domingo, 27 de fevereiro de 2011

GANHADORES DO FRAMBOESA DE OURO 2011


O pior do ano: Os poderes de Shyamalan acabaram?

Como de praxe, todo ano os ganhadores do Framboesa de Ouro são divulgados no sábado na véspera do Oscar. Sei que a premiação é uma grande avacalhação em cima dos filmes que recebem destaque na mídia com campanhas de marketing poderosas, astros em evidência e no fim das contas tudo que você pensa é que quer o dinheiro de volta (inclusive os produtores querem isso). Bom que neste ano eu descobri que outras pessoas acham os filmes de Sex & The City uma total perda de tempo. Além disso o Framboesa de Ouro ainda serve para dar uns toques em quem precisa repensar a carreira na telona (como Jéssica Alba que se esforçou tanto que conseguiu o prêmio de pior coadjuvante por TODAS as suas atuações no ano. Enfim, uma estrela!). A seguir os perdedores, digo, os vencedores:

Pior filme: O Último Mestre do Ar

Pior ator: Ashton Kutcher (Par perfeito / Idas e vindas do amor)

Pior atriz:  Sarah Jessica Parker, Kim Cattrall, Kristin Davis e Cynthia Nixon (Sex and the city 2)

Pior ator coadjuvante: Jackson Rathbone  (O último mestre do ar / A saga Crepúsculo: Eclipse)

Pior atriz coadjuvante: Jessica Alba (The killer inside me / Machete / Idas e vindas do amor / Entrando numa fria maior ainda com a família)

Pior diretor:  M. Night Shyamalan (O último mestre do ar)

Pior roteiro: O último mestre do ar

Pior casal ou elenco:  Sex and the City 2 (Todo elenco)

Pior sequência, versão ou paródia: Sex and the City 2

Pior uso de 3D: O último mestre do ar

INDEPENDENT SPIRIT AWARDS - 2011

Cisne Negro: O melhor filme independente de 2010.

Nesta véspera de Oscar o Independent Spirit Award resolveu divulgar os seus ganhadores. O Grande vencedor foi Cisne Negro, que levou para casa quatro prêmios. O curioso é que no fim das contas quatro dos indicados ao prêmio do cinema independente também estão entre os concorrentes ao Oscar de Melhor Filme (se Greenberg estivesse entre os indicados ao Oscar eu ia ter urticárias infeccionadas até o ano que vem!!!). Vale ressaltar que o Discurso do Rei ganhou o prêmio de filme estrangeiro e o ganhador na categoria documentário está entre os indicados ao Oscar - e com a expectativa do misterioso diretor (Bansky aparecer na festa. Os marketeiros do Oscar não tem mais o que inventar: Rede Social x Discurso do Rei, Melissa Leo x Hailee Steinfeld, Annete Benning x Portman, Banksy x Trabalho interno, Javier Bardem x Bullying...) . Enfim, vamos aos ganhadores:

MELHOR FILME

127 Horas
Inverno da Alma
Greenberg
Minhas Mães e Meu Pai
Cisne Negro

MELHOR DIRETOR
Darren Aronofsky (Cisne Negro)
Danny Boyle (127 Horas)
Lisa Cholodenko (Minhas Mães e Meu Pai)
Debra Granik (Inverno da Alma)
John Cameron Mitchell (Rabbit Hole)

MELHOR ATOR
Aaron Eckhart (Rabbit Hole)
James Franco (127 Horas)
Ronald Bronstein (Daddy Longlegs)
John C. Riley (Cyrus)
Ben Stiller (Greenberg)

MELHOR ATRIZ
Natalie Portman (Cisne Negro)
Nicole Kidman (Rabbit Hole)
Annette Bening (Minhas Mães e Meu Pai)
Greta Gerwig (Greenberg)
Jennifer Lawrence (Inverno da Alma)
Michelle Williams (Blue Valentine)

ATOR COADJUVANTE
John Hawkes (Inverno da Alma)
Bill Murray (Get Low)
Jon Ortiz (Jack Goes Boating)
Samuel L. Jackson (Destinos Ligados)
Mark Ruffalo (Minhas Mães e Meu Pai)

ATRIZ COADJUVANTE
Ashley Bell (O Último Exorcismo)
Dale Dickey (Inverno da Alma)
Allison Janney (A Vida Durante a Guerra)
Daphne Rubin-Vega (Jack Goes Boating)
Naomi Watts (Destinos Ligados)

ROTEIRO
Minhas Mães e Meu Pai 
Inverno da Alma
Sentimento de Culpa
Rabbit Hole
A Vida Durante a Guerra

FILME DE ESTREIA
Everything Strange and New
Get Low
Night Catches Us
O Último Exorcismo
Tiny Furniture

ROTEIRO DE ESTREIA
Obselidia
Lovely, Still
Tiny Furniture
Jack Goes Boating
Monogamy

FILME ESTRANGEIRO
O Discurso do Rei
Tio Boonmee, que Pode Recordar Suas Vidas Passadas
Mademoiselle Chambon
Kisses
Of Gods and Men

MELHOR DOCUMENTÁRIO
Exit Through the Gift Shop
Marwencol
Restrepo
Sweetgrass
Thunder Soul

FOTOGRAFIA
Never Let Me Go
Cisne Negro
Tiny Furniture
Inverno da Alma
Greenberg

sábado, 26 de fevereiro de 2011

PALPITES PARA O OSCAR 2011


Os dez na mira do Oscar: Já escolheu o seu favorito?

