sábado, 11 de agosto de 2012

DVD: Cenas do Subúrbio


Adolescentes: personagens do álbum do Arcade Fire.

O álbum The Suburbs da banda canadense Arcade Fire está entre os meus cinco favoritos de todos os tempos. Nele o Arcade Fire volta a abordar em suas composições os cotidianos de pessoas comuns que vivem fora dos grandes centros urbanos (essa experiência dos membros da banda já aparecia no primeiro CD, Funeral - onde várias canções respondiam pela apresentação enumerada de "Neighboorhood"). O diretor Spike Jonze também deve ter The Suburbs num lugar especial em sua lista de favoritos, afinal,  resolveu criar um filme a partir das faixas do álbum. Famoso por criar filmes complicadamente geniais como Quero Ser John Malkovich (1999) e Adaptação (2002), Jonze pensou num filme de narrativa simples num formato de curta metragem. Vendo o filme fica a impressão de que o diretor poderia ter feito tranquilamente seu quarto longa para o cinema, já que existem complexidades no roteiro que acabam ficando pela metade, sem explicação. O filme retrata um grupo de amigos que vivem num subúrbio não descrito no tempo ou no espaço, no início Jonze se concentra nos passeios de bicicleta, nas conversas triviais sobre namoros e especialmente na relação entre dois amigos Terrance (Justin Arnold) e o narrador vivido por Sam Dillon. Curiosamente o filme não apresenta nenhum responsável pelos adolescentes que aparecem no filme. Os adultos não pertencem ao universo dos personagens, mas quando aparecem... um dos adultos é o irmão mais velho de Terrance, que aparece como uma ameaça para o grupo ("é como se ele houvesse deixado de ser humano" diz um personagem). Os outros adultos que aparecem estão por conta da intervenção militar que atrapalha a vida pacata dos amigos.  A presença, sem explicação, de militares no bairro faz crescer a tensão nas ruas e a situação no círculo de amigos também se complica quando Terrance se torna cada vez mais estranho pela influência do irmão. Ao invés de contar uma história com início, meio e fim, Jonze opta por criar pequenos trechos utilizando algumas músicas do álbum. Estão lá (a obrigatória) The Suburbs, Wasted Hours, Half Light I e até a agitada Month of May para animar uma festinha. Se antes a violência aparecia como brincadeira, ela se torna mais explícita e o diretor prefere retratá-la através de flashes curtos. A justificativa para isso está logo no início, quando o personagem que narra a trama diz que se lembra de algumas coisas e de outras não, no entanto, fica a sensação de que Jonze teve ideias suficientes para criar um filme de duração mais extensa, mas por algum motivo contentou-se com um curta-metragem. O filme concorreu no Festival de Berlim de 2011 e recebeu muitos elogios pela forma sentimental com que Jonze conduz a trama. O  mais interessante é que em suas obras anteriores o diretor pareceu se concentrar e enxergar seus personagens por dentro (e isso inclui até o recente "Onde Vivem os Monstros"/2009) e aqui a trama se concentra em alguém que observa um amigo que se distancia cada vez mais - levando o espectador a especular sobre o que está acontecendo. Em seus vinte e oito minutos de duração, Cenas do Subúrbio tem momentos em que deixa claro que poderia ser tão bom quanto o álbum em que se inspira, mas como é conciso demais, fica parecendo apenas um aperitivo quando se encerra com a triste melodia de Sprawl (Flatland). Só para lembrar, foi desta obra que o Arcade Fire aproveitou as cenas que aparecem no clipe The Suburbs, espécie de trailer do filme e que foi disponibilizado como bônus em uma edição especial do CD. 

Cenas do Subúrbio (Scenes from the suburbs/EUA-2011) de Spike Jonze com Sam Dillon, Justin Arnold, John Arkinson e Will Butler.☻☻☻

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

CATÁLOGO: O Reencontro

A patota: humor para sobreviver ao suicídio de um amigo. 

