quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

NaTela: O Presente

Hall, Joel e Jason: visita do passado. 

Nascido em 1974 na cidade de Blacktown na Austrália, Joel Edgerton atua nas telonas desde 1996, mas recebeu papéis de destaque em produções renomadas a partir do seu trabalho no ótimo Reino Animal (2010). Depois de trabalhar com diretores importantes, o ator se aventura atrás das câmeras com o suspense O Presente, em cartaz no Brasil desde o dia 03 de dezembro. Se o debut de Edgerton não chega a ser mirabolante, ele merece elogios por manter o pé no chão e conduzir uma trama envolvente sem cair no ridículo, dando-se ao luxo de tornar o perfil de seus personagens mais complexo do que costumamos ver nesse tipo de filme e ainda terminar a sessão com uma enorme interrogação na cabeça do espectador. A trama começa com um casal recém chegado à casa nova, Robyn (Rebecca Hall) e Simon (Jason Bateman) acabam de comprar uma bela residência na terra natal de Simon. Ele tenta galgar promoções no trabalho e ela tenta manter suas atividades profissionais por internet e telefone, mas planejam se estabelecer e aumentar a família assim que possível. Tudo parece repleto de possibilidades para o casal, até que um antigo conhecido da escola cruza o caminho de Simon. Gordon (o próprio Joel Edgerton), mais conhecido como Gordo, encontra com o casal numa loja e demonstra-se simpático, presenteando o casal sempre que possível e aparecendo mais do que o esperado na nova residência do amigo. Gordo é sempre atencioso, presente, prestativo... até que Simon começa a ficar desconfiado de tanta dedicação. O filme evolui aos poucos - e, se torna Gordon um sujeito esquisito, Simon começa a perder sua pose de mocinho sempre que aparece mais agressivo do que deveria. Não tem jeito, existe um mistério entre os dois velhos conhecidos que irá gerar insegurança em Robyn e alguns desdobramentos surpreendentes. Há de se elogiar a forma como o diretor estreante conduz as atuações, sempre no tom correto, deixando o melhor para o final. Destaque para Bateman e o próprio Edgerton que criam sujeitos ambíguos na medida certa, evitando que os segredos se tornem banais. Há de se destacar que o cineasta também assina o roteiro, parecendo ter se inspirado naqueles suspenses domésticos bastante comuns na década de 1990 (e que fizeram a glória de Curtis Hanson em início de carreira), somado a um certo traço de Caché (2005) de Michael Haneke, onde o estranhamento recai sobre o próprio protagonista. Pela coerência com que conduz sua história, Joel Edgerton promete outras incursões em sua nova (e promissora) carreira (e o fato da bilheteria ter rendido mais de dez vezes o seu orçamento irá ajudar bastante no currículo).  

O Presente (The Gift/EUA-2015) de Joel Edgerton com Jason Bateman, Rebecca Hall, Joel Edgerton, Allison Tolman e Tim Griffin. ☻☻☻

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

PL►Y: Ricki and the Flash - De Volta Para Casa

Springfield e Streep: músicas e ressentimentos. 