Amanhã é o dia da entrega do Oscar e a festa costuma ser bem menos acalorada do que as discussões e especulações com os amigos sobre quem vai levar o que! Quem diria que quando A Rede Social achava que não havia ninguém no seu caminho o redondinho O Discurso do Rei e faria os acadêmicos voltarem suas atenções para uma produção que remete aos ganhadores de décadas atrás. E Melissa Leo? Será que sua crise de vaidade feminina vai render o Oscar para uma moleca de quatorze anos? Pura maldade! Será que os votos se dividiram entre as duas e Helena Bonhan Carter ao ponto de Amy Adams finalmente vingar uma indicação? A Academia vai finalmente dar um Oscar para Anette Benning em sua quarta tentativa e desvalorizar a estupenda atuação de Natalie Portman em Cisne Negro? E James Franco, será apenas o apresentador da noite (ao lado de Anne Hathaway) ou pode levar o prêmio de ator para casa por carregar 127 Horas nas costas? Enfim, entre as novidades do ano está a volta dos números musicais (ah, vai, senti a maior falta deles no ano passado. São bons nem que seja para falar mal... rs) e do polido The Oscar Goes To... aqui vão as minhas apostas para este ano (o que não significa que a maioria deles sejam meus favoritos):

FILME A Rede Social

DIRETOR David Fincher (A Rede Social)

ATOR Colin Firth (O Discurso do Rei)

ATRIZ Natalie Portman (Cisne Negro)

ATOR COADJUVANTE Christian Bale (O Vencedor)

ATRIZ COADJUVANTE Melissa Leo (O Vencedor)

ROTEIRO ORIGINAL A Origem

ROTEIRO ADAPTADO A Rede Social

EFEITOS ESPECIAIS A Origem

EDIÇÃO A Rede Social

FOTOGRAFIA O Discurso do Rei

DIREÇÃO DE ARTE Alice no País das Maravilhas

FIGURINO O Discurso do Rei

MAQUIAGEM O Lobisomen

TRILHA SONORA A Origem

CANÇÃO ORIGINAL We Belong Together (Toy Story 3)

MIXAGEM DE SOM A Origem

EDIÇÃO DE SOM A Origem

FILME DE ANIMAÇÃO Toy Story 3

DOCUMENTÁRIO Trabalho Interno

FILME ESTRANGEIRO Biutiful

CURTA-METRAGEM ANIMAÇÃO Day & Night

CURTA-METRAGEM FICÇÃO Wish 143

CURTA-METRAGEM DOCUMENTAL Sun Come Up

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

INDICADOS AO OSCAR 2011: MELHOR FILME

BRAVURA INDÔMITA (10 indicações) Acho que nem os irmãos Coen inaginavam que ao toparem refilmar o clássico de John Wayne alcançariam seu maior sucesso de bilheteria. A saga de vingança da adolescente (Hailee Steinfeld) auxiliada por um beberrão caolho (Jeff Bridges) conquistou o público - que deixou nos cofrinhos cinematográficos uma bilheteria mais de 164 milhões de dólares. O filme concorre ainda aos prêmios de direção (Joel & Ethan Coen, uma rara indicação dupla na categoria), ator (Bridges), atriz coadjuvante (Hailee Steinfeld), roteiro adaptado, fotografia, figurino, direção de arte, edição de som, mixagem de som. Porém, o filme tem fortes chances somente na categoria atriz coadjuvante.

CISNE NEGRO (5 indicações) O otimismo em torno do novo filme de Darren Aronofsky começou assim que deu os primeiros passos na produção. Espécie de irmão gêmeo bivitelino de O Lutador (reparou as tomadas que seguem a protagonista como se ela fosse entrar num ringue?), o filme acompanha todo o sangue, suor e lágrimas de uma jovem bailarina (Natalie Portman) perfeccionista que surta ao ter de lidar com seu lado sombrio na montagem perante os ensaios de Lago dos Cisnes. O mergulho tenso na atmosfera criada pelo filme fez com que arrecadasse mais de cem milhões de dólares só nos EUA, um sucesso inesperado para uma produção sombria que custou treze milhões (difíceis de serem arrecadados pelo diretor). O filme está ainda no páreo de melhor direção, atriz (Portman a favorita na categoria), edição e fotografia.