Recentemente este filme de Lawrence Kasdan recebeu uma nova versão em DVD e Blu-Ray fazendo com que fosse revisto por muita gente - que gostou de constatar que o filme não envelheceu. Talvez a sua temática (um reencontro de amigos) tenha colaborado para esse efeito positivo ao passar do tempo - além disso não é todo dia que podemos ver um grupo de atores veteranos do porte de Glenn Close, Willian Hurt, Kevin Kline e Tom Berenger juntos (e jovens) num filme. Apesar de ter um pretexto fúnebre (o enterro de um amigo que se suicidou) a tristeza se concentra principalmente no funeral já que depois o humor faz-se sempre presente. O clima fúnebre é logo quebrado pela irônica inserção dos Rolling Stones entoando You Can't Always Get What You Want e o que vemos em seguida é uma reunião de amigos que terão de conviver por alguns dias para aliviar a tristeza e colocar o papo em dia (além de vivenciar o luto  e reavaliar os rumos que suas vidas tomaram). O elenco dedicado faz com que a plateia se sinta próxima daquele grupo que atravessou os ideais da década de 1970 - e a rotina de drogas e sexo livre. Sem moralismos conhecemos o casal feliz Sarah (Glenn Close) e Harold (Kevin Kline), que serve de anfitrião para os amigos que ainda tentam digerir a perda. Entre os amigos estão a casada entediada Karen (JoBeth Williams), a defensora pública arrependida Meg (Mary Kay Place), um ator famoso chamado Sam Weber (Tom Berenger), o jornalista Michael  (Jeff Goldblum) e  o  misterioso Nick (William Hurt) - que suspeitam ter problemas com a compra e venda de drogas. Ao grupo se junta ainda a namorada do falecido - a jovem Chloe (Meg Tilly) que serve como contraponto às frustrações que o grupo tenta disfarçar com as piadinhas constantes. Existem muitos diálogos bem humorados durante o filme - o que o faz parecer uma sitcom condensada em duas horas de duração. Isso não chega a ser um defeito, já que a produção sempre evita a baixaria e o exagero, mesmo quando alguns amigos resolvem dar em cima da viúva do morto ou uma das amigas resolver engravidar de qualquer um dos presentes. A graça do filme é que entre uma piadinha e outra existe uma alfinetada, uma tensão ou desconforto que anuncia que a roupa suja poderá ser lavada a qualquer instante. É interessante notar como o roteiro utiliza esse encontro para apresenta-los através das relações que existem entre eles, dos ideais que ficaram pelo caminho, da solidão, da culpa pelo que não pode ser mudado... Kasdan tenta dar equilíbrio aos personagens, mas é evidente que alguns acabam recebendo mais destaque - e entre todos eles é Jeff Golblum que menos explora o que tem nas mãos. Fiquei surpreso com a atuação de Tom Berenger como um astro construído com bastante leveza, enquanto Glenn Close sempre deixa os segredos de sua personagem prestes a chegar à superfície. Mesmo na hora que os personagens resolvem lavar a roupa suja, Kasdan opta por uma elegância temperada com nostalgia e tristeza. O Reencontro é uma dramédia das mais bem sucedidas - e ainda recebeu indicações ao Oscar de Filme, roteiro original e atriz coadjuvante (Glenn Close), além de ter entrado na lista do dez melhores filmes daquele ano e ter levado para casa o prêmio de melhor filme no Festival de Toronto. Na minha modesta opinião é a melhor produção assinada por Lawrence Kasdan.

O Reencontro (The Big Chill/EUA-1983) de Lawrence Kasdan com Glenn Close, William Hurt, Kevin Kline, Tom Berenger, Jeff Goldblum, Meg Tilly, Mary Kay Place e JoBeth Williams. ☻☻☻

DVD: Intrusos

Owen: protegendo a filha do desconhecido.

Juan Carlos Fresnadillo é um diretor espanhol que precisou de apenas um filme para engatar uma carreira internacional. O filme era Intacto (2001), um thriller muito bem escrito e executado sobre pessoas que compravam a sorte dos outros. Sua capacidade de criar tensão rendeu o convite para realizar Extermínio 2 (2007), substituindo Danny Boyle na condução da série. Antes de começar os seus trabalhos na refilmagem de Highlander (ainda sem data de estreia), Fresnadillo dirigiu este Intrusos com atores de vários países e um certeiro tom de horror, mas seu erro foi explicar demais a trama conforme caminha para o final (mas até lá, dá para aproveitar uma trama sombria que pode agradar os fãs de um horror mais psicológico). O filme conta a história de duas famílias aparentemente assombradas pela mesma criatura, uma delas mora na Espanha e é formada pela jovem Luisa (Pilar López de Ayala) e o pequeno Juan (Izán Corchero). Juan é perseguido por uma criatura encapuzada e sem rosto que perturba seus sonhos, até que ele percebe que os pesadelos acontecem de verdade. Em meio ao horror, a família recorre aos cuidados de um padre novato (o alemão Daniel Brühl falando espanhol), que acredita no menino mas tem seus superiores  criticando sua postura perante as alucinações da mãe e do filho. A mesma situação é enfrentada pela adolescente Mia (Ella Purnel), filha de John (Clive Owen em mais um papel paternal) e Susanna (Carice Van  Houtten), que começa a ter pesadelos com um sujeito sem rosto que ultrapassa os limites dos sonhos. John acredita desde o início na filha, mas Susanna percebe um pouco de histeria por parte de ambos. O interessante é que enquanto o filme investe no suspense, ele consegue prender a atenção sem dificuldades, mas a coisa começa a desandar quando a família de Mia procura ajuda da polícia e especialistas que acabam gerando desdobramentos estapafúrdios para a história (justamente quando o Sem Rosto tinha se tornado um personagem bastante assustador). Será que ele existe mesmo? Será que é um homem? Será um espírito? Será uma vingança? Enquanto essas perguntas estão na cabeça do espectador o filme ainda se salva, mas quanto mais explicações aparecem, menos ele assusta. Quando o roteiro resolve juntar as duas histórias a coisa fica ainda mais desengonçada, mas reafirma o talento espanhol para imaginar assombrações cinematográficas. O final que parece "A Hora do Pesadelo" pode até agradar os fãs de terror, mas fica a léguas do que o filme prometia em seu início. 

