sábado, 29 de julho de 2017

Na Tela: Eu Não Sou Seu Negro

Baldwin: resgate de uma figura histórica. 

Não deixa de ser interessante que no ano em que três fortes concorrentes ao Oscar de Melhor Documentário abordavam a tensão racial na terra do Tio Sam, acabasse sendo premiado a obra que abordava um negro sendo acusado de assassinato ("O.J.: Made in America", na verdade uma série documental da ESPN).  Se somente filmes estivessem concorrendo (o que irá acontecer no ano que vem), provavelmente o documentário Eu Não Sou Seu Negro de Raoul Peck teria levado o prêmio para casa (derrotando o outro favorito, 13ª Emenda de Ava DuVernay). O filme é interessantíssimo ao conjugar imagens com a narrativa do escritor James Baldwin sobre políticas raciais nos EUA - e o mais assustador é que Baldwin está morto há quase três décadas, mas o seu discurso permanece tão atual quanto antes. O texto que escutamos é inteiramente extraído de trabalhos do escritor, principalmente dos meados da década de 1970, quando ele tentava esboçar um livro sobre o impacto sofrido pelas mortes de Medgar Evers, Martin Luther King e Malcolm X na comunidade afro-americana e como as utiliza para exemplificar uma cultura forjada sobre a ideia de uma supremacia branca. Existe uma riqueza de material histórico tão grande no filme que é impossível não rever alguns conceitos que temos sobre o que está por trás da maioria das produções culturais americanas. Passando por cenas de entrevistas, filmes e programas de televisão, as palavras de Baldwin (lindamente defendidas pela voz de Samuel L. Jackson na narrativa que emoldura todo o filme) nos leva a uma jornada incômoda ao epicentro do racismo. Da luta pelos direitos civis, passando pelo discurso de ódio quando uma jovem negra ousou estudar numa escola "para brancos" o que vemos é um mundo onde o preconceito era legitimado e vivido sem pudores - e que provavelmente muita gente sente falta. Além de trazer um ensaio histórico sobre a questão racial bastante relevante, o filme faz ainda o favor de resgatar uma figura histórica que andava esquecida. Nascido em Nova York em agosto de 1924, James Arthur Baldwin se tornou reconhecido como dramaturgo por suas obras tornarem palpáveis os dilemas  sociais, psicológicos, sexuais e raciais dos personagens. James perdeu o pai para as drogas e viu a mãe se casar com um pastor que sempre lhe tratou com bastante rigidez, o que não impediu que aos dez anos ele sofresse abuso sexual praticado por dois policiais de Nova York. Toda as dores da experiência de vida do escritor ajudaram a construir seu olhar bem-estruturado, coerente e até benevolente sobre os conflitos das relações humanas - o que fica evidente nos textos utilizados neste documentário. Nas cenas em que aparece, Baldwin nunca parece agressivo ou irredutível, pelo contrário, bem articulado e com uma clareza de ideias impressionante, Eu Não Sou Seu Negro retrata com perfeição sua perspectiva sobre um dos problemas que ainda persiste até hoje na sociedade americana - e que parece se fortalecer em todo o mundo a cada dia. Analisado como cinema, a obra de Raoul Peck causa arrepios pela parceria perfeita entre suas ideias e a obra do escritor, como se os dois houvessem planejado este projeto meticulosamente por anos. Suas imagens caem como uma luva às palavras de Baldwin que geram análises contundentes sobre cultura e política social. Dinâmico e bem estruturado, o filme tem o grande mérito de revelar uma grande complexidade na estrutura do discurso racista e o que ele tenta esconder em suas entranhas ideológicas mais ocultas. 

Eu Não Sou Seu Negro (I Am Not Your Negro/EUA-2016) de Raoul Peck com Samuel L. Jackson, James Baldwin, Harry Belafonte e Dick Cavett. ☻☻☻☻

quarta-feira, 26 de julho de 2017

PL►Y: Gênios do Crime

Kristen e Zach: um grande assalto abestalhado. 