127 HORAS (6 indicações) Dois anos depois de levar para a casa o Oscar de Melhor Filme (com Quem quer ser um Milionário?), Danny Boyle volta ao páreo na categoria mais cobiçada pela trama real do jovem sedento de aventura (James Franco, muito elogiado) que por um acidente acaba com o braço preso debaixo de uma rocha - permanecendo isolado do resto do mundo. Ninguém sabia do seu paradeiro, ele não levou celular e sozinho consigo mesmo teve de lutar para sobreviver (chegando a beber a própria urina) e decidir o que fazer. Precisa dizer como o cara saiu dessa enrascada? Pelo exercício realista (e angustiante) o filme conseguiu espaço ainda nas categorias de ator (Franco), roteiro adaptado, edição, melhor canção e trilha sonora. O filme tem fortes chances na categoria de melhor canção (If I Rise  de A.R. Rahan, na voz de Dido).

O DISCURSO DO REI (12 indicações) Aos poucos essa produção britânica foi ganhando força e se tornando o grande rival de A Rede Social. Tom Hooper investe numa narrativa clássica para abordar a gagueira do rei George VI (Colin Firth) e seu tratamento (que fala mais sobre criar uma postura de liderança do que falar corretamente). Na reta final o filme começou a gerar críticas sobre a memória seletiva do roteiro para não abordar algumas manchas na trajetória de vossa majestade. Será que as qualidades redondinhas do filme serão abaladas por isso? O filme já levou o BAFTA, alguns prêmios de sindicatos e foi o mais indicado deste ano - sendo lembrado ainda nas categorias de direção, ator (Firth), ator coadjuvante (Geofrey Rush), atriz coadjuvante (Helena Bonhan Carter), roteiro original, direção de arte, fotografia, figurinos, edição, trilha sonora e mixagem de som. Tendo como certa a vitória de Colin Firth como melhor ator.

INVERNO DA ALMA (4 indicações) O filme de é um drama simples e correto que ganhou respeito assim que foi exibido no Festival de Sundance do ano passado. O filme conta a trajetória da jovem Ree (Jennifer Lawrence), uma jovem que tem que cuidar da família desde cedo e que resolve descobrir o paradeiro de seu pai traficante. Pelo clima opressor das paisagens e dos personagens desagradáveis (que parece ter inspiração no cinema noir) a diretora Debra Granik conseguiu agradar a Academia que lhe garantiu mais três lembranças entre os melhores do ano: atriz (Jennifer Lawrence, o aspecto mais elogiado do filme), ator coadjuvante (John Hawkes) e roteiro adaptado. Apesar dos elogios o filme deve sair sem ganhar prêmio algum.



MINHAS MÃES E MEU PAI (4 indicações) Nada mais justo que quando o Oscar dobrasse seus candidatos na categoria principal, existisse o dobro de filmes indies entre eles. Minhas Mães e Meu Pai foi exibido em Sundance no início do ano e traz o olhar da diretora Olga Cholodenko sobre as famílias modernas. O filme acompanha o momento em que os filhos do casal lésbico Nic (Annette Benning) e Jules (Julianne Moore) descobrem seu pai biológico. A presença paterna neste clã moderno irá gerar mudanças consideráveis na vida desta família. O filme já levou o Globo de Ouro de melhor comédia/musical e de melhor atriz comédia/musical (Benning) mas não teve forças para emplacar a merecida indicação de Moore ao Oscar. Além da categoria de melhor filme, o longa está concorrendo ao prêmio de atriz (Benning, a verdadeira ameaça à Natalie Portman na categoria), ator coadjuvante (Mark Rufallo) e roteiro original.

A ORIGEM (8 indicações) O melhor filme de 2010 acabou ficando de fora da categoria direção, o que compromete sua vitória nesta aqui. A Origem é mais uma obra-prima de Christopher Nolan, uma fantasia de cores realistas que acompanha um grupo de pessoas capazes de invadir sonhos alheios para roubar informações confidenciais ou inserir ideias. Entre citações de filmes (de Titanic à Piaf), Nolan contrói um filme onde sonho, realidade, memórias e medos se misturam com perfeição e deixa o público atento por mais de duas horas de projeção. Num ano de filmes pouco inventivos, A Origem mostrou que ser original ainda garante sucesso de bilheteria. Esta pérola da sétima arte deve levar para a casa os prêmios de roteiro adaptado (e limpar a barra da Academia com Chris Nolan), efeitos especiais e trilha original. Além dessas categorias o filme concorre nas categorias direção de arte, fotografia, edição de som, mixagem de som.