Intrusos (Intruders/EUA-Reino Unido-Espanha/2011) de Juan Carlos Fresnadillo com Clive Owen, Pilar López Ayala, Izán Corchero, Ella Purnel, Carice Van Houtten e Kerry Fox. ☻☻

DVD: Amanhã Nunca Mais

Luísa e Lázaro: uma noite movimentada. 

O diretor Thadeu Jungle ficou famoso pelos seus videos e era de se esperar em sua estreia cinematográfica a  mesma preocupação com o visual de suas obras anteriores. De fato, Amanhã Nunca Mais acerta em tudo o que é técnico: a fotografia em luminosidade perfeita, a edição ágil e o cuidado com a trilha sonora capitaneada por Arnaldo Antunes, faltou apenas caprichar na história. Até contar o dia mais turbulento na vida do pacato anestesista Walter (Lázaro Ramos), o filme exercita a paciência do espectador com cenas um tanto despropositadas. A primeira cena reproduz uma corrida pelas ruas de São Paulo para logo depois mostrar o tédio do trânsito parado da grande metrópole. Não satisfeito, o diretor investe num dia na praia com a família do personagem, conhecemos sua bela esposa Solange (Fernanda Machado), sua filha e a sogra (Vic Militello) que é apresentada por uma vinheta esquisita que parece debochar os que estão acima do peso. O dia na praia está ali só para apresentar a família numa abordagem que se revela aos poucos sob a ótica de uma traição eminente. Walter não reage. Se passa quase meia hora de filme até que sejamos apresentados à história em si. Durante um plantão, Walter assume o compromisso de buscar o bolo de aniversário de sua filha e para isso assume o risco de burlar as regras do hospital com a ajuda do amigo Geraldo (Milhem Cortaz). Este é o ponto de partida para uma noite cheia de problemas. Enquanto rola a festinha da Juju, o pai precisa enfrentar o trânsito de São Paulo para buscar o tal bolo do outro lado da cidade, mas ele irá perceber que o engarrafamento é o menor de seus problemas. Entre atropelamentos, caronas, falta de combustível, encontro com um uma ninfeta e uma admiradora das antigas, tudo colabora para a tarefa desse desastrado Hércules urbano ficar cada vez mais árdua. Não é difícil perceber que a inspiração do filme é o clássico Depois de Horas (1985) de Martin Scorsese, afinal estão ali as ruas escuras, os tipos estranhos e as situações que caminham para um pesadelo exagerado - mas precisava criar situações que por si só já parecem clichês? A curta duração do filme também não ajuda no aproveitamento das situações mais interessantes que aparecem pelo caminho. A casa da boleira é um achado com seus gatos espalhados (um deles sendo a encarnação do espírito do falecido marido dela) e o papo dúbio com uma ninfeta, mas aparece tão pouco que não conseguimos sentir mais do que estranhamento. A coisa poderia ficar mais esquisita quando ele encontra uma conhecida carente (Maria Luisa Mendonça em mais uma mulher descontrolada que sabe dominar tão bem), mas a coisa descamba fácil para uma comédia histérica. Ao final do filme, Walter precisa tomar uma decisão para mudar o ritmo dos seus dias e isso deve justificar o título. Com bom elenco e visual estiloso o roteiro poderia ter caprichado mais nas situações enfrentadas pelo seu "herói" expert em tomar decisões erradas - mesmo as simbologias do roteiro parecem óbvias (o anestesista anestesiado, o médico que omite socorro...), do jeito como foi feito, a sensação é que já vimos tudo isso dezenas de vezes. 

Amanhã Nunca Mais (Brasil/2011) de Tadeu Jungle com Lázaro Ramos, Fernanda Machado, Maria Luisa Mendonça, Milhem Cortaz, Imara Reis, Luis Miranda e Vic Militello. ☻☻

domingo, 5 de agosto de 2012

KLÁSSIQO: Depois de Horas

Dunne: molhado, falido, procurado, perdido...

