do ano ao encarnar o mutante com garras de adamantium conforme mandava o figurino, mas Hollywood estava sedenta de novos galãs e escalaram o rapaz para duas comédias românticas no ano seguinte. Uma delas era a insossa Alguém como Você (2001), onde era o amigo cafajeste de Ashley Judd que acaba disputando o coração dela com um cara mais certinho.  A outra era Kate & Leopold (2001), onde a atuação de Jackman como um nobre do passado compensava aturar uma das piores atuações de Meg Ryan. Pela atuação, Jackman foi indicado ao Globo de Ouro de Melhor ator de comédia/musical. Ele ainda comprovou que tinha apelo perante o público masculino e feminino ao transformar o thriller tecnológico A Senha (2001) num sucesso de bilheteria. Jackman voltou a encarnar Wolverine em 2003, na sequência X-Men2. O filme foi mais sucesso que o anterior e seu personagem ganhou mais destaque com a promessa de uma aventura solo. Em 2004 ele poderia até ter se tornado protagonista de outra franquia de sucesso se o diretor Stephen Summers houvesse levado a sério o seu ofício e transformado Van Helsing em um filme decente! Apesar do empenho de Jackman como o clássico caçador de vampiros, o filme decepcionou nas bilheterias e, ao lado de seu agente, o australiano colocou sua carreira sob nova perspectiva. Nesse processo ajudou muito seu sucesso no musical The Boy From Oz onde interpretou o coreógrafo Peter Allen - papel que lhe rendeu o Tony de melhor ator. Com o reconhecimento da crítica topou ser o vilão charmoso de Scoop (2006), comédia pouco badalada de Woody Allen. No mesmo ano, Jackman emprestou sua voz para  as animações Por Água Abaixo (2006) onde vivia um rato bem cuidado e Happy Feet, onde interpretava o pai do pingüim sapateador. Ainda em 2006 esteve no sucesso de Christopher Nolan, O Grande Truque, -onde vivia um complexo jogo de disputa com o mágico vivido por Christian Bale. A parceria com Nolan quase lhe rendeu o papel de Harvey Dent para o aclamado "Cavaleiro das Trevas", mas acabou perdendo o papel por ser a cara de Wolverine. O papel mais corajoso de Hugh foi em Fonte da Vida (2006), o projeto mais pessoal e criticado de Daren Aronofsky. No papel de Thomas Creo, Jackman mostra todos os seus recursos dramáticos em três personagens distintos. Apesar da atuação avassaladora, o ator acabou ficando de fora das premiações devido ao fracasso comercial do longa. Apesar dos tropeços, Jackman provou seu poder ao ter a palavra final sobre a produção de X-Men: Confronto Final, que mesmo sem a direção de Brian Singer foi o maior sucesso da saga mutante. Dois anos depois o astro produziu A Lista, um suspense extremamente sexual mas que infelizmente se perde no meio do caminho. Depois, Jackman ainda teve que aguentar as críticas negativas ao megalomaníaco Austrália (2008) de Baz Luhrman. Ao lado de Nicole Kidman teve de ver o maior épico de sua terra natal ser espinafrado pela crítica. Apesar de ser mais leve do que deveria, o filme de Luhrman reserva bons momentos para seu esforçado elenco, o que torna o massacre numa injustiça.  Em meio às críticas ao longa, o ator foi convidado para apresentar o Oscar/2009 e executou a tarefa com grande desenvoltura. Há quem diga que o ator tinha esperanças de sua performance na apresentação da Academia concretizasse seu desejo de filmar a versão cinematográfica de The Boy From Oz, mas a ideia não decolou. Pelo menos em 2009 o desejo da aventura solo de Wolverine se tornou realidade, ainda que X-Men Origens: Wolverine (2009) não tenha um terço do apelo dos filmes da série de Bryan Singer. Depois de alguns papéis no teatro, o ator voltou às telas no ano passado com as pequenas participações em X-Men: Primeira Classe (2011) que retoma os primórdios dos alunos de Charlie Xavier e  Flor da Neve e o Leque Secreto, fantasia de Wayne Wang. Seu sucesso de 2011 foi Gigantes de Aço de Shawn Levy onde interpreta um pai relapso que reencontra os encantos da paternidade com ajuda de um robô lutador de boxe. O filme comprovou o poder de fogo do astro nas bilheterias. Recentemente estreou nos EUA Butter, uma comédia estrelada por ele e Jennifer Garner que deve chegar aqui em breve, mas este é só o início de um ano em que o ator ainda deve aparecer no elenco estelar da comédia Movie 43 ao lado de Kate Winslet, Emma Stone, Gerard Butler e Chloë Moretz, além de emprestar a voz para a animação Rise of the Guardians e  aparecer nas bolsas de aposta para o Oscar2013 no papel de Jean Valjean na adaptação musical de Tom Hooper (O Discurso do Rei/2010) para o clássico de Victor Hugo: Os Miseráveis. O cara ainda encontra tempo de dar forma à nova aventura de Wolverine nas telonas - a ser capitaneada por James Mangold depois que o mano Aronofsky desisitiu do projeto (isso sem falar nas esperanças de Boy from Oz).