A REDE SOCIAL (8 indicações) O filme de David Fincher conta a história da criação do Facebook como uma anedota moderna sobre as relações no mundo contemporâneo - onde mantemos contato com as pessoas através de uma tela de computador e deixamos de nos relacionar com as que estão próximas de nós. Mas afinal de contas, o que é se relacionar? O que significa ser amigo? O que é fazer parte de uma rede social com mil amigos virtuais? Essas questões aparecem a partir da trajetória do gênio nerd Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg) e seu amigo brasileiro Eduardo Saverin (Andrew Garfield, um dos grandes esquecidos pela Academia). O filme era o favorito até que O Discurso do Rei foi ganhando força nos prêmios dos sindicatos e no BAFTA, mas esse embate só vai aumentar a expectativa para a premiação. O filme ainda concorre nas categorias de direção, ator (Eisenberg), trilha sonora, fotografia, edição, mixagem de som, sendo praticamente imbatível somente na categoria de roteiro adaptado.

TOY STORY 3 (5 indicações) Sucesso mundial, passando do bilhão de dólares em bilheteria, o filme encerra com chave de ouro a história dos brinquedos do menino Andy sem medo de ser sombrio ou mais dramático que os anteriores (cortesia do diretor Lee Unkrich). O mais interessante é como o filme abraça o maior medo que os brinquedos tem desde o primeiro filme: serem descartados. Andy agora vai para a faculdade e seus brinquedos acabam indo por engano para uma creche onde são dominados por um urso de pelúcia cheio de ressentimentos. O cowboy Woody (Tom Hanks, em seu melhor filme em muito tempo) e o astronauta Buzz Lightyear (Tim Allen), embarcam em mais esta aventura com clima de despedida. O filme ainda concorre nas categorias roteiro adaptado, canção original (We belong together de Randy Newman) e deve levar, pelo menos, a de melhor animação.

O VENCEDOR (7 indicações) O filme de sarjeta sobre um boxeador (Mark Wahlberg) em busca da fama e  seu relacionamento com a mãe dominadora (Melissa Leo), o irmão viciado (Christian Bale) e o amor de sua vida (Amy Adams) faz cada vez mais sucesso.  Embora eu ache que filmes de boxe são todos parecidos, este aqui tem seus méritos - especialmente no elenco que faz de tudo para a coisa não descambar para o melodrama. O filme era o favorito na categoria de atriz coadjuvante até aquela malfadada campanha autônoma de Melissa Leo na reta final - mesmo assim sua atuação permanece sendo irrepreensível (o que lhe valeu o Globo de Ouro de coadjuvante), assim como a de sua colega de elenco (e concorrente ao prêmio de coadjuvante) Amy Adams que pode surpreender. Chritian Bale ainda tem chances na categoria de coadjuvante (pela qual já levou no Globo de Ouro). O filme ainda concorre nas categorias direção (David O. Russel), edição e roteiro original. 

O ESQUECIDO: ILHA DO MEDO (00 indicações) Diz a lenda que o filme de Martin Scorsese não foi lançado ao final de 2009 para não ficar à sombra de Avatar, por conta disso estreou no Festival de Berlim, dividiu a crítica, se tornou o maior sucesso de bilheteria do diretor e foi totalmente esnobado no Oscar. Será que a estratégia de lançá-lo ao início do ano foi realmente boa? Considero que o filme merecia pelo menos umas cinco indicações - e deveria levar a de trilha sonora, por mais que eu goste de A Origem. Acho que até DiCaprio merecia uma indicação ao Oscar de ator, especialmente pelos momentos finais de seu personagem: um detetive que vai parar numa ilha hospício e que parece enlouquecer aos poucos. Dizer mais que isso estraga. Nada foi lembrado, dos figurinos à fotografia passando pela edição e o elenco (onde até o menor papel não faria feio entre as indicações de coadjuvante). Tudo bem que o filme não é perfeito, mas é melhor do que pelo menos uns três concorrentes desta categoria.   

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

CATÁLOGO: Eu Amo Huckabees


Huckabees: Schwartzman e Law resolvendo crise existencial no braço.