Eu ouvi por tantos anos as pessoas elogiando este filme de Martin Scorsese que minha expectativa deve ter prejudicado minha avaliação dele. Talvez a fórmula do sujeito certinho que passa por uma noite de desventuras já esteja gasta em meu imaginário cinéfilo, ou então, eu não consegui captar muito bem a essência cômica do filme. No entanto, posso dizer que Depois de Horas, apesar de todas as suas bizarrices, é um dos filmes mais lights do diretor. Vale ressaltar que Scorsese não era a primeira escolha para a direção, o roteiro foi oferecido a Tim Burton que recusou a empreitada e Martin fez o trabalho com bastante inspiração. Dois rostos bem populares da década de 1980 estão no filme, são eles Griffin Dunne e Rosanna Arquette (curiosamente ambos dividiram a cena com Madonna quando acreditavam que ela tinha potencial para ser estrela de cinema, Rosana estava em Procura-se Susan Desesperadamente /1985 e Griffin esteve em Quem é Essa Garota/1987). Depois de Horas é um filme sobre a pior noite da vida do certinho Paul Hackett (Dune) que tem um encontro com a doidinha Marcy Franklin (Arquette) e o que era para ser uma aventura sexual se torna numa noite cheia de situações bizarras que só ressaltam o quanto a Lei de Murphy pode ser impiedosa. Pra começar ele perde todo dinheiro que tinha (vinte dólares!) para a noite e, a aparentemente doce Marcy,  nunca consegue explicar muito bem como ela vive num apartamento registrado no nome de um homem com Kiki Bridges (Linda Fiorentino), uma artista plástica punk (que faz esculturas com argila, jornal e notas de vinte dólares!). Se o encontro parece caminhar cada vez mais para a bizarrice as coisas pioram quando ele tenta voltar para a casa e descobre que está preso naquele pesadelo - que piora ainda mais quando um acontecimento trágico cruza o caminho de Marcy.   Entre suspeitas de roubo, casais homossexuais, sadomasoquistas, uma garçonete  paranóica  (Teri Garr) e uma intelectualóide (Catherine O'Hara) a noite de Paul fica cada vez mais longa e chuvosa sem que encontre uma saída. O curioso do roteiro de Joseph Minion (que nunca mais fez algo relevante) é a quantidade de camadas que insere na trama conforme um novo personagem cruza o caminho do protagonista. Enquanto alguns personagens possuem relações entre si e outros estão ali só para atrapalhar ainda mais o protagonista,  o filme investe cada vez mais em ironias e cenas que parecem sair de uma sessão de tortura psicológica surrealista (como a cena em que em meio a um clube punk resolvem cortar o cabelo de Paul ou quando o personagem fica preso e silenciado numa escultura). Repare como a solidão do protagonista na cidade é ressaltada pelas ruas sempre vazias - e como quem cruza o seu caminho, invariavelmente, representa uma ameaça. Mesmo com uma trama que se equilibra entre o realismo e o absurdo, Scorsese apresenta um estilo pop que só percebo em Os Infiltrados (2006) - e aquela cena em que aparecem os créditos com uma câmera de movimentos precisos é uma clara inovação para a época   (uma amostra da vitalidade que Scorsese estava disposto a mostrar para se tornar um dos maiores diretores americanos). Ao final temos a impressão que Scorsese afirma que  ter uma vidinha regrada gasta num escritório durante a maior parte do dia pode não ser tão ruim - uma afirmação incomum que lhe rendeu o prêmio de melhor diretor em Cannes. 

Depois de Horas (After Hours/EUA-1985) de Martin Scorsese com Griffin Dunne, Rosanna Arquette, Linda Fiorentino, Teri Garr e Catherine O'Hara. ☻☻☻