A comédia Gênios do Crime deve trazer o grupo de ladrões mais cretino da história do cinema. O que torna o filme mais interessante é que foi inspirado na história real de David Ghantt, um guarda de carros blindados da companhia Lomis Fargo que se tornou responsável pelo roubo de 17 milhões de dólares de bancos variados que estavam em poder da companhia. Curiosamente, Ghantt não ficou com um centavo do dinheiro enquanto se escondia em cidades da América Latina. Trata-se de uma história tão absurda que o diretor Jared Hess não hesita de fazer chacota da coleção de personagens um tanto abestalhados que tem em mãos. Talvez por conta dos exageros (mas o que esse povo esperava do diretor de Napoleon Dynamite/2004 e Nacho Libre/2006 ?) o filme foi muito mal nas bilheterias americanas, conseguindo uma distribuição bastante problemática ao redor do mundo - o que não ajudou em nada a sua carreira internacional. Disponível agora no Netflix, talvez seja a hora de assistirmos ao filme sem tanta severidade e apreciar o bom elenco num roteiro que beira o absurdo. Zach Galifianakis (com seu jeito sem noção habitual) vive David Ghantt e convence como um sujeito que entra numa furada sem se dar conta do que está fazendo. O "gênio do crime" em questão é Steve Chambers (Owen Wilson), amigo de Kelly Campbell (Kristen Wiig), colega de trabalho pela qual David tem uma quedinha. Kristen consegue dar algum charme personagem, tornando compreensível como um sujeito feito David se apaixonaria por ela, ainda mais se levarmos em conta a comicamente estranha na noiva de David encarnada por Kate McKinnon. Se Kate nunca prima pela sutileza, aqui seu humor fora de órbita ajuda  a entender que todo mundo na história tem realmente os parafusos um tanto frouxos. Completam o elenco Jason Sudeikis (como um assassino profissional desencanado) e a dupla Leslie Jones e Jon Daly na pele dos agentes do FBI responsáveis por descobrir o paradeiro do dinheiro roubado. Investindo num besteirol com reconstituição de época breguérrima (o filme se passa em 1996), o filme demonstra que o humor do diretor Jared Hess continua fugindo do lugar comum e, por isso mesmo, pouca gente se identifica com seu senso de humor bastante peculiar. Definitivamente o diretor não quer problematizar nada, reinventar o humor americano, ser levado a sério ou parecer sofisticado, sua intenção é apenas divertir com um bom elenco de comediantes diante de sua câmera e sua linguagem narrativa bastante própria. 

Gênios do Crime (Masterminds/EUA-2016) de Jared Hess com Zach Galifianakis, Kristen Wiig, Owen Wilson, Jason Sudeikis, Kate McKinnon, Leslie jones, Jon Daly e Mary Elizabeth Ellis. ☻☻☻

quarta-feira, 19 de julho de 2017

10+: Scarlett Johansson

Scarlett Ingrid Johansson nasceu em Nova York no ano de 1984 e começou a carreira aos dez anos ao lado de Elijah Wood em O Anjo da Guarda. Acumulando 22 anos, Scarlett é uma das atrizes mais bem sucedidas de sua geração, atuando em filmes independentes ou de grandes estúdios com a mesma desenvoltura. Indicada a quatro Globos de Ouro e premiada por seus trabalhos no teatro, só falta o Oscar lembrar que a moça ainda não teve uma indicação à estatueta até agora. A seguir, minhas dez atuações favoritas da atriz:

#10 Vicky Cristina Barcelona (2008) de Woody Allen
Terceira parceria com Allen (ofuscada por Penélope Cruz). 

#09 Ghost World (2001) de Terry Zwigoff
Antes de ser musa, Scarlett era uma adolescente cool. 

#08 Diário de uma Babá (2007) de Shari Springer e Robert Pulcini
Ela encontra pela segunda vez o Capitão América!