Lembro quando David O. Russel surgiu no cinema independente com Procurando Encrenca (1996) uma comédia que fez sucesso no verão americano com a história de um homem (Ben Stiller) que procurava seus pais biológicos ao lado da esposa (Patricia Arquette) enquanto lidava com a própria paternidade. Achei que a trama exibia um gosto pelo existencialimo naquele diretor estreante. Depois Russel fez um filme de guerra protagonizado por George Clooney e Mark Wahlberg (que desde então se tornou uma espécie de fetiche do diretor) chamado Três Reis (1999) que dissipou o gosto do primeiro filme com a polêmica de uma bala perfurando o corpo de um cadáver. Uma bobagem que acabou esquecida perante os méritos da abordagem diferente da guerra do golfo. Anos depois eu não esperava que o diretor fizesse uma comédia tão esquisita quanto Eu Amo Huckabees que saiu direto em DVD por aqui mesmo tendo um elenco de primeira. Huckabees abraça o existencialismo de forma confusa numa trama que mistura do consumismo à psicanálise. Albert Markovski (Jason Schwartzman, primo de Sofia Coppola e queridinho dos indies) é um jovem poeta cheio de ansiedades e que é alvo de estudos de um casal de investigadores existencialistas (!?) interpretados por Lily Tomlin e Dustin Hoffman. A dupla tenta fazer com que o jovem descubra seu verdadeiro eu para que possa se relacionar melhor consigo mesmo e com o mundo. Seguindo preceitos transcendentais eles esperam fazer com que o rapaz resolva suas angústias.  Em meio ao tratamento, Albert acaba conhecendo uma psicanalista francesa (Isabelle Hupert, numa atuação esquisitamente sexy) que segue uma linha diferente de tratamento - regado à liberação sexual e niilismo. Parece confuso? Mas eu ainda nem falei que Albert descobre um parentesco espiritual com um bombeiro fortão (Mark Wahlberg) que acaba se envolvendo com a garota propaganda (Naomi Watts) que namora com um executivo da empresa (Jude Law) que é o total oposto de Albert. Este executivo jovem, belo e bem sucedido irá mergulhar em crise semelhante ao de Markovski ainda que por caminhos opostos. David O. Russel parece ter ficado tão fascinado com os filmes roteirizados por Charlie Kauffman que resolveu criar um genérico do roteiro de Adaptação (2002) e Quero ser John Malkovich (1999), afinal seus personagens abusam da crise existencial e da busca por novos rumos a partir de experiências pouco ortodoxas. É desta mistura que brota a originalidade do filme, mas ao mesmo tempo torna a trama repetitiva com conceitos ligados ao existencialismo, à metafísica, ao destino, à filosofia, à psicanálise, ao absurdismo (é isso mesmo...) e o que mais passar na sua cabeça quando assistir ao filme que parece se mover de nó em nó até o final simples para uma produção tão pretensiosamente elaborada. Talvez depois de tanta confusão o diretor tenha aceitado o convite de dirigir O Vencedor a pedido de Wahlberg (eu disse que era um fetiche) e que valeu à Russel a primeira indicação ao Oscar de direção.

Eu Amo Huckabees (I love Huckabees/EUA-2004) de David O. Russel com Jason Schwartzman, Jude Law, Naomi Watts, Isabelle Hupert, Mark Wahlberg, Lilly Tomlin e Dustin Hoffman. ☻☻

FILMED+: Clube da Luta

Pitt e Norton: delírios, pancadas, terrorismo e sabonete.

Há uns três filmes que David Fincher parece disposto a ser reconhecido como um cineasta maduro e acho difícil que ele perca o Oscar de direção neste ano. Seu perfeccionismo ficou mais polido e as invencionices visuais parecem estar se aposentando (em A Rede Social por exemplo só identifiquei esse Fincher irriquieto quando um personagem joga uma cerveja contra a câmera como se fossemos um personagem num filme 3D). Nada que desmereça o trabalho do diretor, que ainda sente atração pelo lado soturno do ser humano, só que agora procura desvendá-lo de forma mais sutil. A Rede Social parece estar há léguas de distância de Clube da Luta, a  grande ousadia do diretor que rendeu tantas polêmicas que acabou ofuscando a alegoria que viamos na tela.  Apesar dos truques visuais e da agressividade, o filme retrata com perfeição o vazio do homem moderno que tenta preencher com o consumo um vazio existencial que cedo ou tarde gera violência. Na época muitos compararam a jornada do personagem sem nome de Edward Norton e o insano fabricante de sabonete Tyler Durden (Brad Pitt em sua segunda parceria com Fincher e num papel que só se valorizou com o tempo) como a versão masculina de Thelma & Louise (1991). Salvo as devidas diferenças estilísticas os dois tem realmente muito em comum - e não me refiro à presença de Pitt. Enquanto no filme de Ridley Scott as duas amigas apontavam o revólver para a estrutura machista das relações sociais, Durden & Cia preferem distribuir murros entre si como uma forma de se sentirem vivos. Norton interpreta com maestria (acho que esse foi seu último papel realmente bom, já que desde então tem se dedicado a produções que o tratam como se fosse um ator menor do que realmente é) um sujeito que trabalha para uma companhia não identificada que investiga problemas em carros com defeito de fabricação. Voando por aí de um lado para o outro ele não consegue dormir devido ao fuso horário e outros problemas emocionais que não podem ser sanados com seu apartamento de mobília cara. O cara acaba procurando refúgio em grupos de auto-ajuda onde cancerosos, tuberculosos ou vítimas de outras enfermidades costumam desabafar suas angústias. Entre suas viagens acaba conhecendo Tyler Durden e nos conhece Marla (Helena Bonhan Carter) uma maluquete que acabará se envolvendo com os dois amigos, ou... quase. Enquanto o protagonista mergulha em seu vazio existencial acaba fundando com Tyler o clube do título, onde um bando de marmanjos irão se encontrar para trocar socos para sairem da inércia de seus cotidianos medíocres. Enquanto trocam sopapos entre si não existe problema nenhum, o pior é quando o clube se amplia e as posturas terroristas começam a aparecer - ao ponto de gerar um plano capaz de criar um colapso econômico de escala mundial. Fincher conduz o público num mergulho frenético num roteiro que bebe diretamente na escrita agressiva e esquizofrênica de Chuck Pahlaniuk e para isso não poupa delírios visuais (o apartamento mostrado como catálogo, a caverna gélida habitada por Marla, o acidente de avião, o interior e Norton desembocando numa arma...) mostrados com um humor negro que tempera o filme em seus momentos de angústia e suspense. Visto hoje, Clube da Luta parece ter gasto todo o repertório de Fincher em malabarismos visuais. O diretor permanece arrojado visualmente, só que de forma infinitamente mais comportada. Se Clube da Luta foi lembrado no Oscar numa módica indicação ao prêmio de efeito sonoro, a guinada na carreira de David Fincher pode lhe dar o Oscar de direção (e muitos outros) no próximo domingo. 