sábado, 4 de agosto de 2012

DVD: Saída Pela Loja de Presentes

Se você nunca ouviu falar do artista de rua Banksy o filme Exit Through the Gift Shop/Saída Pela Loja de Presentes é uma bela oportunidade para conhecer o trabalho de um dos artistas mais controversos da atualidade. Nascido em Bristol, Reino Unido,  até o filme assinado por ele gerou polêmicas. Uns dizem que é um documentário precioso sobre a arte de rua, outros consideram que o filme parece uma grande enganação sobre a história que diz retratar. Eu pensei que toda essa polêmica entre realidade e ficção nos documentários já era superada! Saída pela Loja de Presentes é um documentário que pode ser tudo, menos desinteressante. Indicado ao Oscar no ano passado (quando a presença de Banksy era um dos momentos mais interessantes da festa - já que o cara prefere manter o anonimato) o filme é mais do que um olhar sobre uma geração de artistas que desafiam a polícia por realizar suas obras pelos muros das cidades (o que é ilegal em muitos países). O filme amplia nosso olhar sobre essa arte ainda vista por muitos como marginalizada, mostrando suas referências (muitas advindas da pop-art de Andy Warhol), a entrada no mainstream das artes plásticas e a comercialização das obras por um preço estratosférico. O filme explora bastante a relação do artista com sua obra, como sua expressão pode ser absorvida pelo mercado - além de desenvolver uma saudável discussão sobre o que é ter seu estilo próprio num mundo repleto de referências e informações. O documentário é guiado (aparentemente) pelo francês Thierry Ghetta, um homem sem grandes pretensões profissionais que ganha uma filmadora de presente e passa a gravar tudo o que vê pela frente. Um dia, percebe que seu cunhado está fazendo pequenos quadros baseados em figuras de games com azulejos em miniatura. Thierry fica surpreso quando o cunhado os espalha pelas paredes da cidade e,  percebendo isso como uma forma de arte que rompe com os paradigmas da propriedade privada e da ditadura das galerias de arte, Thierry mergulha neste mundo.  Depois de filmar vários artistas do gênero, Thierry ouve falar do trabalho de Banksy e o elege como objeto de desejo. Conhecido pelo seu trabalho com estêncil e o estilo politizadamente pop, Banksy é um sujeito que prefere manter sua identidade em segredo. Uns dizem que é por conta de seus problemas em criar obras em locais proibidos (como na Disney ou inserção, por conta própria, de obras em museus renomados), outros dizem que é golpe de marketing para projetar suas obras, o fato é que Thierry conhece Banksy e começa a registar o trabalho do artista. É fácil compreender o fascínio que Banksy causa em Thierry, para além do apelo irresistível de sua criatividade. Após a famigerada exposição de Banksy num galpão nada glamousoso (com a presença de um elefante pintado como a parede), Thierry passa a não querer ser apenas um observador, mas o observado. Na segunda parte do filme dirigido pelo próprio Banksy, o foco é a exposição de Thierry, agora chamado Mr. Brainwash (afinal, para Thierry, a street art é uma espécie de "lavagem cerebral"). É nesta parte que surge as especulações de que a história de Thierry é uma farsa, já que tudo indica que este personagem é a maior obra de Banksy. Thierry/Brainwash é alvo de uma crítica perspicaz à mercantilização da arte e o consumismo de uma plateia muderninha que parece não entender o que está vendo (não precisa ser entendido em arte para ver que Thierry é menos um artista do que um empresário que contrata dezenas de artistas para produzirem as ideias confusas que estão em sua cabeça). Pelas graças e obras descontroladas, Mr. Brainwash parece a antítese de Banksy. Sendo farsa ou não, Saída pela Loja de Presentes (uma clara analogia ao consumo da arte como coisa) é um fascinante filme sobre o mundo das artes.

Banksy: celebridade anônima. 

Saída pela Loja de Presentes (Exit Through the Gift Shop/EUA-Inglaterra/2010) de Banksy com Banksy, Thierry Ghetta, Shepard Fairey, Rhys Ifans e Space Invader. ☻☻☻☻

FILMED+: Asas da Liberdade

Cage e Modine:  louco ou pássaro?

Não sei muito bem o motivo, mas Christopher Nolan resolveu resgatar um ator que andava esquecido em Hollywood, trata-se de Matthew Modine - o que interpreta o oficial de polícia covarde em O Cavaleiro das Trevas Ressurge. Modine teve lá o seu fã-clube quando protagonizou Nascido para Matar (1987) de Stanley Kubrick ou quando flertou com Michelle Pfeiffer na comédia De Caso com a Máfia (1988) de Johnatan Demme, mas o ator ficou conhecido mesmo foi com sua atuação em Asas da Liberdade de Alan Parker. É engraçado como Parker consegue transformar uma temática pesada e até estranha em uma bela história sobre a amizade. A estranheza na trama fica por conta de Birdy (Modine), um rapaz que após servir no Vietnã acredita ser um pássaro. Na verdade, o filme  é contado através de flashbacks guiados pelo amigo de Birdy, Al Columbato (Nicolas Cage, ainda topetudo), na tentativa de desvendar o que se passa na mente do amigo. Al também lutou na guerra do Vietnã e trouxe suas próprias cicatrizes, especialmente no rosto. Amigos desde a adolescência, Al sempre foi um conquistador enquanto Birdy sempre foi mais tímido e reservado, além de ter um fascínio incomum por pássaros. Essa fascinação pelas aves faz até que se vista com penas e se atire de uma altura perigosa, ou até construir asas para sobrevoar um terreno cheio de lixo. Percebendo tudo como um  conjunto de aventuras juvenis, Al não pensava que havia algo de errado com o amigo, mas olhando sob uma nova perspectiva, ele percebe que, desde o início, Birdy era um sujeito incomum. Enquanto o filme consegue criar aquele clima nostálgico nas cenas do passado, o presente é visivelmente mais obscuro, já que Birdy encontra-se isolado numa cela na ala psiquiátrica do hospital do exército - que consegue construir a impressão de é uma gaiola numa das cenas mais emblemáticas do filme. Parker transpõe para a tela o livro de William Wharton história com tanto cuidado que nem nos preocupamos muito com os motivos que deixaram o rapaz naquele estado quase catatônico. Especula-se que tenha relação com a mãe repressora ou, até, com a morte da grande paixão de sua vida - que não vale contar aqui para não estragar a surpresa -, mas a graça mesmo é mergulhar na história dos amigos. Alan Parker anda em baixa, mas já foi um dos diretores mais eficientes que Hollywood, aqui ele mostra o motivo. Sua versatilidade aparece não só na diversidade de suas obras (seja no drama Mississipi em Chamas/1988,  no musical The Commitments/1991 ou no terror Coração  Satânico/1997), mas também na diversidade de climas que consegue imprimir em um único filme sem parecer desengonçado. Asas da Liberdade consegue ser ao mesmo tempo um filme juvenil comovente e um drama com toques de pós-guerra, além disso conta com com cenas arrepiantes ao mergulhar no comportamento de Birdy (que sempre pareceu deslocado perante o som e a fúria ao seu redor). Cenas como da noite de formatura, a sequência que simula um voo e o surto de Birdy em meio a guerra demonstram claramente a sensibilidade que Parker possui ao contar uma história a partir de suas imagens. Modine e Cage foram bastante elogiados por suas performances, conseguindo expressar a amizade entre dois rapazes de personalidades totalmente opostas, mas, considero que Modine ainda leve a melhor. O ator alcança momentos de grande impacto ao imitar os movimentos de pássaros, seja com o corpo desengonçado, os movimentos da cabeça ou o olhar desolado de estar numa gaiola. Asas da Liberdade é um filme tão bem executado que sente até a segurança de brincar com a plateia num final extremamente irônico. Premiado com o GP do Júri em Cannes/1984 o filme ainda foi considerado pelo National Board of Review um dos melhores filmes do ano. Um filme que vale ser visto e lembrado. 