Pena que ela aparece pouco como a diva aquática de Hollywood!

E aí, Marvel? Quando sai o filme solo da Viúva Negra?

... ou: como ter uma ótima atuação sem aparecer em cena!

#4 Sob a Pele (2013) de Jonathan Glazer
Triste alienígena perdida na Terra. 

#03 Match Point (2005) de Woody Allen
Brilho na primeira parceria com o cultuado diretor. 

#02 Encontros e Desencontros (2003) de Sofia Coppola
Musa introspectiva de Coppola filha. 

#01 Moça com Brinco de Pérola (2003) de Peter Webber
Belíssima (re)criação da obra de Johanees Vermeer.

PL►Y: A Vigilante do Amanhã

Pitt e Scarlett: a verdade do vilão. 

Não há como negar que Ghost in The Shell (1995) é um filme absolutamente cult. O clássico anime inspirado na obra de Shirow Masamune inspirou vários filmes de ficção científica (incluindo Matrix/1999) e vivia rodeado de boatos de que teria uma versão em carne e osso, mas ninguém tinha coragem de tirar o projeto do papel. Eis que a estrela Scarlett Johansson declarou ter interesse em ser a protagonista que os estúdios logo deram forma ao filme. Nem vou entrar na discussão sobre whitewashing - por tornar brancos personagens japoneses, porque acho que todo mundo sabe o motivo maior de Scarlett estar no alto dos créditos junto com outros atores americanos. A ideia poderia ser até aproveitada na história sobre identidade e tudo mais, porém, curiosamente, o maior problema do filme é que ele não sabe se abraça a obra que se inspira ou se torna um filme de ação americano. Dirigido por Rupert Sanders, o filme é um deleite visual, pena que não veio acompanhado com um roteiro à altura. Ele perde um tempo danado extraindo o básico da história original e explicando tudo o que acontece diversas vezes, girando a narrativa em torno do mesmo ponto cansativamente. Sendo assim, falta suspense e mistérios para instigar o espectador a acompanhar a jornada de Major (Scarlett) até o fim. Major Miria Killian é uma android com cérebro humano - resultado de um noto tipo de  experiência dos laboratórios Hanka, um modelo que está prestes a ser bastante difundido na tentativa da humanidade lidar com a sua fragilidade. O ponto principal seria os dilemas de Miria em lidar com um corpo diferente do corpo que habita e os sacrifícios que precisa fazer para viver em sua nova forma. Paralelo a isso, ela precisa encontrar um hacker que ameaça a humanidade ao poder controlá-los graças às partes tecnológicas que possuem. Trata-se de uma ideia genial, que faz ainda mais sentido com o fascínio que a tecnologia exerce sobre os seres humanos (que utilizam celulares a todo instante como se fossem partes de seus corpos e mentes), mas o filme decepciona por trazer soluções simplistas para algo que poderia ser muito mais explorado. Nem adianta colocar a premiada Juliette Binoche para dar credibilidade ao que o roteiro diz, ou colocar Michael Pitt em visual impressionante para ser um vilão que se revela mais parecido com Major do que ela imagina. Ironicamente quanto mais a protagonista se aproxima de sua origem, mais a história se distancia do que poderia ter sido. O resultado acaba sendo uma ficção científica  superficial em sua necessidade de tiros e explosões a cada vinte minutos, assim, A Vigilante do Amanhã é um belo espetáculo visual, mas disperso e esquecível - e a culpa nem é de sua estrela. Talvez um diretor mais arrojado (escalar o responsável pelo pífio Branca de Neve e o Caçador/2012 nunca me pareceu uma boa ideia) teria feito toda a diferença, somente ele poderia deixar Batou (o bom ator dinamarquês Pilou Asbaek) tão de lado na história... A Vigilante do Amanhã se distancia bastante do anime e parece mais um remake feminino futurista do Robocop/1987 original - e, mesmo assim, sai perdendo. 

Batou (Pilou Asbaek): de lado. 