CLUBE DA LUTA (Fight Club/EUA-1999) de David Fincher com Edward Norton, Brad Pitt, Helena Bonhan Carter, Jared Leto e Meat Loaf. ☻☻☻☻☻

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

INDICADOS AO OSCAR 2011: DIRETOR

DARREN ARONOFSKY (Cisne Negro) Estreante nas indicações ao Oscar, Darren Aronofsky (na foto ao lado de Natalie Portman) merecia uma indicação desde o seu segundo filme, o assustador Réquiem para um Sonho (2000). O filme exigia estômago forte da platéia e talvez por isso a indicação quase veio em seu filme mais brando, O Lutador (2006). Mesmo assim Darren só foi lembrado na categoria diretor com o equilíbrio alcançado em Cisne Negro. Uma fábula de tom realista que utiliza muito da trama do Lago dos Cisnes. O sucesso mundial do filme demonstra que Darren finalmente conseguiu realizar um pesadelo que pode ser desvendado pelo grande público (mas que já deliciava seus fãs desde 1998 com a estréia de Pi), com as angústias de uma bailarina perfeccionista tentando sufocar seu incontrolável lado obscuro o diretor misturou realidade, loucura e fantasia.  A coisa deu tão certo que o diretor foi escalado para dirigir a nova aventura do mutante Wolverine.

DAVID FINCHER (A Rede Social) David Fincher recebeu sua primeira indicação ao Oscar em por O Curioso Caso de Benjamin Button (2008). O diretor é famoso pelo seu perfeccionismo exagerado ao ponto de inchar orçamentos e prolongar as filmagens ao limite do insuportável para seu elenco. Só para se ter uma ideia o diálogo inicial de A Rede Social foi repetida mais de oitenta vezes. O perfeccionismo de David (o grisalho da foto ao lado) está impresso em cada segundo de Social Network, desde os enquadramentos, passando pelas atuações e terminando nos efeitos especiais que nem são notados. Na sua jornada até o Oscar o diretor já levou para a casa inúmeros prêmios de associações de críticos e o Globo de Ouro. No entanto nesta alegoria de Fincher sobre as relações contemporâneas temos cada vez mais a impressão de que amadurecer como diretor significou se distanciar da ousadia impressa em obras como Se7en (1995), Clube da Luta (1999) e em sua carreira nos video clipes. Mesmo assim ainda é o favorito da categoria.

DAVID O. RUSSEL (O Vencedor) Filmes de boxe costumam ser todos iguais, mas Russel provou que se pode dar um toque mais pessoal a esse tipo de filme. Quem conhece o trabalho do diretor teria dificuldade em imaginá-lo a frente de uma obra dessas - basta conferir seus filmes anteriores como a comédia Procurando Encrenca (1996), Três Reis (1999) e Eu Amo Huckabees (2004) para perceber que O Vencedor é sua obra mais comportada. Russel acabou dirigindo o filme por acaso, já que o concorrente Darren Aronofsky era a primeira opção para o filme, mas acabou dirigindo outro filme sobre luta (O Lutador) e preferiu ficar só na produção deste aqui. A maior tarefa de Russel era não deixar a história real do boxeador Micky Ward e seus agregados problemáticos descambasse para o melodrama. As indicações para todo seu elenco principal para o Globo de Ouro - e quase todo ele ao Oscar (ficou de fora Mark Wahlberg que aparece na foto ao lado do diretor) - mostra que Russel é mais do que um diretor de estripulias narrativas. 