Ainda que não apareça nas premiações de fim de ano em 2015, Meryl Streep foi dona de um esforço colossal em 2015! Afinal, ela é o grande motivo para que você assista Ricki and the Flash - De Volta Para Casa, filme que começou sua carreira assim que a imagem da atriz, com pose de roqueira começou a circular na internet. Meryl esbanja carisma na pele da mulher que deixa a família para trás para  ser roqueira, pena que a roteirista Diablo Cody, mais uma vez, não faz ideia do que fazer com a ideia que tem em mãos e empaca a trama num festival de ressentimentos sem fim sobre a personagem - o que nos faz entender todos os motivos dela ter ido para bem longe daquela gente. Talvez com medo de soar moralista ou tendenciosa, Diablo Cody (que tem na estante o Oscar pelo texto de Juno/2007) resolveu não explorar quais os motivos levaram a personagem a deixar de ser Linda e transformar-se em Ricki, ou até mesmo aprofundar a personalidade dos coadjuvantes, que aparecem todos com a mesma função na trama: jogar na cara de Ricki o quanto ficaram infelizes com o fato dela ir embora - mas isso já fica bem claro no desastroso jantar em família. Quando você pensa que o filme dará um passo além, sempre aparece um personagem para voltar ao mesmo ponto, deixando o roteiro travado até o final. Ricki volta para a casa ao saber do divórcio de sua filha, Julie (Mamie Gummer, filha de Streep na vida real), que está depressiva (seguindo a cartilha de Hollywood: não muda de roupa, está sempre mal humorada e com um dos cabelos mais maltratados da história do cinema). Embora o ex-marido lide bem com a visita de Ricki (cortesia de Kevin Kline), os outros dois filhos  também estão dispostos a lavar a roupa suja em público com a mamãe. Imagino que não deva ser fácil para três filhos adultos lidarem com a decisão da mãe em largar a família e seguir carreira à frente de uma banda de rock, mas a forma como a situação aparece no filme beira o infantil (a cena de papai e mamãe tomando satisfações com o ex-marido de Julie só demonstra como o casal teria feito estragos ainda maiores à formação dos filhos se tivessem ficado juntos).  Streep faz o que pode para defender sua personagem, mas o texto não favorece em nada o desenvolvimento de Ricki, motivo pelo qual o segundo ato se dedica a colocar várias cenas de performance de Ricki and The Flash enquanto ela tenta ajustar sua vida amorosa e exorcizar a visita aos familiares. Quando pensamos que a coisa vai melhorar, o filme volta ao ponto de partida e mostra o quão legal poderia ter sido se Ricki tivesse mais espaço para mostrar que tinha energia suficiente para ser uma rockstar de verdade. O filme tem um bom ponto de partida, mas perde fôlego por não aproveitar todas as possibilidades de ter uma mamãe madura e roqueira com seus próprios conflitos para lidar, do jeito que aparece, Ricki é quase sempre um saco de pancada da família - como se exigissem dela ser algo tão poderoso capaz de ajustar a vida de todos ao seu redor. Por um instante, o roteiro até parece que irá abordar essa questão por um viés feminista, mas dura apenas alguns minutos. Algo me diz que Diablo Cody necessita de um co-roteirista urgentemente.

Ricki And The Flash - De Volta para Casa (Ricki and The Flash / EUA-2015) de Jonathan Demme, com Meryl Streep, Kevin Kline, Mamie Gummer, Rick Springfield, Sebastian Stan e Nick Westrate. ☻☻☻

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

10+: Melhores Pôsteres de 2015

Para começar a temporada de retrospectiva do que o ano cinematográfico de 2015 teve de melhor, aqui está a já tradicional lista de melhores pôsteres de 2015. Alguns filmes já passaram por aqui, outros ainda vão estrear e alguns até apareçam direto nas locadoras! A seguir os meus cartazes favoritos do ano que termina:

10 - O Fim da Turnê (The End of the Tour)
David Foster Wallace deve ser um dos escritores mais instigantes da história recente dos EUA - e o fato de ter morrido aos 46 anos, no auge de sua carreira colabora muito para que se torne uma espécie de mito. O filme de James Ponsoldt conta o encontro do jornalista David Lipsky com Wallace e os desdobramentos que surgem da famosa entrevista. A ideia dos perfis feitos com uma fita partida enrolada é simples, direta e bastante eficiente para representar a ideia do filme. 

09 - The Lobster
Premiado no Festival de Cannes, o filme do cineasta grego Yorgos Lanthimos retrata um futuro distópico (a moda do momento) onde quem não encontra seu par romântico é transformado num animal e abandonado na floresta! Essa loucura, misturada com a sensação de ausência e urgência é retratada pelo abraço no vazio de Collin Farrell. 

08 -  Sicario
Também exibido em Cannes, Sicario perdeu força e parece que não será dessa vez que um filme de Dennis Villeneuve emplacará no Oscar. Ainda assim, o filme sobre uma ação da CIA contra o tráfico de drogas ganha um cartaz que mostra uma luz ao fim de um túnel - pena que você está caminhando no sentido contrário...