Jackman em Fonte da Vida: Uma das maiores injustiças do Oscar de ator. 

sábado, 10 de março de 2012

DVD: Gigantes de Aço


Filho e pai: mais um drama familiar resolvido no ringue. 

Sucesso surpresa do último verão americano, Gigantes de Aço chegou recentemente às locadoras e muita gente vai querer me apedrejar ao terminar de ler esse comentário, mas achei o filme simpático e só. O filme se passa num futuro próximo onde as lutas com seres humanos saiu de moda na busca de uma violência cada vez mais extrema. Sendo assim, os lutadores de carne e osso foram substituídos por robôs desenvolvidos especialmente para o ringue e que podem ser destruídos impiedosamente. Essa parte me lembra um bocado a famigerada Feira da Carne que vimos em Inteligência Artificial (2001) de Steven Spielberg, mas as semelhanças param por aí. O filme de Sawn Levy não pretende ser muito original, se ocupa em criar um draminha familiar para sustentar as pancadarias entre os robôs e assim satisfaz uma plateia que quer apenas se divertir. Hugh Jackman empresta sua credibilidade junto ao público para viver Charlie, um ex-lutador de boxe que aparece em alguns rodeios para ver seu robô ser atacado por touros (essa deve ser a inspiração para a inusitada trilha country do filme e o sotaque texano do australiano Jackman não decepciona), quando seu ganha pão é destruído ele descobre que sua ex-namorada morreu e que ele tem precisa brigar na justiça para não ficar com o filho gerado nesse relacionamento.  Foi isso mesmo que você leu, ele não quer ficar com o filho e não sente vergonha de vendê-lo por 75 mil dólares para poder comprar outro robô lutador. Todas as coisas que você já viu em mais de um milhão de filmes sobre esse reencontro de pai e filho irão se repetir aqui, a diferença é que a ponte da relação entre os dois será um robô encontrado num ferro velho. Depois de umas gracinhas aqui e outras ali, a lata velha vai demonstrar mais resistência do que o esperado e um grande potencial para os ringues. O engraçado é que o filho de Charlie que percebe o potencial do robô para a lutas, enquanto Charlie só pensa em ganhar dinheiro da forma mais fácil: vendendo. Levy faz um filme diretamente voltado para o público infantil, mas com efeitos especiais e pancadaria para encantar os adultos. Devo admitir que o menino Dakota Goyo (que faz o filho de Charlie) é bastante carismático, talvez por isso o diretor tenha sentido pena de dizer para ele que em alguns momentos estava mais exagerando do que interpretando, mas tudo bem, ele é só uma criança. Eu gostei mesmo foi de ver Evangeline Lilly da série Lost como um par romântico em potencial de Jackman, mas ela seu papel é só um enfeite. Dificilmente o filme teria alcançado sucesso sem um astro da envergadura de Hugh Jackman, mas sua atuação aqui me lembra muito os momentos em que padeceu ao lado de Ashley Judd naquela comédia romântica fracota Alguém como Você (2001) em que beirava a canastrice.  Entre pancadas e dramas da relação pai e filho tudo caminha para se resolver na luta final (que extrapola o número de closes em personagens sorrindo) com direito até à torcida da tia dondoca vivida por Hope Davis. Gerado para ser um sub-Transformers, esta fábula futurista consegue ter sua identidade própria, ainda que seja formada por pedaços de outros filmes. 

