quinta-feira, 21 de maio de 2026

PL►Y: O Morro dos Ventos Uivantes

O casal: Matando um Clássico

Literato diáriw, deve fazer uns seis anos que li O Morro dos Ventos Uivantes de Emily Brontë. Confesso que não está entre os meus favoritos, o que não impede que eu reconheça a importância do livro e o que o torna um clássico da literatura mundial. Os personagens complicados, os diálogos cheios de atrito e as relações cheias de conflitos fazem dele um verdadeiro marco literário. Lançado em 1847 a o obra é cultuada até hoje por uma legião de fãs e conta com umas treze versões para o cinema. A primeira é de 1920 (ainda na época do cinema mudo), mas a que carrego na mente é a de 1992 com Juliette Binoche e Ralph Fiennes. Esta última é dirigida por Emerald Fennell, a diretora e roteirista tem um Oscar na estante por Bela Vingança (2020), filme que a tornou uma das poucas mulheres a concorrer ao Oscar de melhor direção. Talento a moça tem, assim como gosto pela controvérsia (basta ver seu filme seguinte, Saltburn/2023 que eu adoro), mas o que ela faz aqui é uma grande bobagem. Para além de todas as mudanças sobre classes sociais e personagens secundários no filme, tenho a impressão que toda a tensão entre Catherine (Margot Robbie) e Heahcliff (Jacob Elordi) se torna pretexto para um filme tão pretensioso quanto sem alma. Os dois são personagens complicados, que fervem de desejo, mas deixam convenções sociais e sentimentos sombrios se sobreporem a todo amor que possam vivenciar. Nesta nova versão, ambos parecem perdidos na escalada das emoções (e repetidas cenas de sexo com roupa não diminuem esta sensação). Margot e Jacob fazem o que podem, mas o filme não decola. É arrastado, chato e desencontrado - mas para Emerald ele deve ser ousado e incompreendido. Não é. Tem como desver isso? Única coisa que salva é a performance de Hong Chau como Nelly. Decepcionante.  

O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering Heights / Reino Unido - EUA / 2026) de Emerald Fennell com Margot Robbie, Jacob Elordio, Hong Chau, Shazad Latif, Alison Oliver, Ewan Mitchell e Martin Clunes. 

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