07 -  Pawn Sacrifice
Retratando a jornada de Bobby Fischer (Tobey Maguire) um prodígio do xadrez durante a Guerra Fria, o novo filme de Edward Zwick deixa claro em seu cartaz como estava confusa a mente de seu protagonista quando teve que enfrentar outro gênio do xadrez - o russo Boris Spassky (Liev Schreiber). Graficamente sugestivo sobre a desconstrução de seu protagonista. 

06 - Big Significant Things
O filme de Bryan Reisberg não agradou tanto quanto ele desejava, mas pelo menos conseguiu bolar um pôster interessante. Ao retratar um rapaz que pretende viajar pelos Estados Unidos sozinho, Big Significant Things promete olhar por trás do que vemos, ainda que tudo fique meio invertido e do avesso - além de seguro por uma estrutura não muito consistente. 

5 - I Dream To Much
O cartaz foi feito sob medida para o título desse filme independente que marca a estreia da cineasta Katie Kokinos. A história de uma garota imaginativa e o seu relacionamento com a avó, dá corpo à uma simpática dramédia, que assim como o pôster, pode funcionar melhor do que muito livro de auto-ajuda. 

4 - Lost River 
Pouca gente curtiu a estreia de Ryan Golsing na direção. Desde que foi exibido no Festival de Cannes no ano passado, o filme dividiu opiniões, mas há quem defenda esse mergulho num mundo surreal que remete muito à obra do mestre David Lynch. O pôster deixa isso bem claro: trata-se de um portal para um mundo estranho, sinistro e um tanto macabro. Ao assistir, não diga que não foi avisado...

3 - Insurgente 
Sagas adolescentes estão longe de ser meus filmes favoritos, mas esse cartaz de Insurgente ficou uma lindeza! O grafismo é de uma beleza indescritível e a forma como insere elementos da trama sobre uma perspectiva nova que só reforça os signos que atraem tantos fãs para a heroína vivida por Shailene Woodley. Meio tecnológico e orgânico, meio ameaçador e belo, o cartaz tem um apelo indiscutível.  

2 - MACBETH
Minha história favorita de Shakespeare ganhou uma nova versão esse ano - e quem conhece a trama percebe de primeira a perfeição do cartaz. A forma como utiliza a silhueta do protagonista para apresentar os elementos da trama sangrenta no uso de preto, cinza e vermelho. Um trabalho de mestre onde o valioso par de atores (juntar Michael Fassbender e Marion Cotillard é de fazer qualquer cinéfilo enlouquecer) recebe o destaque que merece. 


1 - Homem-Formiga (Ant-Man)
Antes de estrear o filme, todo mundo debochava do herói da Marvel - e o estúdio demonstrou grande esperteza para brincar com isso quando utilizou referências de seus heróis mais famosos para reafirmar o super-poder de seu personagem em miniatura. Mais do que apresentar o personagem, o cartaz servia para fazer você entrar no clima e sentir o quão bacana iria ser a aventura. Divertido e evocativo de um universo cinematográfico próprio em expansão, foi o meu favorito do ano!

Na Tela: No Coração do Mar

Chris: um outro olhar sobre Moby Dick. 