Gigantes de Aço (Real Steel/EUA-2011) de Shawn Levy com Hugh Jackman, Dakota Goyo, Evangeline Lilly e Hope Davis. ☻☻

DVD: Incertezas

Lynn e Joseph: o universo regido por uma moeda. 

Apesar de admirar vários filmes independentes, devo admitir que existem cacoetes nos diretores deste segmento que me irritam um bocado. Um exemplo disso aparece em Incertezas, romance que pretende ser algo mais estrelado pelo talento de Joseph Gordon Levitt e a ainda pouco conhecida Lynn Collins. O filme da dupla Scott McGehee e David Siegel parte de uma premissa interessante (e já usada outras vezes), mas se perde no meio do caminho. Os dois resolveram contar duas histórias relacionadas à vida de um jovem casal,  Kate (Collins) e Bobby (Levitt) começam o filme sobre a ponte do Brooklyn e atiram uma moeda para decidir o rumo de suas vidas logo no início da sessão, a partir daí a trama se bifurca em duas histórias independentes onde uma investe na preparação de um típico almoço em família e a outra se dedica a mostrar os dois correndo perigo após acharem um celular perdido no banco traseiro de um táxi. Levando em consideração que dois diretores assinam a produção e que as duas histórias entrelaçadas não guardam semelhanças entre si, não fica difícil perceber que cada cineasta resolveu fazer seu filme por conta própria e depois só precisaram de um editor para costurar as ideias de ambos. O problemas maior é que as duas tramas não conseguem se encaixar durante a projeção, já que uma é mais interessante que a outra de forma que uma delas serve apenas para irritar quando tentamos saber a conclusão da outra. Na história do almoço em família, conhecemos a família de Kate, a sua mãe que desaprova a relação com Bobby, ela ainda não vê com bons olhos a filha ter optado pela carreira de atriz e ter servido de inspiração para a irmã caçula. Nessa parte Kate e Bobby acham um cachorro na rua e resolvem procurar pelo dono deles e vivem o dilema de lidar com uma gravidez indesejada - ah, o casal ainda tem problemas com o gosto alimentar de um e do outro. Ou seja, é o típico filme indie que tenta explorar os pequenos dramas de seus personagens, só que este fica apenas na superfície conseguindo apenas entediar. A outra história investe menos no romance realista e se dedica a uma trama de suspense envolvendo um telefone procurado por pessoas misteriosas que o querem de todo jeito. O casal é perseguido e busca soluções para a confusão que se meteram. Apesar de prender a atenção no início, a narrativa desta parte perde força a cada vez que uma inserção da outra história é feita. O que poderia funcionar como o contraste entre duas tensões (ser perseguido por alguém que você não conhece ou pela... mãe/sogra?) resulta em um exercício narrativo pretensioso e sem muito cuidado na escrita (já que as soluções para o suspense são cada vez mais estapafúrdias). Ainda assim, eu consegui ver o filme até o final para ver onde tudo iria dar. Me arrependi. Terminar o filme na mesma ponte do início só faz parecer que o filme rodou em círculos para chegar a lugar algum. Quanto aos atores, já comentei vários filmes de Joseph no blog e posso declarar que sou fã do rapaz, mas o material que tem em mãos neste aqui não lhe proporciona muitas saídas, mas, ainda assim, sua atuação é melhor que a de Lynn Collins (conhecida como Silverfox, a namorada do mutante Wolverine em sua aventura solo) que se sai mal num personagem unidimensional. Em várias cenas ela parece estar mais preocupada em ser sexy do que proporcionar alguma coerência à sua personagem. Se algo merece destaque na produção é o figurino, que consegue trabalhar a personalidade de seus personagens melhor do que o encadeamento da trama e nos faz notar qual parte da trama estamos assistindo sem truques mais elaborados.