A Vigilante do Amanhã (Ghost in the Shell/EUA-2017) de Rupert Sanders com Scarlett Johansson, Juliette Binochhe, Pilou Asbaek, Michael Pitt, Chin Han, Takeshi Kitano e Peter Ferdinando. ☻☻

terça-feira, 18 de julho de 2017

PL►Y: A Chefa

Melissa e Kristen: graça com o mundo dos negócios.

Melissa McCarthy foi indicada ao Oscar de coadjuvante por sua atuação em Missão Madrinha de Casamento (2011), uma pérola da comédia grosseira (que também concorreu ao prêmio de roteiro original) que fez um enorme sucesso (e de vez em quando ainda assisto as reprises). Depois disso, Melissa abraçou a causa do estilo e utiliza sua habilidade de criar tipos e graça do humor físico para manter o pique de protagonizar dois filmes por ano. Em alguns casos a comediante parece repetitiva e a parceria com o marido - o ator/diretor Ben Falcone nem sempre ajuda -  como foi o caso deste A Chefa. Massacrado pela crítica o filme fez algum sucesso nos Estados Unidos, mas deve ter soado o alarme na carreira da atriz (já que aqui no Brasil ele saiu direto em DVD). Embora não traga muita novidade ao currículo da atriz, o filme pelo menos oferece a oportunidade da atriz criar um dos seus tipos mais interessantes na pele da magnata Michelle Darnell. Darnell é um monstro dos empreendimentos, ganhando muito dinheiro nos negócios e em palestras motivacionais cheios de pirotecnia. Porém, ela está prestes a entrar em uma má fase, condenada à prisão, toda sua fortuna vai por água abaixo. Claro que ela vai querer dar a volta por cima - mas poderá contar somente com a  ajuda da ex-secretária, Claire (Kristen Bell) e a pequena Rachel (Ella Anderson), filha de Claire. As três vão acabar se juntando e descobrindo que apesar dos pesares, Claire ainda tem um cifrão no lugar do coração. Ou não? Dirigido por Falcone, o filme tem problemas de ritmo e em alguns momentos erra o tom na tentativa de forçar risadas (como nos tombos insistentes de Michelle), mas o filme tem lá sua graça. Para começar Melissa está divertida fazendo as caras, bocas e trejeitos em sua personagem sempre de gola alta, sendo um verdadeiro amálgama dessas figuras que tentam nos fazer acreditar que todos podemos ser milionários, basta "nunca desistir do seu sonho"! Sei. Todo mundo reconhec que a atriz não tem pudores quando está diante de uma câmera, ou com uma caneta na mão, já que ela também assina o roteiro ao lado do esposo. Sem dar bola para o politicamente correto, ela cria relações que fogem do corriqueiro ao colocar Peter Dinklage como vilão (e antigo affair de Michelle) - que tem como comparsa o grandão Timothy Simons (1,92m), o Jonah Ryan de Veep. Além disso, coloca a cobiçada Kristen Bell fazendo par com o fofo Tyler Labine numa química deliciosa. Não satisfeita, ela cria cenas de puro nonsense como a do clareamento nos dentes, a luta das bandeirantes e a invasão no hotel de luxo. Diante disso, entendo todas as reclamações sobre o filme, mas não posso negar que as risadas foram inevitáveis. 

A Chefa (The Boss/EUA-2016) de Ben Falcone com Melissa McCarthy, Kristen Bell, Peter Dinklage, Ella Anderson, Tylor Labine, Kathy Bates, Timothy Simons e Kristen Schaal. ☻☻☻

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Na Tela: Nunca Me Sonharam

Educação no Brasil: ainda em sua longa jornada.