Ron Howard está longe de ser meu cineasta favorito, mas reconheço que, apesar de sua tendência a amenizar os conflitos que deixariam a maioria de seus filmes mais interessantes, ele ainda consegue realizar obras interessantes (meus favoritos são O Tiro Que não Saiu Pela Culatra/1989, Uma Mente Brilhante/2002 e Frost/Nixon/2008,  que é sua obra prima). Embora ele tenha apostado alto no seu filme anterior, Rush (2013), e morrido na praia rumo às premiações seu novo filme, No Coração do Mar, começou a ser anunciado ao final de 2015 para estrear em março os Estados Unidos (basta lembrar que considerei seu pôster um dos melhores do ano passado), mas os produtores ficaram tão empolgados com o resultado que adiaram seu lançamento para o fim do ano para ver se conseguiam cravar algumas indicações aqui e ali. Ao que parece as indicações não virão, mas Howard deve estar feliz com os elogios que recebeu e uma bilheteria crescente ao redor do mundo. É verdade que pouca gente irá entender o motivo do diretor preferir filmar a história que inspirou o clássico Moby Dick de Herman Melville (que aparece no filme vivido por Ben Whishaw) ao invés de utilizar o próprio livro. Quem conhece a história vai se sentir um tanto enganado, já que Howard perde a oportunidade de se aprofundar nas entrelinhas do livro e tornar seu filme mais interessante. O filme conta a história de Owen Chase (Chris Hemsworth, em mais uma parceria com o diretor), um baleeiro que sonha ser capitão, mas sofre com os preconceitos do início do século XIX, que impossibilitam de um homem de origem humilde comandar uma expedição. Assim, ele terá de lidar com o capitão inexperiente George Pollard (Benjamin Walker), estreante no ramo, ainda que tenha longa tradição familiar no ramo. O filme utiliza pouco a tensão entre os dois personagens, já que fica rapidamente evidente que Chase que comanda os homens do mar e Pollard tem o ego inflado  o suficiente para colocar tudo a perder. No fim das contas, a inimizade entre os dois apenas colabora para que a ambição destroce o baleeiro Essex na busca de uma área do pacífico que é um refúgio para as baleias - some isso ao fato de não acreditarem numa baleia gigante que assombra os que se aventuram por lá e você sabe o que acontece. Curiosamente, são nas cenas onde a baleia aparece que Ron Howard mostra-se mais a vontade, seja em cenas de destruição, ou no último encontro de Chase com o enorme mamífero que aniquilou sua tripulação, são nesses momentos que o filme encontra seu verdadeiro foco: a relação predatória do homem com a natureza (que no fim das contas, tem tanto direito de existir quanto o próprio homem). No Coração do Mar não é um filme ruim, mas deixa seus melhores recursos pela metade, dos conflitos de Chase com Pollard, passando pelas poucas cenas com a baleia, a relação de Herman Melville com a história que lhe cai nas mãos ou o martírio dos sobreviventes (para qual os atores tiveram que fazer uma dieta drástica), tudo aparece mais apressado do que deveria. De grande qualidade técnica, o maior problema do filme acaba sendo justamente o seu recheio um tanto inconsistente, ainda que estivesse cheio de possibilidades.

No Coração do Mar (In The Heart of The Sea/EUA-2015) de Ron Howard, com Chris Hemsworth, Benjamin Walker, Tom Holland, Brendan Gleeson, Cillian Murphy e Ben Whishaw. ☻☻☻

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

PL►Y: Antes de Dormir

Nicole: a memória numa câmera. 

Aos 48 anos, Nicole Kidman tornou-se o tipo de atriz que está acima dos resultados de bilheteria. Tempos atrás dizia que abandonaria a carreira, já que seus filmes não estavam conseguindo o sucesso esperado. Sorte que algumas sessões de terapia parecem tê-la feito mudar de ideia. Nicole está sempre filmando (mantendo desde o ano passado o ritmo de quatro lançamentos por ano, algo invejável para uma atriz de sua idade - que obviamente não aparenta), geralmente com diretores importantes ou nomes em ascensão do cinema mundial. Assim, não importa se está no novo filme de Werner Herzog (Queen of the Desert que deve estrear nos EUA somente no ano que vem) ou na estreia da cineasta australiana Kim Farrant (em Strangerland, que eu já assisti e depois comento por aqui), Nicole é sempre convidada para projetos de todo o tipo: dramas, comédias, suspenses, épicos... e por isso está sempre trabalhando. Às vezes isso funciona contra ela, como em sua participação em Antes de Dormir, do diretor Rowan Joffe (do ótimo O Pior dos Pecados/2010), que rendeu à atriz uma indicação ao prêmio Framboesa de Ouro de pior atriz - embora sua atuação não seja ruim. O grande problema do filme é que ele começa interessante, cheio de possibilidades e acaba se confundindo sobre si mesmo, revelando uma trama cheia de buracos e conclusões pouco verossímeis. Nicole vive Christine, uma mulher que sofre com uma doença rara: ao acordar, ela esquece tudo o que aconteceu no dia anterior. Christine não tem passado, contando apenas com o esposo atencioso, Mike (Colin Firth) para saber o que está acontecendo. A coisa já fica complicada quando entra em cena seu terapeuta, Dr. Nasch (Mark Strong), que acompanha o caso de Christine e sempre pede para que antes de dormir ela filme com uma câmera digital informações que podem ser úteis no dia seguinte. Eis que quando ela pega a tal câmera pela primeira vez, sua filmagem faz com que Mike não seja mais tão confiável. O roteiro passa então a criar e destruir nossa confiança nos personagens, (inclusive na própria Christine).   A ideia funciona no início (como se fosse um primo bem menos genial de Amnésia/2000), mas começa a cansar com a fragilidade do roteiro em criar inúmeras reviravoltas, descambando para o ridículo quando descobrimos que toda angústia de Christine poderia ter sido poupada se houvesse o mínimo de coerência na infeliz instituição em que foi internada... mas é melhor eu parar por aqui. Até o final é impossível não ter pena de Christine e de todas as pessoas sem noção que cruzaram o seu caminho (incluindo os que ela mais amava), mas aí a sensação do suspense que aguou no melodrama beira a irritação. Talvez por isso, o Framboesa descontou em Nicole toda a raiva que sentiram o filme ou... queriam dizer para ela ficar mais atenta aos roteiros que recebe. 