Asas da Liberdade (Birdy/EUA-1984) de Alan Parker com Matthew Modine, Nicolas Cage, Bruno Kirby, Karen Young. ☻☻☻☻☻

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Na Tela: Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Bane x Batman: o confronto do ano. 

Sem levar em consideração o que aquele louco fez nos EUA, fazer a última parte da trilogia iniciada com Batman Begins (2005) e precedida pelo avassalador O Cavaleiro das Trevas (2008) deve ter sido uma das experiências mais arrepiantes da vida do cineasta Christopher Nolan. Eu perdi as contas de quantas vezes o diretor pediu à imprensa para não vazar informações sobre a produção - sem falar a quantidade de boatos que rondaram o filme (só para lembrar: Marion Cotillard como Mulher Gato, Phillip Seymour Hoffman como Pinguim, Shia Labeouf como Robin, Joseph Gordon Levitt como Charada ou... Coringa!!!). Sendo o filme mais aguardado do ano, O Cavaleiro das Trevas Ressurge cumpre bem o seu papel de fechar, com chave de ouro, a concepção realista de Nolan para o super-herói. Curioso é como o diretor utiliza o realismo para aproveitar tudo que o personagem tem de mito. Toda a trilogia é sobre isso. Da construção conflituosa de um ícone na primeira parte, da hesitação dos rumos a serem tomados na segunda e a lenda forjada no sacrifício por um ideal neste arremate.  O roteiro tem a boa ideia de avançar oito anos depois da conclusão do filme anterior. Com a morte de Harvey Dent (Aaron Eckhardt), Gotham City vive um período esperançoso que acredita na justiça a partir da figura do símbolo Dent -  mesmo que seja forjado numa mentira encoberta pelo comissário Gordon (Gary Oldman) e Bruce Wayne/Batman (Christian Bale). Ambos são os únicos que sabem a verdade sobre a morte do transtornado Dent depois que Coringa assassinou  sua amada Rachel (Maggie Gyllenhaal). Acusado de ter assassinado Dent, Batman se aposentou enquanto tornou-se procurado pela polícia. Ninguém tem notícias dele ou de Bruce Wayne que tornou-se recluso em sua mansão. É nesse cárcere auto-imposto que Wayne conhece Selina Kyle (Anne Hathaway), uma ladra habilidosa que roubou o precioso colar de pérolas de mamãe Wayne. Basta uma única cena com Wayne e Kyle para que se estabeleça a química entre o herói e a vilã mais charmosa das histórias em quadrinhos. Mesmo que em momento algum Selina seja chamada de Mulher Gato, o público sabe que é a personagem que vemos na tela. Nolan sabe que os personagens de quadrinhos fazem parte de uma cultura universal e basta algumas dicas para evoca-los.  Apesar de Kyle ter roubado mais do que o colar de Wayne (ela roubou-lhe as digitais), o grande vilão do filme é Bane (Tom Hardy) o vilão que quebrou a coluna de Batman nas histórias em quadrinhos e protagonista do confronto mais aguardado de todo o filme. Bane tem o plano de destruir Gotham City sob um discurso de vingar os desassistidos, mas, no fundo, trata-se de uma vingança contra Batman e seu alter-ego, Bruce Wayne. Bane também foi treinado por Rah's Al Guhl (Liam Nesson), sendo banido da Legião das Sombras por sua tendência, quase incontrolável à selvageria. Além disso utiliza uma misteriosa máscara que impede que sinta dor. 