É sempre curioso como a sociedade repete para si que a educação é fundamental para melhoria da situação de um país. No entanto, poucos se perguntam que educação é essa que se oferece para os alunos. O Brasil é um país de proporções continentais e com uma diversidade que acompanha essa proporção gigantesca. Trata-se de uma diversidade não apena de cores, credos, culturas, mas também de condições econômicas, déficits e sonhos. Nunca Me Sonharam é um documentário sobre alunos do Ensino Médio de diversas localidades. Por sorte ele não pretende ser didático, defender uma corrente educacional ou massacrar mais uma vez a escola pública. O filme de Cacau Rhoden escuta principalmente jovens comentando suas opiniões sobre a realidade que observam e desejam com a escola que possuem. O resultado impressiona por apresentar a distância que existe entre suas angústias e o ensino, muitas vezes fornecido em uma estrutura precária repetindo que eles são responsáveis pelo futuro do país. E quem seria responsável pela educação desses responsáveis pelo futuro? Estes não seriam mais responsáveis ainda pela degradação dos recursos destinados à vastidão de alunos que dependem do Ensino Público? Nunca Me Sonharam evita posicionamentos partidários, mas apresenta entrevistas contundentes (também com educadores, psicólogos, psicanalistas, mães de alunos) que repetem que algo está errado, ou pelo menos, não se encaixa no discurso que é propagado (muitas vezes demagogicamente sobre a educação em nosso país). Imagino o trabalho enorme que Cacau teve para deixar o filme pronto, escolher as melhores falas de seus entrevistados e costurar sua narrativa documental sem perder o foco na dificuldade que a maioria das escolas possuem em criar uma sintonia com seus alunos. Sintonia esta importantíssima para o processo de ensino-aprendizagem e formação de seus estudantes. Manter o foco deve ser o mais difícil, já que a escola está sempre entrecortada por tantos fatores (estigmas, crises econômicas, políticas, sociais, o acesso à informação, a violência, cortes de verbas...) e uma juventude tão cheia de informação - o que potencializou ainda mais a indecisão, a ansiedade e a insegurança perante o mundo que lhes apresentam. Sorte que no meio do desespero, o filme apresenta iniciativas de quem conseguiu repensar sua prática e conseguiu driblar obstáculos com doses consideráveis de criatividade e esperança. A obra comove por ser dolorosamente real ao dar voz a pessoas que geralmente são silenciadas nas propostas educacionais, mas como documentário assusta por ser mais um sobre a educação brasileira em que se percebe que pouca coisa mudou nos paradigmas escolares nas últimas décadas. Imagino Cacau reencontrando seus entrevistados em 2027 e mostrando que futuro eles conseguiram construir. Imagino que todos terão muito trabalho para consertar o caos que vivenciamos nos últimos anos. Diante de todas as dificuldades que vemos retratadas no filme, desejar boa sorte e repetir bordões politiqueiros não é suficiente - e faz tempo... 

Nunca me Sonharam (Brasil/2017) de Cacau Rhoden ☻☻☻☻

domingo, 16 de julho de 2017

4EVER: Martin Landau

20 de junho de 1928 ✰ 16 de julho de 2017

Martin Landau nasceu no Brooklyn em Nova York, começando sua carreira artística como cartunista e ilustrador no jornal New York Daily News, mas o rapaz queria mesmo era ser ator! Ele começou a fazer teatro em 1951 e oito anos depois já podia ser visto na TV. O seu primeiro trabalho no cinema foi em Os Bravos Morrem de Pé (1959) e no mesmo ano ele apareceu em Intriga Internacional de Alfred Hitchcock. No entanto, continuou seus trabalhos televisivos em várias séries importantes - Além da Imaginação (em 1954 e 1969), Os Defensores (em 1964), O Homem da U.N.C.L.E. (em 1966) e protagonizando a antológica Missão:Impossível  por três temporadas (1966 até 1969). Nos anos 1980 ele se dedicou mais ao cinema, conseguindo sua primeira indicação ao Oscar em Tucker (1988) na categoria de ator coadjuvante, categoria em que seria indicado mais duas vezes - por seu trabalho com Woody Allen em Crimes e Pecados (1989) e sendo premiado seis anos depois por sua inesquecível recriação de Bela Lugosi em Ed Wood. Landau participou de quase duzentas produções e seu último papel marcante foi em Memórias Secretas (2015) de Atom Egoyam. O ator faleceu aos 89 anos de causas naturais após ser hospitalizado. 