Antes de Dormir (Before I Go To Sleep/Reino Unido - França - EUA - Suécia - 2013) de Rowan Joffé com Nicole Kidman, Colin Firth e Mark Strong. ☻☻

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

INDICADOS AO GLOBO DE OURO 2016

Blanchett em Carol: favorito?

Com o anúncio dos indicados ao Globo de Ouro de hoje a temporada de premiações tem seus favoritos mais claros. Depois dos indicados ao Screen Actor's Guild e dos Globos, basta cruzar as listas para ver quem tem chances reais e, quem pode surpreender. Na parte de cinema adorei ver Bryan Cranston ganhando força com Trumbo, filme que era quase uma carta fora do baralho nessa etapa e que ressurge com força na categoria de melhor ator. Carol foi o mais indicado, (cinco categorias, mas eu não conseguia ver um drama  lésbico como favorito, até lembrar da vitória de As Horas em 2003), o que é ótimo para um filme que manteve o foco desde a exibição/premiação em Cannes. Na parte cinematográfica também curti a lembrança de Alicia Vinkander como atriz coadjuvante por Ex-Machina (que poderia fazer  os votantes da Academia reverem o filme e lembrar do roteiro original e do xará Oscar Issac para o Oscar que se aproxima). Se Que Horas ela Volta? ficou de fora, temos, na parte televisiva um autêntico talento nacional: Wagner Moura concorrendo por Narcos da Netflix, que concorre em oito categorias. Ainda na TV, comemoro as indicações da soberba Eva Green, Mr. Robot e de Oscar Isaac pelo seu belíssimo trabalho em Show Me A Hero. A seguir os indicados para o prêmio que acontecerá no dia 10 de janeiro! Escolha seus favoritos e façam suas apostas!

CINEMA

Melhor filme dramático
"Carol", de Todd Haynes
"Mad Max: Estrada da Fúria", de George Miller
"O regresso", de Alejandro González Iñárritu
“O quarto de Jack", de Lenny Abrahamson
"Spotlight", de Tom McCarthy

Melhor ator em filme dramático
Bryan Cranston, por "Trumbo"
Leonardo DiCaprio, por "O regresso"
Michael Fassbender, por "Steve Jobs"
Eddie Redmayne, por "A garota dinamarquesa"
Will Smith, por "Um homem entre gigantes"

Melhor atriz de filme dramático
Cate Blanchett, por "Carol"
Brie Larson, por "O quarto de Jack"
Rooney Mara, por "Carol"
Saoirse Ronan, por "Brooklyn"
Alicia Vikander, por "A garota dinamarquesa"

Melhor diretor
Todd Haynes, por "Carol"
Alejandro González Iñárritu, por "O regresso"
Tom McCarthy, por "Spotlight"
George Miller, por "Mad Max - Estrada da Fúria"
Ridley Scott, por "Perdido em Marte"

Melhor roteiro
Emma Donoghue, por "O quarto de Jack"
Tom McCarthy, Josh Singer, por "Spotlight"
Charles Randolph, Adam McKay, por "A grande aposta"
Aaron Sorkin, por "Steve Jobs"
Quentin Tarantino, por "Os oito odiados"