Hathaway: mais agressividade e voz murmurante. 

O roteiro cria um emaranhado de tramas cuidadosamente arquitetadas por Christopher e seu mano Johnatan Nolan, no entanto é impossível não perceber muito dos planos de Coringa na postura de Bane. Se Bane é diabólico, sua ideia de deixar um detonador capaz de explodir a cidade nas mãos de um cidadão comum é uma versão ampliada dos barcos de Cavaleiro das Trevas. Óbvio que o texto aprofunda ainda mais essa ideia. Trata-se de um radicalismo pautado pela visão "revolucionária" de Bane que deixa Batman fora da ação por boa parte da filme. O que poderia desagradar os fãs, na verdade serve para que Nolan explore os outros personagens da trama e a premissa do herói de que todos podem ter atos heróicos, mesmo em gestos pequenos e igualmente nobres.  Neste aspecto, o Comissário Gordon que busca sua redenção perante a cidade que enganou, Selina Kyle que busca um recomeço a partir de um programa de computador capaz de limpar seu nome e o policial exemplar vivido por Joseph Gordon Levitt merecem destaque. Claro que o roteiro reserva momentos para Lucius Fox  (Morgan Freeman) mostrar seus apetrechos  bat-tecnológicos e Alfred (Michael Caine) demonstrar toda sua preocupação com o patrão (eu achei que o texto exagera no tom sentimental do personagem), além disso arranja espaço até para uma namorada para Bruce Wayne, a elegante Miranda Tate (Marion Cotillard). Mas ainda que Cotillard seja uma atriz notável, capaz de dar sutilezas até às viradas mais bruscas da personagem, o par de Wayne/Batman é mesmo Selina. Fica visível os motivos de Nolan aguentar todas as críticas recebidas por escolher Anne Hathaway para o papel. Hathaway foi esperta para construir uma personagem mais agressiva que a clássica encarnação Michelle Pfeiffer. Se Pfeiffer era pura sensualidade, Hathaway é mais astuta que qualquer outra coisa (nem citarei Halle Berry, ok). É claro que ela fica sexy com aquela roupa preta e com a máscara, sua fala quase murmurada também se enquadra bem no universo de Nolan, o único problema da personagem acaba não sendo da atriz, mas das cenas de luta em que aparece - estão quase sempre mal editadas. Claro que o público não vai reclamar. Todos os personagens são peças importantes para Nolan potencializar a ação e o caos sugerido no filme anterior. Ainda que não seja tão poderoso quanto a segunda parte, o resultado prende a atenção por quase três horas de duração, sendo coerente com os outros filmes da franquia ao criar uma analogia política de profundidade incomum  a uma produção direcionada para bilheterias astronômicas. Porém, a memória de Heath Ledger custou caro, já que não há qualquer menção ao Coringa na trama (e até o Espantalho de Cillian Murphy tem uma participação especial).  A última cena deixa claro que Gotham City jamais será a mesma. Sem o selo Nolan de qualidade, espero que a Warner honre o seu legado. Os fãs agradecem. 

Bale: o melhor Batman de todos os tempos. 

BATMAN - O Cavaleiro das Trevas Ressurge (Dark Knight Rises/EUA-2012) de Christopher Nolan com Christian Bale, Anne Hathaway, Tom Hardy, Joseph Gordon Levitt, Gary Oldman, Michael Caine, Marion Cotillard, Morgan Freeman, Mathew Modine e Ben Mendelson. ☻☻☻☻