PL►Y: Buddymoon

David e Flula: amigos dentro e fora da tela. 

Buddymoon é um dos inúmeros filmes independentes de pequeno orçamento que são vistos em alguns festivais do gênero, rendem risadas, algumas críticas simpáticas, tem uma distribuição minúscula e fica por isso mesmo. Para o caso de você cruzar com o filme em algum lugar, vale a pena conferir esta empreitada dos atores David Giuntoli (da série Grimm) e Flula Borg (que assinam o roteiro) ao lado do diretor Alex Simmons. Simmons pega uma ideia simples e a conduz com uma fluência impressionante, alcançando um resultado divertido e até sensível em seus oitenta minutos de duração. A história gira em torno de David (Giuntoli), um ator que acaba de terminar o relacionamento com a noiva quando estavam prestes a se casar e viajar em lua de mel. David é um atua desde pequeno, mas ainda busca reconhecimento (e pode conseguir ao ser escalado para viver o explorador William Clark pelo qual tanto aguarda). Triste com a maré de azar que atravessa, o amigo alemão Flula (Borg) o convence a fazer a viagem de lua-de-mel ao lado dele, afinal, tudo já está pago e resta apenas aproveitar. A maior parte do filme é sobre os dois amigos convivendo enquanto seguem uma quilométrica trilha até o hotel em que o casal ficaria hospedado. Pelo caminhos os dois conversam, brigam e enfrentam algumas situações divertidas. Com David sendo o amigo bonitão e Flula na pele do amigo bobalhão, o filme até parece que irá cair no velho clichê dos amigos diferentes que se complementam (pelo menos aqui eles se equilibram), mas o longa evita algumas armadilhas com ideias criativas (e antes que você comece a rir de Flula querendo gravar sons da natureza para criar uma  música, lembre-se que o Franz Ferdinand tentou fazer o mesmo para o seu segundo CD e não funcionou - e aqui o final reserva uma surpresa para os incrédulos). Entre peças que um prega no outro, consumo de cogumelos, encontros com lobos e uma confusão entre os reais Lewis e Clark com o relacionamento de Lois e Clarke (das HQs), Alex Simmons cria um belo bromance - aquele subgênero de filmes sobre amizades masculinas. No entanto, o que impressiona mesmo é a capacidade do diretor em soar sincero em cada cena que apresenta para a plateia, tão sincero que você até esquece que está vendo um filme. 

Buddymoon (EUA-2016) de Alex Simmons com David Giuntoli, Flula Borg e Claire Coffee. ☻☻☻

4EVER:George A. Romero

04 de fevereiro de 1940 ✰ 16 de julho de 2017

Nascido no Bronx em 1940, George Andrew Romero tinha pai cubano e mãe lituana. Admirador de filmes de terror desde pequeno, Romero ficou famoso por criar um estilo próprio dentro do gênero. Após se formar em 1960 ele começou a fazer curtas e comerciais para a televisão, mas foi em 1968 que chamou atenção ao dirigir A Noite dos Mortos Vivos, filme que é cultuado até hoje como um marco para os filmes de horror. Com o filme, Romero colocou os Zumbis entre os grandes monstros da história do cinema, criando vários outros filmes de temática semelhante e servindo de inspiração para todos os que fizeram filmes  de zumbi depois dele.  Depois de uma pausa na carreira em 1993, ele retornou em 2000 com A Máscara do Terror e criou uma nova trilogia sobre mortos vivos com Terra dos Mortos (2005), Diário dos Mortos (2007) e Ilha dos Mortos (2009). Em seus filmes podem ser percebidas críticas ao militarismo, ao consumismo e até aos conturbados anos 1960.  Romero faleceu no Canadá em consequência de um câncer de pulmão.