Melhor filme de comédia ou musical
"A grande aposta", de Adam McKay
"Joy", de David O. Russell
"Perdido em Marte", de Ridley Scott
"A espiã que sabia de menos", de Paul Feig
"Descompensada", de Judd Apatow

Melhor atriz em filme de comédia
Jennifer Lawrence, por "Joy"
Amy Schumer, por "Descompensada"
Melissa McCarthy, por "A espiã que sabia de menos"
Maggie Smith, por "A senhora da van"
Lily Tomlin, por "Grandma"

Melhor ator em filme de comédia
Christian Bale, por "A grande aposta"
Steve Carell, por "A grande aposta"
Matt Damon, por "Perdido em Marte"
Al Pacino, por "Não olhe para trás"
Mark Ruffalo, por "Sentimentos que curam"

Melhor atriz coadjuvante
Jane Fonda, por "Youth"
Jennifer Jason Leigh, por "Os oito odiados"
Helen Mirren, por "Trumbo"
Alicia Vikander, por "Ex Machina"
Kate Winslet, por "Steve Jobs"

Melhor ator coadjuvante
Paul Dano, por "Love & Mercy"
Idris Elba, por "Beasts of no nation"
Mark Rylance, por "Ponte de espiões"
Michael Shannon, por "99 homes"
Sylvester Stallone, por "Creed: Nascido para lutar"

Melhor filme estrangeiro
"Le tout nouveau testament", de Jaco Van Dormael (Bélgica)
"O clube", de Pablo Larraín (Chile)
"The Fencer", de Klaus Härö (Finlândia)
"Cinco graças", de Deniz Gamze Ergüven (França)
"O Filho de Saul", de László Nemes (Hungria)

Melhor animação
"Anomalisa"
"The Good Dinosaur"
"Snoopy & Charlie Brown: Peanuts, o Filme"
"Shaun The Sheep"

Melhor canção original
"Love Me Like You Do", de "50 tons de cinza"
"One Kind of Love", de "Love and mercy"
"See You Again", de "Velozes e furiosos 7"
"Simple Sound #3", de "Youth"
"Writing’s On The Wall", de "007 contra Spectre"

Melhor trilha sonora
Carter Burwell, por "Carol"
Alexandre Desplat, por "A garota dinamarquesa"
Ennio Morricone, por "Os oito odiados"
Daniel Pemberton, por "Steve Jobs"
Ryuichi Sakamoto e Alva Noto, por "O regresso"

TELEVISÃO

Melhor série dramática
"Empire"
"Game of Thrones"
"Narcos"
"Outlander"

Melhor série de comédia ou musical
"Casual"
"Mozart in the Jungle"
"Silicon Valley"
"Transparent"
"Orange is the New Black"
"Veep"

Melhor minissérie ou telefilme
"American Crime"
"American Horror Story: Hotel"
"Fargo"
"Flesh and Bone"
"Wolf Hall"

Melhor atriz em série dramática
Viola Davis, por "How to get away with murder"
Caitriona Balfe, por "Outlander"
Eva Green, por "Penny Dreadful"
Taraji P. Henson, por "Empire"
Robin Wright, por "House of cards"

Melhor ator em série dramática
Jon Hamm, por "Mad Men"
Rami Malek, por "Mr.Robot"
Wagner Moura, por "Narcos"
Bob Odenkirk, por "Better Call Saul"
Liev Schreiber, por "Ray Donovan"

Melhor ator em série de comédia
Aziz Ansari, por "Master of none"
Gael Garcia Bernal, por 'Mozart in the jungle"
Rob Lowe, por "The grinder"
Patrick Stewart, por "Blunt talk"
Jeffrey Tambor, por "Transparent"

Melhor atriz em série de comédia
Rachel Bloom, "Crazy ex-girlfriend"
Jamie Lee Curtis, "Scream queens"
Julia Louis-Dreyfus, "Veep"
Gina Rodriguez, "Jane the virgin"
Lily Tomlin, "Grace and Frankie"

Melhor ator em minissérie ou telefilme
Idris Elba, "Luther"
Oscar Isaac, "Show me a hero"
David Oyelowo, "Nightingale"
Mark Rylance, "Wolf hall"
Patrick Wilson, "Fargo"