JOEL & ETHAN COEN (Bravura Indômita) Entre os indicados são os manos que mais possuem indicações e Oscars na estante. Ano passado eles estavam no páreo de roteiro original e melhor filme por Um Homem Sério (2009), mas antes já haviam ganho as estatuetas de roteiro adaptado, direção e filme por Onde Os Fracos não Tem Vez (2007) e de roteiro original pela obra-prima Fargo (1996). Joel & Ethan  (na foto com Jeff Bridges ao centro) se sairam muito bem na tarefa perigosa de dar nova vida a um clássico do faroeste e não perderam a mão no humor negro ou na agressividade que lhe são peculiares numa trama de vingança. Embora não sejam os favoritos, a indicação comprova que a dupla pioneira do cinema indie nos EUA estão com um fã clube cada vez maior na Academia - o que acaba se refletindo no apelo perante o público, já que Bravura Indômita é o maior sucesso de bilheteria da carreira dos caras.

TOM HOOPER (O Discurso do Rei) Totalmente desconhecido e praticamente estreante na direção de longas para o cinema, Hooper ganhava a vida dirigindo produções para a TV britânica e deu uma sorte danada quando Geofrey Rush o convidou para tocar este filme sobre o tratamento contra a gagueira a que se submenteu o rei George VI. Hooper (na foto, entre Rush e Colin Firth) faz um filme redondinho, daquele tipo em que a vitória seria certa no Oscar anos atrás, mas como os tempos mudaram ele tem uma tarefa difícil pela frente se quiser ser premiado entre a concorrência mais famosa e consagrada. No entanto, a sintonia com que Hooper conduz seu elenco multifacetado faz com que ele tenha grandes chances na disputa pelo careca dourado deste ano. 

O ESQUECIDO:
CHRISTOPHER NOLAN (A Origem) Chega a ser um crime deixar de indicar Nolan (na foto ao lado de Leonardo DiCaprio) ao Oscar deste ano - ainda mais depois do desprezo já recebido por sua direção em O Cavaleiro das Trevas (2008). Nolan criou o melhor filme de 2010, um espetáculo para os olhos e para o cérebro que costura referências e sonhos com uma energia invejável. Nolan demorou dez anos para escrever o roteiro original de A Origem e deve levar o Oscar da categoria para casa na intenção de diminuir o mico da Academia ao ignorar um dos cineastas mais inventivos em atividade. Antes desta indicação, Nolan já havia concorrido ao Oscar de roteiro adaptado ao lado do irmão Johnatan Nolan por Amnésia (2000). Afinal de contas, quais foram os doidos que imaginaram que o mais original dos dez indicados ao Oscar de melhor filme se fez sozinho?  

CATÁLOGO: Milk


Franco e Penn: atuações formam o centro de Milk.

Gus Van Sant havia saído de filmes árduamente autorais (Elefante/2003, Os Últimos Dias/2005 e Paranoid Park/2007) quando foi convidado a dirigir a cinebiografia do primeiro político assumidamente gay dos Estados Unidos. Milk doi um desses filmes que demora para sair do papel, onde diretores (Oliver Stone, David Fincher...) e atores (Robin Williams, Richard Gere, Daniel Day Lewis, James Woods...). Bastou Van Sant entrar no projeto e fechar o elenco para que o filme fosse rapidamente colocado entre possíveis concorrentes ao Oscar anos atrás - e realmente conseguiu preciosas indicações ao contar uma história real que fala mais sobre política do que a maioria dos espectadores poderiam supor. Harvey Milk (Sean Penn, que pelo papel ganhou seu segundo Oscar) era um homossexual de São Francisco que no final da década de 1970 resolveu fazer a diferença e concorrer a uma vaga como membro da câmara de supervisores (equivalente aos vereadores) de São Francisco. Harvey havia se mudado para a cidade com seu companheiro Scott Smith (um ótimo James Franco que mostrava estar disposto a ter papéis melhores no cinema) após deixar Nova York e acabou se tornando um dos articuladores de um grupo de homossexuais que lutavam contra a homofobia local, especialmente a praticada por policiais.  As ações de Milk e seus amigos acabam transformando o bairro do Castro em uma fonte de referência para as minorias políticas. Gus Van Sant conta a trajetória política do personagem a partir deste momento, explorando seus esforços para alcançar uma votação expressiva, além de conseguir apoio para a campanha e para seus projetos na câmara. Penn desaparece no papel e entrega uma atuação sincera de um sujeito que consegue enxergar além do seu tempo. Seu desempenho nos faz entender como um político lutando a favor dos direito dos homossexuais conseguiu apoio até de conservadores da época (como o aspirante à presidência Ronald Reagan). Van Sant, homossexual assumido, aposta numa linguagem nada panfletária, construindo um filme político com poucas ousadias (uns beijinhos aqui, umas cenas de nu ali...) em uma narrativa sem grandes sobressaltos e que se concentra especialmente sobre seu personagem e o embate com a sociedade da época. Esse embate aparece especialmente na relação de Harvey com dois personagens, o namorado Smith (que não aguenta o novo ritmo da vida de Milk) e Dan White (Josh Brolin, indicado ao Oscar de coadjuvante). Era um conselheiro colega de Milk que tenta esconcer seus ressentimentos debaixo de uma casca conservadoramente polida e que ao fim mostra-se o maior algoz de Milk - e acabou se tornando um dos homens mais odiados da história americana. Amparado na história (que todo mundo conhece) e nas atuações (o elenco ainda conta com Emile Hirsch, Allison Pill, Joseph Cross e Diego Luna - este sendo o pior do elenco), Van Sant não cria malabarismos de câmera ou invencionices narrativas e talvez por isso mesmo seu filme tenha agradado e faturado o Oscar de ator (Penn) e roteiro (Dustin Lance Black).