LADIES & GENTLEMEN: Michael Shannon

Nascido Michael Corbett Shannon no estado de Kentucky (EUA) em 1974, o pequeno Michael teve que dividir sua vida entre sua cidade natal, Ilinois e Chicago após o divórcio de seus pais. Ele começou a carreira de ator protagonizando um clipe da banda de Every Mother's Nightmare chamado "House of Pain" de 1993. No video, o ator vivia um jovem que fugia de uma vida cheia de abusos. Curiosamente nascia ali um tipo que encarnaria nos papéis mais importantes de sua carreira: o problemático. Neste mesmo ano teve o seu primeiro papel (pequeno) no cinema no filme Feitiço do Tempo ao lado de Bill Murray preso no dia da marmota. No teatro as coisas eram melhores. Foi na década de 1990 que Shannon se tornou um dos fundadores da companhia  Red Orchid, com a qual começou a chamar cada vez mais atenção. No cinema teve que se contentar com papéis pequenos em filmes como o fracasso Reação em Cadeia (1996) e Hellcab (1998). A coisa começou a melhorar quando o filme de pequenas histórias Jesus' Son (1999) chamou a atenção da crítica - entrando em algumas listas de melhores daquele ano. A trama era baseada nos contos de Dennis Johnson e foi premiado em Veneza com o Leão de Ouro e o Prêmio Ecumênico. Em meio a nomes como Holly Hunter, Samantha Morton, Dennis Hooper e Jack Black, Shannon o destaque para que os produtores o colocassem em filmes de maior repercussão como Tigerland (2000) e a comédia Cecil Bem Demente (2000). Enquanto a carreira no teatro ia bem, chovia papéis de coadjuvante em filmes de grande apelo na mídia - como Pearl Harbour (2001), Vanilla Sky (2001) e 8 Mile (2002). Mesmo com os trabalhos como ator, o cara arranjou tempo de montar uma banda, a Corporal - e ainda ser o vilão do bobinho Kangaroo Jack (2003). Quando apareceu nos cinemas em Bad Boys II (2003), o ator estava prestes a encarnar um dos seus personagens mais marcantes na peça Bug (2004) - a perturbadora obra de Tracy Letts. A atuação de Michael Shannon era tão perturbadora como Peter Evans que quando William Friedkin (de O Exorcista/1973) resolveu filmá-la não imaginou outro ator na pele do homem que acredita ter participado de estranhas experiências militares com insetos. Lançado em 2006, o filme não fez o sucesso esperado, afinal, se tratava de um filme de terror desagradável de se ver. Para piorar o filme recebeu por aqui o nome enganoso de Possuídos... mas o público não estava preparado para acompanhar a deterioração física e mental dos personagens vividos por Shannon e Ashley Judd. Em 2006 o ator ainda conseguiu papéis importantes nos filmes de Oliver Stone (As Torres Gêmeas) e encarnou um homem que acreditava na supremacia da raça branca em Let's go to Prison. No ano seguinte Hollywood lhe reservou papéis em Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto, o último e aclamado filme de Sidney Lumet (pelo qual recebeu o prêmio Gotham de Melhor Elenco), o micado último filme de Curtis Hanson (Lucky You) e a participação no primeiro filme do cineasta Jeff Nichols (Shotgun Stories). Aos poucos, Shannon foi conquistando mais espaço com seus tipos estranhos. Só faltava o papel certo para que seu talento ganhasse projeção. Esse papel veio pelas mãos de Sam Mendes em Foi Apenas um Sonho (2008). No filme, Shannon interpretava um homem considerado louco que gosta de dizer umas verdades inconvenientes ao casal de vizinhos - vivido por Leonardo DiCaprio e Kate Winslet. Pela atuação intensa, Shannon foi indicado a vários prêmios de coadjuvante, inclusive o Oscar. Depois da indicação foi o protagonista do indepentende Pessoas Desaparecidas (2009) e firmou parceria com o renomado diretor Werner Herzog  no remake de Vício Frenético (2009) e My Son, What Have you Done? (2009). Ainda que em 2010 tenha participado da aguardada (e fracassada) versão da HQ Jonah Hex e da biografia da banda The Runnaways (numa atuação curiosa como o lendário produtor Kim Fowley), foi na TV que Shannon encontrou seu melhor papel daquele ano. Na série Boardwalk Empire, produzida por Martin Scorsese, Shannon interpreta um agente federal protestante que não hesita em utilizar a violência para servir a lei. Com as gravações da série, o ator ainda encontrou tempo de gravar um CD com sua banda (lançado em 2010), participar do filme menos badalado de Marc Foster (Redenção/2011) além de dois longas exibidos no festival de Cannes. Um deles foi o drama criminal O Retorno (ainda inédito por aqui) e o outro o colocaria no rumo das premiações mais uma vez. O Abrigo é sua segunda parceria com Mike Nichols e lhe valeu vários prêmios da crítica (Nova York, Chicago, Ohio, Toronto, San Diego) e indicações. O Oscar acabou deixando o cara de fora, mas a atuação de Shannon como um misto de louco e profeta foi uma das mais marcantes do ano passado. A parceria com Nichols funciona tão bem que Shannon já está no novo filme dele, "Mud", exibido em Cannes2012 e que já é cotado como um dos favoritos aos prêmios do ano. O ator ainda vai aparece nas telas ao lado do ciclista vivido por Joseph Gordon Lewitt e - se você ainda não se convenceu que o cara é bom - espere até vê-lo no thriller Iceman ao lado de Winona Ryder e Benicio Del Toro ou na sua aguardada versão do General Zod para o novo filme do Superman dirigido por Zack Snyder. Michael Shannon ainda vai estar entre os seus atores favoritos. 

Shannon em Possuídos: dos palcos para a tela.