Melhor atriz em minissérie ou telefilme
Kirsten Dunst, por "Fargo"
Lady Gaga, por "American horror story: Hotel"
Sarah Hay, por "Flesh and bone"
Felicity Huffman, por "American crime"
Queen Latifah, por "Bessie"

Melhor atriz coadjuvante em série, minissérie ou telefilme
Uzo Aduba, por "Orange is the New Black"
Joanne Froggatt, por "Downton Abbey"
Regina King, por "American Crime"
Judith Light, por "Transparent"
Maura Tierney, por "The Affair"

Melhor ator coadjuvante em série, minissérie ou telefilme
Alan Cumming, por "The good wife"
Damian Lewis, por"Wolf hall"
Ben Mendelsohn, por "Bloodline"
Tobias Menzies, por "Outlander"
Christian Slater, por "Mr Robot"

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

PL►Y: Maníaco

Elijah: o mundo pelos olhos de um doido. 

Lançado em 2012, Maníaco tornou-se uma espécie de pérola do terror indie com fãs fiéis, especialmente por conta de suas imagens em primeira pessoa. Por boa parte da sessão, o espectador vê o mundo pelos olhos de Frank (Elijah Wood, assustadoramente convincente), uma rapaz solitário que trabalha reformando manequins, porém, ele tem o hobby de escalpelar mulheres para ornamentar as peças favoritas que enfeitam a sua casa. Seria um filme trivial de serial killer, se o diretor não optasse pelo desconforto do espectador sentir que está dentro da mente do perturbado personagem, tendo a câmera como os olhos de Frank. O recurso funciona tão bem, que a câmera muda a perspectiva em alguns momentos onde ele termina o, digamos, serviço com uma vítima. No entanto, apesar do recurso engenhoso, o roteiro poderia ser um pouco mais caprichado, afinal, atribui a um manjado trauma de infância o comportamento psicótico do protagonista e aproveita pouco sua atração por Anna (Nora Arnezeder), uma artista plástica que conta com a colaboração do rapaz para criar uma exposição. Pra variar, com exceção da mocinha, todo mundo costuma ser hostil com Frank, deixando seu pavio cada vez mais curto e tornando tudo ainda mais previsível. Apesar de criar climas bastante eficientes e aproveitar ao máximo a estranheza dos cenários decorados com manequins (ou partes do ornamento), lá pela metade o filme esquece sua tentativa de criar um terror modernoso e se rende à sanguinolência mais gratuita. Por conta disso, o final que poderia revelar nuances mais interessantes sobre o personagem, torna-se arrastado e quase cômico, esticando demais a última cena - e deixando o riso inevitável. Mas, vale ressaltar, que ao término da sessão fica na memória a habilidade do diretor Franch Khalfoun em tentar contar sua história de uma forma diferente e a atuação de Elijah Wood, que merece reconhecimento para além de seu Frodo da saga O Senhor dos Anéis.

Maníaco (Maniac/França-EUA/2012) de Franch Khalfoun com Elijah Wood, Nora Arnezeder e America Olivo. ☻☻

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

APOSTAS PARA O OSCAR 2016 - CAPÍTULO FINAL

Na quinta feira, dia 10 de dezembro serão divulgadas as indicações ao Globo de Ouro e, com isso, a cara do Oscar 2016 ficará ainda mais definida. Portanto, esses são meus últimos palpites sobre quem poderá figurar entre os indicados da cerimônia do ano que vem. Deixei para o final alguns filmes que podem ganhar força nessa reta final do ano, eles podem até não figurar na categoria principal, mas podem surpreender em algumas categorias importantes da noite:

No Coração do Mar (In The Heart of the Sea)
Eu já tinha me empolgado com o pôster do novo filme de Ron Howard (divulgado em 2014), mas parece que depois do filme pronto, o estúdio gostou tanto do resultado que resolveu adiar seu lançamento para o fim do ano (para ficar mais perto das premiações). O oscarizado diretor conta a história da expedição marítima que teve que enfrentar várias adversidades - incluindo uma baleia gigantesca. A aventura real inspirou o livro Moby Dick de Herman Melville e já chegou às telas brasileiras colhendo elogios. No elenco estão Chris Hemsworth, Cillian Murphy e Tom Holland.