Incertezas (Uncertanty/EUA-2010) de Scott McGehee e David Siegel, com Joseph Gordon Levitt, Lynn Collins e Manoel Felciano. ☻

terça-feira, 6 de março de 2012

DVD: Paul: O Alien Fugitivo

Paul e seus amigos: referências nerds batidas no liquidificador Frost/Pegg

A dupla Simon Pegg e Nick Frost já estão célebres por fazer chacota de gêneros blockbusters do cinema americano. Se Todo Mundo Quase Morto (2004) os revelou para o mundo com sua brincadeira com os filmes de zumbis, Chumbo Grosso (2007) fez o mesmo favor aos filmes policiais regados de violência.   Em Paul: O Alien Fugittivo brinca com a ficção científica e, como nos filmes anteriores, faz isso de forma espertamente divertida, mesmo assim o longa chega por aqui direto em DVD após sucesso modesto na terra do Tio Sam. Paul ainda tem um diferencial: foi rodado nos EUA enquanto os outros foram rodados no Reino Unido, isso pode até parecer pouca coisa, mas ajuda a abarcar uma série de referências que faltam na terra de origem dos caras, coisas básicas como Área 51, Homens de Preto e Comic Con são alguns aspectos mitológicos do gênero que dão ainda mais graça para o filme. Graeme (Pegg) e Clive (Frost) são dois amigos nerds britânicos que resolvem ir para a Comic Con nos EUA e ainda garantir um tour por locais antológicos para os admiradores de ETs, OVNIs e coisas do gênero. Após encontrar ídolos, tirar fotografias, pechinchar preços de objetos (que fariam a glória do pessoal do Big Bang Theory) e visitar um restaurante temático gerenciado pela sempre ótima Jane Lynch (do seriado Glee), a dupla acaba encontrando um alienígena no meio do deserto. Trata-se de Paul (voz de Seth Rogen em sua melhor atuação), um homenzinho verde simpático e que está disposto a voltar para o seu planeta depois de anos servindo de fonte de pesquisas e consultor para filmes e programas de televisão (e o roteiro sabe aproveitar bem essa ideia ao mencionar que Paul foi o criador do agente Fox Mulder do seriado Arquivo X, que foi ele que construiu o personagem de ET ao lado de Steven Spielberg, além de sua figura ter inspirado inúmeros produtos ao longo do tempo). Como não basta essa simplicidade para construir a narrativa, Paul é perseguido por um agente misterioso (Jason Bateman, que parece ser o ator preferido para encarar qualquer comédia dem Hollywood - geralmente fazendo sempre a mesma coisa) e dois policiais paspalhos. Enquanto foge com os dois amigos, Paul precisa conquistar a confiança de Clive - que o considera muito clichê - e reencontrar uma garotinha que o resgatou do disco voador (depois que este caiu em cima do cachorro dela). Como se todos esses pontos não bastassem, Graeme, Clive e Paul irão contar com a companhia de uma mulher caolha (Kristen Wiig), que irá... digamos, ter uma nova visão de mundo depois do encontro com o alienígena.  Apesar de ser o mais bobinho  dos longas estrelado pela dupla Pegg e Frost, o filme tem bons momentos (como a cena de Paul na loja de gibis e as brincadeiras em torno de seus poderes - como ter que prender a respiração para ficar invisível e o dom da cura), fazendo rir até em momentos bem simples (a cena do policial gritando enquanto uma casa explode é hilariante). Apesar de alguns exageros, Paul é um típico filme da sessão da tarde que nem fazem mais, só que com o diferencial de estar atento a referências que podem escapar de um nerd menos atento (como por exemplo a personagem de Sigourney Weaver em participação especial que é puro deboche com sua icônica Tenente Ripley). Com ritmo ágil e atores carismáticos o filme é uma boa diversão. 