MILK - A voz da igualdade (Milk/EUA-2008) de Gus Van Sant com Sean Penn, Josh Brolin, James Franco e Joseph Cross. ☻☻☻

Na Tela: Bravura Indômita


Hailee Steinfeld: Bravura Indômita juvenil rumo ao Oscar

Os manos Joel e Ethan Coen sempre deixaram bem claro que o Bravura Indômita que estavam preparando era menos um remake do clássico que oscarizou John Wayne em 1970, e mais uma adaptação fiel do livro de Charles Portis que deu origem ao filme. Enquanto público e crítica mantinham a pulga atrás da orelha, os caras fizeram seu filminho tanquilamente até que chegou às telas no final de 2010. O sucesso alcançado (mais de cem milhões de bilheteria em pouco mais de um mês em cartaz) e os elogios da crítica o colocaram entre um dos maiores sucessos do ano e fez (assim como Cisne Negro) os estúdios repensarem a prática de guardar seus melhores filmes até o fim do ano enquanto por dez meses as telas são dominadas por produções bobas que vão mal das pernas. Quem viu o Bravura Indômita de Henry Hathaway aponta que a maior diferença é trato que os diretores dão à menina Mattie Ross (Hailee Steinfeld, indicada ao Oscar de coadjuvante) que na adaptação anterior era mostrada com mais doçura enquanto neste é ela que parece dar o título ao filme. Mattie quer se vingar do bandido (Josh Brolin, em mais uma parceria bem sucedida com os Coen) que matou seu pai, para isso contrata um xerife caolho e beberrão (Jeff Bridges, indicado ao Oscar de ator) para ajudar na empreitada e conta ainda (involutariamente) com um ranger cheio de si vivido por Matt Damon. Os três vão se estranhar durante o início da sessão, mas depois vão amadurecer a relação enquanto parceiros na caçada pelo mesmo homem. Se os Coen já mostravam seu interesse pelo faroeste em Onde os Fracos Não tem Vez (2007) que rendeu quatro Oscars para eles, aqui eles abraçam o gênero com todo o charme que pode proporcionar: homens maus, mulheres que não tem medo de cara feia, índios feitos de chacota e duelos onde a defesa da honra é o combustível – só que misturam todas essas características ao humor peculiar que lhe rederam indicação ao Oscar de filme e roteiro original no ano passado com Um Homem Sério (2009). Sendo assim, não se contentam em ter um Jeff Bridges confortável no papel de beberrão Rooster Cogburn, eles fazem verdadeira chacota com o personagem, não deixando dúvidas de que a bravura do título pertence à menina Mattie Ross e sua determinação de matar o assassino de seu pai. Neste ponto está a parte mais elogiada do filme, a atuação da menina (ela tinha treze anos na época das filmagens) Hailee Steinfeld vinda de comerciais para a Tv. Devo admitir que a atuação da garota é boa, mas no papel ela consegue ser apenas correta fazendo exatamente o que esperamos dela. Não considero justo que derrote suas concorrentes à estatueta por ser ainda uma adolescente que age como uma adulta diante das câmeras. Mas isso não vai estragar a sessão para quem curte o gênero, ainda mais com os belos momentos finais onde Mattie paga o preço caro por amadurecer tão depressa. A obra mais acessível dos Coen, além das indicações de Jeff e Hailee, concorre a outras oito categorias no Oscar deste ano: filme, direção, roteiro adaptado, direção de arte, fotografia, figurino, edição de som e mixagem de som.

Bravura Indômita (True Grit/EUA-2010) de Ethan e Joel Coen com Jeff Bridges, Hailee Steinfeld, Matt Damon e Barry Pepper. ☻☻☻