Youth 
Os filmes de Paolo Sorrentino são sempre peculiares, seus personagens parecem transitar num mundo entre o real e o ideal, o físico e o emocional... depois do Oscar de filme estrangeiro recebido por A Grande Beleza/2013, o diretor conta com Michael Caine e Harvey Keitel para contar a história de um maestro aposentado que é convidado para se apresentar para a rainha Elizabeth II. Esse é  o ponto de partida para uma reflexão contemplativa sobre a passagem do tempo e a inevitável velhice (ou a juventude interior?). Além da dupla de atores renomados, Jane Fonda também faz uma elogiada participação que pode lhe render uma indicação ao prêmio de atriz coadjuvante. 

Grandma
Outra adorada veterana que pode ser lembrada pela Academia é Lily Tomlin, a atriz está espetacular nesse filme de Paul Weitz onde vive Elle Reid, uma mulher reclusa desde a morte da parceira - com que conviveu por 38 anos. Antissocial e de humor ácido, sua vida terá uma guinada quando sua neta (a promissora Julia Garner) lhe pedir ajuda. O filme revela-se um contundente road movie onde essas duas mulheres, em fases diferentes da vida, aprendem juntas sobre as surpresas do caminho. 

Trumbo 
Sei que ele tem poucas chances, mas eu adoraria ver Bryan Cranston indicado a algum prêmio por sua atuação como Dalton Trumbo, um roteirista de Hollywood que em 1947 caiu em desgraça por suas ideias politicas, sendo perseguido durante o MacCarthismo - mais conhecido como período de Caça às Bruxas: bastava ser acusado de ser comunista para  ser tratado como um inimigo do Estado. Trumbo não teve pudores em revelar o absurdo da época e pagou um alto preço por isso. Será que Hollywood voltaria seu olhar para um período tão delicado de sua história? O diretor Jay Roach acredita que sim. 

Anomalisa
Aclamado como o melhor texto de Charlie Kauffman em muito tempo, Anomalisa é mais uma reflexão do escritor sobre o seu lugar no mundo, só que dessa vez seu ponto de vista mudou - ao invés de criticar o mundo, ele critica a sua própria postura diante do mundo. A animação gira em torno do personagem Michael Stone (David Thewlis) e sia dificuldade em interagir com quem está ao seu redor. Um verdadeiro amálgama sobre elementos do mal estar contemporâneo que afeta tanta gente. É o segundo filme de Kauffman na direção e, a grande diferença de suas obras anteriores é ser feito com bonecos (com ajuda de Duke Johnson). As indicações ao Oscar serão divulgadas dia 14 de janeiro - faça suas apostas!!

sábado, 5 de dezembro de 2015

4EVER: Marília Pêra

22/01/1943 ★05/12/2015

Marília Marzullo Pêra nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 1943, filha dos atores Manuel Pêra e Dinorah Marzullo, subindo ao palco pela primeira vez aos quatro anos de idade ao lado de seus pais. Desde os anos 1960, Marília deixou claro que queria ser uma atriz completa. Atuava, cantava e dançava com grande desenvoltura, transitando entre o drama e a comédia sem dificuldades, sendo reconhecida posteriormente como uma das maiores atrizes do Brasil. Marília construiu uma carreira sólida no teatro, na TV e no cinema conquistando mais de trinta prêmios nacionais e internacionais por seus trabalhos. No cinema, atuou em 28 longas metragens, sendo alguns deles, Bar Esperança (1982), Dias Melhores Virão (1989), Central do Brasil (1999), Amélia (2000),  Jogo de Cena (2007) e Polaróides Urbanas (2008) - seu último trabalho nas telonas. Vale lembrar que, por sua forte atuação em Pixote, A Lei do Mais Fraco (1980) Marília recebeu reconhecimento internacional, recebendo o Prêmio de Melhor Atriz pela Sociedade de Críticos de Cinema dos Estados Unidos. Marília faleceu em seu apartamento em Ipanema, após lutar, nos últimos meses, contra um câncer no pulmão.