Paul - O Alien Fugitivo (Paul/ EUA - Reino Unido/ 2011) de Greg Mottola com Simon Pegg, Nick Frost, Kristen Wiig, Jason Bateman e Sigourney Weaver. ☻☻☻ 

segunda-feira, 5 de março de 2012

DVD: Quero Matar meu Chefe


O ogro Farell e Sudeikis: perdendo piadas pelo meio do caminho.

O cinema americano investe cada vez mais em comédias repletas de baixaria. Eu não veria problema nisso que premissas interessantes não ficassem cada vez mais cansativas ao investir cada vez mais pesado no baixo nível. Não se trata de parecer moralista ou mal humorado, o fato é que a maioria das comédias estão cada vez mais parecidas e esticando sua piada ao infinito até descambar num final morno. Esse é o caso de Quero Matar meu Chefe, o filme fez sucesso e diante de seu começo é fácil entender o motivo. Afinal, meio mundo deve se identificar com os três amigos que possuem problemas sérios com seus patrões. No início Nick Hendricks (Jason Bateman) percebe que seu patrão (Kevin Spacey) é mais do que sádico, é meio psicótico mesmo! Se levarmos em conta que seu passatempo favorito é sabotar o funcionário a coisa fica ainda mais assustadora. Diante dessa relação entre os dois podemos até estranhar que Dale (Charlie Day) esteja reclamando de sua chefe. Ela é uma dentista sexy (Jennifer Aniston) e com uma queda por perversões, além disso assedia o seu funcionário com comentários picantes de sua anatomia e percebe que o noivado dele é uma espécie de contagem regressiva para ter um pouco de sexo selvagem. Ele é fiel, ela é tarada e para piorar ele ainda responde um processo por fazer xixi perto de um parquinho à noite - e acabou sendo confundido com um pedófilo. Quem não tinha problemas com o patrão era Kurt (Jason Sudeikis), "era" porque o chefe que todo mundo pediu a Deus morre e deixa um filho viciado e esquisito no comando da empresa (Colin Farrell). Não vai demorar muito para que o trio (que lembra muito as características dos amigos de Se Beber Não Case/2009) comece a cogitar eliminar seus algozes. É justamente neste momento que o filme deveria ficar mais divertido, mas perde pontos por apelar cada vez mais para o lugar comum. Eles acabam contratando uma espécie de consultor de assassinato (Jamie Foxx) que lhes sugere que um mate o patrão do outro (uma ideia já usada em filmes que o roteiro cita sem cerimônia), mas por mais que o texto tente, ele não consegue sair do óbvio. Desperdiça até a chance de explorar a forma como o destino dos patrões se embaralha com os outros personagens, no que poderia ser o aspecto mais bacana da sessão. Muitos caminhos divertidos se perdem durante a sessão, o affair da dentista com o conquistador Kurt (que o roteiro até sugere ser gay), o crime cometido por um dos patrões motivado pelo ciúme da bela esposa (a desperdiçada Julie Bowen da série Modern Family). Quero Matar Meu Chefe parece ser um filme de uma piada só que não percebe que desperdiça outras muito melhores pelo meio da sessão. Até o final apressado restam algumas risadas e a originalidade fica por conta de Jennifer Aniston num tipo bem diferente das garotas comportadas de seu currículo. Na pele da dentista pervertida Julia Harris, Aniston prova que sabe fazer outros papéis que não sejam variações de sua célebre Rachel da série Friends. Curiosamente a parte mais famosa do elenco é a que menos aparece. Destaco ainda a bisonha caracterização de Colin Farrell na pele de um dos sujeitos mais esquisitos que já apareceu num filme (fique atento à barriga protética mal feita que ele, ela parece até que é verde). Houve quem comparesse o filme com Como Eliminar seu Chefe (1980) estrelado por Jane Fonda, Lily Tomlin e Dolly Parton, mas francamente, apesar de lançado há mais de vinte anos, o filme das garotas é muito mais esperto.

Quero Matar Meu Chefe (Horrible Bosses/EUA-2011) de Seth Gordon com Jason Bateman, Charlie Day, Jason Sudeikis, Jennifer Aniston, Kevin Spacey, Colin Farrell, Julie Bowen e Donald Sutherland. ☻☻